quarta-feira, junho 24, 2009

MERECE A PENA
Num espaço em Peniche de Cima que alguns promotores imobiliários gulosos e ambiciosos já tentaram em tempos para ampliar os seus quintais privados, cresceu uma árvore que a Câmara Municipal plantou, em substituição de uma outra de folha caduca que constituia uma dor de cabeça para as pessoas ali residentes e para os que ali apanham os transportes urbanos.
O que ali temos hoje é um exemplo de beleza natural que tem constituido um bilhete postal para os residentes e forasteiros que nos visitam. Não é preciso muito para tornar Peniche uma terra linda e que mereça a pena.
Não estou à espera de que os arautos da desgraça se pronunciem sobre o que se vai fazendo de bonito e singular. Mas não tenho dúvidas que o seu silêncio sobre estas situações os classifica.

terça-feira, junho 23, 2009

S. JOÃO NO PORTO
Por esta altura perfazem 40 anos sobre a minha primeira ida ao Porto. Recordo que estava na tropa na Trafaria, e fui motivado por um oficial meu amigo natural de Freamunde. Fiquei na messe de oficiais que se situa(va) na Praça da Batalha. Fui a 22 de Junho uma sexta-feira e regressei a 25. Ficou em mim memória que não mais se apagou do S. João e do Porto. Nesses dias, escrevi um poema dos que mais me marcaram ao longo da minha vida e que ficou para sempre como um dos poemas que mais gostei. Transcrevo-o aqui nesta véspera-dia de S. João, com o mesmo carinho com que o escrevi na altura.

Portugal-Povo-Menino-Brincando

A minha noite de S. João começou dois dias antes
quando uma simpática velhinha-inha
com um amor próprio dos dias antigos, me bateu
nas costas com o alho porro.

Velhinha-inha que amei

Foi um dia antes que o meu S. João começou.
Às 6.30 da manhã de domingo
quando as mulheres-língua-rude-trabalho
discutiam os lugares de venda
da erva cidreira do manjerico da alface e do repolho.

Minhas mulheres que amo

Foi no dia de S. João que o meu S. João começou.
Amigos:
Foi lá no Porto onde amo o que amo que vi
meu Portugal-menino-brincando.

Vi homens livres em correntes de amor
correndo saltando dançando
martelando martelando martelando
nas cabeças dos polícias e das meninas pardas
nos senhores administradores-gerais das Sociedades CRL
pisando fronteiras de espaço social.

Num dia 364 dias derrubados cheirando a alho.
Vi mulheres do meu país cortarem os mitos que as prendem
E jovens gritando e cantando na rua sem polícia de choque.
Vi-te do meu quarto Porto-Povo que amo e ri até às lágrimas.

Ri esta alegria minha de te ver livre,
uma noite livre, povo que mereces a liberdade inteira
de seres livre para amar, sem fronteiras, sem cadeias.

Quero voltar a ver-te S. João no Porto.
Quero ver-te cantar e tocar cabeças com os alhos porros
amando vivendo rindo.
Quero voltar a ver-te meu Porto
Portugal-Povo-Menino-Brincando.

segunda-feira, junho 22, 2009

PROFISSÕES QUE NÃO MAIS EXISTEM…
Um destes dias em conversa com a minha mulher veio-nos à memória uma actividade que existia em Peniche e que o desenvolvimento tecnológico, a massificação dos bens de consumo e o crescimento em flecha da capacidade de compra, veio a tornar obsoleta.
Refiro-me às APANHADEIRAS.
Tratava-se de uma pequena economia de subsistência, normalmente desenvolvida por mulheres solteiras já com alguma idade. As apanhadeiras, como o seu nome indica, apanhavam malhas em meias de vidro. Tinham um copinho e uma maquineta com uma agulha pequenina que segurava o fio de nylon partido da meia e que depois com um movimento de vai-e-vem, entrecruzava novos fios retirados de meias velhas e iam dar uma nova textura à meia cujas malhas se tinham quebrado.
Em Peniche recordo uma senhora que trabalhava nessa actividade nas casas do Antão e três irmãs que residiam perto de casa da minha avó, que também se dedicavam a esse trabalho.
Hoje muito poucos delas se recordam e não passa pela cabeça de ninguém que alguma vez alguém tenha sobrevivido a apanhar malhas em meias de nylon. Para já porque não são muitas pessoas que as usam. Depois porque o aparecimento de uma malha, atira aquele par de meias para o lixo e que se comprem umas novas. Por último porque seria sempre mais caro mandar apanhar uma malha que comprar meias novas.
Esta é uma profissão que se tornou absurda, e que acabará por cair no esquecimento. Longe vão os tempos em que uma forma de arranjar uma amante, era oferecer a uma corista um par de meias de vidro. Agora, são outros os vidros que se oferecem e outra as amantes que se conquistam. Mais prosaicas e menos difíceis.

domingo, junho 21, 2009

NEGÓCIO FECHADO
Estava um membro de uma tribo africana super furioso, levava a sua mulher por um braço e esta segurava dois de seus filhos no outro braço. Chegou ao pé do missionário e pergunta-lhe:
"-Não acha estranho todos meus dez filho serem preto e só este ultimo ser branco! Isto porque o senhõ é o único branco numa extensão de 10km!!"
O missionário responde-lhe:
"-Meu filho, isso é um dos mistérios de Deus!!! Olhe para aqueles cabritinhos... São todos brancos menos aquele ali, tá vendo aquele pretinho?"
O outro responde-lhe:
"-Senhõ padre, eu esqueço que meu filho é branco e o senhõ esquece que o cabritinho é preto!"

sábado, junho 20, 2009

e a propósito de futebol...

sexta-feira, junho 19, 2009

UMA DESGRAÇA NUNCA VEM SÓ
Quando anteontem ouvi a história do grupo opositor a Luís Filipe Vieira, caiu-me tudo ao chão... Então não querem lá ver que já não me bastava a TVI que não vejo, para ter que engolir o seu principal “autor” como presidente do Benfica.
Isto obrigou-me a quebrar uma promessa e ontem às 21 horas lá estava eu grudado naquele canal, com uma carrada de urticária à mistura, a aguardar a comunicação final sobre o que aguardava ao Benfica nos próximos tempos.
Felizmente que uma carrada de bom senso e com o apoio meritório da miss piggy imperaram e o Benfica vai continuar a ser o Benfica. Pobrezinho mas cheio das coisas que o tornaram grande. Perde mas continua a respeitar-se a si próprio. Uma TVI é suficiente. Com duas seria obrigado a pedir exílio na inbicta.
PS: Não me sinto particularmente próximo do Vieira. Mas lá que ele é lampião é. Desbocado, orelhudo e mal pronto, cheira a Benfica por todos os lados. Cuidado com os penteadinhos.

quarta-feira, junho 17, 2009

E A SEGUIR?
Já vimos em Peniche o Presidente da Câmara da CDU numa acção de propaganda do BE. Agora vemos o principal opositor da líder nacional do PSD numa acção sobre autárquicas do PSD local.
Só falta a convite do PS local vir a uma sardinhada em Peniche o Narciso Miranda e o Manuel Monteiro vir ao clube local fazer uma resenha histórica sobre o futuro do CDS/PP.
Será que Peniche se está a tornar no Entroncamento da política?

segunda-feira, junho 15, 2009

A LUTA CONTINUA
Acabada a “guerra” das europeias, inicia-se uma outra mais dura, de que o que já se viu não foi mais que um preâmbulo.
Refiro-me como é óbvio às autárquicas e às legislativas. Uma e outras vão-se influenciar nos resultados. Embora possa não ser determinante, o que acontecer num caso vai acabar por ter as suas consequências no outro. Quanto mais não seja pelo grau de desânimo ou de euforia que se apoderará dos envolvidos nas listas eleitorais.
Peniche vai caldeando as lutas político-partidárias no que acontece a nível nacional. Não nas convicções dos seus intérpretes locais. No plano autárquico a oposição convencida de que este não é ainda o momento do assalto à fortaleza do poder, faz avançar as suas 2ªs linhas, poupando esforços para o momento da verdade que só se verificará daqui a 4 anos.
O poder executivo da CDU começa a sentir os primeiros embaraços na constituição das suas listas. Muita gente para tão poucos lugares. Para além da “esquesitice” que criaram com esta história de ter que entrar uma mulher por 3 lugares. E começam a sentir-se as primeiras brechas na muralha da vitória conseguida há 4 anos atrás.
O que torna o combate autárquico interessante é saber como terá expressão a vitória anunciada da CDU. Quem for vivo, cá estará para ver.

domingo, junho 14, 2009

UMA QUESTÃO DE CARIDADE
Um tipo muito rico (daqueles que tinham grandes negócios no BPP) voltava para casa no seu carrão, quando notou em um jardim público dois homens comendo relva.Espantado com o que via, ele mandou o motorista parar e perguntou para os dois homens:
- Por que vocês estão comendo relva?
- Meu senhor, nós somos muito pobres e não temos dinheiro para comprar comida! (Respondeu um deles)
- Mas o que é isto! Venha comigo e traga seu amigo junto...
- Podemos levar nossas mulheres e filhos também? - perguntou o pobre, entusiasmado!
- Mas é claro que sim! - respondeu o rico.
Os dois homens, mais duas mulheres e cinco crianças entraram no carro enorme como os que se vêm nos filmes americanos e seguiram em frente. Uma das mulheres não se conteve e falou, emocionada:
- O senhor é uma pessoa muito boa. Deus lhe pague!
- Ora, não é nada. A relva do meu jardim está mesmo precisando de ser aparada!

sábado, junho 13, 2009

NEM 8, NEM 80...
Um nazareno foi a um concurso na TV e o apresentador pergunta-lhe:
- De certeza que você sabe esta! Como se chamam os habitantes de Alcobaça?
Após alguns segundos de reflexão, o nazareno responde:
- Todos… todos… na sei.

quinta-feira, junho 11, 2009

A FÉ NÃO SE DISCUTE

No meu aniversário, recebi enviado por um dos meus melhores amigos, um texto Bíblico lindíssimo. Acredite-se ou não, a singularidade e a beleza quer da forma, quer do conteúdo, tornam estas palavras merecedoras de atenção. Trata-se de uma manifestação de Fé incompreensível para a maioria das pessoas. Transcrevo-as com a mesma amizade com que me foram enviadas:

Atei os meus braços com a tua Lei, Senhor,
E nunca os meus braços chegaram tão alto!
Ceguei os meus com a tua Luz, Senhor,
E nunca os meus olhos viram tão longe!
Só desde que Te dei a minha alma, Senhor,
Ela é verdadeiramente minha.

