domingo, janeiro 19, 2014

sábado, janeiro 18, 2014

JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS

Perfazem hoje 30 anos sobre a morte do poeta. Sobre a sua condição de poeta os críticos e os eruditos falarão melhor que eu. Sobre quem fez da poesia uma arma, aí já poderei dizer o que sinto. Contribuiu como poucos para dar a palavra à canção. Todos já o cantaram de uma ou outra forma. Como cidadão foi controverso qb. Nunca se escondeu e buscou na discussão levar os outros a pensarem no Homem como a forma mais sublime da existência.
Por tudo isto, e pelo que não sou capaz de dizer, em jeito de homenagem deixo aqui um poema seu que permitirá a quem o ler compreender melhor o autor.
 
Meu Camarada e Amigo

Revejo tudo e redigo 
meu camarada e amigo. 
Meu irmão suando pão 
sem casa mas com razão. 
Revejo e redigo 
meu camarada e amigo 

As canções que trago prenhas 
de ternura pelos outros 
saem das minhas entranhas 
como um rebanho de potros. 
Tudo vai roendo a erva 
daninha que me entrelaça: 
canção não pode ser serva 
homem não pode ser caça 
e a poesia tem de ser 
como um cavalo que passa. 

É por dentro desta selva 
desta raiva   deste grito 
desta toada que vem 
dos pulmões do infinito 
que em todos vejo ninguém 
revejo tudo e redigo: 
Meu camarada e amigo. 

Sei bem as mós que moendo 
pouco a pouco trituraram 
os ossos que estão doendo 
àqueles que não falaram. 

Calculo até os moinhos 
puxados a ódio e sal 
que a par dos monstros marinhos 
vão movendo Portugal 
— mas um poeta só fala 
por sofrimento total! 

Por isso calo e sobejo 
eu que só tenho o que fiz 
dando tudo mas à toa: 
Amigos no Alentejo 
alguns que estão em Paris 
muitos que são de Lisboa. 
Aonde me não revejo 
é que eu sofro o meu país. 

 

quinta-feira, janeiro 16, 2014

ASSIM VAI A CMP

Após as últimas eleições ficámos a aguardar a 1ª grande manifestação de vontade da coligação PSD/PS, face ao partido vencedor. Essa relevância estava apontada à apresentação do 1º Orçamento apresentado pela CDU quer ao executivo, quer à Assembleia Municipal, os 2 Órgãos decisores onde a coligação PSD/PS tem a maioria.
A 27 de Dezembro lá foi aprovado o 1º Orçamento do novo executivo da CDU, que contou com os seus votos a favor e com a abstenção da coligação da oposição, que definiu este orçamento como equilibrado e responsável.

Alguns dados relevantes sobre estes e anteriores orçamentos:
Em 2010     - 31,5 milhões €
Em 2013     - 20,4 milhões €
Em 2014     - 17,4 milhões €
Para despesas correntes estão afectados 16 milhões de euros

O que significa que estão libertos para investimento 1,4 milhões de euros.
Acresce que se aponta em 2014 para a construção do:
- Centro Escolar de Atouguia da Baleia
- Obras nas escolas de Ferrel e Serra d’ El-Rei
- Obras de recuperação do edifício Aº Bento e instalação do Museu de Rendas de Bilros
e…
- Reforço de Apoio às famílias carenciadas do concelho
Não sei das referências aos múltiplos carnavais, à etapa do Mundial de Surf, a recuperação dos Bairros Sociais, da Biblioteca Municipal, o arranjo dos medões de lama extraídos do Fosso das Muralhas, Planos para a intervenção na sua periferia.

E se por aqui me ficar, resta-me pedir para um novo milagre da multiplicação dos euros ou será mais um ano de passagem. Que a graça dos Deuses nos acompanhe.

quarta-feira, janeiro 15, 2014

AINDA OS JÓTINHAS

Sempre que um partido político em Portugal realiza um congresso eu tremo todo. Não pelo facto em si. Isso é pouco importante. Os congressos dos partidos políticos são encenações montadas para a exaltação dos militantes que neles participam. Com resultados antecipadamente conhecidos. Está tudo preparado ao milímetro para que não surjam surpresas pouco agradáveis.
O que me assusta e perturba nos congressos partidários são os grupos de pressão que para eles são preparados para imporem algumas das suas exigências. E entre esses grupos as “ditas” juventudes partidárias são as que mais temo. Pela sua impreparação. Pela sua conotação com o líder. Com as exigências que estabelece para poderem beneficiar do seu apoio.

