terça-feira, setembro 22, 2020



HÁ DIAS QUE VALEM POR SÉCULOS

Não sei por que raio de razão fui cortar hoje o cabelo. Mas fui. E encontrei-me lá com um amigo de longa data. Que seguramente não via há mais de um ano. O Beta Mamede. Desfolhámos ali a nossa meninice e juventude. Foi gratificante recordar esses dias. Entte outros revimos os nossos acampamentos nas Berlengas. Eu, o Beta e o Emídio Manuel. Fui ao baú e à sorte encontrei 2 fotos.

Numa os 3 fazemos um passeio de barco na ilha. O Manel numa ponta, eu ao meio e o Beta com o chapéu herdado dos tempos em que pertenceu aos gangs de Chicago.  


Na outra foto estamos os 3 no cais de desembarque, apanhando sol e aguardando o barco que nos traria os mantimentos para o dia.

Num tempo em que nós eramos a ilha e em que a ilha eramos nós. Foram tempos irrepetíveis. Os estudos, os empregos, os casamentos, os filhos, tudo se conjugou para que em breve estes tempos fossem só memórias do neo-realismo italianos que se vivia em Peniche.

Tudo isso hoje veio ao de cima na Barbearia do Fernando. Até do Orlando “pintelhice” falámos. E do tempo do BPA.

Até daqui a mis um século Beta…

domingo, setembro 20, 2020



 AS MELHORES DA SEMANA












AS MELHORES DA SEMANA


quinta-feira, setembro 17, 2020

O 1º MINISTRO DEIXA-ME PERPLEXO

Existem situações que me deixam surpreendidos . A adesão do sr. AC à lista de LFV para eleições clubistas foi uma delas. A substituição de Jamila Madeira foi outra. Esta última é o produto da JS e dos compadrios que aí se tecem. Não lhe reconheço capacidade técnica e intelectual (e conheço-o bem doutros campeonatos para fazer esta afirmação). para desempenhar um cargo tão técnico, especifico e exigente no momento em que vivemos como aquele que agora deixa. Marta Temido torna-se para mim cada vez mais uma figura incontornável. Transmite honestidade e conhecimentos. Bondade e exigência. Respeito pelos outros. O que me torna mias difícil fazer conciliar aquela 2 personagens.

Para eu poder sentir-me mais confiante ainda bem que a "jótinha" foi substituída. E ainda por cima por quem foi.  

quarta-feira, setembro 16, 2020

TCHIM, TCHIM, CATRAPAZ, PUM Ao soarem as badaladas de meia-noite de 31 de Dezembro, para 1 de Janeiro na noite de 2019/2020, a festa instalou-se. Atiraram-se à rua as louças partidas, comeram-se as passas, subiram-se as cadeiras, vestiram-se as roupinhas de ver a deus porque a festa já decorria e desenharam-se no espírito os desejos para o ANO NOVO que se perspectivava. E no entanto uns quantos já sabiam que o ano novo iria ser uma calamidade. Que o destino dos mais velhos estava traçado, e que a doença iria abatê-los para não sobrecarregarem a economia. O novo ano iria ser um calamidade, dramático, tenebroso. Os que sabiam o que se passava ocultaram o seu conhecimento aos cidadãos comuns e nem sequer foram prevenidos os comerciantes da geriatria para acautelarem nos seus estabelecimentos de comércio (lares), a tempestade que se avizinhava. De repente, como se fosse Outono começam a cair os velhos e os mais débeis. A sugestão de soluções parte de países responsáveis já preparados e prevenidos para as formas de debelar o desastre. Os que à economia deram novas perspectivas alinharam-se para mais um vez explorarem os países deficitários. Lembram-se da queda das civilizações gregas, ateniense e romana? Lembram-se do que foi o aparecimento de novas formas de existir? Da destruição da Europa e de uma parte da Ásia pós I e II guerras mundiais? O que estamos a assistir é uma nova forma mundial de viver. Sem contactos físicos pessoais. O que o HIV não conseguiu, foi agora obtido por um minúsculo vírus. Pais e filhos evitam-se. Irmãos isolam-se. Companheiros ideológicos desconhecem-se e separam-se. Quem ganha com tudo isto? Tentemos encontrar a resposta e é melhor agir enquanto é tempo.

