quarta-feira, fevereiro 22, 2017


CARNAVAL É…
- O triste espectáculo dado por PSD e CDS sobre a CGD

- Os milhares de milhões de euros que os bancos nos têm roubado sem que ninguém seja julgado por isso

- A eleição de um louco como Presidente dos Estados Unidos da América

- A eventualidade de 1,4 milhões de crianças poderem morrer de fome este ano

- As pessoas que se amontoam à porta da Santa casa e do Lar de Santa Maria a mendigarem comida e a fumarem cigarro atrás de cigarro e a atenderem telemóveis topo de gama

- As idiossincrasias do futebol português

- Os arranjos (?) surrealistas da Praça Jacob R. Pereira da cidade de Peniche

- As putativas listas de candidatos à Câmara Municipal de Peniche de que há notícia que a ser verdade é a combinação perfeita entre o susto e a assombração

- 43 anos depois do 25 de Abril nas candidaturas autárquicas votar em branco

- Eu aqui com medo do futuro

 

PS: serve este post para justificar a minha ausência até 4ª feira de cinzas. Que este período de euforia nos torne a todos mais fortes e mais capazes de enfrentar com esperança o que aí vem.

segunda-feira, fevereiro 20, 2017


QUE ESCOLA QUEREMOS?

                                                  Para o Pedro, meu ex-aluno da Escola da Atouguia
                                                  com a minha maior  amizade

A última revista (E) do jornal “Expresso” na sua rubrica fisga publica uma entrevista conduzida por Luciana Leiderfarb com o professor César Bona, que me impressionou sobremaneira pelo desassombro com que são colocados problemas sobre educação, que há muito constituem dúvidas com que todos nós que nos envolvemos no processo educativo nos questionamos. O entrevistado é um dos 50 melhores professores do mundo, finalista do Global Teatcher Prize.

Pensei em tantos colegas meus com que me orgulhei de trabalhar. E dei por mim a trabalhar esta entrevista dando-lhe um outro formato. À autora peço desculpa pelo meu arrojo. Ma sjulguei que arrumando-a de uma outra forma se tornaria mais apetitosa a sua leitura. No fundo apropriei-me do texto e tratei-o à minha maneira. Para contribuir para a sua leitura mais vasta e a sua discussão. O que penso terá sido o objectivo da autora do trabalho

Por último dediquei-o a um meu ex-aluno, que nunca consegui que os professores da minha escola lhe conferissem sequer o 6º ano de escolaridade. Ficou-se pela sua frequência. O que me provocou uma angustiante revolta que ainda não ultrapassei. Este meu ex-aluno conseguiu nunca fazer a vontade aos seus professores: este o seu mérito.

“Para que serve (a escola)? A educação tornou-se uma competição desportiva, não é valorizada.

Perguntar aos alunos que tipo de escola querem. O conhecimento é importante, Mas outros aspectos também o são. Noções como a empatia, a imaginação e o respeito são essenciais numa sala de aula.

Os vícios (mais frequentes) coisas que, por inércia, a repetir. Um é pensar que o respeito se impõe, em vez de se ganhar. Outro é achar que a escola serve para transmitir conteúdos. A educação para a felicidade é banalizada, à escola não se vai para ser feliz, vai-se para aprender.

Dar ferramentas (ao aluno), entre elas o conhecimento. Mas também o respeito por si próprio e perante o outro, a responsabilidade social.

Umaq criança pode avaliar o seu próprio trabalho e dizer se eu não acho isto bom, o professor também não vai achar. Isto é válido para o docente: não grites se não queres que gritem; respeita se queres que te respeitem; usa correctamente a tecnologia se queres que eles a usem…Não podemos pedir-lhes o que não lhes vamos dar.

Damos importância a perguntas cujas respostas já lhes demos previamente. E queremos que a reproduzam, esquecendo o processo. A pergunta serve para eles se envolverem, investigarem, partilharem. Mas, no fim, o que conta é que repitam o que o professor disse. Que saibam a resposta. Creio que devemos ensiná-los mais a reflectir e menos a passar nos testes.

