quarta-feira, agosto 14, 2019


TER OBRAS EM CASA
É do mais desagradável que existe. Não somos ninguém. Não temos onde estar. Onde pisar. Não sabemos onde está nada. Em uma divisão ou duas divisões acumulamos em o que é da casa toda. Os cheiros. Tornamo-nos párias no nosso próprio espaço. E falta-nos capacidade de perceber o porquê de tudo isto. Mesmo que no fim tudo se torne mais suportável.
Para quem tem o hábito de fazer da casa a sua janela para o mundo, ver essa janela fechada é como cegar.
Julgo que estes dias de exílio estão a terminar. Mas até lá, salvo instantes fugazes e um deles é este, resta-me esperar por esses melhores dias.

segunda-feira, agosto 12, 2019


10 DE AGOSTO: - DIA DA PROCURA DE PÁTRIA
No sábado passado fui à missa. A epístola falava da procura do homem pelo seu lugar.
No entendimento bíblico todo o Homem tem o seu lugar o qual ninguém o pode impedir de alcançar. Refere-se ao Paraíso que todos devem procurar sem barreiras nem impedimentos. O padre que fez a homília referiu-se a isto mesmo no que diz respeito às migrações e aos imigrantes.
Os portugueses que por razões mais que óbvias escolheram o caminho da imigração em vários períodos da sua história recente (e não só), deveriam perceber como poucos essa necessidade da busca de um paraíso.
Quem tem Fé tem uma dupla razão para compreender essa necessidade. O actual papa fala sobre isso. No entanto, países que se dizem de cultura cristã ao desumanizarem o seu comportamento perante os refugiados e os carentes, abrem caminho à torpeza e à indignidade. Podíamos fazer um apelo a que esses países não façam parte das opções de férias ou de visitas. Mas se o próprio concerto de nações aos quais pertencem o aceita como sugerir essa atitude?
Itália é singular nesse capítulo. Durante anos milhares de italianos procuraram refúgio e trabalho nos Estados Unidos. Agora é Itália quem fecha as suas portas.
Os países da Europa de leste que durante muitos anos pediram a solidariedade dos povos de todo o mundo face à opressão de que se diziam vítimas, agora comportam-se como os seus próprios torcionários.
É extremamente difícil transmitir valores de fraternidade e humanismo às novas gerações.
 

terça-feira, agosto 06, 2019


EU E AS FÁBRICAS DE CONSERVAS

Um destes dias vi passar na SIC uma notícia (reportagem) sobre as conservas de peixe no Algarve. Isto fez-me regressar a uma parte das minhas origens. Se pelo lado do meu pai tudo tem a ver com Peniche, pelo lado da minha mãe existem várias regiões do país que se cruzam. Baião no Norte, Setúbal e Nazaré.

O pai da minha mãe (Manuel Pinto Monteiro) era soldador e foi aparar a Setúbal nessa qualidade para a soldadura manual das latas de conserva.
o meu avô materno, Manuel Pinto Monteiro
Casou lá com Maria Dionísia dos Anjos de quem teve 3 filhas. Tornou a casar e vieram mais 2 filhas. Entretanto com o aparecimento das máquinas de soldar latas automáticas, (nos anos 30 do séc. passado), fez parte de umas milhares de soldadores que se viram no desemprego por todo o país.
A  minha mãe e as suas 4 irmãs
Com cinco filhas em casa o meu avô tratou de entregar 2 delas a familiares que as pudessem criar. Foi assim que a minha mãe Natália e a minha tua Idália, (aduas mais velhas) vieram parar a Peniche a casa de umas irmãs de meu avô que tinham casado na Nazaré e vindo para Peniche onde a apanha de peixe corria de forma mais favorável. A irmã de meu avô era casada com o Tónio da Velha de saudosa memória.

A minha mãe que tinha tirado o curso de “Corte & Costura” que a Clarck organizava para quem comprava a régua de moldes, começou a trabalhar com sucesso nessa actividade.
 a minha mãe
A minha tia entretanto veio a casar com um pescador muito experiente (o Zé Canão) constituindo um casal feliz até à morte.

A minha mãe era uma jovenzinha de 17/18 anos lindíssima, e que vestia muito bem com a roupa elaborada por ela. O meu pai que era um grande “sargalhão”, viu aquela “jeitosa” e foi-se a ela. Assim foi que nasci eu e o meu irmão frutos da relação entre um engatatão filho-família de Peniche e uma filha de um soldador de latas de conserva no desemprego em consequência da revolução industrial na indústria conserveira.   

