MARIA DA BOA VIAGEM
De vez em quando revejo-a. À Maria da Boa Viagem, que me cumprimenta sempre com os olhos rasos de amizade e com aquela sua voz característica. Como é que eu a posso descrever para que me percebam. Vivia n` minha rua. A dois passos de mim. Morava numa casa com um quintal, onde também morava a mãe do Quinzico e ele próprio. A Maria da Boa Viagem era daquelas raparigas que enche uma rua. De alegria e de esperança. Jogava à “Banca”, mas também dava uma perninha no futebol. Ninguém que se metesse com ela ia sem troco. Fosse verbal ou ao estalo. E quando a mão falhava, havia sempre por perto uma pedra ou um bocado de pau.
A Maria da Boa Viagem é uma memória do nosso passado colectivo, quando a bola de trapos ou feita de bexiga de porco era rainha das ruas. E fugíamos como o “diabo da cruz” do Coelho e do Carocé (policiais dos velhos tempos).
Quando os médões eram cenário de jogos de capa e espada. E as ruas eram poucas para os jogos de polícias e ladrões. Quando os jogos eram no Alto da Vela na adivinhação na linha do horizonte, do barco que se aproximava, pela forma mais ou menos bojuda, pelo tipo do mastro ou até pela maneira como se fazia às ondas e as cortava.
A rua nesse tempo era uma escola de criatividade, onde o jogo do “virinhas” ou do “botão” eram uma preciosidade no desenvolvimento da “psicomotricidade fina”. Nome esquisito que os técnicos inventaram para distinguir os espertos e ladinos dos que perdiam sempre botões e “abafadores”. Como eu. Tempo das corridas com carros de cana e de rodas de cortiça. Tempo dos jogos de “Batos”, aqueles seixos redondos e lisos da praia do Porto de Areia que a Maria da Boa Vigem e as outras raparigas jogavam com maestria e com tal velocidade que nos punham os olhos tortos.
A rua nesse tempo era o império das crianças. Nela todos aprendemos melhor ou pior a defendermo-nos, a sermos inventivos e desenrascados. E protegidos. Havia sempre alguém por perto que nos conhecia e aos nossos Pais e sabíamos que os excessos chegariam sempre ao seu conhecimento. A rua era um tempo em que as palavras vizinho ou vizinha fazia sentido, porque era sinónimo de solidariedade e de sociabilização (palavrão de que só depois aprendemos o significado).
Na rua a Maria da Boa Viagem era rainha. Ou princesa dada a idade. Era uma líder. Era uma referência.
E hoje ao rever a Maria da Boa Viagem que não sei onde mora, todo esse tempo me veio à memória. Gritamos um para o outro a alegria de nos revermos. Dois beijos da velha amizade foram trocados. Ela e eu falámos das nossas idades. Do meu irmão que ela nunca mais chegou a ver. Falamos das varizes dela e da minha “barriga de mestre”. Despedimo-nos sem garantias de nos vermos nos próximos tempos. Mas com a certeza de que a nossa RUA mereceu a pena. Até lá, até sempre Maria da Boa Viagem. Nome de santa que não foste e de Festa que foste.
Menina e Mulher do meu tempo. E da minha rua. Que tem tanto para contar. Assim vá tendo eu memória e talento para poder recordar.
"Conversar em Peniche" não é necessariamente conversar sobre Peniche. Também mas não só. Algumas vezes assumirá um papel de raiva. Ou de guerra. Será provocador qb. Comprometido. Não será isento nem de erros nem de verdades (os meus, e as minhas). O resto se verá...
quinta-feira, março 22, 2012
quarta-feira, março 21, 2012
SAUDADES DE PENICHE
Quando somos muito novos, Peniche é a praia e o que à volta do que gravita desta forma de turismo que temos. Gostamos de ir ao parque infantil (?) e a certos sítios a que os nossos pais acham que podemos ir.
Crescemos e a nossa terra começa a sufocar-nos. Achamos que Peniche é uma terra pequenina demais para o nosso tamanho. Uns quantos por quem os pais se sacrificam até ao limite, vão estudar para fora. Para as grandes cidades onde ninguém conhece ninguém. Outros têm de imigrar ou migrar para onde se situam respostas para o emprego de miséria que por aqui vai grassando.
Uns e outros vão percebendo a pouco e pouco que Peniche afinal não é tão pequena como isso. Em todo o lado há penicheiros. Eu já os encontrei nos “bidonvilles” de Paris, em parques de campismo na Suiça, nas esplanadas de Bissau, enfim um pouco por todo o lado.
Depois existem umas quantas coisas que nos perseguem sempre. O cheiro do mar daqui não há em lado mais nenhum do mundo. Quem já sentiu esse odor nas noites de Peniche de Cima, sabe que Peniche lhe vai faltar nas sete partidas do mundo que percorrer. Os passeios à Ribeira Velha nas noites de Verão perseguem-nos nos sonhos sempre.
A “Voz do Mar” esse jornal que todos criticamos quando vivemos em Peniche faz-nos uma falta dos diabos quando estamos longe de tudo e de todos. Quanto mais não seja para saber quem morreu. Em tempos também nos diziam quem tinha casado e nascido mas parece que isso já é menos importante. Outra coisa irresistível para quem está lá fora é saber o resultado do Peniche. Do GDP. Mesmo que não sejamos sócios. Mesmo que o Peniche seja só uma breve recordação. Mas quem vive longe ao saber o resultado do Sporting ou do Benfica, associa sempre o resultado do Peniche. E temos que saber o que aconteceu. Mesmo os que não vão ao futebol.
Alguns tinham a sorte de serem visitados anualmente pelo Padre Bastos (nunca me habituei a tratá-lo por Monsenhor). O senhor prior é nosso (mesmo dos que não são católicos ou crentes) e quando ele aparecia era um pouco de Peniche que vinha com ele. O Padre Bastos era a Igreja de S. Pedro e a Festa da Boa Viagem. Era o Lar de Santa Maria onde todos temos um familiar ou um amigo e o Pavilhão do Stella Maris.
Peniche e tudo o que representa e que nem sempre sabemos o que é vai tornando-se quase uma necessidade física à medida que o tempo vai passando. E quando regressamos e ou do Alto do Veríssimo ou da Serra d’ El-Rei vemos esta terra ao longe entrando pelo mar adentro e espraiando-se na península, cresce dentre de nós uma dor de alegria e de um sentimento de satisfação que só pode perceber quem já viveu esta emoção.
Sabemos então que é inevitável regressar a Peniche. Seja quando for e como for. Quem aqui nasceu sabe que aqui vai regressar sempre. Para o melhor e para o pior. Peniche é uma emoção. E sempre uma saudade.
Quando somos muito novos, Peniche é a praia e o que à volta do que gravita desta forma de turismo que temos. Gostamos de ir ao parque infantil (?) e a certos sítios a que os nossos pais acham que podemos ir.
Crescemos e a nossa terra começa a sufocar-nos. Achamos que Peniche é uma terra pequenina demais para o nosso tamanho. Uns quantos por quem os pais se sacrificam até ao limite, vão estudar para fora. Para as grandes cidades onde ninguém conhece ninguém. Outros têm de imigrar ou migrar para onde se situam respostas para o emprego de miséria que por aqui vai grassando.
Uns e outros vão percebendo a pouco e pouco que Peniche afinal não é tão pequena como isso. Em todo o lado há penicheiros. Eu já os encontrei nos “bidonvilles” de Paris, em parques de campismo na Suiça, nas esplanadas de Bissau, enfim um pouco por todo o lado.
Depois existem umas quantas coisas que nos perseguem sempre. O cheiro do mar daqui não há em lado mais nenhum do mundo. Quem já sentiu esse odor nas noites de Peniche de Cima, sabe que Peniche lhe vai faltar nas sete partidas do mundo que percorrer. Os passeios à Ribeira Velha nas noites de Verão perseguem-nos nos sonhos sempre.
A “Voz do Mar” esse jornal que todos criticamos quando vivemos em Peniche faz-nos uma falta dos diabos quando estamos longe de tudo e de todos. Quanto mais não seja para saber quem morreu. Em tempos também nos diziam quem tinha casado e nascido mas parece que isso já é menos importante. Outra coisa irresistível para quem está lá fora é saber o resultado do Peniche. Do GDP. Mesmo que não sejamos sócios. Mesmo que o Peniche seja só uma breve recordação. Mas quem vive longe ao saber o resultado do Sporting ou do Benfica, associa sempre o resultado do Peniche. E temos que saber o que aconteceu. Mesmo os que não vão ao futebol.
Alguns tinham a sorte de serem visitados anualmente pelo Padre Bastos (nunca me habituei a tratá-lo por Monsenhor). O senhor prior é nosso (mesmo dos que não são católicos ou crentes) e quando ele aparecia era um pouco de Peniche que vinha com ele. O Padre Bastos era a Igreja de S. Pedro e a Festa da Boa Viagem. Era o Lar de Santa Maria onde todos temos um familiar ou um amigo e o Pavilhão do Stella Maris.
Peniche e tudo o que representa e que nem sempre sabemos o que é vai tornando-se quase uma necessidade física à medida que o tempo vai passando. E quando regressamos e ou do Alto do Veríssimo ou da Serra d’ El-Rei vemos esta terra ao longe entrando pelo mar adentro e espraiando-se na península, cresce dentre de nós uma dor de alegria e de um sentimento de satisfação que só pode perceber quem já viveu esta emoção.
Sabemos então que é inevitável regressar a Peniche. Seja quando for e como for. Quem aqui nasceu sabe que aqui vai regressar sempre. Para o melhor e para o pior. Peniche é uma emoção. E sempre uma saudade.
terça-feira, março 20, 2012
LISBON REVISITED (1923)
Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafisica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) ¬
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
Ó céu azul ¬ o mesmo da minha infância ¬,
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
ÁLVARO DE CAMPOS
Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafisica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) ¬
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
Ó céu azul ¬ o mesmo da minha infância ¬,
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
ÁLVARO DE CAMPOS
segunda-feira, março 19, 2012
CAMISA VERMELHA
Napoleão Bonaparte, durante suas batalhas usava sempre uma camisa de cor vermelha.
Para ele era importante porque, se fosse ferido, na sua camisa vermelha não se notaria o sangue e os seus soldados não se preocupariam e também não deixariam de lutar.
Toda uma prova de honra e valor.
Centenas de anos mais tarde, Cavaco Silva usa sempre calças castanhas… Porque será?
Napoleão Bonaparte, durante suas batalhas usava sempre uma camisa de cor vermelha.
Para ele era importante porque, se fosse ferido, na sua camisa vermelha não se notaria o sangue e os seus soldados não se preocupariam e também não deixariam de lutar.
Toda uma prova de honra e valor.
Centenas de anos mais tarde, Cavaco Silva usa sempre calças castanhas… Porque será?
sábado, março 17, 2012
TEM COISAS...
Dois agricultores, um alentejano e um espanhol, estão na conversa:
- Qual és el tamanho de tu herdad? - pergunta o espanhol.
Responde o alentejano:
- Para os padrões portugueses, o mê monti tem um tamanho razoável: trezentos hectaris. Atão e a sua herdadi?
Responde o espanhol:
- Mira, yo saio de casa por la mañana, ligo el jipe e, al medio-dia, ni siquiera he percorrido la mitad de mi propriedad!...
- Eu sei o que isso éi! - diz o alentejano sem se descoser. Também já tive um jipe espanholi... São uma merda! Só dão chatices!...
Dois agricultores, um alentejano e um espanhol, estão na conversa:
- Qual és el tamanho de tu herdad? - pergunta o espanhol.
Responde o alentejano:
- Para os padrões portugueses, o mê monti tem um tamanho razoável: trezentos hectaris. Atão e a sua herdadi?
Responde o espanhol:
- Mira, yo saio de casa por la mañana, ligo el jipe e, al medio-dia, ni siquiera he percorrido la mitad de mi propriedad!...
- Eu sei o que isso éi! - diz o alentejano sem se descoser. Também já tive um jipe espanholi... São uma merda! Só dão chatices!...
sexta-feira, março 16, 2012
...SER “PUTO” HOJE...
Ser miúdo hoje (ou miúda) é uma maravilha. Desde logo quando se nasce começa-se por grandes passeios em “altos” carrinhos, alguns com grande capotas, com sistemas e acessórios só comparáveis aos automóveis topo de gama.
Depois os brinquedos. Alguns tão avançados tecnicamente que em muitos casos são os pais que acabam por brincar com eles. Depois as roupas e os sapatinhos de marca. O Jardim Escola com os seus cantinhos de brincar. As festas do Dia da Criança, do Carnaval, do Natal, do dia do Pescador. Do final de ano lectivo. As festas de finalistas que hoje percorrem toda a Escola, desde o Pré Escolar, até ao Secundário. Educadoras e Professores devidamente habilitados. permitem o acesso ao saber e à experimentação, tornando possível que as nossas crianças possam vir a ser homens e mulheres mais sábios e mais lúcidos.
Mas há coisas que as crianças de hoje nunca saberão e que conduziram à formação de muito homem e mulher desta terra.
Nunca saberão por exemplo o que é jogar à bola com uma bexiga de porco conseguida no matadouro à custa de muitos pedidos e de muito apelo ao bom coração de quem lá trabalhava. E depois ir para o campo do Zé Seco, ou para o juncal hoje apelidado de Prageira.
Não saberão o que é fazer corridas com carrinhos de cana e rodas de bóias de cortiça enfeitadas com caricas, quais bólides de fórmula 1. Não saberão o que era fazer corridas com traineiras feitas de madeira e lata no fosso das muralhas, quando o fosso não era ainda um foco de contaminação.
E jogar ao “botão” (com as vaidosas a valerem 5 ou mais botões dos outros e a minha mãe a ralhar comigo porque eu roubava os aviamentos das freguesas da costura) e jogar ao “virinhas” com os bonecos dos jogadores da “bola” embrulhados em rebuçados a 1 tostão cada um.
E jogar aos polícias e ladrões ma hora de escurecer. E fazer jogos de capa e espada com canas nos medões de Peniche de Baixo.
E as meninas com bonecas de trapo autênticas maravilhas de arte e amor. E elas a jogarem ao “prego” e aos “Batos”, pedras redondas apanhadas no Quebrado ou na praia do Porto d’ Areia. O jogo da Banca.
Quase todos estes jogos e brincadeiras tinham a sua época e tempo próprios, o tempo da Escola determinava uns. As estações do ano ou as festas religiosas determinavam outros.
Não me esqueço do “pré-escolar” (?) do meu tempo. Uma casa de habitação mais ou menos solarenga.
Uns banquinhos de madeira. Por vezes umas almofadas para as rendas de bilros. Uma “pedra” e uma “pena”. E era todo o equipamento pedagógico-didáctico. Entre 6 a uma dúzia de meninos e meninas num compartimento de 4 por 4 metros e às vezes nem tanto. Aprendia-se a rezar, a cantar o Hino Nacional, mais umas quantas cantigas, uns desenhos e, era tudo.
Surgiu assim a escola da D. Conceição, mulher do Sr. Pacífico sacristão das igrejas de Peniche, na Rua Salvador Franco, numa casa típica de Peniche que deu hoje lugar a mais um bloco de cimento armado sem graça nem maneira. A escola da “surda” no largo Bispo Mariana e irmã de uma das primeiras cabeleireiras de Peniche. A escola da Maria “Mechas” na R. De S. Vicente em Peniche de Cima, que nestas coisas não convinha misturar pessoal de Peniche de Cima com Peniche de Baixo pois a mistura podia ser explosiva.
E no Largo de S. Paulo as duas irmãs ( a Angélica e a Maria Trapoilas) que ao mesmo tempo que mantinham a sua “Escola” iam desenvolvendo a aprendizagem das rendas de Bilros. A escola da Joaninha Melo talvez das mais famosas nesse tempo sem TV e em que os rádios não abundavam. Um tempo em que os adultos e as crianças se aborreciam de tédio uns aos outros e onde tinha naturalmente de florescer a criatividade e o engenho das crianças para brincarem e se desenvolverem.
Tempos em que andar de bicicleta sem luz era crime e em que jogar à bola na rua dava lugar a fugas sem fim pelas ruas e ruelas à frente do Sr. Frontim, do Sr. Coelho (polícias da altura), para não ficar sem a bola ou levar um tabefe.
Se recordo os tempos de há 50/60 anos atrás em oposição aos de hoje, é só porque quero que esses tempos não se percam na memória dos homens e mulheres da minha terra, e sobretudo porque quero que as crianças se apercebam dos bens que hoje desfrutam para que os possam apreciar melhor.
Dar qualidade à vida e aos dons que ela nos concede é o melhor tributo que podemos prestar à nossa existência.
Ser miúdo hoje (ou miúda) é uma maravilha. Desde logo quando se nasce começa-se por grandes passeios em “altos” carrinhos, alguns com grande capotas, com sistemas e acessórios só comparáveis aos automóveis topo de gama.
