AS TENTAÇÕES DE JESUS NO DESERTO
Em lugar de destaque em minha casa está um livro que gosto de ler e reler. Independentemente das minhas opiniões pessoais sobre Fé, Deus e os Deuses em geral, os profetas e alguns dos teólogos que marcaram a civilização à qual pertenço, sabe-me bem a leitura de Parábolas, Salmos e Tratados filosóficos que releio com o mesmo apetite intelectual de sempre. Nessa prateleira mesmo junto ao PC estão várias Biblias, católica, Luterana, Anglicana, Mórmom, o Alcorão, Lao Tse, S. Tomás, S. Agostinho, Teillard de Chardin, João Paulo II.
Ontem a propósito de assunto que não vem “à baila”, reli S. Mateus e as tentações que Jesus sofreu antes de se apresentar perante os que o iriam ouvir. Resumem-se as tentações em três que passo a citar:
- "Se és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães" (4:3)
- "Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus"(4:4)
- "Então, o diabo o levou à Cidade Santa, colocou-o sobre o pináculo do templo e lhe disse: Se és filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem; e: Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra" (4:5-6)
- "Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus" (4:7)
- "Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou- lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares" (4:8-9)
- "Retira-te Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele darás culto"(4:10)
Ao reler esta magnifica história sobre o que pode levar um Homem a ceder na sua dignidade perante o que lhe é oferecido, veio-me de repente este princípio que quero guardar para mim:
- Todo aquele que procura Deus rapidamente, pode vir a encontrar-se com o Diabo.
"Conversar em Peniche" não é necessariamente conversar sobre Peniche. Também mas não só. Algumas vezes assumirá um papel de raiva. Ou de guerra. Será provocador qb. Comprometido. Não será isento nem de erros nem de verdades (os meus, e as minhas). O resto se verá...
quarta-feira, setembro 19, 2012
terça-feira, setembro 18, 2012
DO DISCURSO DO MÉTODO (DESCARTES)
«…considerei o que é necessário a uma proposição para ser verdadeira e correta; pois, já que encontrara uma que eu sabia ser exatamente assim, pensei que devia saber também em que consiste essa certeza. E, ao perceber que nada há no eu penso, logo existo, que me dê a certeza de que digo a verdade, salvo que vejo muito claramente que, para pensar, é preciso existir, concluí que poderia tomar por regra geral que as coisas que concebemos muito clara e distintamente são todas verdadeiras, havendo somente alguma dificuldade em notar bem quais são as que concebemos distintamente.
Depois, havendo refletido a respeito daquilo que eu duvidava, e que, por conseguinte, meu ser não era totalmente perfeito, pois via claramente que o conhecer é perfeição maior do que o duvidar, decidi procurar de onde aprendera a pensar em algo mais perfeito do que eu era; e descobri, com evidência, que devia ser de alguma natureza que fosse realmente mais perfeita. No que se refere aos pensamentos que eu formulava sobre muitas outras coisas fora de mim, como a respeito do céu, da Terra, da luz, do calor e de mil outras, não me era tão difícil saber de onde vinham, porque, não notando neles nada que me parecesse torná-los superiores a mim, podia julgar que, se fossem verdadeiros, seriam dependências de minha natureza, na medida em que esta possuía alguma perfeição; e se não o eram, que eu os formulava a partir do nada, ou seja, que existiam em mim pelo que eu possuía de falho. Mas não podia ocorrer o mesmo com a idéia de um ser mais perfeito do que o meu; pois fazê-la sair do nada era evidentemente impossível; e, visto que não é menos repulsiva a idéia de que o mais perfeito seja uma conseqüência e uma dependência do menos perfeito do que a de admitir que do nada se origina alguma coisa, eu não podia tirá-la tampouco de mim próprio.
De maneira que restava somente que tivesse sido colocada em mim por uma natureza que fosse de fato perfeita do que a minha, e que possuísse todas as perfeições de que eu poderia ter alguma idéia, ou seja, para dizê-lo numa única palavra, que fosse Deus. A isso acrescentei que, admitido que conhecia algumas perfeições que eu não tinha, não era o único ser que existia (usarei aqui livremente, se vos aprouver, alguns termos da Escola); mas que devia necessariamente haver algum outro mais perfeito, do qual eu dependesse e de quem tivesse recebido tudo o que possuía. Pois, se eu fosse sozinho e independente de qualquer outro, de maneira que tivesse recebido, de mim próprio, todo esse pouco mediante o qual participava do Ser perfeito, poderia receber de mim, pelo mesmo motivo, todo o restante que sabia faltar-me, e ser assim eu próprio infinito, eterno, imutável, onisciente, todo-poderoso, e enfim ter todas as perfeições que podia perceber existirem em Deus. Pois, de acordo com os raciocínios que acabo de fazer, para conhecer a natureza de Deus, tanto quanto a minha o era capaz, era suficiente considerar, a respeito de todas as coisas de que encontrava em mim qualquer idéia, se era ou não perfeição possuí-las, e tinha certeza de que nenhuma das que eram marcadas por alguma imperfeição existia nele, mas que todas as outras existiam. Dessa forma, eu notava que a dúvida, a inconstância, a tristeza e coisas parecidas não podiam existir nele, porque eu mesmo apreciaria muito ser desprovido delas.»
«…considerei o que é necessário a uma proposição para ser verdadeira e correta; pois, já que encontrara uma que eu sabia ser exatamente assim, pensei que devia saber também em que consiste essa certeza. E, ao perceber que nada há no eu penso, logo existo, que me dê a certeza de que digo a verdade, salvo que vejo muito claramente que, para pensar, é preciso existir, concluí que poderia tomar por regra geral que as coisas que concebemos muito clara e distintamente são todas verdadeiras, havendo somente alguma dificuldade em notar bem quais são as que concebemos distintamente.
Depois, havendo refletido a respeito daquilo que eu duvidava, e que, por conseguinte, meu ser não era totalmente perfeito, pois via claramente que o conhecer é perfeição maior do que o duvidar, decidi procurar de onde aprendera a pensar em algo mais perfeito do que eu era; e descobri, com evidência, que devia ser de alguma natureza que fosse realmente mais perfeita. No que se refere aos pensamentos que eu formulava sobre muitas outras coisas fora de mim, como a respeito do céu, da Terra, da luz, do calor e de mil outras, não me era tão difícil saber de onde vinham, porque, não notando neles nada que me parecesse torná-los superiores a mim, podia julgar que, se fossem verdadeiros, seriam dependências de minha natureza, na medida em que esta possuía alguma perfeição; e se não o eram, que eu os formulava a partir do nada, ou seja, que existiam em mim pelo que eu possuía de falho. Mas não podia ocorrer o mesmo com a idéia de um ser mais perfeito do que o meu; pois fazê-la sair do nada era evidentemente impossível; e, visto que não é menos repulsiva a idéia de que o mais perfeito seja uma conseqüência e uma dependência do menos perfeito do que a de admitir que do nada se origina alguma coisa, eu não podia tirá-la tampouco de mim próprio.
De maneira que restava somente que tivesse sido colocada em mim por uma natureza que fosse de fato perfeita do que a minha, e que possuísse todas as perfeições de que eu poderia ter alguma idéia, ou seja, para dizê-lo numa única palavra, que fosse Deus. A isso acrescentei que, admitido que conhecia algumas perfeições que eu não tinha, não era o único ser que existia (usarei aqui livremente, se vos aprouver, alguns termos da Escola); mas que devia necessariamente haver algum outro mais perfeito, do qual eu dependesse e de quem tivesse recebido tudo o que possuía. Pois, se eu fosse sozinho e independente de qualquer outro, de maneira que tivesse recebido, de mim próprio, todo esse pouco mediante o qual participava do Ser perfeito, poderia receber de mim, pelo mesmo motivo, todo o restante que sabia faltar-me, e ser assim eu próprio infinito, eterno, imutável, onisciente, todo-poderoso, e enfim ter todas as perfeições que podia perceber existirem em Deus. Pois, de acordo com os raciocínios que acabo de fazer, para conhecer a natureza de Deus, tanto quanto a minha o era capaz, era suficiente considerar, a respeito de todas as coisas de que encontrava em mim qualquer idéia, se era ou não perfeição possuí-las, e tinha certeza de que nenhuma das que eram marcadas por alguma imperfeição existia nele, mas que todas as outras existiam. Dessa forma, eu notava que a dúvida, a inconstância, a tristeza e coisas parecidas não podiam existir nele, porque eu mesmo apreciaria muito ser desprovido delas.»
segunda-feira, setembro 17, 2012
QUE FAZER?
Muitas centenas de milhares de pessoas por todo o país mostraram a sua indignação pelo futuro de miséria que os aguarda (ou que lhes querem fazer crer que é necessário) para poder tirar este país do lodaçal em que o colocaram.
À margem dos partidos políticos, embora alguns deles mais ou menos sabiamente se tivessem aproveitado da situação, os cidadãos choraram, gritaram, bateram tampas de tachos e de panelas, cantaram (o hino nacional), entoaram slogans, tudo isto porque lhes alimentaram a esperança e de repente disseram-lhes: “não há mais nada para os que sonharam que eram pessoas. O mundo é mesmo assim. De um lado os ricos (muitos), do outro os pobres (muitos)”. E se até os vários cleros se insurgem contra o estado de miserável pobreza a que chegámos, é porque já nem há pães, nem peixes para multiplicar.
Ganha a batalha dos “miseráveis” o que fazer com ela?
Os políticos (os mesmos de sempre) preparam-se para dar a volta ao texto e continuar a distribuir dividendos pelos seus fiéis seguidores. Os homens do dinheiro preparam-se para nos castigarem se não tivermos juízo. Alguns vão dizer 3 vezes que não estiveram na manifestação. Outros, os mais ingénuos imolar-se-ão de uma qualquer forma. E Portugal vai continuar a perder jogos atrás de jogos, sem que alguma vez possa pensar em chegar aos primeiros lugares do campeonato.
Mas vale a pena lutar? Claro que vale.
Vale a pena sonhar? Sim.
Um dia, as pessoas irão compreender que podem agarrar os seus destinos nas suas próprias mãos e a pontapé e estalo irão atirar para o caixote do lixo da histórea as figuras grotescas que agora nos condenam.
Muitas centenas de milhares de pessoas por todo o país mostraram a sua indignação pelo futuro de miséria que os aguarda (ou que lhes querem fazer crer que é necessário) para poder tirar este país do lodaçal em que o colocaram.
À margem dos partidos políticos, embora alguns deles mais ou menos sabiamente se tivessem aproveitado da situação, os cidadãos choraram, gritaram, bateram tampas de tachos e de panelas, cantaram (o hino nacional), entoaram slogans, tudo isto porque lhes alimentaram a esperança e de repente disseram-lhes: “não há mais nada para os que sonharam que eram pessoas. O mundo é mesmo assim. De um lado os ricos (muitos), do outro os pobres (muitos)”. E se até os vários cleros se insurgem contra o estado de miserável pobreza a que chegámos, é porque já nem há pães, nem peixes para multiplicar.
Ganha a batalha dos “miseráveis” o que fazer com ela?
Os políticos (os mesmos de sempre) preparam-se para dar a volta ao texto e continuar a distribuir dividendos pelos seus fiéis seguidores. Os homens do dinheiro preparam-se para nos castigarem se não tivermos juízo. Alguns vão dizer 3 vezes que não estiveram na manifestação. Outros, os mais ingénuos imolar-se-ão de uma qualquer forma. E Portugal vai continuar a perder jogos atrás de jogos, sem que alguma vez possa pensar em chegar aos primeiros lugares do campeonato.
Mas vale a pena lutar? Claro que vale.
Vale a pena sonhar? Sim.
Um dia, as pessoas irão compreender que podem agarrar os seus destinos nas suas próprias mãos e a pontapé e estalo irão atirar para o caixote do lixo da histórea as figuras grotescas que agora nos condenam.
sábado, setembro 15, 2012
sexta-feira, setembro 14, 2012
O QUADRO FORA DA PAREDE
Nos tempos em se jogava ao “chepe” aos sábados e domingos à tarde, juntavam-se ali o Zé Travassos, o Zé Ferreira, o Carriço, o Jabaja, o Júlio, o Dionizio Costa, o Arrazador, e muitos, muitos outros já desaparecidos na sua maior parte. Entre eles figurava um algarvio, o Zé Bernardino, que foi mestre de Fábrica de conservas e era senhor ao mesmo tempo de um mau feitio terrivel e de um sentido de humor completamente invulgar. A disputa do jogo em questão provocava cenas de zangas incontáveis durante uma tarde e algazarras completamente ensurdecedoras. O Zé Bernardino era certo e sabido fazia sempre parte das discussões mais acesas.
