sexta-feira, outubro 31, 2014

O SENHOR FERREIRA
Fui alertado para a morte do mais antigo “continuo” que conheci. Na velhinho “alemão”. Depois no edifício que actualmente é do sindicato dos pescadores e por fim na imponente nova “Escola Comercial e Industrial.
Falar do Sr. Ferreira é falar da Rolanda. E do Edgar Sardinha. E dos tempos conturbados do 25 de Abril e pós “golpe de estado” ou “revolução” ou seja lá o que for que lhe queiram chamar.
Falar do Sr. Ferreira é falar de alguém que atravessou gerações de alunos sem alguma vez se tornar odiado por quem quer que seja. Ele foi uma figura respeitada sem ser popular. Um funcionário digno sem ser bajulador.
Desaparece com ele mais um período de tempo e de memórias a que a Escola Industrial fica associada. Nunca o sr. Ferreira virou a cara a nenhum trabalho. Nem a nenhum esforço.
Com ele partem parte substantiva das minhas recordações como aluno e professor da Escola Industrial. Penso que a minha antiga escola (que tive o privilégio de inaugurar) tem uma grande divida de gratidão para com alguns dos seus mentores nos quais incluo o sr. Ferreira que foi um exemplo vivo de maturidade e de responsabilidade. Do estado português não espero nada pelos que mais de si lhe deram. Mas a minha escola tem uma responsabilidade moral, ética e de proximidade perante pessoas como o sr. Ferreira. Que espero sinceramente venha a pagar um dia.   

quarta-feira, outubro 29, 2014

O QUE PENICHE TEM
Momentos de êxtase. Felinianos. O que de melhor tem a filmografia de Fellini é observável em certas situações em Peniche. Que só têm a ver com o lugar, Com o estar. Com a sua actividade prioritária (ou que o foi).
É possível ver entre a neblina surgir o D. Sebastião quer ele venha ou não

…“Que importa o areal e a morte e a desventura
e com Deus me guardei? É o que eu sonhei que eterno dura,
É esse que regressarei.”
Mensagem/Fernando Pessoa/D. Sebastião

O mar raso deixa deslizar a “chata”. Os homens perdem-se nos abismos de quem ninguém retornará. A neblina oculta as margens em que as águas se confundem com o “rio da minha terra”.
Sou de Peniche porque amo o instante e a beleza do momento. Não para satisfazer gulas vorazes de apetites obscenos.
Sou de Peniche porque circulo entre o Bairro do Calvário e os jardins de palmeiras descarnadas da minha terra.
Sou de Peniche porque circulo entre os montes de entulho do Fosso das muralhas e os destroços da biblioteca municipal.
Sou de Peniche porque amo. Sou de Peniche porque odeio.

segunda-feira, outubro 27, 2014


AS PALMEIRAS DO NOSSO DESCONTENTAMENTO
Quem nasceu, cresceu e viveu, ou simplesmente visitou Peniche nos últimos 100 anos tem identificado a perenidade desta cidade com o porte e garbo das palmeiras dos nossos jardins públicos ao longo da muralha.
As palmeiras representam aquele “não-sei-quê” tão estranho nesta terra desflorestada, emprestando com o seu ar vetusto um exemplo de resistência à desertificação e à falta de cultura verde que por aqui campeia.
De há dois anos para cá uma praga surda e invisível começou a minar as nossas palmeiras. Bastará uma ter sido tocada, para a “merda” dos pombos que se instalaram naquela zona transportarem a maleita para todas as outras.
Visivelmente para os incautos terá sido no último ano que as consequências nefastas deste HIV das palmeiras foi possível ser observado.
No entanto julgo que o mais importante é responder a algumas questões e saber porque em tempo oportuno não foram aplicados os meios (se é que existem) necessários e suficientes para permitir controlar este vírus.

1.   Quanto gasta anualmente a CMP com o pessoal desde as chefias aos trabalhadores de campo, utilizados nos parques e jardins públicos?

2.   Quando foi detectada a praga nas palmeiras?

3.   Nesse momento (a data) o que foi feito junto dos organismos existentes no país para conter danos e impedir a sua proliferação?

4.   Sentem-se os responsáveis desde as chefias ao Presidente e autarcas em paz com a sua consciência porque em tempo oportuno e com os meios necessários acautelaram os superiores interesses do município nesta matéria?

5.   Por que razão não foram os meios de comunicação da CMP utilizados para darem a conhecer aos munícipes o que se estava a passar e as consequências do facto?

