quinta-feira, abril 07, 2011

FERREL VENCEU!!!

A Assembleia da República foi dissolvida. Que importa? Ferrel já é Vila.
O FMI vem ai? Ferrel venceu.
O subsídio de férias vai à vida com o 13º mês? Que importa isso se no último dia dos Deputados em exercício, se votou favoravelmente a ascensão da localidade de Ferrel.
Os salários e pensões vão ser congelados? O IVA vai aumentar para 25 ou 27%? Tudo isto são minudências quando comparadas com o mérito da proposta de elevação de Ferrel a Vila, aprovada no último minuto de existência do galinheiro nacional.
Durante mais de 5 anos não vamos ter dinheiro para “mandar-cantar-um-cego”? O país vai ter mais de um milhão de desempregados? Os Partidos vão por no lixo os seus programas políticos e governar com o programa do FMI? É indiferente quem vai ganhar as eleições? Não vai ser necessária justa causa para despedir trabalhadores? Milhares de pequenas empresas vão encerrar portas? Vamos voltar a uma economia de subsistência? As greves terão só um valor teórico? Iremos maldizer Abril e a Europa?
Estou-me borrifando para isso tudo. Graças à mediação de um deputado do Distrito de Leiria, com o apoio dos outros senhores deputados todos, Ferrel já é Vila.
O bom Povo de Ferrel agora já tem a quem mostrar o seu reconhecimento. Quase ao mesmo tempo que o 1º ministro que deus haja anunciou a bancarrota no país e a nossa entrada no Asilo Europeu da Santa Mediocridade, este nosso lugar de sonho tornou-se Vila, não ficando assim atrás da Atouguia da Baleia e da Serra d’ El-Rei. O Futuro de Ferrel e da Nação Portuguesa está assegurado. Foi o estertor de uma Assembleia da República que a partir de agora se limitará a gerir as indigestões das feijoadas dos nossos Deputados.

PS: Errei quando aqui há dias escrevi aqui afirmando que Ferrel teria de esperar pelas “calendas gregas” para ser vila. Afinal só teve de esperar pelo fim da 3ª República Portuguesa.

quarta-feira, abril 06, 2011

PERDER BATALHAS NÃO É PERDER A GUERRA

Nasci no pleno da II Guerra Mundial. Fui crescendo com as faltas normais neste tipo de situações. Faltava dinheiro, havia senhas. Faltava açúcar, havia farinha maizena. E por aí fora. Recordo as cantigas que a minha mãe cantava sobre os despojados da guerra. Já adolescente sentia uma vontade enorme de ler as Selecções do Reader’s Digest dos anos 41, 41, e por aí fora em que se relatavam os actos heróicos dos soldados da RAF e dos Americanos, contra os japoneses e nazis alemães.
Não era fácil no final dos anos 50 do século passado e com 13, 14 anos, nutrir algum tipo de simpatia por nazis, fascistas italianos ou por japoneses torturadores e cheios de ódio por tudo o que fosse o ocidente. A leitura das Selecções foi a minha primeira bíblia política.
Com o andar dos anos comecei a sentir alguma comiseração pelo povo alemão, italiano e japonês. Afinal foram destruídos ao longo de uma guerra e com ajuda dos EUA e da Inglaterra conseguiram em poucos anos recuperar os seus países e torná-los florescentes. Aprendi a respeitar esses países. A Alemanha e o Japão tornaram-se o símbolo de como aplicando bem as ajudas recebidas, se pode reconstruir uma nação sem esperança após uma pesada derrota. E a Alemanha era um caso mais paradigmático pois tinha conseguido fazê-lo apesar de dividida e uma parte importante do seu território estar ocupado pelo regime soviético.
A bola terrestre continua a rolar sobre si própria. Caíram os regimes opressivos de leste. A Alemanha tornou-se una e redescobriu-se a si própria. Olhou para a Europa que a tinha humilhado por duas vezes no século XX e percebeu que só tinha perdido duas batalhas. Que existiam formas mais inteligentes de ganhar guerras. Sem perder soldados. Conquistar território sem que alguém a acuse de invasora. Construiu com a França de Pétain uma entidade apetitosa. Foi à RDA e conseguiu um espírito suficientemente arguto para levar avante os seus propósitos. Desconfiados, os ingleses nunca trocaram nacionalidade por recordações de Berlim. Os países menos desenvolvidos ou com maior avidez tornaram-se um alvo fácil. Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda, Itália, foram ocupados sem um murmúrio. Perderam identidade e nacionalidade sem uma queixa. Ou um reparo dos restantes. Somos hoje um feudo respeitador da possessão a que pertencemos. E a coroa de glória de tudo isto é um Tratado de Lisboa que escreve preto no branco a ocupação consentida do nosso território, sem que o Povo Português se tivesse pronunciado. Cobardes que somos perante os poderosos, engolimos a torpeza e deixámos de ser quem éramos. Para estarmos agora onde estamos.

