quarta-feira, novembro 30, 2016


QUE ASSUNTO SE SEGUE?

A Caixa já foi. O OE2017 já era. Os cortes orçamentais não existiram. A “coisada” vai deslizando. Entretanto os falsos cursos agora é o próprio governo que os descobre e penaliza. A sanha persecutória dos jornalistas que se masturbam intelectualmente com não-assuntos, vai perdendo força e espaço de manobra.

Os alunos do 4º ano afinal até têm resultados interessantes a Matemática. O que é lixado para os jornalistas é não poderem atribuir o sucesso a nenhum ministro visível. Como se fosse um ministro ou um governo responsáveis por isso.

Como estes jornalistas que buscam a agulha no palheiro foram péssimos alunos, não conseguem perceber que o que determina os resultados de uma alteração programática, que atinge novas didáticas, novas pedagogias, novos currículos, novos contextos sociais, novos modelos de interacção das comunidades com as escolas, novos cruzamentos multiculturais, tudo isso é gerador de alterações profundas que só se começam a verificar no mínimo ao fim de 2 gerações.

O destruir de conceitos tem nome. O sucesso nunca tem. A obtenção de resultados positivos não é atribuível. A destruição de uma cultura e de uma pedagogia que permita a formação integral do homem é sempre passível de ter um nome.

   

segunda-feira, novembro 28, 2016


A CGD E O “METE NOJO”

Jornalistas da treta. Políticos da treta. Todos eles, do MRPP ao CDS. Telejornais da treta que já não se podem ouvir.

Quero lá saber da declaração de rendimentos das pessoas que trabalham aqui e ali. Quando trabalham em certas instituições a gente só sabe aquilo que eles querem que saibamos.

Eu que tenho sido lixado de toda a maneira e feitio pelos bancos a única coisa que pretendo é que quem lá estiver não me prejudique mais do que aquilo que já fui. Se endireitar a CGD é bom por muito dinheiro que ganhe.

Só se preocupam com o que os outros ganham os miseráveis e os invejosos.

Porque é que quem trabalha na comunicação social, pelo menos uma vez por ano não vê editados os seus rendimentos?

Porque é que quem trabalha na comunicação social aceita que existam mulheres a ganhar menos que homens?

Porque é que quem trabalha na comunicação social não faz investigação e reportagem sobre a situação de dependência dos estagiários que trabalham consigo lado a lado sem auferirem quaisquer remunerações?

Isto de falar na vida dos outros é porreiro. Assim não se fala na nossa.

Eu estou numa de só ver e ouvir a CNN e a RTE. Desisti da merda do jornalismo televisivo que os os canais portugueses generalistas e por cabo fazem.
Entreguem a administração da caixa ao BE com a tripla Martins e Mortágua como CEOs e desamparem-me a loja.

domingo, novembro 27, 2016


A GRIPE NESTE ANO – 2016

- SERÁ FORTE E COM EFEITOS SECUNDÁRIOS. PROTEJAM-SE!...

ATENÇÃO: A gripe neste ano de 2016 será forte ao contrário do que o Ministro da Saúde tem vindo a dizer, desdramatizando a intensidade do surto de gripe, que classifica como uma mera Gripe A, a verdade é que os seus efeitos secundários podem ser devastadores.

 Temos pois de considerar seriamente a opinião de abalizados especialistas franceses que recentemente nos enviaram a mensagem e imagem seguintes:
Vous devez vous faire vacciner contre la grippe...

Attention aux effets... secondaires !...

sábado, novembro 26, 2016


MORREU FIDEL CASTRO

Aos fins-de-semana costumo aligeirar este blog. Mas hoje não me sinto com coragem para o fazer.

Morreu um Homem que faz parte da minha cultura e formação. Ele com o Che, com o Ho Chi Min, com o Kennedy, com o Churchil, com o Olaf Palm, e tantos, tantos outros, representam uma época de ouro do pensamento e da acção política. E eu tive a felicidade de viver ao mesmo tempo que esses homens fabulosos.

Compará-los com os líderes de hoje é o mesmo que comparar uma montanha com um grão de areia. E o que digo não é saudosismo. Nem conservadorismo doentio.

Fidel contra tudo e contra todos libertou um povo. Ao longo dos anos e apesar do mais miserável bloqueio que um povo podia suportar, eliminou a miséria (não a pobreza), instituiu educação e saúde para todos. E de tal maneira que até portugueses que se dizem contra o regime cubano, quando os seus filhos precisam de apoio médico fazem peditórios para arranjar dinheiro para pagar as suas deslocações a Instituições clinicas cubanas. Não vão aos EUA nem à Alemanha. Vão a Cuba.

A morte de Fidel diz respeito a toda a humanidade embora uma parte dela não o compreenda. Ele ensinou-nos que só a liberdade é importante para o homem.

Não a liberdade da maledicência. Não a liberdade da sem-vergonhice das redes sociais. A liberdade que se respeita a si própria respeitando os outros.

Por isso todos os políticos e chefes religiosos que visitavam Cuba iam visitá-lo e ouvi-lo.

Morreu Fidel. O mundo tal como o conhecíamos está a desmoronar-se.

sexta-feira, novembro 25, 2016


100 FOTOS

A revista Times publicou aquelas que considera serem as 100 fotos mais importantes de sempre.

Para nós cidadãos comuns é um exercício fantástico vê-las e pensar se as vimos no tempo a que correspondem, se delas só temos a memória dos facto que reflectem, em qualquer dos casos o impacto que em nós tiveram e como as utilizámos no nosso crescimento ou delas fizemos uso para ajudarmos na formação das gerações que nos têm seguido.

Deleitem-se. Sorriam ou deixem cair uma lágrima de nostalgia. Emocionem-se e se for caso disso lamentem o que não pode ser evitado.  

quinta-feira, novembro 24, 2016

Miguel Guedes, no Jornal de Notícias.
“A mentira implícita na pós-verdade nasce da banalidade, aguenta-se pelo lugar-comum das frases feitas e acaba na apreensão fácil e simplista da bazófia.”

quarta-feira, novembro 23, 2016


OBRAS PARA CAÇAR VOTOS

Assim falou Zaratustra.

Muita tem sido a polémica que tem envolvido os arranjos (?) que se vão multiplicando em períodos eleitorais em zonas privilegiadas da cidade de Peniche.

Eu que tive a sorte de viver desde os 8 anos de idade num desses locais assisti em sessenta e tal anos a um fazer e desfazer de terrados, de placas giratórias ou não, de empedrados e de alcatroamentos, de demolições de casas, construção em altura, prolongamento de estabelecimentos recorrendo a artifícios, que o mínimo que posso dizer sobre a Praça Jacob é que é um “fartar vilanagem”.