Depois os brinquedos. Alguns tão avançados tecnicamente que em muitos casos são os pais que acabam por brincar com eles. Depois as roupas e os sapatinhos de marca. O Jardim Escola com os seus cantinhos de brincar. As festas do Dia da Criança, do Carnaval, do Natal, do dia do Pescador. Do final de ano lectivo. As festas de finalistas que hoje percorrem toda a Escola, desde o Pré Escolar, até ao Secundário. Educadoras e Professores devidamente habilitados. permitem o acesso ao saber e à experimentação, tornando possível que as nossas crianças possam vir a ser homens e mulheres mais sábios e mais lúcidos.
Mas há coisas que as crianças de hoje nunca saberão e que conduziram à formação de muito homem e mulher desta terra.
Nunca saberão por exemplo o que é jogar à bola com uma bexiga de porco conseguida no matadouro à custa de muitos pedidos e de muito apelo ao bom coração de quem lá trabalhava. E depois ir para o campo do Zé Seco, ou para o juncal hoje apelidado de Prageira.
Não saberão o que é fazer corridas com carrinhos de cana e rodas de bóias de cortiça enfeitadas com caricas, quais bólides de fórmula 1. Não saberão o que era fazer corridas com traineiras feitas de madeira e lata no fosso das muralhas, quando o fosso não era ainda um foco de contaminação.
E jogar ao “botão” (com as vaidosas a valerem 5 ou mais botões dos outros e a minha mãe a ralhar comigo porque eu roubava os aviamentos das freguesas da costura) e jogar ao “virinhas” com os bonecos dos jogadores da “bola” embrulhados em rebuçados a 1 tostão cada um.
E jogar aos polícias e ladrões ma hora de escurecer. E fazer jogos de capa e espada com canas nos medões de Peniche de Baixo.
E as meninas com bonecas de trapo autênticas maravilhas de arte e amor. E elas a jogarem ao “prego” e aos “Batos”, pedras redondas apanhadas no Quebrado ou na praia do Porto d’ Areia. O jogo da Banca.
Quase todos estes jogos e brincadeiras tinham a sua época e tempo próprios, o tempo da Escola determinava uns. As estações do ano ou as festas religiosas determinavam outros.
Não me esqueço do “pré-escolar” (?) do meu tempo. Uma casa de habitação mais ou menos solarenga.
Uns banquinhos de madeira. Por vezes umas almofadas para as rendas de bilros. Uma “pedra” e uma “pena”. E era todo o equipamento pedagógico-didáctico. Entre 6 a uma dúzia de meninos e meninas num compartimento de 4 por 4 metros e às vezes nem tanto. Aprendia-se a rezar, a cantar o Hino Nacional, mais umas quantas cantigas, uns desenhos e, era tudo.
Surgiu assim a escola da D. Conceição, mulher do Sr. Pacífico sacristão das igrejas de Peniche, na Rua Salvador Franco, numa casa típica de Peniche que deu hoje lugar a mais um bloco de cimento armado sem graça nem maneira. A escola da “surda” no largo Bispo Mariana e irmã de uma das primeiras cabeleireiras de Peniche. A escola da Maria “Mechas” na R. De S. Vicente em Peniche de Cima, que nestas coisas não convinha misturar pessoal de Peniche de Cima com Peniche de Baixo pois a mistura podia ser explosiva.
E no Largo de S. Paulo as duas irmãs ( a Angélica e a Maria Trapoilas) que ao mesmo tempo que mantinham a sua “Escola” iam desenvolvendo a aprendizagem das rendas de Bilros. A escola da Joaninha Melo talvez das mais famosas nesse tempo sem TV e em que os rádios não abundavam. Um tempo em que os adultos e as crianças se aborreciam de tédio uns aos outros e onde tinha naturalmente de florescer a criatividade e o engenho das crianças para brincarem e se desenvolverem.
Tempos em que andar de bicicleta sem luz era crime e em que jogar à bola na rua dava lugar a fugas sem fim pelas ruas e ruelas à frente do Sr. Frontim, do Sr. Coelho (polícias da altura), para não ficar sem a bola ou levar um tabefe.
Se recordo os tempos de há 50/60 anos atrás em oposição aos de hoje, é só porque quero que esses tempos não se percam na memória dos homens e mulheres da minha terra, e sobretudo porque quero que as crianças se apercebam dos bens que hoje desfrutam para que os possam apreciar melhor.
Dar qualidade à vida e aos dons que ela nos concede é o melhor tributo que podemos prestar à nossa existência.
quinta-feira, março 15, 2012
UMA NO CRAVO, OUTRA NA DITADURAEste título foi nome de revista pós o 25 de Abril. Era uma revista crítica aos tempos do Estado Novo, e ao mesmo tempo a acontecimentos próximos do período “revolucionário”. 25 anos depois, algumas dessas mordazes criticas revisteiras vieram a verificar-se correctas, e outras, manifestamente estúpidas.
Vem isto a propósito das “modas”. Não falo das modas do vestir e do calçar. Nem das modas dos cabelos ou do falar. Falo das modas sobre o que é socialmente correcto ou não. Para isso, e para que melhor percebam onde quero chegar, vou conversar um pouco convosco sobre os meus idos dos anos 50.
Nesses tempos o meu avô Benjamim, radiotelegrafista reformado por doença e funileiro, deu a alma ao criador. A minha avó, Guilhermina “Baterremos”, cangalheira, ia vendendo os seus caixões. O meu pai, mecânico de automóveis trabalhava sem horário, e a minha mãe costurava para fora e ensinava o corte e costura a raparigas de Peniche, Ferrel e Atouguia da Baleia.
O meu avô, filantropo por sua natureza, desenvolveu alguns negócios que correram mal e às tantas tínhamos todos os nossos bens penhorados a um agiota desse tempo. Foi a altura de inventar maneiras de em conjunto salvarmos tudo o que pudesse ser salvo.
Um dos processos encontrados foi produzir “chumbicas”. As chumbicas eram uns rolos de chumbo que se colocavam entre as bóias de cortiça, nas redes de pesca, para poder permitir a pesca do cerco. O meu avô instalou no quintal uma fornalha, com uma caldeira por cima onde se derretia o chumbo. Havia um molde para onde se derramava o chumbo em fusão, esperava-se um pouco, abria-se o molde e lá apareciam as chumbicas que se tiravam com uma tenaz para um tabuleiro. Depois, quando arrefeciam, cortavam-se as rebarbas e limavam-se arrestas para que estas não cortassem as redes. Depois de tudo pronto, vendiam-se aos armadores directamente ou às casas de Aprestos Marítimos existentes na altura.
Como o meu avô estava impossibilitado de trabalhar, e a minha avó fazia rendas de bilros e forrava os caixões, o fabrico das chumbicas estava reservado para mim e para o meu irmão, miúdos de pouco mais de 10 anos, sem muito gosto e mesmo com algum azedume. Isto tudo depois das aulas, aos fins de semana e nas férias.
Passados alguns anos, (já não sei quantos), a minha avó começou a criar uma galinha na capoeira do quintal. É que se aproximava o pagamento das últimas prestações da penhora.
E no dia em que se cortaram as goelas à galinha e ela foi para o forno, foi dia de festa no nº 46 da Rua Joaquim António de Aguiar. Nunca mais comi nenhuma galinha que me soubesse tão bem como aquela.
Passado algum tempo acabaram-se as chumbicas, para grande alegria minha e do meu irmão.
Nos idos 50 não era moda falar de trabalho infantil. E era bom comer galinha que era criada com sêmeas e milho. Fruto do trabalho de todos.
Vem isto a propósito das “modas”. Não falo das modas do vestir e do calçar. Nem das modas dos cabelos ou do falar. Falo das modas sobre o que é socialmente correcto ou não. Para isso, e para que melhor percebam onde quero chegar, vou conversar um pouco convosco sobre os meus idos dos anos 50.
Nesses tempos o meu avô Benjamim, radiotelegrafista reformado por doença e funileiro, deu a alma ao criador. A minha avó, Guilhermina “Baterremos”, cangalheira, ia vendendo os seus caixões. O meu pai, mecânico de automóveis trabalhava sem horário, e a minha mãe costurava para fora e ensinava o corte e costura a raparigas de Peniche, Ferrel e Atouguia da Baleia.
O meu avô, filantropo por sua natureza, desenvolveu alguns negócios que correram mal e às tantas tínhamos todos os nossos bens penhorados a um agiota desse tempo. Foi a altura de inventar maneiras de em conjunto salvarmos tudo o que pudesse ser salvo.
Um dos processos encontrados foi produzir “chumbicas”. As chumbicas eram uns rolos de chumbo que se colocavam entre as bóias de cortiça, nas redes de pesca, para poder permitir a pesca do cerco. O meu avô instalou no quintal uma fornalha, com uma caldeira por cima onde se derretia o chumbo. Havia um molde para onde se derramava o chumbo em fusão, esperava-se um pouco, abria-se o molde e lá apareciam as chumbicas que se tiravam com uma tenaz para um tabuleiro. Depois, quando arrefeciam, cortavam-se as rebarbas e limavam-se arrestas para que estas não cortassem as redes. Depois de tudo pronto, vendiam-se aos armadores directamente ou às casas de Aprestos Marítimos existentes na altura.
Como o meu avô estava impossibilitado de trabalhar, e a minha avó fazia rendas de bilros e forrava os caixões, o fabrico das chumbicas estava reservado para mim e para o meu irmão, miúdos de pouco mais de 10 anos, sem muito gosto e mesmo com algum azedume. Isto tudo depois das aulas, aos fins de semana e nas férias.
Passados alguns anos, (já não sei quantos), a minha avó começou a criar uma galinha na capoeira do quintal. É que se aproximava o pagamento das últimas prestações da penhora.
E no dia em que se cortaram as goelas à galinha e ela foi para o forno, foi dia de festa no nº 46 da Rua Joaquim António de Aguiar. Nunca mais comi nenhuma galinha que me soubesse tão bem como aquela.
Passado algum tempo acabaram-se as chumbicas, para grande alegria minha e do meu irmão.
Nos idos 50 não era moda falar de trabalho infantil. E era bom comer galinha que era criada com sêmeas e milho. Fruto do trabalho de todos.
quarta-feira, março 14, 2012
LIVRO DOS REIS
SENTENÇA DE SALOMÃO
16 Vieram duas prostitutas apresentar-se ao rei.
17 Uma delas disse: Ouve, meu senhor: Esta mulher e eu habitamos na mesma casa, e eu dei à luz junto dela no mesmo aposento.
18 Três dias depois, deu também ela à luz. Ora, nós vivemos juntas, e não havia nenhum estranho conosco nessa casa, pois somente nós duas estávamos ali.
19 Durante a noite morreu o filho dessa mulher, porque o abafou enquanto dormia.
20 Levantou-se ela então, no meio da noite, e enquanto a tua serva dormia, tomou o meu filho que estava junto de mim e o deitou em seu seio, deixando no meu o seu filho morto.
21 Quando me levantei pela manhã para amamentar o meu filho, encontrei-o morto; mas, examinando-o atentamente à luz, verifiquei que não era o filho que eu dera à luz.
22 É mentira!, replicou a outra mulher, o que está vivo é meu filho; o teu é que morreu. A primeira contestou: Não é assim; o teu filho é o que morreu, o que está vivo é o meu. E assim disputavam diante do rei.
23 O rei disse então: Tu dizes: é o meu filho que está vivo, e o teu é o que morreu; e tu replicas: não é assim; é o teu filho que morreu, e o meu é o que está vivo.
24 Vejamos, continuou o rei; trazei-me uma espada. Trouxeram ao rei uma espada.
25 Cortai pelo meio o menino vivo, disse ele, e dai metade a uma e metade à outra.
26 Mas a mulher, mãe do filho vivo, sentiu suas entranhas enternecerem-se e disse ao rei: Rogo-te, meu senhor, que dês a ela o menino vivo; não o mateis; a outra, porém, dizia: Ele não será nem teu, nem meu; seja dividido!
27 Então o rei pronunciou o seu julgamento: Dai, disse ele, o menino vivo a essa mulher; não o mateis, pois é ela a sua mãe.
28 Todo o Israel, ouvindo o julgamento pronunciado pelo rei, encheu-se de respeito por ele, pois via-se que o inspirava a sabedoria divina para fazer justiça.
SENTENÇA DE SALOMÃO
16 Vieram duas prostitutas apresentar-se ao rei.
17 Uma delas disse: Ouve, meu senhor: Esta mulher e eu habitamos na mesma casa, e eu dei à luz junto dela no mesmo aposento.
18 Três dias depois, deu também ela à luz. Ora, nós vivemos juntas, e não havia nenhum estranho conosco nessa casa, pois somente nós duas estávamos ali.
19 Durante a noite morreu o filho dessa mulher, porque o abafou enquanto dormia.
20 Levantou-se ela então, no meio da noite, e enquanto a tua serva dormia, tomou o meu filho que estava junto de mim e o deitou em seu seio, deixando no meu o seu filho morto.
21 Quando me levantei pela manhã para amamentar o meu filho, encontrei-o morto; mas, examinando-o atentamente à luz, verifiquei que não era o filho que eu dera à luz.
22 É mentira!, replicou a outra mulher, o que está vivo é meu filho; o teu é que morreu. A primeira contestou: Não é assim; o teu filho é o que morreu, o que está vivo é o meu. E assim disputavam diante do rei.
23 O rei disse então: Tu dizes: é o meu filho que está vivo, e o teu é o que morreu; e tu replicas: não é assim; é o teu filho que morreu, e o meu é o que está vivo.
24 Vejamos, continuou o rei; trazei-me uma espada. Trouxeram ao rei uma espada.
25 Cortai pelo meio o menino vivo, disse ele, e dai metade a uma e metade à outra.
26 Mas a mulher, mãe do filho vivo, sentiu suas entranhas enternecerem-se e disse ao rei: Rogo-te, meu senhor, que dês a ela o menino vivo; não o mateis; a outra, porém, dizia: Ele não será nem teu, nem meu; seja dividido!
27 Então o rei pronunciou o seu julgamento: Dai, disse ele, o menino vivo a essa mulher; não o mateis, pois é ela a sua mãe.
28 Todo o Israel, ouvindo o julgamento pronunciado pelo rei, encheu-se de respeito por ele, pois via-se que o inspirava a sabedoria divina para fazer justiça.
terça-feira, março 13, 2012
OESTE: TRIBUNAIS DA REGIÃO PERDEM COMPETÊNCIAS COM PROPOSTA DA REORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA
«Torres Vedras, 12 mar (Lusa)- Os tribunais de círculo de Caldas da Rainha e Torres Vedras vão perder competências, obrigando os cidadãos a deslocarem-se a Leiria ou Sintra quando for um homicídio ou uma insolvência, de acordo com a reforma judiciária proposta pelo Governo.
Na nova reforma, os atuais tribunais de círculo deixam de existir e passam a ter como equivalentes instâncias centrais especializadas nas áreas cível e criminal, trabalho, família e menores, execuções, instrução criminal e comércio, explicou à Lusa o presidente da Associação Sindical dos Juízes, António Martins.
Contudo, o Ensaio para a Reorganização da Estrutura Judiciária propõe que os tribunais de Caldas da Rainha e Torres Vedras passem a ser instâncias locais de competência genérica só para julgar processos mais pequenos, sem coletivo de juízes, à semelhança do que acontece com Vila Franca de Xira, tribunal de círculo do qual dependem Alenquer e Azambuja.
Um caso de homicídio julgado por um coletivo de juízes, como o julgamento de ‘rei Ghob' que decorre em Torres Vedras, passará a ser julgado em Sintra.
Um cidadão do Bombarral, de Peniche ou das Caldas da Rainha vai ter de se deslocar a Leiria sempre que for presente a um juiz de instrução criminal, o mesmo acontece com um de Alenquer ou de Vila Franca de Xira que passa a ir a Lisboa.
Se tiver um processo de insolvência ou uma execução tem de se dirigir ao tribunal de Alcobaça ou, se for de Alenquer ou Azambuja, a Lisboa.
Um cidadão do Cadaval, Lourinhã, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras, concelhos atualmente dependentes do círculo judicial de Torres Vedras, passa a ir para Sintra quando se tratar de uma insolvência ou uma execução.
A proposta "vai obrigar a uma maior deslocação das pessoas. As testemunhas podem ser ouvidas por videoconferência, mas os advogados e os arguidos não", disse.
Até agora, Caldas da Rainha e Torres Vedras tinham competências para tratar casos nas áreas cível, criminal, penal, família e menores, trabalho (também existentes em Vila Franca) e comércio.
Com a reorganização judiciária proposta em janeiro pela Direção-Geral da Administração da Justiça, Caldas da Rainha e Vila Franca passam a ser instâncias centrais especializadas apenas nas áreas do trabalho e família e menores, enquanto Torres Vedras permanece o trabalho, a família e menores e instrução criminal.
"Até agora, um juiz tanto julgava um homicídio como um processo de insolvência, ou seja, dava-se uma resposta de clínica geral para um problema de cardiologia e, com a nova proposta, pretende-se especializar os tribunais", explicou António Martins, que espera com esta especialização uma maior celeridade dos processos.
A maioria dos tribunais, que o Ministério da Justiça tenciona manter abertos, vai reduzir o número de juízes e de magistrados, segundo a proposta, não havendo contudo um reforço de meios humanos nos tribunais que passam a ter competências especializadas.»
