terça-feira, novembro 22, 2016


O PAPA E O ABORTO

A igreja católica tem sido demasiadas vezes apanhada em contramão. Os seus últimos chefes têm vindo a pedir perdão a Norte e a Sul, Este e Oeste, pelos crimes que cometeu durante largos anos. Em nome de Deus, ou de Jesus, ou da sua Igreja torturou, matou, queimou e exterminou civilizações, culturas, etnias e comunidades em genocídios de que nunca foi julgada.

Foram suas vitimas judeus, pretos e amarelos, muçulmanos, pessoas sem qualquer fé, ou aqueles que contestaram os dogmas da Igreja e que com a sua inteligência e independência colocaram em causa o domínio e o poder da chefia romana da igreja católica.

Ainda há poucos dias o Papa Francisco se redimiu pelos crimes da igreja catáolica contra a igreja luterana.

Tudo isto vem a propósito do aborto. Numa comunidade como a de Peniche sempre houve mulheres a praticarem aborto. A D. Efigénia é por demais conhecida por aqueles que hoje têm mais de 50 anos. A seguir a ela quantas Efigénias não acudiram a mulheres da minha terra. Curiosas ou mais preparadas tecnicamente, sempre ajudaram a resolver gravidezes indesejadas. A minha avó fez abortos, a minha mãe fez abortos. Falo delas embora pudesse falar de muitas outras que conheço. E no entanto sempre comungaram. Ninguém que eu conheça, tenha praticado o aborto e seja católica alguma vez deixou de o ser e de comungar.

E no entanto nunca pediram ao Bispo para as perdoar. Como o Padre não o podia fazer significa que comungavam em pecado mortal.

As mulheres da minha terra (entre elas a minha mãe e a minha avó) eram exactamente iguais às mulheres das outras terras por todo este país. Ora foi a esta hipocrisia que o Papa Francisco veio por fim.

As Marias Madalenas são muitas. O coração misericordioso da Igreja tem de ser enorme. Ou então decide continuar a atear fogueiras para queimar hereges. Os mesmos que a destruirão a ela se não souber por fim ao seu ódio pelas pessoas.    

segunda-feira, novembro 21, 2016


O ORÁCULO
O inenarrável baixinho da SIC vai bruxeando as suas afirmações. Ouve-se o “castiço” como se ouve a taróloga. Não é necessário marcar número de valor acrescentado. A SIC que acha que com isto presta serviço público, entrega-nos um homenzinho que os seus confrades rejeitaram, que os portugueses desprezam e que só serve para baralhar o que já está suficientemente confuso. Ele coitado bem se põe em bicos de pés. Mas continua a não chegar ao sítio. Só de escadote. Mas à frente dele já estão todos os que passando pelas jotas conquistaram o lugar e não se afastam um milímetro para ele passar.

Ele está no segredo dos Deuses disto e daquilo. Fala ex-cátedra

Não interessa se acerta ou não. Tantas dirá que alguma acretará.

O anão sabichão tem problemas interiores mal resolvidos. Que melhor dia para lhe dar um microfone que o domingo quando regressamos de férias e sentimos a falta do ruído. O baixinho não diz nada mas faz ruído. Esse o seu único mérito.

 


sábado, novembro 19, 2016


OS DIABETES E A VIDA SEXUAL DE UM CASAL

Um cidadão pouco informado foi ao médico. Este mandou-o fazer um conjunto de análises e disse-lhe para ele lá voltar assim que estivessem prontas.

Passados 15 dias ele voltou ao médico já com os resultados.

O médico viu, viu e no fim disse-lhe:

- Meu caro senhor. Os resultados das suas análises são francamente positivos para aquilo que eu esperava. Mas tem um problema que não está nada bem.

E o utente:

- Que se passa senhor Doutor?

- É que os valores dos seus diabetes estão altíssimos. Isto é perigosíssimo.

- Diabetes senhor Doutor? Mas que raio é isso?

- Eu digo isto de forma simples. Os seus valores de açúcar no sangue são exageradamente altos.

- Ai a grande cabra da minha mulher… Eu mato aquela desgraçada.

- O que se passa sr. Carlos? Porque é que o sr. ficou assim?

- Porque é que eu fiquei assim? Então eu pensava que aquela mulher dum raio fazia aquilo por prazer e afinal faz porque é gulosa…

 

NO CENTRO DE SAÚDE

Em linguagem vernácula de Olhão

Nota prévia:
A maioria das situações são fictícias mas os termos empregues foram recolhidos no Centro de Saúde de Olhão, sendo o espelho da confusão semântica e de vocabulário que tantas vezes existe nas cabeças dos nossos utentes...e ao fim e ao cabo de nós todos.
6h00m da manhã. O Sol já aparecia lindo sobre o azul celeste.

À porta do Centro de Saúde, um pequeno grupo de utentes organizava-se para a marcação da consulta "à vaga".
A maioria já se conhece. Afinal todos são já bem experimentados nesta forma bem própria de utilização da consulta.
Aliás, o Director do Centro de Saúde até mandou instalar uns banquinhos de jardim no local, para tornar a espera mais atractiva.
É uma excelente oportunidade para trocar experiências e conhecimentos, que todos vão acumulando ao longo do seu percurso de contactos com os médicos e hospitais.


A Maria do Céu vai à consulta do "Parlamento", a Dona Gertrudes vai à consulta da "Monopausa" e a Rita é que as corrige informando-as que aquela consulta chama-se de Planeamento Familiar.

Uma tem um "biombo" no "úbero" e leva os resultados duma "fotografia", outra está preocupada com comichões na "serventia" do marido, até porque ele, havia poucos dias, tinha já sido consultado pelo médico por estar com os "alforges" todos inflamados. Alguém logo ali diagnosticou um problema na "aprosta" do marido.

Mais à distância desta conversa, um grupo de senhoras falavam dos métodos contraceptivos e, uma delas, peremptória, afirmava que nunca aceitaria porem-lhe uma "fateixa" dentro da barriga!

Uma outra discordava, e lá lhe foi dizendo que, por causa disso, é que teve tantos filhos, felizmente todos de parto normal, só o último foi de "açoreana", mas aquele que lhe dava mais problemas era o mais velho que já era "toxico-correspondente"!

Noutro local, um grupo de homens mais idoso ia falando da relação entre o "castrol" e a "atenção".