Num determinado dia em que a guerra de palavras já se estendia por algum tempo entre alguns dos que jogavam e o inevitável Zé Bernardino, em que um e outro já se tinham levantado da cadeira com ar ameaçado, o Algarvio a certa altura cala-se, olha para o seu interlocutor mais directo olhos nos olhos e diz-lhe de forma fulminante: “Ah seu home, você cale-se porque não passa dum quadro fora da parede!”.
Fiquei muito tempo a pensar naquela expressão. Sabendo que os quadros existem para serem pendurados, um que está fora da parede atingiu o fim da sua utilidade. Porque ninguém olha para ele. Porque utiliza uma técnica tão errada que não há nada que o torne agradável ou minimamente aceitável.
É uma expressão demolidora sem ser mal-educada. No entanto pesa mais no seu significado final do que se utilizasse formas de calão grosseiro. É mais mortífera que uma bala. E no entanto não conduz a que alguém menos atento se sinta tratado grosseiramente e possa conduzir a cenas de pugilato sempre indesejáveis, ou a processos judiciais sempre desagradáveis.
Ao recordar o Zé Bernardino, recordo a sua frase de peso e remeto-a direitinha para o actual governo e para os seus ministros. São uns autênticos “quadros fora da parede”. Estão esgotados. Mortos. Sem valor. Imprestáveis. Prontos para o lixo.
Obrigado Zé Bernardino por me teres ensinado a insultar estes pedaços de excremento, sem que me possam culpar de estar a ser injurioso.
Nos tempos em se jogava ao “chepe” aos sábados e domingos à tarde, juntavam-se ali o Zé Travassos, o Zé Ferreira, o Carriço, o Jabaja, o Júlio, o Dionizio Costa, o Arrazador, e muitos, muitos outros já desaparecidos na sua maior parte. Entre eles figurava um algarvio, o Zé Bernardino, que foi mestre de Fábrica de conservas e era senhor ao mesmo tempo de um mau feitio terrivel e de um sentido de humor completamente invulgar. A disputa do jogo em questão provocava cenas de zangas incontáveis durante uma tarde e algazarras completamente ensurdecedoras. O Zé Bernardino era certo e sabido fazia sempre parte das discussões mais acesas.
Num determinado dia em que a guerra de palavras já se estendia por algum tempo entre alguns dos que jogavam e o inevitável Zé Bernardino, em que um e outro já se tinham levantado da cadeira com ar ameaçado, o Algarvio a certa altura cala-se, olha para o seu interlocutor mais directo olhos nos olhos e diz-lhe de forma fulminante: “Ah seu home, você cale-se porque não passa dum quadro fora da parede!”.
Fiquei muito tempo a pensar naquela expressão. Sabendo que os quadros existem para serem pendurados, um que está fora da parede atingiu o fim da sua utilidade. Porque ninguém olha para ele. Porque utiliza uma técnica tão errada que não há nada que o torne agradável ou minimamente aceitável.
É uma expressão demolidora sem ser mal-educada. No entanto pesa mais no seu significado final do que se utilizasse formas de calão grosseiro. É mais mortífera que uma bala. E no entanto não conduz a que alguém menos atento se sinta tratado grosseiramente e possa conduzir a cenas de pugilato sempre indesejáveis, ou a processos judiciais sempre desagradáveis.
Ao recordar o Zé Bernardino, recordo a sua frase de peso e remeto-a direitinha para o actual governo e para os seus ministros. São uns autênticos “quadros fora da parede”. Estão esgotados. Mortos. Sem valor. Imprestáveis. Prontos para o lixo.
Obrigado Zé Bernardino por me teres ensinado a insultar estes pedaços de excremento, sem que me possam culpar de estar a ser injurioso.
quarta-feira, setembro 12, 2012
UMA CARTA ABERTA AO 1º MINISTRO
O AUTOR
Eugénio Lisboa - Escritor e ensaísta
O autor foi presidente da Comissão Nacional da UNESCO / conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Londres entre 1978-1995 / professor catedrático especial de Estudos Portugueses na Universidade de Nottingham / professor catedrático visitante da Universidade de Aveiro / e coordenador do ensino da língua portuguesa na Suécia. É Doutor Honoris Causa pelas universidades de Nottingham e Aveiro. A Câmara de Cascais outorgou-lhe a medalha de Mérito Cultural.
Em Moçambique foi sucessivamente administrador e director das petrolíferas SONAPMOC, SONAREP e TOTAL.
A CARTA
CARTA AO PRIMEIRO-MINISTRO DE PORTUGAL
Exmo. Senhor Primeiro Ministro
Hesitei muito em dirigir-lhe estas palavras, que mais não dão do que uma pálida ideia da onda de indignação que varre o país, de norte a sul, e de leste a oeste. Além do mais, não é meu costume nem vocação escrever coisas de cariz político, mais me inclinando para o pelouro cultural. Mas há momentos em que, mesmo que não vamos nós ao encontro da política, vem ela, irresistivelmente, ao nosso encontro. E, então, não há que fugir-lhe.
Para ser inteiramente franco, escrevo-lhe, não tanto por acreditar que vá ter em V. Exa. qualquer efeito — todo o vosso comportamento, neste primeiro ano de governo, traindo, inescrupulosamente, todas as promessas feitas em campanha eleitoral, não convida à esperança numa reviravolta! — mas, antes, para ficar de bem com a minha consciência. Tenho 82 anos e pouco me restará de vida, o que significa que, a mim, já pouco mal poderá infligir V. Exa. e o algum que me inflija será sempre de curta duração. É aquilo a que costumo chamar “as vantagens do túmulo” ou, se preferir, a coragem que dá a proximidade do túmulo. Tanto o que me dê como o que me tire será sempre de curta duração. Não será, pois, de mim que falo, mesmo quando use, na frase, o “odioso eu”, a que aludia Pascal.
Mas tenho, como disse, 82 anos e, portanto, uma alongada e bem vivida experiência da velhice — a minha e da dos meus amigos e familiares. A velhice é um pouco — ou é muito – a experiência de uma contínua e ininterrupta perda de poderes. “Desistir é a derradeira tragédia”, disse um escritor pouco conhecido. Desistir é aquilo que vão fazendo, sem cessar, os que envelhecem. Desistir, palavra horrível. Estamos no verão, no momento em que escrevo isto, e acorrem-me as palavras tremendas de um grande poeta inglês do século XX (Eliot): “Um velho, num mês de secura”... A velhice, encarquilhando-se, no meio da desolação e da secura. É para isto que servem os poetas: para encontrarem, em poucas palavras, a medalha eficaz e definitiva para uma situação, uma visão, uma emoção ou uma ideia.
A velhice, Senhor Primeiro Ministro, é, com as dores que arrasta — as físicas, as emotivas e as morais — um período bem difícil de atravessar. Já alguém a definiu como o departamento dos doentes externos do Purgatório. E uma grande contista da Nova Zelândia, que dava pelo nome de Katherine Mansfield, com a afinada sensibilidade e sabedoria da vida, de que V. Exa. e o seu governo parecem ter défice, observou, num dos contos singulares do seu belíssimo livro intitulado The Garden Party: “O velho Sr. Neave achava-se demasiado velho para a primavera.” Ser velho é também isto: acharmos que a primavera já não é para nós, que não temos direito a ela, que estamos a mais, dentro dela... Já foi nossa, já, de certo modo, nos definiu. Hoje, não. Hoje, sentimos que já não interessamos, que, até, incomodamos. Todo o discurso político de V. Exas., os do governo, todas as vossas decisões apontam na mesma direcção: mandar-nos para o cimo da montanha, embrulhados em metade de uma velha manta, à espera de que o urso lendário (ou o frio) venha tomar conta de nós. Cortam-nos tudo, o conforto, o direito de nos sentirmos, não digo amados (seria muito), mas, de algum modo, utilizáveis: sempre temos umas pitadas de sabedoria caseira a propiciar aos mais estouvados e impulsivos da nova casta que nos assola. Mas não. Pessoas, como eu, estiveram, até depois dos 65 anos, sem gastar um tostão ao Estado, com a sua saúde ou com a falta dela. Sempre, no entanto, descontando uma fatia pesada do seu salário, para uma ADSE, que talvez nos fosse útil, num período de necessidade, que se foi desejando longínquo. Chegado, já sobre o tarde, o momento de alguma necessidade, tudo nos é retirado, sem uma atenção, pequena que fosse, ao contrato anteriormente firmado. É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais — tudo pela borda fora. Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter, para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.
Já alguém, aludindo à mesma falta de sensibilidade de que V. Exa. dá provas, em relação à velhice e aos seus poderes decrescentes e mal apoiados, sugeriu, com humor ferino, que se atirassem os velhos e os reformados para asilos desguarnecidos, situados, de preferência, em andares altos de prédios muito altos: de um 14º andar, explicava, a desolação que se comtempla até passa por paisagem. V. Exa. e os do seu governo exibem uma sensibilidade muito, mas mesmo muito, neste gosto. V. Exas. transformam a velhice num crime punível pela medida grande. As políticas radicais de V. Exa, e do seu robôtico Ministro das Finanças — sim, porque a Troika informou que as políticas são vossas e não deles... — têm levado a isto: a uma total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página.
Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão. Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida — tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados. Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente. Nisto, estou muito de acordo com a sensatez do antigo ministro conservador inglês, Francis Pym, que teve a ousadia de avisar a Primeira Ministra Margaret Thatcher (uma expoente do extremismo neoliberal), nestes termos: “Extremismo e conservantismo são termos contraditórios”. Pym pagou, é claro, a factura: se a memória me não engana, foi o primeiro membro do primeiro governo de Thatcher a ser despedido, sem apelo nem agravo. A “conservadora” Margaret Thatcher — como o “conservador” Passos Coelho — quis misturar água com azeite, isto é, conservantismo e extremismo. Claro que não dá.
Alguém observava que os americanos ficavam muito admirados quando se sabiam odiados. É possível que, no governo e no partido a que V. Exa. preside, a maior parte dos seus constituintes não se aperceba bem (ou, apercebendo-se, não compreenda), de que lavra, no país, um grande incêndio de ressentimento e ódio. Darei a V. Exa. — e com isto termino — uma pista para um bom entendimento do que se está a passar. Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: “Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo.
De V. Exa., atentamente,
Eugénio Lisboa
O AUTOR
Eugénio Lisboa - Escritor e ensaísta
O autor foi presidente da Comissão Nacional da UNESCO / conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Londres entre 1978-1995 / professor catedrático especial de Estudos Portugueses na Universidade de Nottingham / professor catedrático visitante da Universidade de Aveiro / e coordenador do ensino da língua portuguesa na Suécia. É Doutor Honoris Causa pelas universidades de Nottingham e Aveiro. A Câmara de Cascais outorgou-lhe a medalha de Mérito Cultural.
Em Moçambique foi sucessivamente administrador e director das petrolíferas SONAPMOC, SONAREP e TOTAL.
A CARTA
CARTA AO PRIMEIRO-MINISTRO DE PORTUGAL
Exmo. Senhor Primeiro Ministro
Hesitei muito em dirigir-lhe estas palavras, que mais não dão do que uma pálida ideia da onda de indignação que varre o país, de norte a sul, e de leste a oeste. Além do mais, não é meu costume nem vocação escrever coisas de cariz político, mais me inclinando para o pelouro cultural. Mas há momentos em que, mesmo que não vamos nós ao encontro da política, vem ela, irresistivelmente, ao nosso encontro. E, então, não há que fugir-lhe.
Para ser inteiramente franco, escrevo-lhe, não tanto por acreditar que vá ter em V. Exa. qualquer efeito — todo o vosso comportamento, neste primeiro ano de governo, traindo, inescrupulosamente, todas as promessas feitas em campanha eleitoral, não convida à esperança numa reviravolta! — mas, antes, para ficar de bem com a minha consciência. Tenho 82 anos e pouco me restará de vida, o que significa que, a mim, já pouco mal poderá infligir V. Exa. e o algum que me inflija será sempre de curta duração. É aquilo a que costumo chamar “as vantagens do túmulo” ou, se preferir, a coragem que dá a proximidade do túmulo. Tanto o que me dê como o que me tire será sempre de curta duração. Não será, pois, de mim que falo, mesmo quando use, na frase, o “odioso eu”, a que aludia Pascal.
Mas tenho, como disse, 82 anos e, portanto, uma alongada e bem vivida experiência da velhice — a minha e da dos meus amigos e familiares. A velhice é um pouco — ou é muito – a experiência de uma contínua e ininterrupta perda de poderes. “Desistir é a derradeira tragédia”, disse um escritor pouco conhecido. Desistir é aquilo que vão fazendo, sem cessar, os que envelhecem. Desistir, palavra horrível. Estamos no verão, no momento em que escrevo isto, e acorrem-me as palavras tremendas de um grande poeta inglês do século XX (Eliot): “Um velho, num mês de secura”... A velhice, encarquilhando-se, no meio da desolação e da secura. É para isto que servem os poetas: para encontrarem, em poucas palavras, a medalha eficaz e definitiva para uma situação, uma visão, uma emoção ou uma ideia.