Votar para quê? Para que sejam o Sócrates ou o Coelho os representantes da toda-poderosa Alemanha? Esta deu de barato duas batalhas. Mas foi ela quem ganhou a guerra sem um soldado perdido, sem um arranhão. Esses sobram para nós.

terça-feira, abril 05, 2011

VERDADE E CONSEQUÊNCIA

Já correram rios de tinta sobre a queda do governo, o malandro do Sócrates e o oportunismo do PS. Se é verdade que foram estes os executores finais de um conjunto de atitudes arrogantes e prepotentes que os tornou os alvos fáceis da bancarrota em que vivemos, não é menos verdade que conseguir uma santa aliança entre esquerda e direita no sentido de derrubar um governo, não é tarefa fácil nem de pouca monta.
Só o Estado Novo (de que eu me recorde) conseguiu tanta unanimidade entre sectores tão díspares da vida política portuguesa.
Começam agora a levantar-se os véus de nebulosa teia tecida. PCP (não se diz nada sobre a CDU, nem sobre os Verdes) vai reunir com o BE visando uma eventual aproximação de objectivos e acções pós-eleitorais por parte dos partidos mais à esquerda do panorama político nacional.
PSD e CDS há muito que decidiram partilhar os lugares do poder quando um deles for governo.
O PS orgulhosamente só, aceita facilitar medidas excepcionais que possam retirar o país do atoleiro em que se afundou. Isto pressupõe que facilitará ou proporá (se for Governo) medidas de contenção e de desaceleração da nossa capacidade de aproximação à Europa, para permitir que o tal deficit possa ser atingido.
Desta última decisão, releva a necessidade de nomear os actuais apoiantes para lugares de substantiva segurança económica, de forma a ficarem a coberto de eventuais resultados eleitorais menos bons para o PS.
Torna-se relativamente fácil perceber o futuro próximo. Os dias do PSD estão a chegar. O PS vai entrar em período de desagregação interna. Resta-nos leiloar Portugal.

segunda-feira, abril 04, 2011

Poema Temperamental

Por Joaquim Pessoa

Ó caralho! Ó caralho!
Quem abateu estas aves?
Quem é que sabe? quem é
que inventou a pasmaceira?
Que puta de bebedeira
é esta que em nós se vem
já desde o ventre da mãe
e que tem a nossa idade?
Ó caralho! Ó caralho!
Isto de a gente sorrir
com os dentes cariados
esta coisa de gritar
sem ter nada na goela
faz-nos abrir a janela.
Faz doer a solidão.
Faz das tripas coração.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque não vem o diabo
dizer que somos um povo
de heróicos analfabetos?
Na cama fazemos netos
porque os filhos não são nossos
são produtos do acaso
desde o sangue até aos ossos.
Ó caralho! Ó caralho!
Um homem mede-se aos palmos
se não há outra medida
e põe-se o dedo na ferida
se o dedo lá for preciso.
Não temos que ter juízo
o que é urgente é ser louco
quer se seja muito ou pouco.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque é que os poemas dizem
o que os poetas não querem?
Porque é que as palavras ferem
como facas aguçadas
cravadas por toda a parte?
Porque é que se diz que a arte
é para certas camadas?
Ó caralho! Ó caralho!
Estes fatos por medida
que vestimos ao domingo
tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos
e tornam-nos tão cruéis
que para comprar anéis
vendemos os próprios dedos.
Ó caralho! Ó caralho!
Falta mudar tanta coisa.
Falta mudar isto tudo!
Ser-se cego surdo e mudo
entre gente sem cabeça
não é desgraça completa.
É como ser-se poeta
sem que a poesia aconteça.
Ó caralho! Ó caralho!
Nunca ninguém diz o nome
do silêncio que nos mata
e andamos mortos de fome
(mesmo os que trazem gravata)
com um nó junto à garganta.
O mal é que a gente canta
quando nos põem a pata.
Ó caralho! Ó caralho!
O melhor era fingir
que não é nada connosco.
O melhor era dizer
que nunca mais há remédio
para a sífilis. Para o tédio.
Para o ócio e a pobreza.
Era melhor. Com certeza.
Ó caralho! Ó caralho!
Tudo são contas antigas.
Tudo são palavras velhas.
Faz-se um telhado sem telhas
para que chova lá dentro
e afogam-se os moribundos
dentro do guarda-vestidos
entre vaias e gemidos.
Ó caralho! Ó caralho!
Há gente que não faz nada
nem sequer coçar as pernas.
Há gente que não se importa
de viver feita aos bocados
com uma alma tão morta
que os mortos berram à porta
dos vivos que estão calados.
Ó caralho! Ó caralho!
Já é tempo de aprender
quanto custa a vida inteira
a comer e a beber
e a viver dessa maneira.
Já é tempo de dizer
que a fome tem outro nome.
Que viver já é ter fome.
Ó caralho! Ó caralho!
Ó caralho!

