sábado, julho 31, 2010

Um texto sem a letra "A"
Isto é possível? É possível, sim...

Sem nenhum tropeço posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo isso permitindo mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível. Pode dizer-se tudo, com sentido completo, como se isso fosse mero ovo de Colombo, desde que se tente. Sem se inibir, pode muito bem o leitor empreender este belo exercício dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento. Trechos difíceis resolvem-se com sinónimos. Observe-se bem: é certo que, em se querendo, esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo. Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo desporto do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo sem o "P", "R" ou "F", o que quiser escolher. Podemos, em corrente estilo, repetir um som sempre ou mesmo escrever sem verbos. Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir.
Porém, mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos. Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem hoje o nosso português, culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês. Porquê? Cultivemos o nosso polifónico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores. Honremos o que é nosso, oh moços estudiosos, escritores e professores! Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, púgil, de heróis e de nobres descobridores de mundos novos!
Autor: Um aluno do Externato Dom Egas Moniz, Estarreja 1963

sexta-feira, julho 30, 2010

FREEPORT: JUIZES/PROCURADOES E A SUA DESACREDITAÇÃO COMPLETA
Afinal parece que o caso Freeport continua para além de tudo aquilo que seria desejável. Os responsáveis do processo, ao terminá-lo, decidiram por razões que só eles entendem lançar veneno no seu despacho final. Em vez de se limitarem a terminar o processo de inquérito com a dignidade ainda possível ao fim de 6 anos de avanços e recuos, escreveram parvoíces que os desclassificam completamente tentando lançar a mais torpe das calúnias: aquela que vem coberta com o manto diáfano da fantasia e com o aval da sua discricionariedade enquanto aplicadores do Direito e da Justiça.
Vêm os senhores procuradores afirmar que não tiveram tempo para ouvir quem queriam. ISTO NUM PROCESSO DE INQUÉRITO QUE DUROU 6 ANOS. E sabendo nós que não solicitaram o pedido de prolongamento do encerramento do inquérito para ouvirem quem queriam. Isto dizem eles que foi um impedimento. E eu digo que foi incompetência.
Mas mais. Deixaram no processo as perguntas que queriam fazer e a quem queriam fazer. Deixando assim a torpe insinuação de que se as respostas têm sido dadas outro galo cantaria. Isto revela maldade e engajamento a um acto de tentativa de destruição pública de alguém a quem não tiveram capacidade ou inteligência para fazer cair com lisura e honestidade.
Vem depois o Sindicato dos Juízes dizer que está ao lado destes incompetentes. Quando os Juízes que fui educado a pensar que seriam figuras nobres e referências éticas se comportam desta maneira e se igualizam a quaisquer outros trabalhadores, até na constituição de Sindicatos que lhes permitem pôr a mão na anca e gritar como se estivessem a vender peixe, sujeitam-se a que os possamos desclassificar definitivamente.
Quero acreditar que a Magistratura Portuguesa não se revê nem nestes métodos, nem nesta forma de exercer a sua actividade. Quero acreditar que os cidadãos portugueses podem esperar atitudes de dignidade e de isenção na postura da generalidade dos Senhores Juízes. Sejam quais forem as suas decisões. E que acontecimentos como estes só se darão em processos mediáticos que fazem toldar o espírito e embotar o raciocínio de algumas pessoas menos preparadas para exercerem os cargos que ocupam.

