segunda-feira, julho 29, 2013

CONTA MEMORIAL MONSENHOR BASTOS

Esta é uma nota de rodapé que surge habitualmente nos últimos números de “A Voz do Mar”. Com a autoridade que tenho por ser pessoa, amá-lo e conhecê-lo, penso que está tudo errado. Esta é a última coisa que ele desejaria. Nem bustos nem monumentos. Fez voto de pobreza e nada tinha nem nada deixou. Com o despudor de quem se sente protegido com o facto de ele ter morrido e já não poder reclamar, têm desenvolvido em seu nome um conjunto de actividades a que ele em nome do “cristo” que quis representar enquanto viveu, repugnariam.
Lamentavelmente os que mais o criticaram dão agora um exemplo pouco transparente daquilo que pretendem representar. Seria de exemplar clareza, descrever os donativos recebidos e a designação de quem o fez, excepto no caso em que alguém tenha querido preservar o anonimato.
E para os que pensam que falo de cor, transcrevo a seguir uma carta que recebi (entre outras) de quando o Pe. Bastos era vivo. Morto o “bicho” acabou-se a “peçonha” e agora vamos fazer um monumento para acabar com a sua memória de vez. Espero sinceramente que alguém mais corajoso que eu, no dia a seguir à sua inauguração lhe coloque um explosivo para que desapareça de vez. Já agora aquele “busto no cemitério é “repulsivo”.
A memória do Pe. Bastos fica nos corações de quem o amar. O resto é nada.

PS: É claro que os católicos têm uma grande vantagem sobre mim. Confessam-se, dizem que estão arrependidos, rezam 5 pai-Nossos e 3 Avé-Marias, ficam perdoados e podem avançar para outra. Eu, Estou condenado ao fogo do Inferno e não há nada que me diminua as penas.

 

sexta-feira, julho 26, 2013

ARRE PORRA QUE É DEMAIS

No dia em que o actual (?) governo tomou posse, já o PCP através de uma das suas delegações estava na rua numa manifestação com a palavra de ordem de sempre: “Governo para a Rua”.
Me parece que deveriam aguardar um ou 2 dias que eles façam merda para começarem a exigir que saiam.
É pena não haver nas autarquias o mesmo tipo de hábitos. Isto é, quando um executivo camarário ou de uma Junta faz porcaria, virem as populações para a rua exigir que venham que se demitam. Aí haveríamos de assistir ao PCP a exigir que os mandatos se cumpram até ao fim e depois o povo que castigue quem não se portar bem. Sobretudo se as autarquias em que forem postos em causa tenham no executivo autarcas do PCP.

Antigamente, no tempo em que ser comunista era um exemplo de capacidade cívica de luta e de entrega à causa pública, havia uma coisa que se designava por “superioridade moral dos comunistas”. Nesse tempo os que aderiam a essa ideologia, prezavam-se por dar exemplos de probidade, de voluntarismo, de solidariedade. Ser-se comunista era uma ética.
Combatiam-se ideologias, não se combatiam pessoas. Lutava-se por ideais, não se lutava por lugares de poder. Havia autocritica. Os que mais sabiam entregavam o seu conhecimento aos que menos tinham tido acesso ao desenvolvimento.

Hoje ouço a intersindical e mudo de canal. Ouço os deputados comunistas a desenvolverem baixa política contra o PS e mudo de canal. Ouço o camarada Jerónimo tecer loas a tudo quanto os seus fazem e a ser destrutivo em relação a tudo quanto os outros fazem e mudo de canal.
Tenho pena que ao fim de todo este tempo, sinta prazer em ouvir gente que não é de esquerda desenvolver com nobreza um debate ideológico e sentir que é uma perda de tempo ouvir pessoas com quem à partida me deveria identificar.
De uma vez por todas aliem-se ao diabo e façam ressuscitar o Vasco Gonçalves. Se são tão bons assim porque raio de razão é que são uma força política minoritária? E no entanto até acredito que por vezes digam coisas certas. Só que ninguém vos ouve de tantas vezes repetidos os mesmos slogans.
Portugal e os portugueses precisam de um partido comunista forte, criativo e que seja capaz de no século XXI ser digno da sua história. Sejam inteligentes e cheguem ao coração das pessoas. Não nos encham de ódio com as vossas atitudes e palavras. Falem connosco de forma a que todos nós possamos acreditar que vocês são alternativa. Nós precisamos de vocês.

