sexta-feira, dezembro 05, 2014

IMPOSSIBILIDADE
Um lamentável acidente ocorrido na minha garagem na manhã de 2ª Feira dia 1 de Dezembro, levou-me a 3 Hospitais daqui da nossa zona e a uma imobilização total dos membros inferiores que poderá demorar entre 2 a 3 meses.
Isto vai impedir-me durante algum tempo de manter a regularidade de contacto que vinha sendo habitual.
A todos quantos se têm vindo a manifestar sobre o meu estado de saúde agradeço o interesse e amizade.
Tão cedo quanto esta imponderável situação me permita, voltarei ao vosso convívio. Até lá.
Aproveito esta oportunidade para desejar a todos um muito Feliz Natal e um Ano Novo pleno de felicidades pessoais e profissionais.

sábado, novembro 29, 2014

A MARIAZINHA
Morreu esta noite. Apagou-se. Adormeceu e já não voltou a acordar. Com 90 anos dir-me-ão que será a melhor das passagens. Dissessem-lhe isso a ela antes da arteriosclerose a atacar penosamente. Nem queria pensar na ideia da morte. Para poder morrer antes tiveram de a colocar num estado em que já não tivesse capacidade de dizer não.

A Mariazinha é mãe da Anita, do Álvaro Jorge do Beto da Natália e do Jorge. E antes deles todos foi ainda mãe de um meu cunhado que não cheguei a conhecer.
A Mariazinha era a Mulher do Álvaro. Que soube ser sempre a sua primeira linha de defesa. Durante mais de 5 anos a Mariazinha agarrada à máquina de costura produzia as roupas de muita gente de Peniche, já que dela dependia o único sustento para 4 dos seus 5 filhos, enquanto o marido nas cadeias da PIDE e do Estado Novo era detido por ser benévolo para com os presos políticos do regime. Vertical o Álvaro. Digna e honrada a Mariazinha que deu continuidade à defesa intransigente dos filhos e do marido que visitava sempre que possível.

Os filhos à vez iam com a mãe ao Aljube e a Caxias ver o pai enquanto que os que cá ficavam à guarda da avó Ção entravam em paranoia enquanto a mãe não regressava. Talvez com ela viesse uma prendinha insignificante mas muito importante.
Ao que calhava em sorte ir ver o pai com a mãe não deixava de ser dramático ver o pai preso sem que percebessem porquê. Em apoio à Mariazinha ficavam cá a mãe e os irmãos que sempre foram o seu abrigo e o seu conforto.
Mesmo muitos anos depois da prisão a máquina de costura foi a enxada da Mariazinha para colaborar no sustento familiar. Até que o 25 de Abril veio a ser a janela de esperança por onde finalmente pode vislumbrar o futuro.
A Mariazinha foi mãe dos meus cunhados e da minha cunhada e minha mãe. Defendeu-me onde outros apoios falharam e confortou-me em carinho para os momentos de vida em que definitivamente os laços familiares nos ligaram. Foi mãe e avó da minha filha. A Mariazinha é uma Mulher grande que deixou marcas profundas em todos os que com ela conviveram. É o sorriso da Anita. É a capacidade de trabalho dos seus filhos. É a vontade de passear que sempre lhe deu a coragem necessária para os momentos de labor.

Gosto de ti Mariazinha.   

sexta-feira, novembro 28, 2014

NO TEMPO EM QUE OS ANIMAIS FALAVAM
Em 1962 eu era aluno da Escola Industrial Machado de Castro. O meu professor de português (o saudoso Dr. Carvalho de Lima) como prémio por um trabalho que eu havia feito sobre Antero e de que ele muito tinha gostado, ofereceu-me 1 entrada para o Coliseu para assistir à apresentação em Portugal de uma companhia de teatro grega, que vinha a Portugal pela primeira vez apresentar uma peça creio eu de Aristófanes. Lá fui eu assistir àquele espectáculo deslumbrante com os fantásticos coros, toda falada em Grego que como adivinham eu conhecia com 17 anos tão bem quanto o cantonês.
Um ano depois eu estava no antigo Instituo Industrial de Lisboa (hoje Instituto Superior de Engenharia) ainda na Buenos Aires à Lapa. Ao entrar deram-me a conhecer o programa da recepção aos novos alunos (caloiros). Nessa semana ouvi pela primeira vez um “cante alentejano” pelo grupo dos mineiros de Aljustrel. Foi a primeira vez que ouvi o Adriano Correia de Oliveira e o José Afonso.
Outros colegas meus mais dados a manifestações desportivas entregavam-se às manifestações futebolísticas entre caloiros e finalistas. Todas estas actividades organizadas pela Associação de Estudantes, uma escola dentro da escola.
Nós os “parolos” da província organizávamos passeios à Baixa, tardes no Jardim da Estrela, matinés no vergas (antigo Jardim cinema) e no Paris.

