domingo, outubro 27, 2019

Um homem se depara com uma inusitada procissão de funeral:
Primeiro vinha um caixão preto.
Depois um segundo caixão preto.
Em seguida um homem sozinho levando um "pitbull" na coleira.
Finalmente atrás dele uma longa fila indiana só de homens.
Sem conseguir conter a curiosidade, ele aproxima-se delicadamente do homem com o cão e diz:
 "Meus sentimentos por sua perda.... mas...eu nunca vi um enterro assim....o senhor poderia dizer-me quem faleceu?"
 "Bem... no primeiro caixão está a minha esposa"
 "Sinto muitissimo! O que aconteceu com ela?"
 "O meu cão... ele atacou-a..."
 "Que tragédia! ...
 "E o segundo caixão?"
 "A minha sogra... ela tentou salvar a filha"...
Um silêncio consternado e pungente.
Os dois homens olham-se nos olhos.
 "Empresta-me o cão?"
 "Entre na fila..."
 
Três homens morreram e foram para o céu. Ao chegarem, S. Pedro perguntou ao primeiro se fora fiel à mulher. O homem confessou ter tido duas aventuras durante a sua vida de casado. S. Pedro disse-lhe que só podia receber um pequeno carro para andar no céu.
Perguntou ao segundo se fora fiel com a mulher e ele lá confessou ter tido uma aventura. S. Pedro disse-lhe que lhe seria dado um carro médio.
Interrogado por sua vez, o terceiro homem disse que fora à fiel com a mulher até ao ultimo dia. S. Pedro elogiou-o e deu-lhe um carro de luxo.
Uma semana depois, andavam os trÊs homens a passear e pararam todos num sinal vermelho. Os homens voltaram-se e viram o homem do carro de luxo a chorar. Perguntaram-lhe o que se passava - afinal, estava ao volante de um carro de luxo.
-Acabo de passar pela minha mulher, -disse ele-  ela ia de skate
 

quinta-feira, outubro 24, 2019


LEPRA

É mesmo sobre a doença de Hansen que vos quero falar. Ser leproso era um anátema que acompanhava quem era leproso desde tempos bíblicos. Os leprosos eram maltratados, hostilizados, abandonados à sua sorte e normalmente colocados em locais naturais de difícil acesso para não poderem de lá sair. Algumas pessoas mais piedosas atiravam para lá comida e assim eles iam sobrevivendo até que por morte natural desaparecessem. Era uma doença tida por contagiosa pelo que eram banidos das suas comunidades quem tinha a desdita de sofrer desse mal.

Vem isto a propósito do encerramento da única leprosaria existente em Portugal, sita na Tocha, concelho de Figueira da Foz. Era o eufemisticamente designado oficialmente pelos poderes do Estado Novo, Hospital Rovisco Pais, mas que toda a gente conhecia pela leprosaria da Tocha.

Eu tive a felicidade de poder conhecer esse Hospital em 1957 ou 1958 quando lá fui visitar uma prima minha que pertencia à congregação de São Vicente Paulo a quem desde sempre coube acompanhar os doentes que sofriam de lepra e que ali viviam segregados do exterior. Não pensem no entanto que aquilo era um modelo convencional de Hospital como hoje os conhecemos. Era uma grande aldeia, onde existiam lojas de pequeno comércio, agricultura, locais de lazer, prisão e serviços de enfermagem para os casos em que a doença carecia de tratamentos mais cuidados. O que era proibido? Homens viverem vidas conjugais com mulheres. E como isso vem da natureza humana, quando acontecia alguma das mulheres engravidar, mal nascia a criança era retirada à mãe, entrava em quarentena até se verificar se sofria ou não da doença e se não sofria era entregue a familiares da criança que dela quisessem cuidar. O progenitor era preso durante algum tempo, após o que regressava aos seus trabalhos anteriores. Era ainda motivo para punição a saída do espaço da leprosaria para o exterior.

Muitos anos depois em 1975 tive também a felicidade de conhecer uma outra leprosaria, na república da Guiné-Bissau, que visitei com o embaixador de Portugal António Pinto da França, e com um cooperante como eu o José Manuel dos Santos. Essa leprosaria era cuidada por uma congregação italiana, e também por freiras de S. Vicente de Paulo. Os moldes de funcionamento eram os mesmos da Tocha embora menos sofisticados. Na guiné o comércio era praticamente inexistente e viviam sobretudo do que cultivavam. Vendiam para o exterior sobretudo ananases pois tinham lá uma grande produção.

O que mais me surpreendeu nas 2 leprosarias que conheci? A grande afabilidade quer de utentes, quer de quem deles cuidava. E duas imagens. Na Tocha uma jovem muito linda que agarrada a um piano tocava, tocava como se o mundo ali começasse e terminasse. Na Guiné-Bissau o representante de Portugal cumprimentando mulheres e homens, alguns deles já sem dedos fraternalmente. E quando alguns se tentavam levantar para lhe prestar saudação ele ajudava-os a sentarem-se de novo.

Agora o Hospital da Tocha vai encerrar. Os que sofrem da doença de Hansen são tratados em todo o país e já se comprovou que não existe nenhum contágio directo, sendo encarados como um qualquer outro doente.

Sinto-me feliz por ter tido oportunidade de acompanhar esta evolução. Que mais uma vez prova que a Humanidade existe e é capaz do melhor. As redes sociais como forma de ódio não são o futuro.

 

quarta-feira, outubro 23, 2019


VOCÊS OUVIRAM ONTEM NO TELEJORNAL DA RTP O BASTONÁRIO DA ORDEM DOS MÉDICOS A FALAR SOBRE O PROBLEMA DE UMA CRIANÇA QUE NASCEU SEM PARTE DO ROSTO?

O bastonário que falou ontem sobre um seu colega obstetra é o mesmo que nos últimos anos ouvimos falar intransigente, duro e violento mesmo contra algumas ocorrências do Serviço Nacional de Saúde.

É o mesmo mas não parece, pelo discurso cordato e doce que utilizou para analisar um colega seu que tem várias queixas por incompetência (ou desleixo) em casos de várias parturientes.

É o mesmo Bastonário que não se revolta com veemência contra uma entidade de Saúde privada onde estes casos têm ocorrido.

É o mesmo Bastonário exigente com o SNS que agora nem sequer se revolta por a delegação do Sul da sua Ordem ter casos de queixas com 6 anos sem que lhes tenha sido dado qualquer tipo de andamento.

Então o que devemos pensar quando ouvimos este senhor ser tão violento com o que acontece na casa dos outros, mas tão contemplativo e cordial quando os casos acontecem com os seus pares ou na sua própria casa?

Bem prega Frei Tomaz?

Cada vez mais é importante sabermos quem é quem no que concerne aos ataques às conquistas que o 25 de Abril permitiu. Ou o que defende efectivamente na sua intransigência contra o que ocorre mal em determinados contextos.

Já afirmei aqui neste Blog. Em tempos sentia-me pequenino perante anteriores Bastonários que me infundiam respeito e senti-los como exemplo de Honradez e Dignidade. Mas esses tempos já lá vão. O que agora vejo são presidentes de interesses de classe mais ou menos empenhados de forma pouco transparente.