terça-feira, julho 23, 2013

"DIAS ALUMIADOS"

In memorian da Ti Ção Farronca

Estas duas palavras conjugadas, que fizeram parte do vernáculo penicheiro (e não só), são do tempo da missa das almas, às 6 (ou seria 7) da manhã, muito frequentada pelas mulheres mais velhas de Peniche, pelas viúvas e pelas pessoas que por razões espúrias tinham algo a esconder. No final da missa das almas, celebravam-se os casamentos das raparigas que já estavam prenhes, porque era uma situação que não coadugnava com os preceitos da Santa Madre Igreja: ter relações sexuais antes do casamento.
Normalmente eram casamentos de fugida, com poucos participantes para além da família mais próxima e dos padrinhos.
Também se realizavam a essa hora os casamentos em que toda a gente (o cortejo) se deslocava a pé, pois os automóveis eram um bem só possível para alguns eleitos.

Mas voltemos à designação, “dias alumiados”. Eram assim porque eram dias de acender velas. Por fé, por celebração dos mortos, para honrar os santos. Eram dia de Festa ou de devoção. Mas eram sempre dias em que as velas eram o principal elemento motivador demonstrativo do fervor religioso.
O recurso à luz eléctrica em abundância ou às lâmpadas fluorescentes, vieram roubar às velas o seu papel central e tornaram-nas um símbolo, só utilizado em algumas circunstâncias, no sentido da manifestação de FÉ como elemento fulcral da vida dos crentes.

Em algumas casas de Peniche, as “velhas beatas” (e digo isto com sentido carinhoso) ainda fazem circular um altar em ponto pequeno com a designada “sagrada família”. Nesses dias, nessas casas, retomam-se os “dias alumiados” com preces e terços, repondo a verdade dos dias antigos em que o catolicismo era uma forma de estar na vida, com o seu Deus e Diabo e outras figuras míticas. Nesses dias os mortos são venerados, os Santos são honrados e ganha força a expressão de fé que algumas (poucas) pessoas ainda alimentam.

segunda-feira, julho 22, 2013

RUA 1º DE DEZEMBRO - UM ESPAÇO PARA AS RENDAS DE BILROS

Ao longo destes quase 70 anos de vida vivida e sobre rendas de bilros, julgo que já vi tudo o que há para ver. Desde a 1ª metade do século XX em que alguns dos nossos comerciantes locais, cediam materiais para a confecção das rendas a troco das próprias rendas executadas, ou de bens alimentares que o rol ía acumulando, até à aplicação de pequenas peças de rendas em obras de joalharia em período de vacas magras neste 1º quartel do séc. XXI.
Vi cursos de Formação em que os grandes benificiários foram os formadores, pois não se conhece o ressurgimento de número razoável de executantes em relação aos valores investidos pela Comunidade Europeia.
Vi milhares de euros e escudos investidos em alugueres de espaços e em prémios para actividades folclóricas que só serviram de brilho para cartazes eleitorais.

Finalmente surge agora uma iniciativa em Peniche que me parece diferente de tudo o que até agora foi surgindo em Peniche. Na Rua 1º de Dezembro num pequenino espaço, uma jovem lança uma ideia que me parece ser inovadora e criativa num tempo tão difícil como o que vivemos. Umas quantas almofadas, uma proposta de aprendizagem para quem o deseje, propostas para execução de “piques”, “cartões” e “desenhos”.
Trata-se de uma pequeno “negócio” de artesanato local sem apoios camarários, sem rendas de casa com subsídios estatais, a que desejamos os maiores êxitos.
É a antítese do que até agora tem surgido em Peniche. Com bravura, vontade de trabalhar e muito mas mesmo muito empreendorismo. Para os que vivem presa da subsidiodependência, para os que há muito se têm mostrado na “fotografia” à custa do erário público, trata-se de uma lição que merece ser respeitada.
Honra e mérito a quem o merece.