A velhice, Senhor Primeiro Ministro, é, com as dores que arrasta — as físicas, as emotivas e as morais — um período bem difícil de atravessar. Já alguém a definiu como o departamento dos doentes externos do Purgatório. E uma grande contista da Nova Zelândia, que dava pelo nome de Katherine Mansfield, com a afinada sensibilidade e sabedoria da vida, de que V. Exa. e o seu governo parecem ter défice, observou, num dos contos singulares do seu belíssimo livro intitulado The Garden Party: “O velho Sr. Neave achava-se demasiado velho para a primavera.” Ser velho é também isto: acharmos que a primavera já não é para nós, que não temos direito a ela, que estamos a mais, dentro dela... Já foi nossa, já, de certo modo, nos definiu. Hoje, não. Hoje, sentimos que já não interessamos, que, até, incomodamos. Todo o discurso político de V. Exas., os do governo, todas as vossas decisões apontam na mesma direcção: mandar-nos para o cimo da montanha, embrulhados em metade de uma velha manta, à espera de que o urso lendário (ou o frio) venha tomar conta de nós. Cortam-nos tudo, o conforto, o direito de nos sentirmos, não digo amados (seria muito), mas, de algum modo, utilizáveis: sempre temos umas pitadas de sabedoria caseira a propiciar aos mais estouvados e impulsivos da nova casta que nos assola. Mas não. Pessoas, como eu, estiveram, até depois dos 65 anos, sem gastar um tostão ao Estado, com a sua saúde ou com a falta dela. Sempre, no entanto, descontando uma fatia pesada do seu salário, para uma ADSE, que talvez nos fosse útil, num período de necessidade, que se foi desejando longínquo. Chegado, já sobre o tarde, o momento de alguma necessidade, tudo nos é retirado, sem uma atenção, pequena que fosse, ao contrato anteriormente firmado. É quando mais necessitamos, para lutar contra a doença, contra a dor e contra o isolamento gradativamente crescente, que nos constituímos em alvo favorito do tiroteio fiscal: subsídios (que não passavam de uma forma de disfarçar a incompetência salarial), comparticipações nos custos da saúde, actualizações salariais — tudo pela borda fora. Incluindo, também, esse papel embaraçoso que é a Constituição, particularmente odiada por estes novos fundibulários. O que é preciso é salvar os ricos, os bancos, que andaram a brincar à Dona Branca com o nosso dinheiro e as empresas de tubarões, que enriquecem sem arriscar um cabelo, em simbiose sinistra com um Estado que dá o que não é dele e paga o que diz não ter, para que eles enriqueçam mais, passando a fruir o que também não é deles, porque até é nosso.
Já alguém, aludindo à mesma falta de sensibilidade de que V. Exa. dá provas, em relação à velhice e aos seus poderes decrescentes e mal apoiados, sugeriu, com humor ferino, que se atirassem os velhos e os reformados para asilos desguarnecidos, situados, de preferência, em andares altos de prédios muito altos: de um 14º andar, explicava, a desolação que se comtempla até passa por paisagem. V. Exa. e os do seu governo exibem uma sensibilidade muito, mas mesmo muito, neste gosto. V. Exas. transformam a velhice num crime punível pela medida grande. As políticas radicais de V. Exa, e do seu robôtico Ministro das Finanças — sim, porque a Troika informou que as políticas são vossas e não deles... — têm levado a isto: a uma total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página.
Falei da velhice porque é o pelouro que, de momento, tenho mais à mão. Mas o sofrimento devastador, que o fundamentalismo ideológico de V. Exa. está desencadear pelo país fora, afecta muito mais do que a fatia dos velhos e reformados. Jovens sem emprego e sem futuro à vista, homens e mulheres de todas as idades e de todos os caminhos da vida — tudo é queimado no altar ideológico onde arde a chama de um dogma cego à fria realidade dos factos e dos resultados. Dizia Joan Ruddock não acreditar que radicalismo e bom senso fossem incompatíveis. V. Exa. e o seu governo provam que o são: não há forma de conviverem pacificamente. Nisto, estou muito de acordo com a sensatez do antigo ministro conservador inglês, Francis Pym, que teve a ousadia de avisar a Primeira Ministra Margaret Thatcher (uma expoente do extremismo neoliberal), nestes termos: “Extremismo e conservantismo são termos contraditórios”. Pym pagou, é claro, a factura: se a memória me não engana, foi o primeiro membro do primeiro governo de Thatcher a ser despedido, sem apelo nem agravo. A “conservadora” Margaret Thatcher — como o “conservador” Passos Coelho — quis misturar água com azeite, isto é, conservantismo e extremismo. Claro que não dá.
Alguém observava que os americanos ficavam muito admirados quando se sabiam odiados. É possível que, no governo e no partido a que V. Exa. preside, a maior parte dos seus constituintes não se aperceba bem (ou, apercebendo-se, não compreenda), de que lavra, no país, um grande incêndio de ressentimento e ódio. Darei a V. Exa. — e com isto termino — uma pista para um bom entendimento do que se está a passar. Atribuíram-se ao Papa Gregório VII estas palavras: “Eu amei a justiça e odiei a iniquidade: por isso, morro no exílio.” Uma grande parte da população portuguesa, hoje, sente-se exilada no seu próprio país, pelo delito de pedir mais justiça e mais equidade. Tanto uma como outra se fazem, cada dia, mais invisíveis. Há nisto, é claro, um perigo.
De V. Exa., atentamente,
Eugénio Lisboa
terça-feira, setembro 11, 2012
ZANGA
Depois do que ouvi o Coelho dizer o que espera aos cidadãos deste país, mesmo assim não me consigo zangar com ele. Com os arrivistas do poder que constituem o PSD/CDS de hoje não espero outra coisa que não sejam trafulhices e saques ao dinheiro dos outros para eles poderem viver “à grande e à francesa”. E aqui quero dizer que existem algumas figuras públicas ligadas a estes dois partidos que estimo, respeito e até admiro. Mas esses, estão todos à distância de um universo destes seres maléficos e torpes que nos governam e das “cliques” das Jotas que os acompanham.
Mas como eu dizia não é com esta gentinha que me sinto zangado. Estou furibundo é com o PCP, mais umas criaturas verdes que o acompanham e o uns tais de BE. Quando foi daquela coisa do PEC IV votaram contra fazendo cair o Governo PS. Nem eu, nem eles somos ingénuos. A “esquerdice de trazer por casa “ que temos no Parlamento com a experiência política que tem sabia bem o que viria a acontecer depois. Mesmo assim alinharam com a direita parlamentar.
Se hoje estamos como estamos, e a estes que devemos agradecer. A política de “terra queimada” que tem sido seguida pela oposição à esquerda do PS pode servir os intuitos de quem ainda se rege pela cartilha marxista-leninista, visando um povo miserável, logo mais vulnerável aos intentos da esquerda ortodoxa.
Mas isso nunca pegou em Portugal. Somos um povo muito específico. Temos idiossincrasias muito nossas. Em 1917 éramos o país mais atrasado da Europa. Em vez de descobrirmos Marx, encontrámos Nossa Senhora de Fátima. De facto O PCP e os seus irmãos naturais têm de compreender que chegar ao eleitorado em Democracia é algo que só está ao alcance de quem conseguir perceber sem raiva nem preconceitos o que vai na alma das pessoas.
Não é escondendo-se atrás de uma sigla que o PCP vai poder atingir o poder em Portugal. Nem com revanchismos. Nem dividindo a sociedade portuguesa entre os trabalhadores e os outros. Somos todos portugueses. Nem todos os patrões são questionáveis. Como existem muitos trabalhadores que o são.
Estou fulo porque esperava mais daqueles que podem e devem constituir uma réstia de esperança para Portugal. Tantas vezes gritaram “governo para a rua” que agora já só muito poucos os ouvem. Volta PEC IV! Estás perdoado.
Depois do que ouvi o Coelho dizer o que espera aos cidadãos deste país, mesmo assim não me consigo zangar com ele. Com os arrivistas do poder que constituem o PSD/CDS de hoje não espero outra coisa que não sejam trafulhices e saques ao dinheiro dos outros para eles poderem viver “à grande e à francesa”. E aqui quero dizer que existem algumas figuras públicas ligadas a estes dois partidos que estimo, respeito e até admiro. Mas esses, estão todos à distância de um universo destes seres maléficos e torpes que nos governam e das “cliques” das Jotas que os acompanham.
Mas como eu dizia não é com esta gentinha que me sinto zangado. Estou furibundo é com o PCP, mais umas criaturas verdes que o acompanham e o uns tais de BE. Quando foi daquela coisa do PEC IV votaram contra fazendo cair o Governo PS. Nem eu, nem eles somos ingénuos. A “esquerdice de trazer por casa “ que temos no Parlamento com a experiência política que tem sabia bem o que viria a acontecer depois. Mesmo assim alinharam com a direita parlamentar.
Se hoje estamos como estamos, e a estes que devemos agradecer. A política de “terra queimada” que tem sido seguida pela oposição à esquerda do PS pode servir os intuitos de quem ainda se rege pela cartilha marxista-leninista, visando um povo miserável, logo mais vulnerável aos intentos da esquerda ortodoxa.
Mas isso nunca pegou em Portugal. Somos um povo muito específico. Temos idiossincrasias muito nossas. Em 1917 éramos o país mais atrasado da Europa. Em vez de descobrirmos Marx, encontrámos Nossa Senhora de Fátima. De facto O PCP e os seus irmãos naturais têm de compreender que chegar ao eleitorado em Democracia é algo que só está ao alcance de quem conseguir perceber sem raiva nem preconceitos o que vai na alma das pessoas.
Não é escondendo-se atrás de uma sigla que o PCP vai poder atingir o poder em Portugal. Nem com revanchismos. Nem dividindo a sociedade portuguesa entre os trabalhadores e os outros. Somos todos portugueses. Nem todos os patrões são questionáveis. Como existem muitos trabalhadores que o são.
Estou fulo porque esperava mais daqueles que podem e devem constituir uma réstia de esperança para Portugal. Tantas vezes gritaram “governo para a rua” que agora já só muito poucos os ouvem. Volta PEC IV! Estás perdoado.
segunda-feira, setembro 10, 2012
RECORDAR
No dia 23 de Janeiro do corrente ano, premonitoriamente eu escrevi aqui um Blog a que dei o nome de “SORRISOS”. Nessa altura ainda não se suspeitava do que viria a surgir. Estávamos todos em estado catatónico. Ter razão antes de tempo é terrível. É viver com o peso de quem se sente isolado. Tornar-se vítima das maiores ofensas vindas até de pessoas que julgávamos que nos amavam. Mas aprende-se a viver assim. O que é importante é ter coluna vertebral. E ser capaz de reconhecer que se errou. E dizê-lo.
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Ricardo Reis
No dia 23 de Janeiro do corrente ano, premonitoriamente eu escrevi aqui um Blog a que dei o nome de “SORRISOS”. Nessa altura ainda não se suspeitava do que viria a surgir. Estávamos todos em estado catatónico. Ter razão antes de tempo é terrível. É viver com o peso de quem se sente isolado. Tornar-se vítima das maiores ofensas vindas até de pessoas que julgávamos que nos amavam. Mas aprende-se a viver assim. O que é importante é ter coluna vertebral. E ser capaz de reconhecer que se errou. E dizê-lo.
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Ricardo Reis
domingo, setembro 09, 2012
POR QUE RAZÃO OS HOMENS RARAMENTE ESTÃO DEPRIMIDOS???
Não engravidam ...
Nunca precisam de procurar outro posto de gasolina para achar uma casa de banho limpa ...
As rugas são traços de carácter ...
A barriga é prosperidade...
Os cabelos brancos são charme...
Ninguém fica olhar para os peitos deles quando estão falando ...
Os sapatos não lhes magoam os pés ...
As conversas ao telefone duram apenas 30 segundos ...
Para férias de 5 dias, só precisam de uma mochila ...
Se na mesma festa aparecer outro usando uma roupa igual, não há problema ...
Cera quente não chega nem perto ...
Ficam a ver televisão com um amigo durante horas, em total silêncio, sem terem que pensar: "Deve estar cansado de mim" ...
Mesmo que um amigo se esqueça de os convidar para alguma festa, vão continuar a ser amigos ...
A roupa interior deles custa no máximo 20 euros (em pacote de 3)
Três pares de sapatos são mais que suficientes ... (o que, aliás, é a pura verdade)
São incapazes de perceber que a roupa está amarrotada ...
