terça-feira, setembro 18, 2018


ESCOLAS SEM INSTRUÇÕES PARA LIDAR COM ALUNOS SEM MANUAIS

Este era um dos títulos de 1ª Página do jornal “Público” que normalmente desenvolve mais matéria sobre educação de entre os jornais mais lidos em Portugal.

Fui ver lé dentro. Fazia parte de um trabalho sobre a abertura do ano escolar, da jornalista (?) Margarida David Cardoso. É a cedência dos melhores às notícias bombásticas. Releva-se o que é importante e sublinha-se o que é factual.

Eu fiquei perplexo com esta notícia.

  1. As escolas têm liberdade pedagógica e didáctica para desenvolver as suas actividades.
  2. Os Professores (?) podem organizar a sala de aula em grupos de trabalho de forma a que cada grupo disponha de 1 ou 2 livros.
  3. As escolas possuem meios tecnológicos capazes de projectarem na sala de aula ou nos PCs individuais as matérias a abordar.

Porque raio de razão deve o Ministério dizer como se deve suprir a falta de manuais para alguns alunos num momento em que o que é importante é que todos eles os tenham gratuitamente?

A criatividade dos professores, o seu saber, as suas capacidades mentais dir-lhes-ão como devem suprir essas lacunas temporárias.

Elers não sabem como devem fazer para colmatar a sua falta de assiduidade por causa das greves promovidas pelos sindicatos? Sejam criativos também aqui.

O que mais lamento é que um Jornal como o “Público” seja porta-voz de gente que está onde está pensando noutros voos que pretende atingir. Eu já não consigo perceber o que é ser professor se não se tem capacidade para resolver na sala de aula os problemas pontuais que surgirem.

  

segunda-feira, setembro 17, 2018


DUVIDO, LOGO EXISTO

Sinto que tenho uma história de vida que me permite aceitar algumas coisas e recusar outras. Quando se deu o 25 de Abril mantive-me a trabalhar na minha terra por um país de esperança até que se deu o 25 de Novembro. Tive imensa dificuldade em digerir que aquela revolução linda que eu tinha vivido estaria prestes a ser sufocada. Dei por mim a pensar o que fazer da minha vida.

Não era professor do quadro. O meu emprego era periclitante. Emigrar era uma solução. Alguns amigos meus tinham ido para o Canadá, outros para os Estados Unidos, outros para a Alemanha. Teria facilidade em encontrar trabalho. Foi então que me ocorreu a possibilidade de me oferecer como cooperante para algum dos países que tinham sido colónias de Portugal. Aconteceu ser a Guiné-Bissau. Quando lá cheguei apercebi-me que só haveria uma forma de me sentir confortável. Respeitar a cultura daquela nova nação. No caso da Guiné era mesmo um caldo de culturas. Mandjacos, Mandingas, Papéis, Balantas e alguns grupos dos países limítrofes. A língua mais falada era o crioulo. E na escola encontrava jovens filhos de guerrilheiros que falavam russo, outros espanhol (de Cuba), outros ainda Francês (os que vinham da Guiné-Conakri ou do Senegal). Aulas de Física e de Química a estes meninos e meninas era um trabalho múltiplo. Procurava falar num Português claro e simples. Depois algum aluno que percebesse bem o Português e falasse um crioulo fluente fazia a tradução. Eu atento ouvia e ia corrigindo aqui e ali.

Depois havia a vida social. Do restaurante da D. Berta ao Pidjiguitti, das cervejarias às tabancas. Aceitar o comportamento deles e tentar não os hostilizar em relação às suas crenças e hábitos. Assim passaram 2 anos até regressar definitivamente ao meu país.

Depois percorri a Europa e o meu país de norte a sul. No Porto respeitei os tripeiros e em Coimbra a Lusitânia nação. Em Peniche podia ser eu penicheiro de gema.

Continuei a ler muito e a informar-me o melhor que podia. Mas continuo com dúvidas. Porque é que uma mulher portuguesa nos países árabes tem de andar coberta e uma árabe pode andar em Portugal vestida com Burca deixando só os olhos à vista? Eu pude organizar-me mentalmente para viver num país diferente do meu, de maioria muçulmana,  na sequência de uma guerra horrenda, com imenso respeito pela sua cultura e vida social.

Porque não hão-de povos culturalmente diferentes do meu respeitar os hábitos e normas do meu país?

