quarta-feira, junho 18, 2008

Uma proposta de leitura..Para perceber melhor as (des)motivações de muitos jovens. Para compreender um "certo" tipo de violência. Para nos interrogarmos sobre quais deverão ser de facto as nossas prioridades. Que fizemos do que aprendemos. Que opções deixámos às gerações mais jovens.

terça-feira, junho 17, 2008

22 ANOS
Tantos como os que me separam do momento brutal em que a notícia brutal me apanhou completamente desprevenido. O meu pai tinha morrido. Menos de uma hora antes eu vinha da Lourinhã e passei por casa de meus pais para o ver. Recordo que quando já eu ia a sair ele me disse qualquer coisa de que eu me ri e respondi-lhe. “- Você é sempre o mesmo”. Tentei milhares de vezes recordar o que ele me teria dito e não consigo. Bloqueei por completo em relação às últimas palavras que lhe ouvi.
Tenho uma recordação viva de meu pai. E continuo a sentir a mesma saudade dele hoje, que senti logo no primeiro dia em que morreu. Sinto a sua falta. Sinto falta dos seus juízos. E tenho uma imensa pena que ele não tenha conhecido a Maria.
Eu tenho aliás uma teoria muito minha em relação aos dois. Ele morreu dois meses antes de ela ter nascido. Eu conhecendo-a como a conheço penso que ele reencarnou nela. Ela tem todas as características do meu pai em particular e dos “Baterremos” em geral.
Como eu recordo mais o meu pai é no “Café Aviz” de fato de ganga e de boina. Tenho uma foto dele a conversar com o Sr. Acelino que retrata na perfeição o que estou a dizer.A foto foi tirada em 7 de Junho de 1972 pelo Gentil. O curioso desta foto é que o verso é tão importante como o que retrata. Isto pelas anotações escritas pelo meu pai e, pela assinatura no canto inferior esquerdo onde pode ler-se, “Gentil – Equitador e a data”.Para os que se lembram, o Gentil é um ícone de Peniche. Que retratou de forma magistral momentos das pessoas de Peniche únicos. Como é este caso. O meu pai é uma figura indissociável da oficina e do Café Aviz. Foi ali que germinou a ideia da formação do GDP.
Recordar o meu pai hoje, é um desfiar de histórias e momentos sem fim. Amo o meu pai.

segunda-feira, junho 16, 2008

Há duas palavras que abrem muitas portas: Puxe e Empurre!

domingo, junho 15, 2008

À ESPERA......na praia de px de cima, da hora do jogo da selecção.

sábado, junho 14, 2008

DIA DA IRLANDA
Fico a dever uma ao Stº António. A partir de agora a 13 de Junho celebrar-se-à também a nível Europeu o DIA DA IRLANDA.
É claro que entretanto já andam por aí ideias de não valorizar o que por força de Lei o deverá ser. Os grandes(?) da europa ao sentirem que foi posto em causa o seu estatuto já andam numa chinfrineira a tentar ignorar o que não pode ser ignorado.
Mas a mim cheira-me que o "NÃO" rotundo e firme que ontem ouvimos não se ficará por ali. Bem pode o "cabotino" do Durão Barroso vir a minimizar o que aconteceu. Aquilo em que apostou acabou. Resta-lhe abanar a cauda e vir embora de Bruxelas com "o rabo entre as pernas", que foi o mesmo que fez quando abandonou Portugal, após ter contribuído para a maior carnificina humana a que podemos assistir nos últimos anos a que deu cobertura no Iraque.
Têm feito tudo nas costas das populações. Começam agora a ter a resposta adequada.

sexta-feira, junho 13, 2008

13 DE JUNHO:
Uma data. Dois ícones


Oração a Stº. António (escrita a 12/06/2008)Meu querido Stº Antoninho: Que neste vosso dia com o mesmo Amor com que casais as vossas noivas. Que com a mesma ternura com que recebeis as traquinices do Menino Jesus. Que com o mesmo olhar de Amizade com que sempre olhaste para Lisboa, a cidade que vos viu nascer. Que com o mesmo carinho que sempre demonstraste por Portugal.
Ouvi as minhas preces.
Fazei da população da Irlanda um instrumento da Vossa Glória.
Fazei com que eles saibam explicar à nossa velhinha Europa que não basta falar em nome dos que precisam. Fazei com que os nossos governantes percebam de uma vez por todas que a Democracia é o governo do Povo, pelo Povo e para o Povo. Vós que gostais de manjericos e de papoilas. Vós que fazeis florir as alcachofras e os malmequeres, permiti que as coisas simples floresçam. E que um simples não da Irlanda seja a forma singular e serena de todos os “chefões” saberem que os seus governados gostam da Europa que construírem. Não aquela Europa que lhes querem impor para perpetuar os benefícios de uns quantos, em detrimento de todos nós.
Dai-me neste vosso dia a alegria de sentir o milagre do Vosso Amor connosco. PN.AM.

120 Anos do nascimento do PoetaHá mais de meia hora
Que estou sentado à secretária
Com o único intuito
De olhar para ela.
(Estes versos estão fora do meu ritmo.
Eu também estou fora do meu ritmo).
Tinteiro grande à frente.
Canetas com aparos novos à frente.
Mais para cá papel muito limpo.
Ao lado esquerdo um volume da «Enciclopédia Britânica».
Ao lado direito –
Ah, ao lado direito!
A faca de papel com que ontem
Não tive paciência para abrir completamente
O livro que me interessava e não lerei.

Quem pudesse sintonizar tudo isto!