O modelo de corte de cabelo deles pode durar anos, aliás, décadas ...
Meia dúzia de cervejas e um jogo de futebol na televisão são suficientes para extrema felicidade ...
Os shoppings não lhes fazem a menor falta ...
Podem deixar crescer o bigode ...
Se um amigo lhes chamar gordo, careca, etc., não abala em nada a amizade ... (aliás, é prova de grande amizade)
Conseguem comprar presentes de Natal para 25 pessoas, no dia 24 de Dezembro em 25 minutos (no máximo !!!) ...
Não engravidam ...
Nunca precisam de procurar outro posto de gasolina para achar uma casa de banho limpa ...
As rugas são traços de carácter ...
A barriga é prosperidade...
Os cabelos brancos são charme...
Ninguém fica olhar para os peitos deles quando estão falando ...
Os sapatos não lhes magoam os pés ...
As conversas ao telefone duram apenas 30 segundos ...
Para férias de 5 dias, só precisam de uma mochila ...
Se na mesma festa aparecer outro usando uma roupa igual, não há problema ...
Cera quente não chega nem perto ...
Ficam a ver televisão com um amigo durante horas, em total silêncio, sem terem que pensar: "Deve estar cansado de mim" ...
Mesmo que um amigo se esqueça de os convidar para alguma festa, vão continuar a ser amigos ...
A roupa interior deles custa no máximo 20 euros (em pacote de 3)
Três pares de sapatos são mais que suficientes ... (o que, aliás, é a pura verdade)
São incapazes de perceber que a roupa está amarrotada ...
O modelo de corte de cabelo deles pode durar anos, aliás, décadas ...
Meia dúzia de cervejas e um jogo de futebol na televisão são suficientes para extrema felicidade ...
Os shoppings não lhes fazem a menor falta ...
Podem deixar crescer o bigode ...
Se um amigo lhes chamar gordo, careca, etc., não abala em nada a amizade ... (aliás, é prova de grande amizade)
Conseguem comprar presentes de Natal para 25 pessoas, no dia 24 de Dezembro em 25 minutos (no máximo !!!) ...
sexta-feira, setembro 07, 2012
O CAFÉ DOS PESCADORES
Entrar hoje no “Café dos Pescadores” é já um hábito, um vício, ou uma tradição. De tal maneira que até aos domingos lá vou para ler o meu jornal na companhia da minha mulher e muitas vezes, da minha filha. Mas, entrar lá é saber que me vou encontrar com o Francisco António. O Bernardo para muitos. Entro, dirijo-me à mesa em que ele toma o pequeno-almoço e lê o jornal e começamos a conversar em conversas sem destino. Falamos do pai dele, da mãe dele, do meu pai. Do meu irmão. Dos eventos que passam na Av. do Mar e que ele e a mulher vêm em lugar privilegiado. Falamos dos nossos tempos de Bissau em que ambos lá trabalhámos em tempos de Paz e de Guerra. Falamos daquilo em que concordamos e daquilo que discordamos. Da ideia que ambos temos sobre o respeito que os amigos nos merecem e do passar à frente em relação àqueles que não merecem sequer que pensemos neles. Falamos dos sucessos dos filhos dele e de alguns trambolhões por que também já passaram apesar de serem novos. Falamos da minha filha e do seu espírito aventureiro. Falamos de Governos e dos Desgovernos em que vivemos. Falamos de tudo o que nos apetece insaciavelmente com medo de perder a oportunidade de conversarmos sobre o que nos alegra e o que nos entristece.
Falamos de Peniche de Cima. E do cheiro a algas. E dos dias em que as bandeiras são hasteadas na muralha.
Como não acredito na vida depois da Morte e penso que tudo termina ali, não posso recordar o Francisco António Bernardo senão assim. No presente do indicativo. Sei, sinto que quando tornar a entrar no Café dos Pescadores ele vai estar lá comigo. Nas recordações que tenho dele e com ele. E quando passar de carro em frente ao Parque do Baluarte vou revê-lo a passear o cão. O Francisco António não se vai apagar da minha memória porque sempre viveu no meu coração.
Um abraço, amigo.
Entrar hoje no “Café dos Pescadores” é já um hábito, um vício, ou uma tradição. De tal maneira que até aos domingos lá vou para ler o meu jornal na companhia da minha mulher e muitas vezes, da minha filha. Mas, entrar lá é saber que me vou encontrar com o Francisco António. O Bernardo para muitos. Entro, dirijo-me à mesa em que ele toma o pequeno-almoço e lê o jornal e começamos a conversar em conversas sem destino. Falamos do pai dele, da mãe dele, do meu pai. Do meu irmão. Dos eventos que passam na Av. do Mar e que ele e a mulher vêm em lugar privilegiado. Falamos dos nossos tempos de Bissau em que ambos lá trabalhámos em tempos de Paz e de Guerra. Falamos daquilo em que concordamos e daquilo que discordamos. Da ideia que ambos temos sobre o respeito que os amigos nos merecem e do passar à frente em relação àqueles que não merecem sequer que pensemos neles. Falamos dos sucessos dos filhos dele e de alguns trambolhões por que também já passaram apesar de serem novos. Falamos da minha filha e do seu espírito aventureiro. Falamos de Governos e dos Desgovernos em que vivemos. Falamos de tudo o que nos apetece insaciavelmente com medo de perder a oportunidade de conversarmos sobre o que nos alegra e o que nos entristece.
Falamos de Peniche de Cima. E do cheiro a algas. E dos dias em que as bandeiras são hasteadas na muralha.
Como não acredito na vida depois da Morte e penso que tudo termina ali, não posso recordar o Francisco António Bernardo senão assim. No presente do indicativo. Sei, sinto que quando tornar a entrar no Café dos Pescadores ele vai estar lá comigo. Nas recordações que tenho dele e com ele. E quando passar de carro em frente ao Parque do Baluarte vou revê-lo a passear o cão. O Francisco António não se vai apagar da minha memória porque sempre viveu no meu coração.
Um abraço, amigo.
quinta-feira, setembro 06, 2012
O QUE TEMOS E O QUE NÃO TEMOS
Não temos um Ministro da Cultura. Temos um Secretário de estado da Cultura. E temos uma sociedade civil que discute o seu património cultural representado pelas RTPs nas suas várias vertentes. Mas ainda não ouvimos uma palavra daquele oneroso “verbo-de-encher” que afirma ter a ver com coisas da cultura. Do sr. Viegas ainda não ouvimos uma palavra, como se nada fosse com ele. Não tem a tutela, não tem opinião. Como se a um homem da cultura fosse indiferente o que se está a passar com a RTP segundo as palavras do nefando Borges e do protolicenciado Relvas.
Por mim o viegas é mais nefasto ao não ter opinião do que se tivesse alguma, fosse ela qual fosse. O Cavakinho que enterrou em vida o Saramago com o apoio do Lara, importa-lhe pouco o que está a acontecer, desde que não escutem os seus estertores finais.
Recordo de um tempo em que estive toda a noite colado à RTP a ver o homem chegar à Lua. Ou quando foi o 25 de Abril em que a RTP com o a Rádio Comercial se tornaram os melhores meios de informação sobre os minutos que vivíamos. Tudo isto conduziu a sermos um povo com história.
Para quem pretender apoiar esta luta contra o desmantelamento da RTP deixo o sítio onde poderão subscrever um abaixo-assinado que fará de nós cidadãos intervenientes. Independentemente das nossas ideologias ou convicções. Para por um travão neste destempero com que este país está a ser tratado por determinação dos senhores do dinheiro e dos seus cães-de-fila. Contra o ódio marchar, marchar.
http://www.emdefesadoservicopublicoderadioedetelevisao.pt/index.php?page=PETONLINE
Não temos um Ministro da Cultura. Temos um Secretário de estado da Cultura. E temos uma sociedade civil que discute o seu património cultural representado pelas RTPs nas suas várias vertentes. Mas ainda não ouvimos uma palavra daquele oneroso “verbo-de-encher” que afirma ter a ver com coisas da cultura. Do sr. Viegas ainda não ouvimos uma palavra, como se nada fosse com ele. Não tem a tutela, não tem opinião. Como se a um homem da cultura fosse indiferente o que se está a passar com a RTP segundo as palavras do nefando Borges e do protolicenciado Relvas.
Por mim o viegas é mais nefasto ao não ter opinião do que se tivesse alguma, fosse ela qual fosse. O Cavakinho que enterrou em vida o Saramago com o apoio do Lara, importa-lhe pouco o que está a acontecer, desde que não escutem os seus estertores finais.
Recordo de um tempo em que estive toda a noite colado à RTP a ver o homem chegar à Lua. Ou quando foi o 25 de Abril em que a RTP com o a Rádio Comercial se tornaram os melhores meios de informação sobre os minutos que vivíamos. Tudo isto conduziu a sermos um povo com história.
Para quem pretender apoiar esta luta contra o desmantelamento da RTP deixo o sítio onde poderão subscrever um abaixo-assinado que fará de nós cidadãos intervenientes. Independentemente das nossas ideologias ou convicções. Para por um travão neste destempero com que este país está a ser tratado por determinação dos senhores do dinheiro e dos seus cães-de-fila. Contra o ódio marchar, marchar.
http://www.emdefesadoservicopublicoderadioedetelevisao.pt/index.php?page=PETONLINE
quarta-feira, setembro 05, 2012
A LEI ELEITORAL AUTÁRQUICA E A RTP
Julgo ser difícil para a maioria dos portugueses que se interessam por estas coisas, compreender o que se passa na cabeça dos dirigentes políticos actuais. Não são capazes de se entenderem para tornar mais transparente e coerente a governação autárquica e ao mesmo tempo numa sanha persecutória contra tudo o que é Estado tentam desmantelar a Televisão pública como se fosse um Lego que os pais lhe ofereceram, em que juntam e desmancham as peças a seu bel-prazer.
Bem avisado andou Jerónimo de Sousa ao recordar que o património da RTP é muito mais do que câmaras e estúdios. É constituído por um acervo de memórias dos últimos 55 anos, tão importante como as que se encontram depositadas nos Arquivos da Torre do Tombo. É que mais uma vez, o que está escrito lê-se, o que se diz ouve-se, mas a RTP guarda o que se fez e que pode ver-se.
Esta canalhada que vem das Juventudes partidárias e que aprendeu o pior da política com os mais velhos, não conservando na memória nenhum dos Valores que a Democracia foi consolidando ao longo dos séculos, dizia eu que esta gentinha que vivem de expedientes e do salve-se quem puder, querem rapidamente tirar a parte que acham que lhes pertence. E fazem favores ao neoliberalismo como se fosse aí que podem conseguir atingir os seus lugares de glória, nem que para isso destruam o seu país e o que de melhor ele conseguiu.
Os relvas, os coelhos e os marcelos dizem que o povo votou neles para esses actos de destruição. Quero aqui recordar que nas últimas eleições dos 9 milhões de portugueses inscritos para votarem, os votantes foram 5 milhões e 600 mil portugueses. E destes votaram no PSD e no CDS 2 milhões e 800 mil portugueses. Dizer que isto os autoriza a desmantelarem o país parece ser um grande atrevimento.
Mas esta gente faz o que quer perante a passividade dos portugueses. Até um dia.
Julgo ser difícil para a maioria dos portugueses que se interessam por estas coisas, compreender o que se passa na cabeça dos dirigentes políticos actuais. Não são capazes de se entenderem para tornar mais transparente e coerente a governação autárquica e ao mesmo tempo numa sanha persecutória contra tudo o que é Estado tentam desmantelar a Televisão pública como se fosse um Lego que os pais lhe ofereceram, em que juntam e desmancham as peças a seu bel-prazer.
Bem avisado andou Jerónimo de Sousa ao recordar que o património da RTP é muito mais do que câmaras e estúdios. É constituído por um acervo de memórias dos últimos 55 anos, tão importante como as que se encontram depositadas nos Arquivos da Torre do Tombo. É que mais uma vez, o que está escrito lê-se, o que se diz ouve-se, mas a RTP guarda o que se fez e que pode ver-se.
Esta canalhada que vem das Juventudes partidárias e que aprendeu o pior da política com os mais velhos, não conservando na memória nenhum dos Valores que a Democracia foi consolidando ao longo dos séculos, dizia eu que esta gentinha que vivem de expedientes e do salve-se quem puder, querem rapidamente tirar a parte que acham que lhes pertence. E fazem favores ao neoliberalismo como se fosse aí que podem conseguir atingir os seus lugares de glória, nem que para isso destruam o seu país e o que de melhor ele conseguiu.