 

PS: É o mesmo caso do senhor Mário Nogueira Presidente da FENPROF. O homenzinho que bateu e insultou num aluno, não é professor porque não é profissionalizado. Eu gostava de perguntar ao sr. MN quantos na situação deste descontam para o o seu Sindicato? E a sua organização recebe as suas cotas porque eles não são carne nem peixe? Para trabalhar como professores servem, quando as coisas correm mal, não são ninguém. E quantos dos que estão nesta situação engrossam as fileiras das manifestações da FENPROF? Ou será que é pedido comprovativo aos que participam sentas manifestações comprovativo de que são profissionalizados? Por último, gostava de saber quantos anos o sr. MN deu aulas sem ser profissionalizado? E nesse tempo pertencia ao Sindicato?

 

terça-feira, outubro 22, 2019


O HOMEM PÕE, A VIDA DISPÕE
Fiz uma promessa há uns dias que mais uma vez não cumpri. Prometi ser mais aqui mais assíduo. A saúde, eventos familiares que exigiram todo o meu empenho, afastaram-me da vossa companhia amiga.
Permitam-me que regresse com empenho redobrado.
Tudo aponta para que eu tenha imenso material para pensar. O Mundial de Surf, a comida do mar, a RTP em Peniche, tudo são sintomas de uma terra que se procura em si própria.
Esta terra periodicamente alimenta sonhos, e gente que nela sonha e se revê. É suficientemente pobre em fundos para não ser cobiçada a não ser por aqueles (e por aquelas) que sentem este ser o primeiro degrau de uma linga escada que leva a outros voos mais proveitosos.
Peniche e o seu Concelho são uma sobremesa parca de uma refeição que se adivinha grandiosa para os muito ambiciosos pigmeus políticos que os partidos convencionais vão aqui fazendo surgir.
Claro que o festim nunca será para eles, terão que saciar os seus apetites nas sobras que escorregam da mesa do Estado para o chão dos descamisados.
Quando emergem seres pensantes que se dedicam a Peniche sem outro interesse que não seja o seu crescimento global (económico, cultural e social) todos tentam devorá-los para que o festim que sonham não lhes fuja.
Todos estes pensamentos me assaltam agora que o tempo começa a fugir-me. Por isso tento ser mais constante a escrever aqui. Depois disto…nada.  

terça-feira, outubro 15, 2019


ACORDAI, ACORDAI…

Este é o titulo da maravilhosa canção de Fernando Lopes Graça que merece a pena ser ouvida por todos aqueles que em um momento qualquer se sentirem um pouco menos dinâmicos para enfrentar o seu dia-a-dia.

Um destes dias pus-me a percorrer de carro claro, (o corpo está a ficar enferrujado) pela cidade de Peniche. Os trabalhos em arranjos de passeios, arruamentos e acabamentos envolventes dos bairros sociais, são uma beleza para quem está habituado a ver este frenesim só em épocas eleitorais.

Os utentes da má-língua saem a terreiro dizendo que em Peniche não se faz nada. Isto não corresponde minimamente à verdade.

Do ponto de vista cultural existe todo um conjunto de ofertas verdadeiramente excepcional. Basta que se colecionem como eu faço todos os eventos que se vão organizando no Concelho de Peniche. Nem todos terão uma qualidade de nível superior. É Verdade. Basta que cada um opte em função da sua formação pessoal ou grau de desenvolvimento intelectual.

Do ponto de vista de manutenção de espaços e de uma nova paisagem urbanística o mínimo que se pode dizer é que aqui na cidade pelo menos, isto se transformou num autêntico estaleiro. E embora folhe a ilustração do que vai ser feito, que os munícipes merecem, pelo que já se vê é francamente mais ajustado a uma localidade que se pretende limpe e arejada.

Continua gente a dizer cobras e lagartos. É verdade. Mas esses são sempre úteis por aquilo que acabam por valorizar o que se vai criando de novo. Bem-hajam os maledicentes são eles que tornam mais digno o trabalho de quem a ele se dedicou com lisura, honestidade e amor à sua santa terrinha.   

segunda-feira, outubro 14, 2019


PRO PORTUGAL

Não há ano algum em que se realize uma etapa do mundial de surf que não me teletransporte para os anos 50 do século passado. Nesse tempo era Presidente da Câmara Municipal o António Bento, e a alma mater da Câmara era o Fernando Lopes da Silva. O António Bento foi nomeado presidente pelo Governo da Ditadura Nacional. E o Lopes da Silva era um criativo da época todo virado para as actividades desportivas do mar (ou não fosse ele o 1º proprietário da PROPESCA) e ainda para actividades lúdicas que levassem ao país a designação “Peniche”. Foi ele o autor da canção de Peniche, cantada por Maria de Lurdes Resende e que se me é permitido o remoque, deveria ser reeditada pela Câmara Municipal pois não conheço melhor que esta.

Nesse tempo, por volta dos meses de Setembro/Outubro, víamos chegar a Peniche, mais concretamente à Praia do Molhe Leste, umas carrinhas da Volkswagen com uns tipos cabeludos e descalços que aqui se deixavam ficar até aos meses de Março/Abril. A sua actividade era a de comer (pouco), beber (muito), fumar umas coisas esquisitas, dormir com as suas gajas nas carrinhas e, durante o dia, com umas pranchas de madeira deixar-se apanhar por ondas e deslizar sobre as pranchas com o impulso das vagas, deitados nelas ou em pé. No fundo era aquilo que nós aqui fazíamos com o corpo mas eles eram mestres na arte de navegar em madeira sobre as ondas.

Não era na zona apoiada por banheiros que eles o faziam. Era um pouco mais distante e às tantas começamos a ouvir as palavras super e tubos embora que há 60/65 anos não conotássemos aquele linguajar com alguma coisa que nos fosse próxima.

O que ouvíamos na Vila é que se tratava de bêbados e drogados, pés-descalço que não traziam nada de novo ao turismo que era desejável em Peniche. Essas tretas também não nos diziam nada. Era uma terra pequenina, habitada por gente ultra conservador, beateira e de pequeninas mentalidades. Para nós importante era a novidade e o sentido de liberdade que aquela gente imprimia às suas atitudes e que nos faziam perceber como estávamos presos aqui em Peniche.

Foram esses jovens que levaram para as suas terras, Alemanha, Austrália, EUA, fotos de um sitio porreiro em Portugal para apanhar ondas, chamado Péniche, onde a vida era barata e a comida boa e muitas vezes gratuita no que tocava a peixe. Ao mesmo tempo apanhavam-se uns tubos espectaculares e bom seria que àquele sítio se começasse a chamar na Europa, os super-tubos.

Assim nasceu a lenda, que se tornou realidade.