Presidentes de Câmara eleitos ou nomeados chegam a uma certa altura e perdem-se em obras que querem que sejam visíveis. Que melhor local?

Sendo aquela zona e até ao “Campo da Torre” uma das mais sensíveis da cidade, não se dão ao disfrute de exibir planos e questionar a sua opinião sobre esses projectos unipessoais. Exibem a sua prepotência esquecendo-se que a seguir a eles outros virão que com os mesmos demagógicos procedimentos irão desfazer o que eles agora fazem e desenhar de novo outros bonecos ditos urbanísticos.

A populaça fala. Mas não toma posição firme sobre o seu dinheiro que é corrompido com estas ambições eleitorais. O que ali se está a utilizar é o nosso dinheiro e nem nos perguntam a nossa opinião. Somos verbos de encher. Em Peniche também irá surgir um “penexit” e mais à frente ainda votaremos num trumpa qualquer coisa porque esta trampa já cheira mal.

Trago aqui à coacção o que os eleitos do PSD disseram sobre este assunto em reunião de Câmara. Só que cometeram o pecado de omissão. O que dizem agora dos comunistas, aplicava-se também aos seus presidentes noutras alturas e também aos do PS.

Mais que um libelo acusatório o que os autarcas do PSD deveriam fazer seria designá-lo como um mea-culpa pelo comportamento indigno dos autarcas de Peniche ao longo dos anos seja de que partido forem.        

 

CÂMARA MUNICIPAL DE PENICHE * Ata da reunião de 26.09.2016 * Livro 107 * Fl.733

DIVISÃO DE PLANEAMENTO E GESTÃO URBANÍSTICA: 

1) Estudo urbanístico de requalificação para a Praça Jacob Rodrigues Pereira/Largo 5 de Outubro – Largo D. Pedro V – Rua José Estevão – Campo da República (cidade de Peniche): -  Deliberação n.º 1516/2016: Os senhores Vereadores do Partido Social Democrata apresentaram a seguinte declaração de voto:--------------------------------------------------------------------------------- 

«Os vereadores do Partido Social Democrata repudiam o modo como foi liderado o processo do Estudo urbanístico de requalificação para o eixo Praça Jacob Rodrigues Pereira/Largo 5 de Outubro – Largo D. Pedro V – Rua José Estevão – Campo da República.  A área em estudo foi alargada desde a primeira vez que o assunto foi submetido a discussão na Câmara Municipal. Para os vereadores do PSD, não faz sentido analisar apenas o Largo 5 de Outubro e o Largo D. Pedro V, devendo efetuar-se uma análise que possibilite uma verdadeira requalificação dos eixos estruturantes da cidade com uma perspetiva holística e abrangente tendo em conta a necessidade da sua valorização. Posto isto,  1. Tendo já sido tomada a deliberação que permitirá reabrir ao trânsito automóvel o Largo 5 de Outubro e o Largo D. Pedro V, compatibilizando-os com zonas pedonais, é lamentável que continue por concretizar a intervenção que estimulará o comércio local que ainda ali existe.  2. É confrangedora a falta de arrojo e ousadia em empreender numa Praça Jacob Rodrigues Pereira moderna e sofisticada que privilegie as zonas pedonais e a segurança rodoviária, articulando-a com a urgente requalificação e revitalização do depauperado jardim público.  3. Para além da oportunidade desperdiçada e da evidente dificuldade em tomar decisões estratégicas (o assunto foi agendado aproximadamente duas dezenas de vezes desde Outubro de 2014), é notória a incapacidade de liderança por parte do executivo CDU ao alocar recursos humanos a projetar soluções atrás de soluções, sem que tenha existido uma ideia clara e objetiva do que era pretendido.

Peniche está refém de pessoas sem rasgo, sem visão e sem ambição – que apenas pensam em lançar mão de alcatrão para tapar buracos em tempo eleitoral, mas são incapazes de pensar num projeto de requalificação estruturante. A qualidade de vidas dos penicheiros não pode depender de ciclos eleitorais.»--------------------------------------

 

 

terça-feira, novembro 22, 2016


O PAPA E O ABORTO

A igreja católica tem sido demasiadas vezes apanhada em contramão. Os seus últimos chefes têm vindo a pedir perdão a Norte e a Sul, Este e Oeste, pelos crimes que cometeu durante largos anos. Em nome de Deus, ou de Jesus, ou da sua Igreja torturou, matou, queimou e exterminou civilizações, culturas, etnias e comunidades em genocídios de que nunca foi julgada.

Foram suas vitimas judeus, pretos e amarelos, muçulmanos, pessoas sem qualquer fé, ou aqueles que contestaram os dogmas da Igreja e que com a sua inteligência e independência colocaram em causa o domínio e o poder da chefia romana da igreja católica.

Ainda há poucos dias o Papa Francisco se redimiu pelos crimes da igreja catáolica contra a igreja luterana.

Tudo isto vem a propósito do aborto. Numa comunidade como a de Peniche sempre houve mulheres a praticarem aborto. A D. Efigénia é por demais conhecida por aqueles que hoje têm mais de 50 anos. A seguir a ela quantas Efigénias não acudiram a mulheres da minha terra. Curiosas ou mais preparadas tecnicamente, sempre ajudaram a resolver gravidezes indesejadas. A minha avó fez abortos, a minha mãe fez abortos. Falo delas embora pudesse falar de muitas outras que conheço. E no entanto sempre comungaram. Ninguém que eu conheça, tenha praticado o aborto e seja católica alguma vez deixou de o ser e de comungar.

E no entanto nunca pediram ao Bispo para as perdoar. Como o Padre não o podia fazer significa que comungavam em pecado mortal.

As mulheres da minha terra (entre elas a minha mãe e a minha avó) eram exactamente iguais às mulheres das outras terras por todo este país. Ora foi a esta hipocrisia que o Papa Francisco veio por fim.

As Marias Madalenas são muitas. O coração misericordioso da Igreja tem de ser enorme. Ou então decide continuar a atear fogueiras para queimar hereges. Os mesmos que a destruirão a ela se não souber por fim ao seu ódio pelas pessoas.    

segunda-feira, novembro 21, 2016


O ORÁCULO
O inenarrável baixinho da SIC vai bruxeando as suas afirmações. Ouve-se o “castiço” como se ouve a taróloga. Não é necessário marcar número de valor acrescentado. A SIC que acha que com isto presta serviço público, entrega-nos um homenzinho que os seus confrades rejeitaram, que os portugueses desprezam e que só serve para baralhar o que já está suficientemente confuso. Ele coitado bem se põe em bicos de pés. Mas continua a não chegar ao sítio. Só de escadote. Mas à frente dele já estão todos os que passando pelas jotas conquistaram o lugar e não se afastam um milímetro para ele passar.