Conto estas coisas para que fique registado o que era a vida de um caloiro naquele tempo em Lisboa. Tudo se alterou. Hoje a diversão em si mesma preside ao que um caloiro necessita para se integrar. Os prémios de actividade estudantil recebem outros contornos. Do que fomos e somos o tempo receberá a influência do que seremos capazes de desenvolver no futuro.

quarta-feira, novembro 26, 2014

ANTÓNIO COSTA: - A CARGA DE TRABALHOS
Para os que esperavam que esta chagada de António Costa ao PS seria uma espécie de entronização, aí está o céu a cair-lhe em cima da cabeça.
Quando nele votei foi a pensar nas cargas de trabalhos que esperam quem suceder a este governo de mentecaptos que nos tornou o “ranho” do concerto das nações. Já não somos só o último de entre os piores da europa, somos o seu próprio escarro. Pegar neste país, nestas gentes, moldar-lhes um novo rumo e criar-lhes condições para voltarem a ser pessoas com dignidade, vai ser trabalho para muitos anos.

Destruir um país é um ápice. Reconstrui-lo demora anos. E ocupará os melhores de nós que não se deixam demonizar pelos escolhos que encontram nesse caminho.

Votei em António Costa porque acredito na sua capacidade de raciocínio, na sua inteligência, na sua capacidade de ouvir os outros e recolher o melhor que eles tenham para dizer. Mais do que antes António Costa deverá ouvir agora a “Quadratura do Círculo” e procurar retirar das opiniões de Pacheco Pereira e de Lobo Xavier o que for importante para a sua actividade política. Mais que ouvir os incondicionais é importante ouvir os que o criticarem.
Os incondicionais tendem a prestar vassalagem e no fim perde-se a noção da realidade. Os que nos criticam e que são confiáveis tendem a querer que façamos o melhor que podermos. Por isso nos chamam a atenção para os nossos erros.
O PS pode passar além da Taprobana. Apesar de todos os mostrengos. E das ondas alterosas que parecem querer virar a nau de tormentas em que AC embarcou. Continuo a pensar que a sua eleição foi o melhor que poderia ter acontecido ao PS e à Democracia Portuguesa.

Duas notas finais. A 1ª é que mantenho de todo tudo o que afirmei na última postagem do meu blog. A 2ª é que temo aqui no Distrito de Leiria ter de continuar a votar em branco. Nãp auguro nada de bom para as candidaturas do PS no meu Distrito.
A ver vamos.     

segunda-feira, novembro 24, 2014

JOSÉ SÓCRATES
Irei procurar manter a serenidade enquanto alinhavar umas “escrevinhadelas” sobre este assunto. Quero começar por retomar aquilo que já há algum tempo aqui disse. Foi este senhor que me “obrigou” a desfiliar do PS. Não aceito que ele não tenho levado a referendo o Tratado de Lisboa. Tinha estabelecido esse compromisso e com uma ligeireza leviana recusou cumprir com esse compromisso que estabeleceu com os portugueses que nele votaram para 1º Ministro. Como pessoa também não me passa da garganta. Foi tão prepotente e insano que tudo dele me afastou. Como 1º Ministro foi tão mau como os piores. E isso faz parte da nossa incapacidade colectiva de escolher.
Posto isto quero dizer-vos que considero abominável a forma como foi tratado neste episódio rocambolesco da sua detenção.

