segunda-feira, junho 04, 2007

O TESTE

Este é um teste rápido, divertido e esquisito. Não há truques neste teste.
Leiam a frase abaixo:



FINISHED FILES ARE THE RE-
SULT OF YEARS OF SCIENTIF-
IC STUDY COMBINED WITH
THE EXPERIENCE OF YEARS.


Agora conte APENAS UMA VEZ o número de letras F na frase. Por favor, a graça toda está em não fazer batota...



Vá lá... conte novamente, mas só mais uma vez! Fixe o número de letras F que contou.
Amanhã eu coloco aqui os resultados do teste

sábado, junho 02, 2007

LEITURA DE FIM DE SEMANA
A minha proposta para este fim de semana é (re)ler Eduardo Lourenço. Sempre surpreendente e actual na análise. Dou-vos um cheirinho... EDUARDO LOURENÇO
Nasceu em S. Pedro do em S. Pedro do Rio Seco (aldeia beirã), a 23 de Maio de 1923, tendo acabado há poucos dias de perfazer 84 anos. Professor universitário, Ensaísta, filósofo, homem de letras. Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas (1946), permaneceu na
Universidade de Coimbra como assistente de Filosofia, entre 1947 e 1953. É nesse período que publica o primeiro livro Heterodoxia (1949). Foi professor de Cultura Portuguesa entre 1954 e 1955 na Alemanha (em Hamburgo e Heidelberg), exercendo depois a mesma actividade na Universidade de Montpellier (1956-58). Após um ano passado na Bahia ensinando Filosofia, viveu, a partir de 1960, em França, leccionando nas Universidades de Grenoble (até 1965) e de Nice (1965-1987). Com uma clara autoridade moral, foi-lhe atribuída a Ordem de Santiago da Espada em 1981 o Prémio Europeu de Ensaio Charles Veillon (concedido em 1988 por ocasião da sua obra Nós e a Europa ou as Duas Razões) no ano em que foi colocado em Roma como adido cultural português.

De uma entrevista concedida à Revista “Pública” de 13 de maio de 2007 e conduzida por Luís Miguel Queiroz, a propósito da publicação do livro “As Saias de Elvira”, respinguei um trecho que explica muito do nosso ser português e por acentuadas razões, o nosso ser penicheiro.
“A história de Portugal é, de facto, singular. Os portugueses foram para todo o lado, mas nunca saíram, levaram a casinha com eles. Fizeram a mesma coisa na Europa. Salvo uma elite, que se preocupava com o que se passava lá fora – e imitava ou recusava -, a todos os outros foi a Europa que lhes chegou: veio por aí abaixo com os caminhos-de-ferro. A geração de 70 foi a primeira a dar-se conta de que, com o Sud-Express, a Europa lhe tinha chegado. Primeiro veio o Napoleão, depois algumas ideias e livros, e finalmente a Europa entrou materialmente por aqui dentro, como aconteceu em Espanha. Mas a nossa tendência é a de vivermos guetizados. Agora estamos todos, seja aqui ou na Patagónia, a ver o mesmo ecrã. É como o cosmonauta que viu a Terra de fora pela primeira vez. Só que agora a vemos na televisão ou na Internet. No entanto, a verdade mais profunda, é que a televisão serviu, sobretudo, para aproximar internamente o país. Vila Real e Bragança estão em Lisboa e vice-versa. O país está mais compacto. Mas, ao mesmo tempo, há uma auto-guetização. Veja um acontecimento como as qualificações académicas do primeiro-ministro, sem dimensão, sem interesse, nem dentro nem fora de fronteiras, mas que pode ocupar o país um mês inteiro. Isto numa altura em que se estão a passar no mundo coisas que interessam ao destino da humanidade. A televisão tem esta capacidade de estar em toda a parte, mas é um espelho que também nos pode reduzir à dimensão de um quarto de dormir. Estamos todos na mesma casa-de-banho. Continuamos numa ilha, agora com vistas para o mundo inteiro, mas que são só vistas. O que nos interessa mesmo é o que se passa cá em casa. Mais uma vez, o Eça ilustrou isto: “O que nos interessa é o pé da Luisinha”.
UM JANTAR AGRADÁVEL
Fui ontem jantar no Restaurante do Parque com a minha família. Jantar de festa. Só por isso já seria exelente. Mas o que me soube mesmo bem, foi ao entrar encontrar mais de uma dezena de catálogos dos "Sabores do Mar". Finalmente. Excelente apresentação e muita informação. Fiquei contente. Cumpriu-se o que tinha de ser. Ainda bem. Boa sorte para o evento. E que os que nos visitarem fiquem com vontade de aqui regressar.