sábado, julho 20, 2013

FIM-DE-SEMANA ALUCINANTE

Que tal neste fds sem esperança cada um de nós ser um pouco Rui Costa. Que tal a seguir a um mar de frustrações crescermos neste caminho pedregoso e íngreme ao lado de Carlos Sá e suarmos com ele nesta aventura de estar vivo e ter esperança nas nossas capacidades individuais.
Que tal sermos equipa de investigação premiada pelo actor americano Michael J. Fox pelo trabalho colectivo sobre Alzheimer.
Que tal sermos capazes de amar onde só vemos ódio. Sermos capazes de ser solidários onde lemos hipocrisia. Que tal dizermos que existem outros homens e outras mulheres nobres, honrados e responsáveis que são atropelados diariamente por esta horda de mentecaptos que pretendem fazer de nós indigentes mentais, sociais e culturais.
Que tal deixarmos em nós fluir a Felicidade e apagarmos as televisões?

A Felicidade
Vinicius de Moraes
Composição: Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim

Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira
Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
A felicidade é uma coisa boa
E tão delicada também
Tem flores e amores
De todas as cores
Tem ninhos de passarinhos
Tudo de bom ela tem
E é por ela ser assim tão delicada
Que eu trato dela sempre muito bem
Tristeza não tem fim
Felicidade sim
A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor

quinta-feira, julho 18, 2013

ENQUANTO O PAU VAI E VEM

Nesta coisada das crise (ou das crises) também há coisas positivas. Os média estão ocupados com os jotinhas e seus correligionários e esquecem o que se passa no dia-a-dia. Excepto o “Correio da Manhã” e o “Querida Júlia”, ninguém fala destes pequeninos mundos onde nascemos, vivemos e morremos.
Assim é com as nossas aldeias, vilas e pequeninas cidades, onde só se vai de passagem a caminho de férias, ou da família onde ainda se arranjam batatas, couves e pêssegos a bom preço.

Os Presidentes de Junta, de Câmara e os apaniguados do momento, agradecem o benefício da dúvida, ou mesmo o voto mal parido no que está à falta de melhor.
Onde surgem novas caras, suscita-se a dúvida e ignoram-se os putativos candidatos, porque o dinheiro para a renda de casa está cada vez mais difícil de conseguir. Alguns matam as mulheres num arranque alcoólico, ou o amigo com quem se discutiu pela enésima vez o direito de pertença de uma brasileira da casa de alterne.
As crises baralham os dados e ou muito me engano ou mais uma vez os brancos, nulos e abstenções, vão ser os mais votados de sempre.
Cá na minha terrinha dizem-me que entre os que não existem e os que fingem que existem, antes o Baião na TV e o La Féria a organizar espectáculos de animação.

Esperemos que eles não se entendam. E que esta fantochada acabe toda à galheta. Alguém vai acordar.

terça-feira, julho 16, 2013

A MORTE

A todos nós afecta de forma mais ou menos próxima. A morte de uma mãe, ou de um pai, de um filho ou de um irmão, de um Amigo, deixa em nós um vazio que nunca mais será preenchido. Algum ou alguns deles são marcos da nossa existência e deixaram mesmo um rasto na nossa forma de ser e estar que contribuíram decisivamente para as pessoas que hoje somos.
Porque um “Homem está sendo”, porque “ele é ele e as suas circunstâncias”, evoluímos como pessoas com eles que nos ajudaram a construir em cada momento o nosso futuro.
À medida que os anos passam, mais irremediável é perdermos as nossas referências. Embora elas (ou eles) estejam sempre presentes em nós. Tudo isto vem a propósito de um belíssimo poema de W. H. Auden, que ontem 1º ouvi e depois reli com o êxtase que só sinto em circunstâncias muito especiais. O poema é conhecido, foi utilizado no filme muito popular, “Quatro Casamentos e Um Funeral”. Transcrevo-o hoje na certeza de que será bom para cada um de nós lê-lo enquanto recordamos “esse” alguém muito especial da nossa vida.

FUNERAL BLUES
w.h. auden

Parem todos os relógios, desliguem o telefone,
Não deixem o cão ladrar aos ossos suculentos,
Silenciem os pianos e com os tambores em surdina
Tragam o féretro, deixem vir o cortejo fúnebre.

Que os aviões voem sobre nós lamentando,
Escrevinhando no céu a mensagem: Ele Está Morto,
Ponham laços de crepe em volta dos pescoços das pombas da cidade,
Que os polícias de trânsito usem luvas pretas de algodão.