Detenção incompreensível para mim, digam o que disserem. Inventem o que inventarem. Se ele regressou a Portugal era porque estava disponível para prestar as contas que lhe exigissem. Depois trata-se de alguém que foi 1º Ministro de Portugal. E que merece ser considerado inocente até prova em contrário. O que fizeram, o que a Justiça portuguesa fez, foi condená-lo na praça pública com esta detenção apalhaçada.
Fazê-lo desta forma foi a forma escolhida por quem deu a ordem, para conseguir a sua humilhação pública talvez pensando que era essa a forma de vencer as suas defesas. Quem o fez prestou um mau serviço à Justiça e a Portugal. Se o objectivo era achincalhar-nos a todos nós foi conseguido em pleno.
O que foi conseguido por este processo kafkiano só o tempo poderá avaliar devidamente mas cá por mim não auguro nada de bom.

E depois onde a autoridade moral de quem tomou esta atitude e não a tomou com Salazares e Caetanos, Com Tomazes e Silvas Pais, com Moreiras Batistas e PIDES e seus informantes, alguns deles com as mãos manchadas de crimes de sangue.
Tenho dificuldade em perceber a Justiça Portuguesa. Não me digam que a Justiça é igual para todos. Não é! Não é quando se põe em causa a presunção de inocência de alguém. Ninguém pode ser beneficiado na Justiça porque é rico ou poderoso. Mas também ninguém pode ser prejudicado por o ser. Este justicialismo à portuguesa faz parte da nossa condenação.
E do meu desespero e indignação.   

sábado, novembro 22, 2014

quarta-feira, novembro 19, 2014

Fábricas da Ramirez em Leça e Peniche vão fechar de vez  
(das agências informativas)
 MATOSINHOS  
 
Empresa quer todos os trabalhadores na nova unidade, a ser construída em Lavra  
 

A CONSERVEIRA Ramirez vai encerrar as fábricas de Leça da Palmeira e de Peniche e concentrar os trabalhadores e a produção na nova unidade, em Lavra, a inaugurar em maio do ano que vem. Se de Leça para Lavra, em Matosinhos, a medida não implica enorme transtorno, o mesmo não pode dizer-se em relação aos 40 trabalhadores da unidade de Peniche.  
 O investimento de 18 milhões de euros na nova fábrica, designada "Ramirez 1853", e a necessidade de concentrar produção e mão de obra são justificados com a antiguidade das atuais unidades, que "laboram há 60 anos e já não se compadecem com os desafios de espaço e as novas exigências das certificações nacionais e internacionais". Segundo a empresa, os postos de trabalho "estão assegurados" na nova fábrica.  
Autarca preocupado  
 
O presidente da Câmara de Peniche, António José Correia, está preocupado com a decisão e com a eventual extinção dos 40 postos de trabalho que a Ramirez tem em Peniche, notando que a maior parte dos trabalhadores tem "mais de 50 anos e não vai conseguir mudar a sua vida para lá [Matosinhos]".  
 
Em caso de despedimentos, António José Correia (CDU) defendeu que as indemnizações deverão ter "uma discriminação positiva", devendo ser calculadas acima do que prevê a legislação laboral: "Não ponho em causa que a Ramirez resolva o problema dos trabalhadores cumprindo com aquilo que a lei diz para cumprir, mas, como são pessoas com alguma idade, que lá trabalham há muitos anos, a Câmara entende que não pode ser só isso".  
 
Diz o autarca que é uma "grande ingratidão da Ramirez" para com Peniche, lembrando que os executivos municipais "nunca criaram obstáculos a que a fábrica funcionasse, mesmo quanto algumas questões ambientais não estavam a ser cumpridas".  
 A empresa não se pronunciou sobre os problemas da fábrica de Peniche, que tem 30 trabalhadores permanentes e dez temporários.  
ANTHÍMIO DE AZEVEDO
Já muito se disse sobre o senhor que “mandava” no tempo como era genericamente conhecido por crianças e adultos iletrados da década de 60 do século XX.
Naquele tempo tínhamos também na TV o João Vilarett e o Vitorino Nemésio. Eu começava a descobrir pela mão do meu querido professor Carvalho de Lima na Machado de Castro o poder da palavra em Antero e Natália. Nessa altura comecei a olhar no mapa para aqueles pontinhos de onde vinham todos os anticiclones e a interrogar-me sobre o que ali acontecia que fazia tanto ao intelecto como o fermento ao pão.
Entre 1975 e 1977 eu estava como cooperante na república da Guiné-Bissau. Ao mesmo tempo que eu trabalhavam lá Jornalistas portugueses, um intelectual que viria a fazer parte do grupo de assessores de Mário Soares e Jorge Sampaio, e também reencontrei, pasme-se, o Sr. que fazia chover. Recordo-nos na pensão da D. Berta, na avenida principal de Bissau. Ali tudo se sabia da vida dos portugueses cooperantes. Ali se marcavam viagens ao interior da Guiné e se compravam recordações para trazer para as terras lusas. O sr. da chuva cooperante como eu, colaborava na criação do serviço meteorológico da Guiné-Bissau com o mesmo empenhamento com que diariamente nos falava na TV.