Com Cavaco Silva como 1º Ministro
1º Foi-se a Pesca
2º Foi-se a Indústria Conserveira
Com Passos Coelho como 1º Ministro e Cavaco como PR
3º Vai-se o Hospital
4º Vai-se o Tribunal
O Senhor que se segue
5º A Universidade
6º Portagens no IP6
QUEREM APOSTAR?
«Torres Vedras, 12 mar (Lusa)- Os tribunais de círculo de Caldas da Rainha e Torres Vedras vão perder competências, obrigando os cidadãos a deslocarem-se a Leiria ou Sintra quando for um homicídio ou uma insolvência, de acordo com a reforma judiciária proposta pelo Governo.
Na nova reforma, os atuais tribunais de círculo deixam de existir e passam a ter como equivalentes instâncias centrais especializadas nas áreas cível e criminal, trabalho, família e menores, execuções, instrução criminal e comércio, explicou à Lusa o presidente da Associação Sindical dos Juízes, António Martins.
Contudo, o Ensaio para a Reorganização da Estrutura Judiciária propõe que os tribunais de Caldas da Rainha e Torres Vedras passem a ser instâncias locais de competência genérica só para julgar processos mais pequenos, sem coletivo de juízes, à semelhança do que acontece com Vila Franca de Xira, tribunal de círculo do qual dependem Alenquer e Azambuja.
Um caso de homicídio julgado por um coletivo de juízes, como o julgamento de ‘rei Ghob' que decorre em Torres Vedras, passará a ser julgado em Sintra.
Um cidadão do Bombarral, de Peniche ou das Caldas da Rainha vai ter de se deslocar a Leiria sempre que for presente a um juiz de instrução criminal, o mesmo acontece com um de Alenquer ou de Vila Franca de Xira que passa a ir a Lisboa.
Se tiver um processo de insolvência ou uma execução tem de se dirigir ao tribunal de Alcobaça ou, se for de Alenquer ou Azambuja, a Lisboa.
Um cidadão do Cadaval, Lourinhã, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras, concelhos atualmente dependentes do círculo judicial de Torres Vedras, passa a ir para Sintra quando se tratar de uma insolvência ou uma execução.
A proposta "vai obrigar a uma maior deslocação das pessoas. As testemunhas podem ser ouvidas por videoconferência, mas os advogados e os arguidos não", disse.
Até agora, Caldas da Rainha e Torres Vedras tinham competências para tratar casos nas áreas cível, criminal, penal, família e menores, trabalho (também existentes em Vila Franca) e comércio.
Com a reorganização judiciária proposta em janeiro pela Direção-Geral da Administração da Justiça, Caldas da Rainha e Vila Franca passam a ser instâncias centrais especializadas apenas nas áreas do trabalho e família e menores, enquanto Torres Vedras permanece o trabalho, a família e menores e instrução criminal.
"Até agora, um juiz tanto julgava um homicídio como um processo de insolvência, ou seja, dava-se uma resposta de clínica geral para um problema de cardiologia e, com a nova proposta, pretende-se especializar os tribunais", explicou António Martins, que espera com esta especialização uma maior celeridade dos processos.
A maioria dos tribunais, que o Ministério da Justiça tenciona manter abertos, vai reduzir o número de juízes e de magistrados, segundo a proposta, não havendo contudo um reforço de meios humanos nos tribunais que passam a ter competências especializadas.»
Com Cavaco Silva como 1º Ministro
1º Foi-se a Pesca
2º Foi-se a Indústria Conserveira
Com Passos Coelho como 1º Ministro e Cavaco como PR
3º Vai-se o Hospital
4º Vai-se o Tribunal
O Senhor que se segue
5º A Universidade
6º Portagens no IP6
QUEREM APOSTAR?
segunda-feira, março 12, 2012
TIRO AO SÓCRATES
De repente tudo o que está errado se deve à governação do Sócrates. Não bastava o PSD, o CDS, o BE e o PCP. Logo se juntaram o PR, a SIC eo média em geral. Ele é o Freeport, ele é o curso de Engenharia, ele é a corrupção e os magistrados que libertam para que os criminosos possam criar um clima de insegurança que permita fazer do Governo uma fantochada.
A última novidade é o Parque Escolar que gastou milhões para reconstruir escolas, com derrapagens nos custos gigantescas.
Como se as escolas não precisassem de ser recuperadas. Como se ter salas de Secundárias com espaços onde as novas tecnologias permitam criar a diferença não fosse um bem inestimável. Como se ter um piso com madeiras de boa qualidade fosse um luxo asiático. Como se ter ar condicionado não fosse uma mais valia para os alunos se sentirem confortáveis enquanto aprendem.
O que me admira é que o Ministro da Educação que era um Matemático reputado (no provinciano círculo português) se tenha convertido num sabujo ao serviço da política mais indexável.
Já se esqueceram dos desvios aberrantes dos estádios para o Euro 2004? O que é feito do Estádio do Bessa? E do Estádio do Algarve? E do Estádio de Leiria? Centenas de milhares de alunos frequentam agora todos os anos escolas em que dá gosto ter aulas. E esses estádios servem para quê? Para chamar “filhos da puta” aos árbitros?
Já se esqueceram das derrapagens na construção do CCB? E das derrapagens na construção da Casa da Música do Porto?
Falarem do Parque Escolar nos termos em que o fazem deveria ser motivo para uma demanda criminal. Se as Escolas ficaram com grande qualidade tanto melhor. Se alguém se abotoou com dinheiro à conta disso que seja preso e condenado. São duas coisas distintas.
Quando fui trabalhar para a Escola Augusto César Pires de Lima no Porto, a Escola situava-se na Rua D. João IV na zona da Batalha. Dois edifícios de um lado da rua e dois outros do outro lado. Os alunos para irem de uma aula para a outra, tinham que atravessar a Rua que na altura já era movimentadíssima. Não me recordo de na altura um único Órgão de Comunicação Social ter vindo em defesa dos alunos que corriam diariamente perigos enormes para poderem ter uma aula de Português e a seguir deslocarem-se para a aula de Matemática. Eu sei que eram miúdos da zona da Ribeira do Porto. Mas que diabo! Eram crianças. Onde estava na altura (em 1978/80) o Ministro Crato?
Já não falo da minha velhinha Escola Industrial na Fábrica do Alemão, com as salas de aula separadas por caixas de peixe.
Que bom seria que os portugueses tivessem memória. Calem-se com o Parque Escolar. Prendam os corruptos e deixem em paz as escolas.
De repente tudo o que está errado se deve à governação do Sócrates. Não bastava o PSD, o CDS, o BE e o PCP. Logo se juntaram o PR, a SIC eo média em geral. Ele é o Freeport, ele é o curso de Engenharia, ele é a corrupção e os magistrados que libertam para que os criminosos possam criar um clima de insegurança que permita fazer do Governo uma fantochada.
A última novidade é o Parque Escolar que gastou milhões para reconstruir escolas, com derrapagens nos custos gigantescas.
Como se as escolas não precisassem de ser recuperadas. Como se ter salas de Secundárias com espaços onde as novas tecnologias permitam criar a diferença não fosse um bem inestimável. Como se ter um piso com madeiras de boa qualidade fosse um luxo asiático. Como se ter ar condicionado não fosse uma mais valia para os alunos se sentirem confortáveis enquanto aprendem.
O que me admira é que o Ministro da Educação que era um Matemático reputado (no provinciano círculo português) se tenha convertido num sabujo ao serviço da política mais indexável.
Já se esqueceram dos desvios aberrantes dos estádios para o Euro 2004? O que é feito do Estádio do Bessa? E do Estádio do Algarve? E do Estádio de Leiria? Centenas de milhares de alunos frequentam agora todos os anos escolas em que dá gosto ter aulas. E esses estádios servem para quê? Para chamar “filhos da puta” aos árbitros?
Já se esqueceram das derrapagens na construção do CCB? E das derrapagens na construção da Casa da Música do Porto?
Falarem do Parque Escolar nos termos em que o fazem deveria ser motivo para uma demanda criminal. Se as Escolas ficaram com grande qualidade tanto melhor. Se alguém se abotoou com dinheiro à conta disso que seja preso e condenado. São duas coisas distintas.
Quando fui trabalhar para a Escola Augusto César Pires de Lima no Porto, a Escola situava-se na Rua D. João IV na zona da Batalha. Dois edifícios de um lado da rua e dois outros do outro lado. Os alunos para irem de uma aula para a outra, tinham que atravessar a Rua que na altura já era movimentadíssima. Não me recordo de na altura um único Órgão de Comunicação Social ter vindo em defesa dos alunos que corriam diariamente perigos enormes para poderem ter uma aula de Português e a seguir deslocarem-se para a aula de Matemática. Eu sei que eram miúdos da zona da Ribeira do Porto. Mas que diabo! Eram crianças. Onde estava na altura (em 1978/80) o Ministro Crato?
Já não falo da minha velhinha Escola Industrial na Fábrica do Alemão, com as salas de aula separadas por caixas de peixe.
Que bom seria que os portugueses tivessem memória. Calem-se com o Parque Escolar. Prendam os corruptos e deixem em paz as escolas.
sábado, março 10, 2012
Romantismo na 3ª Idade
UM CASAL DE VELHINHOS ESTÁ DEITADO NA CAMA. A ESPOSA NÃO ESTÁ SATISFEITA COM A DISTÂNCIA QUE HÁ ENTRE ELES.
ELA LEMBRA:
- QUANDO ÉRAMOS JOVENS, VOCÊ COSTUMAVA SEGURAR A MINHA MÃO NA CAMA.
ELE HESITA E, DEPOIS DE UM BREVE MOMENTO, ESTICA O BRAÇO E SEGURA A MÃO DELA.
ELA NÃO SE DÁ POR SATISFEITA:
- QUANDO ÉRAMOS JOVENS, VOCÊ COSTUMAVA FICAR BEM PERTINHO DE MIM.
UMA HESITAÇÃO MAIS PROLONGADA AGORA E, FINALMENTE, RESMUNGANDO UM POUCO, ELE VIRA O CORPO COM DIFICULDADE E SE ACONCHEGA PERTO DELA DA MELHOR MANEIRA POSSÍVEL.
ELA AINDA INSATISFEITA:
- QUANDO ÉRAMOS JOVENS, VOCÊ COSTUMAVA MORDER MINHA ORELHA....
ELE DÁ UM LONGO SUSPIRO, JOGA A COBERTA DE LADO E SAI DA CAMA.
ELA SE SENTE OFENDIDA E GRITA:
- AONDE VOCÊ VAI?
- BUSCAR A DENTADURA, sua VELHA CHATA!!!
UM CASAL DE VELHINHOS ESTÁ DEITADO NA CAMA. A ESPOSA NÃO ESTÁ SATISFEITA COM A DISTÂNCIA QUE HÁ ENTRE ELES.
ELA LEMBRA:
- QUANDO ÉRAMOS JOVENS, VOCÊ COSTUMAVA SEGURAR A MINHA MÃO NA CAMA.
ELE HESITA E, DEPOIS DE UM BREVE MOMENTO, ESTICA O BRAÇO E SEGURA A MÃO DELA.
ELA NÃO SE DÁ POR SATISFEITA:
- QUANDO ÉRAMOS JOVENS, VOCÊ COSTUMAVA FICAR BEM PERTINHO DE MIM.
UMA HESITAÇÃO MAIS PROLONGADA AGORA E, FINALMENTE, RESMUNGANDO UM POUCO, ELE VIRA O CORPO COM DIFICULDADE E SE ACONCHEGA PERTO DELA DA MELHOR MANEIRA POSSÍVEL.
ELA AINDA INSATISFEITA:
- QUANDO ÉRAMOS JOVENS, VOCÊ COSTUMAVA MORDER MINHA ORELHA....
ELE DÁ UM LONGO SUSPIRO, JOGA A COBERTA DE LADO E SAI DA CAMA.
ELA SE SENTE OFENDIDA E GRITA:
- AONDE VOCÊ VAI?
- BUSCAR A DENTADURA, sua VELHA CHATA!!!
sexta-feira, março 09, 2012
O TEMPO É O GRANDE MESTRE
Tem momentos em que pensamos: “- Se pudesse voltar atrás não faria isto.” Ou então, faria o mesmo mas de outra maneira. Ou ainda, repetiria tudo, não me arrependo de todo.
Estas questões surgiram-me quando ouvi hoje de manhã as notícias em que Cavaco Silva, lança um ataque demolidor ao defunto José Sócrates. Nunca votei Cavaco, e hoje ao ouvir o que ele escreveu fiquei ainda mais feliz por o não ter feito.
Aquelas palavras parecem-me de uma pessoa ressabiada, completamente desorientada com traumas antigos que não lhe dão sossego. Quem tem que escrever e analisar a História de um país (aprendi isto há muito, tinha para aí uns 15 anos) são os especialistas devidamente afastados no tempo para poderem pensar com isenção. Não são os próprios protagonistas da História, quem diz o que está ou não está a comportar-se com dimensão patriótica.
O Cavaco que atingiu índices de impopularidade que nunca aconteceram com outros Presidentes da República em Democracia, tenta fazer ajustes de contas com quem se afastou e não parece muito preocupado para já em defender-se. Quando somos rapazecos é aquilo que na gíria se designa por “bater em mortos”. Que pena Cavaco perder a oportunidade de acabar o seu mandato com dignidade. Com birras e vingançazitas da treta não vai deixar saudades. E eu evito arrepender-me de nunca ter votado nele.
Tem momentos em que pensamos: “- Se pudesse voltar atrás não faria isto.” Ou então, faria o mesmo mas de outra maneira. Ou ainda, repetiria tudo, não me arrependo de todo.
Estas questões surgiram-me quando ouvi hoje de manhã as notícias em que Cavaco Silva, lança um ataque demolidor ao defunto José Sócrates. Nunca votei Cavaco, e hoje ao ouvir o que ele escreveu fiquei ainda mais feliz por o não ter feito.
Aquelas palavras parecem-me de uma pessoa ressabiada, completamente desorientada com traumas antigos que não lhe dão sossego. Quem tem que escrever e analisar a História de um país (aprendi isto há muito, tinha para aí uns 15 anos) são os especialistas devidamente afastados no tempo para poderem pensar com isenção. Não são os próprios protagonistas da História, quem diz o que está ou não está a comportar-se com dimensão patriótica.
O Cavaco que atingiu índices de impopularidade que nunca aconteceram com outros Presidentes da República em Democracia, tenta fazer ajustes de contas com quem se afastou e não parece muito preocupado para já em defender-se. Quando somos rapazecos é aquilo que na gíria se designa por “bater em mortos”. Que pena Cavaco perder a oportunidade de acabar o seu mandato com dignidade. Com birras e vingançazitas da treta não vai deixar saudades. E eu evito arrepender-me de nunca ter votado nele.
quinta-feira, março 08, 2012
EU SEI QUE NÃO HÁ DINHEIRO
Por isso levam-nos couro e cabelo. Tudo o que pensávamos ser significativo em termos de uma melhor qualidade de vida está a desaparecer. E nem sequer falo das mordomias como férias ou 2ªs habitações, ou mesmo de ir uma vez por semana ao restaurante, ou comprar uns livros ou uns CDs, ou mesmo ir ver um jogo de futebol da equipa favorita.
Falo dos entraves colocados a uma aprendizagem consistente com um desenvolvimento do pensamento que permita jovens com capacidade crítica, disponíveis para se tornarem pessoas mais capazes de promover um país melhor.
É verdade que fora dos quadros partidários não existem muitas perspectivas. Até aconselham os melhores de entre nós a desaparecerem para não “chatearem”. Mas o tempo desta gentalha está a acabar. Aliás, o seu fim será mais rápido do que o que se pensa. Quando não se encontra um Português em Portugal, com conhecimentos da nossa realidade para poder promover o desenvolvimento económico do país, já se está a confessar a impotência perante os desafios maiores que nos ocupam. Vir para aqui um “professorzito” habituado a impor-se pela rigidez aborígene num país rico, tratar da economia dos “pobrezinhos” é ridículo e caricato. Dessem ao homem um lugar de adjunto na Santa Casa da Misericórdia e fariam melhor figura.
Não há dinheiro arranjem usurários para governar o país. Gente diletante já cá temos aos molhos e borrifamo-nos para elas.
Por isso levam-nos couro e cabelo. Tudo o que pensávamos ser significativo em termos de uma melhor qualidade de vida está a desaparecer. E nem sequer falo das mordomias como férias ou 2ªs habitações, ou mesmo de ir uma vez por semana ao restaurante, ou comprar uns livros ou uns CDs, ou mesmo ir ver um jogo de futebol da equipa favorita.
Falo dos entraves colocados a uma aprendizagem consistente com um desenvolvimento do pensamento que permita jovens com capacidade crítica, disponíveis para se tornarem pessoas mais capazes de promover um país melhor.
É verdade que fora dos quadros partidários não existem muitas perspectivas. Até aconselham os melhores de entre nós a desaparecerem para não “chatearem”. Mas o tempo desta gentalha está a acabar. Aliás, o seu fim será mais rápido do que o que se pensa. Quando não se encontra um Português em Portugal, com conhecimentos da nossa realidade para poder promover o desenvolvimento económico do país, já se está a confessar a impotência perante os desafios maiores que nos ocupam. Vir para aqui um “professorzito” habituado a impor-se pela rigidez aborígene num país rico, tratar da economia dos “pobrezinhos” é ridículo e caricato. Dessem ao homem um lugar de adjunto na Santa Casa da Misericórdia e fariam melhor figura.
