domingo, fevereiro 28, 2010

sábado, fevereiro 27, 2010

SANTA INGENUIDADE
O recruta entra para Aeronáutica, na divisão de pára-quedismo.
Recebe a primeira aula prática:
- Estamos a dois mil metros de altura e o seu equipamento foi todo verificado. O senhor saltará por aquela porta. Ao puxar a primeira cordinha, o pára-quedas vai abrir. Se isso não acontecer, o que é pouco provável, puxe a segunda cordinha. Se ainda assim o pára-quedas não se abrir, o que e improbabilíssimo, puxe a terceira cordinha e ele se abrirá. Lá em baixo, há um jipe à sua espera, para levá-lo de volta ao quartel.
0 recruta salta.
Puxa a primeira cordinha e o pára-quedas não abre. Puxa a segunda corda e nada. Puxa a terceira e nem assim o equipamento funciona.
Ele então fica preocupado:
- Ai. Jesus! Agora só falta o jipe não estar lá em baixo!

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

ESCOLAS E ESTUDANTES
Um dia destes, um acidente pavoroso roubou à vida um jovem estudante universitário que frequentava a Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar. Isso trouxe-me à memória os 50 anos que me separam da minha ida para Lisboa estudar e as diferenças substanciais que nos separam desse tempo.
Eu fiz a Escola Industrial, segui daí para a Machado de Castro onde fiz as Secções Preparatórias aos Institutos Industriais e lá segui para o Instituto Industrial de Lisboa. Recordo que quando cheguei a Lisboa ia terrivelmente mal preparado a Física e sobretudo a Matemática.
Eu, o Jorge Machado, o Parina e outros colegas que por lá conhecemos agarrávamo-nos horas e horas a fio aos livros de exercícios do Palma Fernandes até descobrirmos as soluções dos problemas por mais complicados que fossem. Encontrada a resolução, rasgava-se e deitava-se fora para não cairmos na tentação de noutra altura irmos ver como se fazia. Resolver exercícios de Matemática era sempre seguindo o caminho mais trabalhoso.
E os dois anos da Machado de Castro foram um sufoco de trabalho e mais trabalho. Explicadores eram coisa que não nos passava pela cabeça. Nós e a entreajuda entre uns e os outros, assim funcionavam os nossos métodos de estudo.
Eu já conheci crianças que tiveram explicadores desde a terceira classe. Tudo muda e nem sempre para melhor. Mas continuo a acreditar que o esforço, a força de vontade, e o querer, aliados ao querer perceber o porquê das coisas, continuam a ser o melhor dos métodos de estudo.
E quando os pais facilitam estão a conduzir as suas crias para os caminhos da frouxidão que não resolvem nada. Só adiam o inevitável.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

PORDATA (www.pordata.pt)
A Fundação Francisco Manuel dos Santos, lançou o Portal PORDATA, sobre o Portugal Contemporâneo (últimos 50 anos), da qual é presidente o sociólogo António Barreto.
Nele encontramos o País que somos e as pessoas que vamos sendo. Para quem quer saber o que somos enquanto Nação, e de que maneira vamos caminhando em direcção ao futuro, é um contributo imprescindível visitar este Portal. Para curiosos, cuscos, políticos, estudantes, professores e cidadãos interessados é um elemento a não perder no seu PC. Parabéns aos autores.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

ESTRANHA-SE E NÃO SE ENTRANHA
Que o Presidente dum Governo considere um êxito das canalizações que promoveu, SÓ terem morrido 42 pessoas, 32 estarem desaparecidas e 250 terem ficado desalojadas.
Que o Presidente dum Governo considere não se dever falar desta tragédia em voz alta, não vão os turistas ouvir e deixarem de ir entregar divisas no seu Reino.
Que ninguém pergunte quem são os responsáveis por se construírem rotundas e centros comerciais e serviços públicos em leitos de rios desviados para esse efeito.
E o “cubano” sou eu? Ou será que sou um “canalha” por estar a falar destas coisas quando tantas vitimas ou as suas famílias sofrem. Ou será que é mesmo em nome delas que deveremos falar e exigir responsabilidades?
O PPD/PSD nacional entrou em fase de auto-flagelação. Menos em Peniche. Aqui militantes cinzentos pensam ainda poder travar o tempo. Não aprenderam nada com sucessivas derrotas eleitorais autárquicas.
Na ausência de capacidade mental para se tornarem uma oposição inteligente entram pelos caminhos de Boris Vian e tornam-se eles próprios agentes activos e passivos das histórias em que deambulam.
Bem faz o PS que se limita a existir.
O PCP ou a CDU (seja lá isso o que for em Peniche) sorriem perante tanta ineficácia.
Eu sei que as Assembleias Municipais são o Teatro Grego dos municípios frágeis. Mas tanto senhor?