E mais não pergunto por agora.       

sábado, outubro 25, 2014

TOMEM LÁ MAIS 2...
Lógica de engenheiro
 Em um julgamento de divórcio, o casal briga pela guarda do único filho.
 A mãe, muito emocionada, tenta se defender:
 
- Meritíssimo Juiz... Esta criança foi gerada dentro de mim... Carreguei ela durante nove meses... Ela saiu do meu ventre... Eu mereço ficar com ela!
 
O juiz, emocionado e quase convencido, passa a palavra para o marido - engenheiro, que resolve usar o seu lado lógico:
- Senhor Juiz, tenho apenas uma pergunta a fazer: Quando eu coloco uma moeda numa máquina de refrigerantes, a latinha que sai é minha ou da máquina?

DESENRASCANÇO

Um site norte-americano fez uma lista das 10 palavras estrangeiras que mais falta fazem à língua inglesa. A palavra portuguesa "desenrascanço" é a que lidera.
"Bakku-shan" é a palavra usada pelos japoneses quando se querem referir a uma rapariga bonita, vista de costas.
"Nunchi" é outra das palavras escolhidas. É coreana e é usada para falar de alguém que fala sempre do assunto errado, um género de desbocado ou inconveniente.
"Tingo" é uma expressão usada na Ilha da Páscoa, Chile, e significa pedir emprestado a um amigo até o deixar sem nada.
A lista das "10 palavras estrangeiras mais fixes que a língua inglesa devia ter" é liderada pela palavra portuguesa "desenrascanço". Esta é a expressão que, segundo os autores do site norte-americano, mais falta faz ao vocabulário inglês.
O "desenrascanco", segundo os norte-americanos
Depois de percorrer duas páginas com explicações das nove palavras estrangeiras mais fixes, chega-se ao número 1.
A falta da cedilha não importa para se perceber que estamos a falar do "desenrascanço", tão típico da nossa cultura.
"Desenrascanco: a arte de encontrar a solução para um problema no último minuto, sem planeamento e sem meios", explica o site dando como exemplo a célebre personagem de uma série de televisão MacGyver.
"O que é interessante sobre o desenrascanco - a palavra portuguesa para estas soluções de último minuto - é o que ela revela sobre essa cultura". "Enquanto a maioria de nós [norte-americanos] crescemos sob o lema dos escuteiros 'sempre preparados', os portugueses fazem exactamente o contrário", prosseguem os autores.
"Conseguir uma improvisação de última hora que, não se sabe bem como, mas funciona, é o que eles [portugueses] consideram como uma das aptidões mais valiosas: até a ensinam na universidade e nas forças armadas. Eles acreditam que esta capacidade tem sido a chave da sua sobrevivência durante séculos".
"E não se ria: a uma dada altura eles conseguiram construir um império que se estendeu do Brasil às Filipinas" à custa do desenrascanço, sublinham os autores, terminando o texto:
"Que se lixe a preparação. Eles têm desenrascanco", termina o artigo.
 
 
 

sexta-feira, outubro 24, 2014

E QUANDO TEMOS PROBLEMAS COM O SINAL DA NET?
Ficamos um pouco às escuras. Perdem-se contactos e correspondência. Felizmente que a companhia que contratualizei (a Cabovisão) envidou todos os esforços para rapidamente eu poder regressar ao mundo dos vivos. Não que não seja a obrigação deles, servir com eficiência quem os contrata. Mas o que não faltam aí são entidades que se servem de nós e depois nos cospem em cima.

Não! Não estou a falar do ministro da educação, nem da ministra da justiça. Não estou a falar do sr. de “lapin”, nem do idiota que lida com os negócios estrangeiros que arranjou maneira de decapitar umas quantas portuguesas. Nem sequer estou a falar do bpn ou do bpp ou do bes ou do ******* que os leve a todos.

Ao contrário Peniche que subiu na crista da onda de lá não quer descer. E para se tornar igual a isto tudo faz exercícios para militares sem avisar ninguém. E é ver uma manhã inteira a corrida aos garrafões de água porque os smas cortam a distribuição durante uma parte do dia e se esquecem de avisar os consumidores/pagantes. E não me digam que não tiveram possibilidade de avisar os pagantes. Para informar das festas do tó zé das surfadas, existe um carro com instalação sonora para levar multidões aos eventos. Tratava-se de percorrer umas quantas ruas (poucas) avisando do corte da água e da previsão da sua retoma. Afinal somos nós quem lhes paga os ordenados, não é?
Esperemos que melhores dias virão.