Álvaro Campos (Fernando Pessoa)

quinta-feira, junho 12, 2008

O POVO É QUEM MAIS ORDENA
Existe uma vertente de participação dos cidadãos na vida autárquica, muito pouco desenvolvida entre nós (Portugal), o que parece dar razão aos que fazem dos versos da canção um paliativo e uma mera figura de retórica. Refiro-me aos ORÇAMENTOS PARTICIPATIVOS (OPs).
O que são os OPs? Trata-se de um processo de participação dos cidadãos na tomada de decisões sobre as prioridades a que afectar os seus recursos. As associações representativas de cidadãos, ou estes em nome próprio, sugerem os investimentos a eleger como prioritários nos Orçamentos Autárquicos.
Existem dois tipos de OPs: O Consultivo e o Vinculativo. Só no 2º caso o poder local se compromete a executar as decisões das consultas populares. Em Portugal todas as experiências desenvolvidas se referem a OPs Consultivos.
Como lançar um OP? Ou em Assembleia, por via postal ou pela Internet.
Que experiências existem em Portugal? 25 Autarquias no Continente desenvolvem OPs. 6 do PS. 1 Independente. 9 da CDU e 9 do PSD. Ao contrário do que poderíamos imaginar não é pois uma acção da esquerda política “tout court”.
Existem formas do levar os cidadãos a participarem na vida autárquica sem paternalismos, nem vigilâncias mais ou menos musculadas.
Aos Partidos Políticos cabe a importante tarefa de saber o que preferem. Se definharem até desaparecerem tal como hoje os concebemos, ou descobrirem formas de os cidadãos (re)aprenderem a confiar neles. É claro que têm de estar preparados para perderem as clientelas. Ou em alternativa perderem o medo dos eleitores.
E Peniche onde fica no meio disto tudo? Fica-se pelos “Sabores do Mar”. E por uns programas de TV mais ou menos “pífios”. Democracia é para os outros. Participada ainda por cima? Era o que faltava. Anda uma pessoa a fazer tudo o que é “legítimo em política” para chegar ao poder executivo e depois dividia-o com quem não pertence ao “clube”. O dinheiro é pouco e as pessoas não se interessam.

quarta-feira, junho 11, 2008

RAÇANHUDOS
Não votei em Sócrates, nem em Cavaco Silva. Para o que der e vier sou responsável por esta minha atitude. Não sei ainda se me hei-de sentir orgulhoso ou mortificado por essa minha opção. Isto não significa que esteja sempre em desacordo com um ou com outro. Infelizmente para “mal dos meus pecados” estou mais vezes de acordo com o Presidente da República do que com o 1º Ministro. Mas adiante.
Vem tudo isto a propósito do facto de Cavaco Silva ter apelidado o 10 de Junho como “DIA DA RAÇA” e os habituais do PCP e do BE terem vindo a entrar em histérica “chinfrineira”, porque é uma expressão troglodita e fascista do Salazar e de pretender com isso exaltar uma coisa que não existe, a raça portuguesa.
Pois eu não podia estar mais de acordo com a expressão. E aplaudo o Presidente da República por a ter utilizado sem traumas, nem complexos. Cá por mim existe uma raça portuguesa. Existe uma alma lusa.
Eu sou da Raça do Pepe quando ele marca um golo à Turquia e deixo-me emocionar por isso. Eu sou da Raça de Eusébio e do Mário Coluna. Eu sou da Raça de Jorge Amado e de Reinaldo Ferreira. A Raça Portuguesa não se confunde com nenhuma outra. E foi essa Raça que me levou à Guiné-Bissau em 1975 e 1976 para ajudar na reconstrução daquele país. E vibrei lá com a obra de Amílcar Cabral sentindo-o como parte da minha Raça. E estive em S. Tomé onde chorei com a escravatura a que os senhores do cacau submeteram aquele povo até ao século XX. E eu era da Raça dos negros daquelas roças.
Eu sou da Raça que Camões exaltou e em que Pessoa penetrou até ao mais de si mesma.
Se o os senhores Louça e Sousa têm complexos com a expressão raça portuguesa, problema deles. É melhor tratarem-se desse complexo de fascismo que lhes parece dominar as entranhas. E não me venham com sofismas. Se o Salazar utilizou a palavra para atingir fins inconfessáveis, então há que valorizar a palavra. Se os neonazis a utilizam dando-lhe um contexto perverso, há que realçar o lado maravilhoso do SER PORTUGUÊS.
Cá por mim aplaudo o Professor Cavaco Silva pela sua coragem e congratulo-me pelo aclarar de ideias que isso representou. Só os portugueses cantam o Fado e sentem Saudades. Só os portugueses se emocionam até às lágrimas ao verem os seus meninos brilharem como sóis por esse mundo fora. Nem que seja a jogar à bola.

terça-feira, junho 10, 2008

10 DE JUNHOEnquanto quis Fortuna que tivesse
Esperança de algum contentamento,
O gosto de um suave pensamento
Me fez que seus efeitos escrevesse.

Porém, temendo Amor que aviso desse,
Minha escritura a algum juízo isento,
Escureceu-me o engenho co tormento,
Para que seus enganos não dissesse.

Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos
A diversas vontades! Quando lerdes
Num breve livro casos tão diversos,

Verdades puras são, e não defeitos.
E sabei que, segundo o amor tiverdes,
Tereis o entendimento de meus versos.

Luís de Camões

segunda-feira, junho 09, 2008

DINHEIRO: - SUA ALTEZA REAL!Num artigo publicado no DN de ontem, domingo 8 de Junho, Rita Roby Gonçalves afirma que Miguel Pais do Amaral depois de vender a sua participação na Media Capital (proprietária entre outras da TVI), adquiriu o Grupo Leya que detém 13 editoras entre as quais, a Caminho, Texto, ASA e a Oficina do Livro.
Isto significa que sempre que um qualquer de nós pega num livro para ler, existem as maiores possibilidades de que esteja a colaborar na consolidação empresarial do maior grupo económico livreiro português. Mas o que é mais interessante no artigo que estou a citar e a que a autora deu a designação de “O conde de gelo” é que o referido Pais do Amaral “dedica-se pouco às leituras, não tem queda para a poesia, filosofia ou literatura”. “O seu objectivo foi sempre o dinheiro. Os negócios, não têm nada a ver com gostos pessoais.”
O 2º conde de Alfarrede, filho do 7º conde da Anadia, percebe de negócios. Tem o toque de Midas. E ensina-nos a viver no mundo novo em que o dinheiro é a mola real da vida. O que permite multiplicar euros é bom. O que não der lucros é lixo.
Por mim vou tentar boicotar as minhas compras ao grupo da realeza. Não tenho nada contra os ricos. Nem contra os nobres. Mas detesto pedantes. E pior que um pedante, só um pedante rico.

domingo, junho 08, 2008

sábado, junho 07, 2008

EM DIA DA SELECÇÃO NACIONAL...
VENHA DE LÁ ESSE ABRAÇO!