E isto serve rigorosamente para todas as “jotas”. Umas de forma mais evidente e outras de forma mais camuflada (refiro-me aos jovenzinhos da dita esquerda parlamentar).
Neste último congresso do partido da direita “bétinha” o seu líder saiu-se com uma ideia que não vi depois desenvolvida mas que não estranharei se for retomada. A de que se deveria reduzir a escolaridade obrigatória para 9 anos. Alguns jornais noticiaram e ficou-se por aí. Mas não será surpreendente se a ideia ficou a germinar. Para que é que precisamos de jovens letrados no desemprego? O que necessitamos é de indiferenciados que se submetam às necessidades do mercado de trabalho mais duro e violento. Estar a formar jovens para os condenar ao desemprego ou à emigração qualificada não parece ser uma atitude inteligente para um país que não consegue satisfazer as suas necessidades mais básicas. É importante estabelecer o fosso entre os que têm hipóteses de atingir um mercado de trabalho qualificado e os outros.

Se olharmos para o actual governo a começar pelo seu chefe temos uma visão clara do perigo que representam os idiotas dessas “jotas”. Estão lá todos os seus ex-lideres. Olhamos para o maior partido da oposição e lá estão eles outra vez. Está o país entregue a esta gentinha de pensar pequenino, que se vão infiltrando e subindo na hierarquia dos partidos à custa do que for preciso para chegarem aos lugares mais apetecidos. E sabem que aconteça o que acontecer os deuses estarão com eles. A seguir ao governo espera-os uma sinecura de uma qualquer empresa com capitais públicos.

PS:
1.   A diferença entre esta gentinha e os que aprendem que as capacidades de cada um é que devem presidir às suas qualificações e ascensão, é a mesma que separa o ex-ministro da economia Álvaro Santos Pereira de um qualquer outro envolvido via sua firma de advogados e das suas ligações ao Governo Português para lugar de ouro.

2.   E que dizer da situação a que chegámos em que cada vez que se levanta o tapete da porta de entrada do BPN sai de lá um ex-ministro ou secretário de estado dos governos do sr. Silva para ser julgado por corrupção.

segunda-feira, janeiro 13, 2014

A FOTO


Ao olhar para esta foto recordei-me de uma cena passada em Peniche há mais de 50 anos e que a minha mãe me contou, rindo como se o riso fosse a sua forma de estar.

A minha mãe foi um domingo à missa das 7 da tarde em S. Pedro numa tarde de inverno em que o frio cortante convidava ao aconchego do lar. Começou a subir as velhas escadarias da Igreja e ouvia o murmúrio de 2 vozes que ecoavam no átrio exterior da Igreja. Uma mais estridente, outra mais calma e confortante. Quando acabou de subir os degraus deparou-se-lhe um casal muito conhecido aqui na vila de Peniche: - A D. Herculana e o Sr. Ezequiel. Eles eram talvez o casal mais “beato” que todos nós conhecíamos. Iam a todas as missas. Não falhavam a um terço. O Sagrado Lausperene era o corolário de todas as suas convicções. As procissões o seu sacrifício em nome do Senhor. Firmes nas suas convicções nem sequer se apercebiam das torpes risadas dos ímpios que amesquinhavam a sua devoção sem limites à Igreja e aos seus rituais. Moravam numa casa apalaçada que ainda hoje existe e que vai da rua Dr. Figueiredo Faria ao Largo Bispo de Mariana. Não tinham filhos. O seu estar na vida começava nas suas devoções religiosas e terminava no cumprimento amoroso das suas obrigações e fé religiosas.

Era pois esse casal de devotos que a minha mãe foi encontrar no átrio exterior da Igreja de S. pedro naquela noite de invernia dolorosamente fria e cortante. Ela sobretudo não se calava fazendo as últimas recomendações ao esposo devoto que titubeante lhe tentava dizer qualquer coisa antes de entrarem na Igreja. Até que, a certa altura ele conseguiu arranjar coragem e a interrompeu e lhe disse como última solução para a calar:

“- Querida Herculana… Fecha a boca que o frio pode entrar e ainda te constipas!”

sábado, janeiro 11, 2014

quinta-feira, janeiro 09, 2014

FIXAÇÃO

Os católicos são vidrados no paraíso eterno ao lado de Deus Pai todo-poderoso. Os muçulmanos sonham com o paraíso e as 72 virgens que receberão se morrerem em nome de Alá. Os agiotas só vêm moedinhas. Os capitalistas pensam no desenvolvimento do seu poderio económico. Os bêbados ficam em êxtase quando olham para um copo de vinho.