Com o seu desaparecimento é mais um pouco de mim que se estilhaça e desaparece para sempre.

 

 

segunda-feira, novembro 17, 2014

VISTOS GOLD
E de repente as pessoas dizem-se surpreendidas. Não deviam. Quanto maior é a arca mais ferozes são os apetites. O Zé Povinho esse que continua a ser o mais lixado com este “forrobodó” continua a afirmar que o mal está nos ciganos e nos que vivem do rendimento mínimo.
Os míseros são sempre tentados a destruir e culpar nos que estão abaixo de si na cadeia de sobrevivência. Os que lhes estão acima são desculpabilizados com a miséria de país que temos.

Todos se lembram do deputado Nuno Melo e das campanhas violentas e demolidoras que desenvolveu em Portugal e no parlamento europeu contra o Governador de BP de seu nome Víctor Constâncio a propósito do BPN e do BPP.
Alguém mais o ouviu falar a propósito do caso BES e agora dos negócios da China? Alguém o ouve falar a propósito dos submarinos?

Somos o povo que somos, temos os vistos que temos.
Nas “terrinhas pequeninas” os vistos são de outro tipo. Ninguém se vende por 2 garrafas de vinho tinto, mas se for uma de Whiskey…
Ninguém se vende por um jantar, mas se for uma viagem ao Estrangeiro para ver a equipa da sua eleição…

De resto tudo gira sempre à volta do cimento. Seja em casas de 1 milhão de euros ou de condomínios fechados. É sempre o imobiliário que faz apodrecer a moral e os bons costumes.   

sábado, novembro 15, 2014

TEORIA DO BÚFALO
 mais conhecida como Tese de Binelli

Quando uma manada de búfalos é caçada, só os búfalos mais fracos e  lentos, em geral doentes, que estão atrás do rebanho são mortos.
Essa seleção natural é boa para a manada como um todo, porque aumenta  a velocidade média e a saúde de toda a manada pela matança regular dos seus membros mais fracos.
 

De forma parecida opera o cérebro humano:
Beber álcool em excesso, como nós sabemos, mata neurônios, mas,
naturalmente, ele ataca os neurônios mais fracos e lentos primeiro.
Neste caso, o consumo regular de cerveja, aguardente, whisky, vinho,   rum, vodka, elimina os neurônios mais lentos, tornando o cérebro uma
máquina mais rápida e eficiente.
E mais: 23% dos acidentes de trânsito são provocados pelo consumo de   álcool. Isto significa que os outros 77% dos acidentes são causados
pelos filhos da puta que bebem água, sumos, refrigerantes e outros   tipos de merdas.

 Colabore! Seja inteligente!
 JÁ PARA A TASCA!

  Patrocínio da Associação dos Produtores de Aguardente de
  Medronho/cachaça

quarta-feira, novembro 12, 2014


"OS PUTOS DA MINHA RUA"
Na próxima 5ª feira dia 20 de Novembro, no Pavilhão das Galeotas do Museu da Marinha, terá lugar o lançamento do livro com o nome em epígrafe do nosso conterrâneo Raúl Patrício Leitão.
Trata-se de uma revisitação aos lugares da sua infância e adolescência e uma incursão aos tempos de jovem-homem na guerra colonial.

Sendo assim, Peniche e alguns dos seus amigos e nossos conterrâneos encontram guarida nas páginas de carinho em que se estende este “Os Putos da Minha Rua”.
Trata-se de uma segunda incursão do Raúl Leitão em actividade literária. Sente-se nele o pulsar da vontade de não esquecer o que contribuiu para a sua formação integral. Algumas das histórias narradas permitem-nos recordar um outro Peniche e um outro estar vivo sem net, sem telemóveis, sem bares e sem vias rápidas e autoestradas.