Às tantas um deles começa a explicação cuidada dum acidente que tivera. Por isso é que tinha a vacina contra o "tecto" em dia, mas o acidente estragou-lhe a "tibiotísica" e causou-lhe uma hérnia "fiscal", pelo que tinha ido fazer uma "fotocópia" e um "traque".

Outro referiu que nunca teve problemas de ossos, o seu problema era uma grande "espirrogueira na peitogueira".

Uma senhora, atraída pela conversa, queixava-se de entupimento no "curso" com dores "alucinantes" quando se "abaixava". Além disso cobria-se de suores e "gómitos", ficava "almariada" e tudo acabava com uma forte "encacheca", ficando cerca de 3 dias com cara de "caveira misteriosa". Alguém lhe falou nuns supositórios que a poderiam ajudar mas ela já os conhecia, aparentemente tinham sido muito difíceis de engolir, pelo que o melhor ainda era o "clistério".

Finalmente, uma outra senhora queixava-se da "úrsula" no "estambo", pelo que vinha mostrar o resultado duma "endocuspia" e ainda algumas análises especiais, como a Proteína C "Reaccionária".

8h30m da manhã. Ainda havia muito para conversar mas a Inês, jovem funcionária administrativa do Centro de Saúde, obviamente tarefeira, acaba de chegar. Os funcionários administrativos não podem chegar atrasados, caso contrário, confundir-se- -iam com os doutores.

- Quem é o primeiro, se faz favor? Ora diga lá o seu nome?
- Josefina Trindade.
- Idade?
- 67 anos.
- Estado?
- Constipada, muito constipada!

9h00m da manhã. Aparece a enfermeira Freitas que grita para a pequena multidão barulhenta que cerca a Inês:

- Quem está para medir as tensões? É você? Então entre e diga-me qual é o seu problema?

- Sabe, senhora enfermeira, o meu problema é ter uma doença "arrendatária" que "arrendei" do meu pai e já me levou uma vez aos cuidados "utensílios" do hospital. Afecta-me as "cruzes renais" e por isso dá-me muita "humidade à volta do coração". Aliás, o doutor pediu-me uma "pilografia" e um "aerograma" que aqui trago e recomendou-me beber pouca água.

Finalmente, chega o médico, que logo dá início às consultas:

- Então de que se queixa?
- De uma angina de peito, senhor doutor. Tudo começou há uma semana quando fui às urgências. O médico disse-me que era uma angina na garganta, mas a angina começou a descer e agora apanha-me o peito todo!

Aos poucos, os utentes iam entrando e saindo, com melhor ou pior cara.

Alguns perguntavam à Inês onde era o "pechiché da retrosaria" para pagarem a taxa moderadora.

 

 

quinta-feira, novembro 17, 2016

Pós verdade:
“adjectivo que se aplica a circunstâncias em que os factos objectivos são menos importantes na formação da opinião pública do que os apelos do foro emocional”.


Fundamental ter isto em atenção quando se ouvem ou leem, os políticos sejam eles das Câmaras ou de nível nacional, os comentadores políticos, as redes sociais, ou ainda os dirigentes desportivos.

quarta-feira, novembro 16, 2016

terça-feira, novembro 15, 2016


UMA OPINIÃO A CONSIDERAR

O Jornal “Publico de 14/11 pp publica uma longa tese do ex-Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, sobre a eleição do sr. Trump do que lhe deu origem e do que poderemos pensar que será um futuro próximo. Bem sei que isto não corresponde ao que se espera de um blog. Mas sinto que é minha obrigação como cidadão, divulgar neste tempo o pouco que se vai publicando na imprensa e que constitui uma pedrada no charco da futilidade em que se transformou a opinião publicada. Com a devida vénia transcrevemos do "Pùblico" o ensaio do Dr. Jorge Sampaio:

 

A nova Europa dividida num contexto internacional de incertezas. E nós?

Por Jorge Sampaio

 

o optar por me debruçar aqui sobre a “questão europeia”, chamemos-lhe assim, o meu objectivo não é trazer à colação certezas e ideias feitas acerca da Europa, do seu passado e do futuro, mas antes tentar desbravar um caminho de interrogações e perplexidades, que são afinal as de um europeu convicto, que teima em continuar a sê-lo, mas que se confronta com um conjunto de contradições, dilemas e perguntas para as quais as respostas não parecem óbvias nos tempos que correm. Ou seja, e este é o meu ponto de partida, as convicções outrora firmes que me acostumara a assumir como premissas inabaláveis de um europeísmo esclarecido estão hoje, em 2016, algo toldadas pela acumulação de dúvidas nascidas da confrontação com a realidade — o tal reality check, como bem se diz em língua inglesa —, assim como pela acentuada e generalizada erosão da confiança na Europa, no seu funcionamento, na sua capacidade de cuidar dos bens públicos europeus e de responder às expectativas dos cidadãos.

Em suma, tentarei fazer nestas páginas um exercício de militantismo europeu, na certeza de que a dinâmica do capitalismo global, tal como se desenvolveu e se afirma no nosso tempo à escala planetária, exige da Europa e dos países europeus a determinação de se constituir como uma alternativa sólida, por um lado, à financeirização da economia e, por outro, ao capitalismo autoritário de “valores asiáticos”, por assim dizer. Se esta alternativa coincide com a União Europeia, tal como a conhecemos hoje, ou se exige uma outra Europa, é uma questão que está em aberto e cujos contornos aqui procurarei, precisamente, delinear.

À partida, direi, como posição de princípio, que é na fractura aberta pelas insuficiências da actual Europa que importa trabalhar, mesmo se para tal for necessário quebrar alguns tabus, colocar questões inconvenientes e formular “hipóteses fora da caixa”.

União Europeia, 60 anos em 2017

Está já anunciada, para o próximo ano, uma cimeira extraordinária para comemorar o 60.º aniversário dos Tratados de Roma, assinados a 25 de Março de 1957, os quais, como é bem sabido, deram origem à actual União Europeia. Celebrações do género têm povoado a vida europeia, sendo que, desta vez, as questões da participação ou não do Reino Unido e a proximidade das eleições presidenciais francesas — cuja 1.ª volta está prevista para 23 de Abril — poderão vir a dominar ou mesmo a ensombrar as referidas comemorações, para não referir sequer a incerteza que paira sobre o futuro político em Itália ou da própria Alemanha, onde haverá também eleições legislativas no Outono do próximo ano. De qualquer forma, para além da coreografia habitual que inclui discursos de ocasião e a tradicional fotografia de família, o facto mais relevante será o documento a apresentar sobre “o nosso futuro comum”, tal como foi decidido e anunciado no Conselho Europeu de Bratislava de Setembro último.