Em geral, (os professores) aprendem cada vez mais matéria de língua e de matemática, mas não as ferramentas para ensinar. E acredito que, no ingresso à universidade, notas altas não deveria ser suficiente. Deveria ser possível medir o grau de compromisso social do candidato, porque trabalhar em educação é um privilégio e uma responsabilidade enorme.

(o professor) Deve convidar os alunos a extrair o que está dentro deles. Eles são curiosos por natureza. Bastaria sermos capazes simplesmente de alimentar essa curiosidade.

As 3escolas têm horas estabelecidas, que se podem alargar consoante a necessidade dos pais. Isso é uma questão. Depois está o tema dos TPC, que é o braço invasivo da escola e dos seus piores vícios em casa. É o absoluto esquecimento da infância.

Porque o tempo voa, a infância passa num instante. Se as crianças passarem as tardes a trabalhar, vão perder coisas verdadeiramente importantes. Os TPC impedem que elas façam coisas com os pais, mexem com o tempo interno das famílias, carregam os laços familiares de tensão e de uma sensação de perda de oportunidades. E o mais paradoxal é havere famílias que exigem TPC para os filhos. A essas gostava um dia de lhes perguntar: conseguiram desfrutar da infância deles?

As crianças não têm culpa que os currículos sejam tão extensos. E os TPC não podem servir para compensar isso. Se existirem devem servir para complementar ou investigar certas coisas. Mas pontualmente. A criança tem direito ao seu tempo, a chegar ao fim de semana e desligar – e ao fim de semana levam mais trabalhos porque têm mais tempo! Não podemos exigir-lhes algo que não queremos para nós.

Conheci escolas que baseiam os programas nas perguntas dos alunos. Por exemplo: porque temos um umbigo? Isto leva a uma explicação e a uma outra pergunta. E o impulso vem da curiosidade.

Tendemos a educar como fomos educados. E achamos que qualquer mudança vai levar ao cataclismo. Mas o cataclismo já está a acontecer, os resultados não são bons e há cada vez mais fracasso escolar. Porém, as crianças são a projecção dos pais, e os pais da sociedade. Vivemos submersos em stresse, consumismo, competitividade – e é o que lhes estamos a dar.

O exame não é importante, o qu3e importa é a avaliação. E o que devemos avaliar é a aprendizagem. Aprender é encontrar as ferramentas para obter a informação e partilhá-la. Quem souber fazer isso pode fazer mil exames. Queremos dar às crianças ferramentas para o futuro, mas quais são elas? Os conteúdos, aquilo que todos nós esquecemos? Não. A maior ferramenta é saber pensar.”

sábado, fevereiro 18, 2017


PORQUE HOJE É SÁBADO

Ofereço-vos “um sorriso amarelo”  e uma curiosidade muito útil. Aqui vão uma e outra

AS MIL E UMA UTILIDADES DE UMA TAMPA DE SANITA JÁ USADA
PORTA DA DIETA À CONSIDERAÇÃO DE GORDOS E ARQUITECTOS

Os monges do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, eram submetidos, na Idade Média, a um tratamento infalível contra a obesidade.

Até hoje não foi superado por nenhuma dieta.

Os monges, que comiam no refeitório, eram obrigados a buscar a própria comida na cozinha ao lado.

Ninguém podia servi-los.
O problema é que precisavam atravessar uma porta.

E daí? É que a porta media 2 metros de altura e apenas 32 centímetros de largura.

Quem não conseguisse ultrapassá-la ficava sem comer e, obviamente, emagrecia velozmente.

Os superiores dos monges recorreram à porta pega-gordo porque a gula é um dos sete pecados capitais e a obesidade tornava-os menos aptos aos trabalhos braçais.

Os religiosos pertenciam à extinta Ordem de Cister, cujos seguidores trabalhavam como agricultores e produziam tudo que consumiam.