Por isso, hei-de subir até à Vida,
Despedaçando o corpo na subida.
Por isso, hei-de gritar, de porta em porta,
A mentira das noites sem estrelas;
Hei-de fazer florir açucenas nos meus lábios;

Hei-de apertar a mão que me castiga;
Hei-de beijar a cinza dos escombros,
Hei-de esmagar a dor
E hei-de trazer, aqui, sobre os meus ombros,
A tua cruz, Senhor!

quarta-feira, junho 10, 2009

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís de Camões

terça-feira, junho 09, 2009

O SINDICATO DOS MAGISTRADOS
Tal como tantos outros portugueses não consigo perceber o anacronismo que é o Sindicato dos Magistrados.
Esta classe social que tem privilégios únicos na sociedade portuguesa, com direitos absurdos e rodeados de uma aura de infalibilidade sem paralelo, sente-se posta em causa, cada vez que se tornam incompreensíveis as suas decisões.
Ora a sua magistratura pertence ao povo que neles delega o exercício e defesa da sã convivência entre os cidadãos. Nada mais que isto. Sentem-se no entanto ameaçados cada vez que a sua falta de bom senso é posta em causa. E então formaram um CLUBE DE INERESSES, para impedir que alguém ouse tocar na fímbria das suas prerrogativas.
Depois serão magistrados a ajuizarem em matéria de magistrados. Nada mais espantoso.
Mas mais inverosímil ainda, é o facto de virem agora pôr em causa figuras ilustres da sociedade portuguesa que questionam esta palhaçada do sindicato dos magistrados. Esquecendo-se de duas coisas singulares. A primeira é que ao fazê-lo admitem serem tratados ao nível das outras classes sociais, e sem o respeito que merece o exercício das suas funções. Tornam-se vulneráveis e perdem todo o misticismo que os protegia.
A segunda questão que me apetece recordar, é que nunca vi os magistrados insurgirem-se como classe contra os TRIBUNAIS PLENÁRIOS, a que tantos pertenceram com afinco e dedicação.
Pensem nisso, e dissolvam essa coisa que só serve para que lhes faltem ao respeito.

segunda-feira, junho 08, 2009

TODOS PERDERAM
Em boa verdade, ontem todos perdemos. O PSD canta VITÓRIA. Mas se pensarmos que votaram no PSD 11,86% dos eleitores inscritos é difícil saborear qualquer vitória. De facto se para um partido ganhar é necessário perder um País, ou um ideal, é magra a vitória que nos assiste.
Quanto ao BE e ao CDS as suas razões de vitória assentam em pés de barro. No campeonato dos miseráveis ganham porque não perdem. Quanto ao PCP ganha porque nunca perdeu.
Se passarmos dos resultados nacionais para os resultados locais, a apagada e vil tristeza ainda é maior. A percentagem dos votantes é inferior a 30% (29,34%). A maior de sempre em escrutínios eleitorais. Cumpriu-se aqui o que aconteceu a nível nacional. Quem perdeu menos foi o PSD, logo seguido pelo PS.
A nível nacional e local ganhou a abstenção. Também ganhou o Partido dos BRANCOS E DOS NULOS.
O 1º passou de 2,57% em 2004 para 4,64% em 2009. O 2º passou de 1,39% em 2004 para 2% em 2009.
Moral da História: O pior cego é o que não quer ver.

domingo, junho 07, 2009

CUIDADO COM AS RECORDAÇÕES
Cristo e Moisés estavam a relembrar os velhos tempos."Antigamente é que era bom, disse Moisés. Lembras-te de quando abri o mar vermelho ao meio? Isso é que eram bons tempos!""Sim, e lembras-te de quando eu caminhei sobre a água? Isso sim, é que foi uma coisa em grande!""E se voltassemos a fazer isso, só para sentirmos de novo aquela sensação?""É, vamos fazer isso."E foram até ao mar vermelho. Moisés puxou da vara, levantou-a e as águas separaram-se, abrindo o mar em dois. Depois, meteram-se num barco e foram até ao meio do mar. Era a vez de Cristo. Este saiu do barco e começou a andar sobre a água. De repente começou a afundar-se. Moisés remou rapidamente até ele, agarrou-o por um braço e puxou-o para o barco."Acho que te esqueceste de uma coisa, meu caro, agora tens os pés furados!"

sábado, junho 06, 2009

PIOR QUE ISTO...
...só sair de casa para ir votar num qualquer partido político!

sexta-feira, junho 05, 2009

VOCÊ JÁ REFLETIU? EU TAMBÉM NÃO
Mas reflectir sobre o quê? Demagogia do princípio ao fim. Neste campeonato ninguém perdeu. Todos ganharam. Os que levaram “porrada” e os que deram. O discurso do coitadinho colou os que o utilizaram nas sobras da Democracia.
Nenhum dos partidos de poder sai impune perante a opinião pública face à corrupção e ao seu comprometimento.
Sobre o tratado de Lisboa, nem uma palavra. Sobre o referendo, nem uma palavra.
Sobre o “Grande Timoneiro” que também é o “Fugitivo” só que será apoiado, até o Sr. Blair reivindicar para si o lugar.
O VOTO EM BRANCO é o último grito que resta aos que se indignam com o actual estado de coisas e não vislumbram futuro para si e para os seus, no actual quadro político.

quinta-feira, junho 04, 2009

A ROMARIA
Com o sol e o Verão iniciou-se a Romaria em direcção às praias. Já fui adepto desse clube. Agora nada me diz. A partir do momento em que a Sociedade de Consumo tornou as praias material vendável, o meu gosto desapareceu. As razões são múltiplas e não necessariamente por esta ordem.Detesto as concessões de praias e as restrições que lhes estão associadas.
Detesto fardas nas praias.
Detesto o ar asséptico e de plástico das praias.
Estou longe do ideal de beleza estética cultivado nesta época. Velho, branquinho e barrigudo, sinto que estou a estragar a moldura humana que tanto investiu por 15 dias ou um mês de exposição modelar.
Depois o ter que pedir licença para ter um cantinho para a toalha. A confusão de braços dentro de água.
A minha praia tinha limos e cheirava a iodo. E eu sentia-me bem nela. Quando chegava a casa vindo da praia a minha mãe ralhava comigo, por eu ter acertado com os pés em todos os bocados de nafta que existiam na praia.
Na minha praia jogavam-se jogos sem incomodar ninguém. Os cães corriam atrás dos donos. As pessoas nadavam, corriam e andavam se lhes apetecia e não porque estava na moda. Na minha praia não havia cancro de pele. Eu quando chegava a casa depois da praia comia o jantar feito pela minha mãe e a seguir encontrava-me com os meus amigos e conversava até altas horas. No tempo de praia é que eu encontrava todos os amigos que se espalhavam pelo país fora a estudar. Agora a minha praia já não existe.
Acho que agora são bandeiras azuis e douradas. E Apoios de não sei quê.
Viva a Sociedade de Consumo!

terça-feira, junho 02, 2009

CURRICULUM VITAE
A memória curta de alguns, a má fé de outros, o desconhecimento de muitos, fez-me reflectir sobre se vale a pena manter um blog com estas características. Em que se opina sobre aquilo que pensamos. De cara descoberta. Pensar nisto, fez-me rever cerca de 50 anos de vida social e politica activa. E ter uma história de 50 anos para contar é obra.
Para quem foi intervindo ao longo da vida, para quem passou por muita História e viu muita História, é fácil (sublinho, é extremamente fácil), mudar de opinião. Não porque só não muda de opinião quem é burro, mas porque tendo caído ideologias e sistemas políticos e económicos o mundo alterou-se substantivamente desde há 50 anos. Permanecer politicamente no estágio de pensamento em que me iniciei, seria de todo uma fraude para comigo próprio. O Homem não é, está sendo. Por este caminho percorro as minhas andanças ideológicas e sociais.
Comecei com a maioria do pessoal da minha terra pela mão da Igreja Católica e dos seus movimentos Juvenis. A breve trecho os fenómenos sociais e culturais foram fazendo o seu desbravar em mim.
Aos 16 anos
ligo-me a um movimento surgido pelo empenho dos estudantes de Peniche em Lisboa, que se designava Associação Juvenil de Peniche. Nessa altura começo a aprofundar leituras e actividades sociopolíticas.
Aos 19 anos
empunho-me na luta académica na Associação de Estudantes do IIL. Começo a Ligar-me a grupos de colegas que hão-de pautar a sua actividade no âmbito dos movimentos oposicionistas.
Aos 22 anos
entro em Mafra como militar. Paralelamente em Peniche surge o CICARP, cineclube que haveria de ser uma pedrada no charco no meio cultural, ao qual me orgulho de ter pertencido e feito parte dos seus corpos sociais e ainda hoje guardo o seu espólio e memória.. Alguns dos maiores vultos (todos eles da oposição) das letras e das artes portuguesas visitam Peniche. Mas a Direcção da Associação extingue-o com receio das represálias da PIDE.
Aos 24 anos
inicio a minha actividade como membro fundador da Húmus, cooperativa Livreira que fez história no movimento Cooperativo nacional. Ao mesmo tempo passo a participar nas actividades da CDE. Passa a desenvolver-se por aqui as minhas actividades.
Aos 30 anos
surge o 25 de Abril e formalizo a minha acção política tornando-me militante do MDP/CDE
Aos 32 anos
e antes da minha partida para a Guiné-Bissau como cooperante, filio-me no PCP
Aos 34 anos
no meu regresso a Portugal, afasto-me do PCP e faço uma caminhada no deserto até à década de 90, quando me começo a aproximar do PS.
Mo longo período que se segue, publiquei um livro em parceria com outros amigos de Peniche e tornei-me dirigente Associativo por vários anos.
Aos 54 anos
filio-me no PS em coerência com a minha participação nas suas actividades autárquicas.
Aos 64 anos
em consequência de uma discordância frontal com o PS por ter permitido avançar para o sufrágio do Tratado de Lisboa sem o referendar, apresento a minha demissão do PS.
Este o meu percurso enquanto activista político. Vejamos como me comportei na faceta de cidadão votante. A ordem em que aparece o meu sentido de voto é arbitrária.
Para as Presidenciais
votei Maria de Lurdes Pintassilgo, Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e Manuel Alegre.
Para Legislativas
votei MDP/CDE, APU, PS, PRD e BE, Branco
Para as Autárquicas
votei MDP/CDE, APU, CDU, PS e PSD (quando da 1ª vez que Luís de Almeida concorreu), Branco