sexta-feira, junho 01, 2007

1 DE JUNHO – DIA DA CRIANÇA É também o meu dia. É um dia maravilhoso para fazer anos. Aqui, onde me vêem imponente nos meus 4 anos de idade, adivinhava já que ia gostar da minha vida. Tive uma infância privilegiada. Fui um adolescente com um mundo por descobrir à minha frente. Profissionalmente poucas pessoas poderão dizer como eu, que estive na profissão certa e que fui imensamente feliz em todas as funções que desempenhei. A minha actividade como cidadão. A minha Anita, o seu amor e a sua dedicação é qualquer coisa de fantástico que ainda hoje não sei se mereço. A minha Maria. A menina dos meus olhos. A mulher de corpo inteiro que vi desabrochar à minha frente. Uma lutadora por causas. Os meus amigos. Aqueles em quem eu confiaria a minha vida. Mesmo aqueles que a lei da vida foi separando momentaneamente de mim.
Que mais posso desejar? Obrigado a todos por me fazerem tão feliz.

quinta-feira, maio 31, 2007

DIA DO PESCADORFui acordado logo pela manhã com os foguetes do DIA DO PESCADOR”. E fui acordado para que este ano ainda não tinha visto nem um cartaz, nem um Programa das festas de celebração do Pescador.
Eram 12:00 horas fui ao posto de Turismo. Pressupostamente o local onde deveria haver alguma coisa. Cartazes nada. Programas estavam a chegar vindos do Aprovisionamento (seja lá o que for isto na CMP). Estava eu a ensaiar uma reclamação diz-me a menina:
“- A culpa não é minha...”
No espaço de 24:00 é a 2ª vez que me dão esta resposta. As reticências insinuam onde está a culpa. Mas não! Desta vez decidi eu assumir a culpa por não estarem lá os programas e garanti que não volto ao Posto de Turismo. De cada vez que lá vou só encontro “buracos”. Assim não há Blogs que me cheguem.
Alguma coisa anda mal nestes serviços. Quando não havia doutores as coisas funcionavam. Ou será que existem pessoas que não gostam dos comunistas e estão a torpedear o seu trabalho? Isto será como no Metro do Porto? Sabotagem...

quarta-feira, maio 30, 2007

SABORES DO MAR P’RA TI TAMBÉMMoro na rua Joaquim A Aguiar nº 46, onde antigamente existia a casa da minha avó, a ilustre e sempre nobre senhora D. Guilhermina “Baterremos”. A casa era de rés-do-chão e onde hoje é a entrada do prédio era uma janela do quarto de fora, onde a minha avó tinha encostada à janela a almofada das rendas de bilros. O local era estratégico. Tinha boa luz, era afastado da cozinha de que ela nunca foi amiga, via-se quem passava na rua e, em frente, situavam-se as janelas do prédio do Manuel Salvador, podendo a minha avó ir sempre conversando com a D. Helena e a D. Cristina, pondo em dia assim, os saberes importantes das vidas penicheiras.
A minha avó dizia que não perguntava nada a ninguém. Contavam-lhe. Viam-na à janela e lá vinha mais um boato, ou uma história de arrepiar sobre acontecimentos ou factos que teria de haver pudor de contar seja a quem for.
Assim acontece comigo. Estou eu “sossegadinho” e as coisas vêm ter com o blogger sem que este faça nada por isso. Aqui há uns dias foi a história do sofá. Agora é a história dos programas dos “Sabores do Mar”. Hoje ainda não estavam para distribuição no Turismo. Hoje ainda não sabemos com detalhe o que vai acontecer e quando. Que Restaurantes aderiram e com que Sabores. Isto menos de 48 horas antes de se iniciar o evento. Quando chegarem serão como o Narciso, que já não é preciso. Dizem-me no Posto de Turismo que a culpa não é de quem lá está, nem do Município. Um Turista que lá estava e ouviu a conversa ofereceu-se para ser ele o responsável pela falta dos Programas. E para se penitenciar pela sua falta prometeu abandonar de imediato Peniche e não voltar cá.
Grande Organização. Isto é uma espécie de Feira Gastronómica. E gastou-se para isto uma fortuna em sofás... tss... tsss...
GAIVOTAS... Em Outubro de 2004 eu escrevia assim:
“Todos nós temos vindo a notar de há uns tempos a esta parte que se deu uma “invasão” pouco pacífica de gaivotas em Peniche.
Ao longo de muitos anos foram-se pagando muitas dezenas de milhares de contos aos técnicos da Reserva das Berlengas, para de forma científica cuidarem do eco sistema que se desenvolvia no Arquipélago da Berlenga.
O que é certo é que enquanto não houve reserva, entre pescadores, peixes, gaivotas, ratazanas, coelhos, lagartos, e outros visitantes das ilhas ia-se cumprindo o generoso hábito de se cumprir a cadeia alimentar e de cada um gerir os seus interesses particulares sem incomodar muito os seus outros parceiros das ilhas.
Que saudades do burro da Berlenga. Falo do burro mesmo burro. Não falo dos outros... Que saudades do tempo em que se transportavam uns quantos carneiros para a ilha, para tratarem do capim em excesso.
Achou-se que se deviam impor regras no acesso às ilhas, no deambular nelas, no que se poderia fazer ou não. E todos sabemos o que acontece quando os fanáticos ambientalistas começam a produzir sinais de stop.
Deixaram as gaivotas ao Deus-dará. Foi o que elas quiseram. Passaram a multiplicar-se de tal maneira que a breve trecho tiveram de armadilhar comida com veneno para matarem as gaivotas excedentárias. Esqueceram-se os doutos sábios que as gaivotas são os animais mais inteligentes que há a lutarem pela sua sobrevivência.
Quando viram que o peixe estava contaminado, fizeram o gesto do Zé Povinho, para os técnicos do ambiente e mandaram-lhes a eles comer as refeições envenenadas.
A última invenção que lhes passou pela cabeça, foi roubarem-lhes os ovos na ilha. As espertalhonas não foram de intrigas. Passaram a nidificar nos telhados da cidade.
E hoje os nossos telhados são literalmente assaltados por milhares de gaivotas que os vão sujando com detritos, apresentando alguns sinais de corrosão que nunca aqui foram vistos anteriormente. Para já não falar dos automóveis e das fachadas dos prédios.
E aquilo que eram relações de excelência entre os cidadãos do Concelho de Peniche e as gaivotas que de alguma forma até eram aqui bem vindas, tornou-se num inferno que poderá conduzir a uma guerra muito pouco pacífica com a fome das aves e a perturbação da população. Eu já assisti a um ataque massivo de gaivotas a uma caixa de sardinhas que o pessoal tinha arranjado para uma almoçarada daquelas. E já me contaram de ataques a pessoas que estendem roupa nos terraços, ou que trazem para casa as compras do mercado.
Que fazer? Eu por mim voltava ao que era antes. Não sem antes pedir uma indemnização aos técnicos que estragaram o nosso modo de vida.
E punha-os a seguir a plantar árvores na zona ardida do nosso país. Pode ser que se tornem mais úteis.”
Em 2007 com custos imputados à CMP, desencadeou esta uma acção de limpeza dos telhados, para uma tentativa de correcção dos prejuízos que estes passarões, por culpa dos outros “passarões, andam a espalhar por todo o património edificado da nossa cidade. Gostaria no final de saber quanto nos vai custar esta acção. Não para a virmos imputar a quem quer que seja. Mas para a atirarmos à cara dos espertalhões do ambiente quando estes começarem com discursos idiotas.