Mas a verdade é que sabemos, de resto bem de mais, o quanto o tema do “futuro da Europa” está hoje gasto e mais do que esgotado, uma vez que consta da agenda europeia desde a adopção do Tratado de Nice, tendo estado, de resto, no centro de vastos e múltiplos debates travados à escala europeia no âmbito da convenção lançada em Dezembro de 2001 e que se prolongou pelos anos seguintes. Não nos esqueçamos do desfecho de todo esse processo, que redundou no abandono do projecto da adopção de um tratado constitucional para a União Europeia, na sequência da sua rejeição por referendo em França e nos Países Baixos em 2005.

Lembro aqui este pedaço da nossa história comum porque, com o passar do tempo, apercebemo-nos melhor do quanto a crise que a Europa atravessa hoje, e que já ninguém nega, tem raízes bem mais profundas, emaranhando razões, falácias e demagogias, disfarçando disfuncionamentos e problemas que foram deixados para trás sem que tivesse havido tentativas sérias de os resolver, a não ser através da convocação de sucessivos grupos de sábios e da apresentação de relatórios sobre o futuro da Europa, depressa deixados de lado…

Por mim, considero que a consistente e reiterada manifestação de movimentos populistas, a que estamos a assistir, correspondem a uma nova e inquietante tendência global, que se expressou já no plano europeu nos referendos de 2005, que se consolidou no "Brexit" e que, no plano nacional, tem dado origem à criação de partidos nacionalistas e a vitória a figuras políticas improváveis.

Mas, fixando-nos, para já, no quadro europeu, olhando para a última década, não nos pode escapar o facto de a União Europeia enfrentar uma clara acumulação de dificuldades, problemas mal resolvidos e alguns estrondosos insucessos, o que faz com que seja hoje consensual o estado de crise crónica do projecto europeu, agravado, sem dúvida, a uma escala sem precedentes, com o resultado do referendo no Reino Unido que levará à sua auto-exclusão da União Europeia.

As dificuldades e desafios são de vária ordem, mas aqui gostaria de começar por identificar duas grandes áreas: a económica, monetária e financeira, por um lado, e a da segurança, do controlo das fronteiras e das migrações, por outro. Em ambos os domínios produziu-se, a meu ver, um ponto de clivagem forte que assinala, porventura, um ponto de não-retorno, cujo desfecho está ainda por determinar.

Sejamos, pois, claros: a crise das dívidas soberanas não foi resolvida, mas basicamente está apenas suspensa devido à intervenção do Banco Central Europeu. Ou seja, os fundamentos da crise continuam presentes, a saber: o baixo crescimento, o alto desemprego e a elevada dívida pública e privada cuja implicação é, respectivamente, a contenção do Estado social e do investimento público e a retracção do investimento privado com recurso a capitais próprios das empresas. Face a esta situação, a verdade é que a resposta da União Europeu (quer da Comissão, quer do Conselho) tem sido claramente insatisfatória: por um lado, como a união bancária (nomeadamente com o mecanismo de garantia de depósitos) continua por completar, a eventualidade de uma nova crise torna-se maior, a qual obviamente atingiria os países mais vulneráveis, incluindo Portugal. Por outro lado, não havendo progressos na união orçamental e mantendo-se a situação actual, não há forma de o orçamento comunitário (ou da zona euro, aliás, inexistente) poder absorver os choques assimétricos que se fazem sentir em países particulares.

Acresce, ainda, que, não se tendo encontrado nenhuma solução global para o problema das dívidas excessivas, se mantém a vulnerabilidade, em particular dos países com maior endividamento, face ao agravamento das suas condições de financiamento.

A interpretação dominante dos tratados, regulamentos e acordos produzidos pelas instituições europeias continua a ser, embora com algumas modulações, a de one size fits all. Ou seja, aquilo que é proposto e de certo modo exigido aos países e aos povos europeus dos países mais vulneráveis é que mantenham por períodos significativos (dez a 15 anos) políticas ou de austeridade ou de forte contenção orçamental e que registem significativos excedentes nas suas contas públicas (de resto, nunca alcançados no passado) dificilmente compagináveis com a manutenção dos seus estados de bem-estar.

Mas o pior é que, de facto, ninguém parece acreditar que Bruxelas (ou Berlim) tenha qualquer iniciativa nos próximos meses para responder à crise da eurozona, para alterar a ortodoxia financeira dos credores ou para criar as condições institucionais e orçamentais que tornem possíveis programas de reforma nas economias mais frágeis. Ora, acontece que também não existe nenhum indicador no sentido da inversão de tendência de crise nos países devedores: a Grécia pode requerer um novo resgate, a negociação sobre o sector bancário italiano não está fechada e, em Portugal, a crise que nunca acabou parece igualmente concentrada no sector bancário.

Em suma, devemos reconhecer que a Europa tem um problema imediato para resolver, e que são as deficiências da moeda única. Há um conflito entre países em torno do cumprimento do Tratado Orçamental, do reforço da união bancária e da definição de elementos de união política.

Como resultado de todas estas questões mal resolvidas ou por resolver, a área dos problemas sociais adquire premência redobrada — como criar emprego, incentivar maior procura na zona euro e promover maior justiça social através da luta contra as desigualdades crescentes?

O conjunto destas dificuldades — monetárias, financeiras, económicas e sociais — tem constituído um ponto de clivagem forte no seio das opiniões públicas europeias, contribuindo para gerar o reforço, agora com fundamentação económica, dos argumentos daqueles que, radicalizados à esquerda ou à direita, apelam ao fim do projecto europeu e ao regresso do proteccionismo e dos nacionalismos.

Como acima já mencionei, deparamo-nos, a meu ver, com uma segunda grande área de problemas relacionados com a segurança: o controlo de fronteiras e as migrações. A forma desastrosa como a União Europeia tem gerido este conjunto de dossiers tem constituído um segundo pólo de fricções e de clivagem no seio das sociedades europeias, designadamente devido às migrações descontroladas do ano passado, à questão da repartição e integração dos refugiados, que continua por resolver.