Ele era o meu Norte, o meu Sul, o meu Este e Oeste,
A minha semana de trabalho, o meu descanso de domingo,
O meio-dia, a minha meia-noite, a minha conversa, a minha canção;
Pensei que o amor ia durar para sempre: enganei-me.

Agora as estrelas não são necessárias: apaguem-nas todas;
Emalem a lua e desmantelem o sol;
Despejem o oceano e varram o bosque;
Pois agora tudo é inútil.

(tradução de Maria de Lourdes Guimarães)

domingo, julho 14, 2013

NOTÍCIAS DA CIDADE DE PENICHE


A CDU, considerando o parecer da Comissão Nacional de Eleições sobre as situações de elegibilidade dos candidatos a Presidentes de Junta de Freguesia, decidiu candidatar Henrique Bertino à nova Junta de Freguesia da Cidade de Peniche.
7. Um presidente de Junta de Freguesia que conclua em 2013 os três mandatos consecutivos pode candidatar-se ao mesmo cargo se aquela Freguesia for agregada numa União de Freguesias?
Sim, na medida em que a União de Freguesias constitui uma nova autarquia.

sexta-feira, julho 12, 2013

O COLONIALISMO

Já não me recordo quais as circunstâncias e quem foi que o proferiu, mas sei que foi há pouco tempo e referindo-se ao momento que vivemos, suscitou a questão de que a União Europeia era o exercício de uma acção colonialista dos países do Norte da Europa, sobre os países periféricos.

Dir-me-ão que a situação se deve ao facto das dividas que temos para com um grupo de entidades financeiras, com as exigências desses grupos para receber o que considera que lhe devemos.
O colonialismo sempre foi o exercício de um poder económico com o apoio da força musculada, sobre povos de onde são sacados todos os seus bens e que continuam à mercê de uma divida infinita.

Deixem-me contar-vos uma história verídica. Quando eu tinha 17 anos e estudava em Lisboa, inscrevi-me num curso de Formação Ultramarina organizado pela Mocidade Portuguesa. As classificações que obtive nesse curso foram distinguidas com uma viagem de um mês a S. Tomé e Príncipe.
Enquanto estive nessa colónia portuguesa fiquei alojado na Roça de Monte Café, onde se extraía cacau que era vendido nos mercados internacionais. Haviam umas quantas roças em S. Tomé. A generalidade dos trabalhadores dessas roças, eram angolanos e cabo-verdianos que eram retirados dos seus locais de origem e eram obrigados a trabalhar nessas fazendas de cacau, sob a vigilância das tropas coloniais. A viagem que eram obrigados a fazer era-lhes debitada para ser descontada nos seus miseráveis salários. Chegavam às roças e eram alojados nas casas dos trabalhadores rurais e a renda da casa era-lhes debitada para ser descontada. Todas as roças dispunham de um Armazém onde eles poderiam fazer as compras, sendo o valor dessas compras descontado nos seus salários. As roças tinham Hospitais para os trabalhadores. O tratamento de doenças (normalmente malária) era-lhes debitado. Isto é, quanto mais vivessem mais dinheiro ficavam a dever aos colonos proprietários das roças. Nunca deixavam de ser devedores. E o que ficava por pagar era debitado aos seus descendentes, mulher e filhos. Eram eternamente devedores. Havia formas lúdicas para que os colonizadores e os seus capangas pudessem sentir-se menos tristonhos. Uma delas era a violação sistemática das filhas e mulheres dos trabalhadores. Daí a velha expressão de que “deus criou o preto e o branco, os portugueses criaram os mulatos. Tudo isto com a bênção da Santa Madre Igreja.