domingo, abril 03, 2011

FOI ALMOÇAR A CASA...Numa galeria de arte, uma mulher está parada em frente de um quadro muito estranho, cujo nome é: 'Foi almoçar a casa'.
Nele, estão representados três negros nus, sentados num banco de jardim, com os seus pénis em primeiro plano. Mas, curiosamente, o homem do meio tem o pénis cor-de-rosa...
- Desculpe-me - diz a mulher ao funcionário da galeria- eu estou curiosa a respeito desses negros. Por que é que o homem do meio tem o pénis cor-de-rosa?
O funcionário responde:
-Receio que a senhora não tenha interpretado bem o quadro. Esses homens não são negros; eles trabalham numa mina de carvão, e o homem que está sentado no meio...'Foi almoçar a casa'...!

sábado, abril 02, 2011

SORRIA SFF














sexta-feira, abril 01, 2011

O MATAR DA ESPERANÇA

Ouvi ontem de supetão esta expressão dita por uma economista de seu nome Cândida Morais. Senti-me atingida por ela como se fosse um raio. Pareceu-me do pouco que ouvi que também ela não acredita nos nossos políticos, sejam eles quem forem. Não acredita também no PR como entidade capaz de ser mobilizadora e geradora de uma nova ética política em Portugal.
Fiquei com a convicção de que o que ela pretendia dizer é que estamos entregues a nós próprios. Não acreditamos em ninguém, nem ninguém acredita nas nossas capacidades de nos comportarmos como adultos e responsáveis. Estamos a destruir a capacidade de sobrevivência das gerações vindouras e nem olhamos para trás.
Os nossos políticos falam para nós através das câmaras de televisão, olhando-nos com um olhar seráfico e falam-nos com voz de “padrecas” de aldeia do há 2 séculos atrás, como se nós fossemos os culpados da situação que enfrentamos e fazendo-nos crer que só não estamos pior, porque as suas orações nos dão ainda algum conforto.
Não há perdão para o facto de sermos o que somos. Somos o mictório das praias. Somos as casas de banho das sociedades de cultura e recreio. Somos a doença venérea dos prisioneiros de perpétuas. Pessoa e os outros foram acasos. De facto somos assim. Entregues à injúria e e ao desespero. Somos mortos sem sepultura como dizia Sartre. Mortos-vivos sem esperança caminhando sem saber para quê.
Já entregámos a carteira e a honra. Agora fiquem-nos com a vida e façam dela o que quiserem. Empanturrem-se com ela e vomitem-na. Façam como os anorécticos. Nós estamos aqui à espera já não sabemos de quê. Escarrem em cima de nós. Sirvam-se senhores políticos. A mesa do vosso jantar está posta.

quarta-feira, março 30, 2011

O NOBEL DA ARQUITECTURA (O que é que isso tem a ver com Peniche?)
O júri do Prémio Pritzker, considerado o Nobel da Arquitectura, premiou este ano o Arquitecto Eduardo Souto Moura pelo conjunto da sua obra. "Durante as últimas três décadas, Eduardo Souto Moura produziu um corpo de trabalho que é do nosso tempo mas que também tem ecos da arquitetura tradicional. Os seus edifícios apresentam uma capacidade única de conciliar características opostas, como o poder e a modéstia, a coragem e a subtileza". É uma das afirmações contidas no comunicado onde é referenciada a atribuição deste prémio. Para os menos atentos Souto Moura é o autor do Estádio Municipal de Braga, que já constitui um ex-libris daquela cidade.
Também é da sua autoria “A Casa das Histórias” dedicada a Paula Rego e o Monumento ao episódio da “Ponte das Barcas” sito na Ribeira do Porto e de que damos uma imagem colhida do JN.
É esta foto que me fez recordar alguma coisa. Fez-se um flash em mim. Recordei-me do grupo escultórico que se encontra no Campo da República em Peniche, que já começa a aparecer vandalizado.
Sem título, e sem qualquer indicação do autor ou autores, ali está à mercê das análises pouco abonatórias de uns quantos parolos, que de vez em quando decidem abrir a caixa onde se deveriam encontrar os neurónios para deixar escorrer a escória que lá albergam.Acredito que se algum trabalho de Souto Moura fosse feito em Peniche, mereceria exactamente os mesmos impropérios.


