Abro hoje aqui neste “Conversar em Peniche” espaço para alguma correspondência que vou recebendo (ou a que vou tendo acesso) e que de alguma forma julgo que, pela abrangência dos depoimentos que contém é importante que chegue ao conhecimento de todos os que me lerem.
É um espaço muito restrito. Que não tem que ver com “comentários”. Por isso será perfeitamente discricionário. Eu e só eu determinarei o que considero que aqui deverá ser transmitido. Que vos seja tão útil a vós como me tem sido a mim.
----------------------------------------------------------------------------------
ANTÓNIO ABREU VAZ SERRA
(Falecido a 05/06/07)
Peniche, 6 de Junho de 2007
Meu caro e inesquecível amigo
Tinha visto o teu nome no programa do festival “Sabores do Mar” onde nunca faltavas e, desta vez, contava, na verdade, voltar a ver as tuas subtis aguarelas estilo clássico, os teus acrílicos, os teus óleos maravilhosos, uns clássicos outros modernos, com alguns dos quais tens ganho significativos prémios, enfim, com os teus belos azulejos dedicados a Peniche
Os “Sabores do Mar” abriram a 1de Junho mas, com grande surpresa minha, não apareceste nesse dia. Vindo de Lisboa, (a terra onde nasceste e residias, sendo embora Peniche a tua terra de eleição porque aqui decorreu a tua infância e a tua adolescência), só chegaste aqui no dia 5 Junho, ou seja, quando o festival ainda estava praticamente no princípio. Vinhas, pois, muito a tempo de montares o teu stand. Mas quão diferente e inacreditável era o rumo que trazias: a casa funerária anexa à Igreja de Nossa Senhora da Conceição! É me difícil aceitar o que de tão fulminante te havia de surpreender, Praticamente ainda no auge da vida (eu sei que tinhas apenas 62 anos de idade) quando tanto ainda havia a esperar da tua fértil imaginação, da tua enorme habilidade, do irrequietismo e delicadeza dos teus pincéis. Duas semanas bastaram para que tudo isto viesse a acontecer. A vida tem destas surpresas e só Deus lá sabe porquê.
Acredita que tem sido grande o encanto e o orgulho com que contemplo os quadros que me ofereceste há muitos anos, como gesto de gratidão por me considerares a causa do despertar da tua paixão pela pintura, Mantenho-os expostos nas paredes interiores da minha casa, e agora contemplo-os com um sentimento acrescido: uma indelével saudade. .
Mas, se era enorme a capacidade que revelavas de expandires o teu talento através de tantos sectores no campo das artes plásticas, não posso deixar de exaltar as tuas qualidades humanas das quais ouso destacar duas: a modéstia e a simplicidade que são afinal as qualidades que distinguem os espíritos verdadeiramente superiores e que já revelavas em criança. Lembro, a propósito que, quando numa questão de solidariedade com os teus amigos da rua ( crianças pobres e humildes) saltavas com elas a tirar peixe dos cabazes que, na Ribeira Velha, os pescadores traziam dos barcos para terra. Era também nessa altura que, pelas mesmas razões, pedias aos teus pais (o inesquecível Dr. Serra e a simpatiquíssima D. Juvite Serra) que te deixasse andar descalço como esses amigos.
Ah, mas quantas histórias se contam da tua infância bem reveladoras da popularidade e simpatia de que então gozavas!.
Só me resta dizer-te que espero que tenhas sentido quão forte foi o abraço que, no dia 5 de Junho te fui dar na casa funerária onde te encontrei.
Um abraço que só podia ter sido com os braços da alma
António Alves Seara.


O que aconteceu à Escola Secundária de Peniche foi o fechar de um ciclo e um abrir um novo ciclo. Terminaram definitivamente com a Escola que preparava magistralmente alunos com cursos médios de carácter profissional ou profissionalizante, para criar uma Escola de carácter generalista que prepare alunos para cursos de grau superior ou pré-profissionalizantes (se é que alguém sabe o que isso é).
Será que a grande maioria dos responsáveis com capacidade de decisão neste Concelho teriam sido convidados a discutir aquela transformação? Será que as pessoas se aperceberam mesmo das consequências do que aconteceu àquele estabelecimento de ensino? Será que o Concelho Municipal de Educação foi convidado a pronunciar-se sobre aquela decisão de alterar em definitivo o tipo de formação a ministrar naquele pólo de Educação?Eu não estou a dizer com isto que estou em desacordo e também não estou a dizer o contrário. Estou a constatar um facto.
Mas quem sou eu? Um “chato”. Uma besta que só faz é incomodar os outros... Que deveria estar calado e não levantar ondas que só desgastam os pobres coitados que aqui vivem neste “reinozinho” de trazer por casa. Será que ainda faz sentido discutir Peniche?
Isto a continuar assim qualquer dizem que eu estou cheio de arrependimentos miudinhos. Ou que sou castigado quando me porto mal.
O aquecimento global e o desaparecimento da camada de ozono oferecem-nos em meados de Junho um fim de semana outonal. Bom para ficar em casa a ouvir umas músicas, ver uns filmes, ler aqueles livros que há tanto tempo queríamos ler e a falta de tempo (ou a preguiça) não nos deixaram desfolhá-los.
O livro em questão chama-se “COMO FICAR ESTUPIDAMENTE CULTO EM APENAS 10 MINUTOS” e como referências adicionais sempre digo que foi “escrito”(?) por Nuno Amaral Jerónimo e José Carlos Alexandre e foi dado à estampa pela Editora “Mercado de Letras”.