Assim era nos séculos anteriores. Hoje criou-se um sistema paralelo de colonialismo dos países ricos sobre os países pobres. É aquele que estamos a viver em Portugal, Espanha, Itália, Grécia e Irlanda. Vejam as similitudes. Os países que foram berços de civilizações e de expansão em todo o globo terrestre, são hoje as vítimas da voragem do dinheiro sem rosto e de homens sem escrúpulos. Que são apátridas. Porque a sua pátria é o dinheiro e o poder que este lhes confere. São gente de todas as nações (incluindo a nossa) que a troco de uma visão de consumo, torna as pessoas (e os países) eternamente devedoras. É uma forma mais sofisticada de colonialismo. De onde os capatazes, tão devedores como nós, tiram alguns miseráveis proveitos, dando rosto e razão de ser aos detentores da alta-finança. Não somos filhos da pouca sorte. Somos o resultado da decadência de valores e de sentido ético de existência. Não é por acaso que a filosofia se tornou obsoleta nas nossas escolas. Não é por acaso que o estudo cívico e a leitura comentada da constituição se deixou de fazer.
A Democracia, a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, tornaram-se démodés.
PS: deixo-vos uma morna de Cesária Évora que relata o sofrimento dos trabalhadores de Cabo Verde que eram desterrados para S. Tomé e Príncipe
http://www.youtube.com/watch?v=dNVrdYGiULM 

quinta-feira, julho 11, 2013

QUEM É ESTE?

Ontem pelas 20:30 horas apareceu em todas as TVS um senhor com ar fúnebre, a dizer blá blá blá e mais blá blá blá, até acabar por dizer finalmente blá blá blá. Depois apareceram outros senhores afirmamando que o 2º blá blá, deveria ser blé blé e outros ainda que disseram que deveria ser antes bli bli.

De tudo o que foi dito só percebi que os cidadãos e as cidadãs de Portugal estão tramados. Ninguém se entende entre si e ninguém entende o grande guru.

Tive alguma esperança que a missa do Patriarca tivesse dado um sentido cristão a esta gentinha. Mas parece que não. Ou Portugal é maior que o paraíso, ou o paraíso e viver entre os bons e os justos não deve ser coisa de grande qualidade.
O que é certo é que a crise de 1383-1385 foi uma brincadeira de crianças comparada com a situação que vivemos agora. Os 40 anos dos Filipes foram uma festa da Óptimus. O Estado Novo foi uma Expo. É que apesar de tudo tivemos em todos essas momentos estadistas que suscitavam nos corações lusos um sentimento de esperança.

Hoje temos um vazio. Ninguém acredita em ninguém. O homem que ontem falou assistiu sem uma palavra ao afundar do fosso entre as diversas correntes do pensamento político português. E vem agora, como se de uma inspiração divina se tratasse, tentar curar o estado de gangrena a que chegámos. Agora em que a razoabilidade se perdeu. O homem que ontem falou perdeu definitivamente a sua capacidade de interlocutor. O irrevogável já não existe. O passos perdidos já não consegue meter a mão no saco de lacraus em que se transformou a governação nacional. Aquela coisa onde se reúnem os putos que de 4 em 4 anos são votados para delegados de turma é pior que as docas de marselha nos seus piores dias.
Ou eu muito me engano ou a Democracia tem os seus dias contados neste protectorado alemão.

terça-feira, julho 09, 2013

MAS QUE FALTA DE PACHORRA

Dizem que o PR está a ouvir os partidos políticos, os parceiros sociais e, alguns notáveis para tomar uma decisão (?) sobre se aceita a proposta de governo que lhe foi feita pelos parceiros PSD/CDS.
A primeira ilação que podemos tirar é que notáveis não são os partidos, nem os parceiros sociais.

Entretanto os ditos cujos do triunvirato que no governa já disse que aceita a proposta Passos/Portas. Com a Maria Luís (que era a horripilante danadinha) como Ministra das Finanças.
Porque é que estamos então todo este tempo à espera? Para o PR fingir que está a ouvir? Para o PR fingir que pensa? Decida-se e deixe-se de simulações. Todos sabemos que é o seu Governo. Que os escolhidos são os seus dilectos.

O PR com os seus “meninos” foi à missa de domingo mas não ouviu nada do que lá se disse. Recolhe as informações directamente de Maria, sem precisar que um qualquer patriarca lhe venha dizer o que deve ou não fazer.