sexta-feira, junho 06, 2008

PLACARD ELECTRÓNICO
O dito cujo que já aqui foi citado, entra hoje de novo no centro da minha atenção. Não porque de novo esteja avariado. Nada disso. Mas porque sendo um óptimo veículo de informação não está a ser potencializado na sua plenitude.
A minha sugestão tem a ver com uma conversa que ouvi entre dois frequentadores das ombreiras das portas da Praça principal da nossa cidade. Dizia um para o outro para que servia aquela coisa. Ao que o amigo respondeu que era para dar informações. Então o 1º retorquiu que se era para dar informações, porque raio de razão é que sendo esta uma terra de Turismo, as informações não eram vertidas para Inglês.
Eu lá fui andando e concordei com o sentido crítico do “cusco”.
De facto já lá vai o tempo da D. Lucília do Posto de Turismo. Que com a maior das boas vontades lá se ia desenrascando. Agora temos aquele departamento cheio de licenciados e gente sabedora. Por que é que não hão-de traduzir para inglês as informações prestadas? Era bom que se soubesse que existe um local próprio para informar os turistas dos alojamentos que existem. Dos eventos que se realizam. Das informações úteis.
É prático, simples, útil e dá milhões de razões para acreditar na nossa capacidade de fazer Turismo, para além do que é os grandes investimentos.

quinta-feira, junho 05, 2008

CAMPOS DE TÉNIS DA CIDADE DE PENICHE
Durante o tempo em que me mantive como vereador da Câmara Municipal de Peniche, uma parte importante do trabalho que desenvolvia, era na recepção de munícipes que apresentavam solicitações de apoio, reclamações sobre situações anómalas, pedidos de ordem diversa e até, sugestões para a correcção de erros cometidos pelo município que afectavam a vida dos cidadãos em particular.
E haviam muitos repetentes. Sendo Peniche um concelho pequeno com muitas e as mais diversas instituições, existiam (existem) pessoas que se repetem. Uma com responsabilidades em múltiplas actividades e sectores era o actual Presidente da Câmara, que ora aparecia em representação da ADEPE, ora em nome da CERCI Peniche, ora do Clube de Ténis e, ele que me perdoe se me estou a esquecer de mais algumas.
O que é certo é que quando a funcionária que aceitava as marcações me dizia que tinha mais uma solicitação de reunião com Tó Zé Correia, eu já sabia que vinha aí mais um pedido de subsídio e de apoio em homens e materiais da Câmara Municipal.
Vem isto a propósito de eu me interrogar como será agora nas suas relações com as instituições em que suspendeu a sua participação enquanto durar este seu impedimento.
E uma daquelas em que era mais insistente, não vislumbro ao fim de mais de metade do seu mandato qualquer iniciativa que me permita pensar que agora põe em prática aquilo que como pedinte fazia tão bem.
Refiro-me aos novos campos de Ténis, no local em que se vieram a descobrir os vestígios arqueológicos dos fornos romanos. Recordo-me de lhe ter entregue um ante projecto da inserção daquelas descobertas no parque de ténis, que estava a ser elaborado pelo CAT de Caldas da Rainha. Passados mais 7/8 anos tudo continua como dantes.
Na verdade parece ser muito mais fácil exigir ou pedir que fazer. Bem prega Frei Tomás. O melhor é eu parar de ter recordações.

quarta-feira, junho 04, 2008

SOU UM GRANDE PAROLOPacóvio. Saloio. Naif. Um lamechas. Emocionei-me ao ver a recepção à Selecção Nacional na Suiça. Vieram-me as lágrimas aos olhos ao ver aqueles portugueses agarrados a um ideal de Pátria que os alimenta e lhes dá força para procurarem lá o que aqui não encontram.
Quero lá saber do que digam sobre estes sentimentos de êxtase. O Scolari já ganhou. O Cristiano & Cª já ganharam. Eu já ganhei.
A Selecção Nacional foi à Suiça carregar as baterias de milhares e milhares de portugueses que fazem da diáspora a sua última esperança. Seja qual for o resultado final já ganhámos. É lindo e emocionante ver a serena e civilizada terra helvética rendida à paixão.Por tudo isto eu já coloquei bandeiras nas minhas janelas. E digo: Portugal! Portugal! Portugal! Fazendo coro com todos os que gostam de olhar e se rever no que está para lá do que é evidente. Valham-nos aqueles que superam a miséria miserável em que vivemos.
VIVA A SELECÇÃO!

terça-feira, junho 03, 2008

GREVE SUCEDE A GREVE ?Temos um dedo que adivinha. Ou deitámos as cartas. Ou lemos nas estrelas. Seja lá o que for mas surgem indícios (muitos) que quando tudo se prepara para um acordo entre armadores, pescadores e governo sobre a actual greve, já outra se prepera para se desencadear logo a seguir.
Dos compradores.
Tudo porque sobre eles foi criado um novo imposto de 2,5% sobre o producto das compras, a fim de subsidiar a Docapesca que atravessa um período de grave crise financeira. Revolta estes comerciantes e industriais que se tenha que subsidiar uma empresa que só tem problemas por falhas graves da sua gestão. Dão como exemplo a Docapesca de Pedrouços com mais de 160 trabalhadores, mas onde nunca se veem mais de 20 a executar funções operativas.
Temos uma adivinhação que nos diz que é só acabar uma, para se desencadear logo de seguida uma outra contra este imposto absurdo.
Como se não fossem os consumidores que pagam os impostos dos compradores e distribuidores de peixe. E que VIVA o Stº António!

segunda-feira, junho 02, 2008

A CRISE DOS COMBUSTÍVEIS
Tudo o que vos poderia dizer sobre este assunto, seria redundante face às milhentas análises que já vimos, ouvimos e lemos. Daí que melhor que as palavras será talvez um boneco que ilustra e resume tudo isso de forma exemplar:
"A Evolução do roubo ao longo dos tempos"

domingo, junho 01, 2008

1 DE JUNHO
Dia Mundial da Criança. O meu diaEu. Euzinho. Eu todo. Menino e moço todo imponente por ter chegado até aqui. Graças a muitos milagres juntos. Do acaso ou talvez não. Da medicina. Dos médicos que me têm acompanhado e vigiado. Graças ao apoio da minha família. E dos que gostam de mim. Tenho um grande abraço para todos, daqui e percorrendo todo os espaço onde todos se distribuem.
Sou feliz por estar aqui convosco. Sou feliz por poder recordar todos os que amo. Mesmo aqueles (e sobretudo esses) que a lei da vida foi empurrando para além do espaço-tempo em que me movimento.
Um abraço à Juju. Ao Carlos Amaral. Ao Zé. Não esqueço a Marylyn Monroe.
Continuem a celebrar. É bom estar vivo. É bom fazer anos.