Importa sublinhar que ligada a esta área de problemas está também a crise do modelo aberto, tolerante e inclusivo das nossas sociedades europeias, a braços com conflitos de ordem cultural e de valores. A dificuldade em lidar com o choque cultural que está a abrir brechas fundas nas nossas sociedades explica — juntamente com as dificuldades económicas e as desigualdades sociais — o esboroamento a olhos vistos da confiança na União Europeia, nas suas instituições e nos seus líderes, com todas as sondagens e estudos de opinião a ilustrarem esta tendência.

É impossível não olhar já para as eleições de 2017 em França e na Alemanha como próximas etapas prováveis desta corrida para o abismo

Isto explica, creio, a criação de partidos políticos fora do mainstream, partidos de franjas e extremos, e de movimentos inorgânicos sui generis, bem como, por efeito de espelho, o reforço dos partidos antieuropeus e populistas que advogam o encerramento das fronteiras, o proteccionismo e o regresso dos nacionalismos, porque, aos olhos dos cidadãos, está em causa o fraco ou mau desempenho da governação europeia e a sua incapacidade em gerar emprego e prosperidade ou ainda em encontrar soluções para desafios globais, como sejam o terrorismo, a gestão das fronteiras ou a questão dos refugiados e das migrações.

A mim, parece-me que a confiança hoje está abalada de forma sistémica e sistemática — e, no fundo, a questão que se coloca é se esta desconfiança está já demasiado cimentada para ser reversível e evitar o alastramento dos populismos de toda a sorte.

A este respeito, a saída do Reino Unido da União Europeia é inquietante, a vários títulos, de que salientarei três: primeiro, porque inaugura uma nova etapa na história europeia, a da “desconstrução” da União Europeia, uma fórmula suave para não dizer “destruição”, após 60 anos dominados pela dupla dinâmica do “alargamento-aprofundamento” da UE. Em segundo lugar, porque é uma porta aberta para que outros Estados lhe sigam no encalce; em terceiro lugar, porque é uma fonte de inúmeras e pesadas incertezas que poderão acabar por precipitar um sem-número de problemas em cascata — na área das políticas comuns, mas também no plano da economia, da segurança, da política externa ou da defesa, bem como abalar de forma duradoura equilíbrios de poder já de si precários no seio da governação europeia.

Olhando para o resultado das eleições presidenciais americanas, creio que há razões tangíveis que reforçam inquietações e pessimismo, pois está claro que todas estas tendências vão no mesmo sentido, reforçando-se negativamente, sendo impossível não olhar já para as eleições de 2017 em França e na Alemanha como próximas etapas prováveis desta corrida para o abismo.

Por conseguinte, neste complexo contexto europeu e internacional em que nos encontramos, reconstruir a confiança constitui, a meu ver, um desafio grande, moroso, complexo, mas incontornável. Não há economia nem mercado nem política nem democracia sem esse cimento de base, a confiança. Não há paz duradoura se a desconfiança minar as relações entre comunidades, povos e nações, se o pacto social for rompido.

Para restaurar a confiança, é preciso proceder à recapacitação das nossas democracias no plano nacional, ao nível central e local; mas esta passa também pelo resgate da democracia representativa na Europa, na fórmula sugestiva de Soromenho Marques, pelo aprofundamento de uma União Europeia que sirva os cidadãos e defenda o interesse geral europeu.

Tenho a convicção de que cabe à Europa contribuir para reinventar a democracia para a nossa era da globalização, até porque a Europa não é só parte dos problemas, mas é também solução, dando aos países mais controlo sobre políticas que se tornaram globais. Agora, tal não acontecerá se a Europa não contribuir para reforçar o poder de escolha dos cidadãos, revitalizando a ideia de que a democracia é o regime em que as alternativas políticas são possíveis. Mas, para isso, a União Europeia tem de reatar com o melhor da sua tradição, a que combina a liberdade que vem do liberalismo com a estabilidade, o bem-estar e a equidade social que vêm da social-democracia. Se Bruxelas e os Estados-membros da União Europeia não entenderem isto e nada fizerem para resgatar estes valores, as comemorações de Março do próximo ano do 60.º aniversário dos Tratados de Roma correm sério risco ou de não terem sequer lugar ou de se transformarem numa marcha fúnebre.

O novo contexto geopolítico


Incapaz de gerir bem a inédita complexidade da presente globalização, o século XXI começou mal, carregando já nestes seus primeiros anos um cortejo de indescritíveis violências, situações de terror múltiplo e geograficamente disperso, crises económicas e financeiras demolidoras de um desejável progresso social, com preocupantes efeitos numa generalizada descredibilização da acção política, quer seja no plano nacional, quer no da concertação internacional, que desacredita todo o sistema do multilateralismo.

Difícil, por tudo isto, ser optimista, quando a realidade nos interpela, revelando um tempo de conflito e de persistentes violações dos direitos humanos; de intoleráveis assimetrias na riqueza e no acesso aos bens públicos, que depois se projectam no desenho de uma penosa geografia mundial de doenças, epidemias e exclusões; ou na insistente existência de massacres sectários.

Assistimos hoje a perversas destruições de memórias históricas que constituíam até agora acervo intocável do património da humanidade; presenciamos o alastrar de perigosos fundamentalismos, que julgávamos já sepultados pelo progresso comum; e, neste milénio gerador de tantas expectativas, convivemos com a vergonhosa tragédia dos refugiados e migrantes que procuram na Europa uma alternativa à morte, à perseguição, à violência ou à fome, e encontram o Mediterrâneo como sepultura dos seus magros sonhos, reféns de redes de traficantes que continuam a operar com escandalosa impunidade.

Neste mundo preocupado por um diferente alinhamento de hierarquias de poder e da emergência de novas inseguranças, percebemos com desalento que mesmo a União Europeia — aonde antes íamos buscar conforto, porque depositária de muitas das nossas esperanças de progresso e de equilíbrios estratégicos — tem revelado nos últimos anos uma impotência decisória que parece ser a única marca da sua política externa.

Agora a questão crucial é que a saída anunciada do Reino Unido da União Europeia constituiu um ponto de não-retorno no projecto europeu. A meu ver, ignorar que estamos perante uma situação em que nada será jamais como dantes e em que nada poderá continuar a ser business as usual levar-nos-á directamente ao precipício.

A história não se repete, mas há dinâmicas que parecem recorrentes, sufragadas por teorias várias, designadamente as que ao apogeu dos grandes projectos civilizacionais fazem seguir o declínio e a decadência como etapas previsíveis. Não quero com isto vaticinar um destino trágico para a União Europeia — o que é dizer para todos nós —, mas sim, ao invés, lançar um apelo veemente para que se faça algo para inverter esta corrida para o abismo em que parecemos lançados e de que, de resto, a emergência dos populismos como uma nova tendência global constitui um sério e preocupante aviso, reiterado com o resultado das eleições americanas.

