terça-feira, agosto 07, 2007

QUERIDA SEGURANÇA (ou falta dela)
Nos últimos 15 dias tem havido na nossa terra um número inusitado de incêndios em contentores de lixo. Recuso-me a classificar os que têm promovido tal actividade, por me faltar linguagem adequada para os classificar. Nem o “puro vernáculo” de meu pai chegaria para tal. Penso mesmo que o que falta para fornecer uma boa dose de educação cívica a tais “energúmenos” será uma boa dose de pau de marmeleiro nos costados. E depois digam-me que não é democrático.
Mas independentemente destes atentados criminosos, não deixa de ser verdade que não podemos criar condições para que estas coisas ocorram. Ora o que se passa num prédio devoluto no cruzamento da Rua Marquês de Pombal com a rua Garrett, é precisamente o de criar condições para pôr em perigo os cidadãos.O prédio aguarda licenciamento para construção, mas enquanto tal não ocorre, portas derrubadas como a que vemos na foto, são um convite ao vandalismo. Um incêndio ali provocado, dadas as condições do imóvel, serão um rastilho de pólvora com todas as condições para se propagar aos imóveis vizinhos, com todas as consequências que se adivinham.
A Câmara Municipal pode solicitar aos proprietários que bloqueiem potenciais focos de perigo, ou estes mesmo por sua iniciativa o podem fazer. Vá lá… Não custa nada. Diluam o preço dos tijolos e do cimento na venda do prédio em propriedade horizontal.
Nós agradecemos.

domingo, agosto 05, 2007

CARTA ABERTA AO EXECUTIVO MUNICIPAL
Ao remexer em algumas coisas fui encontrar o crachá comemorativo dos 350 anos de elevação de Peniche a Vila e sede do Concelho que o meu pai me ofereceu quando eu fiz 21 anos. Esse crachá foi mandado fazer pela Câmara Municipal em 1959 para celebrar a efeméride. Os velhos como eu, ou os ainda mais velhos, recordam que durante algum tempo a Praça jacob Rodrigues Pereira, rinha na placa central desenhado em calçada portuguesa o brasão da Vila e a data da sua elevação a sede de Concelho. Só que veio um outro executivo e mandou retirar tudo aquilo e fazer o desenho daquele "mamarracho" que ainda hoje ali existe. Enfim, mudanças de executivo, mudanças de arranjos urbanisticos.Foi nessa altura que me ocorreu enviar esta Carta ao Sr. Presidente da Câmara e ao executivo CDU. De facto no dia 20 de Outubro de 2009 celebram-se 400 anos desse acontecimento, o que torna essa data credora de uma comemoração preparada com o tempo adequado para a dignidade que é exigida.
Se venho por este meio recordar esta data e com toda esta antecedência, é porque estou familiarizado com certos conceitos utilizados nesta terra, nomeadamente o de deixar acontecer coisas e depois dizer que nem delas se recordam, ou levantar propostas de realização como se de estandartes se tratassem. Já que eu estou longe desse tipo de protagonismos, por razões de saúde e de vontade pessoal, aqui vai este reavivar de memórias, na certeza de que o que for feito será o melhor para a cidade de Peniche e o seu Concelho.
Os “donos” da nossa história local ficarão descalços, mas com isso Peniche só terá a lucrar.

sábado, agosto 04, 2007

PROCISSÃO
de António Lopes Ribeiro

Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Mesmo na frente, marchando a compasso,
De fardas novas, vem o solidó.
Quando o regente lhe acena com o braço,
Logo o trombone faz popó, popó.
Olha os bombeiros, tão bem alinhados!
Que se houver fogo vai tudo num fole.
Trazem ao ombro brilhantes machados,
E os capacetes rebrilham ao sol.
Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Olha os irmãos da nossa confraria!
Muito solenes nas opas vermelhas!
Ninguém supôs que nesta aldeia havia
Tantos bigodes e tais sobrancelhas!

Ai, que bonitos que vão os anjinhos!
Com que cuidado os vestiram em casa!
Um deles leva a coroa de espinhos.
E o mais pequeno perdeu uma asa!

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.
Pelas janelas, as mães e as filhas,
As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas,
Parecem anjos que vieram do Céu!

Com o calor, o Prior aflito.
E o povo ajoelha ao passar o andor.
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor!

