quarta-feira, maio 15, 2019


JOE BERARDO: O MEU HERÓI!!!

Independentemente das parecenças entre o multimilionário português e a figura tétrica dos livros do Batman, é quanto a mim injusto a atitude e muitos que o têm crucificado após a sua ida a prestar declarações à Assembleia da República.

O Comendador Joe Berardo, como tal nomeado por presidentes da República Portuguesa um em exercício e outro já a gozar férias, o que fez foi com uma frontalidade raramente vista em Portugal mostrar aos portugueses em geral, como se podem “vigarizar” os Bancos.

O que ele fez foi tornar claro e transparente como as leis existentes foram elaboradas para permitir que a Banca que sempre maltratou os pobres e humildes deste país, se tinha tornado vulnerável para os mais ricos e poderosos.

Disse-nos o Comendador que nada como pagar a advogados com capacidades inusitadas, que pertencem a firmas com outros advogados que são deputados, para se saber como roubar sem ser preso, nem perder um tostão.

Os senhores deputados que recusaram aprovar leis que impedissem os seus de exercerem funções como advogados enquanto o seu mandato estivesse em vigor, são os mesmos que agora parecem “virgens ofendidas” com a denúncia clara e transparente feita pelo senhor Joe Berardo.

Afinal são esses mesmos doutores em leis que as elaboram e aprovam na AR, criando as fugas possíveis para que quem lhes paga saia incólume aos procedimentos legais sempre que ludibriam as mesmas leis.

Bem-haja o Sr. Joe Berardo por nos dizer a todos aquilo que só alguns privilegiados sabiam.

Bem-haja o Sr. Joe Berardo por “chamar os bois pelos nomes”.

Bem-haja o Sr. Joe Berardo por ter tornado claro quem elegemos para a AR e porque são os partidos políticos tão avessos a lutar contra a corrupção.

Bem- o Sr. Joe Berardo!

Bem haja o Joker!

PS: Já depois de publicado este post ouço numa TV que um sr deputado europeu do CDS pede para ser retirada ao Joe a comenda que lhe foi atribuída. Pudera, ele denunciou o que os deputados não queriam que se soubesse. Eu proponho para ele a medalha da Liberdade.    

  

segunda-feira, maio 13, 2019


REPENSAR ABRIL

Falar de 45 anos pós o 25 de Abril e do que então se viveu, cada vez nos afasta mais de toda uma massa de jovens dos 15 aos 30 anos. Por estes dias morreu uma menina algarvia de 16 anos na Roménia quando regressava de uma viagem de estudo. Isto era impensável para as pessoas que viveram a sua juventude antes de 1974. Tão impensável para nós ontem, como para eles hoje um tempo sem NET, sem telemóvel, sem liberdade de movimentos ou de expressão.

Como pois chegar ao coração e à mente destes jovens falando-lhes de coisas como “Fascismo nunca mais” ou “25 de Abril, sempre!”?

Penso que existem no entanto algumas coisas imutáveis. Tão actuais hoje como ontem. Liberdade, Igualdade e Fraternidade, continuam a ser expressões com sentido. Democracia e Paz continuam a ser conceitos alcançáveis.

Com toda a franqueza, eu próprio sinto como um anacronismo expressões conotadas com fascismos e quejandos. O que recordo é o sentido de Fraternidade que uniu as pessoas logo a seguir ao derrube do regime do Estado Novo. Vejo a invasão das ruas em Liberdade e vejo pela primeira vez assumir o direito a participarem na vida pública ricos e pobres, estropiados e escorreitos, pretos brancos e mestiços, todos diferentes todos iguais.

Se personalizarmos mais as coisas, O Clube deixou de ser a casa dos ricos e o esfrega perdeu o sentido. As escolas são locais por direito de todos e tirar uma licenciatura deixou de ser privilégio de uns quantos. Em Peniche o Futebol já não movimenta milhares mas o surf que era mal encarado, sim. Apanhar peixe que caia dos cabazes para vender na Cadonga numa economia de subsistência, já não faz sentido. A “sopa do sr. prior” é coisa do passado. Ter carro deixou de ser uma necessidade profissional para passar a ser uma razão lúdica. Peniche já tem semáforos e não tem tabernas. É “in” andar de calções para novos e velhos, homens, mulheres, crianças e jovens. Enchem-se as muitas praias de Peniche e Concelho com milhares de turistas nacionais e estrangeiros. São jovens os que povoam a noite. Até policias de outras nações temos no Verão para acudir às mais diversas solicitações. Onde cabe nisto tudo o discurso do anti-fascismo?