quinta-feira, julho 29, 2010

40 ANOS DEPOIS (este texto é um exercício de estilo e como tal deve ser lido)
Em 27 de Julho de 1970 eu tinha 26 anos e estava a terminar o meu primeiro ano lectivo como professor na Escola Industrial e Comercial de Peniche. A 10 de Agosto terminariam os exames de aptidão profissional e a partir dessa data eu estava de novo sem emprego e sem vencimento à mercê da boa vontade de algum director que me quisesse contratar.
Nessa altura eu estava a atravessar um período difícil da minha vida pessoal. Em Peniche estávamos ocupados com a instalação da Húmus e com o reinício de uma nova etapa político-social.
Nesse dia 27 de Julho fomos confrontados com uma nova realidade que se abria para os portugueses, ao sermos informados que o Salazar tinha morrido.O que julgamos impossível de concretizar tinha finalmente ocorrido. O velho das botas tinha “batido” as ditas cujas. É verdade que o velho “sacrista” há muito que estava mais para lá do que para cá. Segundo se contava entre o pessoal bem colocado no conhecimento das coisas públicas, o velho há muito tempo que nem sabia que estava vivo. Tinham montado um “teatro” à sua volta em que ele reunia com antigos ministros do regime do Estado Novo, para não se aperceber que já tinha sido substituído pelo Caetano. As “beatas” continuavam a rezar pelas suas melhores, embora o velhaco do ti Tóino há muito que se estava se estava borrifando para a Religião, para os padrecas e para as freiras.
Naquele dia 27 de Julho de 1970 julgávamos nós, pobres ingénuos, que o milagre do despertar dos mágicos se realizaria e que uma lufada de ar fresco entraria pelo país adentro enquanto o espírito do velho asceta iria mandar prender o demo, nomear os diabinhos para a sua polícia política pessoal, enquanto o Diabo se veria obrigado a pedir asilo no purgatório.
Ainda tivemos que esperar mais quatro anos para se poder cantar loas à Liberdade. Enquanto isso o ex-residente de S. Bento aguardou 40 anos para se começar a rir e a contar anedotas ao Silva Pais e ao Henrique Tenreiro sobre as ilusões deste povo cusco e desordeiro. Enquanto isso também a mim por vezes me apetece o seu regresso, para ao menos ver o Paulinho das Feiras e outros que tais com residência permanente na Fortaleza de Peniche.

quarta-feira, julho 28, 2010

DIFICIL DE COMPREENDER
Numa entrevista dada ao Jornal diário “i”, Eduardo Barroso, médico reconhecido mundialmente pelos êxitos conseguidos em transplantes hepáticos, afirma a propósito dos incentivos que recebe no desenvolvimento da sua actividade: “…Tenho o reconhecimento dos doentes, o que é que eu quero mais?! A vítima não era eu, era o ministro Correia de Campos, que foi o melhor ministro da Saúde que Portugal já teve em Democracia”.
Antes disto e por diversas vezes, outros têm afirmado mesmo, que o grande problema de Correia de Campos foi ter razão antes de tempo, e estar a mexer com muitos interesses mesquinhos instalados.
Também em relação ao Ex-Ministro da Economia Manuel Pinho (o ministro dos corninhos), trabalhadores do Norte a Sul do País e empresas que foram salvas pela sua capacidade empreendedora, lhe têm manifestado o apreço pelo elevado nível com que exerceu as suas funções.
Isto é, se temos bons ministros que realizam a sua actividade de forma a tornar Portugal um País moderno e solidário, há que abatê-lo, com campanhas a que não são alheios os poderes económicos que detêm os média e a carneirada, sempre pronta ao bota-abaixo, não pensa, não exerce capacidade critica e alinha no velho chavão, “prá Rua”.
Depois lamentamos o que perdemos e o que vem faz-nos sempre ter saudade do que já não volta.
Está na altura de reler as Farpas e Eça de Queiroz. E esperar que o bom senso possa de novo instalar-se. O destino dos portugueses é serem medíocres.
PS: - Ontem foi ao fim de 6 anos conhecida finalmente a decisão dos tribunais face à análise dos factos referente ao caso Freeport. Como se recordam os média fizeram desse caso um autêntico enterro político e pessoal do 1º Ministro José Sócrates. Pois bem, em tudo o que a Judiciária apurou não se encontraram quaisquer razões que levassem mesmo ao de leve a considerar qualquer culpa no 1º Ministro. Aguardei com alguma expectativa os Jornais de hoje. Excepto um que só há pouco tempo é publicado, nenhum Jornal dá destaque a este inocentar do 1º Ministro. É notícia levantar suspeições e falsas acusações contra um político. Mas se ele estiver inocente isso já não é notícia, nem sequer ao menos um pedido de desculpas. Recordo que foi este caso que fez despoletar uma campanha mórbida contra o 1º Ministro por parte do Jornal de 6ª da TVI. Ao que parece o homem ficar irado contra alguém que o acusava sem fundamento não é correcto. Mas acusar de forma indecente alguém já está certo. Pergunto a mim próprio como reagiria cada um de nós se fosse contra nós próprios que tal campanha de descrédito tivesse sido urdida. Somos medíocres, maus e miseráveis.