Os relvas, os coelhos e os marcelos dizem que o povo votou neles para esses actos de destruição. Quero aqui recordar que nas últimas eleições dos 9 milhões de portugueses inscritos para votarem, os votantes foram 5 milhões e 600 mil portugueses. E destes votaram no PSD e no CDS 2 milhões e 800 mil portugueses. Dizer que isto os autoriza a desmantelarem o país parece ser um grande atrevimento.
Mas esta gente faz o que quer perante a passividade dos portugueses. Até um dia.
segunda-feira, setembro 03, 2012
E AGORA SRS. PROFESSORES?
Vasculhando nas memórias deste blog, encontrei algumas posições que expressei face à guerra (que considerei manifestamente injustas) contra a Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues e “à cause” à sua sucessora. Reconheço o excelente trabalho de casa mandado executar à FRENPROF pelo seu legítimo orientador pedagógico e como todos percebem na estou a referir-me ao secretário-geral daquela frente sindical, mas ao seu tutor ideológico.
Como é óbvio e porque interessava enfraquecer o governo PS, colaram-se às lutas fratricidas dos profs, forças ideológicas nas antípodas como os ideólogos sociais-democratas e liberais do PSD e os democrata-cristãos do CDS. Com esta salada conseguiu-se minar o terreno que permitiu o derrube do governo PS e a instalação das forças mais reacionárias e terroristas contra um sistema educativo que visava o aluno no seu contexto social como o eixo fundamental da escola.
Nem Salazar ao derrubar a 1ª república conseguiu ir tão longe no desmantelamento do sistema educativo que visava dar a todos e a cada um, segundo as suas faculdades e poder económico o acesso a uma vida de dignidade.
Como consequência de uma associação de malfeitores que só visava os seus interesses políticos pessoais a que se associaram “carneirinhos inocentes” que se deixam ir no conto do vigário sem fazerem funcionar a sua massa neurológica de análise e critica:
São despedidos milhares de professores
Cortam-se os passes aos alunos
Cortam-se os apoios sociais
Constituem-se turmas de 30 alunos em escolas que foram desenhadas para 24/26 alunos.
Acaba-se com aulas de apoio e com o trabalho manual e o desenvolvimento psicomotor como vertente da Formação global dos nossos alunos
Constituem-se turmas de alunos inteligentes e de alunos burros
Os que reprovarem neste contexto social de miserabilismo vão para cursos profissionais até ao 9º ano e os que por razões de nascimento são favorecidos, continuarão os seus estudos e serão os futuros Drs.
Ainda falta a “Mocidade Portuguesa” mas devagar devagarinho, D. Nuno Prior do Crato lá chegará.
Recordo amigos que se zangaram comigo por eu afirmar que se estavam a deixar enrolar. Recordo amigos que não se opunham ao pandemónio que se estava a desenvolver contra a escola pública, porque não queriam pagar o preço dos incómodos e que agora estão com horário 0 (zero)
Recordo amigos que foram dedicados à Escola e aos alunos e que agora enfrentam o desemprego.
Ter razão nestas circunstâncias (ou noutras semelhantes) não me satisfaz. Entristece-me. Sinto uma enorme angústia sobre o futuro do meu país. E sei que ninguém vai responder pelo mal que lhe causa.
Nesta como noutras causas não me incomoda ter razão e que não ma concedam.
Nesta como noutras causas não fico feliz por ter razão.
Posso nem sempre utilizar uma linguagem esteticamente correcta para dizer as coisas. Por feitio e ADN sou muito impulsivo e por vezes sou demasiado brusco e intempestivo. Isto não menoriza os valores que defendo. E sou o primeiro a reconhecê-lo. Na causa dos professores, apesar de ser um trovão a lidar com eles e muitas vezes mesmo a utilizar um tom de voz agressivo e mal educado, ninguém os defendeu com unhas e dentes mais do que eu no exercício das minhas funções. Por iniciativa minha nunca um professor foi punido e nunca permiti que se facilitassem os meios para que isso pudesse ocorrer. Ando de cabeça erguida. Mas sou feito de carne e sangue e espírito.
Vasculhando nas memórias deste blog, encontrei algumas posições que expressei face à guerra (que considerei manifestamente injustas) contra a Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues e “à cause” à sua sucessora. Reconheço o excelente trabalho de casa mandado executar à FRENPROF pelo seu legítimo orientador pedagógico e como todos percebem na estou a referir-me ao secretário-geral daquela frente sindical, mas ao seu tutor ideológico.
Como é óbvio e porque interessava enfraquecer o governo PS, colaram-se às lutas fratricidas dos profs, forças ideológicas nas antípodas como os ideólogos sociais-democratas e liberais do PSD e os democrata-cristãos do CDS. Com esta salada conseguiu-se minar o terreno que permitiu o derrube do governo PS e a instalação das forças mais reacionárias e terroristas contra um sistema educativo que visava o aluno no seu contexto social como o eixo fundamental da escola.
Nem Salazar ao derrubar a 1ª república conseguiu ir tão longe no desmantelamento do sistema educativo que visava dar a todos e a cada um, segundo as suas faculdades e poder económico o acesso a uma vida de dignidade.
Como consequência de uma associação de malfeitores que só visava os seus interesses políticos pessoais a que se associaram “carneirinhos inocentes” que se deixam ir no conto do vigário sem fazerem funcionar a sua massa neurológica de análise e critica:
São despedidos milhares de professores
Cortam-se os passes aos alunos
Cortam-se os apoios sociais
Constituem-se turmas de 30 alunos em escolas que foram desenhadas para 24/26 alunos.
Acaba-se com aulas de apoio e com o trabalho manual e o desenvolvimento psicomotor como vertente da Formação global dos nossos alunos
Constituem-se turmas de alunos inteligentes e de alunos burros
Os que reprovarem neste contexto social de miserabilismo vão para cursos profissionais até ao 9º ano e os que por razões de nascimento são favorecidos, continuarão os seus estudos e serão os futuros Drs.
Ainda falta a “Mocidade Portuguesa” mas devagar devagarinho, D. Nuno Prior do Crato lá chegará.
Recordo amigos que se zangaram comigo por eu afirmar que se estavam a deixar enrolar. Recordo amigos que não se opunham ao pandemónio que se estava a desenvolver contra a escola pública, porque não queriam pagar o preço dos incómodos e que agora estão com horário 0 (zero)
Recordo amigos que foram dedicados à Escola e aos alunos e que agora enfrentam o desemprego.
Ter razão nestas circunstâncias (ou noutras semelhantes) não me satisfaz. Entristece-me. Sinto uma enorme angústia sobre o futuro do meu país. E sei que ninguém vai responder pelo mal que lhe causa.
Nesta como noutras causas não me incomoda ter razão e que não ma concedam.
Nesta como noutras causas não fico feliz por ter razão.
Posso nem sempre utilizar uma linguagem esteticamente correcta para dizer as coisas. Por feitio e ADN sou muito impulsivo e por vezes sou demasiado brusco e intempestivo. Isto não menoriza os valores que defendo. E sou o primeiro a reconhecê-lo. Na causa dos professores, apesar de ser um trovão a lidar com eles e muitas vezes mesmo a utilizar um tom de voz agressivo e mal educado, ninguém os defendeu com unhas e dentes mais do que eu no exercício das minhas funções. Por iniciativa minha nunca um professor foi punido e nunca permiti que se facilitassem os meios para que isso pudesse ocorrer. Ando de cabeça erguida. Mas sou feito de carne e sangue e espírito.
quarta-feira, agosto 29, 2012
Do Contraditório como Terapêutica de Libertação
Recentemente, entre a poeira de algumas campanhas políticas, tomou de novo relevo aquele grosseiro hábito de polemista que consiste em levar a mal a uma criatura que ela mude de partido, uma ou mais vezes, ou que se contradiga, frequentemente. A gente inferior que usa opiniões continua a empregar esse argumento como se ele fosse depreciativo. Talvez não seja tarde para estabelecer, sobre tão delicado assunto do trato intelectual, a verdadeira atitude científica.
Se há facto estranho e inexplicável é que uma criatura de inteligência e sensibilidade se mantenha sempre sentado sobre a mesma opinião, sempre coerente consigo próprio. A contínua transformação de tudo dá-se também no nosso corpo, e dá-se no nosso cérebro consequentemente. Como então, senão por doença, cair e reincidir na anormalidade de querer pensar hoje a mesma coisa que se pensou ontem, quando não só o cérebro de hoje já não é o de ontem, mas nem sequer o dia de hoje é o de ontem? Ser coerente é uma doença, um atavismo, talvez; data de antepassados animais em cujo estádio de evolução tal desgraça seria natural.
A coerência, a convicção, a certeza são além disso, demonstrações evidentes — quantas vezes escusadas — de falta de educação. É uma falta de cortesia com os outros ser sempre o mesmo à vista deles; é maçá-los, apoquentá-los com a nossa falta de variedade.
Uma criatura de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certeza várias vezes no mesmo dia. Deve ter, não crenças religiosas, opiniões políticas, predileções literárias, mas sensações religiosas, impressões políticas, impulsos de admiração literária.
Certos estados de alma da luz, certas atitudes da paisagem têm, sobretudo quando excessivos, o direito de exigir a quem está diante deles determinadas opiniões políticas, religiosas e artísticas, aqueles que eles insinuem, e que variarão, como é de entender, consoante esse exterior varie. O homem disciplinado e culto faz da sua sensibilidade e da sua inteligência espelhos do ambiente transitório: é republicano de manhã, e monárquico ao crepúsculo; ateu sob um sol descoberto, é católico ultramontano a certas horas de sombra e de silêncio; e não podendo admitir senão Mallarmé àqueles momentos do anoitecer citadino em que desabrocham as luzes, ele deve sentir todo o simbolismo uma invenção de louco quando, ante uma solidão de mar, ele não souber de mais do que da "Odisseia".
Convicções profundas, só as têm as criaturas superficiais. Os que não reparam para as coisas quase que as vêem apenas para não esbarrar com elas, esses são sempre da mesma opinião, são os íntegros e os coerentes. A política e a religião gastam d'essa lenha, e é por isso que ardem tão mal ante a Verdade e a Vida.
Quando é que despertaremos para a justa noção de que política, religião e vida social são apenas graus inferiores e plebeus da estética — a estética dos que ainda a não podem ter? Só quando uma humanidade livre dos preconceitos de sinceridade e coerência tiver acostumado as suas sensações a viverem independentemente, se poderá conseguir qualquer coisa de beleza, elegância e serenidade na vida.
Fernando Pessoa in “Ideias Políticas”
Recentemente, entre a poeira de algumas campanhas políticas, tomou de novo relevo aquele grosseiro hábito de polemista que consiste em levar a mal a uma criatura que ela mude de partido, uma ou mais vezes, ou que se contradiga, frequentemente. A gente inferior que usa opiniões continua a empregar esse argumento como se ele fosse depreciativo. Talvez não seja tarde para estabelecer, sobre tão delicado assunto do trato intelectual, a verdadeira atitude científica.
Se há facto estranho e inexplicável é que uma criatura de inteligência e sensibilidade se mantenha sempre sentado sobre a mesma opinião, sempre coerente consigo próprio. A contínua transformação de tudo dá-se também no nosso corpo, e dá-se no nosso cérebro consequentemente. Como então, senão por doença, cair e reincidir na anormalidade de querer pensar hoje a mesma coisa que se pensou ontem, quando não só o cérebro de hoje já não é o de ontem, mas nem sequer o dia de hoje é o de ontem? Ser coerente é uma doença, um atavismo, talvez; data de antepassados animais em cujo estádio de evolução tal desgraça seria natural.
A coerência, a convicção, a certeza são além disso, demonstrações evidentes — quantas vezes escusadas — de falta de educação. É uma falta de cortesia com os outros ser sempre o mesmo à vista deles; é maçá-los, apoquentá-los com a nossa falta de variedade.
Uma criatura de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certeza várias vezes no mesmo dia. Deve ter, não crenças religiosas, opiniões políticas, predileções literárias, mas sensações religiosas, impressões políticas, impulsos de admiração literária.
Certos estados de alma da luz, certas atitudes da paisagem têm, sobretudo quando excessivos, o direito de exigir a quem está diante deles determinadas opiniões políticas, religiosas e artísticas, aqueles que eles insinuem, e que variarão, como é de entender, consoante esse exterior varie. O homem disciplinado e culto faz da sua sensibilidade e da sua inteligência espelhos do ambiente transitório: é republicano de manhã, e monárquico ao crepúsculo; ateu sob um sol descoberto, é católico ultramontano a certas horas de sombra e de silêncio; e não podendo admitir senão Mallarmé àqueles momentos do anoitecer citadino em que desabrocham as luzes, ele deve sentir todo o simbolismo uma invenção de louco quando, ante uma solidão de mar, ele não souber de mais do que da "Odisseia".