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Já passou a procissão.

sexta-feira, agosto 03, 2007

AÍ ESTÁ ELA: - A FESTA
Com um programa religioso-turístico ímpar. A Procissão nocturna do Mar; A Procissão de dia com a reposição das actividades marítimas em desfile; A sardinhada oferecida na tarde de sábado na Ribeira Velha aos que nos visitam. Depois os festejos iguais aos que se realizam em todo o país, mais ou menos foguetório, mais ou menos Pimba.
A certa altura até foi moda sair de Peniche na altura da Festa. O novo-riquismo tem destes pruridos. As misturas com o “povo que cheira mal” não são abonatórias para a entrada no social-light local.
Bom, mas a festa agora começa a deslocar-se rumo a Peniche de Cima. Para a saída do Portão. Com as pescas a caírem em desuso e os pescadores cada vez menos “homens do mar” e mais “trabalhadores da indústria náutica” estão dados os primeiros passos para a queda e desuso da Festa. Falta morrer o Pe Bastos. Está feita a vontade dos novos senhores da terra. Não vai sobreviver outros 60 anos. O que a Comunidade Europeia não acabou, o “NOVO” Campo da Torre encarregar-se-á de resolver. Julgava eu do tempo em que estudava história que as Festas, Feiras e Romarias eram celebradas ao redor dos Castelos…
Por mim tanto faz. Prego uma “beka” aos peixinhos e sinto que o meu dever está cumprido. Ai no dia em que o “meu povo” perceber a força que tem, quantos palradores não se calarão para sempre.

quinta-feira, agosto 02, 2007

INFORMAÇÃO À POPULAÇÃO
Finalmente. Depois de uma hecatombe de acontecimentos mais ou menos caricatos, mais ou menos espúrios, o Presidente da Câmara Municipal de Peniche, esclarece (?) a sua posição perante o que se passa no Campo da Torre e na envolvente da Igreja de S. Pedro.
- É para mim revelador que a Informação à População seja prestada pelo Presidente da Câmara e não pela Câmara Municipal. A diferença é que me dá a sensação de que o Presidente está isolado nesta análise. - Não percebo porque se aborda o que se passa no Campo da Torre, conjuntamente com o que se passa na envolvente à Igreja de S. Pedro. Só na génese é que estes dois casos são idênticos, são obra do anterior executivo no interior do gabinete sem discussão pública, e com o beneplácito de muitos dos elementos do actual executivo.
- O que está por explicar é porque se condiciona o trânsito e o estacionamento e não se cumpre o que se condiciona. O que está por explicar é porquê este medo doentio que envolve os nossos autarcas quando se trata de proprietários de bares, restaurantes e similares que se instalam na zona da Ribeira Velha. Mais vale dizer que será sempre de cedência em cedência até ao desastre final. - O que está por explicar é porque o Presidente da Câmara sente a necessidade de se explicar aqui e agora sobre esta matéria e não sente a mesma vontade de explicar o que se passa no Largo D. Pedro V e 5 de Outubro.
- Esta Informação à População peca por tardia e por extemporânea. Por tardia porque agora já não há soluções, há remendos. Por extemporânea porque lançada em Agosto, transforma um problema de incompetência doméstica em exposição gratuita perante todos os que nos visitam.
- Agrada-me “alguma” sensibilidade sobre a Festa da Boa Viagem. Não me iludo com as celebrações da Procissão nocturna no mar. O que se deixa insinuado não é muito agradável para mim. Não confio em promessas vagas e nebulosas. Se a gente não tem razão para confiar nas outras, porque havíamos de confiar nestas?
PS: - A CDU não quer pensar em retirar a confiança política à Presidente da Junta de Freguesia de S. Pedro? Talvez assim se começassem a clarificar as coisas e a dispor as pedras do xadrez no seu lugar próprio.