sábado, maio 31, 2008

Quais festa? Quais pescadores? Quais pesca? Tanta confusão por aí fora e nós aqui em Peniche,
assobiamos para o lado e celebramos nem sei o quê, nem porquê, nem para quê...
Oh! Pescador que já foste
Oh! Pescador que já não és
Oh! Pescador que estás virado
Da cabeça para os pés.

sexta-feira, maio 30, 2008

UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA*A atribuição há poucos dias do Prémio Pessoa à historiadora Irene F. Pimentel, pelo seu contributo na reconstrução da história do Estado Novo, nomeadamente através dos livros “A HISTÓRIA DA PIDE” e “MOCIDADE PORTUGUESA FEMININA”, trouxe-ma à memória recordações familiares dolorosas.
Dolorosas por duas ordens de razão: pelo que representaram na altura em que se deram e, pelo esquecimento voluntário ou não, a que foi votado na minha terra quem com o seu exemplo de dignidade e humanismo ajudou a construir o Portugal de Abril que hoje vivemos.
Refiro-me a meu sogro ÁLVARO DOS SANTOS MARTINS, guarda prisional antes do 25 de Abril que foi preso pela polícia política e afastado compulsivamente da sua actividade profissional com todos os traumas que isso lhe produziu e à sua Família.
O meu sogro que foi defendido nos Tribunais Plenários pelo candidato à Presidência da República Arlindo Vicente e que ao ser privado da Liberdade por 3 anos, deixou em casa esposa e 4 filhos respectivamente com 8, 6, 3 e 2 anos.
Para poder garantir o seu sustento e o da sua prole, a minha sogra com ajuda exclusiva da família e da máquina de costura, foi criando as meninas e meninos, podendo hoje rever-se nos filhos que educou.
Ao regressar da prisão, como barbeiro e com um cafezito, foi colaborando na subsistência familiar, embora sofrendo as humilhações das apresentações periódicas na PSP como se de um criminoso se tratasse e com o anátema de ser comunista, o que afastava muita gente da sua fonte de rendimento, mesmo alguns que logo após o 25 de Abril passaram a gritar loas a plenos pulmões à Liberdade. A filha mais velha chegou mesmo a ser hostilizada na Escola Primária por ter um pai preso político.
Sobre todo este drama, Peniche passou uma esponja, porque o Álvaro nunca foi pessoa de se por em bicos dos pés a implorar reconhecimento. Foi um guarda prisional digno, um preso político sem nunca vergar e libertado bastou-lhe a sua consciência de homem para se sentir bem consigo próprio e com os outros.
Julgo que quem sai mal disto tudo é uma terra que esquecendo os seus filhos que pagaram caro os seus exemplos de dignidade e de verticalidade, não conseguirá nunca reconciliar-se consigo. Felizmente que alguém fez a história desses tempos e, o meu sogro que na sua terra não existe, vai ficar para todo o sempre com o lugar que merece no registo dos que lutaram por um Portugal como país de dignidade.
Aqui vai um pouco da História de um digno filho de Peniche que merece ser recordada.
Para que o 25 de Abril tenha merecido a pena.
No livro “A HISTÓRIA DA PIDE” de Irene Flunser Pimentel, (Prémio Pessoa 2008) das edições “Circulo dos Leitores – Colecção Temas e Debates”, pág. 451 é assim relatado o calvário do Álvaro Martins, às mãos da PIDE:«XVI.3.3.2 O papel de alguns guardas prisionais
…um guarda prisional foi castigado em Caxias “por se ter prestado a conduzir a correspondência de um recluso para o exterior, sem ser vista pela censura”.
…um guarda prisional de Peniche foi acusado pelos chefes dos guardas de prestar auxílio aos presos e foi punido com transferência para outra prisão, enquanto, no mesmo período, outros colegas seus sofreram perseguições por “fazerem vista grossa” aos “contactos organizativos” dos presos.
É possível que um desses casos tenha ocorrido com o guarda prisional Álvaro dos Santos Martins, que após 1974, contou a forma como foi vítima da PIDE. Segundo relatou, mal chegou a Peniche, no início dos anos 50, o chefe dos guardas Ramos começou a persegui-lo. Um dia, o inspector dos Serviços Prisionais, Orbílio Barbas, avisou-o de que tinha sido alvo de uma denúncia, pelo que o ia transferir para Caxias, para evitar “o pior”. O pior aconteceu em 9 de Janeiro de 1954, quando cerca de seis elementos da PIDE o foram buscar ao reduto sul de Caxias, onde trabalhava, e, acusando-o de pertencer ao PCP, o levaram para o terceiro andar da sede da polícia, onde foi pontapeado.
Ao ser interrogado por uma equipa dirigida pelo inspector Porto Duarte, o então sub-inspector Gouveia disse àquele: “este homem não tem nada, o mais que pode ser é um descontente”. Isso não obstou porém a que o próprio Gouveia colocasse Álvaro Martins no “sono” e na “estátua”, antes de Chico Fernandes lhe dar uma “chapada e um pontapé”. O guarda prisional (Álvaro Martins) foi ainda sujeito a diversos castigos, um dos quais consistiu no seu envio para as casamatas de Caxias, onde ficou, com oito companheiros, durante 20 dias, a dormir no chão, na escuridão, sem roupa para se tapar. Sujeito a dois processos, um comum, nas Caldas da Rainha, onde foi absolvido, foi condenado, no processo político, a dois anos e meio de pena maior e medidas de segurança de seis meses, que cumpriu.»