Eis o que fiz politicamente ao longo da vida. Não me arrependo de nada. Quando não me senti bem afastei-me. Só sou fiel a mim próprio e aos valores que a minha família me legou e disso me orgulho. Aqui fica este relatório à laia de apresentação de contas. Para quem pretender cobrar-me o que quer que seja. Não inventem por favor. Está aqui tudo. E ao chegar a velho cumpre-me apresentar contas.

segunda-feira, junho 01, 2009

É O MEU DIA
É feriado para este Blog. Tudo bom para vcs também e em particular para a Jújú, pró Zé Borges, pró Carlos Amaral e para a Marilyn Monroe de saudosa memória.

domingo, maio 31, 2009

A PORRA "TÁ " AVARIADA...
com tantas iniciativas interessantes... não há meio da "porra funcionar". Tenham dó. Mandem tirar aquele cartaz da treta e tratem de arranjar um que funcione. Ou desistam de coisas electrónicas e façam locuçao das iniciativas.
QUEM BRINCA...

sábado, maio 30, 2009

IRRA Q' É CHATO!!!
Depois do cinema o Luis foi levar a namorada a casa. Ficaram encostados à porta do prédio a namorar um bocado:
-Querida hoje é que tenho que fazer amor contigo!
- Não,só depois do casamento, disse a namorada.
Passado já algum tempo e depois de muita repetição e insistência do Luis, aparece à porta do prédio uma miúda que teria para aí uns 14 anos e disse:
-Olhe, você é que é o Luis, não é? Pois eu venho cá do 10ª andar para lhe dizer que lá em casa o meu avô, a minha avó, os meus pais, o meu cão e até eu faremos amor consigo, mas por favor tire a mão das campaínhas !

sexta-feira, maio 29, 2009

JARDIM/BASÍLICA DA ESTRELA
40 e muitos anos depois regressei no sábado passado à zona que tantas marcas profundas produziu em mim ao longo do tempo. Passei por aqueles sítios milhares de vezes. Ou a caminho de casa, ou para a R. Buenos Aires até ao velhinho IIL.
Ou para atravessar o jardim em direcção ao “vergas” para mais uma tarde de cinema.
Alguns anos depois marcou-me uma ida ao Hospital Militar para visitar o Zé Mota que tinha sido ferido em combate, salvo erro na Guiné.
E muitos anos depois foi ali que fui acompanhar com a minha mulher, a minha filha e o Tózé Ferreira, os últimos momentos do meu irmão. Tempo de estudante, tempo de adulto, tempo de dor. E no sábado passado foi ali que aconteceu a Bênção das Fitas da minha menina. Tempo de Alegria.
Falar pois do Jardim e/ou da Basílica da Estrela é ver correr à minha frente toda uma vida. A minha. Aproveitei para visitar a estátua do Pedro Álvares Cabral: “A terra em tal maneira é produtiva que querendo-a aproveitar, dar-se-à nela tudo”. Assim reza uma das frases escritas à volta da estátua. Que salvo erro foi escrita por Pêro Vaz de Caminha. Tantas vezes lá passei que acabei por fixar o fundamental de uma das frases que lá aparecem inscritas.
Fui ver a já inexistente Escola Machado de Castro de boa memória. Ali passei 2 dos melhores anos da minha vida. As obras tomaram conta dela e agora vai dar lugar a um novo estabelecimento de ensino de grau superior.
Fui ao “Meu Café”. E vi lá a estudar o Jorge Machado, o Parina, o Colaço, o Zé Manel puto.
E agora a minha filha uma estudante brilhante, bonita e reluzente no traje académico, a encher-me de orgulho e espanto. Existem razões que merecem a pena na altura de sermos felizes.

quarta-feira, maio 27, 2009

O PADRINHO - PARTE II
Mão amiga enviou-me para o blog "portugal dos pequeninos" onde uma sacra imagem vem mesmo na sequência do que ontem publicámos. Basta substituir as caras por outras mais comuns do dia-a-dia que conhecemos e...só as moscas é que mudam.
Com a devida vénia cá vai o que o "pdp" publicou:

terça-feira, maio 26, 2009

O PADRINHO
Ao longo dos últimos 30 anos, aprendi a perceber quem paga favores a quem na política, vendo as listas de candidatos dos partidos. É claro que isso é mais óbvio quando exercem o poder executivo. Mas não só nessas circunstâncias.
Quando um funcionário público, salta do exercício das suas funções para listas de candidatos, sejam eles à Europa, à terrinha ou ao país, é certo e sabido que isso corresponde a um pagamento de dívidas por alguns favores contraídos em tempo oportuno.
Cá se fazem, cá se pagam.Por isso é importante saber ler as listas de candidatos. Por vezes e como o pudor ainda vale o que vale, esses favores são pagos em terras de exílio. Mas não quer dizer que na sua localidade de origem não se vá largando o “veneno” qb. Os tentáculos do “Padrinho” são muitos, poderosos e omnipresentes. Podem disfarçar-se de santos. Mas nunca passam de “gatos escondidos, com o rabiosque de fora”.

segunda-feira, maio 25, 2009

ESCLARECIMENTO
Este título dá-me vontade de rir. Ninguém tem de se desculpar pelo que diz ou faz. Tem é que ser responsável pelas suas afirmações e pelos seus actos.
Quem viu hoje nos noticiários o arranque da campanha eleitoral do BE, fica a perceber a razão do meu cepticismo com a imprensa em geral e com as TVs em particular.
Campanha do Bloco de Esquerda. Com a devida vénia do Presidente da Câmara local que foi eleito pela CDU. Não haverão muitas localidades em que os candidatos às Europeias terão a companhia dos autarcas eleitos, a não ser que se trate do seu próprio agrupamento político.
Depois as entrevistas extremamente representativas dos sectores económicos em desagregação.
Uma câmara de TV opera maravilhas. Pelo que de Peniche é transmitido eu imagino o que será nas outras localidades.
PS: Ficou para mim no ar a dúvida se aquele apoio explícito de António José Correia ao BE, representava o fim do seu acordo da CDU ou se é só vontade de aparecer e a seguir o vou visionar na visita a Peniche do PP e do Nuno Melo.

domingo, maio 24, 2009

EM PENICHE OS POMBOS SABEM LER
~

sexta-feira, maio 22, 2009

HIS MASTER’S VOICE
Todos os conhecemos. A sua opinião é formada pela leitura do “Correio da Manhã/24 Horas, pela informação da TVI, pela opinião dos líderes partidários e/ou clubistas. Nunca têm opinião própria.
E isto é uma cadeia de comando que não termina. A gente olha para a televisão e vê-os por trás dos líderes, pondo-se em bicos dos pés, de telemóvel ao ouvido a avisar a “patroa” de que estão a ser filmados.Os líderes falam e eles desafiam-se a repetir o que ele disse. Quem mais próximo ficar das suas palavras mais à frente fica nas listas para deputados, (europeus ou outros) nas listas autárquicas, nas assessorias, nas preferências do Boss.
Mais vale ser um transmissor fiel do que ser impetuoso ou mal-educado.
O mundo é dos velhacos. Isto é, o mundo é de quem sabe viver a favor da maré.

quinta-feira, maio 21, 2009

A MÃE DE TODAS AS NOTÍCIAS
Quem acompanha as notícias da imprensa, tem deparado ultimamente com mais uma não-notícia que tem servido de abertura. Começa assim:
MULHER (ou homem, tanto faz) COM GRIPE A.
E depois o corpo da notícia diz que a criatura, chegou a Portugal vinda do México ou dos EUA é suspeita de ter contraído a Gripe A. O Instituto Ricardo Jorge vai confirmar.
Passadas 48 horas e já sem o destaque do dia da notícia, é dito que a montanha pariu um rato.
Assim é ultimamente a nossa comunicação social. Vivem na expectativa de que ao menos um português (ou portuguesa) apanhe o vírus. E que de preferência morra. Aí entraremos todos em euforia. Ao menos um “casozinho”. Que país miserável este que nem numa pandemia é contemplado. Até nisto somos miseráveis.
A minha esperança ainda foi que a velhota de “rabo de peixe” nos fizesse entrar na Europa. Até podia ser que assim os meus amigos Hélderes me pedissem asilo. E eu sempre brincava com o André.
Nem isso. Porca miséria.

quarta-feira, maio 20, 2009

O TAMANHO DE UM HOMEM
1ª Parte
Os noticiários da manhã davam conta da inauguração em 5 de Outubro (a data não é irrelevante) de um centro único no mundo de estudos e tratamento de metástases cancerígenas da mama e do pulmão, no âmbito da Fundação Champalimaud.
Vão ser convidados a trabalharem naquele Centro os maiores especialistas mundiais, alguns Nobel incluídos. 2ª Parte
Desde pequeno que ouvi dizer “cobras e lagartos” do capitalista António Champalimaud. A esquerda nunca o aceitou. A direita capitalista fez dele um ícone. Em testamento doou parte substancial dos seus bens à criação de uma Fundação especializada em técnicas de ponta no combate à doença, com especial relevância para o combate à cegueira.3ª Parte
Nunca até hoje ouvi uma declaração formal do BE e/ou do PCP elogiando e agradecendo em nome próprio e no de Portugal a grandeza do mecenas e da obra que lega a este país. Aqui construiu uma parte da sua fortuna pessoal, aqui a lega ao seu povo.Moral da história
Quem é quem no meio disto tudo? Qual a nobreza num e noutros? Só é de facto grande quem é capaz de se superar. Para mim por estas e por outras é que não acredito na moral dos louçãs e dos campeões de Wrestling nas manifestações.