Convicções profundas, só as têm as criaturas superficiais. Os que não reparam para as coisas quase que as vêem apenas para não esbarrar com elas, esses são sempre da mesma opinião, são os íntegros e os coerentes. A política e a religião gastam d'essa lenha, e é por isso que ardem tão mal ante a Verdade e a Vida.
Quando é que despertaremos para a justa noção de que política, religião e vida social são apenas graus inferiores e plebeus da estética — a estética dos que ainda a não podem ter? Só quando uma humanidade livre dos preconceitos de sinceridade e coerência tiver acostumado as suas sensações a viverem independentemente, se poderá conseguir qualquer coisa de beleza, elegância e serenidade na vida.
Fernando Pessoa in “Ideias Políticas”
segunda-feira, agosto 27, 2012
sexta-feira, agosto 24, 2012
CRISE
É global e dá conta de todos. O que a certa altura começou por ser um "toque" de moda, tornou-se visivelmente um espelho da miséria que grassa por todo o lado. As ONGs ainda tentam a distribuição de roupas, mas logo viver em casebres ou debaixo de lanchas à muito abandonadas na praia, conduzem a rasgões que indiciam o penar doloroso em que tanta gente "BOA" se debate:
É global e dá conta de todos. O que a certa altura começou por ser um "toque" de moda, tornou-se visivelmente um espelho da miséria que grassa por todo o lado. As ONGs ainda tentam a distribuição de roupas, mas logo viver em casebres ou debaixo de lanchas à muito abandonadas na praia, conduzem a rasgões que indiciam o penar doloroso em que tanta gente "BOA" se debate:
quinta-feira, agosto 23, 2012
• Lusa - Peniche: Fábrica de conservas abre 100 postos de trabalho até 2015
«Torres Vedras, Portugal 22/08/2012 16:53 (LUSA)
Temas: Economia, Negócios e Finanças, Indústria Transformadora, alimentação, Autoridades locais
Peniche, 22 ago (Lusa) - A fábrica de conservas ESIP de Peniche, a maior do país, anunciou hoje que vai criar até 2015 uma centena de postos de trabalho, após a ampliação das suas instalações concretizada através da cedência de um imóvel da Docapesca.Durante a assinatura do acordo entre as duas entidades e a Câmara de Peniche, Ricardo Luzio, diretor da conserveira, afirmou que "a fábrica se compromete a, até 2015, contratar mais 100 trabalhadores e a fazer investimentos", condições impostas em troca da cedência do interposto frigorífico da Docapesca, já desativado e contíguo às suas instalações.
A ESIP (European Seafood Investments Portugal) vai investir 1,3 milhões de euros em obras de adaptação do espaço e de melhoria ambiental, com a ampliação da estação de tratamento de águas residuais e da implementação de sistema de tratamento de odores provocados, reduzindo os impactos negativos provocados, nomeadamente maus cheiros detetados à entrada da cidade.
O acordo prevê que, por ano, sejam investidos 500 mil euros na fábrica, além da renda anual de 15 mil euros pagos à Docapesca.
O responsável explicou que o antigo interposto frigorífico, cedido por 20 anos, "aumenta as condições de armazenamento e de congelação", ao ter capacidade para receber mais duas mil toneladas de pescado, o que permite diversificar as atividades da indústria, garantindo assim uma maior sustentabilidade e competitividade à escala mundial no mercado das indústrias conserveiras.
A diversidade de produtos fabricados tem vindo a aumentar a rentabilidade da indústria, o que se tem traduzido no aumento da faturação e na criação de novos postos de trabalho: passaram de 200 em 2007 para 400 este ano, além dos temporários, que oscilam entre os 100 e os 400. Nesta altura do ano, a fábrica chega a ter 800 trabalhadores.
Com as instalações, a fábrica passará a abastecer-se de menores quantidades de pescado noutros portos do país, reduzindo assim custos de transporte.
Com estes investimentos, Ricardo Luzio disse que a eventual "deslocalização da fábrica para fora de Peniche fica minimizada", tendo em conta que o setor se tem vindo a deparar com a redução das capturas da sardinha e, por isso, com a escassez pontual da matéria-prima para conservas deste pescado, que representam metade do seu volume de negócios.
A ESIP, atualmente detida por capitais tailandeses do maior grupo mundial conserveiro, fechou o ano passado com um volume de negócios de 60 milhões de euros e deverá faturar este ano mais 10 milhões de euros.
Na cerimónia, presidida pelo secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu, o presidente da câmara, António José Correia (CDU), sublinhou a importância do acordo, ao melhorar a empregabilidade, numa altura em que a taxa de desemprego no concelho duplicou por comparação a 2005.
O interposto foi construído em terrenos do município, cedidos em direto de superfície à Docapesca por um período de 20 anos. Neste sentido, as duas entidades estabeleceram um novo acordo a aceitar a cedência do edifício à ESIP nos próximos 20 anos, a partir de outubro.»
FYC.
«Torres Vedras, Portugal 22/08/2012 16:53 (LUSA)
Temas: Economia, Negócios e Finanças, Indústria Transformadora, alimentação, Autoridades locais
Peniche, 22 ago (Lusa) - A fábrica de conservas ESIP de Peniche, a maior do país, anunciou hoje que vai criar até 2015 uma centena de postos de trabalho, após a ampliação das suas instalações concretizada através da cedência de um imóvel da Docapesca.Durante a assinatura do acordo entre as duas entidades e a Câmara de Peniche, Ricardo Luzio, diretor da conserveira, afirmou que "a fábrica se compromete a, até 2015, contratar mais 100 trabalhadores e a fazer investimentos", condições impostas em troca da cedência do interposto frigorífico da Docapesca, já desativado e contíguo às suas instalações.
A ESIP (European Seafood Investments Portugal) vai investir 1,3 milhões de euros em obras de adaptação do espaço e de melhoria ambiental, com a ampliação da estação de tratamento de águas residuais e da implementação de sistema de tratamento de odores provocados, reduzindo os impactos negativos provocados, nomeadamente maus cheiros detetados à entrada da cidade.
O acordo prevê que, por ano, sejam investidos 500 mil euros na fábrica, além da renda anual de 15 mil euros pagos à Docapesca.
O responsável explicou que o antigo interposto frigorífico, cedido por 20 anos, "aumenta as condições de armazenamento e de congelação", ao ter capacidade para receber mais duas mil toneladas de pescado, o que permite diversificar as atividades da indústria, garantindo assim uma maior sustentabilidade e competitividade à escala mundial no mercado das indústrias conserveiras.
A diversidade de produtos fabricados tem vindo a aumentar a rentabilidade da indústria, o que se tem traduzido no aumento da faturação e na criação de novos postos de trabalho: passaram de 200 em 2007 para 400 este ano, além dos temporários, que oscilam entre os 100 e os 400. Nesta altura do ano, a fábrica chega a ter 800 trabalhadores.
Com as instalações, a fábrica passará a abastecer-se de menores quantidades de pescado noutros portos do país, reduzindo assim custos de transporte.
Com estes investimentos, Ricardo Luzio disse que a eventual "deslocalização da fábrica para fora de Peniche fica minimizada", tendo em conta que o setor se tem vindo a deparar com a redução das capturas da sardinha e, por isso, com a escassez pontual da matéria-prima para conservas deste pescado, que representam metade do seu volume de negócios.
A ESIP, atualmente detida por capitais tailandeses do maior grupo mundial conserveiro, fechou o ano passado com um volume de negócios de 60 milhões de euros e deverá faturar este ano mais 10 milhões de euros.
Na cerimónia, presidida pelo secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu, o presidente da câmara, António José Correia (CDU), sublinhou a importância do acordo, ao melhorar a empregabilidade, numa altura em que a taxa de desemprego no concelho duplicou por comparação a 2005.
O interposto foi construído em terrenos do município, cedidos em direto de superfície à Docapesca por um período de 20 anos. Neste sentido, as duas entidades estabeleceram um novo acordo a aceitar a cedência do edifício à ESIP nos próximos 20 anos, a partir de outubro.»
FYC.
quarta-feira, agosto 22, 2012
TABACARIA
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltado
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Álvaro de Campos, 15-1-1928
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltado
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Álvaro de Campos, 15-1-1928
segunda-feira, agosto 20, 2012
Divina Comédia
Erguendo os braços para o céu distante
E apostrofando os deuses invisíveis,
Os homens clamam: — «Deuses impassíveis,
A quem serve o destino triunfante,
Porque é que nos criastes?! Incessante
Corre o tempo e só gera, inestinguíveis,
Dor, pecado, ilusão, lutas horríveis,
N'um turbilhão cruel e delirante...
Pois não era melhor na paz clemente
Do nada e do que ainda não existe,
Ter ficado a dormir eternamente?
Porque é que para a dor nos evocastes?»
Mas os deuses, com voz inda mais triste,
Dizem: — «Homens! por que é que nos criastes?»
Antero de Quental
Erguendo os braços para o céu distante
E apostrofando os deuses invisíveis,
Os homens clamam: — «Deuses impassíveis,
A quem serve o destino triunfante,
Porque é que nos criastes?! Incessante
Corre o tempo e só gera, inestinguíveis,
Dor, pecado, ilusão, lutas horríveis,
N'um turbilhão cruel e delirante...
Pois não era melhor na paz clemente
Do nada e do que ainda não existe,
Ter ficado a dormir eternamente?
Porque é que para a dor nos evocastes?»
Mas os deuses, com voz inda mais triste,
Dizem: — «Homens! por que é que nos criastes?»
Antero de Quental
domingo, agosto 19, 2012
FOTOGRAFIA
Esta fotografia foi enviada pelo administrador de uma Plataforma Petrolífera da Global Marine Drilling, estacionada em St.Johns, Newfoundland.
Eles têm que mudar o rumo dos icebergs, puxando-os com rebocadores, para evitar que choquem com as plataformas.
Neste caso particular o mar estava calmo, a água cristalina e o sol incidia quase directamente sobre o iceberg, o que permitiu a um mergulhador tirar esta fotografia fantástica. O peso estimado deste iceberg é de 300 milhões de toneladas.
Coisas como esta fazem-nos perceber por que uma fotografia vale mais do que mil palavras ...
Não tanto pela imponência, mas principalmente pela sua beleza.
Esta fotografia foi enviada pelo administrador de uma Plataforma Petrolífera da Global Marine Drilling, estacionada em St.Johns, Newfoundland.
Eles têm que mudar o rumo dos icebergs, puxando-os com rebocadores, para evitar que choquem com as plataformas.
Neste caso particular o mar estava calmo, a água cristalina e o sol incidia quase directamente sobre o iceberg, o que permitiu a um mergulhador tirar esta fotografia fantástica. O peso estimado deste iceberg é de 300 milhões de toneladas.
Coisas como esta fazem-nos perceber por que uma fotografia vale mais do que mil palavras ...
Não tanto pela imponência, mas principalmente pela sua beleza.
sábado, agosto 18, 2012
PEDIDO DE AMANTE
Júlio está no Hotel com a amante, curtindo o pós-coito, quando ela resolve interromper o silêncio:
- Júlio, por que não cortas essa barba?
- Ah... se dependesse só de mim... Sabes que minha mulher seria capaz de me matar se eu aparecesse sem barba... ela gosta de mim assim !
- Ora, querido - insiste a amante - Faz isso por mim, por favor...
- Não sei não, querida.... sabes, a minha mulher ama-me muito, não tenho coragem de a decepcionar...
- Mas sabes que eu também te amo muito... pensa no caso, por favor...
O tipo continua dizendo que não dá, até que não resiste às súplicas da amante e resolve atender ao pedido.
Depois do trabalho ele passa no barbeiro, em seguida vai a um jantar de negócios e quando chega a casa a esposa já está dormindo.
Assim que ele se deita, sente a mão da esposa afagando o seu rosto lisinho e com a sua voz sonolenta diz:
- Ricardo!!! Seu sacana, ainda estás aqui? Vai-te embora... O barbudo já está a chegar !!!
Júlio está no Hotel com a amante, curtindo o pós-coito, quando ela resolve interromper o silêncio:
- Júlio, por que não cortas essa barba?
- Ah... se dependesse só de mim... Sabes que minha mulher seria capaz de me matar se eu aparecesse sem barba... ela gosta de mim assim !
- Ora, querido - insiste a amante - Faz isso por mim, por favor...
- Não sei não, querida.... sabes, a minha mulher ama-me muito, não tenho coragem de a decepcionar...
- Mas sabes que eu também te amo muito... pensa no caso, por favor...
O tipo continua dizendo que não dá, até que não resiste às súplicas da amante e resolve atender ao pedido.
Depois do trabalho ele passa no barbeiro, em seguida vai a um jantar de negócios e quando chega a casa a esposa já está dormindo.