segunda-feira, julho 26, 2010

O DIA DA RENDILHEIRA DE 2010Pese embora o esforço e todo o êxito que possam ter Exposições, Colóquios e Concursos de Rendas Bilros, o verdadeiro barómetro da Festa das Rendas de Bilros está, no espectáculo de Alegria, saber e vontade, que no sábado e domingo se conseguem no Jardim Público.
Sou insuspeito na minha análise porque também eu fui responsável pela organização deste evento. Por isso posso afirmar sem correr o risco de parecer parte interessada que nunca esta Festa atingiu o alto nível que este ano conseguiu. E uma tão eloquente participação de pessoas interessadas e visitantes vindos de todos os quadrantes do País.
Vi anonimamente este evento. E nunca como este ano assisti a tal adesão por parte de todos. Milhares de pessoas passaram pelo local do evento sábado e domingo, de manhã e de tarde.
Tal êxito deve-se em exclusivo à Câmara Municipal de Peniche que conseguiu congregar à sua volta pessoas desinteressadas e apostadas em fazer brilhar este Património em extinção e, não querer para si méritos de qualquer espécie. Em particular como merecedor deste êxito está o Vereador Jorge Amador que tendo a seu cargo este Pelouro, tem vindo a engrandecer de forma sempre em crescendo o apoio a esta Arte em decadência por razões que merecia a pena aprofundar, se alguém algum dia estiver interessado nesse assunto.
Sinto-me orgulhoso por a minha terra ter levado já a tal nível este certame. Fica a faltar o resto. Assim haja agora querer e vontade.

domingo, julho 25, 2010

CONSEGUES IMAGINAR-TE A TRABALHAR COM ESTA ORGANIZAÇÃO ?
Tem pouco mais de 500 empregados com as seguintes estatísticas:
29 foram acusados de maus tratos às suas esposas, 7 foram presos por fraude, 19 foram acusados de assinar cheques sem fundo, 117 arruinaram, pelo menos, dois negócios, 3 foram presos por violência, 71 não podem possuir cartão de crédito devido à sua má utilização, 14 foram presos com acusações relacionadas com a droga, 8 foram presos por furto, 21 estão actualmente acusados em diferentes processos, só en 1998, 84 foram detidos por conduzir alcoolizados.

Consegues adivinhar de que organização falamos? ............ Desistes?

São os 535 membros do Congresso dos Estados Unidos.
E o mais curioso de tudo, é que isto é rigorosamente verdade!

sábado, julho 24, 2010

quinta-feira, julho 22, 2010

UM RAIO DE SOL
Como é habitual eu estava a dar o passeio da tarde com o meu cão. Em boa verdade é difícil perceber por vezes quem passeia quem. Mas os meus gestos e passadas são já automáticos naquele deambular de meia-tarde a não ser que algum facto insólito perturbe a boa harmonia que se estabelece entre mim e o Ben.
Foi o que aconteceu naquele dia. Vi sair dum café um senhor de idade muito avançada apoiado em duas bengalas. A perna direita estava toda coberta por uma ligadura. Sobre o olho direito um penso sugeria que ele teria caído e se teria ferido. O que me chamou mais a atenção foi o facto de eu o conhecer e de não esperar vê-lo num estado de saúde tão fragilizada. Nos primórdios do GDP chegou a alinhar com as suas cores. Hoje não é mais que um farrapo.
Pensei em ajudá-lo a descer o passeio para atravessar na rua. Mas ao mesmo tempo o cão puxava-me e tive dúvidas se o meu acompanhante o faria de bom agrado ou se iria resmungar e mesmo abrir o dente a tão incómodo serviço.
Estava eu neste entre-ir-e-não-ir quando vi aproximar-se um rapaz ucraniano que há uns anos está a trabalhar em Peniche. O velhote em questão é seu senhorio. Ele deve ter visto as dificuldades que ele enfrentava e deslocou-se da casa onde habita a uns cerca de 200m e veio ajudá-lo a caminhar até casa.
Senti-me extremamente comovido. Quando uma certa xenofobia se vai instalando entre nós, aquele rapaz com um gesto de bondade extrema ajudou-me a reconstruir a minha fé na humanidade. Foi mais uma lição de ajuda fraterna que recebi como uma bofetada. Faz bem percebermos que existem em todos os quadrantes pessoas que levam a fraternidade até ao sublime.
Nestes últimos dias tem sido mais fácil para mim deitar para o caixote do lixo os inúmeros mails que recebo que pretensamente são de humor, mas mais não fazem que difundir uma ideia de segregação que já deveria estar abolida há muitos anos.