Não há dinheiro arranjem usurários para governar o país. Gente diletante já cá temos aos molhos e borrifamo-nos para elas.
quarta-feira, março 07, 2012
FELISBELA LOPES
Aos sábados entre as 09 e as 10 horas da manhã, na RTP1 e após a apresentação do Jornal da Manhã, a pessoa que o faz pede os comentários da Imprensa à professora da Universidade do Minho, Felisbela Lopes.
Sorvo as suas palavras. Reflito sobre a análise que faz aos títulos da Imprensa e medito sobre os alertas que lança para as entrelinhas. As “fontes” como forma de dar notícias que raramente responsabilizam quem as dá e os títulos que só excecionalmente correspondem na sua importância ao corpo da notícia, são exemplos do muito com que Felisbela Lopes contribui para leituras saudáveis de Jornais e revistas.
Falta-lhe em corporativismo o que lhe sobeja em poder de análise, dignidade e honradez nas sínteses. Eu que sou velho e tive professores de português que na Machado de Castro levava para as aulas “A Bola” e “O Século” para aprendermos a ler jornais e sobretudo aprendermos para além do que lá se escrevia, quando se podia escrever muito pouco, sinto que Felisbela Lopes para além de Jornalista e de professora é uma mulher que ama a Língua Portuguesa. Bem haja por isso e pelo seu contributo para melhorar o que por cá se vai fazendo.
Aos sábados entre as 09 e as 10 horas da manhã, na RTP1 e após a apresentação do Jornal da Manhã, a pessoa que o faz pede os comentários da Imprensa à professora da Universidade do Minho, Felisbela Lopes.
Sorvo as suas palavras. Reflito sobre a análise que faz aos títulos da Imprensa e medito sobre os alertas que lança para as entrelinhas. As “fontes” como forma de dar notícias que raramente responsabilizam quem as dá e os títulos que só excecionalmente correspondem na sua importância ao corpo da notícia, são exemplos do muito com que Felisbela Lopes contribui para leituras saudáveis de Jornais e revistas.
Falta-lhe em corporativismo o que lhe sobeja em poder de análise, dignidade e honradez nas sínteses. Eu que sou velho e tive professores de português que na Machado de Castro levava para as aulas “A Bola” e “O Século” para aprendermos a ler jornais e sobretudo aprendermos para além do que lá se escrevia, quando se podia escrever muito pouco, sinto que Felisbela Lopes para além de Jornalista e de professora é uma mulher que ama a Língua Portuguesa. Bem haja por isso e pelo seu contributo para melhorar o que por cá se vai fazendo.
terça-feira, março 06, 2012
PENICHE: Igreja encerrada há mais de 20 anos transformada em centro interpretativo
Lisboa, Portugal 05/03/2012 18:54 (LUSA)
Temas: Artes, Cultura e Entretenimento, Monumentos, Autoridades locais«Peniche, 05 mar (Lusa)- A Câmara de Peniche anunciou hoje investiu mais de meio milhão de euros na recuperação da Igreja de São José de Atouguia da Baleia, espaço encerrado há mais de 20 anos e agora transformado em centro interpretativo da freguesia.
O presidente da Câmara de Peniche, António José Correia (CDU), afirmou em conferência de imprensa que foram investidos 650 mil euros em obras de recuperação da igreja e de construção de um edifício anexo para albergar o centro interpretativo.
O pároco da freguesia Jean Franco explicou que “a igreja esteve muito anos fechada dada a impossibilidade de a paróquia em recuperá-la” e, segundo o presidente da junta de freguesia, António Salvador, “esteve mesmo em perigo de ruir” por estar tão degradada.
Além das obras, o trabalho incidiu ainda na recuperação do retábulo do altar-mor e, desde 2007, na recolha junto da população do património existente na freguesia e respetiva inventariação. Daí resultaram 600 peças, das quais 90 por cento estão inventariadas e 20 por cento conservadas.
O espólio engloba peças em arte sacra, esculturas de figuras religiosas, da cultura etnográfica e achados geológicos.
Além do património da igreja, os técnicos da autarquia efetuaram ainda o inventário e mapeamento de todos os locais ligados ao património da freguesia, desde fontes e lavadouros, lagares, moinhos e azenhas e até de festividades, saberes ou profissões antigas.
A igreja, datada do século XVII, vai ficar integrada na rede concelhia de museus e vai ficar aberta ao público com atividades já agendadas para este ano, tais como uma sessão de poesia, uma exposição sobre o associativismo e outra decorrente da iniciativa “Pintar Atouguia”.
O espaço vai abrir dia 17 como Centro Interpretativo de Atouguia da Baleia, com uma exposição alusiva ao projeto museológico.»
segunda-feira, março 05, 2012
EM DEFESA DE…
No final da semana passada foi distribuído nas caixas do correio (mesmo naquelas que solicitam estarem vedadas a publicidade) um panfleto de 4 páginas, alegadamente em defesa do NÃO encerramento do Hospital de São Pedro Gonçalves Telmo, nos moldes em que tem vindo a funcionar.
Os textos, extensos e monocórdicos tornam a repetir argumentos já utilizados anteriormente e são assinados pelo presidente da Câmara e pelo Presidente da Assembleia Municipal e espremidos dizem o mesmo.
Só uma pessoa não se espanta com o que lá está escrito: - O Manuel Joaquim Leonardo que há muitos anos o vem repetindo à exaustão sem que ninguém o ouça. De resto nada de novo acrescentam.
Por mim não me espanta o que parece ser a última decisão sobre o Hospital. Quando a CDU/PCP, o PSD e o CDS derrubaram o Governo PS para poderem disputar as migalhas que sobraram do Grande Banquete em que se tornou este país nos últimos 8 anos, é certo que haveria que sacudir a toalha para aproveitar as migalhas. O Hospital de Peniche faz parte dessas migalhas.
O que pode espantar nisto tudo? A ingenuidade? A falta de visão política? Nagar as evidências? O que me daria algum sinal de que qualquer coisa estaria a mudar com as novas gerações na política portuguesa, seria os jovens turcos que prestam serviço em cargos mais destacados da política nacional, darem o seu sinal de indignação demitindo-se todos eles por alegadamente os interesses politico-partidários se estarem a sobrepor aos interesses das populações. Mas nada disto vai acontecer. A formatação está feita e os jovens querem copiar os mais velhos para poderem ser como eles. Já alguém disse que este país não é para jovens. Eu diria que também não é para velhos nem para crianças. Os recém-nascidos tornaram-se nados-mortos. Já pouco interessa o que se defende.
Mais Hospital, menos Centro de Saúde. Mais valência, menos serviço. Tão bem que falava o homem das feiras antes de chegar ao Governo. São todos iguais.
No final da semana passada foi distribuído nas caixas do correio (mesmo naquelas que solicitam estarem vedadas a publicidade) um panfleto de 4 páginas, alegadamente em defesa do NÃO encerramento do Hospital de São Pedro Gonçalves Telmo, nos moldes em que tem vindo a funcionar.
Os textos, extensos e monocórdicos tornam a repetir argumentos já utilizados anteriormente e são assinados pelo presidente da Câmara e pelo Presidente da Assembleia Municipal e espremidos dizem o mesmo.
Só uma pessoa não se espanta com o que lá está escrito: - O Manuel Joaquim Leonardo que há muitos anos o vem repetindo à exaustão sem que ninguém o ouça. De resto nada de novo acrescentam.
Por mim não me espanta o que parece ser a última decisão sobre o Hospital. Quando a CDU/PCP, o PSD e o CDS derrubaram o Governo PS para poderem disputar as migalhas que sobraram do Grande Banquete em que se tornou este país nos últimos 8 anos, é certo que haveria que sacudir a toalha para aproveitar as migalhas. O Hospital de Peniche faz parte dessas migalhas.
O que pode espantar nisto tudo? A ingenuidade? A falta de visão política? Nagar as evidências? O que me daria algum sinal de que qualquer coisa estaria a mudar com as novas gerações na política portuguesa, seria os jovens turcos que prestam serviço em cargos mais destacados da política nacional, darem o seu sinal de indignação demitindo-se todos eles por alegadamente os interesses politico-partidários se estarem a sobrepor aos interesses das populações. Mas nada disto vai acontecer. A formatação está feita e os jovens querem copiar os mais velhos para poderem ser como eles. Já alguém disse que este país não é para jovens. Eu diria que também não é para velhos nem para crianças. Os recém-nascidos tornaram-se nados-mortos. Já pouco interessa o que se defende.
Mais Hospital, menos Centro de Saúde. Mais valência, menos serviço. Tão bem que falava o homem das feiras antes de chegar ao Governo. São todos iguais.
sábado, março 03, 2012
NOTÍCIAS DA LUSA
Lisboa, 02 mar (Lusa) – O concelho de Peniche, sobretudo na cultura de batata, foi o mais afetado da região de Lisboa e Vale do Tejo devido às geadas registadas este inverno, segundo o 1.º relatório do grupo de acompanhamento e avaliação dos impactos da seca 2012.
A geada que caiu em fevereiro na localidade Ferrel, no concelho de Peniche, destruiu toda a plantação de batata da freguesia e levou os agricultores locais a pedir apoios ao Governo.
O relatório divulgado na quinta-feira à noite pelo Ministério da Agricultura diz respeito a 15 de fevereiro quando 70% do território do continente estava em seca severa e 5% em seca extrema em zonas do litoral norte e Douro.
O grupo referiu ter passado o risco, verificado em janeiro, de uma rebentação precoce e irregular das culturas arbóreas e arbustivas.
A chuva registada entre outubro e dezembro e as temperaturas acima do normal em janeiro “permitiram um crescimento normal das culturas de sequeiro nesta região”, mas atualmente é bastante fraco o desenvolvimento das forrageiras anuais e dos prados e pastagens.
Devido ao recurso a rações industriais e ao encarecer da produção, os produtores têm tentado vender mais cabeças de gado por parte, enquanto os compradores manifestam menor interesse na compra de animais e a oferecem a preços mais reduzidos.
As sementeiras mais recentes dos cereais de outono/inverno germinaram pior por causa da crosta superficial que se formou nos solos e os produtores, entretanto, desistiram de fazer as sementeiras.
No caso da aveia e do centeio estima-se uma manutenção da área em relação ao ano anterior e uma redução de 5 a 10% no trigo e de 10% no triticale. A quebra de produtividade da aveia deverá oscilar entre 30 e 40%.
A situação dos pomares de citrinos pode considerar-se normal, indica o documento.
Nesta região, a perda de água dos solos tem sido considerável, não havendo reposição e as reservas superficiais, poços, charcas e linhas de água estão já abaixo da sua capacidade máxima.
SOMOS OS 1ºS!!!!!!!!!!!!!
sexta-feira, março 02, 2012
COLAGENS SOBRE O ÓDIO
Quem se alimenta do ódio seca tudo o que o rodeia. Plantas, animais e pessoas serão vítimas sempre desse ódio. E serão essas pessoas vitimas infelizes desse definhar.
O ódio é um sentimento intenso de raiva. Traduz-se na forma de antipatia, aversão, desgosto, rancor, inimizade ou repulsa contra uma pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o seu objetivo. (Wikipédia)
Meditação sobre o Ódio
Quando qualquer pessoa ou objecto cria descontentamento na nossa mente, a primeira reacção é de irritação ou de raiva e essa irritação ou raiva é convertida em ódio. A raiva ou a irritação pode ser momentânea, mas o ódio fica permanentemente na mente. Mesmo passados vários anos, o próprio nome da pessoa traz o ódio à mente e esse ódio perturba a mente.
Uma mente cheia de ódio nunca poderá ser relaxada ou pacífica. Ódio corrói a mente como o ácido. Quando odiamos os outros o nosso próprio coração queima. A nossa própria mente é ferida. Desta forma, o ódio é um castigo a nós mesmos por um erro de outra pessoa.
(Swami Paramarthananda - 26-05-2010)
"A ira gera o ódio, e do ódio nascem a dor e o medo."
( Santo Agostinho )
Como corolário a reunião de José Almada Negreiros com Mário Viegas, para texto e voz nos legarem o que melhor explica o que não deveria ser. Ponto final parágrafo.
Parte I
http://www.youtube.com/watch?v=bm0JxtLdZfk
Parte II
http://www.youtube.com/watch?v=VaC8UVHR5tI&feature=related
Quem se alimenta do ódio seca tudo o que o rodeia. Plantas, animais e pessoas serão vítimas sempre desse ódio. E serão essas pessoas vitimas infelizes desse definhar.
O ódio é um sentimento intenso de raiva. Traduz-se na forma de antipatia, aversão, desgosto, rancor, inimizade ou repulsa contra uma pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o seu objetivo. (Wikipédia)
Meditação sobre o Ódio
Quando qualquer pessoa ou objecto cria descontentamento na nossa mente, a primeira reacção é de irritação ou de raiva e essa irritação ou raiva é convertida em ódio. A raiva ou a irritação pode ser momentânea, mas o ódio fica permanentemente na mente. Mesmo passados vários anos, o próprio nome da pessoa traz o ódio à mente e esse ódio perturba a mente.
Uma mente cheia de ódio nunca poderá ser relaxada ou pacífica. Ódio corrói a mente como o ácido. Quando odiamos os outros o nosso próprio coração queima. A nossa própria mente é ferida. Desta forma, o ódio é um castigo a nós mesmos por um erro de outra pessoa.
(Swami Paramarthananda - 26-05-2010)
"A ira gera o ódio, e do ódio nascem a dor e o medo."
( Santo Agostinho )
Como corolário a reunião de José Almada Negreiros com Mário Viegas, para texto e voz nos legarem o que melhor explica o que não deveria ser. Ponto final parágrafo.
Parte I
http://www.youtube.com/watch?v=bm0JxtLdZfk
Parte II
http://www.youtube.com/watch?v=VaC8UVHR5tI&feature=related
quinta-feira, março 01, 2012
OLHAR DE NOVO
Olho para os telejornais e vejo o PR falando como se estivesse estado em coma e só agora despertasse para o país a que pertence. Ouço falarem do Primeiro-ministro de visita a Itália a convite de alguém que não foi eleito e que lhe diz como agir contra a Kzarina alemã e o baixote francês. Um Nobel de economia diz que… e o nosso ministro das Finanças diz mas…
Importante parece ser a carta de Londres e não os 3783 tratados que os países da União Europeia já assinaram. Obama do lado de lá do Atlântico diz que sim mas também. Mas esse parece estar em ano eleitoral e tem de se lhe dar um desconto. A irlanda vai a votos sobre o pacto e nós aqui “carneiradamente” pactuamos. Entretanto um dos mais lúcidos políticos portugueses parece continuar a ser o Dr. Mário Soares que há 6 anos atrás parecia ser velho para o desempenho do cargo de PR.
No emio disto tudo onde anda um tal peixe chamado “cherne”? O que é feito do Durão Barroso? Quem lhe liga importância? Quem ouve o que ele diz ou aprova iniciativas suas? Ao desfrute que uma pessoa se dá para poder ocupar um cargo honorífico. Tão visível como o Papa mas menos importante, o “portuguesito” que foi encomendado para fazer aquela figura anda em bolandas de cá para lá sem que alguém lhe ligue importância.
Dos quatro sinistros conspiradores que levaram a morte e o desespero a milhões no Iraque (Busch, Aznar, Blair e Barroso), resta ele a representar o maior atentado à Paz cometido nos últimos 30 anos. De figura sinistra passou a figura etérea que as pessoas querem esquecer para poderem esquecer a sua vergonha.
Volto e está tudo como antes. Nada mudou.
Olho para os telejornais e vejo o PR falando como se estivesse estado em coma e só agora despertasse para o país a que pertence. Ouço falarem do Primeiro-ministro de visita a Itália a convite de alguém que não foi eleito e que lhe diz como agir contra a Kzarina alemã e o baixote francês. Um Nobel de economia diz que… e o nosso ministro das Finanças diz mas…
Importante parece ser a carta de Londres e não os 3783 tratados que os países da União Europeia já assinaram. Obama do lado de lá do Atlântico diz que sim mas também. Mas esse parece estar em ano eleitoral e tem de se lhe dar um desconto. A irlanda vai a votos sobre o pacto e nós aqui “carneiradamente” pactuamos. Entretanto um dos mais lúcidos políticos portugueses parece continuar a ser o Dr. Mário Soares que há 6 anos atrás parecia ser velho para o desempenho do cargo de PR.
No emio disto tudo onde anda um tal peixe chamado “cherne”? O que é feito do Durão Barroso? Quem lhe liga importância? Quem ouve o que ele diz ou aprova iniciativas suas? Ao desfrute que uma pessoa se dá para poder ocupar um cargo honorífico. Tão visível como o Papa mas menos importante, o “portuguesito” que foi encomendado para fazer aquela figura anda em bolandas de cá para lá sem que alguém lhe ligue importância.