O passos coelho, o portas e o seu governo estão em transe com os reformados, pensionistas e velhos. Têm a todo o transe de os eliminar da face deste país. Sacam-lhes as pensões e reformas a que têm direito, reduzem-lhe o acesso ao sistema de saúde. Dão-lhes uma sopa e como limite à tolerância caritativa, arranjam uns cabazes de comida para os entreterem enquanto eles se dedicam a morrer. Aos filhos desempregados e netos com fome de pensionistas e reformados, vão-nos reprovando por incapacidade mental na escola e fazem assim subir a mão-de-obra barata que necessitam para os grandes grupos económicos se instalarem e depenarem Portugal e os Portugueses.

Este governo e este presidente da república por ele criado à medida das suas necessidades, avisam os pobrezinhos, os indigentes, os famintos e os desempregados de todas as idades, que quando acabarem de sacar as pensões e as reformas dos velhos, começarão a depenar os mais jovens num afã sem tréguas para poderem encher a pocilga da Europa dos bens dos países sem futuro.

Foi entretanto descoberta a última novidade para deixar de pagar pensões: - os miseráveis com cancro são postos em banho maria à espera de exames e quando os exames surgirem, estando o cancro em seu pleno desenvolvimento pelos diferentes órgãos é aguardar que o velho ou a velha morra, e sempre se poupa no SNS e é menos uma pensão ou uma reforma que se paga. É o que se chama 2 em 1 para reduzir o défice.

Matem os velhos. Deixem-nos apodrecer.    

quarta-feira, janeiro 08, 2014

ACONTECE

Raramente tenho tanto vontade de escrever (porque são muitos os assuntos em agenda) do que aquela que tive ontem e tenho hoje. No entanto outras prioridades se colocaram impedindo-me de fazer o gosto aos dedos. Era prioritário desinstalar em casa a tenda de Natal. Quando no final de Novembro comecei a prepara as decorações de Natal caiu-me o “carmo e a trindade” em cima. Porque é muito cedo, porque qualquer dia começas com o Natal no Verão e por aí fora. Aguentei com as criticas e lá fui avançando. E ontem já estava a desmanchar tudo. Passou num instante. Até que um dia já não serei eu com estas tarefas e ficarei na expectativa de ver lá no limbo onde se situam os espíritos, como será a árvore de Natal e o Presépio lindíssimo que me inebria. E verei então as luzinhas a acender e a apagar promovendo a festa em permanência por esses dias.

Tinha também de ir renovar a carta de condução ao Posto de Atendimento ao Cidadão. Já aqui elogiei o serviço ali prestado. Ontem passei-me completamente. A funcionária era outra. De casa levei os documentos necessários e para poupar tempo, levei também fotocópias do BI e da Carta de Condução. Foi-me exigido os originais para a “burocratazinha” que me atendeu verificar que as fotocópias eram iguais aos originais. Foi de mais para quem acabava de viver o Natal. Acabei por ser mal-educado do que peço desculpa. Fiquei mais uma vez com a firme convicção de que os serviços são eficientes ou não em função de quem trabalha neles, da sua inteligência e bom-senso. O resto é paisagem.

No meio disto tudo ouvi uma pessoa por quem tinha a maior das admirações mentir descaradamente para evitar dar a resposta que lhe apetecia. Compreendo perfeitamente que a Presidente da Assembleia da República não concorde com a ida do corpo de Eusébio para o Panteão Nacional. Mas transformar uns miseráveis 50 000 euros em centenas de milhares de euros para impedir a discussão do assunto, parece-me uma atitude grosseira que não se coadugna com o nível de inteligência da pessoa em questão. Enfim é só mais uma desilusão no meio deste momento de caos que atravessamos.

Hoje ouvi o nefasto portas dizer que para ele “irrevogável” era o que o deixava de ser quando começava o “interesse nacional”. E mais disse que a explicação do assunto seria dada em primeira mão no congresso do CDS onde ele (o portas) se sentia bem por ser a sua gente, o seu povo. É inacreditável como um “sacana”  destes, que com as suas birras lixou ao povo português milhares de milhões de euros, acha que são os da sua laia que merecem o seu respeito, ficando nós  os pagantes para último lugar.