*Tive muitas dúvidas sobre se seria ético eu escrever isto sobre alguém a quem estou ligado por laços familiares. Achei que sim. Não tenho que ter pudor em falar sobre aqueles que o merecem, sejam eles quem foram.

quinta-feira, maio 29, 2008

Existe um mundo melhor. Mas é caríssimo

quarta-feira, maio 28, 2008

SUBSÍDIOS Para os noivos que vão casar
Para os barcos que vão ao mar
Para teatro representar
Para os Centros de Saúde não fechar
Para futebol jogar
Para no funeral ajudar
Para a renda de casa pagar
Para os estudantes ensinar
Para os olhos operar
Para livros publicar
Para o PC comprar
Para os militares armar
Para a fábrica instalar
Para os desempregados alimentar
Para aos reformados pagar

…mas por favor
Não me aumentem os impostos!

terça-feira, maio 27, 2008

A GRANDE FRAUDE
O nosso tamanho intelectual está na ordem directa das fraudes que cometemos. Uma das mais comuns ultimamente é o utilizar trabalhos alheios sem citar a autoria da obra.
Isto tem vindo a acontecer cada vez mais e com a divulgação da NET tornou-se o “pão-nosso de cada dia”.
É comum receber indicações sobre materiais publicados aqui e ali e quando os vou conhecer verifico que a sua autoria não é dessa pessoa e que de forma desonesta não cita quem é o autor, e de onde o retirou.
Também já tenho encontrado em jornais essa fraude consumada. E até já vi livros em que de uma ponta a outra citam factos sem nunca referirem onde os foram buscar.
Dir-me-ão que este tipo de desonestidade é um mais um sinal dos tempos. Provavelmente.
Aprendem a copiar na escola. Mentem para arranjar emprego. Encostam-se ao trabalho dos outros. E quando precisam (ou querem) dar mostras de alguma capacidade, como não a têm, vai de copiar o que os outros com criatividade e trabalho fizeram.
É ver licenciados a apresentarem trabalhos de fim de curso com “copy past” de autores que se sacam da Internet. É ver gente a oferecer-se para vender trabalhos a quem precisar. É ver futuros professores que fizeram a sua formação com trabalhos dos colegas e que depois são autênticas “feras” nas suas exigências aos seus alunos.
Já me aconteceu encontrar páginas de escritos meus copiados na íntegra sem qualquer pudor, e apresentados publicamente como se a sua autoria fosse do “copiador”.
E nem a descoberta destas desonestidades faz com que os “trafulhas” arrepiem caminho. Anónimos e falsários tornou-se moda. Denunciá-los é preciso.

segunda-feira, maio 26, 2008

GDP: UMA DÍVIDA DE GRATIDÃO
Ao reformar-me como que pensei levar esse estado de graça até ao limite. Da política em geral, sobrava-me este meu blog. Da minha filiação partidária se encarregou o Secretário-geral do PS ao recusar-me a possibilidade de me manifestar com o meu voto sobre o Tratado Europeu.
Estava eu pois disposto a passear a reforma definitiva quando um amigo daqueles a quem não é possível recusar um pedido, me convidou para participar com ele e com mais um grupo de gente que respeito nos órgãos sociais do Grupo Desportivo de Peniche.Os meus amigos para mim são pessoas que merecem tudo. Até que eu ponha de parte traumas ou queixas pessoais em nome de um projecto. Assim me vi metido em algo de inimaginável ainda há pouco tempo.
Em nome da amizade. Em solidariedade com antigos alunos meus. Em memória do meu pai, atleta-fundador do GDP.Por reconhecimento ao meu padrinho ex-presidente da Direcção do GDP. Para honrar o meu avô que fez do seu clube uma parte da sua vida e que nele perdeu a vida por amor. Em memória do Honório e do Carolino amigos de sempre no meu coração.
Assim eu possa participar com todas as minhas capacidades no seu engrandecimento. A este convite eu não poderia dizer não e estou aqui de corpo inteiro.

domingo, maio 25, 2008

ESTE É O DESTINO DO POVO PORTUGUÊS
face aos políticos que temos, aos partidos de que se servem e às políticas com que nos martirizam...
...por muitas esperanças que alimentemos, quando julgamos que estamos a sair da prisão, estamos a entrar na merda!

sábado, maio 24, 2008

sexta-feira, maio 23, 2008

ASSEMBLEIA MUNICIPAL
Se não fossem algumas notícias publicadas de vez em quando em periódicos regionalistas, há muito que tínhamos esquecido a existência de um Órgão Autárquico que se designa por Assembleia Municipal.
Para o poder executivo é uma “chatice” que se tem de concretizar. Ocupa mais umas noites, ouvem-se uns parvos que de outra forma estavam dispensados de os aturar.
Para as oposições é a única saída para deitar cá para fora os ressentimentos de eleições perdidas, e de um poder autárquico de que ficaram arredados.
De qualquer forma é um colégio espúrio, inócuo e quistoso. Nada do que lá se diz é importante. Ninguém ouve. Ninguém lê. Ninguém fala. Não é por acaso que se realiza à noite. Depois de um dia de trabalho. Quando as pessoas estão cansadas e só o pior de si próprias ainda está em funcionamento.
É um nado-morto alimentado pela fogueira das vaidades que são estes exercícios de poder pequeninos em que ainda nos deixamos envolver.

quinta-feira, maio 22, 2008

quarta-feira, maio 21, 2008

O PODER/OS PODERES
In “LIÇÃO”
De Roland Barthes

- Proferida em 7 de Janeiro de 1977
Publicado por Edições 70

«…A “inocência” moderna fala do poder como se ele fosse apenas um: de um lado os que o têm, do outro os que o não têm; pensámos que o poder era um assunto exemplarmente político; acreditamos agora que também é um objecto ideológico, que se insinua por todo o lado, por onde não é inteira e imediatamente captado, nas instituições, no ensino; mas, em suma, que é sempre um. E se todavia o poder fosse plural como os demónios? “O meu nome é Legião”, poderia ele dizer: por toda a parte, de todos os lados, chefes, aparelhos, enormes ou minúsculos, grupos de opressão ou de pressão; por todo o lado vozes “autorizadas”, que se autorizam a impor o discurso de qualquer poder: o discurso da arrogância. É quando adivinhamos que o poder está presente nos mecanismos mais subtis da comunicação social: não apenas no Estado, nas classes, nos grupos, mas ainda nas modas, nas opiniões correntes, nos espectáculos, jogos, desportos, informações, nas relações familiares e privadas e até nas forças libertadoras que tentam contestá-lo: chamo discurso de poder a todo o discurso que engendra a culpa e, por conseguinte, a culpabilidade daquele que o ouve. Há pessoas que esperam que nós, intelectuais, nos agitemos em todas as ocasiões contra o Poder; mas a nossa verdadeira guerra é diferente e ocupa um outro espaço; a guerra é contra os poderes, e esse combate não é fácil: porque se o poder é plural no espaço social, também é perpétuo no tempo histórico: perseguido, debilitado aqui, reaparece além; nunca definha: façam uma revolução para o destruir e imediatamente renascerá, voltando a germinar no novo estado das coisas. A razão desta resistência e desta ubiquidade é devida ao facto de o poder ser o parasita de um organismo trans-social, ligado a toda a história do homem e não apenas à sua história política, histórica. O objecto em que o poder se inscreve é, desde sempre, a linguagem – ou, para ser mais preciso, a sua expressão obrigatória: a língua.»