Um tempo incompreensível para os dias de hoje, por isso tão importante é este falar romanceado que agora vê a luz do dia. A não perder nas nossas bibliotecas.

terça-feira, novembro 11, 2014


VAMOS CONTAR MENTIRAS…
“Suponhamos” que a “madama” não entra em histeria de cada vez que fala. E que não utiliza o velho esquema “-diz delas para não dizerem de ti”. Que a “senhora” se preocupa com bom senso e ajuizadamente sobre os problemas que levam a que toda uma nação não se identifique com o sistema judiciário. E que os resolve, Sem gritos e uivos. De forma pacífica e consensual.
“Suponhamos” que ser professor é sinónimo de credenciação para ajudar a construir crianças e jovens, preparando-os para serem cidadãos conscientes dos seus direitos e deveres. Que as Escolas são consideradas locais por excelência de revolução. Revolução sobre ideias e ideais. Onde o sentido crítico é desenvolvido à exaustão. E que quem é responsável se desafia a si próprio em cada momento para ser mais um elemento libertador do conhecimento e da Liberdade. Sem sofismas. Sem fome. Onde os melhores são premiados e os que não querem são afastados. Que as Escolas não são utilizadas para propaganda político/partidária nem para pano de fundo para fotografias “à la minute”.

“Suponhamos” que as palmeiras de Peniche são salvas por intervenção divina (já que a dos homens caput).
“Suponhamos” que o Bairro do Calvário, e que a Biblioteca Municipal e que a pintura dos Bairros Sociais, que a remoção dos detritos da limpeza do fosso das muralhas, e que o museu das rendas de bilros.
 “Suponhamos”!   

sábado, novembro 08, 2014

sexta-feira, novembro 07, 2014

(PS):  POST-SCRIPTUM
Não vou falar do partido político. Por isso o extenso do símbolo. Vou acrescentar umas coisas que ontem ficaram por dizer.
De facto não se pense que o “polvo” só ataca nas altas esferas. É comum e tão ou mais grave o seu proliferar nas estruturas intermédias, locais e mesmo de instituições que só de forma colateral têm a ver com política.

É o caso do futebol, de algumas fundações, de negociatas à mesa de restaurantes e ao balcão dos bares de alterne. É também o caso de algumas autarquias. E de alguns autarcas. E até de instituições de caracter social ou religioso.

É comum nas autarquias serem os responsáveis técnicos que se abotoam com património público, desviando materiais, máquinas e trabalhadores para os seus pequenos empreendimentos. E isto com um fechar de olhos ou uma assobiadela para o alto dos responsáveis políticos. Ou o uso indevido de espaços protegidos. Ou o recebimento de muitos presentes. E no entanto quando têm de decidir a favor do  um cidadão, bloqueiam todas as possibilidades deste em benefício do seu bem estar.  

É o caso de utilização para proveito próprio de bens entregues para doação. Ou o funcionamento ilegal de meios “ditos” de apoio que só servem para encher os bolsos aos falsos profetas.  

quinta-feira, novembro 06, 2014

CORRUPÇÃO
Nos últimos dias temos assistido com espanto à atitude de meninas ofendidas, com que é encarada a expulsão de portugueses de Timor-Leste, por supostamente estarem a “meter o nariz onde não eram chamados”.
O espanto e a indignação com que isto é encarado pelas autoridades portuguesas deixa-me perplexo.
Em primeiro lugar porque a corrupção foi o maior legado que os portugueses conseguiram transmitir aos povos colonizados. Nem uma língua conseguimos fazer impor, mas os maiores (e mais torpes) tiques da sociedade portuguesa estão lá todos.
Aprendi isto na prática porque nos meus 2 anos como cooperante na Guiné-Bissau logo a seguir à independência, assisti à dificuldade de falar português de todo aquele povo, mas a sua grande capacidade para ludibriar o próximo tão inata na cultura medíocre portuguesa.