Dos quatro sinistros conspiradores que levaram a morte e o desespero a milhões no Iraque (Busch, Aznar, Blair e Barroso), resta ele a representar o maior atentado à Paz cometido nos últimos 30 anos. De figura sinistra passou a figura etérea que as pessoas querem esquecer para poderem esquecer a sua vergonha.
Volto e está tudo como antes. Nada mudou.
quarta-feira, fevereiro 29, 2012
1930
5 mulheres da Leirosa e um menino. Também poderia ser este o título desta foto. Uma delas é a avó (mãe da mãe) do Dr. Belmiro Pereira. Outra é a Conceição avó da minha mulher que segura o filho com 2 anitos, o Raúl, que mais tarde ficaria conhecido como pescador no Rio Minho. O local é a praia de Peniche de Cima junto aos armazéns do Ramiro Bilhau que ficavam cerca do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN). As mulheres aguardavam que a maré descesse para poderem ir aos viveiros e tratar dos mariscos que seriam enviados para venda.
Curiosidades na foto. As mulheres todas da Leirosa vieram para Peniche em busca de melhores dias. Todas vestem com o mesmo tipo de trajares da sua região. Todas trabalham para o mesmo empresário. A 1ª e a 3ª a contar da direita são lindíssimas. Qualquer uma delas põe a um canto as sofisticadas mulheres de hoje que nem carregadas de pinturas lhes chegam aos calcanhares.
5 mulheres da Leirosa e um menino. Também poderia ser este o título desta foto. Uma delas é a avó (mãe da mãe) do Dr. Belmiro Pereira. Outra é a Conceição avó da minha mulher que segura o filho com 2 anitos, o Raúl, que mais tarde ficaria conhecido como pescador no Rio Minho. O local é a praia de Peniche de Cima junto aos armazéns do Ramiro Bilhau que ficavam cerca do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN). As mulheres aguardavam que a maré descesse para poderem ir aos viveiros e tratar dos mariscos que seriam enviados para venda.
Curiosidades na foto. As mulheres todas da Leirosa vieram para Peniche em busca de melhores dias. Todas vestem com o mesmo tipo de trajares da sua região. Todas trabalham para o mesmo empresário. A 1ª e a 3ª a contar da direita são lindíssimas. Qualquer uma delas põe a um canto as sofisticadas mulheres de hoje que nem carregadas de pinturas lhes chegam aos calcanhares.
terça-feira, fevereiro 28, 2012
PARA PENSAR
O que faz diferir um homem dos animais é a sua capacidade de pensar. E de discutir (trocar opiniões com outro). É na dialéctica que o Homem assume verdadeiramente a sua dimensão humana e se torna senhor do seu destino, logo, do seu futuro.
Posso não concordar com o que me dizem. Mas discuto. Posso não querer como meus os valores dos outros, mas falo em defesa do que acredito e assumo discordar do que me propõem.
Neste tempo de crise fui buscar este texto que acho ser um paradigma do período que vivemos. É discutível mas é bom que se leia. Tem tudo muito a ver com o neo-liberalismo que nos disputa o direito ao pequeno-almoço.
“Na esfera do trabalho não conta o que se faz, mas que se faça algo enquanto tal, pois o trabalho é justamente um fim em si mesmo, na medida em que é o suporte da valorização do capital-dinheiro – o aumento infinito de dinheiro por si só. Trabalho é a forma de atividade deste fim em si mesmo absurdo. Só por isso, e não por razões objetivas, todos os produtos são produzidos como mercadorias. Pois somente nesta forma eles representam o abstractum dinheiro, cujo conteúdo é o abstractum trabalho. Nisto consiste o mecanismo da Roda-Viva social autonomizada, no qual a humanidade moderna está presa.
E por isso, o conteúdo da produção é indiferente tanto quanto a utilização dos produtos e as conseqüências sociais e naturais. Se casas são construídas ou campos minados produzidos, se livros são impressos, se tomates transgênicos são criados, se pessoas adoecem, se o ar está poluído ou se “apenas” o bom gosto é prejudicado – tudo isso não interessa. O que interessa, de qualquer modo, é que a mercadoria possa ser transformada em dinheiro e dinheiro em novo trabalho. Que a mercadoria exija um uso concreto, e que seja ele mesmo destrutivo, não interessa à racionalidade da economia empresarial, para ela o produto só é portador de trabalho pretérito, de “trabalho morto”.
A acumulação de “trabalho morto” como capital, representado na forma-dinheiro, é o único “sentido” que o sistema produtor de mercadorias conhece. “Trabalho morto”? Uma loucura metafísica! Sim, mas uma metafísica que se tornou realidade palpável, uma loucura “objetivada” que prende a sociedade com mão férrea. No eterno comprar e vender os homens não intercambiam enquanto seres sociais conscientes, mas apenas executam como autômatos sociais o fim em si mesmo pré-posto a eles.” MANIFESTO CONTRA O TRABALHO (Grupo Krisis)
O que faz diferir um homem dos animais é a sua capacidade de pensar. E de discutir (trocar opiniões com outro). É na dialéctica que o Homem assume verdadeiramente a sua dimensão humana e se torna senhor do seu destino, logo, do seu futuro.
Posso não concordar com o que me dizem. Mas discuto. Posso não querer como meus os valores dos outros, mas falo em defesa do que acredito e assumo discordar do que me propõem.
Neste tempo de crise fui buscar este texto que acho ser um paradigma do período que vivemos. É discutível mas é bom que se leia. Tem tudo muito a ver com o neo-liberalismo que nos disputa o direito ao pequeno-almoço.
“Na esfera do trabalho não conta o que se faz, mas que se faça algo enquanto tal, pois o trabalho é justamente um fim em si mesmo, na medida em que é o suporte da valorização do capital-dinheiro – o aumento infinito de dinheiro por si só. Trabalho é a forma de atividade deste fim em si mesmo absurdo. Só por isso, e não por razões objetivas, todos os produtos são produzidos como mercadorias. Pois somente nesta forma eles representam o abstractum dinheiro, cujo conteúdo é o abstractum trabalho. Nisto consiste o mecanismo da Roda-Viva social autonomizada, no qual a humanidade moderna está presa.
E por isso, o conteúdo da produção é indiferente tanto quanto a utilização dos produtos e as conseqüências sociais e naturais. Se casas são construídas ou campos minados produzidos, se livros são impressos, se tomates transgênicos são criados, se pessoas adoecem, se o ar está poluído ou se “apenas” o bom gosto é prejudicado – tudo isso não interessa. O que interessa, de qualquer modo, é que a mercadoria possa ser transformada em dinheiro e dinheiro em novo trabalho. Que a mercadoria exija um uso concreto, e que seja ele mesmo destrutivo, não interessa à racionalidade da economia empresarial, para ela o produto só é portador de trabalho pretérito, de “trabalho morto”.
A acumulação de “trabalho morto” como capital, representado na forma-dinheiro, é o único “sentido” que o sistema produtor de mercadorias conhece. “Trabalho morto”? Uma loucura metafísica! Sim, mas uma metafísica que se tornou realidade palpável, uma loucura “objetivada” que prende a sociedade com mão férrea. No eterno comprar e vender os homens não intercambiam enquanto seres sociais conscientes, mas apenas executam como autômatos sociais o fim em si mesmo pré-posto a eles.” MANIFESTO CONTRA O TRABALHO (Grupo Krisis)
segunda-feira, fevereiro 27, 2012
O CAMINHO
Percorro uma a uma as fotografias do espólio que ao longo dos anos fui acumulando. As minhas. As dos meus mais próximos. As dos meus pais e dos meus avós. Tal como Barthes procuro que seja a câmara clara que me ensine a fruir dos momentos fixados. Registo instantes que foram espaços únicos. Irrepetíveis.
É nestas fotos que me (re)encontro. E com o Eduardo Lourenço percorri o meu labirinto da saudade. A propósito destas fotos reli Sartre e Russel. Reli Santo Agostinho e Marcuse. É nestes saberes dispersos que me penitencio e encontro explicações.
De todas as fotos retive esta.
Trouxe-a o meu pai de um dia que em grupo de Peniche que foi ao “Maria Vitória” na 1ª metade do século passado ver uma revista à Portuguesa.
No círculo traçado podem ver-se da esquerda para a direita: O senhor meu pai, o Ludgero Assis Gonçalves, o João Narciso Dias, o seu pai Sr. Narciso Dias e o Sr. António Rodrigues (Minó).
Os cinco já não pertencem ao mundo dos vivos. Riem-se com a certeza de que o seu riso retém tudo o que de importante a vida deve conter. A imagem parou naquelo momento em que riem. Os cinco deixaram em Peniche preocupações, fábricas, barcos, oficinas, import/export. Só a sua alegria conta. Em Eugénio Salvador e Humberto Madeira encontram a dimensão do seu prazer a fruição do que mais os entusiasma.
Prendo-me nesta foto em oposição aos instantes que me perturbam. O meu pai e os seus amigos sempre foram a minha referência e o meu Porto de Abrigo. Difícil. Duro. Agreste. Rude. Parcimonioso. Sempre inflexível. O meu pai sempre foi a minha referência e o meu norte. Nele e com ele aprendi que a vida não é uma herança. É uma batalha que tem de ser travada. Hoje mais que nunca o admiro e respeito. Vê-lo rir é um momento único. Por isso trouxe esta foto à coação.
Percorro uma a uma as fotografias do espólio que ao longo dos anos fui acumulando. As minhas. As dos meus mais próximos. As dos meus pais e dos meus avós. Tal como Barthes procuro que seja a câmara clara que me ensine a fruir dos momentos fixados. Registo instantes que foram espaços únicos. Irrepetíveis.
É nestas fotos que me (re)encontro. E com o Eduardo Lourenço percorri o meu labirinto da saudade. A propósito destas fotos reli Sartre e Russel. Reli Santo Agostinho e Marcuse. É nestes saberes dispersos que me penitencio e encontro explicações.
De todas as fotos retive esta.
Trouxe-a o meu pai de um dia que em grupo de Peniche que foi ao “Maria Vitória” na 1ª metade do século passado ver uma revista à Portuguesa.
No círculo traçado podem ver-se da esquerda para a direita: O senhor meu pai, o Ludgero Assis Gonçalves, o João Narciso Dias, o seu pai Sr. Narciso Dias e o Sr. António Rodrigues (Minó).
Os cinco já não pertencem ao mundo dos vivos. Riem-se com a certeza de que o seu riso retém tudo o que de importante a vida deve conter. A imagem parou naquelo momento em que riem. Os cinco deixaram em Peniche preocupações, fábricas, barcos, oficinas, import/export. Só a sua alegria conta. Em Eugénio Salvador e Humberto Madeira encontram a dimensão do seu prazer a fruição do que mais os entusiasma.
Prendo-me nesta foto em oposição aos instantes que me perturbam. O meu pai e os seus amigos sempre foram a minha referência e o meu Porto de Abrigo. Difícil. Duro. Agreste. Rude. Parcimonioso. Sempre inflexível. O meu pai sempre foi a minha referência e o meu norte. Nele e com ele aprendi que a vida não é uma herança. É uma batalha que tem de ser travada. Hoje mais que nunca o admiro e respeito. Vê-lo rir é um momento único. Por isso trouxe esta foto à coação.
quarta-feira, fevereiro 22, 2012
Cansaço
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
terça-feira, fevereiro 21, 2012
Dois Excertos de Odes (Fins de duas odes, naturalmente)
I
Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lentejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito.
Vem, vagamente,
Vem, levemente,
Vem sozinha, solene, com as mãos caídas
Ao teu lado, vem
E traz os montes longínquos para o pé das árvores próximas,
Funde num campo teu todos os campos que vejo,
Faze da montanha um bloco só do teu corpo,
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo,
Todas as estradas que a sobem,
Todas as várias árvores que a fazem verde-escuro ao longe.
Todas as casas brancas e com fumo entre as árvores,
E deixa só uma luz e outra luz e mais outra,
Na distância imprecisa e vagamente perturbadora,
Na distância subitamente impossível de percorrer.
Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
Dos sonhos que vêm ter conosco ao crepúsculo, à janela,
Dos propósitos que nos acariciam
Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
Ao som europeu das músicas e das vozes longe e perto,
E que doem por sabermos que nunca os realizaremos...
Vem, e embala-nos,
Vem e afaga-nos.
Beija-nos silenciosamente na fronte,
Tão levemente na fronte que não saibamos que nos beijam
Senão por uma diferença na alma.
E um vago soluço partindo melodiosamente
Do antiquíssimo de nós
Onde têm raiz todas essas árvores de maravilha
Cujos frutos são os sonhos que afagamos e amamos
Porque os sabemos fora de relação com o que há na vida.
Vem soleníssima,
Soleníssima e cheia
De uma oculta vontade de soluçar,
Talvez porque a alma é grande e a vida pequena,
E todos os gestos não saem do nosso corpo
E só alcançamos onde o nosso braço chega,
E só vemos até onde chega o nosso olhar.
Vem, dolorosa,
Mater-Dolorosa das Angústias dos Tímidos,
Turris-Eburnea das Tristezas dos Desprezados,
Mão fresca sobre a testa em febre dos humildes,
Sabor de água sobre os lábios secos dos Cansados.
Vem, lá do fundo
Do horizonte lívido,
Vem e arranca-me
Do solo de angústia e de inutilidade
Onde vicejo.
Apanha-me do meu solo, malmequer esquecido,
Folha a folha lê em mim não sei que sina
E desfolha-me para teu agrado,
Para teu agrado silencioso e fresco.
Uma folha de mim lança para o Norte,
Onde estão as cidades de Hoje que eu tanto amei;
Outra folha de mim lança para o Sul,
Onde estão os mares que os Navegadores abriram;
Outra folha minha atira ao Ocidente,
Onde arde ao rubro tudo o que talvez seja o Futuro,
Que eu sem conhecer adoro;
E a outra, as outras, o resto de mim
Atira ao Oriente,
Ao Oriente donde vem tudo, o dia e a fé,
Ao Oriente pomposo e fanático e quente,
Ao Oriente excessivo que eu nunca verei,
Ao Oriente budista, bramânico, sintoísta,
Ao Oriente que tudo o que nós não temos,
Que tudo o que nós não somos,
Ao Oriente onde — quem sabe? — Cristo talvez ainda hoje viva,
Onde Deus talvez exista realme:nte e mandando tudo...
Vem sobre os mares,
Sobre os mares maiores,
Sobre os mares sem horizontes precisos,
Vem e passa a mão pelo dorso da fera,
E acalma-o misteriosamente,
ó domadora hipnótica das coisas que se agitam muito!
Vem, cuidadosa,
Vem, maternal,
Pé ante pé enfermeira antiquíssima, que te sentaste
À cabeceira dos deuses das fés já perdidas,
E que viste nascer Jeová e Júpiter,
E sorriste porque tudo te é falso é inútil.
Vem, Noite silenciosa e extática,
Vem envolver na noite manto branco
O meu coração...
Serenamente como uma brisa na tarde leve,
Tranqüilamente com um gesto materno afagando.
Com as estrelas luzindo nas tuas mãos
E a lua máscara misteriosa sobre a tua face.
Todos os sons soam de outra maneira
Quando tu vens.
Quando tu entras baixam todas as vozes,
Ninguém te vê entrar.
Ninguém sabe quando entraste,
Senão de repente, vendo que tudo se recolhe,
Que tudo perde as arestas e as cores,
E que no alto céu ainda claramente azul
Já crescente nítido, ou círculo branco, ou mera luz nova que vem.
A lua começa a ser real.
II
Ah o crepúsculo, o cair da noite, o acender das luzes nas grandes cidades
E a mão de mistério que abafa o bulício,
E o cansaço de tudo em nós que nos corrompe
Para uma sensação exata e precisa e ativa da Vida!
Cada rua é um canal de uma Veneza de tédios
E que misterioso o fundo unânime das ruas,
Das ruas ao cair da noite, ó Cesário Verde, ó Mestre,
Ó do "Sentimento de um Ocidental"!
Que inquietação profunda, que desejo de outras coisas,
Que nem são países, nem momentos, nem vidas,
Que desejo talvez de outros modos de estados de alma
Umedece interiormente o instante lento e longínquo!
Um horror sonâmbulo entre luzes que se acendem,
Um pavor terno e líquido, encostado às esquinas
Como um mendigo de sensações impossíveis
Que não sabe quem lhas possa dar...
Quando eu morrer,
Quando me for, ignobilmente, como toda a gente,
Por aquele caminho cuja idéia se não pode encarar de frente,
Por aquela porta a que, se pudéssemos assomar, não assomaríamos
Para aquele porto que o capitão do Navio não conhece,
Seja por esta hora condigna dos tédios que tive,
Por esta hora mística e espiritual e antiquíssima,
Por esta hora em que talvez, há muito mais tempo do que parece,
Platão sonhando viu a idéia de Deus
Esculpir corpo e existência nitidamente plausível.
Dentro do seu pensamento exteriorizado como um campo.
Seja por esta hora que me leveis a enterrar,
Por esta hora que eu não sei como viver,
Em que não sei que sensações ter ou fingir que tenho,
Por esta hora cuja misericórdia é torturada e excessiva,
Cujas sombras vêm de qualquer outra coisa que não as coisas,
Cuja passagem não roça vestes no chão da Vida Sensível
Nem deixa perfume nos caminhos do Olhar.