Miserável país este.

segunda-feira, janeiro 06, 2014

RECORDAR EUSÉBIO


Associo-me à homenagem que a nível global se presta ao Rei Eusébio. Independentemente do aproveitamento que alguns hipócritas fazem da sua morte (que permitirá esquecer outras coisas), ele representou uma parte do nosso orgulho. Eusébio ajudou com a sua atitude e grandeza no exercício da sua actividade a unir portugueses, a formar milhares de crianças, a dar a Portugal uma projecção que num tempo muito difícil, quase se torna hoje inimaginável. A sua vida e o seu exemplo uniram portugueses de diferentes gerações, credos, cores ou inclinações clubistas.

Quando fui estudar para Lisboa recordo as tardes/noites de competições europeias em que eu e os outros jovens de Peniche nos juntávamos na cave do “Meu Café” em Campo de Ourique para assistir aos jogos das Taças de Campeões Europeus e aos jogos de apuramento para o Mundial de 1966.
Recordo que o meu irmão foi um dos 2 portugueses que propôs ao jornal “A Bola” a designação de “Magriços” com que a Selecção Nacional se apresentou em Inglaterra.

Pelo que ajudou à minha formação como jovem e a milhares de outros como eu, pela beleza que emprestava no exercício de uma coisa tão aparentemente simples como “jogar à bola”, pelo que contribuiu para tornar Portugal um País mais respeitado: Obrigado Eusébio!

PS: Lamento profundamente as declarações do Dr. Mário Soares acerca da morte de Eusébio. Foram feitas por certo em dia em que ele acordou virado do avesso. Não é elegante e de um homem com a capacidade intelectual do Dr. Mário Soares dizer aquelas coisas. Fica-lhe mal e coloca-o a nível da indigência mental. Atrevo-me a dizer que no período mais negro da nossa História, Eusébio terá sido tão importante para Portugal, quanto o foi Amália e o próprio Dr. Mário Soares. Esquecer isto é tornar-se absurdo e imbecil.    

 

sábado, janeiro 04, 2014

 "Os Amantes do Tinto"
Ficou comprovado, mediante uma séria pesquisa científica, que se beberes mais de 1 litro de água por dia, durante 1 ano, no final do ano terá ingerido mais de 1 quilograma de coliformes fecais que estão diluídos na água, ou seja: UM QUILO DE MERDA!!!


Já bebendo VINHO.... Não se corre esse risco, uma vez que esses coliformes não sobrevivem ao processo de fermentação. Por isso peço que comuniques a todos OS que bebem água que essa porra faz mal!!!

Está dado o alerta! Depois não digas que eu não avisei!!!

Quem tiver consciência vai chegar à conclusão de que : 'É melhor beber vinho e dizer umas merdas, do que beber umas merdas e não dizer nada'.

quinta-feira, janeiro 02, 2014

HIBERNEI

Durante um certo período de tempo desapareci. Fiquei a milhas de tudo aquilo que me era habitual. Consagrei-me aos festejos que esta quadra nos oferece. À família, aos amigos mais próximos. Revisitei alguns dos que me são muito queridos e, fui revistado por outros.

Não resisto a dizer que recebi um email de um amigo da minha infância há muitos e muitos anos radicado no Canadá, o Carlos do Rio, que me tocou profundamente.

Recordei os que me deixaram. E perdoem-me colocar as coisas num plano pessoal, mas sinto que foi a mim que me deixaram. Estas festas sem a sua presença tornaram-se para mim mais difíceis de entender e fruir.

Acordei do meu estado de letargia e dou por mim a perceber que nada mudou. Mais uma vez o que interessou à grande maioria dos portugueses na televisão foi a mandante Teresa Guilherme e os seus (e suas) serviçais.

Na politica nada mudou. Continuamos miseráveis com a bênção de um tal sr. Silva e dos seus apaniguados. Somos uns rambos face à república da Guiné-Bissau e uns “cagadinhos” face à República Popular de Angola. O silva ergue a voz contra os primeiros e “borra-se” todo perante os segundos. Como se existem (e existem) crimes mais dóceis e outros mais odientos.

Hibernei e salvei alguns dos meus dias.   

domingo, dezembro 22, 2013

BOAS FESTAS

A todos os que por aqui passarem desejo umas festas felicíssimas. Claro que não será para muitos. A dor, a infelicidade e o ruir de muitas esperanças não permitirá a muitos poderem encarar com alegria este período.
Resta acreditar que existirá uma réstia de esperança algures para cada um de nós. Que possamos ser felizes apesar de tudo.

sexta-feira, dezembro 20, 2013

HISTÓRIAS DE ENCANTAR...