 

segunda-feira, agosto 05, 2019


FERIADO MUNICIPAL DE PENICHE
O que se celebra?
Porquê uma Festa móvel?
Quantos penicheiros, ou penichenses, sabem a resposta a estas perguntas?
As escolas de Peniche nas suas disciplinas de história, os estudos sociais, perdem algum tempo a compreender com os seus alunos um pouco da história de Peniche e os fundamentos da sua existência?
Será legitimo a participação do município, ou melhor, dos seus munícipes nos custos da educação dos seus filhos sem que os estabelecimentos de ensino façam da história local uma parte importante dos saberes que ali lhes são comunicados?
Peniche interessará alguém?
Será que a Assembleia Municipal se deveria preocupar com esta questão?

quinta-feira, agosto 01, 2019


A PRAÇA DA CANÇÃO
Em 1975 eu estava na República da Guiné-Bissau. A 25 de Novembro eu achava que a minha esperança de um Portugal mais livre, fraterno e a caminho de uma sociedade em que todos os portugueses tivessem a possibilidade de poder atingir níveis de dignidade, pensava eu que tudo tinha acabado e que de novo entraríamos num regresso ao passado obscurantista de que nos tínhamos libertado com o 25 de Abril.
Alguns companheiros de Partido deram às vila-diogo e emigraram para os EUA, Alemanha, França e uns quantos para Inglaterra. Eu a viver ainda no mundo da Utopia ofereci-me como cooperante para a Guiné-Bissau.
Foi um romper de muros, preconceitos e sonhos. Nós os colonialistas perfeitos nem sequer tínhamos transmitido uma língua àqueles povos. Como o meu curso de origem era de química, fui dar aulas de Físico-química para a Escola Vitorino Costa, que se situava em Brá, na estrada para o Aeroporto.
O modelo da escola era um misto do sistema português com o cubano. A grande maioria dos alunos não falava português. O crioulo era a língua dominante. Existiam alunos que falavam (e muito bem) o francês porque tinham estado na Guiné Conakri enquanto os pais combatiam. Outros falavam espanhol que erasm os que tinham estado em Cuba. Outros ainda falavam russo, porque o país que os tinha acolhido tinha sido a União Soviética. Quase todos falavam ainda a língua da região de onde provinham, ou mandinga, ou fula, ou papel, ou manjaco.
Eu falava português (a língua oficial), pedia depois aos melhores em português para traduzirem para crioulo e era assim feita a transmissão de saberes. Muitos daqueles alunos não tinham pais que os ajudassem. Os pais ou tinham morrido na luta, ou faziam parte dos quadros militares do país. Por isso aquela escola tinha ainda um refeitório e um dormitório para aquelas crianças, as “Flores da Nossa Luta”, como eram designadas por Amílcar Cabral. E era comum ver o Luiz Cabral, presidente da República visitá-los aos fins de semana ou ir almoçar com eles durante a semana sempre que as suas funções o permitiam.
Este contexto a que vem o título deste post? Um dia estávamos uns quantos cooperantes a conversar e uma colega professora de português, disse-nos que tinha tido péssimos resultados num teste de português que tinha dado aos seus alunos. Falámos com ela sobre isso e a certa altura ficámos estupefactos quando a nossa colega nos disse que o texto em que tinha baseado o teste, tinha sido a introdução da “praça da canção”, onde fala de uma pétala de rosa que tinha caído de uma carta que o Manuel Alegre tinha recebido na prisão.
Para aqueles mininos falava-se de rosas que era um flor que ali não existia. E num contexto de guerra de guerrilha, falava-se de prisões.
A minha colega, cooperante como eu, ainda não se tinha apercebido sobre quem eram aquelas crianças, donde vinham e o que estavam ali a fazer.
Vinha para ali despejar ideologia e solidariedade e não integrar-se para perceber.
Já antes as senhoras do Movimento Nacional Feminino tinham feito o mesmo.            

segunda-feira, julho 22, 2019


O QUE É O CASAMENTO?