O “irrevogável” e é assim que o vou passar a tratar, numa decisão quando já não era o que era, decidiu impedir a passagem de um Chefe de Estado pelo nosso país, a solicitação do Prémio Nobel da Paz, um tal senhor de Obama. Já quando o irrevogável era Ministro da Defesa ousou impedir um barco duma ONG se aproximar de Portugal. Este simulacro de gente, tudo faz para entrar na História pelas piores razões. Mas tudo lhe é permitido porque vive na república das bananas. Esta gentalha destrói tudo aquilo em que toca. E entretanto vamos esperando pelo dia de S. Nunca.

segunda-feira, julho 08, 2013

MORREU A LÉLÉ

Que o seu espírito finalmente, descanse em Paz

sexta-feira, julho 05, 2013

DIGNIDADE

Na fase final do último mandato de Mário Soares como PR, o então 1º Ministro Aníbal Cavaco Silva, a propósito das dificuldades do convívio com o presidente dizia para a sua clientela do PSD e do CDS, com ar velhaco: “Nós tudo faremos para que o Sr. Presidente termine o seu mandato com dignidade”.
Mais recentemente num dos seus últimos livros com discursos, o actual PR manifestou a sua indignação pelo facto de que o então 1º Ministro José Sócrates não o teria informado de aspectos relevantes da governação do país. Considerou mesmo essa atitude uma humilhação inconcebível.
Quando tomou posse no seu 2º mandato o actual PR fez um discurso de ajustes de contas com o 1º Ministro José Sócrates, como nunca nenhum político antes os depois em regimes democráticos um político ousou fazer.
Nas comemorações do 25 de Abril do corrente ano o actual PR ousou disponibilizar-se ao actual governo para tudo o que fosse necessário. Abdicou do estatuto de árbitro para poder alinhar em uma das equipas.

Como o tempo altera tudo… Soares e Sócrates a esta altura rir-se-iam do que está a ocorrer em Portugal se, como patriotas que são, não estivessem desfeitos com o rumo a que esta gente conduziu o nosso país. O nosso povo no alto da sua sabedoria costuma dizer: “que atrás de mim virá quem de mim bom fará”. Mas nem os mais cépticos poderiam imaginar o que nos esperava. É demasiado mau para ser verdade.
Onde a dignidade que se oferecia aos outros? Onde a nobreza de carácter? Onde a capacidade, a responsabilidade, a competência e a visão de futuro?

Somos a escória da Europa.

 

quarta-feira, julho 03, 2013

O GRANDE REGABOFE


Aquilo a que ontem assistimos foi o corolário do que acontece quando se entrega o país a rapazecos imaturos. E as coisas agravam-se quando tem mais responsabilidades para os por na ordem, se esconde atrás de interpretações muito duvidosas da Lei que se jura defender, para não fazer coisíssima nenhuma.
Assistimos ontem ao caricato de um PR dar posse a uma Ministra das Finanças, que antes de o ser, já tinha assinado a sua própria certidão de óbito.
A empossada ferida de morte pela pessoa em quem confiou, que tipo de credibilidade pode gerar à sua volta? Mesmo que sinta vontade de fazer bem feito o que lhe pedem, como pode a sua inteligência estar liberta para tomar posições racionais, ela que foi vítima da maior humilhação que alguém pode sofrer ao entrar para um Governo que já ninguém respeita?
Os parceiros desta farsa mal contada, são eles próprios carrascos e vítimas do imbróglio que deixaram encenar até à pateada final.
Claro que lamento tudo o que está a acontecer. Poi não vou eu (e todo o povo português) a sofrer o desgoverno destes incompetentes? A impreparação destes fedelhos armados em políticos? A imaturidade destes “jótinhas” que se deixaram deslumbrar pelos corredores do poder?
Também lamento que se desperdicem o talento e a capacidade técnica de algumas pessoas que com boa vontade acreditaram ser possível ajudar a melhorar a qualidade de vida dos portugueses, minorando desperdícios, valorizando os bons percursos, traçando novos caminhos. Refiro-me entre outras ao Dr. Paulo Macedo, ao voluntarioso Dr. Poiares Maduro, e ao ingénuo Dr. Álvaro Pereira. Acreditaram num bando de irresponsáveis e essa a sua única culpa que já não é pequena. Todos eles voltarão aos seus locais habituais de trabalho e vão ver-se livres desta cambada de garotos, que ainda deveriam estar de calções.

O puto “dono da bola” anunciou ontem que hoje vai para uma reunião em Berlim. Irá fazer queixinhas à sua tutora Merkel? Ou deixa o país a ferro e fogo e vai-se embora para não ter que apagar o incêndio que propagou? E não há um poder que julgue e puna este rapazinho mal-educado e irresponsável?
O PSD sai deste imbróglio completamente destroçado. O CDS sobreviverá porque o Portas é vampiresco: imortal.