Ele está no segredo dos Deuses disto e daquilo. Fala ex-cátedra

Não interessa se acerta ou não. Tantas dirá que alguma acretará.

O anão sabichão tem problemas interiores mal resolvidos. Que melhor dia para lhe dar um microfone que o domingo quando regressamos de férias e sentimos a falta do ruído. O baixinho não diz nada mas faz ruído. Esse o seu único mérito.

 


sábado, novembro 19, 2016


OS DIABETES E A VIDA SEXUAL DE UM CASAL

Um cidadão pouco informado foi ao médico. Este mandou-o fazer um conjunto de análises e disse-lhe para ele lá voltar assim que estivessem prontas.

Passados 15 dias ele voltou ao médico já com os resultados.

O médico viu, viu e no fim disse-lhe:

- Meu caro senhor. Os resultados das suas análises são francamente positivos para aquilo que eu esperava. Mas tem um problema que não está nada bem.

E o utente:

- Que se passa senhor Doutor?

- É que os valores dos seus diabetes estão altíssimos. Isto é perigosíssimo.

- Diabetes senhor Doutor? Mas que raio é isso?

- Eu digo isto de forma simples. Os seus valores de açúcar no sangue são exageradamente altos.

- Ai a grande cabra da minha mulher… Eu mato aquela desgraçada.

- O que se passa sr. Carlos? Porque é que o sr. ficou assim?

- Porque é que eu fiquei assim? Então eu pensava que aquela mulher dum raio fazia aquilo por prazer e afinal faz porque é gulosa…

 

NO CENTRO DE SAÚDE

Em linguagem vernácula de Olhão

Nota prévia:
A maioria das situações são fictícias mas os termos empregues foram recolhidos no Centro de Saúde de Olhão, sendo o espelho da confusão semântica e de vocabulário que tantas vezes existe nas cabeças dos nossos utentes...e ao fim e ao cabo de nós todos.
6h00m da manhã. O Sol já aparecia lindo sobre o azul celeste.

À porta do Centro de Saúde, um pequeno grupo de utentes organizava-se para a marcação da consulta "à vaga".
A maioria já se conhece. Afinal todos são já bem experimentados nesta forma bem própria de utilização da consulta.
Aliás, o Director do Centro de Saúde até mandou instalar uns banquinhos de jardim no local, para tornar a espera mais atractiva.
É uma excelente oportunidade para trocar experiências e conhecimentos, que todos vão acumulando ao longo do seu percurso de contactos com os médicos e hospitais.


A Maria do Céu vai à consulta do "Parlamento", a Dona Gertrudes vai à consulta da "Monopausa" e a Rita é que as corrige informando-as que aquela consulta chama-se de Planeamento Familiar.

Uma tem um "biombo" no "úbero" e leva os resultados duma "fotografia", outra está preocupada com comichões na "serventia" do marido, até porque ele, havia poucos dias, tinha já sido consultado pelo médico por estar com os "alforges" todos inflamados. Alguém logo ali diagnosticou um problema na "aprosta" do marido.

Mais à distância desta conversa, um grupo de senhoras falavam dos métodos contraceptivos e, uma delas, peremptória, afirmava que nunca aceitaria porem-lhe uma "fateixa" dentro da barriga!

Uma outra discordava, e lá lhe foi dizendo que, por causa disso, é que teve tantos filhos, felizmente todos de parto normal, só o último foi de "açoreana", mas aquele que lhe dava mais problemas era o mais velho que já era "toxico-correspondente"!

Noutro local, um grupo de homens mais idoso ia falando da relação entre o "castrol" e a "atenção".

Às tantas um deles começa a explicação cuidada dum acidente que tivera. Por isso é que tinha a vacina contra o "tecto" em dia, mas o acidente estragou-lhe a "tibiotísica" e causou-lhe uma hérnia "fiscal", pelo que tinha ido fazer uma "fotocópia" e um "traque".

Outro referiu que nunca teve problemas de ossos, o seu problema era uma grande "espirrogueira na peitogueira".

Uma senhora, atraída pela conversa, queixava-se de entupimento no "curso" com dores "alucinantes" quando se "abaixava". Além disso cobria-se de suores e "gómitos", ficava "almariada" e tudo acabava com uma forte "encacheca", ficando cerca de 3 dias com cara de "caveira misteriosa". Alguém lhe falou nuns supositórios que a poderiam ajudar mas ela já os conhecia, aparentemente tinham sido muito difíceis de engolir, pelo que o melhor ainda era o "clistério".

Finalmente, uma outra senhora queixava-se da "úrsula" no "estambo", pelo que vinha mostrar o resultado duma "endocuspia" e ainda algumas análises especiais, como a Proteína C "Reaccionária".

8h30m da manhã. Ainda havia muito para conversar mas a Inês, jovem funcionária administrativa do Centro de Saúde, obviamente tarefeira, acaba de chegar. Os funcionários administrativos não podem chegar atrasados, caso contrário, confundir-se- -iam com os doutores.

- Quem é o primeiro, se faz favor? Ora diga lá o seu nome?
- Josefina Trindade.
- Idade?
- 67 anos.
- Estado?
- Constipada, muito constipada!

9h00m da manhã. Aparece a enfermeira Freitas que grita para a pequena multidão barulhenta que cerca a Inês:

- Quem está para medir as tensões? É você? Então entre e diga-me qual é o seu problema?

- Sabe, senhora enfermeira, o meu problema é ter uma doença "arrendatária" que "arrendei" do meu pai e já me levou uma vez aos cuidados "utensílios" do hospital. Afecta-me as "cruzes renais" e por isso dá-me muita "humidade à volta do coração". Aliás, o doutor pediu-me uma "pilografia" e um "aerograma" que aqui trago e recomendou-me beber pouca água.

Finalmente, chega o médico, que logo dá início às consultas:

- Então de que se queixa?
- De uma angina de peito, senhor doutor. Tudo começou há uma semana quando fui às urgências. O médico disse-me que era uma angina na garganta, mas a angina começou a descer e agora apanha-me o peito todo!

Aos poucos, os utentes iam entrando e saindo, com melhor ou pior cara.

Alguns perguntavam à Inês onde era o "pechiché da retrosaria" para pagarem a taxa moderadora.

 

 

quinta-feira, novembro 17, 2016

Pós verdade:
“adjectivo que se aplica a circunstâncias em que os factos objectivos são menos importantes na formação da opinião pública do que os apelos do foro emocional”.


