1ª Parte
Os noticiários da manhã davam conta da inauguração em 5 de Outubro (a data não é irrelevante) de um centro único no mundo de estudos e tratamento de metástases cancerígenas da mama e do pulmão, no âmbito da Fundação Champalimaud.
Vão ser convidados a trabalharem naquele Centro os maiores especialistas mundiais, alguns Nobel incluídos.
2ª ParteDesde pequeno que ouvi dizer “cobras e lagartos” do capitalista António Champalimaud. A esquerda nunca o aceitou. A direita capitalista fez dele um ícone. Em testamento doou parte substancial dos seus bens à criação de uma Fundação especializada em técnicas de ponta no combate à doença, com especial relevância para o combate à cegueira.
Nunca até hoje ouvi uma declaração formal do BE e/ou do PCP elogiando e agradecendo em nome próprio e no de Portugal a grandeza do mecenas e da obra que lega a este país. Aqui construiu uma parte da sua fortuna pessoal, aqui a lega ao seu povo.
Quem é quem no meio disto tudo? Qual a nobreza num e noutros? Só é de facto grande quem é capaz de se superar. Para mim por estas e por outras é que não acredito na moral dos louçãs e dos campeões de Wrestling nas manifestações.
Lamento profundamente que as coisas tenham chegado a este ponto. Quando o Presidente da Câmara Municipal de Peniche entra em euforia “catatónica” com a ideia de uma Berlenga maravilha, seria bom que avaliasse o que tem sido o assassinato daquela ilha, das suas espécies, em troco sabe Deus do quê… E que os responsáveis directos por esta dizimação de espécies sejam detidos como inimigos da humanidade. Afinal sabe-se onde está o Bin Laden. Não há é coragem para o pôr atrás das grades. Ou pelo menos cortar-lhes as verbas.














Passado algum tempo acabei por visitar aquele atelier e fiquei preso para sempre das extraordinárias miniaturas de barro que saíam das mãos daquele artista do barro.
Os meninos e meninas que o viram a trabalhar e o ouviram falar sobre a arte e as técnicas do barro, ficaram seus amigos e admiradores. Como ficou Jorge Amado e Beatriz Costa.
Ele e a obra que foram o prolongamento de tantas salas de aula. É nestes pormenores que falham governos e ideologias. De tanto olharem para o que é grande, esquecem o que é pequeno mas tem a força do Mundo. E assim vão desaparecendo a pouco e pouco as nossas referências.



A Encarnação sofre como uma Pietá. Vê em pouco tempo desaparecer o marido, um filho e um neto. Sobre os seus ombros caiu todo o peso do Mundo. Toda a dor por que uma mãe pode passar. Que Kosovo é este que a Encarnação tem de sofrer? Beijo-lhe as mãos com carinho. Seco-lhe as lágrimas que nela todos choramos com filial carinho.


A CASA, aquela casa, é a casa de família há pelo menos dois séculos. O mínimo que eu poderia esperar era que existisse um pouco de dignidade na forma como alguém a mim se dirige para tentar negociar “aquele” bem patrimonial.

As fotos têm 33 anos. Pertencem ao meu espólio pessoal e foram tiradas numa celebração a que assisti quando era Cooperante na República da Guiné-Bissau.