segunda-feira, maio 28, 2007

CENTRO DE SAÚDE DE PENICHE
Fui hoje ao Hospital Pulido Valente para fazer uma TAC, na sequência dos problemas pulmonares que me foram diagnosticados e tratados.
Para isso, levantei-me às 5 e 30 da manhã, fui de automóvel até Torres Vedras. Aí apanhei às 6 e 50 a Carreira Directa até ao Campo Grande. Desci a pé a Alameda das Linhas de Torres até ao Pulido Valente. Dirigi-me aos serviços respectivos onde já se encontravam pessoas aguardando a abertura dos serviços, aguardei pela minha vez e fui atendido às 8 e10. Pelas 9 horas da manhã já tinha feito o exame correspondente. Saí do Hospital e fui a um café tomar o pequeno almoço com a Anita pois que a TAC tinha de ser feita em jejum e ela faz comigo os meus jejuns, tomei a medicação da manhã e tornei a subir as Linhas de Torres até ao Campo Grande.
No terminal fomos a uma loja comprar mais um fatinho para a menina da minha sobrinha Joana que está quase a nascer e apanhamos a directa para Torres das 9 e 40.
Cheguei a Peniche pela 10 e 55.
Dir-me-ão: - O que tem a ver isto com o Centro de Saúde de Peniche? E eu digo: -TUDO!
É mais fácil ir a Lisboa ser tratado ou medicado num Hospital que recebe por dia milhares de utentes, do que ir ao Centro de Saúde de Peniche e vir de lá ao fim de uma hora.
Num existe eficiência. Noutro existe incompetência. Aqueles balcões de atendimento em Lisboa recebem milhares de pessoas por dia. E tudo corre como rodas. Aqui é a Idade da Pedra e tratamento de cão. E mais não digo.

sábado, maio 26, 2007


SABORES A SOFÁ
Dentro de poucos dias Peniche prepara-se para receber dezenas, ou centenas, ou milhares, ou centenas de milhar, etc., de forasteiros que se preparam para degustar os nossos SABORES DO MAR. A Câmara Municipal de Peniche não se poupa a trabalhos e a despesas para que tudo corra nos “trinques”.
Exemplo disso é a forma fidalga como está a preparar Peniche para receber os forasteiros de forma a que eles se sintam calmos, relaxados e cheios de apetite.
Assim é que vai iniciar-se um processo de distribuição pela cidade de acolhedores e confortáveis sofás para dar o maior conforto aos visitantes, preparando-os para as exaustivas actividades e depois para uma sesta no final das gostosas refeições de “sabores do mar”.
O 1º desses sofás foi colocado na Av. 25 de Abril, junto ao portão de Peniche de Cima e ao que pude constatar tem sido um sucesso junto de todos os que nos visitam. No mínimo o que se ouve é: “- Abençoada terra que recebe assim quem a procura!”