     

quarta-feira, outubro 22, 2014

A CAPITAL DA ONDA
O tempo não está para brasileirices. Um abandonou a prova sem dizer nada a ninguém e sumiu-se para a Papoa onde foi apanhar umas grandalhonas com o filho da Nazaré. O outro perdeu a chave, o juízo e partiu a prancha.
Isto de ver a CDU/PCP na crista da onda, tem que se lhe diga. Se o meu pai fosse vivo diria, “atenção Zé, com papas e bolos…”.
Vimos os famosos que vieram a Peniche. Todos potenciais votantes do putativo candidato Jorge Amador nas próximas eleições autárquicas. Nos famosos está incluído quem mais trabalhou nestes últimos 20 anos para o ser. Claro que se isto fosse um país a sério teria o seu Gulag. Mas como tudo isto é de opereta…

Apesar dos desaires para uns quantos, a semana foi altamente compensadora para Peniche. As ondas de gente que se esbateram em Peniche, os milhões que estiveram presas ao evoluir das surfadas nos supertubos e as centenas que se deslocaram aos Círios, tornaram os extremos da península pontos de visita obrigatória.
A Freguesia da Cidade encheu o domingo com a sua primeira grande corrida, emprestando assim o colorido das provas dos “pobrezinhos” à Festa que fomos.
É bonito ver Peniche a mexer.  

segunda-feira, outubro 20, 2014

O MEU IRMÃO
O Necas. Mais velho que eu 3 anos. Enquanto a minha avó foi viva não viveu em casa dos meus pais, mas em casa dos meus avós. Desinteligências profundas entre a minha mãe e a minha avó, inviabilizaram a constituição da minha família por inteiro. O meu irmão foi assim uma espécie de irmão emprestado. Ou a prestações.
Uma vizinha minha que acompanhou toda esta aventura, chamou-me há dias para me oferecer 3 fotos do meu irmão que presumo lhe terão sido oferecidas pela minha avó. O que é curioso é que eu não conhecia as fotos. Não fizeram parte do espólio de casa dos meus pais. Era um tempo em que tudo era diferente. São fotos que têm todas mais de 70 anos. Quem conheceu o meu irmão, vê-lo agora assim só pode rir-se com bonomia.

sábado, outubro 18, 2014

2 PELO PREÇO DE 1
Na Vidigueira, uma mulher entregou ao neto um frasco com urina para  ele ir entregar no consultório para análise.
No caminho, o miúdo deixou cair o frasco que se partiu e foi pedir
ajuda a um amigo que lhe disse:
- Anda ali comigo que eu tenho uma porca que está grávida, e nestas alturas as porcas fazem muito xixi, enchemos um frasco e levas que eles nem dão por isso.
Alguns dias depois a mulher foi à consulta para saber o resultado das análises, diz o médico:
-Tenho más noticias para lhe dar.
-Senhor Doutor, não me diga que vou morrer?
-Não vai morrer mas a senhora está grávida!!!
-Mas senhor doutor, eu sou viúva há 10 anos, nunca mais tive
ninguém, como é que isso é possível?
-Mas a gravidez não é o mais grave, o mais grave é que a senhora vai ter 7 porquinhos.
Diz ela:
- Caramba!!! já nem se pode brincar com um chouriço.

 

- Bom dia, padre
- Bom dia, minha filha. Em que  posso ajudá-la?
- Sabe, padre, soube que uma amiga minha veio aqui e   ficou grávida só com uma ave-maria..
-Não, minha filha, foi com um padre nosso,  mas já o  transferimos.

 

sexta-feira, outubro 17, 2014

PRAÇA JACOB RODRIGUES PEREIRA: - O SEU FIM
Com o desaparecimento físico da D. Maria Aline aos 93 anos de idade, é toda uma época que com ela desaparece. Longe vão os tempos em que a Praça Jacob era o centro da cidade de Peniche. Aqui residiam os meus bisavós, o José Ferreira da Costa e a Efigénia Lopes Costa. A família de José Oliveira. A família Proença. A D. Labiza e seus filhos. O Montez. A família do José Ramos. Era um Largo (ou Praça) de famílias. Depois tinha os estabelecimentos aqui sediados. A Pensão Peninsular. A Farmácia Proença. A loja do Teixeira. O café Oceano e o café Central. A Pensão do Montez. A pensão Primavera. A paragem das camionetas dos Capristanos. Mais tarde aqui se localizou a Ourivesaria Miranda. E no início do século XX a praça que depois passaria para o largo dos pocinhos (hoje Bispo de Mariana).
Na Praça Jacob Rodrigues Pereira tudo o que fosse relevante ali tinha início e fim. Em frente o Jardim. O Clube Recreativo frequentado pela alta sociedade local e pelos senhores que de Lisboa aqui se deslocavam para férias ocupando no verão as casas de família.
A D. Maria Aline Veríssimo Ramos era uma figura da Praça Jacob. Por todos respeitada. Ela com a D. Ilda Proença pertencia aquela estirpe de Senhoras que se impunham pelo seu porte e atitudes.
Hoje a Praça Jacob é um monte de destroços. Estabelecimentos fechados. Casas em degradação. Um depósito de automóveis. E de esplanadas que a preço “da uva mijona” ocupam os espaços dos peões. Os residentes desapareceram e com eles a alma daquele local. As pensões deram lugar às “chambreiras”. A desertificação do centro da cidade é um dano irreparável que em Peniche (como já é hábito) só se irá compreender tarde demais.    

