segunda-feira, maio 22, 2017


O QUE É O HOMEM CULTO?

 É aquele que:
1.º - Tem consciência da sua posição no cosmos e, em particular, na sociedade a que pertence;
2.º - Tem consciência da sua personalidade e da dignidade que é inerente à existência como ser humano;
3.º - Faz do aperfeiçoamento do seu ser interior preocupação máxima e fim último da vida.

Ser-se culto não implica ser-se sábio; há sábios que não são homens cultos e homens cultos que não são sábios; mas o que o ser culto implica, é um certo grau de saber, aquele precisamente que fornece uma base mínima para a satisfação das três condições enunciadas.

A aquisição da cultura significa uma elevação constante, servida por um florescimento do que há de melhor no homem e por um desenvolvimento sempre crescente de todas as suas qualidades potenciais, consideradas do quádruplo ponto de vista físico, intelectual, moral e artístico; significa, numa palavra, a conquista da liberdade.

E para atingir esse cume elevado, acessível a todo homem, como homem, e não apenas a uma classe ou grupo, não há sacrifício que não mereça fazer-se, não há canseira que deva evitar-se. A pureza que se respira no alto compensa bem fadiga da ladeira.

Condição indispensável para que o homem possa trilhar a senda da cultura - que ele seja economicamente independente. Consequência - o problema económico é, de todos os problemas sociais, aquele que tem de ser resolvido em primeiro lugar. Tudo aquilo que for empreendido sem a resolução prévia, radical e séria, desse problema, não passará, ou duma tentativa ingénua, com vaga tinta filantrópica, destinada a perder-se na impotência, ou de uma mão-cheia de pó, atirada aos olhos dos incautos.

Não deve também confundir-se cultura com civilização.

O grau de civilização de um povo mede-se pela quantidade e qualidade dos meios que a sociedade põe à disposição do indivíduo para lhe tornar a existência fácil; pelo grau de desenvolvimento dos seus meios de produção e distribuição; pelo nível de progresso dos seus meios de produção e distribuição; pelo nível de progresso científico e utilização que dele se faz para as relações da vida económica.

O seu grau de cultura mede-se pelo conceito que ele forma do que seja a vida e da facilidade que ao indivíduo se deve dar para a viver; pelo modo como nele se compreende e proporciona o consumo; pela maneira e fins para que são utilizados os progressos da ciência; pelo modo com entende a organização das relações sociais e pelo lugar que nelas ocupa o homem.

Assim, um povo pode ser civilizado e não ser culto e vice-versa. Não pode, por exemplo, comparar-se o nível desenvolvido de civilização do povo americano actual com o incipiente do povo ateniense do período áureo, como não podem comparar-se os seus respectivos graus de cultura, muito superior o deste ao daquele
. Entre um Péricles e um Hoover medeia uma distância enorme, aquela mesma que separa o povo que aplicava a lei do ostracismo para evitar que um indivíduo influente pudesse exercer coacção sobre a liberdade dos cidadãos, daquele outro povo em que há anos foi possível que um grupo de homens metesse outro homem, porque era revolucionário, dentro de uma gaiola e o andasse mostrando de terra em terra, a tanto por cabeça.

 Bento de Jesus Caraça

In conferência A cultura integral do individuo

sábado, maio 20, 2017

BOM FIM DE SEMANA
IDEIAS FEITAS
Numa agência de viagens em Xangai, perguntei à menina chinesa atrás do balcão se ela poderia escoltar-me num city tour e pedi-lhe o número do telemóvel para poder contactá-la.
Ela fez um grande sorriso, assentiu com a cabeça e disse:
“Sex sex sex, wan free sex for tonight”.
Eu respondi:
"Uau, vocês, mulheres chinesas, são realmente hospitaleiras!"
Um tipo ao meu lado tocou no meu ombro e disse:
"O que ela realmente disse foi: 666136429."

SARA
Sara, uma jovem esposa desesperada, vai ao psicanalista e desabafa:
- Ah, doutor, eu não aguento mais ... Apesar de todos os meus esforços, o meu marido não me dá atenção nenhuma. Desde que nos casamos, ele só fala na mãe, na mãe, e na mãe. É como se eu não existisse.
O médico aconselha-a:
- Olhe lá, já experimentou preparar um jantar especial ?
- Já. E não adiantou, disse que a comida da mãe dele era melhor que a minha !
- Ouça, tenho uma ideia. Se há um domínio onde a sua sogra não pode rivalizar, é na cama. Esta noite, vista um babydoll preto e calcinha preta.
A cor preta é muito sexy e muito excitante.
Incluindo uma cinta-liga negra também... Ele não vai resistir !

Sara seguiu à risca o plano, sem se esquecer de nenhum detalhe. De facto, nunca estivera tão sexy...
Ao fim do dia o marido chega a casa, vê a mulher, arregala os olhos e diz:








- Saaaara, estás toda de preto ... Aconteceu alguma coisa à minha mãe?
O Golfe chegou ao Alentejo !!!
Três Alentejanos reunidos tentam encontrar uma nova maneira de passar o tempo.
Diz um: - Oh compadre, já chega de sueca e dominó. Tou farto disto!!
Diz outro: - Atão e se fossemos jogar golfi ? Pergunta o primeiro:
- Atão, oh! compadri, com'é quisso se joga ?
 - É c'um pau, umas bolas e um buraco.
Responde o outro : - Atão tá beim ; ê cá dou o pau.

Diz o segundo: - Prontos ê cá dou as bolas.
Responde o terceiro : - Cumpadres, ê cá nã jogo. 






quinta-feira, maio 18, 2017


DIA DOS MUSEUS

Hoje 5ª feira é o dia dos Museus. A Câmara Municipal de Peniche cumpre o trivial. Permite a entrada sem cobrança dos visitantes do Dia e a 20 de Maio organiza uma visita noturna à Zona vocacionada para Museu da Resistência.

Perdido o pendor criativo das primeiras iniciativas, cumprem-se calendários. E no entanto sobre e acerca do Futuro Museu da Resistência Tanta coisa poderia e deveria ser feita com o objectivo de dar a compreender aos nossos jovens o que foi de facto aquele tempo.

E seria tão fácil.

Passaria por atempadamente, a Câmara Municipal com a colaboração dos serviços do Museu, organizar um concurso de âmbito nacional  envolvendo os alunos dos 2º, 3º ciclos e secundário, sobre o efeito das leis do Estado Novo na vida das pessoas e quais eram e onde eram as prisões políticas.

Os melhores textos (em numero a definir de acordo com as capacidades logísticas, seriam premiados com a vivência dos seus autores durante 24 horas na prisão da Fortaleza de Peniche.