Acabada a vida dos que viveram o 25 de Abril, este passará a ter o mesmo sentido que o 5 de Outubro e o 1º de Dezembro. E nós passaremos ao estatuto de fósseis, objecto de estudo e motivo para ensaios. Claro que irão ser repetidos os mesmos erros do passado embora com outras roupagens. Irão surgir novas formas de tirania e de opressão. Não é o exemplo das dificuldades que vivemos que vai impedir isto. Temos o dever de tudo fazer para que não se percam valores que tornam os serem humanos fraternais e felizes na Liberdade. Mas os tempos estão difíceis com as novas capacidades criadas e com uma sofisticação diabólica que irão conduzir à servidão milhões de seres humanos em todo o mundo e em Peniche também, pese embora as marcas que poderemos deixar para as gerações futuras.

Pesem embora todas as interrogações sobre o tempo que vivemos o futuro é de esperança. Somos fruto de uma Liberdade conquistada e vivemos fraternalmente os nossos dias. Cultivemos criativamente paixão nos nossos filhos e netos pela LIBERDADE e pela DEMOCRACIA. Que eles amem a natureza a terra, o país e o planeta em que vivem.

Por isso a foto com que termino este post. No pós 25 de Abril um grupo de pescadores faz uma caldeirada que está a ser servida na rua da Alegria onde nasceu Peniche. São eles que servem e se servem um primeiro ministro, um presidente da câmara e um candidato.

Era um tempo em que a Utopia se sentia estar ao nosso alcance.          



sábado, maio 11, 2019

quinta-feira, maio 09, 2019


DEUS DÁ NOZES A QUEM TEM DENTES

Muito se tem falado da distribuição de prebendas do PS aos seus militantes e colaboradores. Se é certo que existem casos de nomeações que são feitas em função das qualificações, competência e provas dadas pelos nomeados no exercício das suas actividades profissionais, existem casos em que nada disso é subjacente é subjacente à nomeação. Resta para que isso aconteça a distribuição de prendas à fidelização partidária.

A certa altura alguém mais “picuinhas” decide verificar o porquê da distribuição de lugares no Éden da política e encontra as conexões familiares e os casos de tão só as acomodações dos pares. De tão absurdas são algumas nomeações que se tornam notícia em canais televisivos em alguns média ou até online.

É então que a nossa terra (Peniche) surge agarrada a “casos” no que a essas “trocas de favores partidários” diz respeito. Recordo aqui notícias do “Observador”, da “SIC” como exemplo das notícias escritas e televisivas. Vem agora também a difusão online em Blogs com difusão reconhecida. É o caso que agora respingamos para aqui tal qual foi publicado:

in “TRIBUNA DO DIABO”

Jorge Manuel Rosendo Gonçalves – Bom pai de Tiago Gonçalves, dois notáveis socialistas que muito têm feito a bem da Grei, do Povo, da Classe Política e do apetitoso peixe fresco do belo mar de PenicheFOTO: Google Images – Refª 201903281139

                            Outro dos casos de família é o de Tiago Gonçalves, que é chefe de gabinete do secretário de Estado da Defesa do Consumidor, João Torres, desde 17 de outubro de 2018. O antigo dirigente da JS é filho do antigo deputado e antigo presidente da câmara municipal de Peniche, Jorge Manuel Rosendo Gonçalves. Até ir para o Governo era assessor do grupo parlamentar do PS e antes disso trabalhou na junta de freguesia do Lumiar, liderada por Pedro Delgado Alves. Atualmente Tiago Gonçalves tem um rendimento bruto de 4601,25 euros mensais (que corresponde a um vencimento líquido de 2645, 66 euros

quarta-feira, maio 08, 2019


FANTÁSTICO

Para aqueles que passam a vida a dizer que em Peniche (Concelho) não se faz nada, aconselho-os a lerem com atenção o Programa da “ROTA DA SAÚDE”. É a prova provada do muito que podemos fazer quando criamos algo com a colaboração das muitas entidades e instituições que existem em Peniche e quando trabalham em conjunto.

A leitura desse programa é uma reflexão participativa para todos os que se preocupam com a saúde, os problemas que são gerados pela falta dela e as muitas coisas simples que até estão ao alcance de todos. São criadas múltiplas ofertas mais dinâmicas umas, mais reflexivas outras, para podermos fazer e interiorizar as soluções para que a nossa saúde não seja só uma parte de todos, como a falta dela passa por sermos capazes de aderir ao que de facto está disponível no nosso concelho.

As minhas felicitações sinceras à Câmara Municipal de Peniche que gerou a actividade e a todas as instituições que nela participam.



segunda-feira, maio 06, 2019


DA MORTE MORRIDA MATADA DO CICARP

O CICARP era um anacronismo. Não podia existir. Falar de Direitos da Mulher, Racismo ou Xenofobia em 1969, não era só um disparate, era um suicídio. Co-existir fazendo pensar, numa colectividade dirigida e orientada por personalidades locais da UN/ANP só em circunstâncias muito peculiares com a liderança de jovens impetuosos e meio loucos.