terça-feira, maio 19, 2009

O SEXO DA PROFESSORA DE HISTÓRIA
Gaita! Não era isto que eu queria dizer. Uma Profª de História falava e falava de sexo. Quando não tinha nada para dizer inventava. Mas o assunto acabava lá. Depois misturava “alhos com bugalhos” criando um ambiente de loucos na sala de aula. Ao que parece na escola há três anos que circulavam rumores (ditos e mexericos) sobre estas incidências. Sem que ninguém tivesse mexido uma palha para terminar com o espectáculo degradante que era oferecido diariamente aos alunos.
Ao contrário daquilo que será a opinião generalizada das pessoas, nem consigo estar contra a professora. Pelo tipo de discurso e pela forma como é desenvolvido, não é preciso ser perito para perceber que a professora tem um problema neurológico.
A escola e o Grupo de docência a que a profª pertence deixaram arrastar a situação até ultrapassar os limites do razoável. E é da pior maneira que se vem a por fim a uma situação que se tem sido acompanhada com vigilância médica, poderia nunca ter atingido o ponto do não-retorno.
Há três anos que a situação se arrastava… Qual foi a foi a avaliação da professora nesses três anos? Houve alguma exposição à IGE de existirem situações complexas com uma docente da Escola? O que tem o sindicato dos professores a dizer sobre isto? Vai condenar a professora? Ou vai exigir responsabilidades à Escola e aos professores delegados de disciplina e aos coordenadores que em tempo útil não acompanharam devidamente a situação?
Fácil é condenar a professora. Dos média não espero uma análise técnica do assunto. Do Ministério espero que as responsabilidades sejam cometidas aos que mais falharam neste caso.

segunda-feira, maio 18, 2009

NOTÍCIAS DE CHORAR
Do jornal “Região de Leiria” retirei uma notícia que me entristece sobremaneira. Em síntese diz o seguinte:
“Airo: o pequeno pinguim das Berlengas está à beira da extinção
São conhecidos como pinguins das Berlengas. Mas este ano, mesmo quem passa muito tempo naquele pequeno arquipélago do distrito, ainda não os avistou. Há pouco mais de meio século, existiam seis mil casais de airos na ilha da Berlenga. O aquecimento global, o aumento do número de gaivotas são algumas das causas que mais frequentemente são apontadas como estando no topo das razões que fazem com que o airo prefira outras paragens. Rui Rocha, presidente da Associação de Amigos da Berlenga lamenta o lento desaparecimento de uma espécie que já foi abundante na ilha do concelho de Peniche. “É algo que vemos com muita tristeza. Quem gosta da ilha vê esta situação com desagrado”, refere este responsável que afirma ter a indicação de associados de que ainda não foi possível avistar qualquer airo este ano. O airo é uma ave se assemelha a um pequeno pinguim – sem ter qualquer afinidade com essas aves - e as Berlengas estavam na sua rota de nidificação. Era possível avistá-los na ilha da Berlenga Grande entre Janeiro e Julho. A ave que é o símbolo da Reserva Natural das Berlengas, enfrenta agora um acelerado processo de extinção naquela zona. Seis mil há meio século. O airo encontra-se no Norte da Europa, sendo que a ilha da Berlenga era limite sul da sua distribuição. “As redes de emalhar podem ter sido um dos fortes contributos para o desaparecimento do airo assim como a alteração dos habitats pela presença de predadores como as gaivotas”, adianta Ivan Ramirez, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), citado pela agência Lusa.”

Lamento profundamente que as coisas tenham chegado a este ponto. Quando o Presidente da Câmara Municipal de Peniche entra em euforia “catatónica” com a ideia de uma Berlenga maravilha, seria bom que avaliasse o que tem sido o assassinato daquela ilha, das suas espécies, em troco sabe Deus do quê… E que os responsáveis directos por esta dizimação de espécies sejam detidos como inimigos da humanidade. Afinal sabe-se onde está o Bin Laden. Não há é coragem para o pôr atrás das grades. Ou pelo menos cortar-lhes as verbas.

domingo, maio 17, 2009

sábado, maio 16, 2009

O ZÉ POVINHO É DÍFICIL
Jesus Cristo, certo dia, cansado do tédio do Paraíso, resolveu voltar à Terra para fazer o bem. Procurou o melhor lugar para descer e optou pelo Hospital de Santa Maria, onde viu um médico a trabalhar há muitas horas e a morrer de cansaço. Para não atrair as atenções decidiu vir vestido de médico. Jesus Cristo entrou de bata, passando pela fila de pacientes no corredor, até atingir o gabinete do médico. Os pacientes viram e comentaram:
- Olha, vai mudar o turno...
Jesus Cristo entrou na sala e disse ao médico que podia sair, dado que ele mesmo iria assegurar o serviço. E, decidido, gritou:

- O PRÓXIMO !

Entrou no gabinete um homem paraplégico que se deslocava numa cadeira de rodas.Jesus Cristo levantou-se, olhou bem para o homem, e com a palma da mão direita sobre a sua cabeça disse:

- LEVANTA-TE E CAMINHA!

O homem levantou-se, andou e saiu do gabinete empurrando a cadeira de rodas. Quando chegou ao corredor, o próximo da fila perguntou :
- Que tal é o medico novo?
Ele respondeu:
- Igualzinho aos outros... nem examina a gente...

quinta-feira, maio 14, 2009

ESTE É UM ANO BUÉ DA CONFUSO
A gente está a falar de eleições europeias e às tantas dá por si com os olhos postos no Freeport, os ouvidos no 1º Ministro e a atenção no António José Correia.
E o cidadão comum que detesta estes períodos pré-leitorais e eleitorais e cada vez mais deles se afasta, sente as suas fileiras engrossarem com aqueles que gostando de saber e perceber, se sentem confusos e enfastiados com tanto discurso da treta.
Saber onde começa um acto eleitoral e onde termina outro, é o grande mistério que a todos persegue incessantemente.
Sabemos quem são os nossos candidatos, mas a quê? Quem é quem e pretende o quê? Somos todos contra o Governo, ou a acreditar nos jornais e nas notícias televisivas é isso que parece. Então votar na CDU em Peniche é votar contra o governo? E essa coisa da Europa é para o Cavaco poder ir à Turquia?
Ou sou eu que já estou com alguma doença de nervos?

terça-feira, maio 12, 2009

MEMÓRIAS DO MEU TEMPO DE PROFESSOR
Para a Dr.ª Carmelo Rosa e Dr. Óscar Montenegro (*)

Por esta ou por aquela razão o estudo das Línguas Estrangeiras nas nossas escolas perturbou-me sempre muito. Não compreendo que os níveis de insucesso no Francês e no Inglês sejam comparáveis aos da Matemática e da Língua Materna.
Não compreendo como milhões de Portugueses já adultos foram por esse mundo fora e tenham aprendido línguas e mais línguas e as nossas crianças nas nossas escolas, tenham tantas dificuldades em acompanhar os seus professores nessas aprendizagens. Tendo nascido no litoral, sempre vi a facilidade com que os nossos jovens estabelecem diálogos com as jovens estrangeiras que preenchem os seus sonhos de Verão, a facilidade com que aprendem letras de canções anglo-americanas. Os mesmos jovens que depois se comportam como perfeitos ignorantes face às suas professoras na sala de aula.
A última grande surpresa que tive foi com um ex-aluno meu da escola da Atouguia que depois foi colega da minha filha até ao 12º ano. O jovem era traquinas, irreverente e descuidado. A escola para ele sempre foi um meio de se divertir e não de vir a ter grandes voos. As aventuras dele eram em nossa casa descritas e ouvidas com carinho e entusiasmo. Na secundária a sua grande preocupação foi sempre ter os resultados mínimos indispensáveis para ir seguindo em frente. Claro que as Línguas Estrangeiras foram sempre a última das suas preocupações.
O que é certo é que o nosso amigo entrou na faculdade e tão longe das Línguas estrangeiras quanto possível. Mas também o ingresso na Faculdade não o entusiasmou assim tanto. Até que, encontrou abertura para concorrer a uma área que o deixou louco de alegria: - A aviação comercial. De teste em teste, vivaço como era lá foi passando até que chegou a um grupo extremamente restrito dos quais sairiam a meia dúzia que iria trabalhar para a companhia. E foi aqui que tocaram os sinos a rebate. Ele precisava de dominar o Inglês e o Francês em conversação.
Pois o meu amigo entrou para a entrevista com o mesmo savoir-vivre com que sempre encarou a vida. E não é que entre algumas dezenas de entrevistados ele foi um dos seleccionados e hoje é um ilustre tripulante de bordo de uma companhia aérea internacional. Como falou ele em francês e em inglês? Se calhar ainda hoje não sabe. Foi o espírito santo ou o génio que protege os audazes. E está a fazer o que quer e o que gosta.
Porquê então esta dificuldade em ter respostas positivas perante alguns professores de Língua Estrangeira? Alguém precisa de se interrogar sobre esta dualidade de capacidades das pessoas.

(*) – A Dr.ª Carmelo Rosa e o Dr. Óscar Montenegro foram os meus professores de Inglês e Francês na Escola Secundária Machado de Castro em Lisboa. Um e outro souberam num tempo em que só a Piaf e o Paul Anka tinham alguma graça, transmitir a ideia de que saber ouvir e falar era poder estar para além das limitações em que todos vivíamos. O meu mais profundo reconhecimento por isso.

domingo, maio 10, 2009

COM JESUS NÃO SE BRINCA
Certa vez, o Diabo fez um desafio a Jesus:
- Aposto como digito muito mais rápido que tu...O desafio foi aceite.
No dia marcado, Jesus de um lado com um XT 4.77Mhz, 512 Kb de memória e o diabo do outro com um Pentium III/500Mhz, 20Gb de memória. Todos a postos. O diabo estala os dedos enquanto Jesus olha calmamente para o seu oponente.Inicia-se a competição. Aquele que digitasse mais texto em 30 minutos seria o vencedor.O Diabo digita de maneira feroz, a uma base de 900 toques/minuto.Do outro lado da sala, Jesus digita usando apenas os dois dedos indicadores, no melhor estilo "Catador de milho em Jerusalém". A plateia fica, obviamente, nervosa com a performance do Messias, e rói as unhas...Quinze minutos de passam. O diabo já digitou cerca de 10Mb de texto, sem erros, enquanto Jesus ainda está na casa dos 5Kb. Os olhares tornam-se mais nervosos.Vinte e cinco minutos passados. O diabo já anda pela casa dos 20Mb de texto. Jesus anda pelos 8Kb...Vinte e nove minutos passados. PUFF!
Faltou a luz...Desespero geral, pânico, gritaria. Os juízes decidem terminar a competição pelo tamanho final do ficheiro. Tamanho final do arquivo de Jesus: 10Kb. Tamanho final do arquivo de Belzebu: 0Kb!
- Mas não pode ser!!! - grita o canhoto.
- Isto é roubo!!! um roubo!!!Grita, reclama mas não adianta. Perde a competição.
Jesus volta tranquilo para o paraíso, com aquele risinho de canto de boca tão típico.
Moral da história: Só Jesus "Salva"...