   

sexta-feira, setembro 14, 2018


ELEIÇÕES PARA A EU

Aproximam-se rapidamente as eleições para o Parlamento Europeu. Adoro sentir-me europeu no sentido que Soares, Khol e Miterrand lhe conferiram. Mas sinto-me profundamente desiludido com a forma como se comportam os países que a integram. Se os americanos na primeira metade do séc. XX tivessem afundado os barcos que carregados de italianos chegaram a NY, o que teria sido da Itália depois disso?

Tivesse sido feita justiça cega contra os apoiantes alemães do nazismo o que seria hoje da Alemanha?

Se não se tivesse gerado uma onda de solidariedade em torno da Hungria e da Checoslováquia ocupadas pelas tropas do pacto de Varsóvia, a Europa como seria hoje? Teria caído o muro de Berlim?

Estas dúvidas er estas perplexidades criam-me imensos embaraços para votar para o Parlamento Europeu. Votar no PSD ou no CDS mete-me nojo, quando penso nas alianças europeias que estes partidos apoiam. Votar PS é votar no faz de conta.

Votar no PCP é votar em ditadores nojentos como o actual primeiro ministro da Hungria (Viktor Orbán), ditador e fascista nojento. Vai-me custar olha para a cara do sr. Jeróninmo de Sousa e pensar no que os deputados europeus do PCP fizeram ao votar contra a condenação das atitudes oligárquicas produzidas pelo governo da Hungria.

Pode ser que as coisas se alterem até à eleições. Mas se tudo decorrer como até aqui, a minha decisão está tomada.    

quarta-feira, setembro 12, 2018


NO MEU TEMPO

Quando comecei a trabalhar no ensino não haviam férias pagas. O ano lectivo começava a 1 de Outubro e os que tínhamos sorte (?) terminavam o contrato anual a 10 de Agosto no limite máximo. Se tínhamos muita sorte o inicio da nossa actividade como professores era a partir de 10 de Outubro. A nossa colocação (refiro-me aos professores provisórios) dependia da boa vontade dos directores das escolas. Para os que éramos colocados pelos directores estavama reservados os horários menos convidativos. Recordo que no 2º ano em que trabalhei (na Escola Técnica de Alcobaça) leccionava aulas ao sábado até às 23 horas ao curso noturno e depois na 2ª Feira pelas 08 da manhã.

As coisas foram decorrendo assim até ao 25 de Abril. Em 1976 e para criar alguma estabilidade fui como cooperante para a Guiné-Bissau onde fiquei 2 anos até ingressar no estágio para professores em Coimbra. Concluído o estágio ainda tive que estar mais um ano como professor agregado até poder ingressar no quadro.

Resta dizer que para além da Guiné (como opção própria) percorri meio país. Em vez de me sentir revoltado aprendi a aprender. Tipos de cultura, formas sociais de vida, exigências pedagógicas. Procedimentos didácticos. Penso que algumas das coisas pelas quais passei não deverão passar ouros. Mas nunca desconheci que ao optar por trabalhar no Ensino existiam situações pelas quais corria o risco de ocorrerem comigo. E que não desejo para ninguém, mas não deixam de ser uma lição de vida. A dificuldade em chegar ao Estágio pedagógico que hoje os jovens não sabem o que é. A dificuldade em ingressar no quadro. A dificuldade em poder leccionar nas primeiras opções que fazíamos de escolas no concurso. Eu por exemplo depois de 1979 nunca mais consegui trabalhar na terra que me viu nascer. O melhor que consegui foi nos meus últimos 4 anos ingressar no quadro da Atouguia da Baleia. E portanto depender de transportes. Mas eu sabia que era o risco da minha profissão.

Quando vejo hoje a “lamechice” dos professores mudo de canal. Quando vejo alguém que não sabe o que é trabalhar numa escola a falar em nome dos professores, fujo como o diabo da cruz.
E não vejo os média preocuparem-se com quem tira licenciaturas na área da Gestão, ou do Direito, ou das Engenharias e não tem emprego. Porque raio de razão terão de ser os professores os únicos que despertam tanta misericórdia dos meios de comunicação social?

E não vejo preocuparem-se com o que estão a fazer no ensino os maus professores. Recordo uma professora de Inglês que dizia odiar os miúdos. E isto é só um exemplo entre os muitos a que assisti ao longo de 44 anos de actividade docente.

Haja deus.  