Cruza as mãos sobre o joelho, ó companheira que eu não tenho nem quero ter.
Cruza as mãos sobre o joelho e olha-me em silêncio
A esta hora em que eu não posso ver que tu me olhas,
Olha-me em silêncio e em segredo e pergunta a ti própria
— Tu que me conheces — quem eu sou ...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
I
Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lentejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito.
Vem, vagamente,
Vem, levemente,
Vem sozinha, solene, com as mãos caídas
Ao teu lado, vem
E traz os montes longínquos para o pé das árvores próximas,
Funde num campo teu todos os campos que vejo,
Faze da montanha um bloco só do teu corpo,
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo,
Todas as estradas que a sobem,
Todas as várias árvores que a fazem verde-escuro ao longe.
Todas as casas brancas e com fumo entre as árvores,
E deixa só uma luz e outra luz e mais outra,
Na distância imprecisa e vagamente perturbadora,
Na distância subitamente impossível de percorrer.
Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
Dos sonhos que vêm ter conosco ao crepúsculo, à janela,
Dos propósitos que nos acariciam
Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
Ao som europeu das músicas e das vozes longe e perto,
E que doem por sabermos que nunca os realizaremos...
Vem, e embala-nos,
Vem e afaga-nos.
Beija-nos silenciosamente na fronte,
Tão levemente na fronte que não saibamos que nos beijam
Senão por uma diferença na alma.
E um vago soluço partindo melodiosamente
Do antiquíssimo de nós
Onde têm raiz todas essas árvores de maravilha
Cujos frutos são os sonhos que afagamos e amamos
Porque os sabemos fora de relação com o que há na vida.
Vem soleníssima,
Soleníssima e cheia
De uma oculta vontade de soluçar,
Talvez porque a alma é grande e a vida pequena,
E todos os gestos não saem do nosso corpo
E só alcançamos onde o nosso braço chega,
E só vemos até onde chega o nosso olhar.
Vem, dolorosa,
Mater-Dolorosa das Angústias dos Tímidos,
Turris-Eburnea das Tristezas dos Desprezados,
Mão fresca sobre a testa em febre dos humildes,
Sabor de água sobre os lábios secos dos Cansados.
Vem, lá do fundo
Do horizonte lívido,
Vem e arranca-me
Do solo de angústia e de inutilidade
Onde vicejo.
Apanha-me do meu solo, malmequer esquecido,
Folha a folha lê em mim não sei que sina
E desfolha-me para teu agrado,
Para teu agrado silencioso e fresco.
Uma folha de mim lança para o Norte,
Onde estão as cidades de Hoje que eu tanto amei;
Outra folha de mim lança para o Sul,
Onde estão os mares que os Navegadores abriram;
Outra folha minha atira ao Ocidente,
Onde arde ao rubro tudo o que talvez seja o Futuro,
Que eu sem conhecer adoro;
E a outra, as outras, o resto de mim
Atira ao Oriente,
Ao Oriente donde vem tudo, o dia e a fé,
Ao Oriente pomposo e fanático e quente,
Ao Oriente excessivo que eu nunca verei,
Ao Oriente budista, bramânico, sintoísta,
Ao Oriente que tudo o que nós não temos,
Que tudo o que nós não somos,
Ao Oriente onde — quem sabe? — Cristo talvez ainda hoje viva,
Onde Deus talvez exista realme:nte e mandando tudo...
Vem sobre os mares,
Sobre os mares maiores,
Sobre os mares sem horizontes precisos,
Vem e passa a mão pelo dorso da fera,
E acalma-o misteriosamente,
ó domadora hipnótica das coisas que se agitam muito!
Vem, cuidadosa,
Vem, maternal,
Pé ante pé enfermeira antiquíssima, que te sentaste
À cabeceira dos deuses das fés já perdidas,
E que viste nascer Jeová e Júpiter,
E sorriste porque tudo te é falso é inútil.
Vem, Noite silenciosa e extática,
Vem envolver na noite manto branco
O meu coração...
Serenamente como uma brisa na tarde leve,
Tranqüilamente com um gesto materno afagando.
Com as estrelas luzindo nas tuas mãos
E a lua máscara misteriosa sobre a tua face.
Todos os sons soam de outra maneira
Quando tu vens.
Quando tu entras baixam todas as vozes,
Ninguém te vê entrar.
Ninguém sabe quando entraste,
Senão de repente, vendo que tudo se recolhe,
Que tudo perde as arestas e as cores,
E que no alto céu ainda claramente azul
Já crescente nítido, ou círculo branco, ou mera luz nova que vem.
A lua começa a ser real.
II
Ah o crepúsculo, o cair da noite, o acender das luzes nas grandes cidades
E a mão de mistério que abafa o bulício,
E o cansaço de tudo em nós que nos corrompe
Para uma sensação exata e precisa e ativa da Vida!
Cada rua é um canal de uma Veneza de tédios
E que misterioso o fundo unânime das ruas,
Das ruas ao cair da noite, ó Cesário Verde, ó Mestre,
Ó do "Sentimento de um Ocidental"!
Que inquietação profunda, que desejo de outras coisas,
Que nem são países, nem momentos, nem vidas,
Que desejo talvez de outros modos de estados de alma
Umedece interiormente o instante lento e longínquo!
Um horror sonâmbulo entre luzes que se acendem,
Um pavor terno e líquido, encostado às esquinas
Como um mendigo de sensações impossíveis
Que não sabe quem lhas possa dar...
Quando eu morrer,
Quando me for, ignobilmente, como toda a gente,
Por aquele caminho cuja idéia se não pode encarar de frente,
Por aquela porta a que, se pudéssemos assomar, não assomaríamos
Para aquele porto que o capitão do Navio não conhece,
Seja por esta hora condigna dos tédios que tive,
Por esta hora mística e espiritual e antiquíssima,
Por esta hora em que talvez, há muito mais tempo do que parece,
Platão sonhando viu a idéia de Deus
Esculpir corpo e existência nitidamente plausível.
Dentro do seu pensamento exteriorizado como um campo.
Seja por esta hora que me leveis a enterrar,
Por esta hora que eu não sei como viver,
Em que não sei que sensações ter ou fingir que tenho,
Por esta hora cuja misericórdia é torturada e excessiva,
Cujas sombras vêm de qualquer outra coisa que não as coisas,
Cuja passagem não roça vestes no chão da Vida Sensível
Nem deixa perfume nos caminhos do Olhar.
Cruza as mãos sobre o joelho, ó companheira que eu não tenho nem quero ter.
Cruza as mãos sobre o joelho e olha-me em silêncio
A esta hora em que eu não posso ver que tu me olhas,
Olha-me em silêncio e em segredo e pergunta a ti própria
— Tu que me conheces — quem eu sou ...
Álvaro de Campos, in "Poemas"
quinta-feira, fevereiro 16, 2012
“SOMOS SOLIDÁRIOS COM O POVO DA GRÉCIA”
In “Agência Financeira” 2012/02/15
«Nomes como Mário Soares, Eduardo Lourenço e Carvalho da Silva «apelam à solidariedade com o povo grego», condenando a utilização da expressão «não somos a Grécia», que consideram, «no mínimo, chocante», num texto tornado público esta quarta-feira.
«Avolumam-se o isolamento e a discriminação da Grécia, fortemente acentuados pelo discurso dominante dos principais dirigentes europeus e da comunicação social», lê-se no texto a que a Lusa teve acesso, subscrito por mais de 30 personalidades, entre as quais estão também o bispo Januário Torgal Ferreira, o socialista Almeida Santos, o capitão de Abril Vasco Lourenço e o dirigente do BE José Manuel Pureza.
«A preocupação doméstica em sublinhar que 'não somos a Grécia' é, no mínimo, chocante no seio da União Europeia, onde mais se esperaria compreensão e solidariedade e, sobretudo, desajustada quando se sabe que a crise não é só grega mas europeia», continua o texto, que tem como título: «Somos solidários com o povo da Grécia».
Os signatários do texto referem que todos os dias chegam «imagens e notícias da Grécia e do povo grego em luta contra o cortejo de sacrifícios que lhe tem sido imposto», sendo «clara, naquele país, a crescente fractura entre os cidadãos e o poder político, em torno da invocada necessidade de cada vez maiores sacrifícios para que a dívida seja paga e o défice orçamental reduzido».
«Acentuam-se a tensão e a violência, tornando ainda mais difícil o diálogo indispensável à procura de soluções mais justas e partilhadas para a situação existente», acrescentam.
Assim, «face à agudização das tensões políticas e sociais na Grécia, os signatários apelam à solidariedade com o povo grego e à criação de condições que permitam respostas democráticas e consistentes de uma Europa solidária aos problemas sociais e aos direitos das pessoas».
Entre os mais de 30 signatários deste texto estão ainda nomes como Ana Gomes, Anselmo Borges, António Reis, Boaventura Sousa Santos, Diana Andringa, Isabel Moreira, José Barata Moura, José Castro Caldas, José Mattoso, José Medeiros Ferreira, Maria de Jesus Barroso Soares, Rui Tavares, Simonetta Luz Afonso e Vítor Ramalho.»
In “Agência Financeira” 2012/02/15
«Nomes como Mário Soares, Eduardo Lourenço e Carvalho da Silva «apelam à solidariedade com o povo grego», condenando a utilização da expressão «não somos a Grécia», que consideram, «no mínimo, chocante», num texto tornado público esta quarta-feira.
«Avolumam-se o isolamento e a discriminação da Grécia, fortemente acentuados pelo discurso dominante dos principais dirigentes europeus e da comunicação social», lê-se no texto a que a Lusa teve acesso, subscrito por mais de 30 personalidades, entre as quais estão também o bispo Januário Torgal Ferreira, o socialista Almeida Santos, o capitão de Abril Vasco Lourenço e o dirigente do BE José Manuel Pureza.
«A preocupação doméstica em sublinhar que 'não somos a Grécia' é, no mínimo, chocante no seio da União Europeia, onde mais se esperaria compreensão e solidariedade e, sobretudo, desajustada quando se sabe que a crise não é só grega mas europeia», continua o texto, que tem como título: «Somos solidários com o povo da Grécia».
Os signatários do texto referem que todos os dias chegam «imagens e notícias da Grécia e do povo grego em luta contra o cortejo de sacrifícios que lhe tem sido imposto», sendo «clara, naquele país, a crescente fractura entre os cidadãos e o poder político, em torno da invocada necessidade de cada vez maiores sacrifícios para que a dívida seja paga e o défice orçamental reduzido».
«Acentuam-se a tensão e a violência, tornando ainda mais difícil o diálogo indispensável à procura de soluções mais justas e partilhadas para a situação existente», acrescentam.
Assim, «face à agudização das tensões políticas e sociais na Grécia, os signatários apelam à solidariedade com o povo grego e à criação de condições que permitam respostas democráticas e consistentes de uma Europa solidária aos problemas sociais e aos direitos das pessoas».
Entre os mais de 30 signatários deste texto estão ainda nomes como Ana Gomes, Anselmo Borges, António Reis, Boaventura Sousa Santos, Diana Andringa, Isabel Moreira, José Barata Moura, José Castro Caldas, José Mattoso, José Medeiros Ferreira, Maria de Jesus Barroso Soares, Rui Tavares, Simonetta Luz Afonso e Vítor Ramalho.»
quarta-feira, fevereiro 15, 2012
OS FERIADOS
Uma notícia nas páginas interiores dos Jornais, diz que a supressão dos feriados religiosos só deverá acontecer em 2013, por alegadamente essa matéria estar consignada na Concordata (Tratado entre a Igreja Católica e o estado português).
De tudo quanto li e li muita coisa, os feriados em geral não fazem parte da Concordata. O que o Estado Português se obriga a respeitar são os Domingos para celebração do descanso semanal cristão/católico. Embora esta interdição me faça uma certa confusão. E os empregados(as) dos supermercados e de bombas de gasolina e restaurantes e… Nesses locais só trabalham ateus ou cidadãos de outras confissões religiosas que se marimbam para o dia de descanso do Senhor? E para autorizar esta salganhada a Concordata não foi considerada?
Para romper com tratados estabelecidos com os trabalhadores o Governo legisla, a maioria na Assembleia da República aprova e lá se vai mais um tratado. Os tratados com a Igreja (ainda que só tácticos) são mais difíceis de terminar. Os ministros e os deputados são católicos (seja lá isso o que for) e têm receio de ir parar ao Inferno.
No inferno estamos nós população portuguesa.
Uma notícia nas páginas interiores dos Jornais, diz que a supressão dos feriados religiosos só deverá acontecer em 2013, por alegadamente essa matéria estar consignada na Concordata (Tratado entre a Igreja Católica e o estado português).
De tudo quanto li e li muita coisa, os feriados em geral não fazem parte da Concordata. O que o Estado Português se obriga a respeitar são os Domingos para celebração do descanso semanal cristão/católico. Embora esta interdição me faça uma certa confusão. E os empregados(as) dos supermercados e de bombas de gasolina e restaurantes e… Nesses locais só trabalham ateus ou cidadãos de outras confissões religiosas que se marimbam para o dia de descanso do Senhor? E para autorizar esta salganhada a Concordata não foi considerada?
Para romper com tratados estabelecidos com os trabalhadores o Governo legisla, a maioria na Assembleia da República aprova e lá se vai mais um tratado. Os tratados com a Igreja (ainda que só tácticos) são mais difíceis de terminar. Os ministros e os deputados são católicos (seja lá isso o que for) e têm receio de ir parar ao Inferno.
No inferno estamos nós população portuguesa.
terça-feira, fevereiro 14, 2012
Dificuldade de Governar (BERTOLT BRECHT)
3
Se governar fosse fácilNão havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Fuhrer
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
É só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4
Ou será queGovernar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a entender?
Landmesser recusou fazer a saudação ao fuhrer e por isso foi preso, enviado para a frente russa onde desapareceu. Tudo porque ousou casar com uma judia. O Ministro alemão das Finançãs é a pessoa que pode aceitar os pedidos à boquinha pequena do seu homólogo português, para nos aliviar a carga que tranportamos aos ombros. A actual Fuhrer alemã dá-se ao luxo de avaliar as regiões portuguesas e de criticar a forma como usam os sues fundos. O alemão que dirige o grupo dos eurodeputados informa-nos de que não devemos ter relações com as ex-colónias portuguesas.
E eu é que sou xenófobo?
Cada vez gosto mais de mim.
segunda-feira, fevereiro 13, 2012
NÃO ESTÃO CÁ BEM? - EMIGREM
depois alguém se vai queixar...
Aposentado de 90 anos tem três mulheres, 69 filhos e 100 netos no RN
Luiz Costa filho de Português de Mirandela teve 17 filhos com atual mulher e outros 13 filhos com a sogra.
Não contente, casou também com a cunhada, com quem teve 15 herdeiros.
Glauco Araújo Do G1, em São Paulo
"Luiz Costa de Oliveira, 90 anos, com as três mulheres, na frente de casa, em Campo Grande. Da esquerrda para direita; Ozelita Francisca, 58 anos, Maria Francisca, 69 anos; e Francisca Maria, 89 anos (Foto: Júnior Liberato/Arquivo Pessoal)
O aposentado Luiz Costa de Oliveira, 90 anos, é viúvo do primeiro casamento, o que lhe rendeu cuidar sozinho de 17 filhos em uma casa humilde no sertão de Campo Grande (RN). Paquerador nato, ele não deixou, como gosta de dizer, a "peteca cair" e se casou novamente, por três vezes. O detalhe é que ele não ficou viúvo outra vez e nem se separou das primeiras esposas. Hoje, ele mora com três mulheres, a segunda companheira, a sogra e sua cunhada. Com elas, Oliveira teve 45 filhos.
Paquerador e insaciável, o aposentado ainda conseguiu arrumar tempo para mais três mulheres, todas relações que considera extraconjugais, que resultaram em outros sete filhos. Somando a prole de cada um dos relacionamento, ele construiu uma família (ou famílias) com 69 filhos, 100 netos e 60 bisnetos.
A primeira mulher da história de vida de Oliveira se chamava Francisca. "Deus quis levá-la e assim foi, mas me deixou 17 filhos". O tempo passou e ele conheceu outra Francisca, por quem se apaixonou, era Maria Francisca da Silva, hoje com 69 anos. "Com esta tive mais 17 filhos."
O terceiro relacionamento de Oliveira começou quando sua sogra passou a frequentar sua casa diariamente para cuidar de Maria Francisca em suas gestações. "A gente foi se conhecendo melhor e tive mais 13 filhos", disse ele.
Por causa das gestações de sua sogra, que se transformou em esposa, a nora Ozelita Francisca da Silva, 58 anos, passou a frequentar a casa de Oliveira também. Desta vez, os cuidados eram direcionados para sua sogra-esposa. "Fizemos 15 filhos".
Dos filhos de Oliveira, apenas 31 estão vivos.
Ciúmes de "mãe e filhas"
Semana passada, as filhas estavam brigadas com a mãe. As três estavam com ciúmes do marido, o mesmo das três. "A gente vive aqui na minha casa. A minha casa é pequena, com quarto, sala, cozinha e banheiro. Não tem muito conforto, mas dá pra fazer amor. Quando eu faço amor é sempre na mesma casa, no mesmo quarto.", disse Oliveira.