Fundamental ter isto em atenção quando se ouvem ou leem, os políticos sejam eles das Câmaras ou de nível nacional, os comentadores políticos, as redes sociais, ou ainda os dirigentes desportivos.

terça-feira, novembro 15, 2016


UMA OPINIÃO A CONSIDERAR

O Jornal “Publico de 14/11 pp publica uma longa tese do ex-Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, sobre a eleição do sr. Trump do que lhe deu origem e do que poderemos pensar que será um futuro próximo. Bem sei que isto não corresponde ao que se espera de um blog. Mas sinto que é minha obrigação como cidadão, divulgar neste tempo o pouco que se vai publicando na imprensa e que constitui uma pedrada no charco da futilidade em que se transformou a opinião publicada. Com a devida vénia transcrevemos do "Pùblico" o ensaio do Dr. Jorge Sampaio:

 

A nova Europa dividida num contexto internacional de incertezas. E nós?

Por Jorge Sampaio

 

o optar por me debruçar aqui sobre a “questão europeia”, chamemos-lhe assim, o meu objectivo não é trazer à colação certezas e ideias feitas acerca da Europa, do seu passado e do futuro, mas antes tentar desbravar um caminho de interrogações e perplexidades, que são afinal as de um europeu convicto, que teima em continuar a sê-lo, mas que se confronta com um conjunto de contradições, dilemas e perguntas para as quais as respostas não parecem óbvias nos tempos que correm. Ou seja, e este é o meu ponto de partida, as convicções outrora firmes que me acostumara a assumir como premissas inabaláveis de um europeísmo esclarecido estão hoje, em 2016, algo toldadas pela acumulação de dúvidas nascidas da confrontação com a realidade — o tal reality check, como bem se diz em língua inglesa —, assim como pela acentuada e generalizada erosão da confiança na Europa, no seu funcionamento, na sua capacidade de cuidar dos bens públicos europeus e de responder às expectativas dos cidadãos.

Em suma, tentarei fazer nestas páginas um exercício de militantismo europeu, na certeza de que a dinâmica do capitalismo global, tal como se desenvolveu e se afirma no nosso tempo à escala planetária, exige da Europa e dos países europeus a determinação de se constituir como uma alternativa sólida, por um lado, à financeirização da economia e, por outro, ao capitalismo autoritário de “valores asiáticos”, por assim dizer. Se esta alternativa coincide com a União Europeia, tal como a conhecemos hoje, ou se exige uma outra Europa, é uma questão que está em aberto e cujos contornos aqui procurarei, precisamente, delinear.

À partida, direi, como posição de princípio, que é na fractura aberta pelas insuficiências da actual Europa que importa trabalhar, mesmo se para tal for necessário quebrar alguns tabus, colocar questões inconvenientes e formular “hipóteses fora da caixa”.

União Europeia, 60 anos em 2017

Está já anunciada, para o próximo ano, uma cimeira extraordinária para comemorar o 60.º aniversário dos Tratados de Roma, assinados a 25 de Março de 1957, os quais, como é bem sabido, deram origem à actual União Europeia. Celebrações do género têm povoado a vida europeia, sendo que, desta vez, as questões da participação ou não do Reino Unido e a proximidade das eleições presidenciais francesas — cuja 1.ª volta está prevista para 23 de Abril — poderão vir a dominar ou mesmo a ensombrar as referidas comemorações, para não referir sequer a incerteza que paira sobre o futuro político em Itália ou da própria Alemanha, onde haverá também eleições legislativas no Outono do próximo ano. De qualquer forma, para além da coreografia habitual que inclui discursos de ocasião e a tradicional fotografia de família, o facto mais relevante será o documento a apresentar sobre “o nosso futuro comum”, tal como foi decidido e anunciado no Conselho Europeu de Bratislava de Setembro último.

Mas a verdade é que sabemos, de resto bem de mais, o quanto o tema do “futuro da Europa” está hoje gasto e mais do que esgotado, uma vez que consta da agenda europeia desde a adopção do Tratado de Nice, tendo estado, de resto, no centro de vastos e múltiplos debates travados à escala europeia no âmbito da convenção lançada em Dezembro de 2001 e que se prolongou pelos anos seguintes. Não nos esqueçamos do desfecho de todo esse processo, que redundou no abandono do projecto da adopção de um tratado constitucional para a União Europeia, na sequência da sua rejeição por referendo em França e nos Países Baixos em 2005.

Lembro aqui este pedaço da nossa história comum porque, com o passar do tempo, apercebemo-nos melhor do quanto a crise que a Europa atravessa hoje, e que já ninguém nega, tem raízes bem mais profundas, emaranhando razões, falácias e demagogias, disfarçando disfuncionamentos e problemas que foram deixados para trás sem que tivesse havido tentativas sérias de os resolver, a não ser através da convocação de sucessivos grupos de sábios e da apresentação de relatórios sobre o futuro da Europa, depressa deixados de lado…

Por mim, considero que a consistente e reiterada manifestação de movimentos populistas, a que estamos a assistir, correspondem a uma nova e inquietante tendência global, que se expressou já no plano europeu nos referendos de 2005, que se consolidou no "Brexit" e que, no plano nacional, tem dado origem à criação de partidos nacionalistas e a vitória a figuras políticas improváveis.

Mas, fixando-nos, para já, no quadro europeu, olhando para a última década, não nos pode escapar o facto de a União Europeia enfrentar uma clara acumulação de dificuldades, problemas mal resolvidos e alguns estrondosos insucessos, o que faz com que seja hoje consensual o estado de crise crónica do projecto europeu, agravado, sem dúvida, a uma escala sem precedentes, com o resultado do referendo no Reino Unido que levará à sua auto-exclusão da União Europeia.

As dificuldades e desafios são de vária ordem, mas aqui gostaria de começar por identificar duas grandes áreas: a económica, monetária e financeira, por um lado, e a da segurança, do controlo das fronteiras e das migrações, por outro. Em ambos os domínios produziu-se, a meu ver, um ponto de clivagem forte que assinala, porventura, um ponto de não-retorno, cujo desfecho está ainda por determinar.

Sejamos, pois, claros: a crise das dívidas soberanas não foi resolvida, mas basicamente está apenas suspensa devido à intervenção do Banco Central Europeu. Ou seja, os fundamentos da crise continuam presentes, a saber: o baixo crescimento, o alto desemprego e a elevada dívida pública e privada cuja implicação é, respectivamente, a contenção do Estado social e do investimento público e a retracção do investimento privado com recurso a capitais próprios das empresas. Face a esta situação, a verdade é que a resposta da União Europeu (quer da Comissão, quer do Conselho) tem sido claramente insatisfatória: por um lado, como a união bancária (nomeadamente com o mecanismo de garantia de depósitos) continua por completar, a eventualidade de uma nova crise torna-se maior, a qual obviamente atingiria os países mais vulneráveis, incluindo Portugal. Por outro lado, não havendo progressos na união orçamental e mantendo-se a situação actual, não há forma de o orçamento comunitário (ou da zona euro, aliás, inexistente) poder absorver os choques assimétricos que se fazem sentir em países particulares.