Perante este quadro sombrio, importará, todavia, lembrar que, da História, e da sua lenta e pouco linear passada de anos e séculos, nos chega igualmente um sólido acervo de realizações que justificam que nos continuemos a bater por um futuro melhor e pela evolução positiva da sociedade em que vivemos, no plano nacional ou internacional.

O século XXI tem criado, à volta da Europa, um extenso arco de conflitos e situações de crise que lavram, vitimando sobretudo as populações civis e impelindo milhares a lançar-se em aventuras transcontinentais incertas e perigosas. A luta contra o terrorismo, se continua a mobilizar os esforços de um vasto leque de parceiros, deixa, no entanto, em aberto numerosas incógnitas, como sejam o futuro da Líbia, Síria, do Iraque, do Iémen e do Afeganistão, bem como a relação de forças entre, digamos, o eixo sunita/xiita. O relacionamento com os parceiros próximos da Europa — designadamente Turquia e Rússia — padecem de interlocução séria e de um agenda europeia própria, reféns de interesses mais vastos e contraditórios, ora focados na crise dos refugiados no que respeita à Turquia, ora na questão ucraniana no que toca à Rússia ou ainda na questão síria, que envolve ambos.

A crise das dívidas soberanas não foi resolvida, mas basicamente está apenas suspensa devido à intervenção do BCE

Por seu turno, o relacionamento transatlântico, tão essencial à própria dinâmica intra-europeia, está hoje suspenso por um pesado conjunto de incertezas, resultantes quer de todas as incógnitas e indefinições que rodeiam a próxima administração americana, quer, do lado europeu, das consequências do "Brexit" na redefinição dos equilíbrios intra-europeus e do seu impacto geral nas relações de cooperação, num vasto plano de matérias, incluindo a segurança e a defesa e nomeadamente com a NATO.

A eleição de Donald Trump para Presidente dos EUA traz consigo um lote acrescido de imprevisibilidade e de incertezas, sendo plausível um período mais ou menos longo de ajustamentos ou mesmo, digamos, de aprendizagem por ensaio e erro no plano da política externa da nova administração, com todos os riscos inerentes.

À Europa caberá a opção ou de se tornar irrelevante ou de se afirmar como um modelo civilizacional, económico e de sociedade com peso próprio, podendo afirmar-se como o fiel das múltiplas balanças que se poderão vir a desenhar no seio de uma ordem mundial multipolar, marcada por uma geometria de poderes variável.

Para mim, que, sobretudo nestes últimos anos, viajei intensamente pelo mundo inteiro, convivi de perto com povos de todos os continentes, discuti e vi realidades — culturais, sociais, políticas e societais — das mais variadas, há uma coisa que se tornou óbvia: é que, de onde quer que viesse (da Ásia, África, Américas ou do Extremo Oriente), a noção de se “chegar a casa” quando se aterra na Europa (seja em Paris, Londres, Luxemburgo, Tessalónica, Amesterdão, Barcelona, Riga ou em Cracóvia) é real, além de extremamente reconfortante…

E isto significa, afinal, que a Europa é a partilha de uma casa comum, de um património civilizacional e de valores, de um modelo de sociedade, e que é isto que nos faz sentir parte de uma mesma família, enfim, que nos faz sentir sermos todos cidadãos e membros de uma comunidade de destino. Para mim, é esta sensação ou sentido de filiação ou de cordão umbilical comum que dá sentido ao projecto político europeu. Ora, um dos grandes desafios que se coloca hoje é precisamente o de como reforçar este sentimento de pertença dos europeus, sejam urbanos ou de comunidade rurais, de gerações mais novas ou mais antigas; como fortalecer o sentido desta identidade partilhada; como revigorar o orgulho de ser europeu.

Portugal, 30 anos depois


Ao completarem-se 30 anos da adesão de Portugal ao projecto de integração europeia, porventura a mais inovadora experiência política realizada desde a paz de Vestefália, este poderia ser o momento certo para fazermos um balanço rigoroso e exaustivo da nossa participação europeia na dupla vertente do que a Europa tem feito por nós e do que podemos fazer por ela.

Como a “questão do futuro da Europa” está de volta, importa, a meu ver, que Portugal inicie um processo de reflexão interno — dentro das mais variadas sedes e foros, designadamente no plano das instituições de segurança e defesa — sobre como assegurar uma participação de qualidade na União Europeia. Temos de ser contribuintes líquidos para o debate europeu que vai ocorrer na sequência do "Brexit", que se vai intensificar e em que não poderemos figurar como espectadores mais ou menos passivos. Temos de saber o que queremos, temos de levar ideias claras e propostas bem definidas, e, sempre que possível, contribuir para liderar o debate.

Sabemos já — de um saber feito de experiência e, por vezes, de dura experiência — que temos de ser mais rigorosos em relação à Europa que queremos. Já vimos que não é uma qualquer Europa que serve os nossos interesses. Creio que deveríamos identificar o núcleo duro de premissas por que nos deveríamos bater. Por exemplo, penso que deveríamos recusar todo o tipo de iniciativas restritivas que se baseiem em critérios passadistas e obsoletos, como sejam as que recorrem à figura dos “membros fundadores”. Ao invés, dever-nos-íamos bater por que a europa do euro — a dos 19 do euro — seja o verdadeiro núcleo duro de uma UE reformada. A meu ver, dever-se-ia começar por solidificar a União entre os 19 da zona euro por forma a relançar a construção europeia pela base — ou seja, através de um compromisso claramente político no sentido de reforçar os mecanismos económicos e financeiros da zona euro.

Um outro ponto muito importante é que a saída do Reino Unido da UE vai produzir mudanças fundas em termos dos equilíbrios de poder intra-europeus, sendo provável, a meu ver, a consolidação do “momento unipolar” alemão, incluindo o reconhecimento norte-americano da Alemanha como o principal parceiro europeu dos Estados Unidos. Essa evolução estava esboçada já antes do "Brexit", mas a sua confirmação marcará uma viragem que obrigará Portugal a concentrar-se sobre as suas relações com a Alemanha e com a Espanha, que é o principal parceiro de Berlim (e de Washington) na Península Ibérica.