segunda-feira, maio 19, 2008

O CENTRO EDUCATIVO DE ATOUGUIA DA BALEIA
As razões da oposição do PSD local não são técnicas, nem de carácter educativo. São de pretenso facilitismo político-partidário. São razões deste tipo que afastaram o PSD da vontade dos cidadãos e o reduziram a um partido marginal concelho de Peniche.
Pensam que fazendo a vontade a 2/3 pseudo influentes angariadores de votos da Freguesia da Atouguia conseguem fazer inverter a vontade dos eleitores.
Não se preocupam com o que será melhor em termos educativos. E de aproveitamento de meios. E de rentabilização de um projecto educativo. Sabem lá o que é um Projecto Educativo.
Faço um apelo ao Vereador do PS Joaquim Raul, que disponibilize os seus conhecimentos técnicos em educação a fim de que a decisão que venha a ser tomada seja a que melhor servirá os interesses educativos das crianças da Vila da Atouguia da Baleia.
Faço um apelo à CDU para que não tome decisões aleatórias e que reúna à sua volta o que de melhor possa conseguir para que a decisão a tomar seja fruto de um parecer técnico e pedagógico e não por razões de “partidarite” escusa e idiota.

domingo, maio 18, 2008

Escrever, não é talvez suficiente. Mas escrever, incomoda muita gente.

sábado, maio 17, 2008

sexta-feira, maio 16, 2008

CRITICAR TEM MOMENTOS
Na penúltima “folha de couve” li um artigo em que se apelava ao bom senso e à criatividade para acabar com o caos que se passa no Largo do Santuário de Nª Srra dos Remédios.
Nesta última edição do mesmo “coiso” e com a assinatura do mesmo autor, vejo um novo artigo, agora sobre os perigos da marginal norte.
A curiosidade levou-me a consultar todas as edições de que disponho em casa. No período da governação autárquica “xoxialista” não encontro uma única anomalia a que tenha merecido chamar a atenção pelo escrevinhador em questão.
Sou obrigado a pensar que as criticas têm momentos em que se podem fazer e outros em que não se devem.
Bem-aventurados os puros de espírito.

quinta-feira, maio 15, 2008

UMA CASA SEM DESTINOFoi quando eu estava a desempenhar funções autárquicas na Câmara Municipal que o TRAQUINAS foi ocupar um novo espaço, libertando definitivamente aquilo que foi em tempos a CASA DE TRABALHO, escola de formação de Rendilheiras para as filhas dos pescadores.
Isto aconteceu mesmo no final dos anos 90. Nessa altura, o actual Presidente da Câmara que ao tempo era presidente da ADEPE e que estava empenhado no lançamento da “A COMPANHA”, exerceu enorme pressão junto da Câmara Municipal e do Ministério da Solidariedade Social, para conseguir fazer reverter a favor daquela nova instituição as instalações que então tinham ficado devolutas. A ideia tanto quanto me recordo era transformar aquele património em CENTRO DE DIA. A guerra de vontades entre o então Presidente da Câmara e o seu posterior sucessor foi mesmo de “cortar à faca”.
10 anos depois aquelas instalações estão num estado de degradação que agora poderá ser irreversível. O edifício é “terra de ninguém”.O principal litigante nessa contenda de então, é o agora Presidente da Câmara e não se conhece publicamente qualquer tomada de posição sobre o que ali não está a acontecer. A menos que o anúncio tenha sido feito numa festa promocional em Faro.
Eu sei que já existe a Universidade Sénior pelo que o centro de dia não será tão necessário. Mas continua a faltar um espaço para o Museu/Escola das Rendas de Bilros.
O que vai acontecer ali, naquele espaço, vai dizer respeito a todos nós. Esperemos para ver o que vai ser a vontade do patrão do espaço/penicheiro.

quarta-feira, maio 14, 2008

JORNAIS E JORNALISTASDesde muito novinho que me habituei aos Jornais e a quem os escrevia. Em casa de meus avós era o DN e o Século. Em casa de meus pais era o Diário Popular.
Quando passei a ter mesada dividia-me entre o Diário de Lisboa e a República.
Depois do 25 de Abril passei a deambular em função do que me motivava, ou do que me parecia ser sério ou com senso e ético.
Á medida que o capitalismo desenfreado deu lugar ao liberalismo vampiresco, cada vez se tornou mais difícil comprara e ler jornais. Pelo menos para mim que vomito quando pego no Correio da Manhã, ou que fico com enxaquecas só de olhar para o 24 Horas.
No sábado dia 10 de Maio comprei o Expresso, o DN, o Público, o JN, a Bola, o Record e o Jogo.
Se bem se recordam 10 de Maio foi o “Dia Seguinte” ao mais importante facto que aconteceu neste país em 2008. Foi o dia em que se souberam os resultados das punições que atingiram os agentes do futebol.
Curioso que os jornais generalistas ocuparam mais espaço com isso que os jornais desportivos. Para estes era o princípio do fim da galinha dos ovos de ouro. Há mesmo um desportivo que praticamente omite na 1ª página essa notícia.
Dos generalistas, existem dois que noticiam o assunto de forma mais soft. Refiro-me ao DN e ao JN. Porque será? Terá a ver com o grupo a que pertencem?
Gastei dinheiro em muitos jornais e fiquei a compreender melhor a lógica com que são feitos. Mas reafirmei o meu propósito de não confiar.

terça-feira, maio 13, 2008

221 ANOS
13 de Maio de 1787

Nasce em Peniche, no Largo da Lagoinha D. António Vicente Ferreira Viçoso.
Baptizado na Igreja da Ajuda.
Sendo de Peniche de Cima e da Freguesia da Ajuda só podia ser uma pessoa extraordinária.
Foi Bispo de Mariana no Brasil.
Humanista
Lutou pela defesa dos escravos.
Está em curso o seu processo de beatificação. Não que ser santo o torne melhor pessoa do que foi. Só lhe dá reconhecimento público.

segunda-feira, maio 12, 2008

DITADOS POPULARES

Tão ladrão é o que vai à horta, como o que fica à porta.