Para recrear essas vivências seriam consultados os ex-presos políticos ainda vivos que dariam as “dicas” para essa recreação. Jovens de Peniche seriam os guardas prisionais e os “PIDES”. Seriam eles que elaborariam as ementas para essas 24 horas. Assim como seriam eles os vigilantes nos recreios. Nessas 24 horas seria recriado com todo o rigor o ambiente que se vivia na altura. Nada de telemóveis. Nada de cartas. Nada de computadores. Televisão e rádios nem pensar nisso. Viver no século XXI os anos 50/60 ou 70, seria a melhor aprendizagem que poderíamos dar aos nossos jovens do que era aquele tempo. Não mais esqueceriam o Estado Novo tenho a certeza.

Mas enfim. Isto foi sugerido por mim. Falta-lhe credibilidade. Tivesse sido uma proposta do CC e outro galo cantaria.

Felicidades para a reforma dos actuais edis.  

 

quarta-feira, maio 17, 2017


OUTRAS BOAS NOTÍCIAS

O défice desceu. A economia está a melhorar. Temos Universidades cotadas entre as melhores do Mundo. Os nossos alunos são altamente cotados em testes por esse mundo fora. No Turismo estamos a discutir com Espanha o nosso lugar nos destinos escolhidos. Temos vinhos cotados com grau de excelência. A nossa gastronomia está a ser mediatizada.

Nada disto acontece por acaso. Sempre tivemos qualidades. Mas nem sempre sentimos incentivos para as demonstrar. O mesmo na política. Fomos os inventores de modelos criativos de governação. Que parece resultarem.

Infelizmente a nível local não conseguimos passar de “cepa torta”. E este ano particularmente intenso por via das eleições autárquicas oscilamos entre o muito bom e o medíocre.

Uns contam com a capacidade de esquecimento dos cidadãos.

Outros com o grau de fidelização partidária e conexamente com o espirito medievo de endividamento aos senhores feudais.

Outros com a forma asinina de se ser fiel. “Voto neste porque o partido disse que sim”.

Sobram os que pensam. Os que acreditam na capacidade do ser humano para se reinventar. Terão eles a capacidade e o empenhamento suficiente para se fazerem ouvir?

Acredito que este jorrar de boas notícias não se fique por aqui. E que o futuro esteja já ali ao dobrar da esquina. Afinal, cada um de nós tem sempre um pouco de loucura e engenho dentro de si.

segunda-feira, maio 15, 2017


FIM DE SEMANA ALUCINANTE

Ainda me estou a recompor.

Um Papa. Uma equipa de futebol. Um jovem trovador.

Da visita do Papa Francisco guardo 3 ideias chave que ficaram a ecoar na minha mente: - A de que a Senhora não é um moço de recados a quem se peçam favores de baixo custo; A de que o clericalismo é uma peste na Igreja; A de que o mais importante é o amor e o perdão entre os diferentes povos.

- Depois a equipa de futebol que arrastou centenas de milhares em torno de uma paixão; Foi um dia de Festa encarnada para quem soube durante um ano torcer, sofrer e amar pela sua equipa.

- Como corolário de um dia pleno de emoções a noite reservava o mais simples, tocante e singelo canto trovadoresco que foi dado a ouvir por essa Europa fora. E a língua de D. Dinis, Camões e Pessoa ficou a ressoar dos Urais até ao Mediterrâneio e Pacifico.

Que mais pode desejar quem acredita em Portugal como o seu país?

 

sábado, maio 13, 2017

ESTE SÁBADO
Um sábado como este é difícil para um bloger. Tudo aqui aconteceu. Ou vai acontecer. O Papa. O Benfica. O Salvador Sobral.
Então que fazer?
Fui ao youtube buscar um filme sobre o fotógrafo Sebastião Salgado. Digamos que é uma sobremesa para todos estes pratos fortes. Admito que nem todos se sentirão motivados. Mas creiam que merece a pena.
www.youtube.com/watch?v=aU1khuVq_Uw 
E já agora aprender com um sorriso... Trata-se de uma lição de português que só não entenderá quem for cego e surdo.
https://www.youtube.com/watch?v=ilH8jyRQNRE 

quinta-feira, maio 11, 2017


A RELIGIÃO AO LONGO DOS TEMPOS
Nestes dias em que tanto se fala de Fátima e de Religião julgo que importa recuar alguns anos para perceber como se forjou esta mentalidade retrógrada e  pouco esclarecida que ainda podemos observar numa grande parte dos fiéis menos esclarecidos e mais fanáticos. Tudo isso faz parte de uma grande teia catequística que vem da idade média e que se instalou até ao Concílio do Vaticano II.
Hoje com o Papa Francisco que instalou uma lufada de ar fresco na Igreja, embora se tenha esquecido da Mulher como par e igual nos dias de hoje, o que não é despiciendo em alguém com formação eclesiástica e de cultura latino americana, importa reflectir no que passou para nos podermos compreender hoje.
Recordei o meu velho baú e alguns livros que lá encontrei. Um deles é um manual de comportamentos do cristão nas "VIZITAS AO SANTISSIMO SACRAMENTO E A MARIA SANTISSIMA".  Um manual de comportamentos de 1850, vão lá quase 170 anos. É curioso e merece ser pensado.







quarta-feira, maio 10, 2017


THE WALKING DEAD:
- OS MORTOS ANDAM POR AÍ
Até ao dia 1 de Outubro do corrente ano vamos assistir em Peniche ao deambular de Zombies nas ruas da cidade de Peniche e por essas terras do nosso Concelho.

São figuras mortas, morridas e matadas por sucessivos desaires, que teimam em acreditar que ainda podem sugar o sangue fresco da manada. “Tadinhos”, não percebem que estão mortos e não percebem que já não existe manada. O seu tempo passou. Antes de morrerem secaram tudo o que estava à sua volta. Uns quantos seguem-lhes os passos aguardando que se desfaçam em pedaços para os incinerarem definitivamente.

A população do concelhos há muito que lhes mostrou a certidão de óbito. Mas, absorvidos com a sua imagem que se desvanece, teimam em não perceber o que é evidente para todos. Têm de mostrar trabalho para poderem atingir outros patamares mas os escadotes que encontram para subir são também decadentes, por mais pinturas com que se retoquem.

O tempo já é outro mas eles teimam em se agarrar aos destroços que produziram à sua passagem. A sua reciclagem torna-se impossível pelo estado de descredibilização que atingiram. São restos que por mais carne viva de que se alimentem já não conseguem sobreviver ao estado de putrefacção em que se encontram.

Se fosse religioso mandaria rezar exéquias para que atingissem o eterno descanso. Como não sou, limito-me a escrever-lhes o epitáfio.  

segunda-feira, maio 08, 2017


EMMANUEL MACRON:
- O INDEPENDENTE

A Europa (e Portugal não é imune a isto) está a travessar um período politicamente critico. A Esquerda política que conhecíamos dos livros desapareceu. A Direita civilizada que se lhe opunha desapareceu com ela. Quem é que aqui em Portugal se atreve a dizer que o PS é de esquerda ou o PSD de Direita? Restam os extremos que de tanto serem extremos chegam quase a encontrar-se no fecho do círculo. Sobram nisto tudo algumas idiossincrasias como o PCP, que anda à procura de si próprio.