Passados 70 anos, quem é Lopes da Silva? Quem é o António Bento? Mas os Supertubos são conhecidos no mundo global. Com a bênção de cabeludos e pés-descalços.   

domingo, outubro 13, 2019


DIA DE OUTONO
VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA
4 soldados de diferentes países (um americano, um japonês, um espanhol e um alentejano) encontravam-se presos em um campo de concentração.
O sádico director do campo, disposto a divertir-se com esses pobres soldados, resolveu promover um teste:
Todos deveriam contar piadas. Se as piadas fossem boas e todos da prisão rissem (incluindo o director), suas vidas seriam poupadas.
Caso contrário, a forca seria o destino do comediante sem talento...
E chegou a vez do americano:
contou uma piada engraçadíssima e todos riram, menos o alentejano.
O director, assistindo a passividade do alentejano, clamou:
"Matem esse americano sem graça!!" E lá se foi o pobre gringo...
O próximo era o japonês: contou uma piada ainda mais engraçada.
Mais uma vez, todos riram, menos o alentejano.
Perante o rosto sério do alentejano, o director ordenou:
"Matem esse japonês que não sabe contar piadas!"
E chegou a vez do espanhol. Assim que começou, o alentejano caiu na risada.
E passou a rir sem parar!
O director, não entendendo o ocorrido, perguntou ao alentejano:
"Mas, homem, o Espanhol mal começou a contar a piada... Do que está a rir?"
"Muito boa a piada do americano!
TRUMP E BORIS, BUSH E BLAIR, VENHA O DIABO E ESCOLHA
Um tipo entrou num bar e viu o Tony Blair a falar com o Bush.
Foi perto deles e perguntou-lhes:
" O que é que vocês estão a tramar ? "
Diz o Bush:
" Estamos a planear a 3ª Guerra Mundial..."
Pergunta o tipo: " Ah, sim ? Então o que vão fazer?"
Bush: "Vamos matar 14 milhões de muçulmanos e um mecânico de bicicletas..."
O tipo :" Um mecânico de bicicletas ???!!!!!!"
Diz o Bush para o Blair : "
Está a ver? Eu não lhe disse que ninguém se importava com os 14 milhões.????
COISAS DA MODA
Certo dia realizou-se uma festa de asteriscos e os asteriscos juntaram-se todos. Nessa mesma festa aparece lá um ponto de exclamação e um dos asteriscos virou-se para ele e perguntou-lhe:
- Ó ponto final o que é que tás aqui a fazer? Não vês que isto é uma festa de asteriscos?
Ao que o ponto de exclamação respondeu:
- É pá já não se pode por gel...

sexta-feira, outubro 11, 2019


JOACINE KATAR MOREIRA E OS METE-NOJO

Li nos média de hoje que circula nas redes sociais uma petição para entregar na Assembleia da República com o objectivo de impedir que a candidata do LIVRE eleita no passado domingo, Joacine Katar Moreira, possa tomar posse.

A razão que é apresentada é o facto de ter surgido uma bandeira da República da Guiné-Bissau, festejando a sua eleição. A bandeira não é erguida por ela mas por alguns dos seus simpatizantes e amigos que provavelmente terão origem guineense como ela.
foto de New adVentures, lda
Li nos média de hoje que circula nas redes sociais uma petição para entregar na Assembleia da República com o objectivo de impedir que a candidata do LIVRE eleita no passado domingo, Joacine Katar Moreira, possa tomar posse.
A razão que é apresentada é o facto de ter surgido uma bandeira da República da Guiné-Bissau, festejando a sua eleição. A bandeira não é erguida por ela mas por alguns dos seus simpatizantes e amigos que provavelmente terão origem guineense como ela.
Alegam que isso é antipatriótico para Portugal e mesmo inconstitucional.
Não sei onde na constituição estes indigentes mentais conseguem ver isso. Não sei como cidadãos de origem Guineense, ou Moçambicana, ou Angolana se sentirem felizes pela plena integração na pátria Lusa, pode ser hostil para com a pátria portuguesa.
Estou a procurar conter-me para não ser tão hostil com estes mentecaptos como eles são com quem deveriam saudar por todas as razões e mais alguma.
Por ser um exemplo de cidadania global levada às últimas consequências.
Por ser representativa daquilo que Portugal enquanto país colonizador deveria ter desde sempre promovido a integração plena de todos os povos por quem a dada altura da sua história se tornaram responsáveis.
Por ser maravilhoso poder observar cidadãos de origem em países dos PALOP se sentirem felizes com os actos eleitorais realizados em Portugal.
Que pena eu tenho de não me poder sentir feliz com o resultado das últimas eleições presidenciais no Brasil…
Se um brasileiro mostrar a sua bandeira nos festejos da Vitória de Pepe no último Europeu de Futebol isso é insultuoso? Se o povo da Madeira apelar aos seus pergaminhos pelas performances de Ronaldo ao longo da sua vida, é caso para pensarmos que os independentistas da Madeira deverão ser presos?
As redes sosiais podem ser o pior caminho para serem utilizadas pelos maníaco-depressivos, pelos chafurdeiros em dejectos mentais. Isto parece-me que ofende todos os que deram a vida nas antigas colónias em nome de Portugal, brancos e negros. Todos os que lá trabalharam de bom agrado para promover o bem estar de quem lá vivia. Todos os que se diziam (dizem)  motivados em espalhar aas palavras, FRATERNIDADE, PAZ e SOLIDARIEDADE, com todos os que espalhados pelos 4 cantos do mundo se sentem ligados à pátria de Camões e Pessoa.
Joacine que sejas forte e feliz pelo contributo que dás para podermos todos ser mais felizes.


Alegam que isso é antipatriótico para Portugal e mesmo inconstitucional.

Não sei onde na constituição estes indigentes mentais conseguem ver isso. Não sei como cidadãos de origem Guineense, ou Moçambicana, ou Angolana se sentirem felizes pela plena integração na pátria Lusa, pode ser hostil para com a pátria portuguesa.

Estou a procurar conter-me para não ser tão hostil com estes mentecaptos como eles são com quem deveriam saudar por todas as razões e mais alguma.

Por ser um exemplo de cidadania global levada às últimas consequências.

Por ser representativa daquilo que Portugal enquanto país colonizador deveria ter desde sempre promovido a integração plena de todos os povos por quem a dada altura da sua história se tornaram responsáveis.

Por ser maravilhoso poder observar cidadãos de origem em países dos PALOP se sentirem felizes com os actos eleitorais realizados em Portugal.

Que pena eu tenho de não me poder sentir feliz com o resultado das últimas eleições presidenciais no Brasil…

Se um brasileiro mostrar a sua bandeira nos festejos da Vitória de Pepe no último Europeu de Futebol isso é insultuoso? Se o povo da Madeira apelar aos seus pergaminhos pelas performances de Ronaldo ao longo da sua vida, é caso para pensarmos que os independentistas da Madeira deverão ser presos?

As redes sosiais podem ser o pior caminho para serem utilizadas pelos maníaco-depressivos, pelos chafurdeiros em dejectos mentais. Isto parece-me que ofende todos os que deram a vida nas antigas colónias em nome de Portugal, brancos e negros. Todos os que lá trabalharam de bom agrado para promover o bem estar de quem lá vivia. Todos os que se diziam (dizem)  motivados em espalhar aas palavras, FRATERNIDADE, PAZ e SOLIDARIEDADE, com todos os que espalhados pelos 4 cantos do mundo se sentem ligados à pátria de Camões e Pessoa.


Joacine que sejas forte e feliz pelo contributo que dás para podermos todos ser mais felizes.

terça-feira, outubro 08, 2019


TEMPO

Dizem-me na rádio e nas TVs que é uma semana de bom tempo. Eu aqui na minha terrinha tenho chuviscos e humidade. Eu sei qu3e é um micro-clima. Mas quem tem dificuldades na respiração, comporta-se como um peixe fora de água, a arfar, a arfar.

Este fim de semana em Peniche houve uma peregrinação a Fátima organizada a nível nacional pelos Franciscanos. Presumo que estes franciscanos são opositores do Papa Francisco. De facto quem organiza uma peregrinação nos dias 5 e 6, sabendo que o seundo dia coincide com dia de eleições revela uma falta de respeito muito grande pelo poder temporal. O mesmo a quem recorrem quando precisam de dinheiro para reconstruir espaços de culto. E não me digam que foi coincidência. Já há 4 anos fizeram o mesmo. São reincidentes na falta de respeito pelas comunidades em que se inserem. Mas isto são coisas minhas.