quarta-feira, agosto 01, 2007

O CINEMA QUE ME AJUDOU COMO PESSOA
Em 26 de Fevereiro de 1969, vão lá 38 anos, exibia o CICARP (Círculo de Iniciação Cinematográfico da Associação Recreativa Penichense), a película “Morangos Silvestres” do realizador sueco, Ingmar Bergman. Na passada 2ª feira (30 de Julho) morreu este homem do cinema que num tempo de obscurantismo era estuado aqui em Peniche, no nosso cineclube, para através disso nos compreendermos melhor como pessoas.Na Caderno de apoio que era distribuído aos sócios transcrevíamos um texto de Ingmar Bergman em que este posicionava a sua filmografia, numa forma de que nunca veio a abdicar:
“Têm-me perguntado, por vezes, o que procuro nos meus filmes, qual é o meu objectivo. A pergunta é difícil e perigosa e tenho o costume de responder com uma mentira ou uma esquiva; Procuro dizer a verdade sobre a condição dos homens, verdade como eu a vejo. Esta resposta satisfaz as pessoas e chego a perguntar a mim mesmo como é que não há ninguém que note o bluff, porque a verdadeira resposta seria: Sinto uma necessidade incoercível de exprimir, pelo filme, o que, de maneira subjectiva, se forma em alguma parte da minha consciência. Neste caso, só tenho um objectivo: eu próprio, o meu pão quotidiano, a diversão e a estima do público, uma espécie de verdade que sinto, exactamente nesse momento.INGMAR BERGMAN morreu com 89 anos de idade e deixou-nos com um legado de filmes memoráveis que constituirão para todo o sempre Património da Humanidade. Entre esses filmes destacam-se:
- MONIKA E O DESEJO
- O SÉTIMO SELO
- MORANGOS SILVESTRES
- PERSONA
- SONATA DE OUTONO
- FANNY E ALEXANDRE
- SARABAND
Peniche, numa época em que o cinema não era propriamente um valor apreciado pelos poderes aqui reinantes, pode orgulhar-se de ter sabido valorizar realizadores como Bergman. O resto, a repressão, a violência sobre a cultura, é outra pequena história que o tempo varrerá da memória da humanidade, a não ser que um dia destes me decida a reabrir o dossier CICARP.

terça-feira, julho 31, 2007

PARA QUEM GOSTA DE DIZER MAL
Porque Peniche é só vento. Porque não há dias de calor. Porque assim não pode haver Turismo. Porque há gente que diz mal de tudo e quando o assunto se esgota de todo, vão para o espelho dizer mal de si próprios.
Aí está um calor que nos sufoca. Uma praia que não nos é habitual porque excede tudo quanto é expectável para Peniche. O Sol no seu melhor. Espero que desta vez esteja feita a vontade dos que adoram este tipo de clima...

segunda-feira, julho 30, 2007

DIA DE ANOS
Hoje é o dia mais importante que existe desde todo o sempre. A minha Anita faz anos. Sou credor de uma dádiva que nunca, faça eu o que fizer, lhe poderei pagar. Ela é a mãe da minha querida filha. A minha companheira de todos os dias.
Na saúde e na doença. Nos momentos bons e nas dificuldades. Foi quem amparou a minha mãe quando já não havia mais ninguém. Foi a irmã e amiga do meu irmão.
É a filha, irmã, tia e sobrinha de todos em todos os momentos. Solidária com os que mais necessitam sem ostentações nem exibicionismos caridosos de quem precisa de ganhar o céu. A minha Anita conquista o seu espaço terreno todos os dias.
Lutadora por causas sociais e políticas, tem uma formação que vem na tradição que aprendeu ao lado do pai quando o visitava no Aljube.Amo a minha mulher. Amo a minha Anita. Aqui deste espaço sem fronteiras, envio-lhe o maior beijo de parabéns do Mundo.

domingo, julho 29, 2007

ATITUDES QUE FICAM BEM
Na passada 6ª feira recebi em casa um convite da Câmara Municipal de Peniche, assinado pelo seu Vice-Presidente Jorge A. B. Amador, para me convidar na qualidade de ex-Vereador do Pelouro da Cultura para acompanhar as actividades da MOSTRA DAS RENDAS DE BILROS DE 2007.Claro que este convite foi endereçado a todos os ex-vereadores dos últimos 15 anos. Surpreendeu-me esta atitude que não esperava de todo. Os nossos responsáveis políticos tendem a fazer esquecer o papel que os seus antecessores tiveram quando em idênticas actividades, ou porque temem as comparações, ou porque têm tendência para se sentirem o Centro do Universo. Fico grato por este convite. Registo aqui a atitude. Espero que se multipliquem os registos pelos quais merece a pena realçar a actividade do Executivo Municipal. Peniche só terá a benneficiar com isso, independentemente de quem exerce essa acção.