DEFINIÇÃO
- Acto religioso segundo o qual se cria mais um cristo e menos uma virgem
- Intercâmbio de mau humor durante o dia e de mau odor durante a noite
- Única sentença de prisão perpétua que só é revogada por mau comportamento
- Situação em que a mulher não obtém o que esperava e o homem não esperava o que obtém
- Matematicamente:
SOMA de afectos,
DIMINUIÇAO de liberdade,
MULTIPLICAÇÃO de responsabilidades e
DIVISÃO de bens
- A principal causa de divórcios
- Processo físico-químico em que uma uva se converte num abacaxi
- A forma mais rápida de engordar
- A única guerra em que se dorme com o inimigo
 
REFLEXÕES
- O homem solteiro é um animal incompleto; casado é um completo animal
 
ANTES & DEPOIS
 
Antes: 2 por noite
Depois: 2 por mês
 
Antes: Não Pare…
Depois: Pode parar.
 
Antes: Não sei o que faria sem você
Depois: Não sei o que faço com você
 
Antes: Erótica
Depois: Neurótica
 
Antes: Adoro a forma como você controla as situações
Depois: Você é um manipulador egoísta
 
Antes: Ontem fizemos no sofá!
Depois: Ontem dormi no sofá…
 
Antes: Era uma vez…
Depois: Fim…
 
SE NOS PRÓXIMOS 60 SEGUNDOS VOCÊ ENVIAR ESTA MENSAGEM A ALGUÉM SOLTEIRO, SALVARÁ UMA VIDA!!!
 
 
 
 
 

sábado, julho 20, 2019

EM MODO DE VERÃO ENVERGONHADO
A LETRA DO MÉDICO É QUE DEIXA O PACIENTE DOIDO.
Sexo e cereal*Às vezes, ter dificuldades a português compensa…*
Uma senhora, já nos seus 70 anos, vai reclamar com o filho que já não estava mais aguentando o fogo de seu idoso marido, que tinha sexo com ela 3 vezes ao dia. O filho, preocupado com a reclamação da mãe, vai e conversa com o pai.
- Papai, eu sei que sexo é bom e saudável, mas a mamãe tá reclamando do seu exagero. O que está acontecendo?
 - Olha, filho, eu só tô seguindo a orientação do médico.. Pode olhar  a receita.
O filho, então, pega a receita que diz:

"COMER A VEIA 3 VEZES AO DIA"
UMA QUESTÃO DE NOMES
 A actriz Soraia Chaves está grávida do Paulo Portas
A criança vai chamar-se Porta Chaves…
DIFICULDADES DE COMPREENSÃO
 O marido deita-se com muito cuidado na cama e sussurra suave e apaixonadamente ao ouvido da sua mulher...
- Estou sem cuecas...
E a mulher responde:
- Amanhã lavo-te umas!
CONSULTA DE GINECOLOGIA
Uma lésbica vai ao ginecologista e na consulta este diz-lhe: - Nunca vi uma coisa assim,... tão bem tratada e tão limpinha.
A lésbica responde:
- Vem cá uma mulher três vezes por semana...




quinta-feira, julho 18, 2019


EXPLIQUEM-ME DEVAGARINHO…
Porque como sou muito burro tenho dificuldade em perceber as coisas. Aprendi em casa dos meus pais e dos meus avós que aquilo que pertence aos outros é inviolável.
Em circunstância alguma podemos (ou devemos) ser cúmplices daqueles que por meio de habilidades escusas se apoderam ou repugnantemente utilizam de bens que pertencem a outrem. Sejam esses bens materiais, culturais, ou de qualquer forma propriedade intelectual e pessoal de outros.
Quem o faz é ignóbil e repugnante. Se de qualquer forma se apropria e utiliza esses bens para tirar qualquer beneficio pessoal então também se torna um descarado e desonesto ladrão.
Assim aprendi.
Vem agora alguém que eu em tempos até admirei (Ana Gomes) inocentar um ladrão, para poder acusar outros eventuais aldrabões. Para isso alega AG que os denunciados serão alegadamente corruptos. Dou de barato que isso seja verdade. Será que a senhora quer aplicar aqui a máxima que diz que “ladrão que rouba a ladrão tem 100 anos de perdão”?
É o que parece quando afirma que “está preso quem denunciou e não os criminosos”. E no entanto esta frase contém 2 erros lapidares, imperdoáveis quanto a mim a quem tem formação jurídica. O 1º erro é que ninguém é criminoso até que passe em julgado a sua condenação pelos Tribunais competentes. O 2º erro é o de que ( a ser verdade, repito, o que a senhora alega) é que criminosos são todos, o denunciante e os denunciados, mas só uma parte está detida, por douto entendimento da Justiça Portuguesa.  
Bom. Mas se calhar não percebi nada deste imbróglio ou então sou eu que sou muito burro.
E mais não digo.  