terça-feira, julho 20, 2010

ESTAR PRESENTE
“Fizeram-se amizades, estragaram-se afectos e a conclusão é óbvia e serve ao futuro – a vida não é relativizável, mas quem não relativiza arrisca-se a ganhar o vazio. Aguardemos pela próxima encruzilhada. Sabemos que nos trará mais horror e felicidade. Afinal, que outra definição existe para o ofício de viver?” Luís Osório in “Ficheiros”
Isto foi escrito a propósito do encerramento do Rádio Clube Português. Ao longo da minha vida tenho assistido ao nascimento e morte de muitos órgãos de comunicação social. Demais nalguns casos, para meu gosto. Como faço colecção de nºs 1s tenho acompanhado bem este nascer, viver e morrer. Alguns não passaram do número um. De alguns tenho uma profunda saudade. De outros nem por isso.
O nascimento e morte de meios de comunicação social acompanham as mutações da sociedade portuguesa. O florescimento de períodos mais criativos a que se seguem espaços de tempo de puro obscurantismo, acompanham o desenvolvimento da Imprensa escrita e falada.
Seria interessante para alguém da área da Sociologia desenvolver este tema como tese de Doutoramento. Mas ao que parece neste momento de crise é mais interessante para os veterinários desenvolverem uma tesa de Doutoramento no domínio da linguística, ou aos de Agronomia na área do Turismo.
Julgo que as sociedades em fins de ciclo atravessam todas os maus bocados que a nossa parece trilhar. Mas custa-me assistir à morte do RCP, ou do “Diário de Lisboa” ou do “Peniche-Directo”. Dirão que é petulância comparar estes 3 exemplos. Eu digo é que tudo é relativizável e nenhum me custou mais do que outro. Do que não tenho saudades é do desaparecimento do “Jornal de Sexta” e da Manuela Moura Guedes.

segunda-feira, julho 19, 2010

AJP - FEIRA DO LIVRO OU CALDEIRADA?À medida que vou vendo livros que me interessam recorto essas indicações e se não existem em Peniche (o que é habitual) ou mando vir via NET. Desta vez, como a Feira do Livro da AJP iria abrir em breve guardei os recortes para lá os poder procurar.
Ontem fui durante a tarde visitar a Feira e qual não foi a minha surpresa quando não encontrei qualquer separação por editoras. Também não percebi qualquer ordem por grupo Editorial (já seria pedir demais ver quais as editoras nos Grupos). Procurei outra ordem coerente e não a vislumbrei. A única relevância de que me apercebi foi o amontoado de livros infanto-juvenis em pontos vários da sala. Pedi o apoio de uma das jovens presentes na sala que apesar de toda a sua boa vontade não o conseguiu. Isto apesar de eu lhe ter sugerido que procurasse o título pretendido por mim, na factura da Editora em causa. Impossível procurar os livros em cima das mesas sem qualquer identificação auxiliar, no que mais parece uma grande caldeirada de títulos.
A AJP, tem um longo historial de organização de Feiras do Livro. Ao fim de tantas edições parece estar a perder qualidades a sua capacidade de levar a cabo este empreendimento.
A nota mais importante numa Feira do Livro é a Chamada de atenção para as editores presentes na Feira, única forma que a entidade organizadora tem de compensar com publicidade gratuita aqueles que se dispõem a colaborar com preços mais razoáveis a venda e promoção de livros. Se este item não se cumprir, como podemos nós esperar que de futuro queiram colaborar connosco.
A AJP tem de repensar se tem condições para promover uma Feira do Livro. É que o livro já é tão maltratado por tantos, que se dispensam ajudas exteriores.