Acresce, ainda, que, não se tendo encontrado nenhuma solução global para o problema das dívidas excessivas, se mantém a vulnerabilidade, em particular dos países com maior endividamento, face ao agravamento das suas condições de financiamento.

A interpretação dominante dos tratados, regulamentos e acordos produzidos pelas instituições europeias continua a ser, embora com algumas modulações, a de one size fits all. Ou seja, aquilo que é proposto e de certo modo exigido aos países e aos povos europeus dos países mais vulneráveis é que mantenham por períodos significativos (dez a 15 anos) políticas ou de austeridade ou de forte contenção orçamental e que registem significativos excedentes nas suas contas públicas (de resto, nunca alcançados no passado) dificilmente compagináveis com a manutenção dos seus estados de bem-estar.

Mas o pior é que, de facto, ninguém parece acreditar que Bruxelas (ou Berlim) tenha qualquer iniciativa nos próximos meses para responder à crise da eurozona, para alterar a ortodoxia financeira dos credores ou para criar as condições institucionais e orçamentais que tornem possíveis programas de reforma nas economias mais frágeis. Ora, acontece que também não existe nenhum indicador no sentido da inversão de tendência de crise nos países devedores: a Grécia pode requerer um novo resgate, a negociação sobre o sector bancário italiano não está fechada e, em Portugal, a crise que nunca acabou parece igualmente concentrada no sector bancário.

Em suma, devemos reconhecer que a Europa tem um problema imediato para resolver, e que são as deficiências da moeda única. Há um conflito entre países em torno do cumprimento do Tratado Orçamental, do reforço da união bancária e da definição de elementos de união política.

Como resultado de todas estas questões mal resolvidas ou por resolver, a área dos problemas sociais adquire premência redobrada — como criar emprego, incentivar maior procura na zona euro e promover maior justiça social através da luta contra as desigualdades crescentes?

O conjunto destas dificuldades — monetárias, financeiras, económicas e sociais — tem constituído um ponto de clivagem forte no seio das opiniões públicas europeias, contribuindo para gerar o reforço, agora com fundamentação económica, dos argumentos daqueles que, radicalizados à esquerda ou à direita, apelam ao fim do projecto europeu e ao regresso do proteccionismo e dos nacionalismos.

Como acima já mencionei, deparamo-nos, a meu ver, com uma segunda grande área de problemas relacionados com a segurança: o controlo de fronteiras e as migrações. A forma desastrosa como a União Europeia tem gerido este conjunto de dossiers tem constituído um segundo pólo de fricções e de clivagem no seio das sociedades europeias, designadamente devido às migrações descontroladas do ano passado, à questão da repartição e integração dos refugiados, que continua por resolver.

Importa sublinhar que ligada a esta área de problemas está também a crise do modelo aberto, tolerante e inclusivo das nossas sociedades europeias, a braços com conflitos de ordem cultural e de valores. A dificuldade em lidar com o choque cultural que está a abrir brechas fundas nas nossas sociedades explica — juntamente com as dificuldades económicas e as desigualdades sociais — o esboroamento a olhos vistos da confiança na União Europeia, nas suas instituições e nos seus líderes, com todas as sondagens e estudos de opinião a ilustrarem esta tendência.

É impossível não olhar já para as eleições de 2017 em França e na Alemanha como próximas etapas prováveis desta corrida para o abismo

Isto explica, creio, a criação de partidos políticos fora do mainstream, partidos de franjas e extremos, e de movimentos inorgânicos sui generis, bem como, por efeito de espelho, o reforço dos partidos antieuropeus e populistas que advogam o encerramento das fronteiras, o proteccionismo e o regresso dos nacionalismos, porque, aos olhos dos cidadãos, está em causa o fraco ou mau desempenho da governação europeia e a sua incapacidade em gerar emprego e prosperidade ou ainda em encontrar soluções para desafios globais, como sejam o terrorismo, a gestão das fronteiras ou a questão dos refugiados e das migrações.

A mim, parece-me que a confiança hoje está abalada de forma sistémica e sistemática — e, no fundo, a questão que se coloca é se esta desconfiança está já demasiado cimentada para ser reversível e evitar o alastramento dos populismos de toda a sorte.

A este respeito, a saída do Reino Unido da União Europeia é inquietante, a vários títulos, de que salientarei três: primeiro, porque inaugura uma nova etapa na história europeia, a da “desconstrução” da União Europeia, uma fórmula suave para não dizer “destruição”, após 60 anos dominados pela dupla dinâmica do “alargamento-aprofundamento” da UE. Em segundo lugar, porque é uma porta aberta para que outros Estados lhe sigam no encalce; em terceiro lugar, porque é uma fonte de inúmeras e pesadas incertezas que poderão acabar por precipitar um sem-número de problemas em cascata — na área das políticas comuns, mas também no plano da economia, da segurança, da política externa ou da defesa, bem como abalar de forma duradoura equilíbrios de poder já de si precários no seio da governação europeia.

Olhando para o resultado das eleições presidenciais americanas, creio que há razões tangíveis que reforçam inquietações e pessimismo, pois está claro que todas estas tendências vão no mesmo sentido, reforçando-se negativamente, sendo impossível não olhar já para as eleições de 2017 em França e na Alemanha como próximas etapas prováveis desta corrida para o abismo.

Por conseguinte, neste complexo contexto europeu e internacional em que nos encontramos, reconstruir a confiança constitui, a meu ver, um desafio grande, moroso, complexo, mas incontornável. Não há economia nem mercado nem política nem democracia sem esse cimento de base, a confiança. Não há paz duradoura se a desconfiança minar as relações entre comunidades, povos e nações, se o pacto social for rompido.

Para restaurar a confiança, é preciso proceder à recapacitação das nossas democracias no plano nacional, ao nível central e local; mas esta passa também pelo resgate da democracia representativa na Europa, na fórmula sugestiva de Soromenho Marques, pelo aprofundamento de uma União Europeia que sirva os cidadãos e defenda o interesse geral europeu.

Tenho a convicção de que cabe à Europa contribuir para reinventar a democracia para a nossa era da globalização, até porque a Europa não é só parte dos problemas, mas é também solução, dando aos países mais controlo sobre políticas que se tornaram globais. Agora, tal não acontecerá se a Europa não contribuir para reforçar o poder de escolha dos cidadãos, revitalizando a ideia de que a democracia é o regime em que as alternativas políticas são possíveis. Mas, para isso, a União Europeia tem de reatar com o melhor da sua tradição, a que combina a liberdade que vem do liberalismo com a estabilidade, o bem-estar e a equidade social que vêm da social-democracia. Se Bruxelas e os Estados-membros da União Europeia não entenderem isto e nada fizerem para resgatar estes valores, as comemorações de Março do próximo ano do 60.º aniversário dos Tratados de Roma correm sério risco ou de não terem sequer lugar ou de se transformarem numa marcha fúnebre.