A Cristas já foi. Ao Rio preparam-lhe a mortalha. Não compreendo. De campanha em campanha deixaram a Cristas tornar-se uma desbocada. Sem se lhe oporem. Agora queixam-se. Um que já deu cabo do belenenses prepara-se para enterrar o CDS. Bem avisado anda. Morto o fundador, cuspiram-lhe no retrato, resta enterrar a peçonha com o bicho.

Quanto ao rio o caso é mais complicado. Nunca teve sossego. Esperaram que ele fosse eleito para o vilipendiarem de seguida. O PSD é um saco de gatos em que ninguém se entende. Até o presidente do cavaquistão se manifesta revoltado. Ainda não percebi porque é que o rio é culpado do que se passa na casa viseense. NHo convento quem gere é quem está lá dentro. A Falência do PSD em Viseu só tem a ver com a incompetência dos seus naquela região.

Tal como aqui no micro-clima. Já nem na Atouguia da Baleia ganha. A culpa é do rio que deixou de correr por lá. Não é da incompetência dos dirigentes concelhios daquela organização de compadres. Vocês já repararam que quando as previsões indicam que os candidatos do PSD não têm possibilidades de vitórias autárquicas, mandam para a frente do touro um ilustre desconhecido. As figuras locais de proa do PSD nunca se envolvem. Mas isto sou que sou má-língua.

Acordámos de um pesadelo de promessas, para outro de conivências. O PCP vai pôr-se em bicos de pés e dar ordens à CGTP para convocar manifestações contra o Governo seja ele o que for. A actriz do BE vai continuar a perorar aguardando o momento para se dizer merecedora de um grammy. O PAN vai passear cãezinhos. E os outros pequeninos vão jogar ao berlinde. Mais quatro anos de regabofe.

 

segunda-feira, outubro 07, 2019



OS RESULTADOS DAS ELEIÇÕES DE ONTEM (6/10/2019)
Evolui muito desde 1975. Nessas primeiras eleições acreditava utopicamente que o meu MDP/CDE iria ser um partido com óptimos resultados dada a sua participação na restauração da Democracia em Portugal. Apanhei aqui a minha primeira grande desilusão. A partir daqui já não tive grandes choques. Quase sempre voto em quem não ganha. Mas ao menos tenho consciência disso e portanto as minhas desilusões não são muito grandes.

Aqui no distrito de Leiria continuo no entanto a surpreender-me. Pela negativa. Interrogo-me sobre o que pensam determinados partidos políticos sobre os seus resultados. Nomeadamente o PCP e o PS:

Será que eles se interrogam sobre a razão que faz o PSD resistir mais aqui que por exemplo em Viseu? Em boa verdade este distrito (o de Leiria) é que mereceria o título de cavaquistão. Aqui o PSD resiste a todas as hecatombes que o PSD sofre. E no entanto eu nunca vi da parte do PSD uma aposta em termos de desenvolvimento ou de empreendorismo tão acentuada como vejo noutros distritos. Leiria sendo um distrito litoral sofre de todas as doenças dos distritos do interior. Aqui existem fortes correntes populares, culturais, e laborais que são deixadas ao abandono. Aqui mora o Mosteiro da Batalha, o de Alcobaça. Caldas da Rainha e as suas faianças. Marinha Grande e o que foi a indústria do vidro. Que hoje deveria ser retomada dada a poluição do plástico. Existe no Distrito de Leiria uma compenente religiosa ímpar no nosso País e representada pelo Santuário de Fátima. Os vinhos do Bombarral. As maçãs de Alcobaça. O já morto e arrefece Pinhal de D. Diniz. As cenouras de Ferrel. Existe uma costa produtora de peixe com qualidade reconhecida a nível nacional e internacional. E no entanto o que é que os Partidos políticos investiram neste distrito? Somos filhos do que a terra nos deu e não temos mais do que isso. Não somos uma unidade. O Norte desconhece o Sul do distrito e o sul não reconhece Leiria como centro de desenvolvimento regional.

Em termos políticos não existe mais nada para além do que não nos chateia. E dos projectos pessoais. Não temos gente que se importe senão consigo própria. Temos o nosso umbigo e o dos outros que se lixe.

Dir-me-ão, a que propósito estás aí a falar sobre o Distrito de Leiria quando as eleições foram nacionais. Respondo porque foi aqui neste distrito, no meu distrito, que nada mudou. Aquilo que as estruturas nacionais querem saber sobre a razão de ser, parece-me ser nada. O PCP quando quer ver um dos seus porta fora, manda-o concorrer por aqui. O PS nacional aceita o que aqui se passa desde que não chateiem o Largo do Rato. Quanto ao PSD está bem e recomenda-se.

Eu cá ganhei. O meu partido (OS BRANCOS) continua a crescer e vai ser uma força nacional no futuro.    

 

sábado, outubro 05, 2019


O LEGADO DO MEU PAI

O primeiro é o amor que sinto hoje por ele, tão imenso quanto o que sentia há 33 anos quando ele morreu.

Sinto a sua falta. Quantas vezes estou em casa e dou por mim como que a conversar com ele. Gostava que ele visse esta casa, que foi aquela em que nasceu, como a tenho estimado e melhorado. Gostava que ele visse o que tenho feito com as coisas que lhe pertenciam, bem como com as que eram da sua mãe e da sua avó.

Gostava que ele estivesse aqui e se chateasse comigo por eu manter este perfume de esquerda, ele que abominava que eu fosse assim. Quantas discussões tivemos nós por isso. E muitas das coisas que ele dizia (e eu não concordava com ele) vieram a verificar-se.

Gostava que ele visse o espaço da Cerca Andrade onde ele tinha a oficina, hoje desaparecida pela voragem do imobiliário. Gostava que ele visse hoje a garagem da Travessa Garrett e a sua utilização.

Gostava com todas as minhas forças que ele conhecesse a minha filha e sua neta. O meu pai morreu 2 meses antes da minha filha nascer. Cá para mim o seu espirito quando se volatilizou entrou na barriga da minha mulher e passou a fazer parte integrante do ser da sua neta. Tal como ele, é dedicada às mecânicas. Perseverante. Aluna trabalhadora e dedicada. É mestre pelo Técnico. Condutora exímia. Condutora experimentada. Teimosa q.b. è uma autêntica “Baterremos”. E hoje fala do seu avô Horácio como se ele tivesse feito parte integrante da sua vida desde sempre.

Como adorava que o meu pai conhecesse o seu bisneto. Com uma habilidade e gosto pelo futebol que entusiasma quem o vê. O pé direito é o seu forte tal como o seu avô Horácio. Estar com a minha filha e com o meu neto é renovar sempre o amor que sinto sempre pelo meu pai.

Ele ensinou-me um ror de coisas. A ser responsável pelos meus defeitos e virtudes. Ensinou-me a ser critico de mim mesmo e do que me rodeia. Recordo as lições recolhidas na Universidade da oficina da Cerca Andrade com ele, o Sr. Adelino (o Ministro), O Sr. Acelino que me deu as melhores lições sobre o republicanismo em Peniche (Estão na minha biblioteca os discursos de António José de Almeida que ele me ofereceu). Eram também lá professores e mestres o Sr. Henrique Coutinho, o cirurgião Dr. João de Sousa Carvalho. O Joaquim Pinto, o Lio e tantos e tantos outros responsáveis pela minha formação como Homem, futuro professor e autarca.