domingo, julho 18, 2010

sábado, julho 17, 2010

PROVÉRBIOS DE ONTEM... NOS DIAS DE HOJE
-Quem ri por último... ...é de compreensão lenta.
-Os últimos são sempre... ...desclassificados.
-Quem o feio ama... ...tem que ir ao oculista.
-Deitar cedo e cedo erguer... ...dá muito sono!
-Filho de peixe ... ...é tão feio como o pai.
-Quem não arrisca... ...não se lixa.
-O pior cego. ...é o que não quer cão nem bengala.
-Quem dá aos pobres... ...fica mais teso.
-Há males que vêm... ...e ficam.
-Gato escaldado... ...geralmente está morto.
-Mais vale tarde... ...que muito mais tarde.
-Cada macaco... ....com a sua macaca.
-Águas passadas... ...já passaram.
-Depois da tempestade... ...vem a gripe.
-Vale mais um pássaro na mão ... que uma cagadela na cabeça.

sexta-feira, julho 16, 2010

O CARIMBO Cena I
Eu estava a falar com um amigo e a funcionária única de uma empresa de Peniche. Pelos vidros da porta de entrada vimos aproximar-se um jovem muito queimado do sol, de boné, calções e t-sjhirt. O ar do jovem era o de quem vai ali fazer qualquer coisa e a seguir vai para a praia, o único lugar onde apetecia estar naquela tarde ensolarada. Dirige-se à funcionária e pergunta-lhe com aquele ar de quem sabe a resposta que quer e que a resposta vai coincidir com o que quer ouvir. Diz: “-Desculpe… Precisam de empregados? (e sem esperar pela resposta remata) Se não precisa podia por aqui o carimbo?”
Cena II
Eu estava num estabelecimento comercial quando entrou uma rapariga com uns 30 anos acompanhada pela mãe. O estabelecimento comercial com uns 20 m2 de espaço útil, é por demais evidente que não tem mais funcionários que os dois que ali se encontravam atrás do balcão. A rapariga muito queimada pelo sol e a mãe encostam-se ao balcão e ela diz para o proprietário: “Ponha-me aqui o carimbo. Aqui tenho eu de andar com esta fantochada. Mas eles querem assim…” Assim eu lhe puseram o carimbo agradeceu e saiu dali rapidamente, não fosse o diabo tecê-las. A mãe esboçou um sorriso e saiu como entrou, calada.
Não suporto o Paulinho das feiras com toda a dose de demagogia que ele representa, mas lá que isto dos carimbos a dizer que o desempregado A, foi ao local de trabalho B, e porque não existe emprego para ele, com um carimbo se prova que o coitadinho não trabalha porque isto está mal, lá que isto como ia dizendo a outra, é uma grande fantochada é verdade.
E no entanto o assunto é tão fácil de resolver:
Tiram-se por área de residência mensalmente, 10 desempregado à sorte. Verifica-se os locais onde foram. E se forem locais onde ninguém pode ser admitido por razões suficientemente justificáveis, anula-se o subsídio de desemprego e num ápice os trabalhadores desempregados e honestos ganham outra credibilidade.