CINDERELA
 BRANCA DE NEVE
 CAPUCHINHO VERMELHO
 A BELA ADORMECIDA
 JASMINE (in ALADINO)
 A BELA E O MONSTRO
 BARBIE NO 50º ANIVERSÁRIO
 TWEETY AOS 60 ANOS
 SUPERHOMEM
 THOR
 
MULHER MARAVILHA
 BATMAN E ROBIN
 HOMEM ARANHA

terça-feira, dezembro 17, 2013

O ÚLTIMO ABRAÇO QUE ME DÁS

Nesta quadra de Natal e quando tantas coisas que eu não gostaria que acontecessem se deram, recebi da minha filha um email com um recorte da revista "Visão". A leitura deste permitiu que vários sentimentos fluíssem em mim. Só refiro 2 deles. O Amor que senti pela minha filha por me ter enviado este recorte, e o que senti por ver um dos maiores escritores portugueses tocados pelas coisas simples que nos tornam humanos. Merece a pena.

O ÚLTIMO ABRAÇO QUE ME DÁS
in "Visão"

por António Lobo Antunes
16:42 Quinta, 12 de Dezembro de 2013

 
Para Luís Costa

O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria, onde a elegância dos doentes os transforma em reis. Numa das últimas vezes que lá fui encontrei um homem que conheço há muitos anos. Estava tão magro que demorei a perceber quem era. Disse-me

- Abrace-me porque é o último abraço que me dá durante o abraço

- Tenho muita pena de não acabar a tese de doutoramento

e, ao afastarmo-nos, sorriu. Nunca vi um sorriso com tanta dor entre parêntesis, nunca imaginei que fosse tão bonito.

Com o meu corpo contra o dele veio-me à cabeça, instantâneo, o fragmento de um poema do meu amigo Alexandre O'Neill, que diz que apenas entre os homens, e por eles, vale a pena viver. E descobri-me cheio de respeito e amor. Um rapaz, de cerca de vinte anos, que fazia quimioterapia ao pé de mim, numa determinação tranquila:

- Estou aqui para lutar

e, por estranho que pareça, havia alegria em cada gesto seu. Achei nele o medo também, mais do que o medo, o terror e, ao mesmo tempo que o terror, a coragem e a esperança.

A extraordinária delicadeza e atenção dos médicos, dos enfermeiros, comoveu-me. Tropecei no desespero, no malestar físico, na presença da morte, na surpresa da dor, na horrível solidão da proximidade do fim, que se me afigura de uma injustiça intolerável. Não fomos feitos para isto, fomos feitos para a vida. O cabelo cresce-me de novo, acho-me, fisicamente, como antes, estou a acabar o livro e o meu pensamento desvia-se constantemente para a voz de um homem no meu ouvido

- Acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento, acabar a tese de doutoramento

porque não aceito a aceitação, porque não aceito a crueldade, porque não aceito que destruam companheiros. A rapariga com a peruca no braço da cadeira. O senhor que não olhava para ninguém, olhava para o vazio. Ali, na sala de quimioterapia, jamais escutei um gemido, jamais vi uma lágrima. Somente feições sérias, de uma seriedade que não topei em mais parte alguma, rostos com o mundo inteiro em cada prega, traços esculpidos a fogo na pele. Vi morrer gente quando era médico, vi morrer gente na guerra, e continuo sem compreender. Isso eu sei que não compreenderei. Que me espanta. Que me faz zangar. Abrace-me porque é o último abraço que me dá: é uma frase que se entenda, esta? Morreu há muito pouco tempo. Foda-se. Perdoem esta palavra mas é a única que me sai. Foda-se. Quando eu era pequeno ninguém morria. Porque carga de água se morre agora, pelo simples facto de eu ter crescido? Morra um homem fique fama, declaravam os contrabandistas da raia. Se tivermos sorte alguém se lembrará de nós com saudade. De mim ficarão os livros. E depois? Tolstoi, no seu diário: sou o melhor; e depois? E depois nada porque a fama é nada.

O que é muito mais do que nada são estas criaturas feridas, a recordação profundamente lancinante de uma peruca de mulher num braço de cadeira. Se eu estivesse ali sozinho, sem ninguém a ver-me, acariciava uma daquelas madeixas horas sem fim. No termo das sessões de quimioterapia as pessoas vão-se embora. Ao desaparecerem na porta penso: o que farão agora? E apetece-me ir com eles, impedir que lhes façam mal:

- Abrace-me porque talvez não seja o último abraço que me dá.