O novo contexto geopolítico


Incapaz de gerir bem a inédita complexidade da presente globalização, o século XXI começou mal, carregando já nestes seus primeiros anos um cortejo de indescritíveis violências, situações de terror múltiplo e geograficamente disperso, crises económicas e financeiras demolidoras de um desejável progresso social, com preocupantes efeitos numa generalizada descredibilização da acção política, quer seja no plano nacional, quer no da concertação internacional, que desacredita todo o sistema do multilateralismo.

Difícil, por tudo isto, ser optimista, quando a realidade nos interpela, revelando um tempo de conflito e de persistentes violações dos direitos humanos; de intoleráveis assimetrias na riqueza e no acesso aos bens públicos, que depois se projectam no desenho de uma penosa geografia mundial de doenças, epidemias e exclusões; ou na insistente existência de massacres sectários.

Assistimos hoje a perversas destruições de memórias históricas que constituíam até agora acervo intocável do património da humanidade; presenciamos o alastrar de perigosos fundamentalismos, que julgávamos já sepultados pelo progresso comum; e, neste milénio gerador de tantas expectativas, convivemos com a vergonhosa tragédia dos refugiados e migrantes que procuram na Europa uma alternativa à morte, à perseguição, à violência ou à fome, e encontram o Mediterrâneo como sepultura dos seus magros sonhos, reféns de redes de traficantes que continuam a operar com escandalosa impunidade.

Neste mundo preocupado por um diferente alinhamento de hierarquias de poder e da emergência de novas inseguranças, percebemos com desalento que mesmo a União Europeia — aonde antes íamos buscar conforto, porque depositária de muitas das nossas esperanças de progresso e de equilíbrios estratégicos — tem revelado nos últimos anos uma impotência decisória que parece ser a única marca da sua política externa.

Agora a questão crucial é que a saída anunciada do Reino Unido da União Europeia constituiu um ponto de não-retorno no projecto europeu. A meu ver, ignorar que estamos perante uma situação em que nada será jamais como dantes e em que nada poderá continuar a ser business as usual levar-nos-á directamente ao precipício.

A história não se repete, mas há dinâmicas que parecem recorrentes, sufragadas por teorias várias, designadamente as que ao apogeu dos grandes projectos civilizacionais fazem seguir o declínio e a decadência como etapas previsíveis. Não quero com isto vaticinar um destino trágico para a União Europeia — o que é dizer para todos nós —, mas sim, ao invés, lançar um apelo veemente para que se faça algo para inverter esta corrida para o abismo em que parecemos lançados e de que, de resto, a emergência dos populismos como uma nova tendência global constitui um sério e preocupante aviso, reiterado com o resultado das eleições americanas.

Perante este quadro sombrio, importará, todavia, lembrar que, da História, e da sua lenta e pouco linear passada de anos e séculos, nos chega igualmente um sólido acervo de realizações que justificam que nos continuemos a bater por um futuro melhor e pela evolução positiva da sociedade em que vivemos, no plano nacional ou internacional.

O século XXI tem criado, à volta da Europa, um extenso arco de conflitos e situações de crise que lavram, vitimando sobretudo as populações civis e impelindo milhares a lançar-se em aventuras transcontinentais incertas e perigosas. A luta contra o terrorismo, se continua a mobilizar os esforços de um vasto leque de parceiros, deixa, no entanto, em aberto numerosas incógnitas, como sejam o futuro da Líbia, Síria, do Iraque, do Iémen e do Afeganistão, bem como a relação de forças entre, digamos, o eixo sunita/xiita. O relacionamento com os parceiros próximos da Europa — designadamente Turquia e Rússia — padecem de interlocução séria e de um agenda europeia própria, reféns de interesses mais vastos e contraditórios, ora focados na crise dos refugiados no que respeita à Turquia, ora na questão ucraniana no que toca à Rússia ou ainda na questão síria, que envolve ambos.

A crise das dívidas soberanas não foi resolvida, mas basicamente está apenas suspensa devido à intervenção do BCE

Por seu turno, o relacionamento transatlântico, tão essencial à própria dinâmica intra-europeia, está hoje suspenso por um pesado conjunto de incertezas, resultantes quer de todas as incógnitas e indefinições que rodeiam a próxima administração americana, quer, do lado europeu, das consequências do "Brexit" na redefinição dos equilíbrios intra-europeus e do seu impacto geral nas relações de cooperação, num vasto plano de matérias, incluindo a segurança e a defesa e nomeadamente com a NATO.

A eleição de Donald Trump para Presidente dos EUA traz consigo um lote acrescido de imprevisibilidade e de incertezas, sendo plausível um período mais ou menos longo de ajustamentos ou mesmo, digamos, de aprendizagem por ensaio e erro no plano da política externa da nova administração, com todos os riscos inerentes.

À Europa caberá a opção ou de se tornar irrelevante ou de se afirmar como um modelo civilizacional, económico e de sociedade com peso próprio, podendo afirmar-se como o fiel das múltiplas balanças que se poderão vir a desenhar no seio de uma ordem mundial multipolar, marcada por uma geometria de poderes variável.

Para mim, que, sobretudo nestes últimos anos, viajei intensamente pelo mundo inteiro, convivi de perto com povos de todos os continentes, discuti e vi realidades — culturais, sociais, políticas e societais — das mais variadas, há uma coisa que se tornou óbvia: é que, de onde quer que viesse (da Ásia, África, Américas ou do Extremo Oriente), a noção de se “chegar a casa” quando se aterra na Europa (seja em Paris, Londres, Luxemburgo, Tessalónica, Amesterdão, Barcelona, Riga ou em Cracóvia) é real, além de extremamente reconfortante…

E isto significa, afinal, que a Europa é a partilha de uma casa comum, de um património civilizacional e de valores, de um modelo de sociedade, e que é isto que nos faz sentir parte de uma mesma família, enfim, que nos faz sentir sermos todos cidadãos e membros de uma comunidade de destino. Para mim, é esta sensação ou sentido de filiação ou de cordão umbilical comum que dá sentido ao projecto político europeu. Ora, um dos grandes desafios que se coloca hoje é precisamente o de como reforçar este sentimento de pertença dos europeus, sejam urbanos ou de comunidade rurais, de gerações mais novas ou mais antigas; como fortalecer o sentido desta identidade partilhada; como revigorar o orgulho de ser europeu.

Portugal, 30 anos depois


Ao completarem-se 30 anos da adesão de Portugal ao projecto de integração europeia, porventura a mais inovadora experiência política realizada desde a paz de Vestefália, este poderia ser o momento certo para fazermos um balanço rigoroso e exaustivo da nossa participação europeia na dupla vertente do que a Europa tem feito por nós e do que podemos fazer por ela.