O legado do meu pai foi tão grande que hoje o sinto entranhado em mim próprio. Faz parte de mim. Falar dele assim não é pagar uma divida. É exteriorizar o que todos os dias sinto.

Estou aqui no dia em que se comemora em minha casa a data do seu nascimento (5 de Outubro de 1914) dizendo o que sinto pelo meu pai.         

sexta-feira, outubro 04, 2019


DIOGO FREITAS DO AMARAL
Curvo-me perante a memória do intelectual, do Humanista, do Professor. Sobre o político outros saberão dizer o que é justo dizer-se.
Para mim que sou um leitor compulsivo, basta dizer-vos que alguns dos seus livros estão em lugar de destaque na minha mini-biblioteca. A sua “Última Aula” é um Hino ao que é a Nobre profissão de se ser Professor. Reconheço nele o Homem que esteve sempre à frente do seu tempo e que por isso foi tão mal estimado. Até na Morte. Foi Carneiro Jacinto que referiu como é possível o CDS não ter interrompido a campanha eleitoral assim que se soube da sua finitude. É possível se pensarmos na diferença entre o estadista que ele foi e a troca-tintas que hoje preside ao partido por ele criado para impedir os impulsos doentios de uma direita atirada para o caixote de lixo da história no 25 de Abril.
DFA é mais um Senhor que desaparece neste país tão eempobrecido por pensadores livres. Aqui deixo desta forma a minha sentida homenagem pela sua morte.

quinta-feira, outubro 03, 2019


BOA NOVA

Existe um fado que insiste nestas 2 palavras que servem de título ao post de hoje.

E ele vem a propósito da notícia publicada a 29 de Agosto no jornal “Público” informando que a Câmara Municipal de Peniche vai investir no arranjo do sitio do depósito funerário dos náufragos do São Pedro de Alcântara e no morraçal da Ajuda onde se situam os fornos de ânforas que serviram para transportar peixe conservado para os locais de implantação romana.

Estas iniciativas são reveladoras de que a a nossa História local é fonte de preocupação para os responsáveis locais. Assim espero que o naufrágio daquela embarcação e os fornos romanos possam, com a flexibilização dos currículos, entrar nas nossas escolas como fonte de aprendizagem. É uma frase feita dizer-se que o passado nos permite ganhar o futuro. De facto se não aprendermos com o que fomos e como aqui chegámos dificilmente saberemos quem somos e ao que vamos.

Bem haja a Câmara Municipal de Peniche por ser sensível à nossa História.

quarta-feira, outubro 02, 2019


CAMIONETA – AUTOCARRO – BUS
As palavras, tal como as pessoas, mudam. O título em epígrafe até nestas coisas simples o demonstra. Quando eu era pequenino existiam duas empresas de transporte de pessoas, da ilha para o continente. A empresa “João Henriques dos Santos” com sede em Torres Vedras que tinha como ponto de chegada e partida a Praça Jacob Rodrigues Pereira, passando posteriormente para o Largo 5 de Outubro num espaço onde hoje funciona a Agência Rico. A outra empresa era os “Capristanos” com sede em Caldas da Rainha. Esta última tina o seu lugar de embarque e desembarque de passageiros também na Praça Jacob, acabando por alugar à família de José Maria Oliveira um estabelecimento onde hoje se situa a firma “Trappus”.
Nesse tempo o que tínhamos eram camionetas que nós dizíamos à maneira penicheira, “caminetas da carreira”.
Passados anos a firma de “JHS” viria a desaparecer e a empresa Capristanos deu lugar à empresa “Claras”. Também o local de embarque e desembarque de passageiros se alterou. A garagem passou a ser no Largo Bispo de Mariana num espaço entretanto demolido para vir a dar lugar (?) a mais um espaço de imobiliário. Com estas mudanças todas também a designação se alterou para Autocarros.
Com a formação de grupos económicos as empresas de transportes de passageiras foram aglutinadas em “Redes de Expressos” e passou a designar-se por RN do Oeste. Foi quando surgiram os “BUS” com comodidades e modernidades nunca sonhadas anteriormente, e um terminal (deixou de ser uma garagem) com condições que nunca puderam existir nos tempos do Luciano e dos que o antecederam.
Aguardo com paciência as alterações que virão a seguir.
 
 


segunda-feira, setembro 30, 2019


PATRIMÓNIO (do lat. Patrimoniu)
De acordo com Grande Dicionário da Língua Portuguesa de José Pedro Machado= Herança Paterna || Bens de família || Bens indispensáveis para a ordenação de qualquer eclesiástico || Qualquer espécie de bens, materiais ou morais, pertencentes a alguém ou a alguma instituição ou colectividade.
Estabelecido que nos entendemos sobre o que é PATRIMÓNIO, passemos àquilo que aqui me traz hoje:
A Associação constituída em Peniche há cerca de 20 anos, decidiu ganhar a sua carta de alforria e estabelecer-se em local tão próprio quanto possível onde possa desenvolver as suas actividades em total liberdade.
Para isso alugou um espaço nas caves da Associação, transformou-os reparando-os, pintando, e criando algum conforto numa zona da vetusta colectividade há muito abandonada.
Isto é bom para as duas partes. Para a Associação Patrimonium porque encontrou um lugar que passa a considerar seu. Para a centenária colectividade porque num tempo em que os seus propósitos iniciais como que deixaram de fazer sentido, refiro-me à leitura, bailes, e jogos de cartas, surgem actividades múltiplas como a Ginástica, o Ballet, o ensino da Música, a promoção de artes nobres, a Universidade Sénior, que lha dão um sentido único de utilidade pública, uma movimentação que há muito não se lhe via, enfim uma nova vida. E Muito embora algumas destas actividades não sejam promovidas pela colectividade mas sim por entidades terceiras, o que é certo é que traduz uma potencial utilização de um espaço arquitectónico que numa terra como Peniche é único e insubstituível.
A forma de permitir que a colectividade se dignifique e lhe permita perpectuar-se no futuro é torna-la útil.
È aqui que a Câmara Municipal de Peniche tem uma palavra a dizer. Independentemente dos apoios que já presta à Associação deveria olhar para a colectividade com olhos de ver e fazer depender esses apoios (mediante protocolo) da sua adesão a projectos concelhios que preservem o nosso futuro comum.
A Associação à medida que se transformar num espaço comunitário mais beneficiará. A Câmara Municipal quanto mais espaços desfrutar dos já existentes melhor rentabilizará o seu PATRIMONIU, mas não é esse mesmo o seu dever?
E com isto tudo a Associação patimónium que suscitou este meu blog, acabou por ficar um pouco para trás. A ele voltarei. Com a minha análise e opiniões. Esperando que viva muitos mais anos e frutifique a bem do nosso Concelho.    
 

sábado, setembro 28, 2019


BEBEDEIRAS

Numa operação nocturna a polícia manda parar um condutor e faz-lhe um teste de álcool.
Quando obtem o resultado o polícia diz-lhe:
- Veja.... Não tem vergonha!??? (Mostrando-lhe o aparelho que marcava 2,45)
E responde o bêbado:
- daaasse!!!! Um quarto prás 3 da manhã !!! A minha mulher vai-me matar!