PS: O rasgão, não é um "rasgão". É um toque de arquitectura paisagistica. Modernices...

sexta-feira, maio 25, 2007

REFEIÇÃO DE FIM DE SEMANA
(Para ler e comer)
RUY BELLO
(27 de Fevereiro de 1933/8 de Agosto de 1978)
Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa. Licenciado em Direito Canónico pela Pontifícia Universidade de S. Tomás de Aquino em Roma. Doutoramento em Direito Canónico. Licenciado em Filologia Românica
Professor e autor de uma vasta obra de ensaios, crítica e poesia. Só em 1991 é reconhecido oficialmente o seu contributo para a língua e cultura portuguesa, sendo condecorado a título póstumo com o grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.
Falta-me o talento e a arte para falar do Poeta. Outros talentosos poetas portugueses já o fizeram magistralmente. Recordo entre outros Joaquim Manuel Magalhães outro poeta que aqui passou, quando Peniche não era esta amálgama de cimento armado. Do homem recordo as suas incursões por Peniche e Consolação. Recordo-me de o ver nos idos de 60 em amena cavaqueira com o Zé Rosa, encostado às estantes da Húmus.
Tornou-se um apaixonado por esta terra. Pelo nosso mar e falésias. O longe e a distância são o seu alimento. Aqui escreve muitos dos seus poemas dando largas à expressão maior que o mar encerra.
Em 1973 publicou o livro “TRANSPORTE NO TEMPO” de que faz parte o Poema que hoje aqui publico e que, nos torna a todos (os penicheiros) mesmo sem talvez o merecermos, parte indissociável da Obra Literária de Ruy Bello.
NAU DOS CORVOS

Nau parada de pedra que tanto navega
e há tanto está no mar sem nunca a porto algum chegar
nau só a ocidente e todo o mar em frente
condensada insolência intemerato desafio
a mundos devassados mas desconhecidos
corvos de água e de vento aves feitas de tempo
que tão completamente são dois olhos côncavos
e fitos só nas coisas que importam verdadeiramente
nave que sulca não as águas mas os dias
navio de carreira entre o tempo e a eternidade
num espaço onde um simples segundo tem a minha idade
pedra que só aqui se liquefaz
água que só aqui solidifica
cais quente coração de corvos
vistos por quem nunca antes vira a solidão caber
em tão poucos centímetros quadrados
do mínimo de corpo necessário para a vida se afirmar
ó nau navio corvos pedra água cais
aqui estou eu sozinho todos os demais ficaram para trás Aqui nada decorre e nada permanece
aqui os corvos são a solidão multiplicada
consistente conglomerada mas estilhaçada
unificada mas feita em bocados
De todos estes bicos curvos extremo ósseo dos corvos
onde depois os corvos passam a ser pedra e depois água
sai uma voz vasto discurso cada vez
Os corvos são a pedra menos pétrea do cabo
é nos corvos que o mar deixa de ser marítimo
Nesta nau se efectua esse comércio secular
da terra feita pedra com a água mais doméstica do mar
A névoa envolve e como que enovela os corvos
a rocha é um buliçoso e anárquico aeroporto
donde em cada momento sai um corvo
aéreo ante cujo vulto que levanta eu me curvo
O moreira batista decerto gostaria que os corvos
se não os palradores os que ganham prémios literários
pelo menos os rudes negros os incultos mas os verdadeiros corvos
poisassem sempre no mais alto do rochedo
mas quando no inverno sopra o vento norte
e sentem frio poisam nalguma parte baixa para o lado sul
e estão-se marimbando para a propaganda
de um país vendido que eles não compraram
eles humildes corvos aves e não peixes nunca tubarões
Só aqui podem ver-se às vezes coisas invisíveis
o infinito aqui começa a acabar
em nenhum outro sítio se ouve tanto o inaudível
nem assim se define o que não tem definição
Deste porto se parte para mais que transatlânticas viagens
e em tão poucos segundos é difícil ver tantas imagens
Ninguém é cidadão desta tão pétrea pátria
nem mesmo há quem mereça aqui poisar só por instantes a cabeça
até que a prostração mais funda no total desapareça Permite ó nau petrificar aqui
a minha sensação mais passageira
ou o meu mais instável pensamento
Eu nunca até agora e já sou velho vi
quebrar assim o tempo como quebra em ti
Que aqui o sol escureça e a noite que amanheça
neste morrer da terra onde uma vida sem cessar começa
Que após ter visto a nau mais náutica de todas essas naus
que sulcaram os inumeráveis séculos oceânicos
feitos tanto de tempo como de água
finalmente me fosse lícito fechar
definitivamente os olhos que apesar de tanto olhar
não conseguem optar entre a pedra e o marE só agora findas as palavras eu pressinto
pela primeira vez haver algum poema
por detrás do poema pura coisa de palavras