Depois ver este ruído todo de “prima-donas” indignadas cheira-me a
chauvinismo e neocolonialismo de trazer por casa. Tão cedo Timor-Leste se libertou das amarras coloniais e se tornou auto-suficiente, mais ódios suscitou nas mentes “púdicas” de alguns portugueses invejosos e sacripantas.
Afinal os magistrados portugueses até sabem trabalhar (quando querem trabalhar ou os deixam). Em país estrangeiro incomodaram o poder político. Em Portugal ao fim deste tempo todo de assaltos a BPNs, BPPs e BESs, ainda não temos nada aprisionado que não sejam os salários e aposentações dos portugueses, vão lá para fora e são um sucesso.

Quem é que está a mais nisto tudo?     

terça-feira, novembro 04, 2014

SENHOR PRESIDENTE
Quando é que um presidente perde o respeito daqueles que representa (tenham ou não votado nele)?
Quando é que um presidente passa de símbolo a uma figura de retórica?
Quando é que ser presidente já não é senão um embaraço, em vez de ser um recurso ou uma esperança?

Recusar reconhecer o valor literário de José Saramago não é um engano, é uma torpeza.
Recusar reconhecer o mérito de Carlos do Carmo não é fado do desgraçadinho, é ser o desgraçadinho.
Elevar as suas questões pessoais acima das questões de estado não dignificando um 1º ministro porque tem “pele de galinha” ao pressenti-lo não é uma figura de estilo, é uma figuração sem estilo.
Premiar a mão que abençoou a hecatombe do Iraque e de todo o médio oriente por arrastamento não é uma questão ideológica, é uma mancha que suja todo um povo que se representa.

Indiciar junto dos pequenos aforradores como bons, investimentos contaminados, não coloca mal o economista destrói e corrói aquele que o faz.

Vê-lo pelas costas senhor presidente não é um alívio, é uma prenda de natal.

  

 

sábado, novembro 01, 2014

sexta-feira, outubro 31, 2014

O SENHOR FERREIRA
Fui alertado para a morte do mais antigo “continuo” que conheci. Na velhinho “alemão”. Depois no edifício que actualmente é do sindicato dos pescadores e por fim na imponente nova “Escola Comercial e Industrial.
Falar do Sr. Ferreira é falar da Rolanda. E do Edgar Sardinha. E dos tempos conturbados do 25 de Abril e pós “golpe de estado” ou “revolução” ou seja lá o que for que lhe queiram chamar.
Falar do Sr. Ferreira é falar de alguém que atravessou gerações de alunos sem alguma vez se tornar odiado por quem quer que seja. Ele foi uma figura respeitada sem ser popular. Um funcionário digno sem ser bajulador.
Desaparece com ele mais um período de tempo e de memórias a que a Escola Industrial fica associada. Nunca o sr. Ferreira virou a cara a nenhum trabalho. Nem a nenhum esforço.
Com ele partem parte substantiva das minhas recordações como aluno e professor da Escola Industrial. Penso que a minha antiga escola (que tive o privilégio de inaugurar) tem uma grande divida de gratidão para com alguns dos seus mentores nos quais incluo o sr. Ferreira que foi um exemplo vivo de maturidade e de responsabilidade. Do estado português não espero nada pelos que mais de si lhe deram. Mas a minha escola tem uma responsabilidade moral, ética e de proximidade perante pessoas como o sr. Ferreira. Que espero sinceramente venha a pagar um dia.   

quarta-feira, outubro 29, 2014

O QUE PENICHE TEM
Momentos de êxtase. Felinianos. O que de melhor tem a filmografia de Fellini é observável em certas situações em Peniche. Que só têm a ver com o lugar, Com o estar. Com a sua actividade prioritária (ou que o foi).
É possível ver entre a neblina surgir o D. Sebastião quer ele venha ou não

…“Que importa o areal e a morte e a desventura
e com Deus me guardei? É o que eu sonhei que eterno dura,
É esse que regressarei.”
Mensagem/Fernando Pessoa/D. Sebastião

O mar raso deixa deslizar a “chata”. Os homens perdem-se nos abismos de quem ninguém retornará. A neblina oculta as margens em que as águas se confundem com o “rio da minha terra”.
Sou de Peniche porque amo o instante e a beleza do momento. Não para satisfazer gulas vorazes de apetites obscenos.
Sou de Peniche porque circulo entre o Bairro do Calvário e os jardins de palmeiras descarnadas da minha terra.
Sou de Peniche porque circulo entre os montes de entulho do Fosso das muralhas e os destroços da biblioteca municipal.
Sou de Peniche porque amo. Sou de Peniche porque odeio.