Ao M. foi. E pode afigurar-se estranho mas ainda o trago na pele. Durante quanto tempo vou ficar com ele tatuado? O lugar onde, até hoje, senti mais orgulho em ser pessoa foi o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria onde a dignidade dos escravos da doença os transforma em gigantes, onde só existem, nas palavras do Luís, Heróis.

Onde só existem Heróis. Não estou doente agora. Não sei se voltarei a estar. Se voltar a estar, embora não chegue aos calcanhares de herói algum, espero comportar-me como um homem. Oxalá o consiga. Como escreveu Torga o destino destina mas o resto é comigo. E é. Muito boa tarde a todos e as melhoras: é assim que se despedem no Serviço de Oncologia. Muito boa tarde a todos e até já, mesmo que seja o último abraço que damos.

segunda-feira, dezembro 16, 2013

UMA HISTÓRIA...


O avô conta ao seu neto João as grandes mudanças que aconteceram na sociedade, desde a sua juventude até agora:

« Sabes, João, quando eu era pequeno, a minha mãe dava-me dez escudos = (+/-) 5 cêntimos de hoje.
Com isso, mandava-me à mercearia da esquina.
Então, eu voltava com um pacote de manteiga, dois litros de leite, um saco de batatas, um queijo, um pacote de açúcar, um pão e uma dúzia de ovos.
O neto João retorquiu:

- Mas ... avô, nesse teu tempo não havia câmaras de vigilância ?!... »

sábado, dezembro 14, 2013

OUÇAM...

...e esqueçam a porcaria dos governantes que temos e das leis com que nos espoliam todos os dias. A nós, aos nossos filhos e outros descendentes.
Que o Demo os acolha em sua glória e o Stevan Segal execute o trabalho como é sua obrigação.

http://www.youtube.com/watch_popup?v=cgJRlu3ws3w

quarta-feira, dezembro 11, 2013

PAI NATAL: - MEU QUERIDO AMIGO

Venho por este meio apresentar-lhe as minhas saudações natalícias. Votos de que esteja bem de saúde bem como as suas simpáticas renas. Bem preciso que elas estejam em forma, para poderem chegar ao meu país e à minha terra.

Quero dizer-lhe em primeiro lugar que julgo que desde o Natal anterior me portei bem. Não me inscrevi em nenhum partido político, logo não fiz promessas que não poderei cumprir. Para além de ter votado na minha mulher e no meu alter-ego Henrique Bertino, não votei em mais ninguém. Também não faço parte de nenhuma seita religiosa e não ando a tirar fotografias de mim mesmo quando pratico algum acto mais bondoso. A minha mão esquerda não sabe rigorosamente do que a minha mão direita faz.
É claro que tenho tido algumas atitudes que poderão ser encaradas por alguns como um tanto verrinosas. Mas trata-se de questões de valores que defendo e aos quais não posso fugir. Mas se o Pai Natal não for muito exigente penso que me pode relevar esses pecadilhos já que foram cometidos em defesa do bem comum.
Posto isto, quero aqui deixar os meus pedidos para o meu sapatão deste ano de 2014:

Pedido – Por favor manda embora o Governo do meu país e protege os velhos, as crianças, os jovens e os doentes, que tão maltratados têm sido. Que se alguém tirar que sair do meu país, sejam estes governantes doentiamente maldosos e incompetentes e os seus comparsas do dinheiro de quem são fiéis servos. Libertai Portugal meu querido Pai Natal, de quem o está a destruir.

Pedido – Libertai a minha terra (Peniche) dos oportunismos fúteis e pueris que a conduzem para a sua autodestruição. Que quem governa possa governar e que quem perdeu deixe governar quem ganhou. Que aquela gentinha da Assembleia Municipal ganhe juízo e sejam verticalmente honestos, não querendo na secretaria ganhar o que o os eleitores não lhe deram. Que na Câmara Municipal não se tente destruir a possibilidade de o executivo desenvolver o trabalho que deve, sem entraves, de forma a provar o que é capaz ou não de fazer. Sejam vigilantes mas não travões.

Pedido – Que se retirem os cartazes que ainda restam em alguns locais, com as “fronhas” dos candidatos autárquicos. Já chega de propaganda espúria.