quinta-feira, maio 24, 2007

OS PARADIGMAS DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Instalou-se no nosso país uma obsessão com a liberdade de expressão que torna este bem essencial da democracia, por vezes presa de uma cultura de impunidade total.
Quando aquele senhor da Madeira me trata por “cubano” está a fazer humor ou está a tentar ofender-me, sem saber sequer quem eu sou? Quando o mesmo dito cujo senhor utiliza a mesma linguagem desbragada para se referir aos sucessivos Presidentes da República, ou 1ºs Ministros, está a utilizar a Liberdade de Expressão “lato sensu”, ou está a pretender ofender onde dói mais, aquelas figuras públicas?
Quando no café chamamos “fdp...” ou “p...”ao 1º Ministro estamos a utilizar o Direito da Liberdade de Expressão ou estamos a pretender denegrir aquele representante do Estado que nos desagrada?
Não confundo ofensa gratuita com “Humor” saudável. Adoro os sketches dos “Gatos Fedorentos” de quem sou um fã incondicional. Ou do Herman dos bons velhos tempos. Julgo que já me expliquei bem ao que vinha. Vem isto tudo a propósito da celeuma de que os Jornais e Televisões se têm dado eco, quanto a uma “pretensa ofensa” que um senhor que até já foi deputado, e que se encontra a desempenhar funções de favor do Governo para não ter que trabalhar com alunos, teria dirigido ao 1º Ministro nessa qualidade. Ninguém sabe o que se passou a não ser os intervenientes na situação. Mas toda a gente opina que se cometeu um crime ao proceder a um inquérito disciplinar. Somos um povo engraçado. Falamos de falta de autoridade nas escolas, quando se trata dos comportamentos das criancinhas em relação aos senhores professores. Mas se for à atitude dos professores entre si, ou destes para com os seus superiores hierárquicos, já é um problema de atentado à Liberdade de Expressão. Não me façam rir por favor.
Reivindico a partir deste momento o direito aos alunos para poderem contar “piadas” sobre os seus professores, ou referirem-se às mães dos seus mestres, em nome da LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

quarta-feira, maio 23, 2007

DE QUE TÊM MEDO OS PROFESSORES?
Algumas reflexões me merecem as notícias entretanto difundidas sobre os exames de aferição do 4º e 6º ano de escolaridade.
Desde logo a forma como os média se comportaram ao invadirem as escolas e fazerem disso um espectáculo, interrogando crianças dos 9 aos 12 anos com perguntas estúpidas e espúrias sobre os seus sentimentos face aos exames em que iriam participar. Por muito que os professores tivessem preparado os seus alunos para a normalidade da situação, o comportamento dos jornalistas e sobretudo das televisões, transformaram tudo num momento de excitação e nervosismo para as crianças, que tiveram que ter os seus resultados nos seus comportamentos no decorrer das provas em que participaram. Se os adultos quando vêm uma câmara de televisão se passam, o que não acontecerá com as crianças.
Mas não foi sobre este assunto que vi os professores insurgirem-se. Nem foi uma discussão sobre os fundamentos e consequências pedagógicas da introdução de factores estranhos (os exames) na prática lectiva. Quais as consequências para as atitudes dos alunos, de uma actividade que há muito deixou de fazer parte das actividades das escolas nestas fases etárias?
Pior, não vi ninguém preocupado em saber como se comportar face aos seus alunos numa situação de exames. E como preparar os seus alunos para isto. Não vi ninguém manifestar-se antes dos exames acontecerem. Foi no próprio deles em que eles aconteceram que se manifestaram a criaram mais pressão psicológica sobre os meninos e meninas. Porque não me venham os senhores professores com tretas. Sabem que os miúdos vêm televisão. E sabem que ainda vem aí o exame de aferição de Matemática. Quem está a criar desajustamentos nas criancinhas são os próprios professores. Mas com isso não se preocupam eles.
Os professores em todos os órgãos de comunicação social a que tive acesso, temem que as provas permitam concluir sobre as suas incapacidades para a actividade que desenvolvem. Isto é, não os afecta a avaliação dos alunos. Se eles estão bem ou mal preparados. Se apreenderam ou não as matérias leccionadas. O que os preocupa é se isso pode permitir concluir sobre as suas próprias capacidades de desenvolverem a actividade para que são pagos com o dinheiro de todos nós. É o seu umbigo que os preocupa. Não é o que acontece ou pode acontecer às nossas criancinhas. O que mais me indigna nem é os professores terem esta atitude. Pelo que conheço de muitos é perfeitamente natural. O que me surpreende é que sejam os sindicatos os seus porta-vozes. Perderam o pudor por completo.
Então mesmo que fosse verdade o Ministério da Educação querer também testar o que os professores andam a fazer, não o pode fazer? Quer dizer que os professores recebem o ordenado e não se lhes pode pedir resultados ou justificações para a falta deles? Quer dizer que quem não cumpre com as suas obrigações não pode ser responsabilizado por isso? Tenham juízo meus senhores.

segunda-feira, maio 21, 2007




COISAS SIMPLES DE QUE GOSTAMOS
Gostamos de ver que existem preocupações com o lazer dos mais pequenitos.
Gostamos de ver Junta de Freguesia e Câmara Municipal de mãos dadas a tratarem disso.
Gostamos de ver que as atitudes dos autarcas está a mudar e que nos informam sobre o que está a acontecer. A eles não custa nada e nós até ficamos com a impressão de que somos gente. Já não era sem tempo.