EUREKA

Está descoberta a razão pela qual Mário Nogueira não trabalha há mais de 30 anos numa escola: Receia cair para o lado, morto de exaustão.

segunda-feira, julho 15, 2019


IN MEMORIAM

Ontem e hoje retomei a década de 50 do século passado. O meu avô morrera há 2 ou 3 dias. Mudámos de armas e bagagens para casa da minha avó para lhe fazermos companhia. Entretanto estava a decorrer o campeonato mundial de Hóquei em Patins que na época era o desporto nº 1 no nosso país.

Na época era impensável ligar um rádio em casa de alguém que tinha morrido. Era uma das etapas do luto. Eu e o meu irmão queríamos ouvir os relatos que eram verdadeiramente entusiasmantes. Tanto quanto me lembro era a equipa de Emídio Pinto e de Jesus Correia e de Adrião. Os relatos eram segundo creio do Artur Agostinho. Não haviam televisões, mas a forma de relatar era de tal forma brilhante que nós como que víamos tudo o que se passava em campo.

Como pois ultrapassar o dilema de querer ouvir o relato e não podermos ligar o rádio. Foi o meu pai que resolveu essa questão. Ele até era radioamador. E foi então que nos sugeriu utilizarmos uma “Galena”.

O ´radio de galena é bastante conhecida entre os aficionados em eletrônica por propiciar a confecção de um rudimentar receptor de rádio que não utiliza qualquer tipo de fonte de energia externa para funcionar. Estava montado o minério numa placa com 20x20 cms. Tinha uma espécie de rotor que com uma fina ponta percorria o mineral procurando a onda hertziana em que o relato era transmitido. Tinha ainda um “jack” onde se ligavam os auscultadores e eu utilizava um deles e o meu irmão o outro, mão havendo qualquer som transmitido para o exterior, evitando os comentários das nossas vizinhas. Que eram muito exigentes em questões de tradições de luto.

E assim foi que apesar da morte do meu avô podemos ouvir os relatos em casa do mundial de Hóquei de 1956.

Tudo isto me veio à memória ontem ao ver na TV a transmissão da final do Campeonato Mundial de Hóquei em Patins. Em 1956 tudo parava para gritar por Portugal. Hoje, na minha santa terrinha se não for futebol ninguém se movimenta. Reservo desse mundial dos idos muito do que devo ao meu pai e uma das vezes em que fui mesmo irmão do meu irmão.

sábado, julho 13, 2019


CARMINA ROSA BARRANQUINHO

(BARRAQUINHA)

Mais um ícone do património humano de Peniche que desaparece. Ao contrário do que tem vindo a ser hábito dedico este fim-de-semana o meu blog a esta figura ímpar que vai desaparecer para sempre na memória dos habitantes de Peniche. Daqui a uns anos ninguém a recordará, tal como já desapareceu da memória colectiva o “Chaviota”, o “Dr. Pita”, o “Mala-Milas”, a “Virgília” do azeite, e tantos outros.

Para a Patrimonium seria um exercício que reputo de toda a valia, recuperar as memórias que se estão a perder para as gerações futuras. Afinal também foi com a “Barraquinha” que Peniche se fez terra. Se os perdermos, perdemos o que foi verdadeiramente importante: - os seres humanos.

quarta-feira, julho 10, 2019


O MEU PARTIDO

Nos partidos o que importa é o que fazem. Li esta ideia desenvolvida pelo Daniel Oliveira. E isto mexeu comigo explicando-me porque eu nunca consegui assentar em um partido político. Não sirvo para fidelizações partidárias. Importa-me o que acontece e o que não acontece por razões inexplicáveis.

Dentro em breve realizar-se-ão eleições legislativas. Aqui no Distrito de Leiria onde voto é-me impossível votar nos partidos tradicionais. BE e PCP atiram para aqui como cabeças de lista aqueles de quem se querem ver livres. Quanto ao PSD e ao CDS antes queria cortar uma mão do que votar neles. Conheço-os demasiado bem.

Falemos do PS que não existe aqui no Distrito a não ser para a reafirmação dos poderes locais que entretanto conseguiram obter preponderância. Cilindram-se militantes, o partido é denegrido, desde que se obtenham os objectivos pessoais almejados e que são chegar a lugar elegível na candidatura à Assembleia da República. Por isto, PS NÃO OBRIGADO!