sábado, julho 28, 2007

JUSTIÇA À PORTUGUESA/JUSTIÇAs PORTUGUESAs A “NS” de 21 de Julho de 2007, traz na sua coluna “NÃO PODE SER” uma notícia que nos deixa entre perplexos e indignados. É difícil compreender certas coisas no nosso país. Sem mais comentários faço a transcrição na íntegra:“A 9ª Vara Cível de Lisboa declarou que os antigos Administradores da Caixa Económica Faialense - instituição bancária fechada em 1986 – praticaram actos ilícitos que delapidaram os capitais da instituição. Mas eximiu-os de pagar indemnizações aos milhares de clientes lesados, prejuízos avaliados em 6,5 milhões de euros”.

sexta-feira, julho 27, 2007

VELAS ERGUIDAS AO VENTO
À saída de Peniche ou à entrada, consoante a perspectiva, ergue-se um novo grupo escultórico em aço e mármore que pretende representar um barco à vela movimentando-se no mar.Se gosto? Visto assim de repente gosto. Embora a infantilidade da representação seja um pouco discutível. Do que não gosto definitivamente é daquelas “ondinhas” em mármore, em contraste com o resto do grupo escultórico. A ideia de estilizar as velas, o vento forte, a inclinação do barco sujeito ao temporal, perde-se na representação figurativa daquelas ondinhas que (em minha opinião) parecem ter sido concebidas por pessoa diferente e com técnica diversa, da que presidiu ao restante da peça. Estou a pensar sobre a ideia que vi e que me parece representarem uma vontade legítima de melhorar aquele espaço. Gosto da ideia. Penso que o representado poderia estar mais desenvolvido em termos de coerência técnica.

quinta-feira, julho 26, 2007

AEROPORTO INTERNACIONAL DE PENICHE
(PORTELA+1)
O Carlos Alberto Tiago (Fua) fez-me chegar uma outra perspectiva do voo inaugural do Aeroporto de Peniche. A movimentação festiva junto ao “avião de teste” é verdadeiramente assinalável e à qual não foram alheias as autoridades locais.
A boa adesão da população local é pois uma garantia. Se tiver que haver demolição de parte do porto de pesca, não terá importância de maior com o rumo que as pescas levam e o que se adivinha num futuro próximo.
Aeroporto Internacional de Peniche já!!!

quarta-feira, julho 25, 2007

O JORNALISMO QUE TEMOS...O PAÍS QUE SOMOS… A RTP1 abriu o seu noticiário no seu Programa da Manhã com uma reportagem na Ponte 25 de Abril sobre as condições de segurança em que as crianças são transportadas nos autocarros. Até aqui nada demais.
O pivot ao dirigir-se à repórter pediu-lhe que esta indagasse da Comandante da força policial que dirigia a análise aos autocarros de transporte dos meninos e meninas se “já tinham sido encontradas muitas infracções”. A repórter não se fez rogada e dirigindo-se à Comissária perguntou-lhe de “chofre” se tinham sido “muitos os prevaricadores já detectados”. A resposta não é relevante para o que quero aqui dizer.
Jornalistas profissionais e estagiários em vez de perguntarem se “ – a inspecção realizada está a encontrar as nossas crianças seguras e transportadas de forma correcta?”, parte logo da ideia esquizofrénica de que somos incompetentes e incapazes de cumprir a lei. Hoje não existem Jornalistas sem serem licenciados em Universidades próprias e que dispõem dos melhores profissionais de Comunicação Social que por cá existem. Logo não acredito que sejam ensinados a trabalhar desta forma espúria, que incentiva ao desânimo e à incapacidade de acreditar na melhoria dos padrões de vida materiais e mentais dos portugueses.
O sensacionalismo que se pede aos média atira o Jornalismo que temos para níveis médios muito próximos da indigência mental. Não se faz a pedagogia da qualidade ou do bom senso. Faz-se a propaganda do “matreirismo”, da ilegalidade e do miserabilismo. Como consequência disto cada vez os Jornalistas (com JOTA grande) são cada vez menos necessários em Portugal. Para sermos negativos e dizer mal, bastamos nós a nós próprios. Não precisamos de jornalistas.