Não estamos disponíveis para abrirmos os olhos ao que de inovador vai surgindo. Bom ou mau são tentativas de criar novas fórmulas de interpretação da realidade para que teremos de estar despertos. Ou então tudo vai acontecer sem que alguma vez estejamos preparados.
No fim olhamos para nós e vamos dizer que não demos por nada. Estaremos no fim da cadeia do desenvolvimento do pensamento e da criatividade.

terça-feira, março 29, 2011

A GRANDE DISSOLUÇÃO

Espero com grande ansiedade o dia em que o Grande Timoneiro vai dissolver a Tribuna dos incompetentes e marcar eleições que escolherão outros tribunos mais capazes para as ciclópicas tarefas que os esperam.
É assim: - uma pequena parte da população escolhe a quem lá quer dar assento. Mas como o banquete só chega para uns quantos, a certa altura os que nem chegam às migalhas revoltam-se, “cagam” naquilo que os poucos portugueses que se incomodaram a escolher decidiram, e nas costas de quem podia escolher correm a pontapé com os escolhidos.
Confundidos? Não se preocupem. Não tem importância nenhuma. Vai sempre dar ao mesmo.
O Grande Timoneiro quando há ano e meio deu posse aos miseráveis, não sugeriu uma maioria alargada para governar. Agora que os indigentes foram para a rua já “sugere” (?) essa regra. Dir-me-ão que essa é a forma de condicionar as escolhas. Será. Mas é a Bem da Nação.
Até para estender a mão e nos comportarmos como indigentes temos restrições. Maldita Europa!
Eu cá quero ser pobrezinho e não perder a minha dignidade. E se a tiver que perder que seja em grande. Por isso sugiro passarmos a protectorado da Grande Nação Alemã. Ficamos como a sua reserva para o Surf e para o Sol. Poupamos em eleições e em Parlamentos pueris. Obrigam-nos a trabalhar? Paciência. Sempre será melhor que aturar os nossos políticos a fingirem que se preocupam connosco. O Português passa a dialecto? O Alemão passa a língua materna? Antes uma boa madrasta que uma estúpida e má mãe.
Não preciso de votar. Preciso é de ser respeitado mesmo que seja mendigo. E se for mendigo que estenda a mão à moedinha com que vou comprar a minha carcaça. Recuso-me a trabalhar para o peditório dos que se estão borrifando para mim.

segunda-feira, março 28, 2011

SEJA FEITA A VOSSA VONTADE

A aliança sadomasoquista entre a direita e a esquerda parlamentar portuguesa, acaba de comprometer toda e qualquer futura acção governativa para um melhor desempenho dos professores nas escolas, ao suspender toda e qualquer avaliação dos professores.
Estes e os seus anacrónicos sindicatos rejubilaram. Julgam os políticos de meia-tijela que ocupam espaços sentados na Assembleia da República que com isso ganham votos e eleições, fazendo com que o Partido do Poder perca uns e outras. Trata-se de uma vitória de Pirro se é que a cambada de deputados eleitos e que agora vão ser despedidos sabem o que isso é.
Os sindicatos e os professores estão como querem. Sem qualquer avaliação, dizendo à boca-cheia que a desejam. Serão avaliados administrativamente, e só pelo facto de terem estado empregados numa escola terão entre Bom e Muito Bom. E será assim que o nosso ensino irá percorrer os próximos tempos. Estes estúpidos deputados que agora fizeram isto, não sabem e nem sonham que a instalação de um sistema de avaliação com alguma coerência levará no mínimo 3 anos a montar e depois ficará sujeito às manifestações de rua e às greves consequentes até vir a ser aprovado em definitivo.
Queixam-se os professores (e os sindicatos) que este sistema de avaliação agora revogado não é formativo. Perguntemos aos profs se avaliam os alunos de forma formativa e aferida, os se a avaliação com que exercem a sua acção nas aulas não é de uma maneira geral, exclusivamente sumativa. E se isto tem nuances no ensino básico, não tenho qualquer dúvida que é o único sistema utilizado no Secundário. Isto é, não me faças a mim o que eu faço aos outros.
Acredito que o sistema agora revogado por quem teria o dever de cuidar da competência e da qualidade de ensino, tivesse defeitos. Que deveriam ser corrigidos. A obrigação era propor essas alterações e caso o Governo não as quisesse introduzir então fossem aprovadas como propostas de Lei. Enquanto isso não estivesse feito, manter-se-ia o sistema agora revogado e não se permitiria um vazio na Lei que só poderá conduzir ao laxismo e à incompetência.
Entrámos no regabofe completo. Por estas e por outras é que eu não encontro alternativas para o Governo do nosso País. E vou continuar a VOTAR EM BRANCO, que é a única forma que tenho de demonstrar desprezo pela classe política que nos governa.