domingo, maio 20, 2007

MERECE A PENA
No início das minhas deambulações pelas coisas do espírito, dei de caras com um autor que me marcou para sempre. Refiro-me a um Matemático e Filósofo Inglês de seu nome Bertrand Russell, infelizmente hoje completamente esquecido, de tal maneira que é muito difícil encontrar alguém que lhe reconheça o nome e a obra.
Os 3 livros que na altura devorei foram, “Porque não sou cristão”, “A Conquista da Felicidade” e “História do Pensamento Ocidental”. Livros que fui emprestando a amigos vários até que lhes perdi completamente o rasto. Só agora consegui (re)adquirir os dois primeiros, já que o terceiro me dizem estar esgotado há muito.
Retiro para aqui um código de conduta liberal proposto por Bertrand Russell, em oposição ao “Decágolo” cristão. Em minha opinião e, depois do Concílio do Vaticano II eles não estão assim tão em oposição. Quem é que não acha que ele merece a pena, num tempo em que os valores parecem estar em declínio? Por mim me parecem que deveriam ser bem amadurecidos pelas pessoas da minha terra para se tornarem intervenientes na construção de um concelho melhor e muito particularmente dedicoõ aos políticos de "pacotilha" que pululam por aí.
1. Não tenha certeza absoluta de nada.
2. Não considere que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz.
3. Nunca tente desencorajar o pensamento, pois com certeza você terá sucesso.
4. Quando você encontrar oposição, mesmo que seja de seu marido ou de suas crianças, esforce-se para superá-la pelo argumento, e não pela autoridade, pois uma vitória dependente da autoridade é irreal e ilusória.
5. Não tenha respeito pela autoridade dos outros, pois há sempre autoridades contrárias a serem achadas.
6. Não use o poder para suprimir opiniões que considere perniciosas, pois as opiniões irão suprimir você.
7. Não tenha medo de possuir opiniões excêntricas, pois todas as opiniões hoje aceitas foram um dia consideradas excêntricas.
8. Encontre mais prazer em desacordo inteligente do que em concordância passiva, pois, se você valoriza a inteligência como deveria, o primeiro será um acordo mais profundo que a segunda.
9. Seja escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se tentar escondê-la.
10. Não tenha inveja daqueles que vivem num paraíso dos tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso.

Bertrand Arthur William Russell, 3º Conde de Russell, (18 de Maio de 1872 - 2 de Fevereiro de 1970), britânico, foi um dos mais influentes matemáticos, filósofos e lógicos que viveram no século XX .

sexta-feira, maio 18, 2007

HÁ “PITROIL” NA PRAGEIRA...
Afinal a notícia que tem circulado pela imprensa nacional, de que haveria petróleo na bacia de Peniche, não se concretizou.
As reservas que tornam Peniche o 3º produtor mundial de petróleo situam-se na Prageira o que veio dar àquele espaço um aspecto que nem os piores pesadelos dos ambientalistas poderiam ir tão longe.
Publicamos um conjunto de fotografias em que se podem ver as estruturas metálicas que ocupam o que antigamente era o espaço ocupado pelo Pingo doce e outros estabelecimentos. O que ainda mais nos custa é ver o aspecto do lodaçal onde antigamente se erguia a escola primária que servia aquela zona. Tudo em nome dos “petrodolares” que começaram a chover em Peniche e que tornaram o nosso Concelho, um autêntico sultanato árabe das mil e uma noites.

quinta-feira, maio 17, 2007

DESCUBRA AS DIFERENÇAS... ...não se trata de um exercício difícil de acertar. O “velhinho” Bairrista, já estava em fase de apodrecimento e presumimos que repará-lo seria insuportável financeiramente. Ao mesmo tempo tinha-se tornado um depósito de lixos sem sentido. Para além de servir durante a noite a protecção a situações nem sempre desejáveis. Mas, a propósito desta limpeza, lanço daqui a um apelo veemente à sensibilidade dos autarcas da CMP e da JF.
Preservar devidamente a memória dos estaleiros que aqui se situavam é fundamental para memória futura. Um povo que se desconhece e ao seu passado, não pode construir o seu futuro. E nós que aqui em Peniche somos “useiros e vezeiros” em dar machadadas na nossa memória colectiva.
Jean-Yves Blot, tem sobre isso uma ideia meritória que deveríamos aproveitar de forma salutar. Afinal, na zona envolvente temos os Fornos Romanos para o fabrico das bilhas de salga de Peixe, a Construção Naval em madeira ali tão bem representada e, a zona de afundamento de Navios, representada pelo São Pedro de Alcântara. Para já não falar da destruição acéfala das Unidades Industriais de conservação de peixe que se verificou ali tão perto, pelo apetite guloso dos empreendedores imobiliários e dos incompetentes que nos têm governado.
Isto é, tudo quanto ao mar diz respeito ali está separado por escassos metros de distância: - Construção Naval, Pesca, Indústrias subsidiárias como a conservação de peixe. E ao que parece em toda a Europa não há um caso que a este se compare, de tão perto estarem situadas as representações vivas do que foi a saga dos pescadores e da pesca.A minha esperança, de que tenhamos coragem e saber para fazer o que nos compete. Em nome das gerações futuras.