sábado, maio 09, 2009

JURO!!!
Neste gato eu votava para o Parlamento Europeu

sexta-feira, maio 08, 2009

O MAGALHÃES É UM DOS TEMAS
…que tenho evitado neste blog. Isto porque não posso estar mais em desacordo com a grande maioria dos disparates que se têm dito sobre este assunto.
É por demais evidente que ser aluna do Colégio do Sagrado Coração de Maria, ou da Escola Alemã, ou do Liceu Francês, tem um toque subtil que não se confunde de todo, com andar na Manuel da Maia, ou em Queluz, ou na Trafaria, numa EB qualquer onde encontramos filhos de desempregados, misturados com crianças das mais díspares etnias, e credos e religiões.
Os meios pedagógicos, didácticos e tecnológicos são uma bem a desfrutar por quem pode e consegue ter acesso aos locais em que se encontram.
O filho da Senhora de Vasconcelos e Abreu ir com os primos passar o fim-de-semana a Nova Yorque não é notícia. Os meninos apoiados pela Câmara da Maia que vão a Lisboa ao Zoo para perceberem o que é andar de avião, claro que é uma boa abertura para um Telejornal.
Por isso fico arrepiado quando por razões puramente políticas, o Magalhães tenho sido o alvo de todos os males que o Ministério da Educação andou a fomentar durante 4 anos. Os meios de comunicação social, alguns professores e outros “cabeças de abóbora”, têm criado à volta do PC toda uma onda de choque que “mete nojo aos porcos”. Quando eram 30 alunos para um PC, ou quando nem PCs existiam nas escolas públicas, estava tudo bem e nunca ouvi um “bigodaças” reclamar uma greve. Tudo isto vem a propósito da manchete do “EXPRESSO” de 1 de Maio, que noticiava com foto de 1ª Página que se vendiam “Magalhães” na feira da Ladra. E então? O que é que não se vende na Feira da Ladra? Produtos de crimes. Materiais pessoais ou doutrem, não há nada que não se venda lá. Em tempos até peças do saque à Embaixada de Espanha, lá se venderam. E não me consta que o Expresso se preocupasse com isso. O Magalhães comprado por um pai de um aluno qualquer, ou dado pela Acção Social Escolar, é tão vendável como milhares de livros escolares que lá aparecem. E alguns até são identificáveis como pertencendo a Bibliotecas Públicas. O Magalhães à venda na Feira da Ladra é tão negociável como um crucifixo roubado numa capela qualquer, ou qualquer bem com que se possa fazer dinheiro. E se o Expresso não compreende isto, não compreende nada. Ou se para fazer politica partidária escolhe um tema tão pouco sustentável, então bem pode sorrir o Sócrates e o PS. Nenhuma pessoa minimamente inteligente (por definição os leitores do Expresso) se deixarão enredar numa não-notícia destas.

quinta-feira, maio 07, 2009

ESTA FOI MAIS UMA DAS
…inúmeras dicas que chegam a casa das pessoas. Apesar das ajuramentações de que corresponde à VERDADE, o facto de não referir o período de tempo a que diz respeito e as fontes de informação em que a informação foi colhida, retira-lhe praticamente toda a credibilidade. Só tem piada porque passamos a vida a dizer “cobras e lagartos” da nossa classe política e não olhamos com cepticismo para o que pode eventualmente ocorrer noutras paragens. Mas é claro que a galinha da vizinha é sempre melhor que a minha…

CONSEGUES IMAGINAR-TE A TRABALHAR COM ESTA ORGANIZAÇÃO?
Tem pouco mais de 500 empregados com as seguintes estatísticas: 29 foram acusados de maus tratos às suas esposas, 7 foram presos por fraude, 19 foram acusados de assinar cheques sem fundo, 117 arruinaram, pelo menos, dois negócios, 3 foram presos por violência, 71 não podem possuir cartão de crédito devido à sua má utilização, 14 foram presos com acusações relacionadas com a droga, 8 foram presos por furto, 21 estão actualmente acusados em diferentes processos, Só en 1998, 84 foram detidos por conduzir alcoolizados. Consegues adivinhar de que organização falamos?


............ Desistes?

São os 535 membros do Congresso dos Estados Unidos.E o mais curioso de tudo, é que isto é rigorosamente verdade(?).

quarta-feira, maio 06, 2009

NOS ÚLTIMOS DIAS
…a imprensa tem vindo a noticiar uma greve promovida pela FENPROF para o próximo dia 30 de Maio. Quem é que vai acreditar que aquele senhor de bigode que diz o que os professores devem fazer, marcou uma greve com oito dias de antecedência das eleições europeias por pura ingenuidade?
A FENPROF não se guia pelos interesses do PCP. Só pelos interesses dos professores. È claro que se os professores tiverem uma opinião discordante, pode-lhes acontecer o mesmo que ao Prof. Dr. VM. Mas isso já são outras histórias.

terça-feira, maio 05, 2009

INÚMEROS TÊM SIDO AO ALERTAS
…que me têm chegado de um massacre anual de golfinhos promovido há anos na nas ilhas Faroe na Dinamarca. Ano após ano milhares de baleias-piloto, baleias nariz-de-garrafa e golfinhos são perseguidos por barcos e encaminhados para a baía onde são exterminados. São introduzidos ganchos de metal nos buracos respiradouros dos mamíros até lhes ser quebrada a coluna vertebral.
Esta festa-matança é um ritual sangrento que os rapazes da Dinamarca executam ao passar à fase adulta.
Trata-se de um país da União Europeia, altamente civilizado(?) e símbolo dos “chernes” que andam por aí espalhados. Como temos muito a aprender com esta gente, sugiro que os jovens da JCP participem no próximo ritual, como treino para os VM que surjam no futuro.
As fotos que publicamos foram retiradas do Google. São nojentas. Tão nojentas como o acto em si e os jovens e governantes que promovem esta carnificina.

segunda-feira, maio 04, 2009

ESCREVO AGORA TAMBÉM PARA BARCELONA
…onde está a minha menina a estagiar no âmbito de um acordo entre a ESTSL e entidades privadas de Espanha. Aproveito para endereçar o meu abraço amigo ao Barça pela conquista de mais um título, já que por aqui fico a chuchar no dedo. Depois vou tentar que a Maria não se desiluda muito com o burgo que lhe deu origem e aos que o servem.
Estes dias de férias sabáticas do blog, encheram-me a parede do escritório de papelinhos amarelos com notas sobre assuntos a desenvolver. De todos o que me salta mais à vista é o do “enxerto de porrada e insultos” com que foi brindado o Vital Moreira no 1º de Maio.
Fiquei a pensar nas coisas nestes termos:
- Se um comunista levar porrada dum PIDE, isso é fascismo. Se um comunista arrear num não-comunista, isso é a defesa da Democracia.
Quer dizer que o que legitima a acção (não falo em reacção) é quem a executa e não o acto em si mesmo. Pode-se dar porrada desde que…

domingo, maio 03, 2009

quem te avisa...

quarta-feira, abril 29, 2009

até ao próximo domingo
...vou estar ausente em parte incerta. Talvez possa estar em Cabo Verde a comprar alguma sociedade de negócios, ou talvez possa estar doente, ou talvez vá ao méxico comprar leitões.
Seja como for no Domingo regresso, nem que seja do além.

terça-feira, abril 28, 2009

NO PASSADO DIA 20 EM ÉVORA
…foi atribuído ao Município de Peniche pela ABAE (Associação de Bandeira Azul da Europa) o galardão ecoXXI 2009, que premeia os municípios que adoptem boas práticas locais em prol da sustentabilidade.
Acredito que na perspectiva dos grupos locais de intervenção política, ou ambiental, ou educacional, isto seja pouco importante. Ou mesmo que não tenha importância nenhuma.
Mas quem tem que considerar isto são as populações. Esconder, ou não citar os méritos do que se vai alcançando é uma prática condenável venha ela de onde vier. Mesmo que isso possa dar méritos aos nossos adversários.
O projecto pelo qual fomos avaliados e merecedores de distinção, passa pela análise da gestão dos resíduos do turismo, qualidade da água e do ar, conservação da natureza e da biodiversidade. Se isto é ou não importante, devemos ser nós os comuns cidadãos a decidir.

segunda-feira, abril 27, 2009

ONTEM (DOMINGO – 26/4) FUI APOIAR
…a minha mulher e a minha filha que fazem parte das listas da CDU, num almoço comemorativo do 25/4 e que ao mesmo tempo serviu para apresentar uma parte das listas às autárquicas que se realizarão este ano. Fui com o mesmo à vontade com que participei com o apoio delas, em actividades semelhantes de outro partido político em 1998.
Compreendo que exista muita gente que tenha dificuldade em aceitar este tipo de atitudes. Vestem a pele dos partidos políticos como se de uma fé por um clube de futebol se tratasse.
Hoje é mais fácil mudar de mulher, de casa, de país ou de religião, que mudar os apoios a um ou outro partido político. Digo porque não compreendo isto.
Os partidos políticos hoje dividem-se entre partidos de inspiração marxista (mais ou menos acentuada), democratas-cristãos e liberais. O que torna um partido mais atraente que outro é em cada momento o que os impulsiona numa óptica de conquista de poder por este ou aquele líder. Depois existem os regionalismos que enfocam com maior ou menor nitidez, este ou aquele traço de uma ou outra concepção ideológica.
Para quem não milita em um qualquer partido a volubilidade do seu apoio, tem mais a ver com a capacidade de no instante ser mais claro ou mais incisivo nas acções a desenvolver em favor de um projecto de desenvolvimento mais acentuado do ponto de vista cultural, ou social, ou económico ou patrimonial.
Tudo isto não para explicar a minha presença naquele evento, mas as razões porque me senti lá muito bem. O que a minha presença para já significou é que vou votar CDU para a Assembleia Municipal e para a Junta de Freguesia da Ajuda. O resto, fica por dizer…

domingo, abril 26, 2009

ESTA FOTO FAZ HOJE ANOS

sábado, abril 25, 2009

25 DE ABRIL
pelos cravos com que incendiaste os nossos corações...
pelos sorrisos que abriste no rosto das crianças...
pela Paz de que foste arauto...