Por certo, Portugal deve reconstituir, num quadro bilateral, a sua relação com o Reino Unido, como o exigem a história comum, os interesses económicos e a necessidade imperativa de proteger as comunidades emigrantes — devem estar mais de 300 mil portugueses no Reino Unido, o principal destino da última vaga de emigração. Mas essa relação deixa de ser directamente relevante na balança interna da União Europeia.

Esta alteração dos equilíbrios geopolítico-estratégicos exigirá reflexão aprofundada do nosso lado, realinhamentos e reposicionamentos diplomáticos e de política externa que convém prepararmos atempadamente.

Por último, penso que é também forçoso admitir que deixou de existir, agora no plano interno, um consenso nacional sobre a política externa, incluindo entre os dois principais partidos. Tornaram-se mais evidentes as clivagens que separam os partidários do reforço de uma aliança alemã dos outros que se lhe opõem, persistem as divisões que separam os europeístas e os atlantistas, são cada vez mais fortes as posições nacionalistas contra a integração europeia, incluindo o Partido Comunista e do Bloco de Esquerda, na ausência de uma força populista de direita.

Neste contexto, há que nos interrogarmos sobre qual será a melhor estratégia e os vários níveis de interlocução — inclusive institucional — para inverter as divergências cavadas entre as elites políticas, que não parecem preparadas para responder à crise precipitada pelo "Brexit". Há também que reflectir seriamente sobre o impacto possível de novas opções de política externa e de defesa da futura administração americana para os nossos próprios interesses nacionais.

Em suma, atravessamos um momento especialmente crítico para o nosso futuro colectivo — no plano nacional, mas também europeu e até mundial. Mas, qualquer que seja o sentido futuro da integração europeia — e sabemos que há vários cenários —, o que me parece importante sublinhar aqui é a necessidade de se aprofundar a discussão sobre que Europa queremos, que modelo para a reformatação da zona euro e que actualizações pretendemos fazer dos nossos compromissos europeus.

 

domingo, novembro 13, 2016


O SR. PEDRO FERRAZ DA COSTA

É uma pessoa amarga. Foi durante muitos anos presidente da CIP. Agora é o líder do Fórum para a Competitividade.

Ouvi-lo é sentir o som de uma pessoa amargurada e desencantada. As suas palavras destilam ódio. Pelo menos é assim que eu as sinto. O Sr. Ferraz da Costa espelha no rosto um ar de uma má disposição permanente e esgares de uma latente raiva contra tudo aquilo que não alinha pelo seu diapasão. Penso que o sr. Ferraz da Costa teve a infelicidade ou de nascer no país ou no tempo errados. Se calhar trata-se das duas situações em simultâneo.

O sr. Ferraz da Costa odeia “comunagem” e quem com aqueles se conluia. Detesta esquerda e tudo aquilo que ela representa. Em casa do sr FC não há lareiras para ele não ter que mandar cavacos para a fogueira.


E no entanto até posso acreditar que ele terá razão numa ou noutra opinião que manifesta. Mas ele faz-me lembrar a história do rapazinho que passava o tempo a gritar que vinha lá um lobo. Até que no dia em que o lobo realmente apareceu e ninguém acreditou nele.

O sr. FC tem de aparecer publicamente com um sorriso de esperança na cara. A experiência de vida que tem deve utilizar aconselhando-nos sobre o que pensa serem os melhores caminhos. Mas sem dizer isso como quem nos manda para a cadeira eléctrica. Ou para a forca. Ou para a fogueira. Não sei se o sr. FC é cristão. Se o é (e acredito que se deve julgar ser) ponha os olhos no actual Papa e manifeste no seu rosto a alegria que sente por ser humano e poder ajudar tanta gente.

Os outros, que ele condena, também podem estar a acreditar que estão a fazer o melhor para o país. Só que podem aqui e ali cometer erros que alguém com um sentido grande de tolerância e de humanismo pode ajudar a corrigir.

Deixe-se no entanto de atirar pedras para os outros. Algumas (corre o risco) podem vir a partir o seu próprio telhado.

 

sábado, novembro 12, 2016


COISAS DOS DIAS DE HOJE

 

O ERASMUS É NO QUE DÁ
Estudante Árabe em Berlim manda um e-mail para o Pai dizendo
 
 Meu querido pai:

 Berlim é maravilhoso. As pessoas são excelentes e eu estou realmente a gostar disto. Mas, pai eu estou um bocado envergonhado em chegar à minha faculdade com o meu Ferrari 599GTB em ouro, quando todos os meus professores e meus colegas vêm de Comboio.
 Seu filho, Nasser.
 
 No dia seguinte o Pai responde ao e-mail do Nasser:


 Meu amado filho. 20 Milhões de dólares acabaram de ser transferidos para a tua conta. Por favor pára de nos envergonhar.
Vai comprar um comboio para ti também....

 

ISTO SO PROVA QUE O MUNDO EM QUE VIVEMOS, NÃO É FÁCIL! 

 

ALGUMAS LEIS E PRINCÍPIOS DEMONSTRADOS EMPIRICAMENTE: 

"A apólice de seguro cobre tudo, menos o que aconteceu." ( Lei de Nonti Pagam).

"Quando estiveres só com uma mão livre para abrir a porta, a chave estará no bolso oposto." (Lei de Assimetria, de Laka Gamos).

"Quando suas mãos estiverem sujas de gordura, vai começar a ter comichão, pelo menos, no nariz." (Lei de mecânica de Tukulito Tepyka).

"Não importa por que lado seja aberta a caixa de um medicamento. O papel das instruções vai sempre atrapalhar." (Princípio de Aspirinovisk).

"Quando achas que as coisas começam a melhorar, é sinal de que algo te passou despercebido." (Primeiro teorema de Tamus Ferradus)

"Sempre que as coisas te parecem fáceis, é porque não entendeste todas as instruções." (Princípio de Atrop Lado)

“Os problemas não se criam, nem se resolvem, só se transformam." (Lei da persistência de Waiterc Pastar)

" Quando correres para o telefone, vais chegar exactamente a tempo de ouvir que desligam." (Principio de Ring A. Bell)

"Se só existirem dois programas de TV que valha a pena ver, os dois passarão certamente à mesma hora." (Lei de Putz Kiparil)

"A probabilidade de que te sujes a comer é directamente proporcional à necessidade que tiveres de estar limpo." (Lei de Kika Gadha)

"A velocidade do vento é directamente proporcional ao esmero do penteado." (Lei Meteorológica Pagá Barbero )

"Quando, depois de anos sem a usares, decides atirar alguma coisa fora, vais precisar dela logo na semana seguinte." ( Lei irreversível de Kitonto Kifostes)

"Sempre que chegares pontualmente a um encontro, não haverá ninguém lá para o comprovar, e se ao contrário, te atrasares, toda a gente terá chegado antes de ti."(Princípio de Tardelli e Esgrande La de Mora)

 

1- LEIS BÁSICAS DA CIÊNCIA MODERNA:

* Se mexer, pertence à Biologia.