Como resultado de toda esta confusão em alguns casos perdem os cidadãos a vontade de se reverem nos partidos políticos tradicionais, sempre ao serviço de mesquinhos interesses, na busca de um poder que ninguém lhes reconhece capacidade para o exercer.

Assim na última década começaram a surgir movimentos de independentes dos partidos que se apresentavam como erupções das vontades populares para as representarem. O que surgiu a nível de pequenas comunidades (Freguesias) veio a alargar o seu âmbito e hoje os movimentos dos independentes já atingem comunidades mais alargadas como os municípios, culminando no caso Francês com a própria Nação.

O que pretendem pois os independentes e o que é que os cidadãos vêm neles? Desde logo pretendem não ter amarras na defesa intransigente dos interesses das populações que pretendem representar. Recusam ir por aqui ou por ali, só porque os interesses mais vastos do ideário partidário entender que isso é mais importante para objectivos mais vastos.

O que defendem é a sua terra e as suas gentes. E sabem que se terão que esforçar muito para ser úteis porque as populações estão atentas ao cumprimento dos seus deveres. Sabem que ao tornar-se independentes estão a fugir de responsabilidades diluídas nas cúpulas partidárias, para se tornarem responsáveis directos perante os que os elegeram e que com eles contactam diariamente. É a responsabilidade maior do voto unipessoal em detrimento do voto numa bandeira ou num slogan.

O independente não pode ser populista, porque se o for, hoje com as novas tecnologias estará destruído ao fim de poucos dias. O independente não pode fugir à apresentação de resultados diários porque os seus julgadores estão em contacto directo e diário com ele.

O independente terá de ser transparente e justo. Honesto e determinado. Podem perdoar-lhe a não resolução de um ou outro problema. Mas não o desculparão perante atitudes de favorecimento pessoal.

O independente terá de se pesar no dia em que ganhar as eleições e no último dia do seu mandato. E com esta nota de humor me fico hoje.      

sábado, maio 06, 2017


SEMANA DO CENTENÁRIO

Por esta semana conter um evento que tomou conta do país, decidi oferecer-vos um conjunto de motivos para os que aqui procuram alguma coisa, poderem sentir-se bem-dispostos com o tempo da sua vida que consumiram vindo aqui.     
Ofereço-vos um site com um poema que vale muito; uma história com alentejanos e uma foto dos novos pastorinhos.

Sejam felizes.


Alentejano esperto

Um camionista espanhol parou o camião na frente da loja do ti Jerónimo, e perguntou:
- Sr. Jerónimo, tenho aqui um camião de arroz, sem documento de transporte e sem cobrar IVA. O senhor quer?
Claro que quero!
Ti Jerónimo vira-se para o filho e diz:
- Zezinho, vai para a esquina e se aparecer o fiscal vens cá avisar!
Começam a descarregar o camião e no meio da descarga aparece o Zezinho a gritar dizendo que o fiscal vem lá.
- Pára tudo e volta a carregar, grita o ti Jerónimo!

Entretanto chega o fiscal.
- Grande venda senhor Jerónimo, diz o fiscal.
- A melhor venda que já fiz este ano, senhor fiscal; responde o ti Jerónimo..
- E essa mercadoria tem documento de transporte? questiona o fiscal.
- Ainda não tem documento de transporte porque estou a espera para ver a quantidade que leva o camião, afirma o ti Jerónimo..
- Não pode, diz o fiscal. O documento de transporte tem de ser emitido antes de carregar!
- Ah sim? Então pára tudo, que eu não quero problemas com a Justiça!Descarrega tudo do Camião Zézinho.

quinta-feira, maio 04, 2017


UM PORTUGAL DESCONHECIDO

No passado dia 1 de Maio o DN, publicou um artigo notável da jornalista Fernanda Câncio sobre um Portugal que a grande maioria dos portugueses desconhece. É o Portugal das memórias do colonialismo.

O nosso passado colonial foi-nos sempre apresentado como modelo de atitude ética e de modelo cristão de virtudes. O Infante D. Henrique um iluminado. E no entanto.

Em 1441 os portugueses iniciaram o comércio de escravos instituído pelo infante D. Henrique. Fomos nós que iniciámos o trabalho forçado imposto aos africanos e que perdurou até ao final dos anos 60 do século passado. Não falámos nas escolas da instituição do Estatuto do Indigenato desde 1926 até 1961. O racismo sempre existiu em Portugal e em particular nas antigas colónias.

Com o estatuto do indigenato foram criados 3 tipos de pessoas:

- Os indígenas, sem costumes ditos “civilizados” e cristãos, não tinham cidadania portuguesa e eram o objecto dos trabalhos forçados

- Os assimilados, que não sendo cidadãos de pleno direito podiam movimentar-se com alguma liberdade nas colónias e em Portugal continental

- E no topo da pirâmide os cidadãos brancos e portugueses

Eu próprio pude constactar esta realidade por força da minha curiosidade mórbida. Em 1963 era eu já aluno do Instituto Industrial li que iria ser possível frequentar um Curso de Formação Ultramarina promovido pela Mocidade Portuguesa. Inscrevi-me e lá participei nesse curso no Palácio das Necessidades. No final e como consequência dos resultados que obtive (um 4º lugar), foi-me oferecida uma viagem a S. Tomé e Príncipe.
O meu alojamento foi a roça de “Monte Café” e o meu guia lá foi dos capatazes da roça onde fiquei alojado juntamente com um filho do Prof. Matoso o tal dos livros de História. Aí foi-me explicado como eram recrutados os trabalhadores da roça. Erma de Angola. Vinham forçados pelos contratantes. Eram colocados a viver em casas na roça. Só lá podiam comprar nas lojas da roça os produtos com que se alimentavam. Ficavam em divida com a roça pelo dinheiro da viagem, da casa, das compras na loja. As mulheres e filhas eram propriedade da roça e ficavam ao serviço dos proprietários, das senhoras. O seu corpo era posto ao serviço dos brancos. Dos capatazes. E dos seus amigos. Contraiam uma divida que nunca mais ficaria paga.

Este era o nosso colonialismo “exemplar”. Foi em S. Tomé que percebi o Estado Novo.

quarta-feira, maio 03, 2017


3 DE JUNHO
Dia Mundial da Liberdade da Imprensa

terça-feira, maio 02, 2017


CÃES E GATOS: - NUNCA MAIS!!!

Quero dizer-vos em primeiro lugar que desde que me lembro de existir, sempre existiram cães ou gatos em minha casa, na casa de meus pais e na casa de meus avós. E SEMPRE, mas sempre foram considerados lá em casa como seres vivos e com necessidades. Nunca foram tratados como “coisas”.