domingo, março 27, 2011

sábado, março 26, 2011

EXISTEM SINAIS DE BELEZA POR AÍ, QUE ATENUAM OS EFEITOS DA CRISE

sexta-feira, março 25, 2011

RENDAS DE BILROS: - O FIM ANUNCIADO

Em boa hora a CMP está distribuindo pelas escolas básicas vídeos e puzzles sobre as Rendas de Bilros. As nossas crianças transportarão assim com elas a memória de um artesanato característico do nosso Concelho que dentro de alguns anos só será possível ver e compreender em Museus. Dentro de alguns anos, tão difícil como mumificar corpos à maneira egípcia, será executar rendas de bilros tal como hoje as conhecemos.
Sejamos claros. Ninguém hoje está disponível para estar uma semana ou mais sentada numa almofada a trabalhar na sua execução, para depois vender esse trabalho por 50€. Se nós advogamos um salário mínimo nacional de pelo menos 500€, quem é que consegue da forma como são hoje comercializadas as rendas de bilros e com a retracção ao consumo que existe, vender o seu trabalho em rendas de bilros pelo menos por 600€ por mês, de forma a pagar piques, linhas, alfinetes, bilros e cerzideiras e a tirar o ordenado mínimo para si?
Quem são as jovens de hoje que estão disponíveis para estar 8 horas diárias fechadas numa sala a dar ao dedo, limitando assim a sua capacidade de poder ver para além de 4 paredes, alfinetes e bilros?
Faz bem a CMP e o seu Vereador da Cultura em concursos junto das crianças. Faz bem em organizar as mostras de rendas com outros países em que esta forma de artesanato ainda existe. Deveriam aliás ser recolhidos em Vídeo estes momentos. Para memória futura.
Desaparecendo as pessoas com mais de 50 anos assim desaparecerão as picadeiras, as cerzideiras e as rendilheiras.
Ficarão umas quantas que pagas a peso de ouro realizarão algumas aplicações mais simples para utilizar em vestidos de noiva mais sofisticados ou em adereços de alta-costura. Mas então já não sobrarão encomendas. Só artífices mais conceituadas realizarão essas obras de arte.
Dos cursos de Formação de Rendas de Bilros realizados consumindo o dinheiro de todos nós, quantas rendilheiras ficaram? Onde trabalham e para quem? Para si próprias? Para firmas dedicadas a esse comércio?
Bem empregue é o dinheiro que a CMP consome nas suas iniciativas e na manutenção da sua Escola de Rendas de Bilros. O Jardim Público é um óptimo local de exposição do pouco que resta. Pena o Museu de Rendas de Bilros não ocupar um local central da nossa cidade. Onde a par da Escola os visitantes pudessem consultar o espólio magnifico de que Peniche é portador e guardião.
Mal empregue é o dinheiro consumido na manutenção da ficção que constitui a “Peniche Rendibilros”. Balões de soro não lhe dão nem convicção, nem labor nem criatividade suficientes para justificar a existência de um mecenas, como se vivêssemos em tempo de vacas gordas. O dinheiro assim poupado poderá reverter a favor das iniciativas que a Câmara vai desenvolvendo para manter estas memórias.
Já que têm os seus dias contados que ao menos as Rendas de Bilros acabem com dignidade.

quinta-feira, março 24, 2011

E AGORA FERREL?

Caído o Governo que sustentava os pequenos-grandes vícios de uns quantos que não foram escolhidos por ninguém e que se limitam a recolher as sobras dos maiorais, a Assembleia da República será dissolvida.
Com essa dissolução caiem uns quantos projectos de Lei, nomeadamente aqueles que pretendiam satisfazer pequeninas vaidades e medalhas para futuros projectos. Entre outros cai a elevação a Vila de Ferrel.
Quero reafirmar aqui o meu respeito e amizade pessoal para com Ferrel e os seus naturais. Tenho lá grandes amigos e pessoas que ajudaram a cuidar de mim mal eu nasci. Sou um amigo de Ferrel. Isso não me impede no entanto de julgar que a sua elevação a Vila é tão pueril como a elevação da Serra de El-Rei a Vila e a elevação de Peniche a Cidade. Estas iniciativas têm como único objectivo poder ser utilizados na lapela como medalhas pelos seus promotores.
A elevação de Peniche a Cidade é da responsabilidade do PPD/PSD.
A elevação da Serra a Vila foi uma iniciativa do PCP/CDU.
Faltava uma medalha destas ao PS aqui no concelho. Vinha agora com a elevação de Ferrel a Vila.
Peniche com esta iniciativa ficava a ser o Concelho português com maior número de cidades e vilas por quilómetro quadrado. E é de esperar que o CDS e o BE se mantenham na prateleira aqui no concelho. Senão teremos dentro em breve as Vilas da Bufarda e de Geraldes.
O Fernando Pessoa definiu estas coisas magistralmente num pequeno ensaio designado por “O Provincianismo Português” que em Peniche se manifesta em plenitude e de que eu reproduzo aqui o parágrafo inicial, podendo em todo o caso para os interessados ser lido na totalidade consultando o Google.

"Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a realidade com o fito de a compreender, quisermos resumir num síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo."

A crise que atravessamos de valores, económica, política e de pensamento, vai ter as suas implicações nos resultados eleitorais que se irão verificar em Junho. Isto vai por certo ter as suas implicações na coroação de Ferrel como Vila. Vai ter de esperar mais uns tempos pelo menos. E também depende da vontade política que então se manifestar. Interessante para Ferrel seria o PS voltar a ganhar as eleições. Mais interessante mesmo só se o PS voltasse a ganhar com maioria absoluta. Obrigar esta gentalha a engolir o Sócrates de novo em todo o seu esplendor, levar-me-ia a rir até às lágrimas. Mas eu tenho as minhas dúvidas que estes cenários hilariantes se manifestem.
A Ferrel e às suas gentes direi que tenham orgulho na sua terra. Vocês, a vossa cultura e património humano que tendes, valem mais que a elevação a qualquer coisa. Vale mais ser um grande lugar, que uma pequena vila. Para tomardes decisões que vos trouxeram para a história contemporânea de Portugal, vocês nunca precisaram de títulos. Bastou-vos a vossa coragem e determinação. Ferrel é das terras onde podemos ver com olhos de ver uma terra que sabe o que quer. De gente trabalhadora e fiável. Nunca Ferrel esperou por nenhum político para fazer a defesa da sua honra. Sejam dignos do vosso passado e do vosso presente e mandem às ortigas a cretinice de vos quererem fazer Vila. Já tendes os melhores legumes da Europa e das melhores ondas do Mundo. Quem quiser que se ajoelhe. Um Ferreleijo não se verga.

quarta-feira, março 23, 2011

E EM PENICHE, SENHOR?

Aqui estamos numa paz podre onde só chegam os reflexos do que acontece fora deste espaço amuralhado. Estar aqui hoje tem exactamente o mesmo cheiro e sabor que tinha há 20 anos atrás. Não se sente a política fora de um qualquer contexto eleitoral.
Sabe-se que existem dificuldades económicas pela enorme quantidade de espaços comerciais por alugar. Para além disso, as discotecas continuam a funcionar às 6ªs, sábados e vésperas de feriado, os jovens começam a deslocar-se para as praias para aproveitar o sol que tardou em aparecer.
É certo que existem uns quantos prédios novos. Mas salvo raras e honrosas excepções nada que mereça um olhar mais atento.
Vão desaparecendo pessoas que ajudaram a dar identidade a Peniche. A cegueira, a inveja e este sentimento ilhéu de cusquice e maledicência, ocultam aos nossos olhos o que mereceria ser relevado e perseguido como exemplo. Enfim, continuamos iguais a nós próprios. Não há PEC que nos valha.

terça-feira, março 22, 2011

A FORMA E O CONTEÚDO

Na idade média tudo era vénias e “protocóis”. Aprendemos entretanto que boa educação sim, mas vénias e beija-mãos não são indispensáveis. É adequado e importante lutar para se atingirem objectivos conhecidos que são os conteúdos e reconhecidos como fundamentais.
Vem esta conversa da treta a propósito da queda iminente do Governo, a pretexto de que não terá sido institucionalmente correcto na forma como aquela coisa do PEC foi apresentado, embora se reconheça a necessidade de aplicar medidas rigorosas a fim de estancar o desvario económico em que mergulhámos.
Os conceitos em que assentam os pressupostos ideológicos do PCP e do BE não permitiriam nunca outra atitude a estes partidos que não fosse votar contra o que o Governo pretende. Nem aliás estes Partidos se preocupam com a forma como esta “merda” aparece. O que os preocupa é o ataque sistemático aos mais desfavorecidos, deixando de fora os grupos económicos.
O CDS tem de fazer o que faz para o “Paulinho” poder continuar a frequentar as feiras. Embora quando isto tudo terminar, (eleições incluídas) se vá por de cócoras para pertencer a um Governo de coligação onde irá aprovar o que agora recusa.
O PSD é uma carga de trabalhos. Vai provocar a descida aos infernos e vai descer connosco até junto do demo. Estando de acordo com o PS e não permitindo que seja ele a fazer o trabalho sujo, vai dar um novo fôlego aos ditos socialistas que nos (des)governam. O PSD vai tentar entrar por um caminho de calvário de que se tem conseguido livrar até agora.
O PS vai perder as eleições por culpa própria mas vai ganhar um período de acalmia para se refazer das socráticas idiotices, que lhe vai ser fundamental para ser de novo governo daqui a 3/4 anos e sem odioso de ter governado contra os portugueses. O Passos Coelho entrará para a História do PSD lutando lado a lado com Santana Lopes para se saber quem foi o mais “ingénuo” dos dois.
PS e PSD são fruta da mesma cepa, utilizam os mesmos fertilizantes e os mesmos insecticidas e não têm remédio. Ganhe quem ganhar será estúpido quem não perder.
PS: O mais importante para mim é que o PS perca e que consiga fazer uma depuração. O PS não ir para o Governo, repensar-se e repensar no que fez do capital de esperança que a certa altura os portugueses nele depositaram, já será bom. Mas isso só acontecerá se se conseguir libertar dos cinzentões a que se amarrou em função das suas conveniências políticas.