terça-feira, julho 24, 2007

CIA EM PENICHE Que título mais sugestivo que este poderia eu utilizar para chamar a atenção à CDU e muito particularmente aos “danadinhos” do PCP se estivesse a escrever para que eles me lessem?
Um blog tem a particularidade de ser anónimo de lá para cá. É um pouco como a Arca de Fernando Pessoa. Nunca se saberá quem a vai abrir e ler o que está lá dentro. Mas quero deixar descansados os espíritos mais nervosos. Não estou a falar da “Central Intelligence”. Estou a falar de Confusões nas Iniciativas Autárquicas (CIA). Vem este a propósito do último fim-de-semana na Cidade de Peniche com um conjunto de iniciativas que são ou da responsabilidade de Órgãos da Câmara Municipal, ou que pelo menos receberam o seu apoio e validação. Senão vejamos:
Sábado à noite (21/07):
- 24 horas a correr em Peniche. Meta de Partida e Chegada no Largo da Misericórdia.
- Na Igreja da Misericórdia Coral Sttela Maris em Concerto
- No Clube apresentação dos Livros de Maria Vieira com a presença da Autora
- No Auditório Municipal apresentação do livro “Padre Nosso” com o Autor.
Domingo 22/07 ao fim da tarde
- Encerramento do 24 horas a correr
- Anfiteatro da Parreirinha Grupo “Poemas do contra baixo e guitarra”
Domingo 22/07 à noite
- Fados na escadaria da Igreja do Calvário
Tudo isto estaria muito bem se…
- O grupo “Poemas de contra baixo e guitarra” não tivesse recebido indicações de alguém responsável da Câmara Municipal, para antecipar o seu concerto que estava previsto para o mesmo local à noite, para o fim da tarde do mesmo dia, para não coincidir com a realização do Programa de Fados com os cantores locais. - Isto apesar de no dia anterior ninguém se ter preocupado com a confusão do Coral Sttela Maris a actuar no mesmo local em que se estava a realizar uma prova de atletismo.
È bom conhecer quais são as opções da CDU local em matéria de eventos. Os Fados são uma religião. Corais, talvez só se respeitem os “Alentejanos”.
E mais não digo.

segunda-feira, julho 23, 2007

O MEU POVO É TÃO DIFÍCIL DE COMPREENDERAs imagens que se seguem são de ontem Domingo (07/07/22). Na Prainha de S. Pedro. No Arco da Fortaleza. Crianças brincando na areia junto ao mar. Porque não têm som são imagens idílicas. Até aqui nada demais. O que não se vê e não se ouve é o que aqui importa e me deixa confuso.
A linguagem daquelas crianças lá em baixo era digna daqueles “carroceiros” de antigamente em dias de mercado. Que pena as imagens não terem som. Mas tão importante como isso, ou talvez mais, é o que falta nas imagens. Não tem pais, nem irmãos ou irmãs mais velhos, não tem tios ou tias, avós ou parentes afastados ou amigos fiáveis. Não tem ninguém. As crianças entre os 3 e os 10 anos, estão ali completamente sós entregues a si próprias e às suas “brincadeiras mais ou menos estranhas”.
Isto entre em dissonância com o que se passa em tempo de actividades lectivas. O corrupio de familiares e amigos a levar as “criancinhas” à escola ou a esperar por elas, parece o Estádio da Luz em dia de jogo para o título. E se for em dias a seguir a um rapto qualquer então é certo e sabido que a afluência duplica.Mas se for para irem para a praia ao fim de semana, podem ir sozinhas as criancinhas.
Se for para andarem pela Ribeira Velha ou Nova, entregues às suas “traquitanices”, podem ir umas com as outras. Até parece que os raptos e violação de crianças, mete férias ou descansa no fim-de-semana. As idiossincrasias do meu povo deixam-me perplexo.

domingo, julho 22, 2007

CONTRASTES
Que Peniche é uma terra de contrastes todos o sabemos. Capaz do melhor e do pior. Mas de vez em quando somos mesmo surpreendidos pela positiva com pormenores positivos com que deparamos. Existe aqui uma cuidada responsabilidade humana. Por isso nos admiramos. Por não estarmos habituados. É bom neste Domingo de Verão ver coisas de que nos podemos orgulhar.

sábado, julho 21, 2007

SONHO PODEROSO Qual é a glória da vida, agora
que não há glória nenhuma
senão a empobrecida realidade?
Acaso conhecer que o desengano
não te arrancou esse desejo fundo
de viver mais?

A glória da vida foi acreditar
que existia o eterno;
Ou talvez fosse a glória da vida
aquele poder simples
de criar, com o claro pensamento,
a fiel eternidade.
A glória da vida, e seu fracasso.