Em casa da minha avó sempre existiram pombos e pintassilgos. E grilos. O pessoal mais novo assim que apareciam os primeiros grilos, vinham a correr a casa da minha avó para lhos venderem. Animais fizeram pois sempre parte da minha família.

É claro que levaram algumas tareias, como a minha filha levou umas palmadas. Existem regras para cumprir por pessoas e animais.

Mas, e isto é que é importante, embora todos fossemos seres viventes, cães, gatos, grilos, pombos e pintassilgos, pessoas sempre foram pessoas e ANIMAIS SEMPRE FORAM ANIMAIS.

Nem eles comiam do nosso prato, nem nós da malga deles. Nós sempre utilizámos a casa de banho e eles a rua. Nós dormimos em camas e eles em tapetes. Nós comprávamos roupas para nos vestirmos e eles andam em pêlo.

Quando é que me surgiu então esta incapacidade pessoal de coexistir em casa com animais. Quando começaram a surgir regras e mais regras para lidar com eles. Quando mulheres e homens com problemas pessoais mal resolvidos começaram a lidar com os animais como se fossem filhos ou netos. Animais são animais e pessoas são pessoas.

Sempre me recordo de procurar areia para limpar os pés quando pisava merda de cão. Agora isso é pecado. Ter cão passou a ser uma moda. Ou um pesadelo.

Por mim não alinho em modas, nem curto pesadelos. Quero ter uma velhice calma e sossegada. E feliz. Cães e gatos nunca mais.

sábado, abril 29, 2017


PARA SE SER UM BOM PROFISSIONAL
A boa defesa para um arguido
Um jovem advogado estava defendendo um empresário num processo comercial muito complexo. Infelizmente, todos os elementos faziam pender a balança para o lado errado, e o jovem advogado estava esperando o pior. Então ele resolve consultar um advogado mais experiente no escritório. Ele pergunta se seria interessante enviar ao juiz uma caixa de charutos, por exemplo. O outro advogado exclama:
- Você está louco! Faça isso e você perde a acção imediatamente!
Duas semanas depois, o juiz dá a sentença favorável ao cliente do jovem advogado. Ele decide comemorar a vitória com um almoço para o qual convida o colega do escritório que ele tinha consultado. Este diz:
- Está a ver? Não foi uma boa ideia não enviar a caixa de charutos?
- Mas eu enviei. Só que mandei junto o cartão de visita da outra parte!
 
A melhor cirurgia
Numa sala de cirurgia, cinco cirurgiões discutiam sobre quais os melhores pacientes a operar.
 
Dizia o primeiro:
- Gosto de operar contabilistas porque, quando se abrem, todos os órgãos estão numerados e ordenados.

 
O segundo retorquiu:
- Sim, mas melhor são os electricistas todos os órgãos estão codificados por cores. Não há qualquer risco de engano.

 
Ao que respondeu o terceiro:
- Que nada!!! Os melhores são os bibliotecários. Dentro deles tudo está ordenado alfabeticamente.
 
O quarto cirurgião opinou:
-  Não há como os mecânicos. Eles até já transportam uma reserva dos órgãos que são necessários substituir.
 
Finalmente, disse o quinto:
-Deixem-me discordar de todos vocês, meus caros colegas mas, em minha opinião, os melhores pacientes para operar são os políticos. Não têm coração, não têm estômago nem tomates... Além disso podemos trocar o cérebro pelo cu, pois como só têm ideias de merda não dão conta de nada e aínda agradecem.
 

quinta-feira, abril 27, 2017


CONSELHO DE MINISTROS EM PENICHE
Que outra notícia? Esta chega.
O motivo: a comemoração da libertação total de todos os presos políticos da Fortaleza de Peniche pós 25 de Abril. Vão lá 43 anos.
Aproveite sr. presidente da câmara, já não lhe vão restar muitos motivos para aparecer na televisão.
Outro motivo a deliberação final de a Fortaleza ficar como Museu da Resistência e Centro Tecnológico do Mar, em apoio às actividades da Escola Superior de Tecnologia de Peniche.
As malhas que o império tece…
 

quarta-feira, abril 26, 2017


UMA IDEIA DE AMAR

A propósito da visita do Papa Francisco a Portugal, recordo uma mensagem de amor do seu ícone, que foi formado na Ordem dos Jesuitas que se inspira na palavra de Francisco de Assis. Cristãos ou não, qualquer homem de boa vontade se revê neste hino à amizade e ao amor. Que seja este o Hino inspirador dos que se dizem franciscanos em Francisco o Papa ou em Francisco de Assis.

 

por francisco de assis

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna

segunda-feira, abril 24, 2017


AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU

Compreendo perfeitamente os meus amigos da minha idade ou à volta disso que sonharam em viver num país em que as liberdades não fossem uma mera utopia. Compreendo os que entregaram a sua vida a uma luta desigual contra os que dominavam o poder económico e político num país em que só o sol parecia nascer por igual para ricos e pobres.

Compreendo os meus amigos que descalços e doentes e pobres, tinham dificuldade em perceber porque tudo lhes tinha de ser adverso.

Alguns emigraram. Foram para países em que continuavam a levar a mesma vida de trabalhadores esforçados. Mas só que eram bem pagos para o serem. Mas nunca perceberam que naqueles países se vivia uma outra face da mesma moeda. Surgiam perante os que cá ficavam (nas suas férias) como vencedores. Mas o seu dia-a-dia nos países da emigração, não deixavam de ser um esforço constante e desumano para poderem mostrar-se vencedores. Poucos olhavam à sua volta e tentavam compreender as suas vidas. Foram para lá civicamente analfabetos e assim continuavam. Não os censuro nem julgo. O seu 25 de Abril foi a força do seu trabalho e a sua perseverança. Admiro-os. Afinal eram prisioneiros no seu país e continuaram prisioneiros como emigrantes. Lutaram contra xenofobias, contra racismos. Lutaram por serem aceites e nunca o conseguiram totalmente. Afinal o drama dos refugiados de hoje é o mesmo que os portugueses viveram nas décadas de 50, 60 e 70 do século passado.

A diferença está em que hoje o analfabetismo (ou a iliteracia) não se nota. Não é necessário escrever. Existe o telemóvel que entretanto se proletarizou. E existe o skype e o viber. Hoje somos emigrantes diferentes. Emigramos de nós próprios. Somos o momento. Não é necessário aprofundar conhecimentos, nem ler. Tornou-se tudo intuitivo. Vivemos num exílio constante e só não demos por isso. Introduziram-se métodos de enriquecimento rápido (e ter dinheiro é que é importante), basta raspar, ou vender droga, ou traficá-la. Ou prestarmo-nos à exibição minuto a minuto dos nossos podres numa qualquer televisão.