* Se cheirar, pertence à Química.

* Se não funcionar, pertence à Física.

* Se ninguém entender, é Matemática ou Filosofia.

* Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia.

* Se mexer, cheirar, não funcionar, ninguém entender e não fizer sentido, é INFORMÁTICA.

 

2- LEI DA PROCURA INDIRETA:

* O modo mais rápido de encontrar uma coisa é procurar outra.

* Encontras sempre aquilo que não procuras.

 

3- LEI DA COMUNICAÇÃO:

* Quando te ligam: se tens caneta, não tens papel. Se tiveres papel, não tens caneta. Se tiveres ambos, ninguém liga.

* Quando ligas para números errados de telefone, eles nunca estão ocupados.

* Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira ou debaixo do chuveiro faz tocar o telefone.


4- LEI DAS UNIDADES DE MEDIDA EM ROUPAS:

* Se estiver escrito "Tamanho Único", é porque não serve em ninguém, muito menos em ti...

 

5- LEI DA GRAVIDADE:

* Se consegues manter a cabeça fria enquanto à tua volta todos a estão perdendo, provavelmente não estás entendendo a gravidade da situação...

 

6- LEI DOS CURSOS, PROVAS E AFINS:

* 80% da prova final serão baseados na única aula a que não compareceste e os outros 20% serão baseados no único livro que não leste.

 

7- LEI DA QUEDA LIVRE:

* Qualquer esforço para agarrar um objeto em queda provoca mais destruição do que se o deixássemos cair naturalmente.

* A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do tapete.

8- LEI DAS FILAS E DOS ENGARRAFAMENTOS:

* A fila do lado anda sempre mais rápido.

* Parágrafo único: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida.

 

9- LEI DA RELATIVIDADE DOCUMENTADA:

* Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação constante do manual.

 

10- LEI DO ESPARADRAPO:
 * Existem dois tipos de adesivo: o que não cola e o que não sai.

 

11- LEI DA VIDA:

* Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.

* Tudo que é bom na vida é ilegal, ou é imoral, ou engorda ou engravida.

 

 12- LEI DA ATRAÇÃO DE PARTÍCULAS:

*Toda a partícula que voa encontra sempre um olho aberto

 

 

sexta-feira, novembro 11, 2016


ONDE ESTÁ O DINHEIRO? ONDE ESTÁ?

O “DN” de hoje traz uma reportagem sobre a Fortaleza de Peniche.

Não quero ainda hoje manifestar a minha opinião sobre as eventuais soluções em cima da mesa.

O que me trouxe hoje aqui foi uma resposta do presidente da Câmara de Peniche a uma questão colocada pelas autoras da reportagem. Diz o dito cujo senhor:

 

 “- a Câmara Municipal de Peniche, a entidade que gere o espaço, não foi ouvida.” E acrescenta: “- Ou o senhor ministro tem dinheiro e nós não sabemos onde é que ele está, ou então tem de explicar melhor, porque a Assembleia Municipal deliberou no sentido de, à falta de outros meios, viabilizar e reiterar a posição da câmara. Se nos perguntarem se esta é a melhor solução, claro que não é.”

 

Aqui está o que me trouxe hoje aqui e agora a perorar sobre este assunto.

1º - A Câmara Municipal de Peniche não é proprietária do imóvel Fortaleza de Peniche. É propriedade do Estado Português. Logo a Assembleia da República é o local próprio para discutir o interesse e utilização desse espaço. A Câmara Municipal de Peniche pode manifestar a sua opinião, tal como a Assembleia Municipal de Peniche, ou a associação dos presos políticos, ou o grupo de cidadão de olhos verdes que habitam em Portugal.

2º - O dinheiro do sr. Ministro da Cultura está exactamente no mesmo cofre em que o sr. Presidente da Câmara depositou os 10 milhões de euros que entraram no Concelho com a realização da etapa do Mundial de Surf.

3º - Se esta não é a melhor solução então o sr. presidente da Câmara que nos diga qual é a melhor solução que tem para aproveitamento daquele espaço, para que se os cidadãos deste país se reverem nela e por ela lutarem.

 

E por agora fico-me por aqui. Não é de todo muito inteligente da minha parte estar a discutir ideias de presidentes em final de mandato, quando as suas decisões já não conduzem senão a flashs de verborreia e aos últimos lampejos de aparição mediática.   

quarta-feira, novembro 09, 2016


SONDAGENS: LÁ COMO CÁ

As margens de erro eram pequenas, mas (quase) todos eram unânimes em dizer que a Sra Clinton iria vencer as eleições nos EUA.

Aqui neste jardim os comentadores era particularmente firmes na afirmação de vitória da senhora. Até o homem que todas as semanas defende firmemente a boutades do Bruninho, como é proprietário de uma empresa de sondagens o reafirmou ex-cátedra: - na hora de votar os américas decidem-se pela senhora.

Para já não falar dos comentadores da SIC e do Expresso. Esses pareciam deuses do Olimpo a mandar bitaites.

Mas os americanos são cowboys e cowgirls. Invadem, saqueiam, roubam, espoliam, sacam e outras malfeitorias e quando se cansam cospem na sopa que lhes matou a fome.

Já viram como é giro esquartejar mexicanos. Fazê-los bater com o nariz contra o muro. Quanto aos pretos a polícia americana vai tratando deles. Os pobres querem ter saúde? Morram antes de adoecer. Impostos que paguem os pobres e remediados. Os ricos sabem como fugir a essa praga. E quem não o conseguir não merece ser rico.

No fim bem pode cantar o Dylan canções de Amor e Paz.

O povo americano vota na sua segurança e em quem lhe promete a defesa dos seus valores mais básicos.

Ele diz o que quer e faz o que quer. Está-se borrifando para as opiniões alheias.