domingo, fevereiro 21, 2010

DIFERENÇAS ENTRE O RICO E O POBRE
Rico com uniforme: Coronel
Pobre com uniforme: Porteiro

Rico com pistola: Precavido
Pobre com pistola: Assaltante

Rico com unhas pintadas: Play Boy
Pobre com unhas pintadas: Mariquinhas

Rico com maleta: Executivo
Pobre com maleta: Traficante

Rico com motorista: Milionário
Pobre com motorista: Presidiário

Rico com sandálias: Turista
Pobre com sandálias: Vagabundo

Rico que come muito: Se alimenta bem
Pobre que come muito: Morto de fome

Rico jogando bilhar: Elegante
Pobre jogando bilhar: Viciado

Rico lendo jornal: Intelectual
Pobre lendo jornal: Desempregado à procura de trabalho

Rico se coçando: Alérgico
Pobre se coçando: Sarnento

Rico correndo: Desportista
Pobre correndo: Ladrão de carteira

Rico vestido de branco: Médico
Pobre vestido de branco: Vendedor de gelados

Rico de asas: Anjo
Pobre de asas: Morcego

Rico numa casa de meninas: Buscando prazer
Pobre numa casa de meninas: À procura da mulher

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

O REGRESSO DE FRANKENSTEIN
O putativo candidato do PSD ao lugar de 1º Ministro, Paulo Rangel, deu ontem uma extensa e elucidativa entrevista ao jornal “i”. Uma parte importante dessa entrevista é dedicada à educação. Penso que deveria ser obrigatório para os professores lerem (e em particular os do PSD) o que aquele senhor diz sobre essa matéria. Respingo algumas dessas afirmações:

- “Acho que houve um modelo de educação baseado na ideia de que o aluno é o centro da educação. Ora, eu penso que exactamente o contrário. Penso que a escola deve ser vista como um valor colectivo, é um centro de transmissão do saber, de transmissão geracional do saber. O que é fundamental na escola é exigência e rigor no ensino.”
- “Considero que é muito mais importante, por exemplo, o sistema de avaliação dos alunos e da qualidade do ensino do que o sistema de avaliação dos professores”.
- “Considero mais importante a questão da autoridade e da disciplina na escola que a carreira dos professores”.
- “Eu só vejo uma solução: a introdução de um ensino profissional mais cedo. Aos 12, 13, 14 as crianças podem estar a aprender uma profissão”.- “A terceira e quarta classe do Estado Novo eram ferramentas importantes de trabalho e de cultura, embora o fossem a um nível muito pobre. Os métodos eram horríveis e aquilo era detestável, mas muita gente sabe ler, e escrever e contar à conta disso E hoje nós temos alunos do 12º ano que não sabem interpretar um texto… Há uma coisa que é certa: as pessoas sabiam ler, escrever e contar. E hoje não é certo que os alunos que saem com o nono ano, hoje, ao menos saibam ler, escrever e contar”.
- “Sempre pensei vir a ser professor. Sempre fui atento, vivi o 25 de Abril intensamente, aos 10 anos sabia a composição dos governos de cor – enquanto os meus amigos as equipas de futebol. Estudei em colégios privados”.

Não vou comentar estas afirmações. Elas falam por si. Sinto dentro de mim um enorme vazio por em 2010 haver quem seja capaz de dizer estas coisas. Se este homem ganhar a luta pela presidência do PSD, vou sentir-me frio como se a Morte se tivesse apoderado de mim. Espero que os professores saibam no que se estão a meter.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