Como pois quereis vós que quase meio século depois ainda alguém se interesse pelo sacrifício de meia dúzia de malucos que não tinham vida própria.

Abril abriu as portas que dão para uma forma de liberdade nunca sonhada. A de ser livre de recordações que nos pesam sobre os ombros. A de escolher as minhas próprias dores. Quero lá saber de prisões ou de presos políticos. Celebrar o 25 de Abril é viver amarrado a tempos em que ninguém já quer viver.

Abril abriu as portas que dão para um mundo em que sou eu que escolho as minhas lutas. Não as que me pretendem impor. Afinal celebrar o 25 de Abril é celebrar um passado em que já ninguém se revê.

Voltar à prisão politica uma vez por ano é revisitar fantasmas mal arrumados nas prateleiras da História. Preservar prisões é esquecer que são os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade que importa glorificar.
PS: - Já depois de editado este post vi o programa das celebrações do 25 de Abril organizadas pela Câmara Municipal dos ilustres camaradas do PCP. Não retiro uma letra ao que escrevi e estranho que aquilo que era a imagem de marca do PCP, o foguetório à meia-noite tenha desaparecido completamente. Porque naquelas cabeças era um foguete por cada ano e francamente 43 foguetes era um pouco incómodo. Mas podiam ser 25 alegorizando o 25/4. Mas capacidade criativa perdeu-se no tempo.            

  

sábado, abril 22, 2017

Por solidariedade com o povo francês que hoje reflecte. Para todos aqueles que quiserem parar para pensar. Envio um vídeo e um texto.
mbos muito fortes. Com ambos me identifico na sua maior parte.
Se conheço aqueles que me vão acompanhando, sei que gostarão dos 2 como eu gostei:
PIMENTA NA LÍNGUA
https://www.youtube.com/watch?v=jDiBPGevBA8


texto escrito por Catón, jornalista mexicano ... 
“Tenho a intenção de processar a revista "Fortune", porque fui vítima de uma omissão inexplicável. Ela publicou uma lista dos homens mais ricos do mundo, e nesta lista eu não apareço. Aparecem: o sultão de Brunei, os herdeiros de Sam Walton e Mori Takichiro. 
Incluem personalidades como a rainha Elizabeth da Inglaterra, Niarkos Stavros, e os mexicanos Carlos Slim e Emilio Azcarraga.
Mas eu não sou mencionado na revista.

E eu sou um homem rico, imensamente rico. Como não?  vou mostrar a vocês:
Eu tenho vida, que eu recebi não sei porquê, e saúde, que conservo  não sei como.
Eu tenho uma família, esposa adorável, que ao me entregar sua vida me deu o melhor para a minha; filhos maravilhosos, dos quais só recebi felicidades; e netos com os quais pratico uma nova e boa paternidade.
Eu tenho irmãos que são como meus amigos, e amigos que são como meus irmãos.

Tenho pessoas que sinceramente me amam, apesar dos meus defeitos, e a quem amo apesar dos meus defeitos.
Tenho quatro leitores a cada dia para agradecer-lhes porque eles lêem o que eu mal escrevo.
Eu tenho uma casa, e nela muitos livros (minha esposa iria dizer que tenho muitos livros e entre eles uma casa).
Eu tenho um pouco do mundo na forma de um jardim, que todo ano me dá maçãs e que iria reduzir ainda mais a presença de Adão e Eva no Paraíso.
Eu tenho um cachorro que não vai dormir até que eu chegue, e que me recebe como se eu fosse o dono dos céus e da terra.
Eu tenho olhos que vêem e ouvidos para ouvir, pés para andar e mãos que acariciam; cérebro que pensa coisas que já ocorreram a outros, mas que para mim não haviam ocorrido nunca.
Eu sou a herança comum dos homens: alegrias para apreciá-las e compaixão para irmanar-me aos irmãos que estão sofrendo.
E eu tenho fé em Deus que vale para mim amor infinito.
Pode haver riquezas maiores do que a minha?
Por que, então, a revista "Fortune" não me colocou na lista dos homens mais ricos do planeta? "
 E você, como se considera? Rico ou pobre?

Há pessoas pobres, mas tão pobres, que a única coisa que possuem é ... DINHEIRO.
Armando Fuentes Aguirre (Catón)


 

quinta-feira, abril 20, 2017


ESCOLA INDUSTRIAL E COMERCIAL DE PENICHE

Em 1959/1960, eu e mais 10 éramos finalistas do Curso de Formação de Serralheiros da escola referida. Fomos o segundo grupo de alunos a entrar na referida Escola. Ainda frequentámos a antiga fábrica do alemão. Foi uma turma jamais esquecida pelas muitas peripécias que passamos juntos. Uma das particularidades que nunca mais esqueço é de que como éramos só 10, eu era obrigado a jogar à bola sempre que alguém se lembrava de uma “futebolada”. Eu fazia de defesa direito e a única recomendação que me era dada era a de que nunca chutasse a bola quando estava virado para a nossa baliza.

Alguns de nós já desapareceram pela voragem da morte. Um de nós mesmo cedo demais.
Não resisto a escrever sucintamente aqui uma das nossas brincadeira nas aulas de apresentação. 2 de nós que se tinham matriculado no mesmo dia tinham os números de matrícula um a seguir ao outro. O Engº Muralha Delgado ao chamar pelos números queria que disséssemos os nomes pelos quais queríamos ser chamados. Chamou um que respondeu "Rapaz". Chamou o aluno a seguir que respondeu "Homem". Claro que foram os 2 para a rua. E no entanto tinham os 2 razão. Mas o Muralha Delgado quando antes das aulas ía à taberna do Simão, tornava-se intratável. Aquele bagaço...  

Quando não tínhamos aulas uma das nossas visitas de estudo era à Papôa. Recordo entre outros professores dessa turma o Fernando Oliveira, o Muralha Delgado e a Engª Maria Beatriz. Por uma razão ou por outra foram estes que me deixaram mais recordações. Que me perdoem os outros.

Na fotografia:
Em cima em pé

- O Carlos Laranjeira (Carlos Manuel da Rocha Laranjeira

- O Chico Dias (que teve direito a ficar na foto por ser irmão de um de nós)

- O Saúl (Saúl da Silva Batista)

- O Manel Dias (Manuel Maria Dias)

Em baixo sentados

- Eu próprio

- O Jorge Machado (Jorge Alberto Boto Machado

- O “Parina” (José Júlio Martins Rapaz)

- O Cabé (Carlos Alberto da Conceição Agostinho)

Em pé em baixo e na ponta direita

- O Rafael (Rafael dos Santos Costa)

- O João José (João José Chicharro Remígio)

Faltam na Fotografia

- O Manuel Homem (Manuel José do Carmo Homem)

- O Lourenço (Alberto Manuel Almeida Lourenço)

   

quarta-feira, abril 19, 2017


O AQUEDUTO DAS ÁGUAS LIVRES

O texto apareceu-me no email, enviado por mão amiga. Acho-o o máximo em termos de conhecer o nosso património. E já que ontem foi dia dos monumentos e sítios considero ser pertinente a sua publicação aqui. Lamentavelmente não sei o autor deste texto. Do facto me penitencio. Mas dada a sua importância não resisto a publicá-lo nestas condições.