Restam-me os pequenos partidos de esquerda ou o voto branco que tem sido a minha opção em anteriores actos eleitorais. Não me agrada de todo. Mas posso não ter alternativa. Claro que irei votar. A abstenção não faz em circunstância alguma parte das minhas opções.

Vou aguardar calmamente. O Livre é um Partido suficientemente pequeno para ser suportável.    

segunda-feira, julho 08, 2019


OS MALEFICIOS DAS TELEVISÕES

Há muito que tenho vindo a manifestar a minha opinião sobre a dificuldade que tenho em ver certos programas das TVs. Talvez que um desses programas tipo seja com um maior peso os ditos “jornais” informativas.

As TVs tudo fazem para garantir que ganham cada vez uma maior quota de publicidade. Para que isso aconteça necessitam de ter cada vez mais telespectadores. O que só pode ser possível com informações (e programas) que agradem à generalidade das pessoas. Assim fazem a cobertura de acontecimentos multiplicadores de assistências utilizando factos que digam respeito ao maior número possível de cidadãos.

Os conflitos na Saúde, na Educação, nos serviços públicos em geral, tornam-se então recorrentes.

Tenho manifestado mesmo a opinião que certas greves e certos tipos de contestação só se agudizam porque as TVS cobrem esses acontecimentos e entrevistam os eus participantes. Não retiro uma linha ao que já afirmei sobre isso em posts anteriores. Para efectuar essas coberturas são enviados jovens estagiários que confundem informação com audiências e que tudo fazem para serem estrondosas considerando ser essa a forma de conseguir emprego no seu tutor de estágio. E é ver quantas vezes as suas entrevistas não empurram os entrevistados para as respostas que eles carecem para as tornarem espectaculares, chegando ao ponto de utilizar as palavras e as frases que querem que sejam ditas pelos entrevistados.

Tomando a árvore pela floresta, políticos, analistas e comentadores consideram ser verdade o que querem que o seja. Confundem então o que acontece em Lisboa com o que se passa no resto do país, como se o que se diz, faz e acontece na grande cidade também fosse a imagem do país interior e fora das grandes urbes.

Dou um exemplo, são feitas coberturas sobre o “drama” do CARTÃO DE CIDADÃO em Lisboa e eventualmente no Porto. O reto do país é confrontado com essa realidade, mas quem for tirar o Cartão de Cidadão, por exemplo em Peniche, ao fim de uma hora está com toda a sua papelada tratada. Sem traumas. Embora alguns reclamem porque se tornou viral um comportamento idêntico àquele que se vê na TV.

sábado, julho 06, 2019

COISAS QUE TEREI PUDOR DE CONTAR SEJA A QUEM FOR…













quinta-feira, julho 04, 2019


SOMOS GENTE

Sinto-me feliz por um português ser Félix. E por ter podido crescer tirando o máximo partido das suas capacidades. Assim agora possa ter os apoios necessários para se poder potenciar ainda mais credibilizando todos quantos nele acreditaram. Sinto-me feliz por viver neste recanto natural que é este pedaço de terra.

Sinto-me feliz pela minha família. Aqueles com quem vivo diariamente e os idos que me ajudaram a ser a pessoa que sou.

Sinto-me feliz pela profissão que tive e que me ajudou a compreender melhor o meu país, um pouco do mundo e a ter esperança no futuro. Os jovens com quem convivi e com quem trabalhei são gente ávida de saber e de saber fazer. E embora inúmeras vezes a Escola tenha falhado (comigo nela) eles conseguiram ultrapassar isso e na generalidade tornaram-se pessoas com quem apetece estar.

Faço o resumo da vida que vivi e posso dizer que me apetece estar e ser. Sou fruto da grande aposta que o meu pai fez em mim. Dos valores que me incutiu. E mesmo quando a minha rebeldia me fez estar longe dele, nunca deixei de o amar e respeitar. Devo-lhe tudo o que sou. E mais, sinto que geneticamente ele ficou de forma indelével marcado em mim e que ele está nas capacidades da minha filha e nas habilidades do filho dela.
Isto tudo para dizer que acredito em Portugal e nos portugueses. E mesmo quando com eles nos desiludimos, sentimos que existem outros prontos a chegarem-se à frente e darem o seu melhor em prol da comunidade lusa.
Ouço alguns criticarem localmente o poder executivo. Mas quando se ouve falar em corrupção e saques ao erário público, sabermos que o NOSSO Presidente é um homem honesto só por si já justifica a sua eleição. Mesmo que a sua honestidade não agrade a uns quantos. Mesmo quando ele ser vertical não agrade a outros. Uma é certa: - Não podemos ter sol na eira e chuva no nabal! 