Tradução (segundo o dicionário de Bob Geldof)
Ladrão = Governo MPLA angolano
Horta = Angola
O que fica à porta = Sucessivos Governos Portugueses/BES e quejandos

domingo, maio 11, 2008

JOAQUIN SABINOOuçam a música deste autor/cantor de Espanha. Não há muitos discos (infelizmente) editados em Portugal. Mas a gente sempre pode ouvvir/ver no YouTube.

sábado, maio 10, 2008

sexta-feira, maio 09, 2008

NEM A PROPÓSITO
Tendo ontem vagueado pelas asas dos sonhos da Faculdade, saí de casa e fui cumprimentar amigos. Eram 10:45h. Na rua Marquês de Pombal, no cruzamento com a Rua Garrett, estava parada uma carrinha de caixa aberta com a carroçaria cheia de materiais não identificáveis para mim.
À sua volta um grupo de 6/7 jovens (rapazes e raparigas) bebia cerveja mitigando uma sede que teimava em não desaparecer. Vestiam t-shirts amarelas que os identificava como caloiros da outra Universidade de Peniche. A ESTM. As pessoas passavam e entre risos e goles de cerveja lá iam dizendo: “Viva Peniche”.
Eu fui-me afastando e de repente ouço uma discussão mais acalorada. Parei e olhei e é então que um deles, solta um brado daqueles de encher qualquer porto de estiva: “- Oh pá! Merda. Vai para o car----“.
Saí dali pensando com os meus botões. Se são caloiros e tratam-se assim, o que dirão quando terminarem a licenciatura…
Valha-nos a Universidade sénior, que esta está muito por baixo.

quinta-feira, maio 08, 2008

OS NOMES DAS COISAS – II
Estou ansioso por assistir à abertura do Ano Lectivo da Universidade Sénior de Peniche e ouvir o discurso do Magnífico Reitor. O Cortejo no Salão Nobre com os Lentes de Capelo, deve ser um acontecimento memorável.
Haverá semana do Caloiro?
Quem promoverá as praxes e de que tipo serão?
E o desfile da Queima… Sonho que se mobilizem todas as vontades de Peniche para que seja um evento com um brilhantismo ímpar.
Finalmente uma Universidade Independente, sem cor político-partidária. Peniche Tornou-se uma cidade Universitária.

quarta-feira, maio 07, 2008

OS NOMES DAS COISAS
É um hábito nosso. Temos de dar nomes às coisas. Sem isso perdemo-nos na incapacidade da identificação. Mas os nomes são supérfluos. Mutáveis. Dependem do momento. Quantas vezes não se tornam olvidados. Ou pior ainda, odiados. PIDE/DGS. UN/ANP. Ponte SALAZAR/25 DE ABRIL.
Vem isto a propósito do parque de lazer criado à entrada de Peniche. O executivo propôs designá-lo de determinada maneira. A oposição, que só pode entreter-se chamando nomes, opôs-se às propostas apresentadas.
E o parque desportivo e de lazer ficou sem nome. Não que isso tenha alguma importância. O que é importante é o que lá está, em detrimento das montanhas de areia que lá estavam.
O PSD mais preocupado em futilidades do que em ter um mínimo de credibilidade para o futuro, parece agora mais preocupado em preservar o passado de Peniche, do que quando teve responsabilidades autárquicas.
O PS, pela voz do representante do Governo Civil com assento na Câmara Municipal de Peniche, acha que Abril e Liberdade são cargas políticas fortes já consolidadas. (Onde é que esta personagem tem andado, em que país tem vivido?).
E entre nomes ou sem eles, lá vai cumprindo aquela zona de lazer a sua função, indiferente aos “idiotas” a que temos direito.
Peniche é mesmo uma terra pequenina.

terça-feira, maio 06, 2008

DÁ-ME LUME ?Quando hoje se discute por tudo e por nada. Quando se contesta o encerramento de Centros de Saúde. Quando se cortam estradas para impedir que se paguem portagens.
Quando tudo isto acontece é bom recordar os “bons velhos” e engraçados tempos que não são assim tão distantes, em que para acender um cigarro com isqueiro era preciso tirar uma licença. E digamos que não era nado barato. Por um ano de acender isqueiros pagava-se 50$00. O equivalente hoje a 4 000$00. Ou 20€.
Quem não tivesse licença, pagava 250$00 ou seja, o equivalente a 100€.
Desse valor seriam 30% para quem participasse a infracção. Mas se houvesse alguém que tivesse denunciado um amigo ou conhecido por usar um isqueiro sem licença, esse denunciante recebia 15€ de prémio.E ao que consta nunca houve nenhuma manifestação pública de “populaça” a queixar-se destas situações. Comiam e calavam. Excepto os que passavam a vida a reclamar contra esse estado de coisas. E que eram muito poucos.
É bom que se conheçam e recordem estas coisas. Quando hoje todos são heróis perante uma câmara de TV, era bom que preservássemos e defendêssemos os valores da Democracia e da Liberdade, que tanto custaram a atingir neste país.
E quando acenderem um isqueiro recordem-se que esse acto, também significa uma conquista ganha a 25 de Abril de 1974.