Geometria Divina, símbolos misteriosos, lendas, homicídios em série. Obras de engenharia notáveis e conflitos memoráveis entre os maiores arquitetos do século XVIII. O Aqueduto das Águas Livres - em todos os seus 58 quilómetros de troços, de Belas às Amoreiras - é um monumento "ao melhor e ao pior" dos homens.

O troço mais conhecido, sobre o vale de Alcântara, tem o maior arco em ogiva de pedra do mundo!

Caminhamos sobre o vale de Alcântara, num dia de calor tórrido, mas a sombra do gigante de pedra protege-nos. A marcha é lenta porque, a cada passo, a nossa "guia" tem uma história para contar. O Bairro da Serafina homenageia "uma estalajadeira, com talento para a cozinha", que alimentou sucessivas gerações de mestres e operários da obra do aqueduto. A ogiva central "é a maior do mundo - estamos no Guiness Book por causa disso - mas conta a lenda que é fechada unicamente por três pedras, que só um som pode apartar".

Margarida Ruas não sabe que som é esse. Provavelmente será das poucas questões sobre o Aqueduto das Águas Livres para as quais não tem resposta. E se a tivesse guardaria o segredo até ao fim dos seus dias. Especialista em comunicação política, criadora do extinto Contra Informação, da RTP, foi durante muitos anos diretora do Museu da Água, da EPAL. E deve-se a ela o facto de os lisboetas poderem voltar a percorrer aquele caminho público, outrora maldito, devido à memória de um assassino cruel…

Em 1996, quando a empresa a nomeou diretora de comunicação, com o pelouro do museu, o único espaço visitável em todo o complexo das Águas Livres era a Estação Elevatória dos Barbadinhos. Numa semana, abriu ao público um novo museu polinuclear, integrando a passagem de Alcântara, a Mãe de Água das Amoreiras e o Reservatório da Patriarcal, no Príncipe Real.

Já não tem responsabilidades diretas no museu. Mas continua a defender o monumento pelo qual um dia se apaixonou "perdidamente". Em 2004, os Guardiães do Aqueduto, um grupo que lidera, conseguiram travar um projeto que previa a demolição de um troço de dois quilómetros, perto de Belas, para dar lugar a um acesso à CRIL e a um shopping. Hoje, é a porta-voz de um movimento internacional que quer fazer daquele monumento - em todos os seus 58 quilómetros de canais - Património da Humanidade reconhecido pela UNESCO. "É obrigação nossa, dos portugueses, deixá-lo para a humanidade, tal como foi deixado por todos aqueles fantásticos mestres e pedreiros, e por todas as vidas que se perderam na construção." 
A nascente de Belas, onde tem início o percurso de 58 km de canais do aqueduto, numa imagem do arquiteto e músico Emanuel Pimenta

O sonho de fazer chegar as "águas livres"a Lisboa - cidade banhada por um rio cuja água é salobra desde Santarém - começou no último quarto do século XVII, ditando a criação do real da água - uma espécie de imposto sobre o valor acrescentado aplicado a produtos como o vinho, a carne e o azeite - para financiar o projeto. Mas só em 1731, com o alvará régio de D. João V, foram criadas as condições.

O projeto foi entregue a um trio de notáveis: o italiano Antonio Canevari que, por essa altura, concluia a construção da Torre da Universidade de Coimbra; o coronel Manuel da Maia que, anos mais tarde, seria decisivo na reconstrução da Baixa lisboeta após o terramoto de 1755; e o alemão Johann Friedrich Ludwig, ligado a obras como o Convento de Mafra.

Canevari era o mestre entre os mestres. Mas perdeu o estatuto ao fim de um ano. A sua conceção de uma estrutura hidráulica acionada por sifões para bombear a água até Lisboa era demasiado mundana para as aspirações do rei, que governou num dos períodos mais ricos da história de Portugal, graças ao ouro do Brasil. D. João V queria uma obra que perdurasse. E em retrospetiva tinha razão porque, do muito que mandou construir, o aqueduto foi das poucas edificações a escapar ao sismo de 1755.
O mestre português convenceu o rei com o mais monumental sistema de desnível, que viria a vingar, mas revelou-se ineficaz na execução: "Manuel da Maia tinha o problema de querer abrir demasiadas frentes de obra ao mesmo tempo, não conseguindo dar andamento a nenhuma."

Obra foi pensada para fazer refletir o mundo exterior na água, através de janelas.

Em 1736 avançou o engenheiro militar Custódio Vieira: "Era uma figura notável e um dos nomes mais importantes da história do aqueduto. Inventou uma estrutura para conseguir transportar os carrilhões [sinos do Convento] de Mafra. E foi graças a essa estrutura que se conseguiram erguer também estas colunas". Como o fez, não se sabe ao certo, porque os planos da maravilha da engenharia viriam a desaparecer, em 1755, entre os escombros do Paço da Ribeira, onde se guardava boa parte dos documentos mais importantes da capital.

Custódio Vieira ainda concluiu o Arco Grande, em 1744, mas morreu nesse mesmo ano, já não assistindo à inauguração do Aqueduto , em 1748. Seriam necessárias várias décadas ainda, até que, às portas do XIX, a obra cumprisse em pleno a missão de abastecer Lisboa, que depois manteve até ao fim da sua "vida funcional", em 1964.

"A história do aqueduto consubstancia o melhor e o pior de nós portugueses", diz Margarida Ruas. "O melhor porque é uma obra notável, feita - tal como afirmavam-, dando o melhor de nós para chegar a Deus, para construir a beleza máxima e a pureza máxima. O pior porque, na realidade, as lutas internas foram tão grandes, entre os mestres, entre os donos da obra, que acabou por ser solucionada passados quase cem anos com a intervenção do patriarcado."
Faz sentido que, a determinada altura, "um padre tenha também sido o coordenador da obra". É que, explica, o aqueduto está entre alguns monumentos do mundo, "tal como as pirâmides de Gizé, no Egito, tal como Notre Dame, em Paris", construídos de acordo com a geometria sagrada: a crença de que a geometria e a matemática estão intimamente ligadas a toda a realidade que nos rodeia. "Na geometria sagrada partimos do caos para a ordem. E para isso foi preciso dividir por números, os chamados números-ideia". O homem é "o agente integrador". E no caso do aqueduto, "único no mundo", essa integração "dá-se através de uma dimensão imaterial. Quando passeamos nas nascentes, com a água de um lado e do outro, as janelas refletem todo o mundo exterior".