Francisco Brines (1932)
Ensaio de uma Despedida

sexta-feira, julho 20, 2007

PESSOAS
Ontem fui a um funeral. Morreu o Sr. Abel. Professor (escrevi assim de propósito) de condução. Foi ele que com uma paciência infinita conseguiu que eu tirasse a carta de condução há cerca de 40 anos, numa altura em que a loucura era o meu estado de espírito constante. Ao longo do tempo e desde essa altura fui cimentado uma grande e respeitosa amizade pelo Sr. Abel. Na Associação vim a conhecer a sua generosidade e capacidade de entrega a causas sociais. Vim a conhecer o seu filho mais velho que dono de uma enorme capacidade intelectual a par de uma grande inteligência e um humor sempre acutilante, se tornou parceiro de inúmeras tertúlias que terminavam invariavelmente quando o dia já começava a despontar. Com isso mais me aproximei do Sr. Abel.
Mais tarde fui encontrá-lo no PS quando eu me aproximei desse agrupamento político. Também ali, na actividade política e cívica o Sr. Abel era uma referência. Foi Presidente da Junta de Freguesia de S. Pedro durante uma série de mandatos. Há três anos, cansado, decidiu pôr ponto final nas suas actividades públicas. Dedicou-se ao apoio ao seu filho mais novo.
O funeral do Sr. Abel permitiu-me perceber o que querem dizer as ausências: “Muito tens, muito vales. Nada tens, nada vales”. E permitiu-me também sentir a “alegria” de rever o Abel, o Álvaro Silveira, a Ângela Sales e a irmã, a Micas. Há quanto tempo não via esta gente. E a alegria que senti. Quase que me apetece dizer, que até depois de morto o Sr. Abel me permitiu sentir bem com ele e com quem ele juntou à sua volta.
Os que não estavam… não fizeram falta.

quinta-feira, julho 19, 2007

AEROPORTO INTERNACIONAL DE LISBOA
PARA PENICHE JÁ!!!
Ao contrário do que possa parecer, a utilização de Peniche como base aeroportuária não é nenhuma “tontaria”, nem seria caso inédito. Em plena 2ª Guerra Mundial isso aconteceu com nítida vantagem para os pilotos, como documentamos com a foto em anexo.
veja-se o avião no canto inferior direito da fotografia
É mais uma proposta. Não pomos questão que seja Portela+Peniche. Se pode ser Sintra +2, ou Portela+Montijo, porque não Peniche orgulhosamente só, ou no limite, Peniche+qq coisa. Estude-se e verifiquem-se vantagens e inconvenientes. Mas como gente boa que sou, sempre adiantando alguns pontos a ter em conta:
VANTAGENS – Um terreno já muito plano; Uma plataforma de petróleo em vias de desenvolvimento para combustível; Um porto para escoamento de passageiros; O IP6 que pode servir para transportar passageiros para Madrid em dias de neblinas matinais; Um óptimo parque de estacionamento a localizar no Campo da Torre.
INCONVENIENTES – O TGV ao que consta não passa por cá.

quarta-feira, julho 18, 2007

SARAMAGO NO SEU MELHOR
Já referi aqui a controversa entrevista de José Saramago ao DN no passado dia 15 de Julho. Aqui volto também à polémica transcrevendo o pensamento do Nobel da Literatura, face à “pinderiquice” lusitana. DN – Qual é o futuro de Portugal nesta península?
JS – Não vale a pena armar-me em profeta, mas acho que acabaremos por integrar-nos.
DN – Política, económica ou culturalmente?
JS – Culturalmente, não, a Catalunha tem a sua própria cultura, que é ao mesmo tempo comum ao resto de Espanha, tal como a dos bascos e galega, nós não nos converteríamos em espanhóis.
Quando olhamos para a Península Ibérica o que é que vemos? Observamos um conjunto, que não está partida em bocados e que é um todo que está composto de nacionalidades, e em alguns casos de línguas diferentes, mas que tem vivido mais ou menos em paz. Integrados o que é que aconteceria? Não deixaríamos de falar português, não deixaríamos de escrever na nossa língua e certamente com dez milhões de habitantes teríamos tudo a ganhar em desenvolvimento neste tipo de aproximação e de integração territorial, administrativa e estrutural…
DN – Seria, então, mais uma província de Espanha?
JS – Seria isso. Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla la Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, era uma questão a negociar…Bem sei que estas coisas interessam pouco aos penicheiros. Mas ler e pensar nisto faz bem. Dá para perceber que existe mais mundo para além da Av. Monsenhor Bastos. Dá para matutar em coisas que são importantes mesmo que nunca aconteçam. O provincianismo penichense tem de acabar.