segunda-feira, outubro 27, 2014


AS PALMEIRAS DO NOSSO DESCONTENTAMENTO
Quem nasceu, cresceu e viveu, ou simplesmente visitou Peniche nos últimos 100 anos tem identificado a perenidade desta cidade com o porte e garbo das palmeiras dos nossos jardins públicos ao longo da muralha.
As palmeiras representam aquele “não-sei-quê” tão estranho nesta terra desflorestada, emprestando com o seu ar vetusto um exemplo de resistência à desertificação e à falta de cultura verde que por aqui campeia.
De há dois anos para cá uma praga surda e invisível começou a minar as nossas palmeiras. Bastará uma ter sido tocada, para a “merda” dos pombos que se instalaram naquela zona transportarem a maleita para todas as outras.
Visivelmente para os incautos terá sido no último ano que as consequências nefastas deste HIV das palmeiras foi possível ser observado.
No entanto julgo que o mais importante é responder a algumas questões e saber porque em tempo oportuno não foram aplicados os meios (se é que existem) necessários e suficientes para permitir controlar este vírus.

1.   Quanto gasta anualmente a CMP com o pessoal desde as chefias aos trabalhadores de campo, utilizados nos parques e jardins públicos?

2.   Quando foi detectada a praga nas palmeiras?

3.   Nesse momento (a data) o que foi feito junto dos organismos existentes no país para conter danos e impedir a sua proliferação?

4.   Sentem-se os responsáveis desde as chefias ao Presidente e autarcas em paz com a sua consciência porque em tempo oportuno e com os meios necessários acautelaram os superiores interesses do município nesta matéria?

5.   Por que razão não foram os meios de comunicação da CMP utilizados para darem a conhecer aos munícipes o que se estava a passar e as consequências do facto?

E mais não pergunto por agora.       

sábado, outubro 25, 2014

TOMEM LÁ MAIS 2...
Lógica de engenheiro
 Em um julgamento de divórcio, o casal briga pela guarda do único filho.
 A mãe, muito emocionada, tenta se defender:
 
- Meritíssimo Juiz... Esta criança foi gerada dentro de mim... Carreguei ela durante nove meses... Ela saiu do meu ventre... Eu mereço ficar com ela!
 
O juiz, emocionado e quase convencido, passa a palavra para o marido - engenheiro, que resolve usar o seu lado lógico:
- Senhor Juiz, tenho apenas uma pergunta a fazer: Quando eu coloco uma moeda numa máquina de refrigerantes, a latinha que sai é minha ou da máquina?

DESENRASCANÇO

Um site norte-americano fez uma lista das 10 palavras estrangeiras que mais falta fazem à língua inglesa. A palavra portuguesa "desenrascanço" é a que lidera.
"Bakku-shan" é a palavra usada pelos japoneses quando se querem referir a uma rapariga bonita, vista de costas.
"Nunchi" é outra das palavras escolhidas. É coreana e é usada para falar de alguém que fala sempre do assunto errado, um género de desbocado ou inconveniente.
"Tingo" é uma expressão usada na Ilha da Páscoa, Chile, e significa pedir emprestado a um amigo até o deixar sem nada.
A lista das "10 palavras estrangeiras mais fixes que a língua inglesa devia ter" é liderada pela palavra portuguesa "desenrascanço". Esta é a expressão que, segundo os autores do site norte-americano, mais falta faz ao vocabulário inglês.
O "desenrascanco", segundo os norte-americanos
Depois de percorrer duas páginas com explicações das nove palavras estrangeiras mais fixes, chega-se ao número 1.
A falta da cedilha não importa para se perceber que estamos a falar do "desenrascanço", tão típico da nossa cultura.
"Desenrascanco: a arte de encontrar a solução para um problema no último minuto, sem planeamento e sem meios", explica o site dando como exemplo a célebre personagem de uma série de televisão MacGyver.
"O que é interessante sobre o desenrascanco - a palavra portuguesa para estas soluções de último minuto - é o que ela revela sobre essa cultura". "Enquanto a maioria de nós [norte-americanos] crescemos sob o lema dos escuteiros 'sempre preparados', os portugueses fazem exactamente o contrário", prosseguem os autores.
"Conseguir uma improvisação de última hora que, não se sabe bem como, mas funciona, é o que eles [portugueses] consideram como uma das aptidões mais valiosas: até a ensinam na universidade e nas forças armadas. Eles acreditam que esta capacidade tem sido a chave da sua sobrevivência durante séculos".
"E não se ria: a uma dada altura eles conseguiram construir um império que se estendeu do Brasil às Filipinas" à custa do desenrascanço, sublinham os autores, terminando o texto:
"Que se lixe a preparação. Eles têm desenrascanco", termina o artigo.
 