Além dos filhos com as três atuais mulheres e da falecida Francisca, Oliveira disse que a fama de "bom homem" atrai a atenção de outras mulheres. "A gente passa e as mulheres ficam olhando. Não sou assim bonito como dizem, mas tenho minhas qualidades."
O aposentado revelou ao G1 o segredo para tanta vitalidade. "Não bebo, não fumo, me alimento bem e durmo melhor ainda". Oliveira não quis explicar como faz para se dividir entre as três mulheres na mesma casa. "Tem espaço pra todas. Pra fazer amor não tem hora e nem lugar. basta querer."
Oliveira disse que sabe o nome de todos os 69 filhos, mas que tem horas que a memória não ajuda. "Se eu vejo pessoalmente eu sei quem é a mãe e nome vem na cabeça."
Os 100 netos já é uma operação mais complicada para Oliveira lembrar o nome de todos. "É muita gente, mas é gostoso. O nome deles quem sabe são os pais."
Os sete filhos que teve com outras três mulheres, em relacionamentos extraconjugais, Oliveira não tem tanto contato. "Eu sei onde moram, onde estão as mães, mas não temos o convívio". "
depois alguém se vai queixar...
Aposentado de 90 anos tem três mulheres, 69 filhos e 100 netos no RN
Luiz Costa filho de Português de Mirandela teve 17 filhos com atual mulher e outros 13 filhos com a sogra.
Não contente, casou também com a cunhada, com quem teve 15 herdeiros.
Glauco Araújo Do G1, em São Paulo
"Luiz Costa de Oliveira, 90 anos, com as três mulheres, na frente de casa, em Campo Grande. Da esquerrda para direita; Ozelita Francisca, 58 anos, Maria Francisca, 69 anos; e Francisca Maria, 89 anos (Foto: Júnior Liberato/Arquivo Pessoal)
O aposentado Luiz Costa de Oliveira, 90 anos, é viúvo do primeiro casamento, o que lhe rendeu cuidar sozinho de 17 filhos em uma casa humilde no sertão de Campo Grande (RN). Paquerador nato, ele não deixou, como gosta de dizer, a "peteca cair" e se casou novamente, por três vezes. O detalhe é que ele não ficou viúvo outra vez e nem se separou das primeiras esposas. Hoje, ele mora com três mulheres, a segunda companheira, a sogra e sua cunhada. Com elas, Oliveira teve 45 filhos.
Paquerador e insaciável, o aposentado ainda conseguiu arrumar tempo para mais três mulheres, todas relações que considera extraconjugais, que resultaram em outros sete filhos. Somando a prole de cada um dos relacionamento, ele construiu uma família (ou famílias) com 69 filhos, 100 netos e 60 bisnetos.
A primeira mulher da história de vida de Oliveira se chamava Francisca. "Deus quis levá-la e assim foi, mas me deixou 17 filhos". O tempo passou e ele conheceu outra Francisca, por quem se apaixonou, era Maria Francisca da Silva, hoje com 69 anos. "Com esta tive mais 17 filhos."
O terceiro relacionamento de Oliveira começou quando sua sogra passou a frequentar sua casa diariamente para cuidar de Maria Francisca em suas gestações. "A gente foi se conhecendo melhor e tive mais 13 filhos", disse ele.
Por causa das gestações de sua sogra, que se transformou em esposa, a nora Ozelita Francisca da Silva, 58 anos, passou a frequentar a casa de Oliveira também. Desta vez, os cuidados eram direcionados para sua sogra-esposa. "Fizemos 15 filhos".
Dos filhos de Oliveira, apenas 31 estão vivos.
Ciúmes de "mãe e filhas"
Semana passada, as filhas estavam brigadas com a mãe. As três estavam com ciúmes do marido, o mesmo das três. "A gente vive aqui na minha casa. A minha casa é pequena, com quarto, sala, cozinha e banheiro. Não tem muito conforto, mas dá pra fazer amor. Quando eu faço amor é sempre na mesma casa, no mesmo quarto.", disse Oliveira.
Além dos filhos com as três atuais mulheres e da falecida Francisca, Oliveira disse que a fama de "bom homem" atrai a atenção de outras mulheres. "A gente passa e as mulheres ficam olhando. Não sou assim bonito como dizem, mas tenho minhas qualidades."
O aposentado revelou ao G1 o segredo para tanta vitalidade. "Não bebo, não fumo, me alimento bem e durmo melhor ainda". Oliveira não quis explicar como faz para se dividir entre as três mulheres na mesma casa. "Tem espaço pra todas. Pra fazer amor não tem hora e nem lugar. basta querer."
Oliveira disse que sabe o nome de todos os 69 filhos, mas que tem horas que a memória não ajuda. "Se eu vejo pessoalmente eu sei quem é a mãe e nome vem na cabeça."
Os 100 netos já é uma operação mais complicada para Oliveira lembrar o nome de todos. "É muita gente, mas é gostoso. O nome deles quem sabe são os pais."
Os sete filhos que teve com outras três mulheres, em relacionamentos extraconjugais, Oliveira não tem tanto contato. "Eu sei onde moram, onde estão as mães, mas não temos o convívio". "
sábado, fevereiro 11, 2012
DEUS É NOSSO AMIGO
Quando Deus fez o mundo, para que os homens prosperassem, decidiu dar-lhes apenas duas virtudes .
Assim, mandou ao seu anjo-secretário que anotasse quais seriam os dons :
- Aos Suíços, os fez estudiosos e respeitadores da lei.
- Aos Ingleses, organizados e pontuais.
- Aos Argentinos, chatos e arrogantes.
- Aos Japoneses, trabalhadores e disciplinados.
- Aos Italianos, alegres e românticos.
- Aos Franceses, cultos e finos.
- Aos Portugueses, inteligentes, honestos e socialistas.
O anjo anotou, mas logo em seguida, cheio de humildade e de medo, indagou:
- Senhor, a todos os povos do mundo foram dadas duas virtudes, porém, aos Portugueses foram dadas três! Isto não os fará soberbos em relação aos outros povos da terra?
- Muito bem observado, bom anjo! exclamou o Senhor. Isso é verdade! Façamos então uma correcção! De agora em diante, os portugueses, povo do meu coração, manterão esses três dons, mas nenhum deles poderá utilizar mais de dois simultaneamente, para ficarem iguais aos outros povos!
Quando Deus fez o mundo, para que os homens prosperassem, decidiu dar-lhes apenas duas virtudes .
Assim, mandou ao seu anjo-secretário que anotasse quais seriam os dons :
- Aos Suíços, os fez estudiosos e respeitadores da lei.
- Aos Ingleses, organizados e pontuais.
- Aos Argentinos, chatos e arrogantes.
- Aos Japoneses, trabalhadores e disciplinados.
- Aos Italianos, alegres e românticos.
- Aos Franceses, cultos e finos.
- Aos Portugueses, inteligentes, honestos e socialistas.
O anjo anotou, mas logo em seguida, cheio de humildade e de medo, indagou:
- Senhor, a todos os povos do mundo foram dadas duas virtudes, porém, aos Portugueses foram dadas três! Isto não os fará soberbos em relação aos outros povos da terra?
- Muito bem observado, bom anjo! exclamou o Senhor. Isso é verdade! Façamos então uma correcção! De agora em diante, os portugueses, povo do meu coração, manterão esses três dons, mas nenhum deles poderá utilizar mais de dois simultaneamente, para ficarem iguais aos outros povos!
sexta-feira, fevereiro 10, 2012
SINAIS DOS TEMPOS
Peniche: Holandês preso por tráfico de droga apresenta queixa por não ter acusação traduzida
Peniche, 08 fev (Lusa) – Um cidadão holandês, acusado de tráfico de droga, vai avançar com uma queixa à Comissão Europeia dos Direitos do Homem, por se encontrar preso preventivamente desde junho, sem ter sido notificado da acusação na sua língua.
“Vamos avançar uma queixa na Comissão Europeia dos Direitos do Homem por o meu cliente estar votado ao abandono pela justiça portuguesa, à espera que traduzam para a sua língua [holândes] a acusação de que foi notificado em português, que ele não percebe”, disse à Lusa o advogado Machado Vilela.
A decisão do advogado surge depois de o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) ter indeferido um pedido de habeas corpus [garantia constitucional em favor de quem sofre violência ou ameaça de constrangimento ilegal na sua liberdade de locomoção] de Albertus Jan Versteeg, preso preventivamente, no estabelecimento prisional de Leiria, desde junho de 2011.
Albertus Jan Versteeg foi preso a 2 de junho, quando a GNR intercetou uma embarcação de que é proprietário, transportada por terra entre Portimão e Peniche, na qual foram encontrados, dissimulados no casco, 1300 quilos de haxixe.
Na acusação, a que a Lusa teve acesso, o Ministério Público (MP) sustenta que o holandês faz parte de uma rede internacional de tráfico que integra outros cidadãos estrangeiros, e que a embarcação, de nome “Laura”, foi usada no transporte da droga de Marrocos para Portugal.
Albertus Jan Versteeg foi notificado da acusação, deduzida em dezembro de 2011, “numa língua que desconhece [português] e obrigado assinar o despacho de notificação” o que, segundo o advogado, “viola o código do processo penal”.
Esse não foi, no entanto, o entendimento do Supremo Tribunal de Justiça que indeferiu o pedido de habeas corpus considerando que o facto de o arguido não ter sido notificado em língua holandesa “não é fundamento suficiente”, refere o acórdão.
Considerando que a decisão não se enquadra “nas regras de um estado de direito”, Machado Vilela questiona mesmo o presidente do STJ, sobre se “manteria o mesmo entendimento se fosse preso no Qatar [Médio Oriente] com uma garrafa de vinho no porta luvas e fosse notificado da acusação em árabe, sem a perceber”.
O advogado adiantou que vai pedir que o arguido seja julgado por um Tribunal de Júri.
Transportar droga para ser revendida e distribuída à porta das escolas e universidades, em bares e discotecas, conduzindo milhares de jovens a dependências que em certos casos os conduzirão à morte, não exigirá tradução para português e respectiva retroversão.
Para cometer crimes não é necessário um dicionário. Para defesa de arguidos apanhados em flagrante, todos os expedientes da lei servem.
O que é grave em tudo isto é que o dinheiro envolvido neste tipo de comércio dá para tudo. Só o desgraçado que roubou no “pingo doce” um champô” foi condenado à revelia em um ano de prisão.
Peniche: Holandês preso por tráfico de droga apresenta queixa por não ter acusação traduzida
Peniche, 08 fev (Lusa) – Um cidadão holandês, acusado de tráfico de droga, vai avançar com uma queixa à Comissão Europeia dos Direitos do Homem, por se encontrar preso preventivamente desde junho, sem ter sido notificado da acusação na sua língua.
“Vamos avançar uma queixa na Comissão Europeia dos Direitos do Homem por o meu cliente estar votado ao abandono pela justiça portuguesa, à espera que traduzam para a sua língua [holândes] a acusação de que foi notificado em português, que ele não percebe”, disse à Lusa o advogado Machado Vilela.
A decisão do advogado surge depois de o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) ter indeferido um pedido de habeas corpus [garantia constitucional em favor de quem sofre violência ou ameaça de constrangimento ilegal na sua liberdade de locomoção] de Albertus Jan Versteeg, preso preventivamente, no estabelecimento prisional de Leiria, desde junho de 2011.
Albertus Jan Versteeg foi preso a 2 de junho, quando a GNR intercetou uma embarcação de que é proprietário, transportada por terra entre Portimão e Peniche, na qual foram encontrados, dissimulados no casco, 1300 quilos de haxixe.
Na acusação, a que a Lusa teve acesso, o Ministério Público (MP) sustenta que o holandês faz parte de uma rede internacional de tráfico que integra outros cidadãos estrangeiros, e que a embarcação, de nome “Laura”, foi usada no transporte da droga de Marrocos para Portugal.
Albertus Jan Versteeg foi notificado da acusação, deduzida em dezembro de 2011, “numa língua que desconhece [português] e obrigado assinar o despacho de notificação” o que, segundo o advogado, “viola o código do processo penal”.
Esse não foi, no entanto, o entendimento do Supremo Tribunal de Justiça que indeferiu o pedido de habeas corpus considerando que o facto de o arguido não ter sido notificado em língua holandesa “não é fundamento suficiente”, refere o acórdão.
Considerando que a decisão não se enquadra “nas regras de um estado de direito”, Machado Vilela questiona mesmo o presidente do STJ, sobre se “manteria o mesmo entendimento se fosse preso no Qatar [Médio Oriente] com uma garrafa de vinho no porta luvas e fosse notificado da acusação em árabe, sem a perceber”.
O advogado adiantou que vai pedir que o arguido seja julgado por um Tribunal de Júri.
Transportar droga para ser revendida e distribuída à porta das escolas e universidades, em bares e discotecas, conduzindo milhares de jovens a dependências que em certos casos os conduzirão à morte, não exigirá tradução para português e respectiva retroversão.
Para cometer crimes não é necessário um dicionário. Para defesa de arguidos apanhados em flagrante, todos os expedientes da lei servem.
O que é grave em tudo isto é que o dinheiro envolvido neste tipo de comércio dá para tudo. Só o desgraçado que roubou no “pingo doce” um champô” foi condenado à revelia em um ano de prisão.
quinta-feira, fevereiro 09, 2012
SOMOS TODOS GREGOS
Quando Portugal aderiu à União Europeia, foi-nos dito que essa era a forma de defendermos para além da nossa integridade territorial e da nossa memória como nação, o nosso futuro enquanto parte integrante de uma Europa do Atlântico aos Urais.
Isto pressupunha que enquanto nação faríamos parte de uma grande família, coesa e disponível para se defender colectivamente dos ataques que lhe fossem movidos. Mais tarde, a adesão a uma moeda única veio emprestar brilho a esta unidade. Colectivamente fomos convidados a participar num grande espaço económico, pronto a disputar com os EEUU e com os mercados asiáticos uma hegemonia que não poderia ser cedida de ânimo leve.
Mal poderíamos adivinhar nessa altura que os técnicos da economia que lançaram tal projecto não tinham desenvolvido mecanismos de análise e de fiscalização das economias dos países participantes, de forma a impedir devaneios narcisistas que pudessem por em causa o objectivo comum. Isto é, não sabíamos mas nós portugueses deveríamos ter desconfiado. Quando um projecto desta envergadura convida um peixe chamado cherne, para presidir aos seus destinos, é porque alguma coisa vai mal.
Juntámo-nos com o propósito de unidos melhor nos defendermos. Mas ao menor sinal de perigo, isolámos um nosso parceiro (a Irlanda), olhámos para o lado e começamos a assobiar. A seguir veio outro dos nossos co-participantes (a Grécia) e repetimos os gestos anteriores, ensaiando mais um slogan: “Nós não somos a Grécia”. E isto começou a soar por todo o lado. Como se sermos a Grécia fosse um anátema. Isto é, em vez de nos colocarmos ao lado da Irlanda e da Grécia, na sua luta por um futuro melhor, temos vindo a abandonar esses países à sua sorte como se fossem portadores de lepra.
Afinal onde está a Unidade Europeia? Alguns falharam. Mas a culpa terá sido só deles ou foi colectiva por não termos sido prevenidos? Em vez de irmos em seu socorro, afastámo-nos como se deitassem mau cheiro. É isto que representa a Unidade Europeia? Foi isto que nos prometeram? Quando a Alemanha chacinou mais de 10 milhões de pessoas em todo o Mundo, não formámos uma barreira de defesa contra o egoísmo Alemão? E agora? Quantas pessoas não ficaram já na miséria com as exigências da Alemanha? Que já se dá ao luxo de julgar os outros países. E quem a julgou a ela? Já pagou a Alemanha as centenas de milhares de milhões de devastação que provocou em toda a Europa?
Eu sou grego. Eu entendo que todos devem acompanhar a Grécia e não demarcar-se dela. Que os palhaços que nos governam o façam é lá com eles. Mas nós, cidadãos europeus devemos por um travão a esse tipo de mediocridade. Ou então, de uma vez por todas acabemos com esta farsa da União Europeia. Ou seremos gregos, ou não seremos nada.
Quando Portugal aderiu à União Europeia, foi-nos dito que essa era a forma de defendermos para além da nossa integridade territorial e da nossa memória como nação, o nosso futuro enquanto parte integrante de uma Europa do Atlântico aos Urais.
Isto pressupunha que enquanto nação faríamos parte de uma grande família, coesa e disponível para se defender colectivamente dos ataques que lhe fossem movidos. Mais tarde, a adesão a uma moeda única veio emprestar brilho a esta unidade. Colectivamente fomos convidados a participar num grande espaço económico, pronto a disputar com os EEUU e com os mercados asiáticos uma hegemonia que não poderia ser cedida de ânimo leve.
Mal poderíamos adivinhar nessa altura que os técnicos da economia que lançaram tal projecto não tinham desenvolvido mecanismos de análise e de fiscalização das economias dos países participantes, de forma a impedir devaneios narcisistas que pudessem por em causa o objectivo comum. Isto é, não sabíamos mas nós portugueses deveríamos ter desconfiado. Quando um projecto desta envergadura convida um peixe chamado cherne, para presidir aos seus destinos, é porque alguma coisa vai mal.