sexta-feira, abril 24, 2009

HÁ 35 ANOS ATRÁS
…eu a esta hora estava acabado de chegar a casa vindo de Lisboa aonde tinha ido com o meu pai levar a minha mãe ao Hospital da Cruz Vermelha, para ela ser operado à única vista que lhe restava e que estava já completamente tapada por uma catarata que ao longo dos anos se tinha vindo a desenvolver.
No dia 25 seria finalmente operada e correndo tudo bem ficaria a ver com alguma qualidade, visto que tinha perdido a outra vista aos 9 anos de idade.
O meu irmão chegaria a Peniche umas horas mais tarde depois de ter alta do Hospital Militar Principal, após ter sido evacuado da Guiné-Bissau. O resto do dia iria ele passar dividindo-se entre a leitura de livros de cowboys e um joguinho de sintético no Clube.
Eu mais prosaicamente iria dividir-me entre as aulas na Escola Industrial e o Colégio onde me encontrava a substituir a Midú, aulas para preparar e pontos para corrigir.
Depois de beber um copo à noite no “Ponte Velha” ou no seu concorrente mais ajanotado.
Iria adormecer que nem um santo e levantar-me no dia a seguir com a minha Tia Idália a acordar-me, para me informar a mim e ao meu irmão que a rádio dizia que a Armada se tinha revoltado.
Há 35 anos atrás os meus amigos ocupavam os seus tempos livres de forma difusa entre o trabalho, o futebol e alguma televisão. Não havia subsídio de desemprego, nem ordenado mínimo. Não havia Serviço Nacional de Saúde e o Hospital e um ou outro médico davam as respostas possíveis com amostrar grátis de medicamentos.
Nem todos os seus filhos tinham sapatos e a Escola Industrial era frequentada por cerca de trezentos alunos. O GDP continuava a ser alternativa para praticar algum desporto e os Bailes da Associação ainda era uma das formas de engatar umas miúdas. Não havia senão 2 canais de TV, telefones só os fixos e a Internet não saíra ainda dos livros de ficção científica. O Marcelo Caetano era 1º Ministro, Américo Thomaz Presidente da República e quem não gostava de alguém, sempre tina a possibilidade de dar uma dica a um informador da DGS.
A 24 de Abril de 1974 éramos um povo pacato sem ciganos, nem drogados para nos chatearem. Os criminosos eram castigados e os ricos dividiam o país entre si. Os proprietários, comerciantes e armadores davam esmolas aos pobrezinhos e vivíamos todos em paz.

quarta-feira, abril 22, 2009

DOU POR MIM A DAR GRAÇAS A DEUS
…pela maior descoberta do sec. XX. Refiro-me ao comando da TV que me permite fazer zapping sempre que o que vejo ou ouço não me agrada. De todo não dou sossego ao aparelhómetro quando os políticos invadem o meu espaço. Ou quando o Benfica está a perder. Ou quando aquele Francisco Ferreira (e seus compinchas) da Quercus me massacram com o ambiente. Não aguento os grupos de amigos dos animais que se esquecem que existem crianças.
Vem agora um período terrível em que só é possível estar em casa com os canais alternativos. São as falsas ilusões que vão ser vendidas como cobertores em feira. Por mim, prefiro o remanso da minha terra onde todos nos conhecemos. E sabemos do que somos ou não capazes.

segunda-feira, abril 20, 2009

TENHO TIDO ALGUMA DIFICULDADE
…em perceber a lógica super conservadora das representações regionalistas dos partidos políticos na minha terra. Agora que são conhecidas as suas escolhas autárquicas tudo me parece ainda mais frouxo e sensaborão do que inicialmente eu preveria.
Honra seja feita ao PCP que reafirma a máxima de que em “equipa que ganha não se mexe”.
O PS no momento em que tudo o que cheira a “banca” é recusado e negativamente rotulado, é aí que encontra a solução para o fosso para que foi atirado. Isto para não esgotar munições. O verdadeiro candidato em que o PS deposita as suas esperanças só vai surgir daqui a 4 anos quando o António José Correia ceder o seu lugar ao Jorge Amador.
Quanto ao PSD segue o mesmo critério. Mentes deformadas diriam que os dois partidos do “centrão” combinaram as tácticas de jogo antes de entrarem em campo.
Os partidos das franjas aqui não têm representatividade. Pelo menos não têm tido até agora. E quando aparecem nem sequer constituem danos colaterais.
35 anos depois do 25 de Abril foi-se aquilo que mais brilhante constituía o espírito da época: - A criatividade e a generosidade.

domingo, abril 19, 2009

EU AVISEI-TE...
O sujeito trabalhava há anos numa fábrica de conservas e, um dia, confessou à mulher que estava possuido por um terrivel desejo: a vontade incontrolável de colocar o pénis na cortadora de pickles.
Espantada, a mulher sugeriu que ele procurasse um psicólogo, e o marido prometeu que iria pensar no assunto. O tempo foi passando, até que, um certo dia, ele chegou a casa cabisbaixo, profundamente abatido:
- "O que foi que aconteceu, amor?" - perguntou-lhe a mulher, preparando-se para o pior.
- "Lembras-te do meu desejo de enfiar o pénis na cortadora de pickles?"
- "Oh, não!" - gritou a mulher - "Fizeste isso?!?"
- "Sim, fiz!"
- "Meu Deus, o que aconteceu?"
- "Fui despedido..." - respondeu o marido.
- "Mas, e ... a cortadora de pickles...?"
- "Foi despedida também!"

sábado, abril 18, 2009

depois do magalhães...

sexta-feira, abril 17, 2009

EU ESTAVA NUM GRUPO
…de amigos e ouvi a conversa. Nela participavam 2/3 reformados de ofícios diferentes e um polícia marítimo. Lamentavam-se (e revoltavam-se) contra uma lei que consideravam absurda e que impede os pescadores da pesca à linha de atirarem ENGODO para atraírem os peixes ao pesqueiro onde se encontram.
Um deles que foi pedreiro toda a sua vida laboral (e que agora na reforma luta contra o cancro) afirmava mesmo que isto só pode ser feito para impedir a felicidade de quem ao passar horas a pescar, assim encontra forças para o passar dos dias. Outro, um marítimo reformado que com os peixes que apanhava completava a dieta lá de casa, dizia que só os pobres é que são impedidos de viver. E a conversa continuava por aí. O polícia marítimo assistia e confirmava essa e outras interdições, como a de apanhar lapas com qualquer instrumento auxiliar metálico. Outro dizia que a ele não o lixavam (com outras palavras) porque ele arrancava as lapas com as unhas dos pés.
E entre umas tiradas de humor e outras de revolta lá se foi falando da iniquidade de certas leis.
Eu, agora aqui à frente do PC e a escrever sobre isto ainda me sinto revoltado por outras razões.
Peniche sempre foi conhecida por uma terra de pesca lúdica. Os avisos de pesqueiros mandados colocar pela Câmara à muitas dezenas de anos são mais que muitos. Existe até um roteiro turístico antigo, com os pesqueiros assinalados e que sempre serviu de suporte a quem nos procurou para se divertir pescando.
Tudo isto é eliminado e proibido. E onde está quem explique estas proibições? Seria pedir demais ao Sr. Comandante do Porto que explicasse pelos meios tidos por convenientes as razões destas proibições? Ou a forma de lidar com elas… Ou de poderem a ser contestadas… Ou atenuadas em determinadas circunstâncias…
Acho muito bem que se desenvolvam actividades e meios para que outros desportos náuticos possam ser praticados em Peniche. Mas aquilo que faz parte da cultura centenária das nossas gentes do mar, porque é que há-de ser tratado como se um crime fosse?
Então Sr. Presidente da Câmara? Que tal perder um pouco de tempo com os que o elegeram e tentar conseguir que o ENGODO, não seja tratado como um mal maior. Eu sei que isto é pouco importante para quem tem as preocupações que têm pessoas com os afazeres de V. Exª. Mas olhe que são as coisas pequeninas que constroem grandes vitórias. E já vi cair Presidentes de Câmara que se preocuparam muito com os empreendedores imobiliários, tendo-se esquecido dos pedreiros.

quinta-feira, abril 16, 2009

SINTO-ME PORTUGUÊS E EUROPEU
…perfeitamente assumido. Sinto-me parte deste continente, da sua cultura e das suas idiossincrasias. Revejo-me nos seus escritores, na sua música e na sua pintura. Revejo-me nas raízes das suas línguas e sinto-me parte integrante da História da Europa. Claro que não esqueço os seus podres. Não só as suas lutas fratricidas, como tantas injustiças que espalhou ao longo de séculos por onde se foi afirmando, tantas vezes à custa da miséria que provocou entre os povos que oprimiu. E ser português não me isenta desta vergonha. Pelo contrário, até a acentua.
Mas para além de tudo isto tenho orgulho em ser português e europeu.
Vem esta confissão a propósito das eleições europeias que se aproximam. Não me esqueço de que o actual Governo Português e o seu Primeiro-Ministro não me permitiram votar para uma constituição europeia. Cobardemente sonegaram ao povo português a capacidade de decidir, porque recearam que se votasse negativamente. Por esta e só por esta razão, demiti-me da minha filiação partidária no PS e disso aqui fiz referência na altura.
E recuso-me a avançar a culpa desta decisão só no Sr. Engº José Sócrates. Ele é só um vaidoso que o tempo vai acabar por apagar. A carneirada que com ele votou esta decisão não é menos culpada. E se o PS está a desenvolver este tipo de atitudes colectivas eu nem quero estar por perto.
Não faria sentido que tendo-me revoltado por não me deixarem votar, eu agora não fosse a votos. Vou lá descarregar a minha presença.
E PARA AS ELEIÇÕES EUROPEIAS VOU VOTAR EM BRANCO.
Não contribuo para ninguém. Em alguns porque não acredito neles. Noutros porque não seria capaz. Até a mão me caía. E noutros porque se não me querem europeu de corpo inteiro, então governem-se sem o meu apoio.
E com esta declaração de vontade, dou por finda a minha participação na “cegada” que se aproxima.