quarta-feira, maio 16, 2007

A VOZ DO MAR
A notícia em jeito de comunicado inserta na pág. 3 da sua última edição, só pode apanhar desprevenidos os menos atentos. O Prof. Seara que ao longo das últimas décadas tem sido a “alma mater” deste periódico regionalista abandona as suas funções como Editor e Director, por razões que se prendem com incompatibilidades com a Administração do jornal cá do burgo.
Na hora de optar, o proprietário do Jornal fez a sua escolha, partindo as suas ligações com o elo mais fraco. Não nos iludamos. O responsável pela retirada do Prof. Seara é a empresa sua proprietária.
O que vai acontecer a partir de agora a este periódico é muito pouco importante. Peniche não tem, em minha opinião, condições de facto para ter um Jornal a sério. “A Voz do Mar” vai melhorar a sua função com a saída do Seara. Este dava-lhe um ar de independência que agora vai perder definitivamente. Vai passar a ser aquilo que deve ser. Um Jornal de Paróquia sem eufemismos. Vai trazer mortos, casamentos e baptizados, umas transcrições de literatura avulsa de cariz católico e pouco mais. Aliás o que tem sido desde sempre, embora com uns borrifos de perfume com que o Seara de vez em quando o aspergia, para lhe poder dar um certo ar do seu tempo. Mas as pessoas cansam-se.

terça-feira, maio 15, 2007

MANUAIS ESCOLARES Na sequência do apontamento que ontem aqui ficou em letra de forma, recordei um episódio comigo passado enquanto Presidente do Conselho Directivo que hoje vos deixo aqui.
Num dia qualquer em Abril ou Maio, recebi a informação de que um senhor (e disseram-me o nome) me pretendia falar. Reconheci de imediato o nome da pessoa em questão. Tinha feito a tropa comigo em Mafra, depois tinha ido comigo para a Trafaria para o Quartel de Reconhecimento de Transmissões, onde tirou uma especialidade como eu de Transmissões como eu. Só que a certa altura ele foi para Moçambique e eu fiquei por cá. Todas essas recordações me assaltaram e quando o vi foi uma festa imensa o reencontro. Depois de alguma cavaqueira ele disse-me ao que ia. Era proprietário duma pequena Editora de Manuais Escolares e vinha apresentar-me as suas edições. Ao ler quem era o responsável pela escola da Atouguia, reconheceu o meu nome e considerou a possibilidade de eu lhe dar uma ajuda na boa aceitação dos seus livros. Depois de falarmos um bom bocado, convidou-me para almoçar e lá fomos até ao Restaurante Atlântico que na altura ainda funcionava com os méritos que todos nós lhe reconhecíamos. Foi aí que durante o almoço e com a conversa a intimizar-se que o meu amigo me garantiu os seus livros, dando-me a sua última preciosa indicação que me ficou gravada para o resto da minha vida: “Anjos Costa, garanto-te que de facto os meus livros foram feitos para os professores, para que estes não tenham de perder muito tempo a preparar lições, trabalhos de casa, ou a desenvolver testes. Os professores com estes livros ficam com tempo livre para o que mais lhes agradar” sic. O almoço terminou, (eu paguei porque não queria deixar a ideia ao meu amigo que me vendia por um almoço) e lá fomos com votos de renovados encontros cada um para seu lado. Depois de terminado o prazo para adopção dos manuais na minha escola, foi com alguma ansiedade que fui ver quais tinham sido as opções dos professores, Tirei um peso enorme de cima dos meus ombros quando verifiquei que da editora do meu amigo não tinha sido escolhido qualquer manual. Ele também nunca mais me contactou. Não vendeu manuais e eu perdi um amigo.
Nesta história, verdadeiramente relevante foi o que eu aprendi no almoço daquele dia longínquo na Atouguia. Os manuais escolares não são feitos para os alunos. São feitos para os professores, para não terem que trabalhar muito. Os alunos não se dão bem com os manuais? Não importa desde que os professores os curtam e lhes poupem trabalho. Preparar aulas é uma chatice. Elaborar fichas, uma dor de cabeça. Fazer testes é um desconsolo. Que importa o resto desde que os manuais nos retirem essas tarefas aborrecidas.
E e virmos as notícias dos Jornais, vemos que o que vos relato ainda é um facto e com o apoio do ME. Nas notícias, nem uma única palavra para os alunos.
Governo aprova decreto-lei sobre avaliação dos manuais escolares
O Conselho de Ministros aprovou no dia 10 de Maio o Decreto-Lei que regulamenta a Lei n.º 47/2006, de 28 de Agosto, que define o regime de avaliação, certificação e adopção dos manuais escolares do Ensino Básico e do Ensino Secundário, bem como os princípios e objectivos a que deve obedecer o apoio sócio-educativo relativamente à aquisição e empréstimo de manuais escolares. Com este diploma pretende-se, assim, que seja garantida a conformidade dos manuais escolares com os objectivos e conteúdo dos programas e orientações curriculares, promovendo a elevação do seu nível científico-pedagógico e proporcionando às famílias formas de utilização dos livros menos dispendiosas.
PS: Propositadamente não me referi neste blog, às ofertas de presentes pelas Editoras às Escolas, aos Delegados de Disciplina e aos Professores. Também não me referi à oferta pelas Editoras a professores de comissões nas vendas se forem seus representantes, levando assim a promiscuidade ao seu extremo máximo. Também aqui não ouvi até hoje nenhum Sindicato reprovar tais ligações e chamando assim a atenção para uma quebra de conducta Deontológica a quem se prestar a este negócio sendo professor.