JARDINS DE INFÂNCIA DE PENICHE
Sem apoios autárquicos ou estatais, sem apoios pedagógicos acrescidos e sem custos acrescidos para os pais e o ambiente, lá vão os meninos e meninas sendo distribuídos pelas creches e jardins-de-infância de Peniche.
Sem rede de transportes e sem aumentos de custos para ao pais, vão funcionando com as Educadoras-Mestras da vida.
As Cabeleireiras, a Maria Mechas, as Trapolhas e a Joaninha Melo foram precursoras de um ensino individualizado e personalizado eficaz e profundamente enraizado num projecto educativo reconhecido pelos seus utilizadores.Aprendia-se a fazer renda de bilros e a escrever na “pedra” com a “pena” que se levavam numa mala de serapilheira. Tudo ecológico. Tudo amigo do ambiente. O Sr. Prior passava de vez em quando por todos estes estabelecimentos de ensino e era uma festa vê-lo, porque ensinava novas cantigas e a catequese tinha nessa altura uma componente sociabilizante que se perdeu de todo.
Tudo isto foi há 60 anos e Peniche era uma terra em que todos nos conhecíamos. Era o tempo em que o “charro” era a 2 tostões o par e em que a “chaputa” era só utilizada no guano.
Era o tempo em que o Ricardo Costa e o António Bento, o Zé Ferreira e o Tormenta fiavam e depois recebiam em troca as rendas tecidas pelas mulheres de Peniche.
As fábricas de peixe chamavam as mulheres que tudo largavam enquanto os maridos regressavam das fainas, descansavam umas horitas até o “velho-de-terra” os chamar de novo.
E os meninos na escola cantavam e aprendiam “Heróis do Mar/nação valente…”.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

FIGURAS E FIGURÕES DO CARNAVAL DE PENICHE

terça-feira, fevereiro 16, 2010

AS COREOGRAFIAS DO CARNAVAL DE PENICHE

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

AS CORES DO CARNAVAL DE PENICHE

domingo, fevereiro 14, 2010

SABER O QUE SE QUER
Um dia, numa grande floresta, um sapo mágico estava saltando numa lagoa. Essa floresta era tão grande que o sapo nunca havia visto qualquer outro animal em toda a sua vida. Mas um dia ele viu um urso perseguindo um coelho. O sapo então ordenou que os dois parassem. E disse:
- "Por vocês serem os dois únicos animais que eu já vi, concederei a ambos três desejos. Urso, você começa." O urso pensou por um minuto e, sendo macho, disse:
- "Desejo que todos os ursos dessa floresta, com excepção de mim, se tornem fémeas."
E o desejo foi atendido. O coelho, pelo seu primeiro desejo, pediu um capacete, foi atendido e imediatamente vestiu-o. O urso ficou admirado com a estupidez do coelho, desperdiçando um desejo assim. Era a vez do urso fazer um desejo:
- "Bem, eu desejo que todos os ursos da floresta vizinha se tornem fémeas também."
O desejo foi atendido e o coelho rapidamente pediu uma motocicleta. Prontamente ela apareceu - o coelho subiu nela e ligou o motor. O urso estava chocado com o coelho pedindo aquelas coisas estúpidas...pois afinal, o coelho poderia ter pedido dinheiro e facilmente comprar uma moto mais tarde... Pelo seu último desejo, o urso pensou um pouco e disse:
- "Desejo que todos os ursos do mundo, com excepção a mim, se tornem fémeas." O coelho engatou a 1a, acelerou e, enquanto saia, gritou:
- "Eu desejo que esse urso seja gay !!!"

sábado, fevereiro 13, 2010

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

6ª FEIRA NEGRA
Num tempo em que o que é imediato é que vale, sabe-me bem recordar a República e o Diário de Lisboa. O Século e o Diário Popular. Recordo o Urbano Carrasco e Cáceres Monteiro. Augusto Soromenho e Torquato da Luz.
Recordo um jornalista insigne que fui encontrar na Guiné-Bissau logo a seguir à independência deste país lusófono, refiro-me a Adelino Gomes, que agora só muito raramente encontro por aí.
Havia jornais que eram Bíblias. E jornalistas que eram tão credíveis como o Papa.
Havia jornalismo de informação e jornalismo de reportagem. Jornalismo político e de desporto. Percebia-se a diferença entre Novidades e o Diário Popular ou entre o Diário de Lisboa e o Diário da Manhã.
Hoje o repórter é um paparazzo. O pivot é advogado de acusação e juiz em causa de quem lhe paga. As grandes escolas de jornalismo estão a diluir-se e cada vez existe mais dificuldade em perceber o que se ouve ou se lê. As TVs são uma espécie de caixote de lixo da História. E os jornais tornaram-se presa dos grupos económicos. Neste contexto não saber ler parece estar a tornar-se uma vantagem.
Um Jornal torna-se arauto da desobediência civil perante o estado de direito e esgota as suas vendas. O Zé Povinho cheira a conversas ao telefone entre pessoas que não conhece, sobre assuntos de que nunca ouviu falar, mas como sabe ser calhandrice quer ler. Melhor seria se fosse uma conversa entre o Marco Paulo e a Ágata a falarem do Tóni Carreira. Mas há falta de melhor...
E ainda dizem que o Carnaval são três dias. Sugere-se um slogan para o Turismo de Portugal: “Visitem-nos! Portugal onde o Carnaval dura todo o ano”.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