quarta-feira, abril 15, 2009

FOI QUANDO EM SETEMBRO DE 1966
…assentei praça em Mafra, que numa daquelas corridas malucas que os tropas faziam para se prepararem para a “defesa das províncias ultramarinas” (fosse lá isso o que fosse), que pela 1ª vez que passei a correr no Sobreiro, vi aquela pequena aldeia de barro. Soube depois que era obra de um oleiro daquela aldeia que se chamava José Franco.Passado algum tempo acabei por visitar aquele atelier e fiquei preso para sempre das extraordinárias miniaturas de barro que saíam das mãos daquele artista do barro.
Quando comecei a dar aulas na zona oeste, todas as visitas de estudo incluíam no roteiro a passagem obrigatória pelo atelier de Mestre José Franco, onde recebiam uma lição que valia por todas as que lhes pudéssemos ministrar na Escola, sobre como manusear e criar em barro.
O Mestre José Franco foi pedagogo, professor, criativo e alma mater de centenas de jovens que as escolas persistiam em boa hora em visitar no seu local de trabalhão. Os meninos e meninas que o viram a trabalhar e o ouviram falar sobre a arte e as técnicas do barro, ficaram seus amigos e admiradores. Como ficou Jorge Amado e Beatriz Costa.
Com o tempo e outros afazeres fui surpreendido agora com a sua morte aos 89 anos. Não viu alguns dos seus sonhos concretizados. Morre triste e longe do ambiente familiar, ele que em amor tudo fez.
Julgo que num momento em que se fala tanto do saber da experiência feito, faltou ao Mestre o reconhecimento da sua obra pelo Ministério da Educação. Ele e a obra que foram o prolongamento de tantas salas de aula. É nestes pormenores que falham governos e ideologias. De tanto olharem para o que é grande, esquecem o que é pequeno mas tem a força do Mundo. E assim vão desaparecendo a pouco e pouco as nossas referências.

terça-feira, abril 14, 2009

UM AMIGO MEU CRUZOU-SE COMIGO
…um dia destes e questionou-me sobre a razão porque eu não respondo aos comentários que são tecidos no meu blog. Expliquei-lhe que esse não é o princípio ético deste tipo de comunicação. E que mesmo quando não estou de acordo com o que me é replicado não posso (e não devo) “comentar” o comentário. A ideia é quem lê poder afirmar uma outra visão das coisas sem qualquer tipo de inibição.
O difícil é por vezes saber onde está a fronteira entre o mal-estar que num leitor provoca uma determinada análise e a má-educação ou mesmo o insulto gratuito que salta da raiva com que se leu. Mas mesmo assim é preferível deixar passar em branco o comentário, a interferir na livre afirmação do que vai dentro de cada um.
E por fim rematei junto do meu amigo com o que verdadeiramente me insulta. São os comentários anónimos. A cobardia que se esconde atrás dum qualquer anonimato. O resto, são palavras que valem o que valem.

segunda-feira, abril 13, 2009

A DEMOLIÇÃO DO PRÉDIO
…no Largo Bispo de Mariana onde durante muitos anos se fixou o estabelecimento do Sr. Emídio da “A Social”, trouxe-me de novo a necessidade do poder executivo da Câmara Municipal (seja ele exercido por quem for) iniciar de uma vez por todas uma atitude de transparência sobre o que se vai fazendo por cá em termos urbanísticos.
A minha sugestão é que em zonas sensíveis do concelho, obras que envolvam a demolição de imóveis e a construção de novos empreendimentos sejam ilustradas por um croqui em perspectiva do que se vai edificar, com a sua integração no espaço que lá se encontra já desenvolvido.
Fazer esta sugestão é um bocado pregar no deserto. Tal como a existência de um quadro onde se escreva de forma legível (e que o tempo não apague) quem mandou construir, quem é o responsável pela obra e o que se vai fazer e o prazo previsto de construção. E as consequências para o desvirtuamento do que está previsto devem ser afixadas no local.
O projecto de urbanização no Adro da Ajuda é um exemplo claro da necessidade disto mesmo.
Ninguém é inocente nisto tudo. Alguns crimes que se cometeram no concelho de Peniche talvez tivessem sido evitados. Mas será que estamos prontos para lidar com os munícipes com transparência? Eu pecador me confesso.

domingo, abril 12, 2009

QUEM DUVIDA DAS NOVAS TECNOLOGIAS, PODE VIR A TER GRANDES DESGOSTOS
José da Silva está com uma dor no braço direito e resolve ir ao médico.
Chegando lá o Doutor diz: - Tenho um novo e avançadissimo computador aqui, basta você urinar neste potinho que eu coloco no computador e ele nos dirá o que você tem.
- Ah Ah Ah, eu não acredito nisto, doutor, sou um Analista de Sistemas e nunca ouvi tamanha asneira!!
Mas para não contrariar o médico, José acaba urinando no potinho. O médico coloca-o no computador, aperta um botão aqui outro ali e a máquina começa a processar. Passados uns 30 segundos, sai um papel impresso de dentro da máquina, e então o doutor lê em voz alta:
José da Silva
34 anos
Branco
Analista de Sistemas
Artrite no braço direito

José exclama:
- O quê?? Como essa máquina fez isso?! Eu não acredito!!!
- Doutor, eu quero fazer o exame novamente... Vou levar o pote para casa e farei xixi nele, amanhã em jejum, e trarei para o senhor novamente.
José vai então para casa e no dia seguinte, em jejum, faz xixi no pote e leva-o ao médico, que o coloca no computador para processar.. Sai novamente um papel impresso de dentro da máquina com o seguinte:
José da Silva
34 anos
Branco
Analista de Sistemas
Artrite no braço direito

-Doutor, realmente eu não acredito nisto aqui !! Vou fazer novamente este exame, dê-me outro pote!!
José vai para casa com outro pote, faz xixi dentro dele, pede à mulher e à filha para fazerem também, coloca um pouco de óleo do carro dele dentro do pote e ainda por cima se masturba e coloca o resultado no pote, mistura tudo e leva ao médico. José pensa: "eheh agora quero ver esse computador,eheh".
O doutor coloca novamente na máquina, e novamente sai um papel:
José da Silva
34 anos
Branco
Analista de Sistemas
Corno
Filha grávida de 3 meses
O carro precisa trocar o óleo
E a próxima vez que for se masturbar, faça com a mão esquerda pois O BRAÇO DIREITO ESTÁ COM ARTRITE !!!

sábado, abril 11, 2009

sexta-feira, abril 10, 2009

CONTARAM-ME HOJE
…uma história exemplar. Um amigo meu de há muitos anos conversava comigo sobre o espectro de “aculturação” que parece varrer todos os recantos da pátria portuguesa. Peniche que não é imune a este tipo de fenómenos, é um terreno fértil para o seu desenvolvimento.
Falámos dos grupos de apoio aos familiares dos presos políticos. De como uma vez recebeu no quartel um apelo para trazer para Peniche uma jornalista que tinha o seu marido preso na Fortaleza/prisão. E dela lhe ter dito para não a deixar à porta da prisão pois podia ter problemas. E da raiva com que disse não, e deixou-a mesmo junto à porta de entrada. Da sua iniciação posterior nas “coisas” da oposição democrática pela mão do Luís Leonardo. E de ter sido da boca dele que ouviu pela 1ª vez a palavra “Democrata”. E da confusão que aquilo lhe fez, pois era uma palavra completamente nova para ele.
Pois foi este meu que me contou uma história exemplar que merece ser aqui reproduzida. Um dia, nem ele sabe como, foi-lhe parar às mãos uma fotografia do grupo de crianças que com ele fizeram a 2ª classe.
Nesse grupo, os meninos que têm sapatos ficam na fila da frente e os que andam descalços nas filas de trás. O meu amigo mandou ampliar a foto e levou-a para um estabelecimento que tinha e onde ía tomar café, a filha de um colega de escola dele desses tempos.
Um certo dia mostrou-lhe a foto. E pediu-lhe para identificar o pai. Ela não foi capaz. Ele então apontou uma criança numa das filas de trás, com uma boina e de camisa de riscado tal como se usavam na época. A jovem ficou incrédula. Pediu então a foto ao meu amigo para a levar à mãe para que ela lhe confirmasse a negação de tal figura como o pai dela.
A mãe olhou, reconheceu o progenitor da filha e disse-lhe que era verdade. A jovem agarrou na foto, tirou-a da moldura, rasgou-a em mil pedaços que deitou no caixote de lixo.
Acabada a fora, estava afastada a ideia de um pai que não reconheceu no miserabilismo da figura.
O meu amigo ficou sem a foto. O pai da jovem pode continuar a exibir anéis e automóveis. A jovem pode continuar a caminhar na rua de nariz todo empinado. Peniche ficou mais pobre porque não se reconheceu no seu desenvolvimento. Somos do tamanho que merecemos.

quinta-feira, abril 09, 2009

MONSENHOR BASTOS:
- Querido Padrinho e Amigo
Quero felicitá-lo por mais este aniversário. Sei quanto representa este dia para si. Para quem fez da sua entrega uma fonte de Alegria e uma forma de vida, tudo o que represente este Húmus é dia de Festa e de repetição exaustiva dessa doação.
Sei, quanto tem sofrido. Tive oportunidade de lhe prestar a minha solidariedade para além do que é visível e dito.
E quando olho para trás, recordo-o nas horas boas e más, sem nunca me pedir nada, sem nunca me exigir o que quer que fosse. Recordo-o nas horas de caminhada em direcção à Serra e a Fátima. Recordo-o nas minhas aulas na velha fábrica do Alemão. Recordo-o em longas conversas, onde descobrimos os amigos comuns, nas suas capacidades e êxitos. E todo o carinho que sinto por si sai reforçado de todas essas recordações.
A sua capacidade de viver a pastoral cristã de que se fez arauto, se é certo que lhe abriu muitas portas, não é menos certo que lhe fechou definitivamente outras. E sei que são estas últimas que o preocupam. E que lhe dão coragem para continuar.
Por mais este aniversário, na celebração que o trouxe até mim felicito-o. Creia que se alguém merece como S. Paulo preconizava, ao passar pelos outros afirmar-se como Cristão, o meu amigo é uma dessas pessoas. Em si vejo um exemplo e uma afirmação de Fé.
Não o irei esquecer nunca. SOU SEU AMIGO E GOSTO DE SI. E sinto isso como um privilégio.