domingo, março 20, 2011

GENTE CONVENCIDA RECEBE A SUA LIÇÃO!

ASNOS
No Curso de Medicina, o professor se dirige ao aluno e pergunta:
- Quantos rins nós temos?
- Quatro! Responde o aluno.
- Quatro? Replica o professor, arrogante, daqueles que sentem prazer em tripudiar sobre os erros dos alunos.
- Tragam um feixe de capim, pois temos um asno na sala. Ordena o professor a seu auxiliar.
- E para mim um cafezinho! Replicou o aluno ao auxiliar do mestre.
O professor ficou irado e expulsou o aluno da sala. O aluno era Aparício Torelly Aporelly (1895-1971), o 'Barão de Itararé'. Ao sair da sala, o aluno ainda teve a audácia de corrigir o furioso mestre:
- O senhor me perguntou quantos rins 'NÓS TEMOS'. 'NÓS' temos quatro: dois meus e dois seus. 'NÓS' é uma expressão usada para o plural. Tenha um bom apetite e delicie-se com o capim.

A ROUPA FAZ A DIFERENÇA?
Sem maiores preocupações com o vestir, o médico conversava descontraído com o enfermeiro e o motorista da ambulância, quando uma senhora elegante chega e de forma ríspida, pergunta:
- Vocês sabem onde está o médico do hospital?
Com tranquilidade o médico respondeu:
- Boa tarde, senhora! Em que posso ser útil?
Ríspida, retorquiu:
- Será que o senhor é surdo? Não ouviu que estou procurando pelo médico?
Mantendo-se calmo, contestou:
- Boa tarde, senhora! O médico sou eu, em que posso ajudá-la?!?!
- Como?!?! O senhor?!?! Com essa roupa?!?!...
- Ah, Senhora! Desculpe-me! Pensei que a senhora estivesse procurando um médico e não uma vestimenta....
- Oh! Desculpe doutor! Boa tarde! É que... Vestido assim, o senhor nem parece um médico...
- Veja bem as coisas como são...- disse o médico -... as vestes parecem não dizer muitas coisas, pois quando a vi chegando, tão bem vestida, tão elegante, pensei que a senhora fosse sorrir educadamente para todos e depois daria um simpaticíssimo "boa tarde!"; como se vê, as roupas nem sempre dizem muito...

BOA RESPOSTA
Um mecânico está desmontando a cabeça de uma moto, quando ele vê na  oficina um cirurgião cardiologista muito conhecido. Ele está olhando o mecânico trabalhar. Então o mecânico pára e pergunta:
- 'Ei, doutor, posso fazer-lhe uma pergunta?'
O cirurgião, um tanto surpreso, concorda e vai até a moto na qual o mecânico está trabalhando. O mecânico se levanta e começa:
- “Doutor, olhe este motor. Eu abro seu coração, tiro válvulas, conserto-as, ponho-as de volta e fecho novamente, e, quando eu termino, ele volta a trabalhar como se fosse novo. Como é então, que eu ganho
tão pouco e o senhor ganha tanto, quando nosso trabalho é praticamente o mesmo?”
Então o cirurgião dá um sorriso, se inclina e fala bem baixinho para o mecânico:
- 'Você já tentou fazer como eu faço, com o motor funcionando?

sábado, março 19, 2011

TUBARÕES ESPERTOS!!!
Com a crise económica instalada e prestes o cenário de novas eleições, o Primeiro-Ministro convocou para uma cimeira nos Açores os líderes dos partidos da oposição visando uma última tentativa para criar estabilidade. O que é certo é que o avião em que seguiam teve um acidente grave caíu ao mar a meio do Atlântico numa zona frequentada por tubarões perigosissimos. Agarraram-se os 5 a um destroço e aguardaram que os viessem salvar.