quinta-feira, setembro 10, 2020

O JORNAL COR DE ROSA

Entrei para a tropa no Convento de Mafra em 11 de Setembro de 1966. Ali fiz a recruta e a Especialidade (transmissões de infantaria). Ao fim de sete meses e já com a patente de Aspirante a oficial recebi Ordem de Marcha para a Trafaria para onde fui tirar a especialidade de Operações de Segurança no BRT (Batalhão de Reconhecimento das Transmissões) e de onde saí só quando passei à disponibilidade em 12 de Dezembro de 1969. Dividia então o meu tempo entre a Trafaria e Peniche aos fins de semana desde que não estivesse de serviço no quartel. Este foi um tempo extraordinariamente rico para mim em termos de formação cultural, social e política. Enquanto militar no ramo em que estava inserido, aprendi o que era o regime por dentro. Em Peniche desenvolvia uma actividade cultural e associativa intensa. Na Trafaria, tão perto de Lisboa, permitia-me ter acesso a toda uma informação cultural que era notável para a época. Enquanto militar na minha unidade existiam companheiros notáveis como o compositor Jorge Peixinho, o poeta Gastão Cruz, o fadista João Braga, e uns quantos amigos que deambulavam pelas fileiras da oposição democrática. Um deles, já não sei qual, deu-me a conhecer um jornal regional (“O Comércio do Funchal”) que era publicado em papel cor-de-rosa. Uma diatribe do seu director ( um jovem mais novo que eu, de seu nome Vicente Jorge Silva) que passei a dmirar desde logo. Na altura eu era assinante pois do Comércio do Funchal, do Jornal do Fundão e da Seara Nova. Tudo isto imprensa pouco apropriada para quem fazia parte de um escol dos Serviços Militares. De entre todos estes jornais o CF era um exemplo do que eu considerava ser possível em Peniche, onde criativamente dávamos os primeiros passos em formas mais ou menos habilidosas de tornearmos a rigidez do Estado Novo. Apaixonava-me aquele jornalista em crescendo que era VJS e só deixei de ser assinante do CF quando ele deixou de ser seu director. Mais tarde dou por ele a lançar um novo Jornal, “O PÚBLICO”. Nunca mais o larguei de mão. Nem mesmo quando ele deixou o Público. Que eu também abandonei com a direcção de José Manuel Fernandes. Onde eu sabia que ele escrevia, eu lia e aprendi sempre. Despeço-me dele com o mesmo carinho com que o conheci. Até já, até logo, seja até quando for. Foste dos melhores professores da minha vida.

sexta-feira, agosto 28, 2020


BILROS DA MINHA AVÓ GUILHERMINA

O meu avô Benjamim morreu tinha eu 10 anos. Durante algum tempo eu, os meus pais e o meu irmão paassámos todos para casa da minha avó Guilhermina para lhe fazermos companhia. Ao fim de algum tempo voltámos a viver na nossa casa excepto o meu irmão que desde os 3 anos de idade vivia com os meus avós. Até que em Outubro o meu irmão foi para o Colégio Nuno Álvares e passei eu a ficar à noite a fazer companhia à minha avó.

Tudo isto para vos dizer que desde os meus 10 anos que passei a conviver com rendas de bilros, almofadas e bancos, piques e linhas Âncora, bilros das mais diversas formas e alfinetes espetados na almofada segurando pontos e nós.

Recordo desses tempos algumas designações como cerzir, renda do casar, picar piques, tecer e vender.

Ao mexer um destes dias num dos baús da minha herança, deparei com amostras (?) de bilros dos mais diversos tipos. E veio-me à memória o barulho dos bilros a baterem uns nos outros enquanto a minha avó tecia as rendas ao longo dos dias. Era um barulho melódico, qual sinfonia que me fazia adormecer em dias em que eu me cansava mais nas brincadeiras físicas que ocupavam as crianças e adolescentes do meu tempo.

Decidi fotografá-los e deixá-los aqui como memória. Pelo que me fazem recordar. Por esse tempo. Pela rendilheira que foi a minha avó.







 

terça-feira, agosto 25, 2020


O MURO

Esta designação representou para a minha geração (que se identificava como de esquerda) um símbolo do que de mais abjecto podia ser criado pelo ser humano como forma de humilhar aqueles a quem não eram reconhecidos direitos de cidadania.

Para os da minha geração a noite de 9 para 10 de Novembro de 1989 em que se deu o derrube do MURO DE BERLIM representou que a Utopia era possível.

O derrube do MURO era o fim de uma ideologia opressiva e sufocante que em nome de “um sol” por nascer, colocava sectores das humanidade contra outros, filhos contra pais, irmãos contra irmãos, nações umas contra as outras. A queda do muro era para nós o inicio de uma paz sonhada mas nunca vivida, o fim dos Gulag, a libertação do pensamento.
A tudo isto eu e os da minha geração sempre associámos a designação de “MURO”.

Aprendi agora que existem 2 tipos de muros. Os muros que separam os países “ditos” comunistas dos países “ditos” democráticos, e os muros que separam os países da liberdade entre si.

Se um país da esfera de leste ergue um muro para o separar dos países ocidentais, é mau.

Se os EUA erguem um muro para impedir os mexicanos de entrarem no seu território, é bom. Trump é eleito porque prometeu isolar o México. Kruchev é derrubado porque ergueu o muro de Berlim.

Ser bom ou mau, depende do momento e do grau de evolução das ideologias. Depende da Guerra-Fria  ou de quem assume a liderança da dita civilização ocidental.

Ser muro não é suficiente, é preciso conhecer o p’edreiro que o construiu.