Margarida Ruas reabriu o Aqueduto aos lisboetas e é uma das suas “guardiãs”

A dimensão mística desta obra de homens imperfeitos não deixa ninguém indiferente. O luso-brasileiro Emanuel Dimas Pimenta, especialista em arquitetura espacial e membro do comité técnico desta área no Comité Norte-Americano de Astronáutica e Aeronáutica, não se considera "nada esotérico". Mas recentemente publicou o ensaio: O Mistério das Águas Livres - O mágico aqueduto de Lisboa. "O aqueduto foi construído num período em que estavam em voga os universos esotéricos, como o universo Rosacruz. E historicamente ilustra um período do pensamento europeu de que poucas pessoas se dão conta", explica ao DN.

As próprias pedras do monumento remetem-nos para um universo misterioso. Várias têm símbolos que facilmente associamos à maçonaria, a ordem dos pedreiros livres. José Medeiros, historiador e presidente da Academia dos Saberes, esclarece que a maioria deles não eram mais do que "marcas de obra deixadas aos pedreiros pelos canteiros, que trabalhavam a pedra, algumas das quais acabaram por ser incorporadas pela maçonaria especulativa, ganhando significados completamente diferentes". Mas há também "símbolos especiais, de consagração, como o círculo com a cruz no meio e os três planos com a cruz em cima".
"O pancadas", o sociopata que matou dezenas por uma moeda

Diogo Alves, mais conhecido pela alcunha de "O Pancadas", ficou para a história como um dos piores sociopatas portugueses. Roubava mulheres no passeio público do Aqueduto, em Alcântara e, "por uma moeda", lançava dezenas de vítimas para a morte.

O processo de Diogo Alves está em exposição na Torre do Tombo

"Era um assassino em série. Era um homem de dupla personalidade. Durante o dia era boieiro e, ao que parece, de um profissionalismo extremo, e à noite transformava-se no pior dos assassinos", conta Margarida Ruas.

O modus operandi do homicida era sempre o mesmo: esperava pela passagem das lavadeiras de Caneças, "que vinham ou buscar ou entregar as roupas aos aristocratas em Lisboa", roubava-as e lançava-as do viaduto abaixo.

Inicialmente, as mortes chegaram a ser atribuídas a uma estranha vaga de suicídios. Mas quando as vítimas começaram a totalizar várias dezenas as autoridades perceberam que estavam a lidar com um homicida em série e o caminho público sobre o aqueduto foi interdito.

Diogo Alves nunca chegou a ser apanhado por estes crimes. Viria a ser detido, sim, pela morte da família de um médico, na Rua das Flores, durante um assalto conduzido por ele e por vários membros do seu gangue. Foi por este último crime que acabou por ser condenado e executado, em 1841. O processo que conduziu à sua condenação está atualmente em exposição na Torre do Tombo, em Lisboa.

Há uma lenda urbana que o identifica como o último condenado à morte em Portugal. Na realidade, esta pena foi abolida mais de uma década depois, em 1852, por D. Maria - mas apenas para crimes políticos - só sendo abolida para crimes civis em 1867, já no reinado de D. Luís. Vários homens foram ainda condenados e executados depois do "Pancadas". Mas o seu lugar na história ficou ainda assim assegurado, pelos piores motivos.

Aliás, por ironia do destino, entre centenas de figuras históricas ligadas ao aqueduto, Diogo Alves é mesmo a única cujo rosto podemos ainda contemplar. A sua cabeça foi decepada após a execução, a fim de ser estudada pela comunidade científica, e continua ainda conservada em formol no teatro Anatómico da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

Galego de nascença, "O Pancadas" - pela gravidade dos seus crimes - acabaria por contribuir para uma animosidade, que durou décadas, contra os imigrantes da Galiza, que não só eram os aguadeiros de Lisboa - antes do aqueduto - como foram os primeiros bombeiros da cidade.

segunda-feira, abril 17, 2017


O GRANDE RETROCESSO

Zygmunt Gauman

Extraído do jornal “Expresso”

“Se ainda acreditarmos no «progresso» (uma conclusão que está longe de ser óbvia), temos agora a propensão de o encarar como uma mescla de bênção e maldição – as maldições a aumentarem cada vez mais à medida que as bênçãos vão sendo em menor número e com maiores intervalos entre si.”
“Enquanto os nossos antepassados recentes ainda acreditavam que o futuro era o mais seguro e promissor depósito das suas esperanças, nós tendemos a projetar nele, essencialmente, os nossos múltiplos medos, ansiedades e preocupações – perante a crescente escassez de empregos, o decréscimo de rendimentos que reduz as oportunidades nas nossas vidas e nas dos nossos filhos, a ainda maior fragilidade da nossa posição social e a efemeridade das nossas conquistas, o gradual alargamento do fosso entre as ferramentas, os recursos e as capacidades à nossa disposição e a enormidade dos desafios com que nos deparamos. Acima de tudo, sentimos que estamos a perder o controlo sobre a nossa própria vida, relegados que ficamos ao estatuto de peões que avançam e recuam num jogo de xadrez travado entre jogadores desconhecidos, indiferentes às nossas necessidades – quando não se revelam, pura e simplesmente, hostis e cruéis para connosco – e que nunca hesitam em sacrificar‑nos para atingirem os seus próprios objetivos. Até há relativamente pouco tempo, a ideia do futuro era associada a mais conforto e menos inconveniência, mas presentemente aquilo que mais nos faz evocar é a terrível ameaça de sermos apontados ou rotulados como sendo incapazes ou desadequados para o desempenho de uma tarefa, sendo‑nos negado valor e dignidade, e, por esse motivo, sermos vaticinados à marginalização, exclusão e expulsão.”

sexta-feira, abril 14, 2017

5ª FEIRA SANTA
6ª FEIRA SANTA
SÁBADO DE ALELUIA
Recordo muito menino o que estes dias representavam em Peniche. O lava-pés. As cerimónias da Igreja de S. Pedro. A procissão do senhor morte que deixava um rasto de dor junto das crianças e dos mais velhos e fanáticos em questões de religião. E a Festa do sábado de aleluia.
Mais velho deixei-me encantar por Bach e Handel. E celebrava com o meu padrinho o dia de quinta-feira, para ele a festa do seu nascimento em Cristo.
Hoje tive a sorte de ser vivo para ler no expresso uma entrevista com o Padre Anselmo Borges, e pela sua análise aos dias actuais do Vaticano com Francisco. E como eu lamentei o estado miserável da Igreja em Peniche hoje.
Só por curiosidade uma resposta dada por ele que me tocou profundamente porque eu prório já aqui fiz essa análise: "Quando olhamos para a Igreja, assistimos a uma hierarquia que vive na ostentação, que não se bate pelos direitos humanos".
Enfim cada um vive a sua Páscoa.