quinta-feira, julho 15, 2010

ALEXANDRE HERCULANO (de Carvalho e Araújo)
Alexandre Herculano nasceu no Pátio do Gil, à Rua de São Bento, em 28 de Março de 1810 numa modesta família de origem popular; a mãe, Maria do Carmo de São Boaventura, filha e neta de pedreiros da Casa Real; o pai, Teodoro Cândido de Araújo, era funcionário da Junta dos Juros (Junta do Crédito Público). Na sua infância e adolescência não pode ter deixado de ser profundamente marcado pelos dramáticos acontecimentos da sua época: as invasões francesas, o domínio inglês e o influxo das ideias liberais, vindas sobretudo da França, que conduziriam à Revolução de 1820. Até aos 15 anos frequentou o Colégio dos Padres Oratorianos de S. Filipe de Néry, então instalados no Convento das Necessidades em Lisboa, onde recebeu uma formação de índole essencialmente clássica, mas aberta às novas ideias científicas. Impedido de prosseguir estudos universitários (o pai cegou em 1827, ficando impossibilitado de prover ao sustento da família) ficou disponível para adquirir uma sólida formação literária que passou pelo estudo de inglês, francês, italiano e alemão, línguas que foram decisivas para a sua obra literária. (in Wikipédia) 200 anos após o nascimento deste insigne filho de Portugal, são praticamente raras as memórias que nos assaltam sobre o seu papel na política, na História e na Literatura Portuguesas. Para as escolas está a passar em claro esta efeméride, como na mairia delas irá passar em claro o Centenário da República.
Os imbecis admiram-se de que o nosso país esteja na bancarrota económica. Há muito que se faz sentir a bancarrota cultural. Perguntem à grande maioria dos nossos licenciados quem foi Alexandre Herculano. Para além de responderem que é nome de rua, pouco mais saberão. E é sabido que um país sem passado já hipotecou o futuro. Para quem hoje teima em fazer festas ao 25 de Abril, seria bom que repensassem a sua própria atitude face ao desenvolvimento das culturas de Telenovelas e das Feiras, Festas e Romarias que podem atrair e encher a de ar a barriga ao “meu povo”, mas que rapidamente conduzirão a uma vida subalimentada.
Retomando Alexandre Herculano, quero em jeito de Homenagem pelos 200 anos do seu nascimento suscitar aqui a vossa atenção para a sua vertente de Historiador. Esta sua faceta talvez a menos conhecida junto das pessoas em geral tem para mim uma importância fundamental, porque me ajudou a solidificar a ideia que tenho de Portugal.
Aos que me lerem proponho a aquisição e leitura de uma das suas obras mais notáveis: “HISTÓRIA DA ORIGEM E ESTABELECIMENTO DA INQUISIÇÃO EM PORTUGAL” que pode ser lida gratuitamente no site da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) – Biblioteca Digital ou em papel adquirindo a edição da Livraria Bertrand.
Não é um livro que se leia de um fôlego. Mas é um livro que nos ajuda a compreender muito do que nos foi acontecendo como Nação e portanto, merece ser digerido.

terça-feira, julho 13, 2010

O CARTAZ
Sou um fã incondicional das Festas de Nª Srª da Boa Viagem de Peniche. Ao contrário de muitos conhecidos e amigos nunca fugi de Peniche na altura dos festejos que considero populares q.b.
Compreendo (embora não concorde com elas) as preocupações que a certa altura Monsenhor Bastos manifestava de que as Festas estivessem a perder o carácter religioso e se estivessem a paganizar.
O cariz religioso das Festas está bem representado nos seus pontos altos: A Procissão no Mar de sábado à noite e a procissão de terra no Domingo à tarde. O resto são as actividades mais ou menos populares que são o chamariz para outros públicos.
Mas tudo gira em volta ou ao redor de Nª Srª da Boa Viagem, Padroeira dos Pescadores. Eu sei que pescadores (e barcos) cada vez são menos. Mas é o sentido de Boa Viagem no Mar que importa. É o sentido de Boa Pesca e de esperança no futuro que se honra.
Ora o Cartaz das Festas deste ano deixa muito a desejar. A Virgem aponta ou põe sobre o seu manto protector a Fortaleza, antiga Prisão Política e hoje fonte de dúvidas sobre a sua identidade futura. Do mar, estrada dos nossos Pescadores e marinheiros resta uma pontinha em rodapé no cartaz, com uma lingueta de água da Prainha de S. Pedro.
Pouco resta à Santa para proteger e abençoar. Mas retirar-lhe a sua verdadeira natureza de Mãe Protectora e convertê-la em carcereira é que não lembrava ao Diabo.
Ainda bem que o Monsenhor já não está cá para ver isto.

segunda-feira, julho 12, 2010

NOTÍCIAS DE CASAMENTOS
No jornal “i” de 10 de Julho, a páginas 8, noticiava-se que a Câmara Municipal de Lisboa teria estabelecido um protocolo possibilitando a realização de casamentos civis em espaços que administra, tais como o Museu da Cidade, o Museu do Fado, ou os Paços do Concelho. O Presidente da Câmara, Sr. António Costa, informou o Jornal que pretende levar o assunto à Associação Nacional dos Municípios Portugueses, a fim de tornar esta iniciativa criadora extensiva a todo o território Nacional.
Quando tomei posse como vereador na Câmara Municipal de Peniche, vão já lá 12 anos, uma das primeiras coisas com que fui confrontado, foi com um pedido de autorização para a realização de um casamento civil na Sala do Governador da Fortaleza de Peniche.
Pedi a presença do responsável por aquele espaço a fim de perceber o pedido. Por ele foi-me dito que era já um hábito desde o mandato do Sr. João Augusto Barradas a realização daqueles eventos no espaço da Fortaleza, sem quaisquer custos para ninguém, responsabilizando-se no entanto os noivos pela limpeza do espaço e por qualquer dano que pudesse ocorrer.
Sem protocolos e sem pretensões a sermos criativos, aqui em Peniche já há muito tempo que consideramos interessante por os nossos espaços ao serviço do bem comum e com votos de feliz matrimónio.
Os jornalistas e os autarcas da Grande Capital Portuguesa, teriam muito a ganhar se perdessem mais tempo a perceber os simples mortais que vivem na província e noticiando ou mesmo copiando o que de melhor se vai fazendo nos locais mais recônditos do rectangulozinho em que vivemos.