Assim que ele se deita, sente a mão da esposa afagando o seu rosto lisinho e com a sua voz sonolenta diz:
- Ricardo!!! Seu sacana, ainda estás aqui? Vai-te embora... O barbudo já está a chegar !!!
sexta-feira, agosto 17, 2012
quinta-feira, agosto 16, 2012
O Provincianismo Português
Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a realidade com o fito de a compreender, quisermos resumir num síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros países, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.
O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela — em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz. O síndroma provinciano compreende, pelo menos, três sintomas flagrantes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.
Se há característico que imediatamente distinga o provinciano, é a admiração pelos grandes meios. Um parisiense não admira Paris; gosta de Paris. Como há-de admirar aquilo que é parte dele? Ninguém se admira a si mesmo, salvo um paranóico com o delírio das grandezas. Recordo-me de que uma vez, nos tempos do "Orpheu", disse a Mário de Sá-Carneiro: "V. é europeu e civilizado, salvo em uma coisa, e nessa V. é vítima da educação portuguesa. V. admira Paris, admira as grandes cidades. Se V. tivesse sido educado no estrangeiro, e sob o influxo de uma grande cultura europeia, como eu, não daria pelas grandes cidades. Estavam todas dentro de si".
O amor ao progresso e ao moderno é a outra forma do mesmo característico provinciano. Os civilizados criam o progresso, criam a moda, criam a modernidade; por isso lhes não atribuem importância de maior. Ninguém atribui importância ao que produz. Quem não produz é que admira a produção. Diga-se incidentalmente: é esta uma das explicações do socialismo. Se alguma tendência têm os criadores de civilização, é a de não repararem bem na importância do que criam. O Infante D. Henrique, com ser o mais sistemático de todos os criadores de civilização, não viu contudo que prodígio estava criando — toda a civilização transoceânica moderna, embora com consequências abomináveis, como a existência dos Estados Unidos. Dante adorava Vergilio como um exemplar e uma estrela, nunca sonharia em comparar-se com ele; nada há, todavia, mais certo que o ser a "Divina Comédia" superior à "Eneida". O provinciano, porém, pasma do que não fez, precisamente porque o não fez; e orgulha-se de sentir esse pasmo. Se assim não sentisse, não seria provinciano.
É na incapacidade de ironia que reside o traço mais fundo do provincianismo mental. Por ironia entende-se, não o dizer piadas, como se crê nos cafés e nas redações, mas o dizer uma coisa para dizer o contrário. A essência da ironia consiste em não se poder descobrir o segundo sentido do texto por nenhuma palavra dele, deduzindo-se porém esse segundo sentido do facto de ser impossível dever o texto dizer aquilo que diz. Assim, o maior de todos os ironistas, Swift, redigiu, durante uma das fomes na Irlanda, e como sátira brutal à Inglaterra, um breve escrito propondo uma solução para essa fome. Propõe que os irlandeses comam os próprios filhos. Examina com grande seriedade o problema, e expõe com clareza e ciência a utilidade das crianças de menos de sete anos como bom alimento. Nenhuma palavra nessas páginas assombrosas quebra a absoluta gravidade da exposição; ninguém poderia concluir, do texto, que a proposta não fosse feita com absoluta seriedade, se não fosse a circunstância, exterior ao texto, de que uma proposta dessas não poderia ser feita a sério.
A ironia é isto. Para a sua realização exige-se um domínio absoluto da expressão, produto de uma cultura intensa; e aquilo a que os ingleses chamam detachment — o poder de afastar-se de si mesmo, de dividir-se em dois, produto daquele "desenvolvimento da largueza de consciência" em que, segundo o historiador alemão Lamprecht, reside a essência da civilização. Para a sua realização exige-se, em outras palavras, o não se ser provinciano.
O exemplo mais flagrante do provincianismo português é Eça de Queirós. É o exemplo mais flagrante porque foi o escritor português que mais se preocupou (como todos os provincianos) em ser civilizado. As suas tentativas de ironia aterram não só pelo grau de falência, senão também pela inconsciência dela. Neste capítulo, "A Relíquia", Paio Pires a falar francês, é um documento doloroso. As próprias páginas sobre Pacheco, quase civilizadas, são estragadas por vários lapsos verbais, quebradores da imperturbabilidade que a ironia exige, e arruinadas por inteiro na introdução do desgraçado episódio da viúva de Pacheco. Compare-se Eça de Queirós, não direi já com Swift, mas, por exemplo, com Anatole France. Ver-se-á a diferença entre um jornalista, embora brilhante, de província, e um verdadeiro, se bem que limitado, artista.
Para o provincianismo há só uma terapêutica: é o saber que ele existe. O provincianismo vive da inconsciência; de nos supormos civilizados quando o não somos, de nos supormos civilizados precisamente pelas qualidades por que o não somos. O princípio da cura está na consciência da doença, o da verdade no conhecimento do erro. Quando um doido sabe que está doido, já não está doido. Estamos perto de acordar, disse Novalis, quando sonhamos que sonhamos.
Fernando Pessoa, in 'Portugal entre Passado e Futuro'
Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a realidade com o fito de a compreender, quisermos resumir num síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros países, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.
O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela — em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz. O síndroma provinciano compreende, pelo menos, três sintomas flagrantes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.
Se há característico que imediatamente distinga o provinciano, é a admiração pelos grandes meios. Um parisiense não admira Paris; gosta de Paris. Como há-de admirar aquilo que é parte dele? Ninguém se admira a si mesmo, salvo um paranóico com o delírio das grandezas. Recordo-me de que uma vez, nos tempos do "Orpheu", disse a Mário de Sá-Carneiro: "V. é europeu e civilizado, salvo em uma coisa, e nessa V. é vítima da educação portuguesa. V. admira Paris, admira as grandes cidades. Se V. tivesse sido educado no estrangeiro, e sob o influxo de uma grande cultura europeia, como eu, não daria pelas grandes cidades. Estavam todas dentro de si".
O amor ao progresso e ao moderno é a outra forma do mesmo característico provinciano. Os civilizados criam o progresso, criam a moda, criam a modernidade; por isso lhes não atribuem importância de maior. Ninguém atribui importância ao que produz. Quem não produz é que admira a produção. Diga-se incidentalmente: é esta uma das explicações do socialismo. Se alguma tendência têm os criadores de civilização, é a de não repararem bem na importância do que criam. O Infante D. Henrique, com ser o mais sistemático de todos os criadores de civilização, não viu contudo que prodígio estava criando — toda a civilização transoceânica moderna, embora com consequências abomináveis, como a existência dos Estados Unidos. Dante adorava Vergilio como um exemplar e uma estrela, nunca sonharia em comparar-se com ele; nada há, todavia, mais certo que o ser a "Divina Comédia" superior à "Eneida". O provinciano, porém, pasma do que não fez, precisamente porque o não fez; e orgulha-se de sentir esse pasmo. Se assim não sentisse, não seria provinciano.
É na incapacidade de ironia que reside o traço mais fundo do provincianismo mental. Por ironia entende-se, não o dizer piadas, como se crê nos cafés e nas redações, mas o dizer uma coisa para dizer o contrário. A essência da ironia consiste em não se poder descobrir o segundo sentido do texto por nenhuma palavra dele, deduzindo-se porém esse segundo sentido do facto de ser impossível dever o texto dizer aquilo que diz. Assim, o maior de todos os ironistas, Swift, redigiu, durante uma das fomes na Irlanda, e como sátira brutal à Inglaterra, um breve escrito propondo uma solução para essa fome. Propõe que os irlandeses comam os próprios filhos. Examina com grande seriedade o problema, e expõe com clareza e ciência a utilidade das crianças de menos de sete anos como bom alimento. Nenhuma palavra nessas páginas assombrosas quebra a absoluta gravidade da exposição; ninguém poderia concluir, do texto, que a proposta não fosse feita com absoluta seriedade, se não fosse a circunstância, exterior ao texto, de que uma proposta dessas não poderia ser feita a sério.
A ironia é isto. Para a sua realização exige-se um domínio absoluto da expressão, produto de uma cultura intensa; e aquilo a que os ingleses chamam detachment — o poder de afastar-se de si mesmo, de dividir-se em dois, produto daquele "desenvolvimento da largueza de consciência" em que, segundo o historiador alemão Lamprecht, reside a essência da civilização. Para a sua realização exige-se, em outras palavras, o não se ser provinciano.
O exemplo mais flagrante do provincianismo português é Eça de Queirós. É o exemplo mais flagrante porque foi o escritor português que mais se preocupou (como todos os provincianos) em ser civilizado. As suas tentativas de ironia aterram não só pelo grau de falência, senão também pela inconsciência dela. Neste capítulo, "A Relíquia", Paio Pires a falar francês, é um documento doloroso. As próprias páginas sobre Pacheco, quase civilizadas, são estragadas por vários lapsos verbais, quebradores da imperturbabilidade que a ironia exige, e arruinadas por inteiro na introdução do desgraçado episódio da viúva de Pacheco. Compare-se Eça de Queirós, não direi já com Swift, mas, por exemplo, com Anatole France. Ver-se-á a diferença entre um jornalista, embora brilhante, de província, e um verdadeiro, se bem que limitado, artista.
Para o provincianismo há só uma terapêutica: é o saber que ele existe. O provincianismo vive da inconsciência; de nos supormos civilizados quando o não somos, de nos supormos civilizados precisamente pelas qualidades por que o não somos. O princípio da cura está na consciência da doença, o da verdade no conhecimento do erro. Quando um doido sabe que está doido, já não está doido. Estamos perto de acordar, disse Novalis, quando sonhamos que sonhamos.
Fernando Pessoa, in 'Portugal entre Passado e Futuro'
terça-feira, agosto 14, 2012
AINDA O “ACONCHEGO”
Um Blog define-se como um espaço de opinião livre. Do seu autor. Com que os leitores concordarão ou não. Se não concordarem são livres de emitir a sua discordância desde que não ultrapassem os limites do decoro. Assim é que desde 12 de Novembro de 2006 o autor deste Blog tem vindo a exercer a capacidade de intervenção que a si próprio impôs.
Nunca em circunstância alguma o autor deste Blog exerceu a sua capacidade (leia-se possibilidade) de impedir os comentários que a sua escrita pudesse suscitar. Muita gente tem discordado do que diz e escreve. Todos os comentários foram publicados.
Mas exige a ética da construção de um Blog que o seu autor não comente e não responda aos comentários que lhe dirijam, por mais mordazes, violentos ou duros que sejam. É uma regra de ouro. Que tenho cumprido com exigência para mim próprio.
Por mais que pense que o sentido do texto ou o próprio texto esteja a ser desvirtuado. Mas para que eu mereça ter um Blog não devo responder ao que me dizem. Este é um espaço de diálogo. E é no diálogo que o Homem enquanto tal cresce e se ergue por entre todos os que vivem no planeta Terra.
Assim. Publiquei todos os comentários que me dirigiram a todos os meus escritos, mesmo os mais duros, sem que me tivesse sentido ofendido com o que me diziam. Também eu próprio sempre escrevi com o objectivo de fazer crescer as exigências que permitirão encontrar as melhores respostas para o que nos permitirá a todos construir um futuro que valha a pena.
É possível que o autor do Blog numa ou noutra circunstância possa ter sido injusto ou até cruel. Mas foi sempre o seu propósito respeitar a dignidade de todos e de cada um.
Posto isto e porque este assunto se vem arrastando, publico agora com a elegância de quem não teme, uma carta que me foi dirigida pelo CENTRO DE SOLIDARIEDADE E CULTURA, com o anexo que por bem me quiseram ofertar.
Quem tudo ler, ajuizará como lhe aprouver.
Um Blog define-se como um espaço de opinião livre. Do seu autor. Com que os leitores concordarão ou não. Se não concordarem são livres de emitir a sua discordância desde que não ultrapassem os limites do decoro. Assim é que desde 12 de Novembro de 2006 o autor deste Blog tem vindo a exercer a capacidade de intervenção que a si próprio impôs.
Nunca em circunstância alguma o autor deste Blog exerceu a sua capacidade (leia-se possibilidade) de impedir os comentários que a sua escrita pudesse suscitar. Muita gente tem discordado do que diz e escreve. Todos os comentários foram publicados.
Mas exige a ética da construção de um Blog que o seu autor não comente e não responda aos comentários que lhe dirijam, por mais mordazes, violentos ou duros que sejam. É uma regra de ouro. Que tenho cumprido com exigência para mim próprio.
Por mais que pense que o sentido do texto ou o próprio texto esteja a ser desvirtuado. Mas para que eu mereça ter um Blog não devo responder ao que me dizem. Este é um espaço de diálogo. E é no diálogo que o Homem enquanto tal cresce e se ergue por entre todos os que vivem no planeta Terra.