quarta-feira, abril 12, 2017


SE…

…não tivessem havido receitas extraordinárias, o  défice do PIB seria de 2,5%

…António Costa não fosse um político como os de antigamente, o PSD de Passos Coelho ainda hoje estaria no Governo

…não fosse um comunicador extraordinário Marcelo Rebelo Sousa não seria hoje Presidente da República

… o PSD de Peniche não estivesse afeiçoado aos compadrios  eleitorais, a sua candidatura autárquica em Peniche seria outra

…o PS em Peniche não tivesse secado completamente a sua capacidade de empenhamento autárquico seria o de uma campanha mobilizadora para os seus apoiantes 

…o PCP não fosse um partido político tão pouco atento às pessoas como todos os outros não existiria hoje uma candidatura independente à Câmara Municipal no Concelho de Peniche

… a política não tivesse baixado de nível até aos infernos do mau gosto, os autarcas preocupar-se-iam com os bairros sociais em vez de passarem os dias a destruírem a Praça Jacob

… os autarcas se preocupassem com Peniche em vez de se reverem na sua imagem em televisões e revistas, já teria sido resolvida a nódoa em que se converteu a antiga Central eléctrica

… alguém empenhado presidisse aos destinos da Câmara Municipal já teriam sido eliminados os esgotos domésticos que desaguam no fosso das muralhas

… os que votam não fossem uns idiotas, o resultado das eleições seria completamente diferente e não existiriam Trumps, Putins, Maduros e quejandos

..Deus existisse não haveriam crianças a morrer com bombas de gás

…os políticos que nos governam desejassem que a União Europeia fosse credível os povos europeus lutariam por ela e não se digladiariam entre si

 

terça-feira, abril 11, 2017

A EVOLUÇÃO DA MATEMÁTICA
(no Brasil... cá não tem qualquer semelhança)
https://www.youtube.com/watch?v=ShBnfkoEBto

segunda-feira, abril 10, 2017


EU VIVI - V

O CONSOLIDAR DAS IDEIAS

È um período consagrado ao arrumar da casa. Do ponto de vista profissional e após ter feito o estágio e ingressado nos quadros do Ministério da Educação, aprofundei a aminha carreira profissional em cursos de Aperfeiçoamento e acabei por me dedicar de corpo e alma à Formação de Professores. Ingressei nos quadros da Escola Manuel da Maia e acabei por vir a trabalhar na CERCIP. Daqui fui expulso pelo actual Presidente da Câmara por perturbar a paz institucional e após um longo combate contra o presidente da instituição acabei por me efectivar na escola da Lourinhã, tendo-se iniciado aí a minha actividade como gestor que só abandonei quando fui trabalhar como autarca para a Câmara Municipal de Peniche.

Na década de 80 ainda as minhas deslocações a Lisboa se dirigiam essencialmente para assistir a exposições e ver Teatro que continuou sempre a ser uma forma de arte de que nunca desistirei. Aqui ficam 2 exemplos de peças que respectivamente em 1982 e 1984 constituíram o fôlego que me ia alimentado a alma nesses tempos de Peniche.   



 

sábado, abril 08, 2017


DO QUE É… AO SONHO!
Umas vezes deixo coisas que pretendem ser um naco de humor para a semana que aí vem. Outras deixo sustos ou surpresas. Prefiro não catalogar a 1ª parte do que vos deixo. Cada um (sobretudo os que já tiveram de responder perante a Justiça Portuguesa), cada um que ler o que segue que o classifique. Por mim prefiro considerar isto inclassificável: “Honni soit qui mal y pense” .
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA – PROCURADORIA GERAL DA
ARQUIVAMENTO DE INQUÉRITO – BPN – MANUEL DIAS LOUREIRO
No processo-crime com o NUIPC 7/09.2TELSB, o Ministério Público no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) investigou a prática, pelos arguidos MANUEL JOAQUIM DIAS LOUREIRO, JOSÉ DE OLIVEIRA E COSTA e pelo suspeito ABDUL RAHAM SALAH EDDINE AL ASSIR de um crime de burla qualificada, de um crime de branqueamento e de crimes de fraude fiscal qualificada e, ainda, pelo arguido LUÍS CARLOS OLIVEIRA CAPRICHOSO a prática de um crime de fraude fiscal qualificada.
No essencial, a investigação versou a prática de factos conexos com o Grupo BPN/SLN, com o negócio de venda da sociedade REDAL, de Marrocos, e com a aquisição de uma participação de 25% do capital da sociedade BIOMETRICS, de Porto Rico.
Toda a prova produzida nos autos revela, relativamente àqueles negócios, uma engenharia financeira extremamente complexa, a par de decisões e práticas de gestão que suscitaram suspeitas sérias sobre os reais fundamentos dos negócios subjacentes às participações na REDAL e na BIOMETRICS e ao pagamento de comissões não justificadas.
Tais negócios implicaram a concessão de financiamentos por bancos do Grupo BPN a entidades instrumentais, que não foram pagos, com consequente prejuízo para o Grupo, para além de transferências de capital para concretização do negócio da BIOMETRICS.
Foi recolhida e analisada a informação bancária relativa às operações e aos sujeitos intervenientes, não tendo sido possível identificar, de forma conclusiva, todos os factos suscetíveis de integrar os crimes imputados aos arguidos MANUEL JOAQUIM DIAS LOUREIRO, JOSÉ DE OLIVEIRA E COSTA e ao suspeito ABDUL RAHAM SALAH EDDINE AL ASSIR. PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA 2 DEPARTAMENTO CENTRAL DE INVESTIGAÇÃO E ACÇÃO PENAL
Em consequência e não obstante as diligências realizadas não foi possível reunir prova suficiente, susceptível de ser confirmada em Julgamento, da prática dos crimes imputados a estes arguidos e ao suspeito ABDUL RAHAM AL ASSIR.
Uma vez percecionadas, no seu conjunto, as operações suspeitas relacionadas com o arguido LUÍS CARLOS OLIVEIRA CAPRICHOSO, entendeu-se que o mesmo arguido não praticou o crime que lhe foi imputado.
Em face do exposto, foi proferido pelo Ministério Público no DCIAP, nesta data, despacho de arquivamento do inquérito.
Inquérito n.º 7/09.2TELSB
Data – 04.04.2017
E AGORA O SONHO…
O que vais ouvir desenrola-se na Sinagoga Portuguesa (Judaica), em Amesterdão, na Holanda. É iluminada apenas por velas. Foi construída há várias centenas de anos e nunca foi electrificada.
 Arco, assentos e tudo o mais foram feitos à mão, por construtores de barcos. Inexplicavelmente, durante a 2ª. guerra mundial, os nazis nunca se interessaram por esta preciosidade e por sorte, nem
sequer lá entraram. Encontra-se, pois, intacta e tal como foi erguida.
Aprecia, então, toda a sua beleza !