segunda-feira, maio 05, 2008

OBVIAMENTE DEMITO-MEO que eu pensaria que já não me aconteceria, deu-se mesmo. Sempre pensei que a minha vontade de aderir ao PS, seria a última manifestação de vontade pública e política de dar o meu nome, e com ele o meu contributo a uma causa colectiva de solidariedade pela coisa pública.
Sou de esquerda (se é que isso hoje ainda faz sentido) e é numa área democrática, republicana e plural que me revejo. Mas tenho dúvidas de que o PS hoje represente esses valores. É evidente que compreendo que a cultura de poder exige determinados compromissos. Mas não posso aceitar é que se ponham causa os valores fundamentais da democracia pluralista, para atingir determinados objectivos. E o direito ao voto é um desses princípios fundamentais. Sem o qual nada faz sentido.
Podem dizer-me que o PS mantém no seu seio pessoas de princípios socialistas que não transigem com esta transmutação em nome de valores de governação. Acredito que sim. Mas eu não tenho paciência para isso. Não vivo da política partidária, nem nunca vivi. Não tenho de transigir com certas atitudes para poder continuar a dizer o meu nome de cabeça erguida.
Muito claramente afasto-me deste PS. Ele representa uma ficção em que se diluíram os valores que o formaram para dar lugar a uma versão soft de um partido social-democrata de tendência exclusivamente de governo liberal. Isso pode ser necessário para afirmar este PS no poder. Mas eu não sou capaz de me sentir militante e continuar de cabeça erguida perante os que sempre me conheceram e conhecem. Não em nome desta ausência de valores. Desta negação da Utopia que fez o PS ser um Partido mobilizador e de causas. Verdade que não faço falta nenhuma ao PS nacional e muito menos ao PS local. Em nome da minha dignidade pessoal e do respeito que me merece o partido em que militei, dele me afasto, sem constrangimentos nem rancores.
Em anexo publico a carta em que apresentei a minha demissão.

Anexo:
José Maria dos Anjos Costa
Militante nº 33319
R. Joaquim A. Aguiar 46, 1º
2520-458 Peniche

Às estruturas responsáveis do PS
Assunto: Pedido de Demissão

A decisão do Secretário-Geral do PS, de levar ao Parlamento a Ratificação do TRATADO EUROPEU, ou TRATADO DE LISBOA, é para mim pessoalmente de uma gravidade extrema. Não está em causa se eu estou de acordo ou não com o que foi aprovado. Está em causa que depois de toda uma vida a lutar para que os portugueses pudessem decidir dos seus destinos, o PS que se vinculou com os Portugueses a referendar esse Tratado, tenha liminarmente decidido através dos seus dirigentes que os portugueses não têm capacidade eleitoral para tomar tal decisão.
E por favor não queiram fazer de mim mais “burro” do que aquilo que sou. Tenha aquilo o nome que tiver, é uma decisão única e definitiva sobre o que queremos de nós na Europa. Chame-se constituição ou tratado. Tenho 63 anos e já vi mudar-se o nome a muitas coisas, embora os seus objectivos se mantenham.
Odeio pensar que o PS se tornou um Partido acéfalo em que toda a minha gente “encarneira” com aquilo que os que detêm o poder conjunturalmente decidem. Não foi para isto que tantos portugueses deram o melhor de si ao longo de lutas sem fim contra um regime autoritário e obsoleto.
Não foi por isto que existiu a Fonte Luminosa.
Mas se o PS se revela igual ao que de pior a Democracia pode dar, se a defesa dos meus direitos essenciais como a Livre Expressão e o exercício do meu Direito ao Voto, deixaram de ter valor, então, eu já não faço nada neste PS, pelo que solicito que a partir desta data considerem sem efeito a minha filiação.

Com os melhores cumprimentos,
Peniche, 24 de Abril de 2008
José Maria dos Anjos Costa

domingo, maio 04, 2008

DIA DA MÃE
Poema à mãe

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...
Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas...
Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade

sábado, maio 03, 2008

sexta-feira, maio 02, 2008

CHUMBAR OU NÃO CHUMBAR EIS A QUESTÃO
Muito se tem dito para atacar a Ministra da Educação. Uma das atitudes lapidares é a de afirmar que a ministra pretende que se passem os alunos sem que eles tenham adquirido conteúdos mínimos.
Para isso acrescenta-se que é o facilitismo que impera. É a regra de “passar” de ano os alunos para poder corresponder às estatísticas de Bruxelas.
Julgo que a resposta foi dada pela própria ministra um dia destes ao afirmar que “facilitismo é chumbar. Rigor e exigência é fazer com que todos aprendam”.
Eu acrescentaria que é fácil e cómodo chumbar. Fácil porque desistindo do aluno, não dá trabalho ao professor. Cómodo porque dá uma imagem de um professor exigente perante a opinião pública. Normalmente são os “queques” quem ofende a ministra de forma espúria. Se os queques forem políticos melhoram os substantivos de ofensa. A estes juntam-se os professores que não querem que se olhe para eles. E quanto menos derem nas vistas melhor. Por isso as manifestações colectivas são tão a seu jeito.
A escola selectiva que queques e políticos frequentaram, deu lugar à escola inclusiva. Se é que sabem o que isso significa. Julgo que nem as escolas ainda o perceberam bem. Nem os professores. Que continuam a leccionar segundo os estereótipos com que eles próprios foram ensinados e que vêm do tempo da 1ª República.
Passámos de uma escola onde as crianças eram todas iguais, para uma escola do século XXI em que todas as crianças são diferentes. E lidar com a diferença nunca foi fácil. Desistir (chumbar) é o caminho mais cómodo. Mas seguramente vai ser também o mais caro do ponto de vista material e humano.
Nunca me esqueço do caso de L.(Chamo-lhe assim para não ser identificado). A mãe de L era prostituta. O pai alcoólico. Abandonado pelos pais foi criado pela avó que coitada, não mais fazia que gerir a miserável pensão com que vivia. L. vivia um dia de cada vez e assim foi andando até que chegou ao 1º ciclo. A sua maior ambição era sair da terrinha em que vivia e ir para a grande cidade. Por tudo isso foi vivendo aos trambolhões entre o 5º e o 6º ano. Chumbando consecutivamente. Os professores habituaram-se a esses chumbos consecutivos e já nem se incomodavam quando ele nem as aulas frequentava. A Directora de Turma dizia que não havia nada a fazer. Aos 14 anos e com o 6º ano por fazer conseguiu que a mãe o deixasse ir viver com ela. Pediram transferência para a grande cidade. Professores e escola continuaram a desistir dele e ele, aos 15 anos, abandonou definitivamente a escola com o 2º Ciclo incompleto.
A última vez que o vi percorria os caminhos da prostituição juvenil.
Os chumbos sucessivos e a incompetência da escola e dos seus professores (nos quais me incluo) fizeram dele o jovem que ele hoje é.

quinta-feira, maio 01, 2008