Pedido – Que se retirem os cartazes em que se prometiam obras em Bairros Sociais em momentos ante eleitorais e que não se realizaram nunca. Que se prometa só o que se pode cumprir. E reafirmo aqui que antes a recuperação do Bairro do Calvário que 500 carnavais de Inverno ou de verão.

Pedidos - Que se limpem as dunas das areias removidas da limpeza do fosso das muralhas. Já chega de incúria.

Pedido – Que se tome uma atitude definitiva sobre a Biblioteca Municipal. Para quando e para quê? Um povo que lê é um povo com uma sabedoria imensa. E isso é contraproducente para os políticos. ABAIXO AS RUINAS DA BIBLIOTECA. Morra. Pum!

Pedido – Que se tome uma decisão sobre o edifício António Bento. Ou vai ou não vai. E se não vai não finjam.

 Pai Natal:
Pedi demais? Havia de ver o que tenho em carteira. Mas como não o quero impedir de satisfazer outros pedidos de amigos e conhecidos seus, tão merecedores de atenção quanto eu, fico-me por aqui por estas coisas mais evidentes.
Obrigado pelo que conseguir. Fico-lhe grato.    

  

 

 

terça-feira, dezembro 10, 2013

BOM DIA MADIBA

domingo, dezembro 08, 2013

UMA AULA DE EDUCAÇÃO SEXUAL

Anita, de sete anos, regressa a casa vinda da escola. 
Tinha tido a primeira aula de educação sexual.   
A mãe, muito interessada pergunta:
 -Como é que correu? 
Quase morri de vergonha! - respondeu a pequena Anita.
- Porquê? - perguntou a mãe.   
Anita respondeu: 
O Zezinho, o menino com o cabelo ruivo, disse que foi a cegonha que o trouxe. 
- O Marco, da livraria, disse que veio de Paris.
 - A Cristina, a vizinha do lado, disse que foi comprada num orfanato e o Tó disse que foi comprado no hospital.
 - O Paulinho disse que nasceu de uma proveta  
- O André disse que nasceu de uma barriga de aluguer.   
A mãe de Anita respondeu quase sorrindo: 
-Mas isso não é motivo para te sentires envergonhada... 
- Não, já sei, mas não me atrevi a dizer-lhes que como nós somos pobres, tiveste que ser tu e o pai a fazer-me...!!!

sábado, dezembro 07, 2013

BURRA MAS HONRADA

Uma garota, ia sair pela primeira vez com um homem. A mãe dela apreensiva, deu algumas instruções:  
  • Olha minha filha, ele te convidou pra sair, você vai;
  • Ele vai te levar pra jantar, você vai;
  • Ele vai te convidar pra conhecer o apartamento dele, você vai;
  • Ele vai te oferecer uma bebida, você aceita;
  • Ele vai te convidar pra ir pro quarto, você vai;
  • Ele vai te convidar pra tirar a roupa, você tira;
  • Ele vai te pedir pra deitar na cama, você deita...
Mas, na hora em que ele for subir em cima de você pra desonrar a sua família, você não deixa, viu minha filha? 
Tudo avisado, a garota saiu. 

Quando chegou, foi contar pra a mãe o ocorrido:
  
  • Tudo o que a Senhora falou era verdade, mãe!Ele fez tudinho! Só que na hora que ele foi subir em cima de mim pra desonrar minha família...
  • Você saiu da cama, né, filha? Perguntou a mãe, apreensiva.
  • Melhor!!!!! Eu subi em cima dele e desonrei a família dele!  

quinta-feira, dezembro 05, 2013

Morreu Nelson Mandela
Que o seu exemplo frutifique no futuro como exemplo de Paz, Liberdade e Democracia.

quarta-feira, dezembro 04, 2013

de... 4 CASAMENTOS E UM FUNERAL

Funeral Blues
w.h. auden

Pare os relógios, cale o telefone
Evite o latido do cão com um osso
Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie
a vinda do caixão, seguido pelo cortejo.
Que os aviões voem em círculos, gemendo
e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu.
Ponham laços pretos nos pescoços brancos das pombas de rua
e que guardas de trânsito usem finas luvas de breu.
Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste
Meus dias úteis, meus finais-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, minha fala e meu canto.
Eu pensava que o amor era eterno; estava errado
As estrelas não são mais necessárias; apague-as uma por uma
Guarde a lua, desmonte o sol
Despeje o mar e livre-se da floresta
pois nada mais poderá ser bom como antes era.

terça-feira, dezembro 03, 2013

EUROPA: - UM FIM TRÁGICO

Quando trabalhei na Guiné-Bissau como cooperante nos anos 70 do século passado, conheci um outro cooperante lá o Zé Manel dos Santos que foi a primeira pessoa a chamar-me a atenção para a decadência da Europa, um continente que perdia os seus valores, a sua criatividade, a Beleza da explosão da Arte nos corações dos seus artistas. Aproxima-se o Tempo da decadência da Europa, dizia o Zé Manel, e do florescimento de outros continentes como fontes civilizacionais.