quinta-feira, outubro 16, 2014

DIAS DE PENICHE
O surf. Os círios. Estas festas de mim em liberdade e sonho. Peniche entre o tradicional e o radical.
foto de H. Blayer
Tudo o que tem a ver com a cultura transmitida de geração em geração e com um novo espaço cultural que se encontra onde o homem se desafia a si mesmo.
Somos transmissores de conhecimentos e de saberes e capazes de novos caminhos para mais arrojados e libertadores desafios.
site da CMP
Entre a alegria destas vivências maiores e a tristeza de um povo submetido e servil se desenrola todo este capaz de ser grande sendo diferente.
cartaz dos Círios de 2014
Na minha terra, passado e futuro cruzam-se em desafios de esperança e confiança. Ser melhor sendo eu. Sendo eu na fé. O agnosticismo e o conforto daquilo que me torna capaz de acreditar no homem como capaz de se superar.
site da CMP
Que fim-de-semana alucinante este em Peniche.

segunda-feira, outubro 13, 2014


OS

DO PADRE INÁCIO
Durante muitos anos (oh santa ingenuidade) julguei que esta expressão teria que ver com o padre Inácio da minha terra que aqui se manteve até à chegada do seu sucessor (o padre Bastos).
Posteriormente percebi que se tratava de uma expressão global neste Portugal saloio e de sacristia.
Rosa Ramalho e a sua neta deram expressão a esta frase com bonecos de barro artesanais, hoje disputados a peso de oiro.
Posteriormente o Zé Cabra construiu uma cantiga que só não publico pela extensão dos versos e pelo péssimo som que os suporta, mas possível de ver e ouvir no “YouTube”.
Ultimamente até é filme realizado com os habitantes da aldeia de Palheira (Coimbra), que foi divulgado num programa da manhã da RTP.

Ora perfazem agora 70 anos que o padre Inácio detentor ainda de todos os seus apetrechos, me batizou na Igreja de S. Sebastião (ao tempo em que este ainda não tinha sido espoliado do seu condomínio pela senhora da Conceição).
A figura do dito cujo padre Inácio tem sido sempre um mistério para mim. E quando pergunto por ele a pessoas mais idosas, as referências que ouço nem sempre são as mais louváveis. Que ele terá proibido isto e aquilo, que terá sido responsável pela destruição do largo do Santuário dos Remédios, que terá deitado estatuaria mais danificada de santos ao mar, e por aí fora. Fala-se ainda da Caridade não me refiro à da trilogia mas sim a uma de saias.
Seja como for consegui 2 fotos do padre responsável por eu contar para a contabilidade dos católicos deste país.
Uma das fotos está o padre sentado com crianças e suas catequistas no final duma missa. 2 Pormenores são visíveis que numa delas que me fazem pensar muito. Um é o gradeamento que existia na Igreja de S. Pedro à semelhança daquele que ainda hoje existe na Igreja da Misericórdia e que nestes 70 anos foi destruído por um vândalo que não respeitou as características arquitectónicas do Templo. A outra referência é a do menino ajoelhado à sua esquerda com a farda da Mocidade Portuguesa e em que se vê bem visível o cinto com o “S” de servir.
A outra foto no mesmo local é referente a uma festa de 1ª comunhão com as crianças e suas catequistas e familiares. Nesta é visível a imponência do padre Inácio com o seu barrete com pom-pom conferidor de autoridade eclesial.
Retenho pois o padre Inácio meu ilustre “baptizador” como um cura autoritário e convicto das suas razões. Já o conheço um pouco melhor.   

sábado, outubro 11, 2014

CURTO E SIMPLES

*Não há a côr do horto gráfico que resista...*
Redassão:

*O mano*

Cu ando meu mano nas ser,
vai chamarce Herrar, porque o pai dis que Herrar é o mano.

quinta-feira, outubro 09, 2014

OS PROSCRITOS
Ontem levei mais uma grande bofetada na cara. Recebi em casa a notícia de que o meu companheiro de tantos anos, Batista-Bastos, teria sido posto a andar do DN.
Nos últimos anos tenho perdido vários amigos que deixaram de ser comerciais e se tiveram que render ao poder económico. Relembro rapidamente o Pedro Rolo Duarte, o José Manuel dos Santos e estão a falhar-me alguns que a minha memória traiçoeira mos deixa escapar.
Não bastava a lei da vida que nos leva alguns dos que nos merecem parar na rua para os ler, ainda vão agora os vivos engrossarem a lista dos que já não nos acompanharão nos nossos jornais.