domingo, julho 11, 2010

sábado, julho 10, 2010

QUANTO VALE UMA ILUSÃO?
Os exemplos a seguir dão uma sugestão de nível superior, para o que poderia acontecer em Peniche em certos painéis de parede a que um "grafitti" ou um desenho poderia emprestar um toque de beleza e de modernidade. Agora que pretendemos ser "capital da onda" e aqui fixar uma das maravilhas da Natureza.







quinta-feira, julho 08, 2010

GOLDEN SHARE
Tanto quanto percebo é uma coisa que se aplica quando a gente não quer que alguma coisa que achamos ser importante para todos pode ser posta em causa por uns quantos, impedindo assim de concretizar essa malfeitoria.
Espanta-nos que uma coisa desta natureza exista. Quer dizer, espanta-nos que só agora tenham descoberto a existência de tal coisa. Eu ainda não percebi o que tenho a perder com o facto de em vez de serem os portugueses, serem os espanhóis a aumentarem-me a conta do telefone de cada vez que estão mal dispostos.
Quem ganha com estas coisas nós sabemos. Quem perde também sabemos. Sabemos de qual destes grupos faz parte o Zé Povinho.
Fez falta a aplicação da Golden Share em tantas coisas de carácter local, Regional e Nacional. Por share a menos é que nós estamos como estamos. Cada vez mais endividados, cada vez mais portugas. E sem esperança de reversão. Haja Deus e uma Golden Share.

quarta-feira, julho 07, 2010

NOTÍCIAS DISCRETAS OU TALVEZ NÃO
No passado fim-de-semana os jornais nas páginas interiores, noticiavam discretamente que o Semanário “Sol” tinha perdido o recurso que tinha interposto para o Tribunal da Relação, pelo que a penalização que lhe tinha sido aplicada por divulgar “escutas”, no valor de 1,5 milhões de Euros iria mesmo ser cobrada.
De forma menos discreta mas sem o impacto que a notícia inicial teve, também fomos informados que a queixa que tinha sido apresentada por Manuela Moura Guedes na Procuradoria-geral da República contra o 1º Ministro, teria sido arquivada.
Num caso e noutro os Jornalistas são a notícia pelos piores motivos. Num caso por desrespeitar a lei. Noutro caso por uma pessoa que é useira e vezeira em denegrir a imagem de todos aqueles de quem não gosta, ficar mal disposta quando é a sua própria imagem que fica mal colocada.
No meio disto tudo, para nos permitir encher o ego, salva-se a notícia de que o CR7 comprou um novo brinquedo nos EUA. Parece que diz papá, mas não diz mamã. Mexe-se, mija e caga uma fralda. Para comemorar a aquisição e como prémio pela prestação no Mundial de Futebol, o senhor foi de férias para os States enquanto o brinquedo vai sendo acarinhado por aqueles e aquelas a quem ficou entregue.
Tudo está bem quando acaba em bem.