Assim. Publiquei todos os comentários que me dirigiram a todos os meus escritos, mesmo os mais duros, sem que me tivesse sentido ofendido com o que me diziam. Também eu próprio sempre escrevi com o objectivo de fazer crescer as exigências que permitirão encontrar as melhores respostas para o que nos permitirá a todos construir um futuro que valha a pena.
É possível que o autor do Blog numa ou noutra circunstância possa ter sido injusto ou até cruel. Mas foi sempre o seu propósito respeitar a dignidade de todos e de cada um.
Posto isto e porque este assunto se vem arrastando, publico agora com a elegância de quem não teme, uma carta que me foi dirigida pelo CENTRO DE SOLIDARIEDADE E CULTURA, com o anexo que por bem me quiseram ofertar.
Quem tudo ler, ajuizará como lhe aprouver.
LÁ COMO CÁ...
mesmo aqueles que não percebem inglês conseguem perceber a ideia subjacente aos salários que publicamos. E alguns deles são para toda a vida...
Salary of retired US Presidents ...............$180,000 FOR LIFE
Salary of House/Senate ............................$174,000 FOR LIFE This is stupid
Salary of Speaker of the House ...............$223,500 FOR LIFE This is really stupid
Salary of Majority/Minority Leaders ....... $193,400 FOR LIFE Ditto last line
Average Salary of a teacher ................... $40,065
Average Salary of Soldier DEPLOYED IN AFGHANISTAN ....... $38,000
mesmo aqueles que não percebem inglês conseguem perceber a ideia subjacente aos salários que publicamos. E alguns deles são para toda a vida...
Salary of retired US Presidents ...............$180,000 FOR LIFE
Salary of House/Senate ............................$174,000 FOR LIFE This is stupid
Salary of Speaker of the House ...............$223,500 FOR LIFE This is really stupid
Salary of Majority/Minority Leaders ....... $193,400 FOR LIFE Ditto last line
Average Salary of a teacher ................... $40,065
Average Salary of Soldier DEPLOYED IN AFGHANISTAN ....... $38,000
sábado, agosto 11, 2012
Mágicas…
Vale e Azevedo foi jantar a um restaurante de luxo, onde até os talheres eram de ouro.
De repente, Vale e Azevedo vê um cliente a pegar em duas colheres de ouro e a escondê-las no bolso.
Ficou chateado da vida, por não ter tido a ideia primeiro e, para mostrar que ele sempre era o CHEFE de tudo, decidiu que também ia roubar duas colheres.
Vale e Azevedo pensou um pouco e, como exímio enganador, dissimulado e oportunista, perguntou ao empregado:
- Você quer que eu faça uma magia?
- Sim senhor, respondeu o empregado.
- Bem, pega nessas duas colheres de ouro e põe-nas no meu bolso.
O empregado assim fez. Pegou nas colheres e colocou-as no bolso de Vale e Azevedo.
- OK senhor, e agora?
- Agora contas até 3 e, de seguida, vais tirá-las do bolso daquele cliente.
Vale e Azevedo foi jantar a um restaurante de luxo, onde até os talheres eram de ouro.
De repente, Vale e Azevedo vê um cliente a pegar em duas colheres de ouro e a escondê-las no bolso.
Ficou chateado da vida, por não ter tido a ideia primeiro e, para mostrar que ele sempre era o CHEFE de tudo, decidiu que também ia roubar duas colheres.
Vale e Azevedo pensou um pouco e, como exímio enganador, dissimulado e oportunista, perguntou ao empregado:
- Você quer que eu faça uma magia?
- Sim senhor, respondeu o empregado.
- Bem, pega nessas duas colheres de ouro e põe-nas no meu bolso.
O empregado assim fez. Pegou nas colheres e colocou-as no bolso de Vale e Azevedo.
- OK senhor, e agora?
- Agora contas até 3 e, de seguida, vais tirá-las do bolso daquele cliente.
sexta-feira, agosto 10, 2012
ESTADO DE ESPIRITO
Neste Verão de 2012 sinto-me cansado e triste e sem esperança. O acessório é mais importante do que o essencial. O que é meu é o mais importante de tudo. A minha Festa já não existe mais. Os carrinhos de brincar já desapareceram e as cavacas vendidas à luz da ametolia. E o polvo seco assado. E as barraquinhas dos tirinhos. E a expressão tantas vezes repetida do "venha outro" que ecoava no Juncal da Prageira.
Sou pária na minha terra. Já não sei se isto que vou escrevinhando merece a pena. Tenho de fazer uma reflexão séria sobre o assunto. É claro que há dias como o de hoje e algumas situações que nos fazem renascer a esperança. Fui aos CTTs. Vi um grupo de funcionários cordiais e voluntariosos. Vi trabalhadores que por sua iniciativa propunham a alguns dos seus clientes alguns productos. Faziam pela vida e pela valorização da empresa em que trabalham. Bem hajam.
Neste Verão de 2012 sinto-me cansado e triste e sem esperança. O acessório é mais importante do que o essencial. O que é meu é o mais importante de tudo. A minha Festa já não existe mais. Os carrinhos de brincar já desapareceram e as cavacas vendidas à luz da ametolia. E o polvo seco assado. E as barraquinhas dos tirinhos. E a expressão tantas vezes repetida do "venha outro" que ecoava no Juncal da Prageira.
Sou pária na minha terra. Já não sei se isto que vou escrevinhando merece a pena. Tenho de fazer uma reflexão séria sobre o assunto. É claro que há dias como o de hoje e algumas situações que nos fazem renascer a esperança. Fui aos CTTs. Vi um grupo de funcionários cordiais e voluntariosos. Vi trabalhadores que por sua iniciativa propunham a alguns dos seus clientes alguns productos. Faziam pela vida e pela valorização da empresa em que trabalham. Bem hajam.
terça-feira, agosto 07, 2012
À COMISSÃO DE PROTECTORES DE MENORES DE PENICHE
Os que assistiram há cerca de 12 anos aos exaustivos esforços que foram feitos para a recuperação do Bairro Arco-Íris (ex Peniche III) não é fácil passar por aquela zona sem um sentimento de saudade e de até de dever cumprido. Recordo entre tantos o exemplo maior que foi o da Carmelita Malheiros, que a incúria dos homens e o seu sempre extremo esquecimento para o que de bom se vai fazendo, conduziu ao esquecimento inglório.
Recordo que o princípio que norteou a recuperação do Bairro foi o de o tornar necessário a Peniche como pólo de apoio às suas necessidades.
Assim surgiu para além da recuperação física, a criação da oficina de reparações que viria a desaparecer ingloriamente, a cozinha de petiscos de que nunca mais se ouviu falar, o Jardim Infantil para crianças a necessitarem de um apoio mais específico e o Centro de Acolhimento para crianças e menores em risco.
Este último foi o que mais dificuldades gerou. Primeiro foi necessário lutar contra umas licenciadas em Assistência Social que trabalhavam em Leiria no Centro Distrital e que estavam convencidas que tínhamos que ser aqui em Peniche cordeiros ao serviço de Suas Majestades.
Depois contra o conservadorismo militante que há época se fazia sentir em algumas instituições de Peniche, que faziam da contabilidade o Deus Pai de todas as coisas. Felizmente que na altura em que o Comissariado de Luta contra a Pobreza considerou encerrada a sua acção no Bairro Arco-Íris se encontrou no Centro de Solidariedade e Cultura de Peniche um parceiro que agarrou no Projecto de acolhimento de crianças, e o tornou numa realidade no nosso Concelho de que hoje nos podemos orgulhar.
Mas, nem sempre as coisas correm pelo melhor e no melhor pano cai a nódoa. Hoje (2012-08-07) pelas 10:30 horas parei o carro em frente ao edifício das Juntas de Freguesia e ao olhar para o Bairro, vi duas crianças com cerca de 3 anos a uma das janelas do Centro de acolhimento. Os meninos brincaram e pularam à janela durante uns largos minutos (10/15 min) correndo o risco de caírem da janela para a rua. Entretanto eu que ando sempre de máquina em riste fiz algumas fotos para ilustrar a situação. Até que, a certa altura, uma mulherzinha surge numa outra janela de um outro compartimento e me grita de rua a rua alertando-me “que era proibido fotografar crianças. Passei-me.
E quem me conhece sabe do que sou capaz quando me passo. Saí do carro e fui ao Aconchego interpelar a “criatura” que me tinha chamado a atenção, para o perigo de eu fotografar os meninos. Fui mal-educado como sei ser nas minhas piores alturas. Disse-lhe o meu nome para o caso de querer participar de mim à policia. E disse-lhe da responsabilidade que tinha quem ali trabalha para se alguma coisa de mal acontecesse àquelas crianças. A resposta que ouvi foi a de que tinam que tratar de outras crianças e não tinham tempo para vigiar todas. Esta é uma resposta e peras.
Mas aquelas crianças não foram para ali por a sua família biológica os maltratar ou abandonar? Triste sina a daquelas crianças que foram buscar acolhimento a quem não tem tempo para lhes prestar atenção. Passam de Herodes para Pilatos num triste corrupio. Alguém vai ter que organizar o serviço naquela instituição de forma a que todas as crianças possam ser devidamente vigiadas. E mais não digo que já estou a ficar outra vez irritado. Quem lutou por aquele local ser um refúgio de amor, não pode aceitar o mínimo descuido. Doa a quem doer.
Os que assistiram há cerca de 12 anos aos exaustivos esforços que foram feitos para a recuperação do Bairro Arco-Íris (ex Peniche III) não é fácil passar por aquela zona sem um sentimento de saudade e de até de dever cumprido. Recordo entre tantos o exemplo maior que foi o da Carmelita Malheiros, que a incúria dos homens e o seu sempre extremo esquecimento para o que de bom se vai fazendo, conduziu ao esquecimento inglório.
Recordo que o princípio que norteou a recuperação do Bairro foi o de o tornar necessário a Peniche como pólo de apoio às suas necessidades.
Assim surgiu para além da recuperação física, a criação da oficina de reparações que viria a desaparecer ingloriamente, a cozinha de petiscos de que nunca mais se ouviu falar, o Jardim Infantil para crianças a necessitarem de um apoio mais específico e o Centro de Acolhimento para crianças e menores em risco.
Este último foi o que mais dificuldades gerou. Primeiro foi necessário lutar contra umas licenciadas em Assistência Social que trabalhavam em Leiria no Centro Distrital e que estavam convencidas que tínhamos que ser aqui em Peniche cordeiros ao serviço de Suas Majestades.
Depois contra o conservadorismo militante que há época se fazia sentir em algumas instituições de Peniche, que faziam da contabilidade o Deus Pai de todas as coisas. Felizmente que na altura em que o Comissariado de Luta contra a Pobreza considerou encerrada a sua acção no Bairro Arco-Íris se encontrou no Centro de Solidariedade e Cultura de Peniche um parceiro que agarrou no Projecto de acolhimento de crianças, e o tornou numa realidade no nosso Concelho de que hoje nos podemos orgulhar.
Mas, nem sempre as coisas correm pelo melhor e no melhor pano cai a nódoa. Hoje (2012-08-07) pelas 10:30 horas parei o carro em frente ao edifício das Juntas de Freguesia e ao olhar para o Bairro, vi duas crianças com cerca de 3 anos a uma das janelas do Centro de acolhimento. Os meninos brincaram e pularam à janela durante uns largos minutos (10/15 min) correndo o risco de caírem da janela para a rua. Entretanto eu que ando sempre de máquina em riste fiz algumas fotos para ilustrar a situação. Até que, a certa altura, uma mulherzinha surge numa outra janela de um outro compartimento e me grita de rua a rua alertando-me “que era proibido fotografar crianças. Passei-me.
E quem me conhece sabe do que sou capaz quando me passo. Saí do carro e fui ao Aconchego interpelar a “criatura” que me tinha chamado a atenção, para o perigo de eu fotografar os meninos. Fui mal-educado como sei ser nas minhas piores alturas. Disse-lhe o meu nome para o caso de querer participar de mim à policia. E disse-lhe da responsabilidade que tinha quem ali trabalha para se alguma coisa de mal acontecesse àquelas crianças. A resposta que ouvi foi a de que tinam que tratar de outras crianças e não tinham tempo para vigiar todas. Esta é uma resposta e peras.
Mas aquelas crianças não foram para ali por a sua família biológica os maltratar ou abandonar? Triste sina a daquelas crianças que foram buscar acolhimento a quem não tem tempo para lhes prestar atenção. Passam de Herodes para Pilatos num triste corrupio. Alguém vai ter que organizar o serviço naquela instituição de forma a que todas as crianças possam ser devidamente vigiadas. E mais não digo que já estou a ficar outra vez irritado. Quem lutou por aquele local ser um refúgio de amor, não pode aceitar o mínimo descuido. Doa a quem doer.
sábado, agosto 04, 2012
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