Hoje, 40 anos passados, isso tornou-se por demais evidente e são muitos que  referem essa evidência hoje clara, à qual se mantiveram alheios durante dezenas de anos.
Bem se tentou uma União Europeia que aproveitasse o que de melhor havia da Alma da Europa, mas cedo os incompetentes e os trauliteiros da política se aproveitaram dos sonhos e os tornaram em pesadelos. Quando um qualquer durão barroso se torna presidente da UE é porque atingimos mesmo o limite da degradação do ideal europeísta. Monnet, Shuman e Adenauer sonharam criar as bases de um envolvimento social dos cidadãos europeus que impedisse a hostilidade e o domínio de alguns estados sobre outros estados mais frágeis. Tudo em debalde. Hoje assistimos à mais dolorosa das vilanias que é o domínio económico de alguns países mais poderosos sobre outros mais carenciados, conduzindo milhares de cidadãos europeus, na Grécia, Espanha, Itália, Portugal e Irlanda a situações de pobreza extrema, que passam a depender de atitudes assistenciais suprimido que foi ou está em vias de o ser o Estado Social.

Alguns políticos portugueses viram com algum tempo o que estava a acontecer. Infelizmente o facilitismo e a ignorância permitiu que o pior acontecesse. E hoje um grupo de mafiosos, corruptos e servidores da hegemonia dos poderosos tomou conta de governos e centros de poder, entregando os destinos de uma europa podre aos donos da economia mundial.

Nota: Portugal manteve, em 2013, o 33.º lugar no Índice de Perceção da Corrupção da organização Transparência Internacional, mas perdeu pontuação numa lista que este ano inclui mais um país do que em 2012.

segunda-feira, dezembro 02, 2013

AVALIAÇÃO DE PROFESSORES

Já manifestei o meu desacordo substantivo com a actual equipa do Ministério da Educação. São “broncos” e burros”. São “incompetentes” e “voláteis”. Destruíram tudo quanto de positivo se tem vindo a criar ao longo de muitos anos e em substituição desses valores têm vindo a edificar uma escola para ricos e a deixar cair a escola dos pobres onde podem ensaiar novas experiências assistenciais. Recusam tudo quanto cientistas competentes têm vindo a desenvolver em defesa de modelos educativos democráticos (caso da autonomia das escolas) e garroteiam todo e qualquer espaço de criatividade que ao espaço escolar compete.
Tudo isto já afirmei aqui.
Mas isso não me torna mais susceptível a aceitar que no que concerne a avaliação de professores esbarre no poderoso muro corporativo doa agentes docentes.

Tudo serve para recusar qualquer forma de avaliação seja ela qual for. Na televisão ouvem-se os mais tenebrosos argumentos a defender essa recusa, próprios de quem é tão incompetente e ignorante como aqueles que determinam modelos de avaliação de professores esquecidos desde o tempo da idade média. Aqui há dias uma docente afirmava que se recusava a fazer prova de capacidade para leccionar, porque tinha feito uma licenciatura e um mestrado e essa seria a maior prova de que poderia leccionar. Nada mais completamente falso. A professora em questão até poderia ter um doutoramento, mas isso jamais faria dela uma professora se lhe faltarem qualidades pedagógico-didácticas para tal. O que não faltam aí são professores com licenciaturas e mestrados sem que isso represente qualquer valor acrescentado para as escolas ou para os alunos. Saber não é sinónimo de que se saiba transmitir conhecimentos. Isso também se aprende e nem todos são capazes de o fazer, tenham embora as licenciaturas que quiserem. Quanto aos mestrados, estamos conversados sobre o que os mestrados que fazem se aplicam de perto ou de longe ao percurso escolar do docente.

No dia em que os professores aceitarem ser avaliados de forma credível eu mudarei de opinião sobre a credibilidade que me merecem. Até lá merecem-me tanta quanto o Ministério da Educação.