Como a “questão do futuro da Europa” está de volta, importa, a meu ver, que Portugal inicie um processo de reflexão interno — dentro das mais variadas sedes e foros, designadamente no plano das instituições de segurança e defesa — sobre como assegurar uma participação de qualidade na União Europeia. Temos de ser contribuintes líquidos para o debate europeu que vai ocorrer na sequência do "Brexit", que se vai intensificar e em que não poderemos figurar como espectadores mais ou menos passivos. Temos de saber o que queremos, temos de levar ideias claras e propostas bem definidas, e, sempre que possível, contribuir para liderar o debate.

Sabemos já — de um saber feito de experiência e, por vezes, de dura experiência — que temos de ser mais rigorosos em relação à Europa que queremos. Já vimos que não é uma qualquer Europa que serve os nossos interesses. Creio que deveríamos identificar o núcleo duro de premissas por que nos deveríamos bater. Por exemplo, penso que deveríamos recusar todo o tipo de iniciativas restritivas que se baseiem em critérios passadistas e obsoletos, como sejam as que recorrem à figura dos “membros fundadores”. Ao invés, dever-nos-íamos bater por que a europa do euro — a dos 19 do euro — seja o verdadeiro núcleo duro de uma UE reformada. A meu ver, dever-se-ia começar por solidificar a União entre os 19 da zona euro por forma a relançar a construção europeia pela base — ou seja, através de um compromisso claramente político no sentido de reforçar os mecanismos económicos e financeiros da zona euro.

Um outro ponto muito importante é que a saída do Reino Unido da UE vai produzir mudanças fundas em termos dos equilíbrios de poder intra-europeus, sendo provável, a meu ver, a consolidação do “momento unipolar” alemão, incluindo o reconhecimento norte-americano da Alemanha como o principal parceiro europeu dos Estados Unidos. Essa evolução estava esboçada já antes do "Brexit", mas a sua confirmação marcará uma viragem que obrigará Portugal a concentrar-se sobre as suas relações com a Alemanha e com a Espanha, que é o principal parceiro de Berlim (e de Washington) na Península Ibérica.

Por certo, Portugal deve reconstituir, num quadro bilateral, a sua relação com o Reino Unido, como o exigem a história comum, os interesses económicos e a necessidade imperativa de proteger as comunidades emigrantes — devem estar mais de 300 mil portugueses no Reino Unido, o principal destino da última vaga de emigração. Mas essa relação deixa de ser directamente relevante na balança interna da União Europeia.

Esta alteração dos equilíbrios geopolítico-estratégicos exigirá reflexão aprofundada do nosso lado, realinhamentos e reposicionamentos diplomáticos e de política externa que convém prepararmos atempadamente.

Por último, penso que é também forçoso admitir que deixou de existir, agora no plano interno, um consenso nacional sobre a política externa, incluindo entre os dois principais partidos. Tornaram-se mais evidentes as clivagens que separam os partidários do reforço de uma aliança alemã dos outros que se lhe opõem, persistem as divisões que separam os europeístas e os atlantistas, são cada vez mais fortes as posições nacionalistas contra a integração europeia, incluindo o Partido Comunista e do Bloco de Esquerda, na ausência de uma força populista de direita.

Neste contexto, há que nos interrogarmos sobre qual será a melhor estratégia e os vários níveis de interlocução — inclusive institucional — para inverter as divergências cavadas entre as elites políticas, que não parecem preparadas para responder à crise precipitada pelo "Brexit". Há também que reflectir seriamente sobre o impacto possível de novas opções de política externa e de defesa da futura administração americana para os nossos próprios interesses nacionais.

Em suma, atravessamos um momento especialmente crítico para o nosso futuro colectivo — no plano nacional, mas também europeu e até mundial. Mas, qualquer que seja o sentido futuro da integração europeia — e sabemos que há vários cenários —, o que me parece importante sublinhar aqui é a necessidade de se aprofundar a discussão sobre que Europa queremos, que modelo para a reformatação da zona euro e que actualizações pretendemos fazer dos nossos compromissos europeus.

 

domingo, novembro 13, 2016


O SR. PEDRO FERRAZ DA COSTA

É uma pessoa amarga. Foi durante muitos anos presidente da CIP. Agora é o líder do Fórum para a Competitividade.

Ouvi-lo é sentir o som de uma pessoa amargurada e desencantada. As suas palavras destilam ódio. Pelo menos é assim que eu as sinto. O Sr. Ferraz da Costa espelha no rosto um ar de uma má disposição permanente e esgares de uma latente raiva contra tudo aquilo que não alinha pelo seu diapasão. Penso que o sr. Ferraz da Costa teve a infelicidade ou de nascer no país ou no tempo errados. Se calhar trata-se das duas situações em simultâneo.

O sr. Ferraz da Costa odeia “comunagem” e quem com aqueles se conluia. Detesta esquerda e tudo aquilo que ela representa. Em casa do sr FC não há lareiras para ele não ter que mandar cavacos para a fogueira.


E no entanto até posso acreditar que ele terá razão numa ou noutra opinião que manifesta. Mas ele faz-me lembrar a história do rapazinho que passava o tempo a gritar que vinha lá um lobo. Até que no dia em que o lobo realmente apareceu e ninguém acreditou nele.

O sr. FC tem de aparecer publicamente com um sorriso de esperança na cara. A experiência de vida que tem deve utilizar aconselhando-nos sobre o que pensa serem os melhores caminhos. Mas sem dizer isso como quem nos manda para a cadeira eléctrica. Ou para a forca. Ou para a fogueira. Não sei se o sr. FC é cristão. Se o é (e acredito que se deve julgar ser) ponha os olhos no actual Papa e manifeste no seu rosto a alegria que sente por ser humano e poder ajudar tanta gente.

Os outros, que ele condena, também podem estar a acreditar que estão a fazer o melhor para o país. Só que podem aqui e ali cometer erros que alguém com um sentido grande de tolerância e de humanismo pode ajudar a corrigir.

Deixe-se no entanto de atirar pedras para os outros. Algumas (corre o risco) podem vir a partir o seu próprio telhado.

 

sábado, novembro 12, 2016


COISAS DOS DIAS DE HOJE

 

O ERASMUS É NO QUE DÁ
Estudante Árabe em Berlim manda um e-mail para o Pai dizendo
 
 Meu querido pai:

 Berlim é maravilhoso. As pessoas são excelentes e eu estou realmente a gostar disto. Mas, pai eu estou um bocado envergonhado em chegar à minha faculdade com o meu Ferrari 599GTB em ouro, quando todos os meus professores e meus colegas vêm de Comboio.
 Seu filho, Nasser.
 