Em 1834, foram obrigados a abandonar o mosteiro, pelo decreto governamental que suprimiu as ordens religiosas de Portugal.
Hoje, o Mosteiro de Alcobaça, considerado uma das sete maravilhas de Portugal, funciona como museu. Uma de suas atrações é justamente a porta pega-gordo.



sexta-feira, fevereiro 17, 2017


HIPOCRESIA ESPÚRIA

O tema do aborto abordado nas aulas do 5º e 6º Anos, está a levantar grande celeuma entre os espíritos judaico-cristãos do meu país. Ou daqueles que por “moda” aderem a protestos só porque… E se for numa rede social e sob anonimato, tanto melhor.

Os políticos de meia tijela que invadem as nossas praças e os lugares de “tacho” deste país, com receio de que representem seja o que for dá-lhes aquilo que não têm: razão.

Assim é que este magnífico livro entra no índex das nossas escolas. Como se os nossos alunos não conhecessem o vernáculo utilizado nas suas páginas.

Os pais nunca estiveram perto de um recreio sem que os seus filhos os vejam e estão a jogar à bola ou noutra brincadeira. Os pais (alguns) não sabem a linguagem que os filhos conhecem. Isto não é estranho. É dramático. Porque indica claramente que não conhecem os seus filhos e mais grave ainda, já se esqueceram da linguagem que utilizavam quando crianças.

Hoje armam-se em “meninos” e “meninas” virgens e não se4 calam quando as coisas os fazem lembrar da cepa em que cresceram como pessoas. Claro que a alguma linguagem mais rude utilizada no livro deve ser evitada. Mas quando utilizada num contexto apropriado até alivia.

Recordo que quando fui para o Porto trabalhar, numa aula um aluno que partiu um trabalho de barro que já o tinha absorvido muitas horas, saiu-se com um chorrilho de vernáculo nortenho, puro e duro e eu terei sido a única pessoa da sala a ouvi-lo por ter estranhado a linguagem. Quando me referi à minha colega sobre o assunto, ela com um sorriso disse-me: “- Não ouvi nada. Mas habitue-se. É a nossa linguagem”.

Tive a felicidade de com a minha profissão ter percorrido uma boa parte do globo. Aprendi vendo, que existe só uma coisa verdadeiramente importante. O respeito pelo ser Humano. Mais palavra, menos palavrão, é como a moral. O que aqui não vale, está a uma hora de distância de avião, para ser importantíssimo.

quarta-feira, fevereiro 15, 2017


MEMÓRIAS

A 8 de Dezembro de 1975 eu cheguei à República da Guiné-Bissau para vir lá a trabalhar como cooperante na área da educação durante 2 anos. A primeira sensação que tive foi de cheiro a terra. E um outro cheiro que então eu não identifiquei mas que mais tarde vim a saber tratar-se de grandes queimas de milhões de gafanhotos, pois dias antes teria havido uma praga desses insectos predadores.

No meu primeiro ano fui trabalhar para a Escola Técnica Vitorino Costa situada em Brá, relativamente perto do aeroporto. Esta escola funcionava no antigo quartel dos comandos e recebeu os “filhos da luta”, meninos que eram órfãos de guerra e que se tinham espalhado durante anos por Moscovo, Cuba, República da Guiné-Conakri e Senegal. Esta foi das experiências mais enriquecedoras que tive como professor. Os alunos falavam Papel, ou Mandinga, ou Manjaco, ou Fula e falavam a língua do país que os acolhera. Falavam ainda a língua da etnia a que pertenciam. Todos falavam crioulo. Raros falavam Português. Eu dava as minhas aulas (de Física ou de Química) em Português escolhia um aluno dos que arranhavam o português que vertessem o que eu tinha dito para crioulo, corrigia algumas informações e lá seguíamos. Não era fácil mas lá nos entendíamos e eu comecei também a arranhar o crioulo e eles a falarem melhor o português. Por vezes e inesperadamente recebíamos a visita do “camarada Luis Cabral” que vinha saber dos sucessos dos seus meninos.