segunda-feira, maio 14, 2007

ESTÁ TUDO MUDADO...
A 1ª acção de Formação em que participei, foi em 1972 ou 1973 em Leiria, era eu professor aqui na Escola Comercial Industrial de Peniche. Durou 3 dias e fui com a minha prima e colega Miúcha, que na altura era professora de Português. Eu e ela porque éramos Coordenador e sub-coordenador dos Directores de Turma e a Formação destinava-se aos professores que aqui no Distrito desempenhavam essas funções.
Depois dessa foram inúmeras e inumeráveis as acções de formação em que participei. Algumas interessantes, algumas importantes, mas na sua grande maioria perfeitamente dispensáveis. Recordo que durante muitos e muitos anos a grande maioria dessas acções era dedicada à Avaliação dos Alunos no contexto de Ensino-Aprendizagem. Casa da Cultura: ARTE DIGITAL- Bruno Santos
Curiosamente a partir de certa altura essas actividades dedicadas à Avaliação dos Alunos, desapareceram por completo. Sou capaz de localizar o momento. Foi quando apareceu o novo modelo de Avaliação dos Professores em que para se poder subir de Escalão, se tinha de participar num certo número de módulos de Formação Contínua. O que coincidiu também com a chegada às escolas das primeiras fornadas de professores saídos das Escolas Superiores de Educação.
A partir do momento em que se organizaram empresas externas às escolas para desenvolver Acções de Formação por “encomenda” para subir na carreira, os professores começaram a solicitar formação em áreas que lhes dessem ao mesmo tempo alguma actualização na área das Novas Tecnologias, pouco trabalho, e o maior número possível de créditos. O interesse pela Avaliação dos alunos, perdeu toda e qualquer motivação e passou para o lugar das exigências mínimas de actualização para os saberes de ser professor.
Chegamos aos dias de hoje em que o resultado das avaliações (ditas contínuas) é lançado no computador, sem que as reuniões convocadas para o efeito tenham qualquer efeito no que já foi lançado ou carácter pedagógico, os professores deixaram de saber fazer testes de Avaliação, ou sequer de formular perguntas num teste.
Pergunte-se a um professor nos dias que vão correndo, como se calcula o tempo necessário para um aluno com um grau de conhecimentos médios responder a um teste, para ver se ele sabe. Veja-se a formulação das questões que aparecem nos testes e verifique-se que na grande maioria das vezes, a mesma pergunta encerra respostas com recursos a saberes diferenciados e afastados nos conteúdos uns dos outros. Em contrapartida, os jornais aparecem com grandes parangonas preocupados com a Avaliação dos Professores. Como se essa pudesse ser importante e a dos alunos não. Como se uma se pudesse dissociar da outra. Ou com as avaliações dos manuais escolares. Ou com os Regulamentos Disciplinares dos alunos. Quanto à avaliação dos alunos tudo está em paz na costa ocidental. Que importância tem se nos enganarmos sobre um aluno? É só mais um. Um alunos mal avaliado tem tempo para recuperar... Para o próximo ano logo passa... Quando os média falam dos professores, era bom que percebessem de que forma estes se constituíram em “lobby” com o apoio dos Sindicatos e que percebessem bem o que eles hipotecaram para atingir os seus fins. É por aí que deveríamos começar a pôr a casa em ordem. Afinal, só existem professores porque existem alunos.

sábado, maio 12, 2007

(RE)VISITAR O PASSADO
Aqui há dias, a propósito da Loja Maçónica de venda de Renda de Bilros, falámos da Rua Alexandre Herculano. É um outro trecho desta rua que vos trago este fim de semana. A foto mostra esta artéria entre onde hoje se situa a Loja dos Mamedes e a actual Pensão Aviz. A loja dos Mamedes e o prédio onde hoje se situa a Marisqueira “Adamastor”, eram prédios de 1º andar num tipo de construção característico de Peniche da época (início do séc. XX).
É difícil reconhecer hoje o prédio onde se encontra o Auto-Oceano, a ourivesaria Cação Ribeiro o Emabar, e o café Aviz. Junto a uma porta onde iria nascer o Café Aviz, está “estacionado” um burro. O prédio a seguir está em construção. Aí iria nascer a nova estação de Correios, hoje desactivada nesse objectivo.
A seguir vê-se um quintal, com uma palmeira já com algum porte, no local onde actualmente se situa a Caixa Geral de Depósitos.
A seguir está um prédio de rés-do-chão onde anos mais tarde irá surgir a Pensão Aviz, tal como a conhecemos hoje.
Ao fundo ao alto vê-se a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, hoje completamente tapada pela construção em altura entretanto edificada.
A Rua é empedrada e passeio só do lado do Jardim Público. Este é envolvido por muro de alvenaria e as entradas são em Pórtico. O Clube já lá está.
É uma imagem cheia de ternura pelo nosso passado que vos ofereço.