Restam alguns que me merecem uma apaixonada leitura. O Pacheco Pereira, o Ricardo Araújo Pereira, o Miguel Esteves Cardoso. Estes só vão restando porque ainda estão “na moda”. Mais dia, menos dia, levam com uns patins e também são postos a andar que é para não chatearem as pessoas e não as porem a pensar.
Todos eles, os que me vão desaparecendo e os que restam são amigos com quem gosto de discutir, com quem gosto de discordar, com quem me apetece conversar.

Isto a modos que se está a tornar uma monotonia. É a uniformidade e o facebook que contam. Eu que não aceito uma e que recuso liminarmente o outro, estou condenado a falar para as paredes.    

terça-feira, outubro 07, 2014

UM GRITO DE REVOLTA
Contra o que ouço e vejo. Contra o estado a que as coisas chegaram. Contra um presidente da república que já só se representa a si próprio e ao governo do seu partido. Contra os arautos da desgraça que nos anunciam novas hecatombes se não nos curvarmos perante Bruxelas. Contra um governo que nos desgoverna na justiça, na educação, na saúde, na solidariedade social, na economia e no desenvolvimento, só para podermos ser os moços de recados da prepotência alheia.

Se um professor cometesse a 10ª parte dos erros que este ministro e seus lacaios cometeram nunca mais poderia voltar a ensinar. Mas eles podem continuar a destruir as competências já adquiridas anteriormente no ministério da educação. Se um advogado ousasse por em causa uma medida do ministério da justiça, a sua representante máxima entrava em paranoia, dava-lhe um ataque de histerismo e tentava culpar todos os advogados do mundo de lhe boicotarem o trabalho. Ela por pura incompetência e incapacidade compromete a vida de milhares de pessoas e isso não a compromete em nada. Mais os estaleiros de viana e o BES e a PT e…

E tudo mais que sabemos e principalmente o que não sabemos.
Estou farto desta gentalha.

domingo, outubro 05, 2014

1 SÉCULO
100 ANOS
5 DE OUTUBRO DE 1914/5 DE OUTUBRO DE 2014
É tempo de regressar ao meu pai. E a todos que com ele construíram uma ideia de valores e de capacidades individuais. Tempo em que o homem, acreditava na sua criatividade, na sua capacidade de crescer como pessoa, sem limites que não os que para si próprio determinavam em função da sua dignidade.
O país do meu pai começava em Peniche e na sua comunidade e prolongava-se em direcção a tudo o que representava a grandeza e a honra de ser Português.
Portugal começava aqui e estendia-se até Timor, sem que nesse tamanho todo coubesse mais causas que não fossem as das lusas capacidades.
Tudo o que digo é discutível. Cheira a bafio. Mas o meu pai acreditava. O Império era seu. Não existiam mapas cor-de-rosa nem de nenhuma outra cor que limitassem o seu sentir ser português.
Hoje somos Europeus. Somos a praia da Europa. O nosso orçamento é uma taxa para aquilo que os agiotas nos exigem por passarmos de Império a mendigos envergonhados.

100 anos depois do meu pai nascer o que lhe deu a Força que me transmitiu, deixou de existir. Para mim o meu pai nasceu cresceu e viveu um conto de fadas. Ele hoje faz-me falta por razões pouco importantes. Eu gostava que ele visse que a casa que era da sua mãe está conservada e linda. Que a casa dos caixões se mantém em poder da família. Que a neta é aluna do Técnico de mérito com capacidades de excelência.
Amanhã vou almoçar arroz de pato como sempre fizemos enquanto eras vivo. Vou soprar as velas dos 100 anos do teu nascimento e agradecer-te por isso. Comemorar-te por isso. Pelo muito que me deste. Pelo muito que me quiseste dar e que eu em tantas alturas não entendi. Vou comemorar os 100 anos do teu nascimento. Meu pai, meu amigo, meu mestre.
Pai: Amo-te tanto e preciso tanto de ti. Continua a olhar por mim e a proteger a tua neta.

PS: O abraço de sempre para a Mámi e para a D. Maria da Graça. Um beijinho de saudades de todos nós.