No 2º ano tornou-se tudo mais fácil. Fui trabalhar para Bissau para o Liceu Nacional Kwame N’ Krumah. Já mais gente palrava o “português”.

Eu fui primeiro instalado num Lar e depois passei para um apartamento do Hotel Pidjiguiti, situado na zona onde se deu a primeira revolta na Guiné-Bissau contra o colonialismo português.

Quando fui para a Guiné fiz-me acompanhar de uns quantos discos de música clássica e dos discos que na altura eu tinha da Amália. À noite sentava-me na esplanada do Hotel, bebia umas cervejas e tinha como pano de fundo o som do fado naquela voz inesquecível. Foi aí que conheci por causa da Amália um grande amigo dela que também tinha vindo procurar respostas à Guiné. Foram muitas as noites de tertúlia que passámos. E no final desses 2 anos quando nos despedimos esse amigo de sempre, ofereceu-me 2 postais que ele tinha trazido de Lisboa para Bissau. Esses postais que vos dou a conhecer agora, nunca mais me abandonaram. Comigo têm 40 anos e sempre estiveram próximos. Fazem parte das minhas memórias. Para sempre.

 

  

segunda-feira, fevereiro 13, 2017


JÁ LÁ VAI JANEIRO 

2017 começou a desenvolver-se e iniciaram-se as performances de quem pode sobre as suas pretensões autárquicas. É curioso mas pouco surpreendente. Quem tem papel divide-se entre o que fez e o que promete fazer. Quem tem dinheiro põe o dinheiro a render nos locais que maior visibilidade pode render.

Por outro lado dizem-me o facebook pulula de dicas e notícias sobre outros eventuais desejos. A eles não me posso referir de forma mais clara porque nada por enquanto me fará aderir à RSF (rede social frustatória) que alberga os actuais descamisados da nossa sociedade.

Li a informação do PSD local e não só estranhei como fiquei siderado ao verificar que em nenhuma circunstância são considerados os desfavorecidos e as classes mais desprotegidas que existem no nosso concelho. São centenas. É ve5r o que diariamente ocorre à porta da Santa Casa e do Lar de Santa Maria para ajudar com comida centenas de pessoas que ali ocorrem. E às quintas-feiras para conseguirem bens alimentares e roupas. Essa “gentinha” não faz parte das prioridades do PSD local. E se o faz é de forma indirecta, correndo com eles do largo do mercado onde vendem em acções de venda ambulante e no combate aos “Bairros de Lata” que se instalaram há mais de 30 anos, conhecidos como Bairro dos ciganos. Isto é. Para o PSD local fazendo desaparecer os ciganos da nossa vista, estará resolvido o problema dos mal-amados. Eu aconselharia o candidato do PSD à Câmara a ler S. Francisco de Assis e as encíclicas do Papa Francisco. Que eles o inspirem. Uma última dica: - para ouvir é preciso abrirmos o coração. Para dar voz é preciso que a palavra não resvale em muros. Para mobilizar é preciso oferecer alguma coisa em troca. Intenções vagas não passam disso. E um último aviso: Não permita que de si se utilizem.

O Boletim da Junta de Freguesia é mais importante pelo que não diz do que pelo que diz. As frases: “obras inegralmente pagas pela junta”, “não sendo da nossa responsabilidade”, “aguardamos a entrega dos materiais, para dar início”, “anseios e reivindicações dos moradores, com alguns anos”, “fazemos, porque é preciso alguém fazê-lo”, são tudo frases significativas para bons entendedores.

Quanto às obras, são mais do mesmo. Quem como eu viveu 60 anos naquela praça, sabe que presidente da câmara que quer dar nas vistas é ali que faz obras. Para outro a seguir destruir e fazer outra “merda”. Muda local da rodoviária, traz praça de táxis. Muda praça de táxis e traz tuk tuk. Já estou farto. Farto destas obras de fachada e farto de ver estragar o meu dinheiro para a promoção de presidentes e de aspirantes a presidentes.

           

   

sábado, fevereiro 11, 2017