 

PROBLEMAS DOS RICOS

Uns tantos amigos resolvem ir experimentar um avião que um deles tinha recentemente adquirido.
A dada altura o piloto sugere que apertem bem os cintos, pois vai fazer um "looping" (uma volta de 360 graus).
Todos concordaram, com grande entusiasmo.
Executado o "looping", e depois de ligar o piloto automático, o piloto junta-se aos amigos e pergunta se toda a gente gostou, ao que todos aplaudiram.
Ouve-se uma voz lá do fundo do avião:
- Eu é que não gostei nada, estava na sanita a "cagar"!

 

COISAS DE NAZARENOS

Um nazareno ia de camioneta da carreira para Coimbra num dia chuvoso de inverno. A certa altura começa a sentir uns pingos de água a caírem-lhe em cima, e diz para o conductor:

- Ah seu home. Está a chover-me em cima. O que faço?

Ao que o motorista respondeu:

- Olhe, troque de lugar.

O Nazareno olhou em volta e retorquiu:

- Troco com quem “sê paleco”? Eu vou sozinho na “camineta”…

 

sexta-feira, setembro 27, 2019


EU TENHO SAUDADES DO TEMPO EM QUE OS CÃES ERAM CÃES

Hoje eram 08:30 horas e na zona onde moro um cão ladrava, ladrava. Isto transportou-me para os tempos em que eu era criança e adolescente em que os cães ladravam alegremente uns com os outros e com humanos que passavam por eles. Os cães nesse tempo procuravam comida nos sacos de lixo e as ruas ficavam num pandemónio. Os cães “cagavam” nas ruas e os mais distraídos entre nós sujavam os sapatos e tínhamos de procurar um sitio com areia para limpar a “merda” de cão. E quantas vezes não levávamos um par de tabefes das nossas mães porque não tínhamos cuidado e não olhávamos para onde pisávamos.

Era um tempo em que as pessoas eram pessoas e os cães eram cães. Hoje os cães são “lulus” bem comportados que não ladram, comem ração (aumentando assim  a pegada carbónica) bem pior que a merda que deixavam nas ruas. Os cães hoje contribuem para o défice do Serviço Nacional de Saúde com tanta gente com problemas nos ossos por passarem a vida a baixarem-se para apanharem a “merdalhice” dos seus lulus.

Os cãezinhos já não ladram, e estão ligados à Internet por “xipes” que são os seus cartões de cidadãos. Já se reivindica um SNS para cães sendo que os gatos se estão maribando para as loucuras dos animais de 2 patas. Ser gato hoje é uma espécie de se ser da oposição. Fazem o que querem com quem querem e o resto são cantigas.

Ninguém se preocupa com a extinção dos burros. Dos de 4 patas. Porque os de 2 estão num crescendo em progressão aritmética. Quanto às vaquinhas têm os dias contados. Até porque o leite saído da teta já era.

Sinto-me feliz por ter sobrevivido até hoje. De todas as coisas que vi, li, ouvi e senti. Adorei a minha profissão. Mas recordo com nostalgia o tempo em que os carros eram mecânicos. Os corpos eram transportados para o cemitério em carretas. O tempo em que a “Bilhas” tirava cartas. O tempo em que a minha mãe fazia vestidos para serem estreados nas festas da Atouguia, ou de Ferrel ou da Boa Viagem. Hoje as costureiras e os alfaiates são também espécies em vias de extinção. Compra-se tudo já feito.

Enfim. Tenho saudades do tempo em que os cães eram cães.

quinta-feira, setembro 26, 2019


“ANTÓNIO COSTA ESTÁ TRANQUILO, MAS NÃO DEVIA”

João Miguel Tavares in “Público” de 21/09/19

O título acima faz parte de um artigo/crónica (?) escrito pelo senhor que é referido.

O articulista não esconde nunca qual a sua posição ideológica. Depois viu premiada a sua verborreia, sendo convidado pelo professor das selfies para ser o orador do “Dia de Portugal” pp. Isso deu-lhe ainda mais capacidade para ser mais verrinoso e menos tolerante.

Como é que um individuo que vive para dividir se torna palestrante num dia que deveria ser de todos os portugueses, ainda estou à espera que o prof. Marcelo explique.

Os portugueses em geral deveriam estar tranquilos, mas não podem. E não podem enquanto certos “costureiros” alinhavam os fatos de que gostam sem se preocuparem se “os outros” poderão ter o estômago em condições para não se vomitarem todos quando lhes pretendem impingir a sua roupinha mal parida.

Eu não consigo estar tranquilo enquanto existirem JMTs a perorarem por aí fora. E com cobertura em jornais que compro e TVs que vejo. Leio, compro e compreendo, Jaime Nogueira Pinto, Freitas do Amaral, Vasco Pulido Valente e tantos outros que não pertencendo à esfera dos meus pressupostos ideológicos, são pessoas inteligentes que me ajudam a compreender melhor onde me encontro.

Já não suporto gentinha que com um falso sentido de humor e e moralidades de trazer por casa, pretendem vender banha da cobra como se fossem viajantes da Chanel.

Com gente assim não estou tranquilo e não posso estar. Desejo melhor ao meu neto no futuro.

 

 

quarta-feira, setembro 25, 2019


VAMOS LÁ CONVERSAR SOBRE ELEIÇÕES…

Mal ficaria eu com a minha consciência e com o muito que vos devo, se não conversasse sobre este assunto e sobre as muitas dúvidas que me assaltam. Se calhar é porque sou pouco inteligente. Ou porque estou a ficar distraído. Ou porque perdi qualidades.

Tanto quanto percebo vamos eleger deputados. Que representarão quem neles vota na Assembleia da República. A quem mandatamos para serem a nossa voz e o nosso sentir.

Os candidatos a deputados são (deveriam ser) as pessoas mais abalizadas para representarem os círculos pelos quais se candidatam. Os seus anseios, os seus meios para o desenvolvimento regional e local. Devem ser (deveriam ser) pessoas que conhecemos bastante bem e com as quais nos sentimos à vontade para conversar e trocar ideias sobre os nossos problemas e as coisas fantásticas que somos capazes de fazer. Uma vez eleitos terão de ser aqueles a quem nos dirigiremos para pedir contas sobre as razões da sua inércia ou pelo melhor, a quem iremos felicitar por um trabalho bem feito.

Fui então procurar os candidatos pelo meu distrito nos diferentes partidos que aqui concorrem. E o que consigo encontrar é o que a seguir vos apresento:

São 17 os partidos e coligações que concorrem às próximas eleições legislativas.