Ao fim de 3 anos de actividade tinha que correr mal. Assim é que recebe a Direcção do cineclube a missiva que se segue:




Reconhecem-se as assinaturas de José Fernandes Bento (Presidente da Comissão Concelhia da UN/ANP), João Marques Petinga Avelar (membro da mesma concelhia), Gilberto Rosa Serafim, José Manuel Costa, Carlos Sá.

Ao que a Comissão Directiva do CICARP respondeu nos termos seguintes:

Replica a Direcção da ARP:




Como consequência deste diferendo decide a Comissão Directiva do CICARP convocar uma Assembleia de Associadas para que estes possam decidir sobre o rumo a tomar:

Na sequência destes acontecimentos a Direcção da ARP eleita para o ano de 1970 decide formalizar uma série de itens que pretendem condicionar a actuação das secções da Colectividade, colocando-as na dependência directa das suas orientações: 



Tendo atingido os seus intentos a Direcção da AEFCRP, vem atirar aos associados do CICARP a última pedrada, na certeza se que estes já não conseguiriam escapar da tirania imposta:




Claro que não poderiam os membros activos do CICARP tornarem-se marionetas nas mãos de manipuladores mentais obscurantistas e servidores de uma vida sem livre pensamento. Também o CICARP com as suas actividades já tinha ultrapassado os limites da ilha de Peniche. Na sequência da extinção deste cineclube na sua forma original, isto tornou-se notícia nacional dando origem a um impacto que os seres pequeninos e doentes que formavam a Direcção da ARP nunca teriam imaginado ser possível. No jornal local e em jornais nacionais surgem notícias sobre a extinção do CICARP, algumas das quais aqui são deixadas. É bom não esquecer de que existia a Censura pelo que os textos escritos nomeadamente no jornal local teriam de aparecer envoltos em parábolas que escapassem ao lápis azul.

“DIÁRIO DE LISBOA” 



“A VOZ DO MAR”

  

Existem ainda alguns documentos com alguma relevância acerca da extinção do CICARP mas que não se transcrevem por envolverem aspectos muito peculiares das tomadas de posição dos seus autores, não sendo no entanto determinantes para a análise deste processo.
Com estas publicações encerra-se uma análise de um tempo importante para a Vila de Peniche.
 

quinta-feira, maio 02, 2019

DA VIDA DO CICARP









CICARP1968 (Setembro/Outubro) – CICLO DE TEATRRO

-  Grupo Cénico do Banco de Angola
          “12 homens em fúria” – de Reginald Rose

 - Conjunto Cénico Caldense
         “O Vagabundo das mãos de Oiro” de Romeu Correia

- Grupo de Teatro Miguel Leitão de Leiria
         “Morte de um caixeiro viajante” de Arthur Miller

 - Grupo Teatral Freamudense
        “Gladiadores” de Alfredo Cortez

 - Grupo de Teatro da Fima Lever

        “Cavalgada para o mar”                       
e        “O novo inquilino”


 - Colóquio com Luzia Maria Martins



quarta-feira, maio 01, 2019


CICARP
(Círculo de Iniciação Cinematográfica da Associação Recreativa Penichense)



DA VIDA E DA MORTE

Despertou um interesse acima do normal os tempos vividos na década anterior ao 25 de Abril de 1974. E de entre as movimentações que se viveram foi o tempo de vida do CICARP que tem suscitado mais interrogações.

Talvez porque foi com o Cicarp que se realizou a 1ª Feira do Livro fora de Lisboa com um êxito perfeitamente inimaginável. Talvez pelos nomes sonantes da vida pública portuguesa que aqui se deslocaram para participar nas suas actividades. Talvez pelas referências feitas na imprensa escrita portuguesa sobre as suas realizações. Talvez por tudo isto acontecer numa vila portuguesa improvável pela vigilância a que se encontrava submetida com a existência aqui de uma Fortaleza que encerrava notórios opositores do regime vigente. Ou talvez por isto tudo.

O CICARP nasce a 27 de Janeiro de 1967 e o 1º filme que exibe é “O Indomável” de Alan Cavalier. O Cine-Clube morre de "morte matada" em 27 de Janeiro de 1970, com a exibição do filme “O OPerfume do Dinheiro” de J. L. Mankievicz.

A média de assistência às suas sessões foi de 70 associados.

Quando termina o CICARP tinha 434 associados.

3 anos de vida intensa que explicam bem tudo o que se seguiria daí em frente.

Decidi dividir esta informação sobre o CICARP em 3 post. O 1º (este) em forma de introdução. O 2º sobre o que foram 3 anos de vida. O 3º sobre a sua extinção, morte morrida matada. Em tempo de trevas.

Como última nota. Os quadros que irão ser apresentados na 2ª parte deste post estão tal qual foram feitos em 1974/75. Nesse tempo não existiam computadores, nem nada das novas tecnologias. Era trabalho manual e vontade de saber o que foram 3 anos de dedicação a uma causa.