   

segunda-feira, setembro 10, 2018


ESTOU A VIVER…
… um tempo que nunca imaginei. Vou perdendo familiares, amigos e conhecidos numa sucessão tempestiva. Uns da minha idade, outros mais velhos, outros mais novos e a todos (as) só posso desejar um até já muito sentido.
Não que eu acredite que a este monte de carne e ossos em que o nosso espirito se movimenta sobreviva o que quer que seja após a morte corpórea. O até já é só um desejo muito intimo de que não me falte a memória para ir recordando de quem foi tão importante para o meu crescimento como pessoa.
Aqueles que preso deixam-me marcas indeléveis, fosse por um maior ou menor convívio. Foi mais pelo que dissemos e pelo que pensámos serem laços que nos uniam.
Tudo isto vem a propósito de um amigo de há muitos anos, o Tó Luís, que a semana passada decidiu que o seu tempo era chegado. Interessam-me muito pouco as suas razões. O que para mim é doloroso é que não posso nunca mais estar com ele. Por isso o meu mais carinhoso ATÉ JÁ para não o perder definitivamente.

sexta-feira, setembro 07, 2018


EU

Há 3/4 dias que não vejo os canais generalistas nas horas dos telejornais. Corrijo. Vejo-as a partir da 1ª ½ hora de notícias. Não quero ouvir falar do meu clube. Já tivemos um apito dourado. Já tivemos um JG (refiro-me ao predidente do clube e não ao autarca), e tivemos um BdC. Eu que julgava estar imune a estas nojices, sou agora pele de tambor onde ribombam tudo o que é pancadas sonantes.

A política sem valores deixa-me triste. O resto sem ética deixa-me enraivecido.

Estou a reler o “Manual de Etiqueta” do José Vilhena. Isso permite-me ficar mais calmo.  

quarta-feira, setembro 05, 2018


SEREI EU ANTISSEMITA?

Comecei a ficar confuso com algumas coisas que me têm passado na cabeça sobre a nação judaica. Eu que li tudo e mais alguma coisa sobre o holocausto e sobre a perseguição a que foram submetidos pelos nazis os judeus.

Mas estou confuso. Fui à Wiquipédia buscar a definição de antissemitismo. Aqui vai:

«Antissemitismo é o preconceito , hostilidade ou discriminação contra judeus baseada em ódio contra seu histórico étnico, cultural e/ou religioso.[1] Na sua forma mais extrema, "atribui aos judeus uma posição excepcional entre todas as outras civilizações, difamando-os como um grupo inferior e negando que eles sejam parte da(s) nação(ões) em que residem".[2] A pessoa que defende este ponto de vista é chamada de "antissemita". O antissemitismo é geralmente considerado uma forma de racismo. [3] Também tem sido caracterizada como uma ideologia política que serve como um princípio organizador e une grupos díspares que se opõem ao liberalismo [4]

O antissemitismo é manifestado de diversas formas, indo de expressões individuais de ódio e discriminação contra indivíduos judeus a violentos ataques organizados (pogroms), políticas públicas ou ataques militares contra comunidades judaicas.»

Leio e releio este conceito e não me revejo nele de todo.

O que é então que me levou à dúvida?

Este asco que sinto tem a ver (penso) com o governo de Israel. Não tenho epítetos para o designar. O que têm feito aos palestinianos tem sido odioso e seriam perfeitos se utilizados pelo sr. alemão a que chamamos Hitler.

Foi-lhes distribuído um terreno já ocupado para construírem um país onde se pudessem sentir em sua casa. Sem promoverem nenhum genocídio em relação aos que já lá viviam. EU e Inglaterra foram os principais promotores desta iniciativa. A pouco e pouco foram ucupando mais e mais até que por meio de uma guerra hoje têm uma parte substantiva da Palestina. Tentam agora fazer sua a cidade sagrada de várias religiões. Com o beneplácito do louco que foi eleito presidente dos EU.

Não satisfeitos com isto tornam apátridas todos os não-judeus (Hitler não faria melhor). São detentares de armas nucleares sem que se fale nisso ou se exija em relação a eles o mesmo que se exige ao Irão e à Coreia do Norte.

Israel tornou-se um país xenófobo. Fascizante. Como são estes os herdeiros daqueles por quem Aristides de Sousa Mendes perdeu honras, trabalho e respeito no seu país. Israel já não é a nação daqueles por quem tantos lutaram e abrigaram. Nós portugueses somos uma nãção de acolhimento que não pode nem deve pactuar agora com estas atitudes totalitárias e racistas de Israel.

Perguntais-me se os Palestinianos não têm também culpas no cartório? Claro que têm. Mas no dia em que vos retirarem a pátria onde sempre vivestes, vos retirarem a alma e o coração, que fareis vós? Não foram os palestinianos que mandaram matar Cristo. Foram os judeus que o venderam aos romanos. Os vendilhões do Templo eram judeus, não eram palestinianos.