Se querem trampa bem cheirosa votem no trump mal cheiroso. Por cá votem  nos bem-comportados.   

  

terça-feira, novembro 08, 2016


FALAR SÉRIO

Nos últimos tempos aqui no burgo assistiu-se a um reacender de interesse pela “coisa” pública. A propósito do despropósito com que foram postas em causa algumas deliberações do actual executivo, incendiaram-se as redes sociais com críticas (muito bem), ataques intensivos (+/- aceitáveis), e suspeitas de deliberações ilegais.

Desenvolveram-se queixas nos serviços fiscalizadores de que não soubemos o “feed back”.

É sempre mais fácil denunciar do que depois vir a terreiro dizer que as suspeitas eram infundadas.

 Como consequência desta campanha instalou-se a ideia que a população da cidade de Peniche estava preparada para dar o poder a novos heróis. Gerou-se então uma corrente para fazer do facebook para além de um tribunal de opinião, a fonte de movimentação de dezenas, centenas, milhares de cidadãos para constituírem um novo paradigma da Cidade. E se digo da cidade é porque os frequentadores da noite de Peniche raramente pensam que nenhum novo poder se poderá instalar sem o apoio da zona rural do concelho.

Criou-se espaço para uma assembleia tipo ateniense, mas por razões óbvias para todos menos para os seus promotores, a sala ficou vazia. Peniche é um poço de vontades que se afundam no esforço para construir. Quem não compreender isto nunca mais terá êxito na busca do seu Graal.

Somo preguiçosos militantes. Essa a nossa forma de estar.   

domingo, novembro 06, 2016


UM CASO DE AMOR

Corria a 2ª metade do mês de Abril de 1974. A minha mãe iria dar entrada a 24 desse mês na Cruz Vermelha Portuguesa para ser operado à vista, pois já tinha cegado. A 25 é-lhe comunicado que teria que abandonar o Hospital para ele poder dar resposta a eventuais situações de feridos que uma revolta das Forças Armadas pudesse eventualmente provocar.

Nessa altura uma família de Lisboa que visitava Peniche há vários anos e que se tornara amiga de meu pai, convidou-o e à minha mãe para aguardar em casa deles, nova data para o acto operatório que se viria a realizar de facto a 28 do mesmo mês.

Assim é que nasceu aqui uma amizade que se desenvolveu até à morte dos meus pais. A partir daí dilui-se no tempo as relações dessa família comigo e com o meu irmão enquanto foi vivo.

Por causa do Benfica e de algum jornalismo de grande qualidade que felizmente ainda vai ocorrendo no nosso país, vim a perceber que um desses jornalistas se tinha ligado pelo matrimónio a uma das meninas que pertencia a essa família.

Aproveitei esse conhecimento para lhe enviar uma foto desse tempo com aquela que iria ser muitos anos depois mãe do seu filho. Ele de forma simpática enviou à família essa foto, o que veio a gerar uma cadeia de solidariedade entre todos aqueles que o tempo tinha matado o contacto.

Hoje e depois do reatar desse contacto sinto a alegria de que a amizade, o carinho e mesmo o amor que une pessoas das mais diversas formações, dos mais diversos locais e interesses culturais, políticos ou outros, é um valor a preservar nos tempos difíceis que vivemos hoje, em que a ausência de laços paraece permitir todo o tipo de má fé entre as pessoas.

Podem passar os anos, que se por um momento de acaso baterem as asas de uma borboleta na Austrália quando um Benfiquista celebra um golo, em Peniche pode perfeitamente um tipo reformado achar que assistiu a um milagre.

Louvado seja tudo o que contribuir para unir as pessoas.

sexta-feira, novembro 04, 2016


REGRESSO À “A VOZ DO MAR” DE 2016/OUT/28

Os políticos (?) locais raramente são colocados perante o contraditório. Os únicos locais onde ele se manifesta é a Assembleia Municipal (onde não tem consequências) e eventualmente nas reuniões da Câmara Municipal. Claro que o que se passa num ou noutro local dificilmente chega aos munícipes.

O Jornal local por ver diluídas no tempo as suas publicações também dificilmente utilizará o contraditório. Claro que isso é pouco importante. As pessoas estão-se “borrifando” para as querelas ou opiniões dos aspirantes a um lugar no mediatismo da política.

Aliás, estes pretensiosos “políticos” de trazer por casa são os responsáveis pelo desinteresse e apatia que em crescendo se apodera do cidadão comum. Curioso ver a forma como têm evoluído nas 3 últimas eleições os votos dos cidadãos no Concelho de Peniche:

- 2005

Abstenção                                           45,82%

Brancos                                                2,40%

Total                                                   48,22%

 

- 2009

Abstenção                                           46,53%

Brancos                                                1,99%

Total                                                   48,52%

 

- 2013

Abstenção                                           56,77%

Brancos                                                4,78%

Total                                                   61,55%

 

Isto parece-nos alarmante. Se estivermos atentos ao que se passa no nosso concelho, reflecte aquilo que os seus habitantes pensam do exercício do poder político.

 

Mas regressemos à última edição do jornal local. Lendo o que escreve alguém que já foi responsável máximo pelo concelho durante 8 anos e, lendo as suas criticas ao actual executivo na sua acção visando o maior acontecimento desportivo nacional depois do futebol, perguntemo-nos:

- E durante esses 8 anos não existiam ondas em Peniche?

- E onde estão as informações turísticas e não só visando quem nos visitava na altura quer pelo futebol, quer pelas festas locais?

- Que memórias ficaram para a população do concelho desse tempo no âmbito do desenvolvimento turístico e económico?

Talvez fosse importante copiar o ex-Rei de Espanha e dizer a este senhor: “- Porque não te calas?!”

terça-feira, novembro 01, 2016

1 DE NOVEMBRO DE 1755
Pois é. A memória do que tem sido alguns dos nossos piores momentos. Felizmente que existiram alguns homens de visão na época de souberam fazer reaparecer Lisboa das cinzas de tal forma que perdura ainda hoje.
DIA DE TODOS OS SANTOS (CELEBRAÇÃO DOS DEFUNTOS)
...E agora que a nossa finitude vai tornando-se mais clara é altura de recordar os que nos antecederam. À memória surge um cortejo de pessoas que foram determinantes para a pessoa que sou hoje. Não quero citar nenhuma. Quero guardá-las no meu coração. Todas elas. Não quero que se percam na volatilidade dos tempos. Guardo-as comigo.