terça-feira, julho 02, 2019


EM MODO DE VERÃO

Os que me acompanham perceberam que a preguiça invadiu este espaço. E que a minha habitual “escrevinhação” tem estado interrompida há uns dias. Começou aqui em Peniche um período de festas de verão, a que eu nem pouco mais ou menos consigo escapulir-me. Seja pelo trânsito. Seja pelos meus familiares mais próximos que adoram revisitar Peniche nesta época. Seja pelas sardinhas (que estão excelentes).

Diga-se em abono da verdade que gosto desta época. Porque o Verão em Peniche não é desalmado. Com calores insuportáveis. Gosto de ver o ar mais leve das pessoas. Parece-me que neste tempo tudo se torna mais leve e que a raiva que por vezes transparece no rosto das pessoas, nesta altura do calendário se esvai.

Um dos dias da semana passada, Miguel Esteves Cardoso escreveu na sua crónica que deveria haver no Turismo de Portugal a promoção de locais aonde a amenidade do clima fosse o contraponto aos calores abrasivos do Verão. Eu recordo que há muitos anos que as gentes de Santarém se deslocam para Peniche para refrescarem das elevadas temperaturas com que são brindados nesta época na sua terra todos os anos. Eu sou um adepto confesso das temperaturas de Peniche. A gente quando vem de fora e chega ao Alto do Verissimo ou ao alto da Serra d’ El-Rei, sentimos logo que aqui já estamos na nossa terrinha. A minha filha e o meu genro dizem-me que aí o termómetro do carro baixa uns 10 graus. Bem haja a temperança de estarmos rodeados pelo oceano.

Em Peniche evoca-se o Surf, as Berlengas, as Festas de Verão mas nunca vi anunciar a amenidade do clima como um ex-libris. Para quem está submetido aos calores intensos que levam a avisos de comportamento pela DGS, aqui “tass bem”. Avisem toda a gente: Refresquem-se, venham para Peniche.

Percebo os autarcas, ser Algarve é moda. Quem arrisca a perder eleições por anunciar o seu oposto?

sexta-feira, junho 28, 2019


NO TEMPO EM QUE OS ANIMAIS FALAVAM

Este post é dedicado a todos os que com menos de 45 anos só podem imaginar estas coisas no reino das fábulas (ou ultimamente nos escritos em redes sociais)

Um amigo enviou-me estes documentos que encontrou nas suas pesquisas na Torre do Tombo. Dispenso-me de quais quer comentários porque o que se documenta fala por si.







quarta-feira, junho 26, 2019


FIQUEI MAIS BURRO

Será que a gente com a idade fica cada vez mais incapaz de raciocinar? Hoje, ao passar na Rua dos Hermínios encontrei a colocação de pinos em zonas do casario com o objectivo de impedir o estacionamento de veículos.
foto 1
Se quanto aos colocados na e que se veem na 1ª foto, não tenho dificuldades de compreender a sua utilidade, já os da 2ª foto são para mim chinês puro e duro.

foto 2
Não sei de quem é a responsabilidade da sua colocação. Se da Câmara Municipal se da Junta de Freguesia.

No entanto quer seja uma entidade ou a outra aquilo precisa de ser muito bem explicado. Aquele edifício tem umas portas que eram de garagens e/ou de oficinas, que penso que um dia em que se recupere aquele espécime fabuloso do que de mais imponente existe em termos urbanísticos na Cidade de Peniche, deverá retomar a traça original.

Então e aqueles pinos numa zona de entrada de garagens são colocados ali para quê? Não se cometeram já suficientes erros urbanísticos em Peniche, para estar a inventar mais alguns?

Sr. Presidente da Câmara explica-me aqueles pinos em frente a uma porta de garagem. È para impedir que os carros sejam guardados?

O que raio estará a acontecer em Peniche. Ou será que aqueles pinos serão para empalar alguns idiotas que se servem a si próprios em vez de servirem o nosso Concelho.