E nós?

 

terça-feira, julho 02, 2013

ALGUMAS ÁRVORES NÃO MORREM DE PÉ


ALGUMAS ÁRVORES NÃO MORREM DE PÉ
Caem de podres. Desfazem-se esboroam-se. Tornam-se pó.
Só me lembro de um tempo assim: o período do PREC. A gente ligava o rádio ou a TV e de 10 min em 10 min caía um ministro, ou um governo. Já ninguém sabe de que é feita gente? Este bando de irresponsáveis.
Ao longo dos últimos meses tenho manifestado a minha dor e o meu desencanto pelo regresso que Portugal faz a uns tempos que considerava de todo afastados.
Os homenzinhos que agora se demitem do governo são a sequência lógica de mal-parido relvas.
Para os germanófilos eles deixarão saudades. Mas para esses fica a D. Maria governanta do dito cujo a desempenhar o seu papel em S. Bento.

De D. João II, do Mestre de Aviz e de outros que souberam construir um país não fica réstia.
Somos o que sobeja dos despojos de uma democracia que nunca o foi. Para mim convidava Vale e Azevedo para Ministro das Finanças. Duarte Lima para 1º Ministro. E o resto deixava ao critério dos deuses. Como povo não valemos o esforço.

Do que fica venha o diabo e escolha.

segunda-feira, julho 01, 2013

“EM NOME DO PAI”
Nuno Lobo Antunes publica este livro que é como uma pedrada no charco.
Em Dezembro de 2012 a editora Leya transporta-nos a um diálogo surreal de um homem consigo mesmo e com o Criador de todas as coisas.
O Autor deixa-nos desde logo uma

“Advertência
Este não é um Livro sobre Deus, mas sobre o Homem”
Parte da figura mítica e pouco transparente até aos nossos dias de José, carpinteiro, casado com Maria, que Deus por iniciativa sua fecundou e que foi o seu Filho, que não o de José, na Terra para poder transmitir aos Homens o que deles queria.
O autor descreve assim o pensamento de José:

“O meu nome é José, e sou artesão. Do que a terra me dá, em pedra ou madeira, eu moldo e transformo como a arte me dita. Não sou dono de nada, e nada possuo. Tal como as obras que as minhas mãos recriam, vindas do mesmo pó que me mantém de pé, não sendo o autor daquilo que sou de nada me orgulho, de pouco me acuso.
Tudo o que valho está inscrito em mim, ditado por quem fez obra imperfeita e com isso deixou que o erro falasse. Escravo a quem o Senhor deu voz, sou prisioneiro que se move nos limites da inteligência e do saber. Preso às fronteiras do meu mundo, mas livre de nele viver e pensar, sou a gesta do Homem que Deus fez à sua semelhança, escravo também Ele da sua natureza, porque nada ou ninguém escapa ao que é, ou à sua condição.
A minha arte aproxima-me de Deus meu Senhor, artífice de tudo o que existe. Diz a minha família que sou descendente do rei David, e disso muito se orgulha, mas não eu, porque sei que na minha ascendência houve mulheres adúlteras e homens que se casaram com estrangeiras e desobedeceram à Lei.
Se não me podem culpar dos erros de outrem, como poderei colher os louros da grandeza que não é minha? Pouco me interessa se descendi de reis, porque nada me distingue do homem comum a não ser a interrogação constante: Porque me fez Deus assim, e esta vida me ditou?”

Este é o conflito que vive José consigo próprio e com Deus que o embaraça para além de tudo o que é razoável para si. José julga quem deveria julgar. E a figura paternal e laboriosa do carpinteiro, sempre esquecida entre a grandeza do seu não-filho, e a beleza consagrada por todos da mulher que tomou como sua, mas que nunca lhe pertenceu, dizia, perde-se o Homem bom na dureza que lhe coube nesta História que acabou nunca por ser sua.
O livro de Nuno Lobo Antunes é de uma actualidade quase compulsiva.
É um livro doloroso de ler. Que nos interroga e nos permite ir longe na leitura crítica das nossas atitudes.