segunda-feira, julho 05, 2010

PAULO NOZOLINO – A COERÊNCIA
É um fotógrafo que foi distinguido com um prémio que lhe foi atribuído pela Associação Internacional de Críticos de Arte/Ministério da Cultura (AICA/MC) em 2009.
Por não concordar com uma taxa de 10% de IRS que foi aplicada ao prémio (10.000€), recusou-o com as seguintes palavras:
“Não vou permitir ser aproveitado por um Ministério da Cultura ao qual nunca pedi nada. Recuso a penhora do meu nome e obra com estas perversas condições. Devolvo o Diploma à AICA, rejeito o dinheiro do Estado e exijo não constar do historial deste prémio”.
Quando ouvimos tantos críticos manifestarem-se, é raro haver quem seja coerente com o que critica. Quantos de nós seriam capazes de recusar um valor daqueles, por considerar menos próprio o Estado estar a dar um prémio com uma mão e estar a sonegar parte do mesmo prémio com a outra mão.
“No e-mail dos serviços administrativos da Direcção-Geral das Artes, era-lhe pedido que preenchesse uma nota de honorários e exigido que apresentasse certidões da situação contributiva, para a Segurança Social, e tributária, junto das Finanças. Só assim seria feita a transferência”.
Ouvimos e lemos muita gente dar opiniões sobre o que considera errado. Mas poucos são aqueles que assumem até ao fim o peso das suas próprias palavras. Quem o faz é credor do nosso respeito e da nossa admiração. Os outros, os que passam a vida a dizer que se deve fazer “assim” e não ser “assado” e nunca fizeram nada na vida nem por si próprios, esses, não valem o tempo que perdemos com eles.

domingo, julho 04, 2010

sábado, julho 03, 2010

O FUTEBOL E A MÚSICA
Porque hoje é dia do Campeonato de Mundo de Futebol. Porque joga a Argentina. Porque gosto de música e de dança. Porque é bom ver (e ouvir) tudo isto junto. Ofereço-vos um video repescado no YuoTube que é agradável de se ver neste sábado de verão:
http://www.youtube.com/watch?v=95BV0WG591o

sexta-feira, julho 02, 2010

PORTUGAL E AS DERROTAS
Não sei se estou a falar de futebol. Ou se falo de mais impostos. Ou de todas as coisas que a fazer fé nos jornais e nos comentaristas e nos arautos das desgraças e na minha caixa de emails, estão e são erradas e se devem ao governo que é para o que der e vier a mãe de tudo quanto está mal.
Por mais que eu pense que “atrás da tempestade vem a bonança” ou que “não há bem que sempre dure ou mal que não acabe”, parece que em Portugal só há tempestades e males. Não me consigo recordar de uma medida sequer que nos últimos anos tenha sido tomada e que tenha merecido um aplauso maioritário. Para uns este Governo tem de ir para a rua assim como o próximo e o outro que lhe venha a seguir. Para outros é o chefe que não presta e é a fonte de todos os males. E a família dele também não presta e tudo aquilo em que toca. Ele passou a ser um Midas ao contrário.
Para outros é o Queiroz (também é chefe) que não presta e mais o Cristiano Ronaldo e o Simão. Para outros o erro foi o Afonso Henriques e mais o Nuno Álvares Pereira e o D. João I. Para outros são os Duques de Bragança a fonte de todos os males e mais a I República.
Somos um povo que convive bem com as derrotas e que se sente desconfortável em situações pacificas ou pacificadas. De resto se não existissem estes dramas o que se escreveria nos Jornais, ou se diria nas TVs, ou serviria para conversarmos nos cafés, pastelarias, padarias ou no mercado?
Somos filhos da Rosa enjeitada e ficamos bem na letra do fado da desgraçadinha. Quem pensou que alguma vez gostaríamos de música clássica é porque está desatento ao sentir deste povo adiado.

quinta-feira, julho 01, 2010

UM LIVRO PARA FÉRIAS
De vez em quando falo de livros. De livros que me perece serem susceptíveis de enriquecerem o saber e o conhecimento que cada um de nós tem do mundo, dos outros e de si próprio.
Num momento de encruzilhada para os portugueses sugiro a leitura de um título saído há muito pouco tempo da autoria de Carlos Brito. “Álvaro Cunhal – sete fôlegos de um combatente” é o livro de férias que vos sugiro.
Sei que os indefectíveis do PCP não aceitarão a minha proposta. Se vos disser que o Autor não repudia o líder histórico do PCP, haverá mais uns quantos que desistirão de ler o que sugiro.
No entanto uns e outros perderão muito por não o fazerem. Carlos Brito ajuda a escrever a história recente do nosso país. E acima de tudo ajuda-nos a perceber (compreender) o homem por detrás do dirigente comunista.
Eu diria que para quem gosta de saber os caminhos que trilha, que se trata de um livro indispensável. Quanto mais não seja para fazer reafirmar as suas posições políticas.