 

 

segunda-feira, junho 24, 2019


AS CRIANÇAS E AS NOVAS CORRENTES DA PEDAGOGIA

Como criar condições para as crianças serem felizes? Estas são as interrogações que ao longo do tempo têm sido feitas por cientistas que se dedicam à pedagogia ao longo dos tempos. Isto porque são todos unânimes em considerar que crianças felizes se tornarão adultos criativos, responsáveis e com um elevado nível de sociabilização e tolerância.

Vou recordar aqui um tempo da minha tenra juventude. Nesse tempo existia em Peniche um médico (o Dr. Serra) que todos conhecíamos pelas suas idiossincrasias. Casado com a D. Juvite (ou Judite?) era pai do Parrana que era da minha idade. O Parrana (que mais tarde haveria de ganhar nome de gente, António Abreu Vaz Serra) andava normalmente descalço. Por opção. Talvez não dele, mas do pai. Passados mais de sessenta anos sou capaz de perceber porquê. O Parrana sentia como nenhum de nós o tacto da terra e das pedras. E os pés dele foram desde muito novo programados para se defenderem da agressividade dos caminhos, das tripas do peixe (quando ía para a Ribeira) dos cacos que então se espalhavam nas ruas, visto que não existiam varredores nem carros de aspiração de lixos.

O Parrana estudou, acabou por ser oficial miliciano e tinha uma capacidade extraordinária para o desenho. Eu próprio entre aqueles que mais admirei acabei por lhe comprar um desenho a tinta-da-china de S. Leonardo e que figura na minha galeria de quadros de gente de Peniche.

Hoje, os pátios das escolas são de materiais à base de produtos derivados do petróleo, o mesmo em relação aos parques infantis. As ruas são alcatroadas e percorridas por batalhões de varredores e máquinas de aspiração. As ruas são locais para o tráfego automóvel e deixaram de pertencer aos jogos de futebol entre crianças. Estas calçam sapatilhas de marca para jogar. Os pés deixaram de ter contacto com a terra e até no jardim se vêem empedrados para que a terra molhada não incomode os pés incólumes dos cidadãos.

Já não se joga à banca. E jogar às escondidas e aos polícias e ladrões deixou de ser possível. Para que as crianças se portem bem à mesa dá-se-lhes um smartphone. E já nem os desenhos animados são vistos. É panda e mais panda que invadem os canais pagos. Não se ensina os nossos meninos a optarem pela TV2. Só por breves instantes as nossas crianças sentem o cheiro a peixe. Já não há candonga. E os putos não roubam peixe na Ribeira. Os Jardins Escola passaram a ser centros de formatação. E não são os Educadores os culpados. Se não o fizerem serão tratados como párias.

Felizmente que começam a surgir escolas alternativas. Onde as crianças ficam a saber que quem põe os ovos são as galinhas. E que o leite não nasce no supermercado. Onde é permitido às crianças sujarem-se com terra. E onde em épocas de chuva podem saltar nas poças de água. Onde é salutar saltar à corda e jogar à bola com bolas de trapos. Escolas onde existem árvores de fruta e onde se banqueteiam as lagartas nas maçãs.

Tantos anos depois, a minha homenagem ao Dr. Serra.    

 

sexta-feira, junho 21, 2019


SABER ESTAR, EXISTIR, SER

Daniel Oliveira e João Miguel Tavares

Estes dois são jornalistas. Pelo menos têm carteira profissional que os atesta como tal. Ambos emitem no que escrevem uma atitude política. Ambos se afirmam como apartidários

O primeiro diz-se de esquerda e o segundo afirma-se como de direita.

O primeiro afirma e firma que a sua isenção termina sempre que aquilo em que acredita é ferido.

O segundo reafirma-se muitas vezes como isento e equidistante das questiúnculas partidárias.

O primeiro escreve no Expresso o segundo no Público. E é através destes órgãos de comunicação social que vão terçando argumentos.

O primeiro aparece em programas televisivos da SIC e o segundo na TVI.

Onde as coisas começam a aquecer é quando o primeiro é condescendente com o segundo e o segundo se torna verrinoso e acutilante com o primeiro.

O Daniel Oliveira manifesta-se comprometido ideologicamente. Quanto a João Tavares dá-se ao luxo de comprometer as comemorações do Dia de Portugal com a sua ideologia e no fim, afirmar-se virgem de comprometimentos.

Resta-me dizer que deixei de ver o “Governo Sombra” para não ter de o ouvir e lhe ver os vómitos.