1   - PCTP/MRPP - Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses
2   - PDR - Partido Democrático Republicano
3   - PAN - PESSOAS-ANIMAIS-NATUREZA
4   - PS - Partido Socialista
5   - A - ALIANÇA
6   - PNR - Partido Nacional Renovador
7   - NC - Nós, Cidadãos!
8   - PTP - Partido Trabalhista Português
9   - PPD/PSD - Partido Socíal Democrata
10 - B.E. - Bloco de Esquerda
11 - IL - Iniciativa Liberal
12 - MAS - Movimento Alternativa Socialista
13 - CDS-PP - CDS-Partido Popular
14 - PURP - Partido Unido dos Reformados e Pensionistas
15 - Coligação BASTA!
16 - L - LIVRE
17 - CDU - Coligação Democrática Unitária

Já se torna mais difícil tentar conseguir saber quem são os candidatos ao Distrito de Leiria dos diferentes Partidos e Coligações. Em alguns só consegui encontrar o cabeça de lista. Mas por curiosidade vou dar-vos os nomes que encontrei:

 

PSD

Margarida Balseiro Lopes

Hugo Oliveira

Pedro Roque

Olga Silvestre

João Marques

Álvaro Madureira

Liliana Sousa

João Roque

Paula Ganhão

Luis Filipe Silva

Daniel Marques

Natércia Oliveira

Joaquim Pequicho

Nélia Alves

 

CDU

Heloísa Apolónio

Ana Rita Carvalhais

João Paulo Delgado

Isabel Freitas

Fátima Messias

Jorge Abrantes

Anabela Batista

António Raposo

Bruno Pronto

Maria de Los Angeles

José Rui Raposo

Ricardo Brizido

Margarida Patrocínio

Fernando Domingues

Elísio Alexandre

 

PS

Raúl Castro

Elza Pais

António Sales

João Paulo Pedrosa

Sara Velez

Joel Gomes

Jorge Gabriel Martins

Isabel cristina Antunes Borges

Cláudia Cristina Avelar Santos

José Maria Antunes Faria

David Miguel Salgueiro

Teresa Conceição Fernandes

Fernando Manuel Martins Azeitona

Joana Marisa Pedrosa Correia

Aníbal Curto Ribeiro

 

BE

Ricardo Vicente

Manuel Azenha

Telma Ferreira

Manuela Pereira

Andrzj Kowalski

Carla Jorge

Célia Cavalheiro

António Brandão Moniz

Francisco Matos

Telma Gaspar

Árlete Crisóstomo

Fábio Capinha

Andreia Galvão

António Maximiano

Luis Silva

 

CDS

Raquel Abecassis

 

Isto foi o que consegui saber hoje. O desafio que vos lanço é o mesmo que lancei a mim próprio. De todos estes nomes quem é que conhece quem? Quem são as pessoas que se eleitas por nós, irão representar-nos? É a menina Raquel nada e criada nas avenidas novas em lisboa que se rendeu agora à carbonização do Pinhal de Leiria? Ou é a prazenteira Heloísa que descobriu a Reserva das Berlengas e na ilha irá reescrever o canto nono, numa clara cedência à onda “metoo”? Ou a prima Margarida que finalmente encontrou o sul do seu distrito e passou finalmente do Festival de chocolate ao Bairro do Visconde?

Direis que estou a ser faccioso. Mas toda esta gentinha que ninguém sabe quem são, nem o que pretendem enquanto pessoas, só representam os Partidos. E a eles responderão submissamente. Aos que clubisticamente os elegerem só por mero acaso os reencontrarão e mesmo assim só o farão se for necessária uma operação de marketing. Aos que aqui vivemos dirão que “aos costumes disse nada”.

Por tudo isto. Porque me recuso a passar uma carta em branco para quem quer que seja que não conheço, irei mais uma vez VOTAR EM BRANCO.

Eu sei que estou em contracorrente mas há muito que venho desempenhando esse papel. Enquanto os Partidos políticos não acreditarem em mim, não vejo nenhuma razão para confiar neles.

VOTO EM BRANCO convictamente.

 

 

terça-feira, setembro 24, 2019


A MÁQUINA, O HOMEM, UM TEMPO DE EXISTIR

Comecei a trabalhar como professor na Escola Industrial e Comercial de Peniche (hoje Escola Secundária), na década de 70 do século passado.

Entre outras disciplinas que trabalhei com os meus alunos uma delas tinha a designação de “Tecnologia Mecânica” que se desenrolava nos 3 anos do Secundário.

O livro que que acompanhava esta disciplina era da autoria de Acácio Teixeira da Rocha e o III Voluma tinha uma introdução que sempre reputei de extraordinária para a época, Não esqueçam que estamos a falar de um período anterior ao 25 de Abril. Essa introdução sobre o título genérico “JUSTIFICAÇÃO DA SUBSTITUIÇÃO DOTRABALHO MANUAL PELO TRABALHO MECÂNICO”. Em alguns testes que elaborei para os meus alunos esta questão era ponto assente que nem sempre tinha a adesão que eu esperava. Para perceberem melhor onde quero chegar, transcrevo um parágrafo do texto que sustentava esse saber:

«A máquina é produto do génio humano, portanto necessita da presença do Homem para a realização do seu trabalho. É, assim,que a máquina substitui o Homem em grande parte do seu trabalho, mas a Humanidade precisa de se preparar para conhecer a máquina e poder conduzi-la e aperfeiçoá-la em benefício da sociedade»

É importante não esquecer que isto foi escrito no final dos anos 60 e inicio dos anos 70, quando os computadores e a robótica não passavam de uma miragem para o comum dos mortais. Mais ainda num país como Portugal na época com um atraso de dezenas de anos em relação às Novas Tecnologias.

45 anos depois de uma alteração profunda na sociedade portuguesa, é corrente irmos a um restaurante e vermos uma família cada um vidrado no seu telemóvel e o diálogo entre as pessoas tornou-se algo só pensável nas Histórias fantásticas. O Homem tornou-se presa da máquina e no dia em que os servidores colapsarem o mundo deixa de existir tal como o conhecemos.

Vou comprar pão a uma padaria em que as bolas custam 30 cêntimos cada uma. A funcionária para saber quanto custam 4 bolas, tem de ir a uma lista de preços para ver. No entanto a mesma funcionária pega no seu smartphone e mexe nele de forma que me faz sentir que sou uma grande besta.

Que futuro estamos a traçar?   

segunda-feira, setembro 23, 2019


O MEU BLOG

Em 12/11/2006 iniciei aqui uma actividade de blogger que nunca previ que se estendesse tanto ao longo do tempo. No dia 14 de Agosto pp interrompi essa tarefa por múltiplas razões. Só hoje ganhei coragem para regressar. Não é que quem escreve nestes espaços tenha coisas importantes para dizer. Diz o que sente despido de preconceitos e coloca essas coisas perante o leitor que o acompanha e nem sempre pelas melhores razões (hehehehe).

Mas eu vou tentar retomar os meus escritos se calhar nem sempre com regularidade que mais desejaria. Não prometo o que não sei se cumprirei. Deixo isso a quem tenta conquistar os outros pelo lado melhor da vida. Eu, com a minha provecta idade já pouco posso prometer. Limito-me a deambular pelas encruzilhadas da vida.

Bem vistas as coisas regresso num momento peculiar. Tempo de eleições. Também aqui quero poder concordar e/ou discordar.