Juntámo-nos com o propósito de unidos melhor nos defendermos. Mas ao menor sinal de perigo, isolámos um nosso parceiro (a Irlanda), olhámos para o lado e começamos a assobiar. A seguir veio outro dos nossos co-participantes (a Grécia) e repetimos os gestos anteriores, ensaiando mais um slogan: “Nós não somos a Grécia”. E isto começou a soar por todo o lado. Como se sermos a Grécia fosse um anátema. Isto é, em vez de nos colocarmos ao lado da Irlanda e da Grécia, na sua luta por um futuro melhor, temos vindo a abandonar esses países à sua sorte como se fossem portadores de lepra.
Afinal onde está a Unidade Europeia? Alguns falharam. Mas a culpa terá sido só deles ou foi colectiva por não termos sido prevenidos? Em vez de irmos em seu socorro, afastámo-nos como se deitassem mau cheiro. É isto que representa a Unidade Europeia? Foi isto que nos prometeram? Quando a Alemanha chacinou mais de 10 milhões de pessoas em todo o Mundo, não formámos uma barreira de defesa contra o egoísmo Alemão? E agora? Quantas pessoas não ficaram já na miséria com as exigências da Alemanha? Que já se dá ao luxo de julgar os outros países. E quem a julgou a ela? Já pagou a Alemanha as centenas de milhares de milhões de devastação que provocou em toda a Europa?
Eu sou grego. Eu entendo que todos devem acompanhar a Grécia e não demarcar-se dela. Que os palhaços que nos governam o façam é lá com eles. Mas nós, cidadãos europeus devemos por um travão a esse tipo de mediocridade. Ou então, de uma vez por todas acabemos com esta farsa da União Europeia. Ou seremos gregos, ou não seremos nada.
quarta-feira, fevereiro 08, 2012
GENTE PIEGAS
Era o que faltava. Tiram-nos tudo e chamam-nos piegas. Pedem-nos que acreditemos no futuro e insultam-nos. Apelam à nossa boa vontade e à nossa solidariedade e chamam-nos papa-açordas. Somos carneirada na mão destes “sacanas” e ainda por cima acham que não temos razão em pestanejarmos.
Vem um e fende os militares. E a carneirada verga-se. Vem outro e ofende os comunistas. E eles amocham. Vem o patrão de todos e afinca-lhe na cabeça de todo um povo e a gente fica-se.
Eu sei o que eles querem. Uma revolta generalizada. Conflitos de classe e sociais. Depois dizem que com o país virado do avesso não é possível endireitar nada e dão de frosques. Arrancam daqui para os paraísos fiscais onde os espera o prémio de serviço cumprido.
Quando aqui há dias ouvi aquele canadiano idiota a quem pagam para não fazer nada, dizer que os comunistas odeiam os imigrantes fiquei siderado. Eu já sabia que ele se estava borrifando para a História do povo Português. Agora o que não sabia era que também acumulava ignorâncias. Dizer que os comunistas odeiam os imigrantes é o mesmo que dizer que o Papa não reza o “Pai-Nosso”. Acredito que os comunistas não gostem do Ministro da Economia. Sem ser tirar dinheiro, feriados e regalias aos que trabalham, o que é que este “imigrante-saloio” trouxe ao nosso país? Alguma vez trabalhou sem ser a dar aulas transmitindo conhecimentos que lhe foram transmitidos? Em que fábricas foi exemplo na criação de riqueza. Já cá temos intelectuais que chegam. Devolvam-no aos gelos canadianos e que fique por lá. Imigrantes destes são dispensáveis. Quantos foram os postos de trabalho que este Ministro da treta criou?
E piegas somos nós?
Era o que faltava. Tiram-nos tudo e chamam-nos piegas. Pedem-nos que acreditemos no futuro e insultam-nos. Apelam à nossa boa vontade e à nossa solidariedade e chamam-nos papa-açordas. Somos carneirada na mão destes “sacanas” e ainda por cima acham que não temos razão em pestanejarmos.
Vem um e fende os militares. E a carneirada verga-se. Vem outro e ofende os comunistas. E eles amocham. Vem o patrão de todos e afinca-lhe na cabeça de todo um povo e a gente fica-se.
Eu sei o que eles querem. Uma revolta generalizada. Conflitos de classe e sociais. Depois dizem que com o país virado do avesso não é possível endireitar nada e dão de frosques. Arrancam daqui para os paraísos fiscais onde os espera o prémio de serviço cumprido.
Quando aqui há dias ouvi aquele canadiano idiota a quem pagam para não fazer nada, dizer que os comunistas odeiam os imigrantes fiquei siderado. Eu já sabia que ele se estava borrifando para a História do povo Português. Agora o que não sabia era que também acumulava ignorâncias. Dizer que os comunistas odeiam os imigrantes é o mesmo que dizer que o Papa não reza o “Pai-Nosso”. Acredito que os comunistas não gostem do Ministro da Economia. Sem ser tirar dinheiro, feriados e regalias aos que trabalham, o que é que este “imigrante-saloio” trouxe ao nosso país? Alguma vez trabalhou sem ser a dar aulas transmitindo conhecimentos que lhe foram transmitidos? Em que fábricas foi exemplo na criação de riqueza. Já cá temos intelectuais que chegam. Devolvam-no aos gelos canadianos e que fique por lá. Imigrantes destes são dispensáveis. Quantos foram os postos de trabalho que este Ministro da treta criou?
E piegas somos nós?
segunda-feira, fevereiro 06, 2012
CHEGA! BASTA!
Surpreendente. Este Governo rouba-nos as memórias do nosso querer conjunto que nos tornou Nação. Já lá vai o 5 de Outubro. O 1º de Dezembro já era. Falta o 25 de Abril que a seu tempo terá o destino que as outras comemorações tiveram, o caixote do lixo. E por uma maioria de razões.
Já nos roubaram vencimentos. E subsídios. Tudo faz parte de uma teia ardilosamente montada para retirar soluções de sobrevivência à classe média e fazer de Portugal exclusivamente um país de branco ou negro. Isto é, de ricos e pobres. Nada de cinzentos.
Refilam os comunistas e os bloquistas que os alcandoraram ao poder. Melhor que o PEC IV só isto que temos agora. Não me irei esquecer dessa gente em futuras eleições. Resta saber se não recebem comissão por cada português que se afunda.
Ao PPD/PP/PSD/CDS, e ao gang que os apoia aconselho o visionamento de um filme antigo que encerra uma lição de vida para os torpes e trapaceiros. Vejam o “Homem de Kiev”. Um filme que relata no que se pode tornar um Homem a quem tiram tudo. Quando mais nada lhe poderem tirar, ele pode tornar-se num gigante porque nem a morte já o submeterá.
Vem isto a propósito da última tropelia do snr. Coelho e da troupe com que diz comandar o país. A História mal-contada do Carnaval, que não é o que parece ser. Vocês já roubaram tudo a este povo encarneirado do qual faço parte. Para que ele aguente não lhe roubem nem o seu clube de futebol, nem o Carnaval. Fiquem pobrezinhos e divirtam-se. Assim aguentarão mais umas tropelias. Um governo de burros, com ideias de burros, partindo do princípio que os outros também o são, só pode dar mau resultado. E pode despertar o “Homem de Kiev” que está escondido dentro de cada um de nós.
Surpreendente. Este Governo rouba-nos as memórias do nosso querer conjunto que nos tornou Nação. Já lá vai o 5 de Outubro. O 1º de Dezembro já era. Falta o 25 de Abril que a seu tempo terá o destino que as outras comemorações tiveram, o caixote do lixo. E por uma maioria de razões.
Já nos roubaram vencimentos. E subsídios. Tudo faz parte de uma teia ardilosamente montada para retirar soluções de sobrevivência à classe média e fazer de Portugal exclusivamente um país de branco ou negro. Isto é, de ricos e pobres. Nada de cinzentos.
Refilam os comunistas e os bloquistas que os alcandoraram ao poder. Melhor que o PEC IV só isto que temos agora. Não me irei esquecer dessa gente em futuras eleições. Resta saber se não recebem comissão por cada português que se afunda.
Ao PPD/PP/PSD/CDS, e ao gang que os apoia aconselho o visionamento de um filme antigo que encerra uma lição de vida para os torpes e trapaceiros. Vejam o “Homem de Kiev”. Um filme que relata no que se pode tornar um Homem a quem tiram tudo. Quando mais nada lhe poderem tirar, ele pode tornar-se num gigante porque nem a morte já o submeterá.
Vem isto a propósito da última tropelia do snr. Coelho e da troupe com que diz comandar o país. A História mal-contada do Carnaval, que não é o que parece ser. Vocês já roubaram tudo a este povo encarneirado do qual faço parte. Para que ele aguente não lhe roubem nem o seu clube de futebol, nem o Carnaval. Fiquem pobrezinhos e divirtam-se. Assim aguentarão mais umas tropelias. Um governo de burros, com ideias de burros, partindo do princípio que os outros também o são, só pode dar mau resultado. E pode despertar o “Homem de Kiev” que está escondido dentro de cada um de nós.
sábado, fevereiro 04, 2012
sexta-feira, fevereiro 03, 2012
NÃO HÁ PACHORRA…
Quando se cansam de tricas e mexericos, quando o futebol não está a dar, quando não existam acontecimentos que permitam umas viagenzitas ao exterior, quando já não há mais impostos para punir os que mais miseráveis como se fosse deles a culpa da miséria em que estamos envolvidos, a nossa classe política mais representativa, os nossos ilustres deputados, lembram-se de coisas que nem ao Demo ocorre.
Desta vez ocorreu-lhes criar executivos camarários monocolores. Isto é, quem ganhar as eleições autárquicas terá o direito a escolher todo o executivo camarário, sendo que os restantes partidos não estariam representados na Câmara Municipal. Os escolhidos do Presidente da Câmara poderiam ser exonerados pela Assembleia Municipal, mas o Presidente nunca.
Uma escultura do nosso Eça tem uma frase que se aplicaria direitinha aqui. “Sob a nudez forte da Verdade o manto diáfano da fantasia”. De facto as eleições seriam uma fantasia que serviria para cobrir o nepotismo, o caciquismo mais feroz, o arrivismo mais insolente.
Quem passou pelos executivos municipais “sabe que só sabe” o que o Presidente quer dizer. Quem já por lá passou sabe, que as máquinas da Câmara são colocadas desde o primeiro dia, ao serviço da reeleição não da força política que venceu as últimas eleições, mas do Presidente que foi eleito. Umas vezes da forma mais descarada, outras de forma mais encapotada. Isto é uma verdade Lapalissiana.
A vencer a tese dos executivos monocolores, será um fartar vilanagem.
Felizmente parece não se entenderam as “comadres” e tão insensato e insano projecto, parece ter os dias contados. Aprendi que a classe política é fundamental num regime democrático. Que os Partidos Políticos com as suas diferentes correntes de opinião são a seiva da Democracia. Ao que parece os partidos foram atingidos pela doença das árvores da “pêra rocha”. A seiva foi contaminada e parece estar a secar. A classe política ou está na prisão, ou sob investigação, ou a preparar algum golpe para poder enriquecer ilicitamente de preferência sem que o comum dos mortais o note.
Não são tentativas de auto-preservação no poder, que aproximam os eleitores dos eleitos. Todos temos a consciência de que existe um divórcio cada vez maior entre uns e outros. A forte abstenção aí está para o provar. E no nosso concelho o panorama é tão negro como no resto do País.
Cada vez os eleitos representam menos o que quer que seja. Será isso que pretendem? Se calhar até é. Essa a forma que escolheram para não dar nas vistas e desenvolverem as tropelias com que habitualmente nos premeiam.
Quando se cansam de tricas e mexericos, quando o futebol não está a dar, quando não existam acontecimentos que permitam umas viagenzitas ao exterior, quando já não há mais impostos para punir os que mais miseráveis como se fosse deles a culpa da miséria em que estamos envolvidos, a nossa classe política mais representativa, os nossos ilustres deputados, lembram-se de coisas que nem ao Demo ocorre.
Desta vez ocorreu-lhes criar executivos camarários monocolores. Isto é, quem ganhar as eleições autárquicas terá o direito a escolher todo o executivo camarário, sendo que os restantes partidos não estariam representados na Câmara Municipal. Os escolhidos do Presidente da Câmara poderiam ser exonerados pela Assembleia Municipal, mas o Presidente nunca.
Uma escultura do nosso Eça tem uma frase que se aplicaria direitinha aqui. “Sob a nudez forte da Verdade o manto diáfano da fantasia”. De facto as eleições seriam uma fantasia que serviria para cobrir o nepotismo, o caciquismo mais feroz, o arrivismo mais insolente.
Quem passou pelos executivos municipais “sabe que só sabe” o que o Presidente quer dizer. Quem já por lá passou sabe, que as máquinas da Câmara são colocadas desde o primeiro dia, ao serviço da reeleição não da força política que venceu as últimas eleições, mas do Presidente que foi eleito. Umas vezes da forma mais descarada, outras de forma mais encapotada. Isto é uma verdade Lapalissiana.
A vencer a tese dos executivos monocolores, será um fartar vilanagem.
Felizmente parece não se entenderam as “comadres” e tão insensato e insano projecto, parece ter os dias contados. Aprendi que a classe política é fundamental num regime democrático. Que os Partidos Políticos com as suas diferentes correntes de opinião são a seiva da Democracia. Ao que parece os partidos foram atingidos pela doença das árvores da “pêra rocha”. A seiva foi contaminada e parece estar a secar. A classe política ou está na prisão, ou sob investigação, ou a preparar algum golpe para poder enriquecer ilicitamente de preferência sem que o comum dos mortais o note.
Não são tentativas de auto-preservação no poder, que aproximam os eleitores dos eleitos. Todos temos a consciência de que existe um divórcio cada vez maior entre uns e outros. A forte abstenção aí está para o provar. E no nosso concelho o panorama é tão negro como no resto do País.
Cada vez os eleitos representam menos o que quer que seja. Será isso que pretendem? Se calhar até é. Essa a forma que escolheram para não dar nas vistas e desenvolverem as tropelias com que habitualmente nos premeiam.
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
NUNCA DIGAS…
Os de nós que ainda vão tendo alguma memória recordam-se do tempo em que Cavaco Silva era 1º Ministro e Mário Soares era Presidente da República. A certa altura e a propósito (ou a despropósito) de uma qualquer tomada de posição de Mário Soares, o 1º Ministro de então (Cavaco Silva) veio a terreno dizer que “era necessário não o levar muito a sério e permitir que aquele acabasse o seu mandato com dignidade”.
Dez anos depois, quem mete os pés pelas mãos é o dito cujo Cavaco Silva, que se torna digno de dó por conseguir ser tão pouco solidário com os verdadeiramente necessitados que o ouvem e não compreendem nem o seu egoísmo, nem aquilo que parece ser uma grande dose de insensibilidade.
Dez anos depois Mário Soares continua a ser um dos mais lúcidos políticos portugueses e Cavaco Silva fica nas suas antípodas. Apesar de uma eleição falhada (quando alguns o consideravam velho) Mário Soares continua arguto e lúcido. Infelizmente Cavaco Silva parece estar a perder capacidades à medida que os anos vão passando. O seu discurso de vitória aquando da sua reeleição e esta tirada sobre a sua reforma são demonstrativos mais que suficientes da sua falta de perspicácia política.
Que Deus nos ajude permitindo que o actual Presidente da República acabe o seu mandato com dignidade. Recusei-me a assinar o pedido da sua resignação apesar de não ter votado nele. Acho que isso sublinharia mais ainda a decadência em que caímos.
Os de nós que ainda vão tendo alguma memória recordam-se do tempo em que Cavaco Silva era 1º Ministro e Mário Soares era Presidente da República. A certa altura e a propósito (ou a despropósito) de uma qualquer tomada de posição de Mário Soares, o 1º Ministro de então (Cavaco Silva) veio a terreno dizer que “era necessário não o levar muito a sério e permitir que aquele acabasse o seu mandato com dignidade”.
Dez anos depois, quem mete os pés pelas mãos é o dito cujo Cavaco Silva, que se torna digno de dó por conseguir ser tão pouco solidário com os verdadeiramente necessitados que o ouvem e não compreendem nem o seu egoísmo, nem aquilo que parece ser uma grande dose de insensibilidade.
Dez anos depois Mário Soares continua a ser um dos mais lúcidos políticos portugueses e Cavaco Silva fica nas suas antípodas. Apesar de uma eleição falhada (quando alguns o consideravam velho) Mário Soares continua arguto e lúcido. Infelizmente Cavaco Silva parece estar a perder capacidades à medida que os anos vão passando. O seu discurso de vitória aquando da sua reeleição e esta tirada sobre a sua reforma são demonstrativos mais que suficientes da sua falta de perspicácia política.
Que Deus nos ajude permitindo que o actual Presidente da República acabe o seu mandato com dignidade. Recusei-me a assinar o pedido da sua resignação apesar de não ter votado nele. Acho que isso sublinharia mais ainda a decadência em que caímos.
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