quarta-feira, abril 08, 2009

UM DESTES DIAS
…fui ao PAC (posto de atendimento público ao cidadão) e no “nicho” por trás da funcionária vi um galhardete da cidade de Peniche, com o pavilhão da cidade a meia-haste. Não se tratava de assinalar nenhuma efeméride. Ou foi um deslize (mais um…) ou alguma insinuação soft de algum funcionário. Não perguntei. Quem não quer ouvir o que não gosta, não faz perguntas.
Espero que passados já muitos dias tenha havido tempo para colocar o pavilhão na haste, HIRTO, FIRME e em POSIÇÃO.A bem, não da nação, mas de todos nós.

terça-feira, abril 07, 2009

ONTEM BRILHOU O SOL
…de infância na minha rua. Encontrámo-nos três dos seus antigos residentes. Eu, o Toninho a quem chamávamos o “Roncolho” pelo som característico da sua voz e a Maria da Boa Viagem. Registei para a eternidade o abraço entre eles dois. Entre portas, sorri a D. Lélé mais velha uns anos que nós, como que abençoando aquele encontro. Na minha velha rua sobejo eu, o Toninho e a D. Helena Salvador.Todos os que lé hoje residem são posteriores a nós.
Aproveito este feliz encontro para ir buscar ao meu álbum de escritos, um texto que retrata precisamente a Maria da Boa Viagem e que para os que ainda não o conhecem, é um fresco sobre esta mulher magnifica que vem de vez em quando ao meu encontro por entre as memórias que retenho.
A Maria da Boa Viagem

Um destes dias tonei a vê-la. À Maria da Boa Viagem. Como é que eu a posso descrever para que me percebam. Vivia n` minha rua. A dois passos de mim. Morava numa casa com um quintal, onde também morava a mãe do Quinzico e ele próprio. A Maria da Boa Viagem era daquelas raparigas que enche uma rua. De alegria e de esperança. Jogava à “Banca”, mas também dava uma perninha no futebol. Ninguém que se metesse com ela ia sem troco. Fosse verbal ou ao estalo. E quando a mão falhava, havia sempre por perto uma pedra ou um bocado de pau.
A Maria da Boa Viagem é uma memória do nosso passado colectivo, quando a bola de trapos ou feita de bexiga de porco era rainha das ruas. E fugíamos como o “diabo da cruz” do Coelho e do Carocé (policiais dos velhos tempos).
Quando os médões eram cenário de jogos de capa e espada. E as ruas eram poucas para os jogos de polícias e ladrões. Quando os jogos eram no Alto da Vela na adivinhação na linha do horizonte, do barco que se aproximava, pela forma mais ou menos bojuda, pelo tipo do mastro ou até pela maneira como se fazia às ondas e as cortava.
A rua nesse tempo era uma escola de criatividade, onde o jogo do “virinhas” ou do “botão” eram uma preciosidade no desenvolvimento da “psicomotricidade fina”. Nome esquisito que os técnicos inventaram para distinguir os espertos e ladinos dos que perdiam sempre botões e “abafadores”. Como eu. Tempo das corridas com carros de cana e de rodas de cortiça. Tempo dos jogos de “Batos”, aqueles seixos redondos e lisos da praia do Porto de Areia que a Maria da Boa Vigem e as outras raparigas jogavam com maestria e com tal velocidade que nos punham os olhos tortos.
A rua nesse tempo era o império das crianças. Nela todos aprendemos melhor ou pior a defendermo-nos, a sermos inventivos e desenrascados. E protegidos. Havia sempre alguém por perto que nos conhecia e aos nossos Pais e sabíamos que os excessos chegariam sempre ao seu conhecimento. A rua era um tempo em que as palavras vizinho ou vizinha fazia sentido, porque era sinónimo de solidariedade e de sociabilização.
Na rua a Maria da Boa Viagem era rainha. Ou princesa dada a idade. Era uma líder. Era uma referência.
E ao rever a Maria da Boa Viagem que hoje não sei onde mora, todo esse tempo me veio à memória. Gritámos um para o outro a alegria de nos revermos. Dois beijos da velha amizade foram trocados. Ela e eu falámos das nossas idades. Do meu irmão que ela há anos que não vê. Falámos das varizes dela e da minha “barriga de mestre”. Despedimo-nos sem garantias de nos vermos nos próximos tempos. Mas com a certeza de que a nossa RUA mereceu a pena. Até lá, até sempre Maria da Boa Viagem. Nome de santa que não foste e de Festa que foste.
Menina e Mulher do meu tempo. E da minha rua. Que tem tanto para contar. Assim vá tendo eu memória e talento para poder recordar.

segunda-feira, abril 06, 2009

A FALÊNCIA DA CREDEBILIDADE
…dos partidos políticos é pública e notória. Os seus militantes têm pudor de se apresentar perante a opinião pública como tal e noutros casos, recusam mesmo apresentar-se a actos eleitorais nessa condição porque receiam a atitude dos eleitores.
Assim é que entrou na moda recorrer a independentes para cabeça de lista a diversas contendas políticas. Como se o simples facto de se ser independente fosse uma mais-valia e não o ser uma carta de descrédito.
Como se existissem independentes “tout-court”. A não filiação partidária não significa independência. Tem só a ver com a vontade de não aceitar ser catalogado. Existem independentes que só darão o seu patrocínio a uma esquerda mais ou menos soft, como existirão outros que não terão dúvidas em oscilar entre o PS e o PSD. A independência não existe.
Mas confere às pessoas, no entender dos partidos políticos uma áurea de credibilidade, capacidade e honestidade, que os poucos que votam já não acreditam existir entre os militantes partidários. Por agora estamos conversados.

domingo, abril 05, 2009

QUE A CRISE NÃO ATINJA A CERÂMICA...

sábado, abril 04, 2009

Um nazareno...
...para quem a pesca corre mal, decide começar a trabalhar como taxista. Um dia vem a Lisboa e vê numa rua muito isolada uma rapariga muito gira a pedir boleia.
Pára ao pé dela e abre a janela do lado do pendura. Mete conversa. A moça mete a cabeça dentro do carro, ele fecha a janela e a pobre fica com a cabeça entalada. Ele sai do carro, vai por detrás dela e abusa da jovem. Volta para o carro e comenta sobranceiro:- Nós, os taxistas nazarenos, somos muito espertos, não somos?Responde a jovem:- São sim senhor. Mas nós, os travestis de Lisboa, ainda somos mais.

sexta-feira, abril 03, 2009

A MENTIRA A QUE ME DEDIQUEI…
de alma e coração no passado dia 1 de Abril, suscitou-me para além de um sorriso de bem humorado, algumas reflexões sobre o que são as juntas de freguesia numa pequena cidade como Peniche.
Existe uma competição a que não posso chamar salutar entre elas que por vezes é caricata e noutras infantil. E quanto menos significativa são as fronteiras geográficas e a população que servem, mais surge a tentação de os seus representantes se colocarem em bicos de pés.
Não quero referir exemplos concretos porque as pessoas entendem mal a critica. Colocam-lhe um acento pessoal. E a mim não me apetece passar tempo a justificar o que não tem necessidade de ser justificado. Todos conhecemos casos em que nos parece estúpido dizer que esta ou aquela acção são dirigidas a uma Freguesia em particular. Dizer a uma senhora de idade que não pode ir num passeio a que vai uma amiga que mora na porta em frente do outro lado da rua, é estúpido e injusto.
Sei que o facto de por vezes serem Presidentes de Junta pessoas de partidos políticos diferentes, não ajuda a eliminar fossos. E que o facto da Assembleia Municipal em vez de ser um lugar de encontro de vontades se tornou uma arena de vaidades pessoais, ainda acentua mais essa divisão.
Com este cunho, quem fica a perder é a cidade de Peniche e a sua população. E cada vez somos mais uma caricatura daquilo que deveríamos efectivamente ser.

quinta-feira, abril 02, 2009

JÁ NINGUÉM ACREDITA…
em mim. Pensava eu que seria fácil mentir no dia 1 de Abril, mas afinal amigos e alguns (poucos) que me vão lendo de vez em quando, perceberam que nem eu sirvo para candidato, nem ninguém confiaria em mim politicamente para o que quer que fosse.
A minha peta do 1 de Abril não colheu. Para o ano que vem vou escolher melhor notícia em que eu possa sorrir porque acreditaram em mim.
Verdade verdadinha é que a minha sobrinha Clara e o meu amigo Tótonha fizeram ontem anos. Ela vai festejando lá pelos Algarves, enquanto ele vai envelhecendo devagarinho lá pelas “Alemanhas” onde ganha o pão que aqui se torna difícil.
Eu entre mentiras e verdades, vou tentando dar sentido à frase que hoje me calha em sorte no baralho do Tarot: “- Se te sentires grande para pequenas tarefas, é porque já te tornaste pequeno para os grandes desafios.”

quarta-feira, abril 01, 2009

TIVE IMENSAS DÚVIDAS…
quando fui abordado por amigos meus. Pensei mesmo que estavam a brincar comigo. Mas à medida que a conversa se foi prolongando no tempo percebi que era mesmo a sério. A ideia que me foi exposta foi a de fazer política de forma diferente da que tem sido habitual. A inspiração vinha do que aconteceu na eleição do Presidente Obama.
Insistir em que sendo diferentes, nós podemos.
Começar pelo princípio da afirmação colectiva que é as freguesias. Assim sendo foi-me dirigido um convite para encabeçar um grupo de cidadãos independentes como candidato a Presidente da Junta de Freguesia da Conceição.
Impus desde logo duas condições. Um trabalho solidário com as restantes Freguesias da Cidade, sejam elas ganhas por quem forem. E independência total de quem venha a ganhar a Câmara Municipal.
Aceites que foram estas condições, eu que me julgava reformado destas coisas, lá estou outra vez atirado às bruxas. Tal como o Domingos Ova nos seus bons tempos, também eu vou andar para aí a dizer VOTEM EM MIM, para PRESIDENTE DA JUNTA DE FREGUESIA DA CONCEIÇÃO.