Até já.  

quarta-feira, agosto 14, 2019


TER OBRAS EM CASA
É do mais desagradável que existe. Não somos ninguém. Não temos onde estar. Onde pisar. Não sabemos onde está nada. Em uma divisão ou duas divisões acumulamos em o que é da casa toda. Os cheiros. Tornamo-nos párias no nosso próprio espaço. E falta-nos capacidade de perceber o porquê de tudo isto. Mesmo que no fim tudo se torne mais suportável.
Para quem tem o hábito de fazer da casa a sua janela para o mundo, ver essa janela fechada é como cegar.
Julgo que estes dias de exílio estão a terminar. Mas até lá, salvo instantes fugazes e um deles é este, resta-me esperar por esses melhores dias.

segunda-feira, agosto 12, 2019


10 DE AGOSTO: - DIA DA PROCURA DE PÁTRIA
No sábado passado fui à missa. A epístola falava da procura do homem pelo seu lugar.
No entendimento bíblico todo o Homem tem o seu lugar o qual ninguém o pode impedir de alcançar. Refere-se ao Paraíso que todos devem procurar sem barreiras nem impedimentos. O padre que fez a homília referiu-se a isto mesmo no que diz respeito às migrações e aos imigrantes.
Os portugueses que por razões mais que óbvias escolheram o caminho da imigração em vários períodos da sua história recente (e não só), deveriam perceber como poucos essa necessidade da busca de um paraíso.
Quem tem Fé tem uma dupla razão para compreender essa necessidade. O actual papa fala sobre isso. No entanto, países que se dizem de cultura cristã ao desumanizarem o seu comportamento perante os refugiados e os carentes, abrem caminho à torpeza e à indignidade. Podíamos fazer um apelo a que esses países não façam parte das opções de férias ou de visitas. Mas se o próprio concerto de nações aos quais pertencem o aceita como sugerir essa atitude?
Itália é singular nesse capítulo. Durante anos milhares de italianos procuraram refúgio e trabalho nos Estados Unidos. Agora é Itália quem fecha as suas portas.
Os países da Europa de leste que durante muitos anos pediram a solidariedade dos povos de todo o mundo face à opressão de que se diziam vítimas, agora comportam-se como os seus próprios torcionários.
É extremamente difícil transmitir valores de fraternidade e humanismo às novas gerações.
 

terça-feira, agosto 06, 2019


EU E AS FÁBRICAS DE CONSERVAS

Um destes dias vi passar na SIC uma notícia (reportagem) sobre as conservas de peixe no Algarve. Isto fez-me regressar a uma parte das minhas origens. Se pelo lado do meu pai tudo tem a ver com Peniche, pelo lado da minha mãe existem várias regiões do país que se cruzam. Baião no Norte, Setúbal e Nazaré.

O pai da minha mãe (Manuel Pinto Monteiro) era soldador e foi aparar a Setúbal nessa qualidade para a soldadura manual das latas de conserva.
o meu avô materno, Manuel Pinto Monteiro
Casou lá com Maria Dionísia dos Anjos de quem teve 3 filhas. Tornou a casar e vieram mais 2 filhas. Entretanto com o aparecimento das máquinas de soldar latas automáticas, (nos anos 30 do séc. passado), fez parte de umas milhares de soldadores que se viram no desemprego por todo o país.
A  minha mãe e as suas 4 irmãs
Com cinco filhas em casa o meu avô tratou de entregar 2 delas a familiares que as pudessem criar. Foi assim que a minha mãe Natália e a minha tua Idália, (aduas mais velhas) vieram parar a Peniche a casa de umas irmãs de meu avô que tinham casado na Nazaré e vindo para Peniche onde a apanha de peixe corria de forma mais favorável. A irmã de meu avô era casada com o Tónio da Velha de saudosa memória.

A minha mãe que tinha tirado o curso de “Corte & Costura” que a Clarck organizava para quem comprava a régua de moldes, começou a trabalhar com sucesso nessa actividade.
 a minha mãe
A minha tia entretanto veio a casar com um pescador muito experiente (o Zé Canão) constituindo um casal feliz até à morte.

A minha mãe era uma jovenzinha de 17/18 anos lindíssima, e que vestia muito bem com a roupa elaborada por ela. O meu pai que era um grande “sargalhão”, viu aquela “jeitosa” e foi-se a ela. Assim foi que nasci eu e o meu irmão frutos da relação entre um engatatão filho-família de Peniche e uma filha de um soldador de latas de conserva no desemprego em consequência da revolução industrial na indústria conserveira.   

 

segunda-feira, agosto 05, 2019


FERIADO MUNICIPAL DE PENICHE
O que se celebra?
Porquê uma Festa móvel?
Quantos penicheiros, ou penichenses, sabem a resposta a estas perguntas?
As escolas de Peniche nas suas disciplinas de história, os estudos sociais, perdem algum tempo a compreender com os seus alunos um pouco da história de Peniche e os fundamentos da sua existência?
Será legitimo a participação do município, ou melhor, dos seus munícipes nos custos da educação dos seus filhos sem que os estabelecimentos de ensino façam da história local uma parte importante dos saberes que ali lhes são comunicados?
Peniche interessará alguém?
Será que a Assembleia Municipal se deveria preocupar com esta questão?

quinta-feira, agosto 01, 2019


A PRAÇA DA CANÇÃO
Em 1975 eu estava na República da Guiné-Bissau. A 25 de Novembro eu achava que a minha esperança de um Portugal mais livre, fraterno e a caminho de uma sociedade em que todos os portugueses tivessem a possibilidade de poder atingir níveis de dignidade, pensava eu que tudo tinha acabado e que de novo entraríamos num regresso ao passado obscurantista de que nos tínhamos libertado com o 25 de Abril.
Alguns companheiros de Partido deram às vila-diogo e emigraram para os EUA, Alemanha, França e uns quantos para Inglaterra. Eu a viver ainda no mundo da Utopia ofereci-me como cooperante para a Guiné-Bissau.
Foi um romper de muros, preconceitos e sonhos. Nós os colonialistas perfeitos nem sequer tínhamos transmitido uma língua àqueles povos. Como o meu curso de origem era de química, fui dar aulas de Físico-química para a Escola Vitorino Costa, que se situava em Brá, na estrada para o Aeroporto.
O modelo da escola era um misto do sistema português com o cubano. A grande maioria dos alunos não falava português. O crioulo era a língua dominante. Existiam alunos que falavam (e muito bem) o francês porque tinham estado na Guiné Conakri enquanto os pais combatiam. Outros falavam espanhol que erasm os que tinham estado em Cuba. Outros ainda falavam russo, porque o país que os tinha acolhido tinha sido a União Soviética. Quase todos falavam ainda a língua da região de onde provinham, ou mandinga, ou fula, ou papel, ou manjaco.
Eu falava português (a língua oficial), pedia depois aos melhores em português para traduzirem para crioulo e era assim feita a transmissão de saberes. Muitos daqueles alunos não tinham pais que os ajudassem. Os pais ou tinham morrido na luta, ou faziam parte dos quadros militares do país. Por isso aquela escola tinha ainda um refeitório e um dormitório para aquelas crianças, as “Flores da Nossa Luta”, como eram designadas por Amílcar Cabral. E era comum ver o Luiz Cabral, presidente da República visitá-los aos fins de semana ou ir almoçar com eles durante a semana sempre que as suas funções o permitiam.
Este contexto a que vem o título deste post? Um dia estávamos uns quantos cooperantes a conversar e uma colega professora de português, disse-nos que tinha tido péssimos resultados num teste de português que tinha dado aos seus alunos. Falámos com ela sobre isso e a certa altura ficámos estupefactos quando a nossa colega nos disse que o texto em que tinha baseado o teste, tinha sido a introdução da “praça da canção”, onde fala de uma pétala de rosa que tinha caído de uma carta que o Manuel Alegre tinha recebido na prisão.
Para aqueles mininos falava-se de rosas que era um flor que ali não existia. E num contexto de guerra de guerrilha, falava-se de prisões.
A minha colega, cooperante como eu, ainda não se tinha apercebido sobre quem eram aquelas crianças, donde vinham e o que estavam ali a fazer.
Vinha para ali despejar ideologia e solidariedade e não integrar-se para perceber.
Já antes as senhoras do Movimento Nacional Feminino tinham feito o mesmo.