Enquanto isto dois enormes tubarões brancos observavam os sobreviventes do naufrágio.
- Siga-me, filho. - disse o tubarão pai para o tubarão filho.
E nadaram até aos náufragos.
- Primeiro vamos nadar em volta deles com apenas a ponta das nossas barbatanas aparecendo fora da água.
E assim eles fizeram.
- Muito bem, meu filho! Agora vamos nadar ao redor deles, algumas vezes, com nossas barbatanas todas de fora.
E assim eles fizeram.
- Agora nós podemos comê-los a todos eles.
E assim eles fizeram.
Quando finalmente se saciaram, o filho perguntou:
- Pai, por que nós não os comemos logo de início? Por que ficámos nadando ao redor deles várias vezes?
O sábio e experiente pai tubarão respondeu:
- Porque ficam muito mais saborosos sem merda lá dentro...

sexta-feira, março 18, 2011

O REGABOFE CONTINUA
Crise não crise. Impostos sim impostos não. Ou ficas sem parte da tua pensão ou o país vai à falência. Podes ficar com a pensão toda desde que me entregues o subsídio de férias. O outro quer eleições eu não quero. Eu sou verdadeiro e honrado o outro é que não. Há burros entre nós que dizem o que não devem dizer. O estrangeiro olha para nós de soslaio. O estrangeiro admira a nossa capacidade de recuperarmos. A senhora Merkel isto, o senhor Sarkosy aquilo. A radioactividade não nunca mais cá chega. A Casa Pia não tem fim. A Face Oculta está descoberta, O Juiz não aceita o que lhe mandam fazer. Os senhorios rejubilam. As empresas de transportes conseguem aquilo a que mais ninguém tem direito. Os medicamentos não descem. O peixe está mais caro. Vai faltando dinheiro onde sobra mês. Vamos todos piorar em qualidade de vida mas vamos melhorar em capacidade de sobrevivência. Os professores fogem das escolas, os médicos dos hospitais, os padres das Igrejas, as mulheres do aconchego dos lares, os casais fogem de ser pais, os que se juntam de casar, os que se separam dos tribunais, os devedores da banca, os empregos fogem das pessoas. Socratices para cá, Passisses para lá, Jeromices para dentro, Portices para baixo, Louçanices para cima.
VIVA O FUTEBOL E O TALENTO DOS PORTUGUESES.

quinta-feira, março 17, 2011

O JAPÃO E PENICHE

Não conheço ninguém que não se sinta perturbado com o que aconteceu no Japão nos últimos oito dias. Um terramoto com uma amplitude invulgar, seguido de um tsunami com uma impressionante capacidade de destruição e a isso tudo soma-se uma crise nuclear com as suas centrais à beira da ruptura, tornaram o Japão com a 2ª ou 3ª maior economia mundial, um país à beira do colapso.
O que a 2ª Guerra Mundial não conseguiu está prestes a conseguir um fenómeno natural. Quando vejo o drama que se abate sobre aquela poderosíssima nação, sinto a fragilidade da condição humana e a futilidade da grande maioria das questões em que nos envolvemos. Mas não é aqui que me surgiu a ideia de comparação daquele país asiático com este singular concelho em que vivemos e mais propriamente com esta cidade perdida num rincão de terra junto ao atlântico.
O que me fez juntar o Japão e a Cidade de Peniche, foi esta também estar situada na zona da falha que deu origem ao terramoto de 1755. Liguei este facto a uma notícia que há poucos dias surgiu na imprensa local sobre um trabalho de doutoramento de alguém na área do urbanismo que pensou a requalificação da zona do Visconde. Trabalho esse que mereceu os maiores elogios e uma classificação excelente.
O que me perturba é que requalificação salva aquela gente perante um mero incêndio. Fazem-se tantos ensaios e tantos exercícios perante uma situação dessas e o Visconde seria um laboratório excelente para exercitar os mais experientes e melhores dos nossos bombeiros nacionais.
Quando o Japão que tinha tudo (?) previsto em caso de sismos foi impotente desta vez, o que acontecerá aquele Bairro perante uma situação de desabamento? È algo que não se deve sequer imaginar mas que os responsáveis têm a obrigação de pensar. Quantos de nós já foram ao Visconde num dia de mau tempo e sentiram o mar a rugir debaixo daquelas massas rochosas e a bater como se se tratasse de roncos de terras a abater?
Eu adoro trabalhos de requalificação que consideram prioritária a salvaguarda da vida humana. E ali tudo está em causa.