5ª FEIRA SANTA
A gente faz conta de fazer umas coisas e de repente tudo se altera. Esqueço-me que sou diabético. Ontem antes de almoço comecei a sentir-me mal e fui medir a glicose. O valor era de 37. Comecei a encharcar-me de coisas doces e às tantas o meu estômago revoltou-se. Já não consegui almoçar o corpo entrou em crise e passadas umas horas parecia uma barragem a descarregar. Vomitei como nos bons velhos tempos. Só à noite comecei a recuperar. O meu blog de ontem ficou em branco e hoje só agora tenho coragem para lhe pegar.
E perguntarão vocês: - “Que raio tem a ver os males deste “gajo” com a 5ª feira santa?”
Nada. Mas o que vem a seguir já tem. E hoje não é mais que uma dica para quem gosta de ler. Como sabem às 5ªs Feiras saiem para os escaparates a Sábado e a Visão. Que estão a fazer uma campanha, vendendo com essas revistas a 1€ livros de diversos autores. Como nem toda a gente que compra as revistas quer os livros, candidato-me aos livros que não quiseram. Também o jornal “Público” a partir de hoje está a vender um livro daqueles que ajudaram a construir a história da humanidade.
Então é assim:
Sábado – “Rapariga com brinco de pérola” de Tracy Chevalier – 1€
Visão – “Parábola do Cágado Velho de Pepetela” – 1€
Público – “A origem das espécies” de Charles Darwin – 1,95€
Por menos de 4 euros e para quem gosta de ler esta 5ª Feira é mesmo uma 5ª feira santa. Aproveitem.

terça-feira, fevereiro 09, 2010

UM TEMPO
Escrevo hoje em jeito de homenagem ao Manel Machado e ao Lucílio Bruno. Pela amizade com que me honraram. Tão importante como saber ganhar dinheiro, ter capacidades para viver em família, cuidar da saúde prevenindo-a, é aprender a viver com o envelhecimento. Aqui há dias fiquei surpreendido quando me apercebi que até já pago taxa reduzida nos transportes públicos, porque entrei na terceira idade. Sinto-me feliz com isso embora nem sempre saiba viver este tempo que agora é tão meu.
Uma das minhas referências de um passado de que retenho memórias é o Café Aviz aonde comecei a ir desde pequenino pela mão do meu pai. Há hora de almoço era inevitável encontrar o Carlos Miranda, a Maria da Graça e a Mámi. O Sr. Acelino. O Joaquim Pinto. O Dr. Bonifácio. O Dr. Pires de Carvalho. O Sr. Fernando Neves a servir às mesas e o Zé Labiza ao balcão. E tantos ouros de saudosa memória.Quando já senhor de mim próprio passei a frequentar o Aviz já sem a mão protectora do meu pai, eram os fins-de-semana de manhã que mais me entusiasmavam. Ali nos juntávamos uns quantos para discutirmos política e futebol. Entrava porta adentro o Acácio Gentil fazendo-se ouvir histrionicamente com uns bons dias que a todos faziam sorrir. Lá dentro eu, o Lucílio Bruno, o Manel Machado, o Vítor Mamede e os outros que a vida foi separando, respondíamos com um sorriso e felizes porque a resposta àqueles bons dias permitiam recarregar baterias para um outro tema de discussão.
Aos fins-de-semana de manhã no Aviz, começaram nos finais da década de 80, início da década de 90 os preparativos que haveriam de levar à vitória eleitoral do PS em 1997.
Entro no Aviz e sinto a respiração dos meus mortos. De todos aqueles com quem fui construindo a minha vida ao longo dos tempos. Não tenho saudades desses tempos. Guardo-os dentro do meu coração tão vivos que nem dá para ter saudades.