 No dia seguinte o Pai responde ao e-mail do Nasser:


 Meu amado filho. 20 Milhões de dólares acabaram de ser transferidos para a tua conta. Por favor pára de nos envergonhar.
Vai comprar um comboio para ti também....

 

ISTO SO PROVA QUE O MUNDO EM QUE VIVEMOS, NÃO É FÁCIL! 

 

ALGUMAS LEIS E PRINCÍPIOS DEMONSTRADOS EMPIRICAMENTE: 

"A apólice de seguro cobre tudo, menos o que aconteceu." ( Lei de Nonti Pagam).

"Quando estiveres só com uma mão livre para abrir a porta, a chave estará no bolso oposto." (Lei de Assimetria, de Laka Gamos).

"Quando suas mãos estiverem sujas de gordura, vai começar a ter comichão, pelo menos, no nariz." (Lei de mecânica de Tukulito Tepyka).

"Não importa por que lado seja aberta a caixa de um medicamento. O papel das instruções vai sempre atrapalhar." (Princípio de Aspirinovisk).

"Quando achas que as coisas começam a melhorar, é sinal de que algo te passou despercebido." (Primeiro teorema de Tamus Ferradus)

"Sempre que as coisas te parecem fáceis, é porque não entendeste todas as instruções." (Princípio de Atrop Lado)

“Os problemas não se criam, nem se resolvem, só se transformam." (Lei da persistência de Waiterc Pastar)

" Quando correres para o telefone, vais chegar exactamente a tempo de ouvir que desligam." (Principio de Ring A. Bell)

"Se só existirem dois programas de TV que valha a pena ver, os dois passarão certamente à mesma hora." (Lei de Putz Kiparil)

"A probabilidade de que te sujes a comer é directamente proporcional à necessidade que tiveres de estar limpo." (Lei de Kika Gadha)

"A velocidade do vento é directamente proporcional ao esmero do penteado." (Lei Meteorológica Pagá Barbero )

"Quando, depois de anos sem a usares, decides atirar alguma coisa fora, vais precisar dela logo na semana seguinte." ( Lei irreversível de Kitonto Kifostes)

"Sempre que chegares pontualmente a um encontro, não haverá ninguém lá para o comprovar, e se ao contrário, te atrasares, toda a gente terá chegado antes de ti."(Princípio de Tardelli e Esgrande La de Mora)

 

1- LEIS BÁSICAS DA CIÊNCIA MODERNA:

* Se mexer, pertence à Biologia.

* Se cheirar, pertence à Química.

* Se não funcionar, pertence à Física.

* Se ninguém entender, é Matemática ou Filosofia.

* Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia.

* Se mexer, cheirar, não funcionar, ninguém entender e não fizer sentido, é INFORMÁTICA.

 

2- LEI DA PROCURA INDIRETA:

* O modo mais rápido de encontrar uma coisa é procurar outra.

* Encontras sempre aquilo que não procuras.

 

3- LEI DA COMUNICAÇÃO:

* Quando te ligam: se tens caneta, não tens papel. Se tiveres papel, não tens caneta. Se tiveres ambos, ninguém liga.

* Quando ligas para números errados de telefone, eles nunca estão ocupados.

* Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira ou debaixo do chuveiro faz tocar o telefone.


4- LEI DAS UNIDADES DE MEDIDA EM ROUPAS:

* Se estiver escrito "Tamanho Único", é porque não serve em ninguém, muito menos em ti...

 

5- LEI DA GRAVIDADE:

* Se consegues manter a cabeça fria enquanto à tua volta todos a estão perdendo, provavelmente não estás entendendo a gravidade da situação...

 

6- LEI DOS CURSOS, PROVAS E AFINS:

* 80% da prova final serão baseados na única aula a que não compareceste e os outros 20% serão baseados no único livro que não leste.

 

7- LEI DA QUEDA LIVRE:

* Qualquer esforço para agarrar um objeto em queda provoca mais destruição do que se o deixássemos cair naturalmente.

* A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do tapete.

8- LEI DAS FILAS E DOS ENGARRAFAMENTOS:

* A fila do lado anda sempre mais rápido.

* Parágrafo único: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida.

 

9- LEI DA RELATIVIDADE DOCUMENTADA:

* Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação constante do manual.

 

10- LEI DO ESPARADRAPO:
 * Existem dois tipos de adesivo: o que não cola e o que não sai.

 

11- LEI DA VIDA:

* Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.

* Tudo que é bom na vida é ilegal, ou é imoral, ou engorda ou engravida.

 

 12- LEI DA ATRAÇÃO DE PARTÍCULAS:

*Toda a partícula que voa encontra sempre um olho aberto

 

 

sexta-feira, novembro 11, 2016


ONDE ESTÁ O DINHEIRO? ONDE ESTÁ?

O “DN” de hoje traz uma reportagem sobre a Fortaleza de Peniche.

Não quero ainda hoje manifestar a minha opinião sobre as eventuais soluções em cima da mesa.

O que me trouxe hoje aqui foi uma resposta do presidente da Câmara de Peniche a uma questão colocada pelas autoras da reportagem. Diz o dito cujo senhor:

 

 “- a Câmara Municipal de Peniche, a entidade que gere o espaço, não foi ouvida.” E acrescenta: “- Ou o senhor ministro tem dinheiro e nós não sabemos onde é que ele está, ou então tem de explicar melhor, porque a Assembleia Municipal deliberou no sentido de, à falta de outros meios, viabilizar e reiterar a posição da câmara. Se nos perguntarem se esta é a melhor solução, claro que não é.”

 

Aqui está o que me trouxe hoje aqui e agora a perorar sobre este assunto.

1º - A Câmara Municipal de Peniche não é proprietária do imóvel Fortaleza de Peniche. É propriedade do Estado Português. Logo a Assembleia da República é o local próprio para discutir o interesse e utilização desse espaço. A Câmara Municipal de Peniche pode manifestar a sua opinião, tal como a Assembleia Municipal de Peniche, ou a associação dos presos políticos, ou o grupo de cidadão de olhos verdes que habitam em Portugal.

2º - O dinheiro do sr. Ministro da Cultura está exactamente no mesmo cofre em que o sr. Presidente da Câmara depositou os 10 milhões de euros que entraram no Concelho com a realização da etapa do Mundial de Surf.

3º - Se esta não é a melhor solução então o sr. presidente da Câmara que nos diga qual é a melhor solução que tem para aproveitamento daquele espaço, para que se os cidadãos deste país se reverem nela e por ela lutarem.

 

E por agora fico-me por aqui. Não é de todo muito inteligente da minha parte estar a discutir ideias de presidentes em final de mandato, quando as suas decisões já não conduzem senão a flashs de verborreia e aos últimos lampejos de aparição mediática.