 
 

sexta-feira, outubro 24, 2014

E QUANDO TEMOS PROBLEMAS COM O SINAL DA NET?
Ficamos um pouco às escuras. Perdem-se contactos e correspondência. Felizmente que a companhia que contratualizei (a Cabovisão) envidou todos os esforços para rapidamente eu poder regressar ao mundo dos vivos. Não que não seja a obrigação deles, servir com eficiência quem os contrata. Mas o que não faltam aí são entidades que se servem de nós e depois nos cospem em cima.

Não! Não estou a falar do ministro da educação, nem da ministra da justiça. Não estou a falar do sr. de “lapin”, nem do idiota que lida com os negócios estrangeiros que arranjou maneira de decapitar umas quantas portuguesas. Nem sequer estou a falar do bpn ou do bpp ou do bes ou do ******* que os leve a todos.

Ao contrário Peniche que subiu na crista da onda de lá não quer descer. E para se tornar igual a isto tudo faz exercícios para militares sem avisar ninguém. E é ver uma manhã inteira a corrida aos garrafões de água porque os smas cortam a distribuição durante uma parte do dia e se esquecem de avisar os consumidores/pagantes. E não me digam que não tiveram possibilidade de avisar os pagantes. Para informar das festas do tó zé das surfadas, existe um carro com instalação sonora para levar multidões aos eventos. Tratava-se de percorrer umas quantas ruas (poucas) avisando do corte da água e da previsão da sua retoma. Afinal somos nós quem lhes paga os ordenados, não é?
Esperemos que melhores dias virão.

     

quarta-feira, outubro 22, 2014

A CAPITAL DA ONDA
O tempo não está para brasileirices. Um abandonou a prova sem dizer nada a ninguém e sumiu-se para a Papoa onde foi apanhar umas grandalhonas com o filho da Nazaré. O outro perdeu a chave, o juízo e partiu a prancha.
Isto de ver a CDU/PCP na crista da onda, tem que se lhe diga. Se o meu pai fosse vivo diria, “atenção Zé, com papas e bolos…”.
Vimos os famosos que vieram a Peniche. Todos potenciais votantes do putativo candidato Jorge Amador nas próximas eleições autárquicas. Nos famosos está incluído quem mais trabalhou nestes últimos 20 anos para o ser. Claro que se isto fosse um país a sério teria o seu Gulag. Mas como tudo isto é de opereta…

Apesar dos desaires para uns quantos, a semana foi altamente compensadora para Peniche. As ondas de gente que se esbateram em Peniche, os milhões que estiveram presas ao evoluir das surfadas nos supertubos e as centenas que se deslocaram aos Círios, tornaram os extremos da península pontos de visita obrigatória.
A Freguesia da Cidade encheu o domingo com a sua primeira grande corrida, emprestando assim o colorido das provas dos “pobrezinhos” à Festa que fomos.
É bonito ver Peniche a mexer.  

segunda-feira, outubro 20, 2014

O MEU IRMÃO
O Necas. Mais velho que eu 3 anos. Enquanto a minha avó foi viva não viveu em casa dos meus pais, mas em casa dos meus avós. Desinteligências profundas entre a minha mãe e a minha avó, inviabilizaram a constituição da minha família por inteiro. O meu irmão foi assim uma espécie de irmão emprestado. Ou a prestações.
Uma vizinha minha que acompanhou toda esta aventura, chamou-me há dias para me oferecer 3 fotos do meu irmão que presumo lhe terão sido oferecidas pela minha avó. O que é curioso é que eu não conhecia as fotos. Não fizeram parte do espólio de casa dos meus pais. Era um tempo em que tudo era diferente. São fotos que têm todas mais de 70 anos. Quem conheceu o meu irmão, vê-lo agora assim só pode rir-se com bonomia.