quinta-feira, setembro 30, 2010

MAIS SACRIFÍCIOS
O Sr. Primeiro-ministro inundou-nos ontem de medidas austeras e penalizadoras absolutamente necessárias para recuperar a economia do país, sem que forças exteriores mais penalizadoras decidam aqui intervir.
Dizem uns que estas medidas pecam por tardias. Dizem outros que deveriam vir acompanhadas de mais restrições e dão como exemplo o endividamento para poder executar as obras do TGV e do novo Aeroporto. Há quem considere que são medidas mínimas e que só com o corte do despesismo a que nos conduz o Estado Social, será possível pôr este país na senda dos restantes países europeus. Os partidos e políticos do “reviralho” consideram que devemos voltar a um certo tipo de estado igualitário, e fazer os ricos pagar a crise, devolvendo aos trabalhadores a capacidade de acção que têm vindo a perder desde há muito.
O Governo, alegadamente socialista, faz finca-pé da defesa que garante lhe cumpre de um estado preocupado com o bem estar dos trabalhadores e retira-lhes salário, sobe-lhes os impostos, encarece os medicamentos, torna a frequência escolar só acessível aos mais ricos, toma medidas que engrossam o desemprego e corta nos benefícios sociais dos que já nada têm.
Começo a não conseguir perceber o que é um estado social, mas adiante. Estou disponível para aceitar as penalizações a que vou ser submetido para dar o meu contributo para a recuperação do país. Aceito que a minha filha tenha de emigrar para depois de uma licenciatura poder trabalhar na área para que estudou com algum brilhantismo. Aceito pagar mais pelos meus medicamentos eu que dependo deles para poder ter alguma qualidade de vida.
Mas nem é em mim que devo pensar. E os que têm pensões de 300 euros? E os que com filhos e familiares a seu cargo recebem pouco mais do que 500 ou 600 euros? Como vai ser a vida dessas pessoas? Ainda se eu visse os exemplos dos sacrifícios virem dos que tanto de nós exigem… Como posso aceitar que se auto designem por socialistas alguns que sendo reformados de uma profissão aos 40/50 anos e agora se sentam nas cadeiras do Assembleia da República com outro chorudo vencimento e ainda recebem subsídios de deslocação e outros benefícios.
Que esses abdiquem da sua reforma enquanto desenvolvem uma qualquer função política. Ao menos isso. È-me difícil compreender os meus sacrifícios se não vejo outros com mais condições não precisarem de se sacrificar. Como dizer a um trabalhador desempregado e que lhe cortam a pouco e pouco os seus benefícios sociais, que se deve sacrificar ainda mais, se vê a opulência em que vivem os políticos com que se cruza no dia a dia.
Apetece de facto começar a entoar de uma outra forma o Hino Nacional:
Heróis do mal
Pobre Povo
Nação doente
Imortal
Expulsai os tubarões
Exploradores de Portugal
Entre as burlas
Sem vergonha
Ó Pátria
Cala a voz
Dessa corja tão atroz
Que há-de levar-te à miséria
P’ra rua, p’ra rua
Quem te está a aniquilar
P’ra rua, p’ra rua
Os que só te estão a chular
Contra os burlões
Lutar, lutar

quarta-feira, setembro 29, 2010

PREPOTENTES E ASPIRANTES A TAL
(dedico este texto a uma pessoa de quem muito gosto e que neste momento é vítima deste tipo de situação)

Todos os dias deparamos com a fulanização do poder. Alguém que chega a um lugar de topo que lhe permite decidir sobre o futuro dos outros e arbitrariamente o faz sem pensar nas consequências dos seus actos para os seres que são objecto dos seus apetites de momento.
Isto acontece nos mais diversos locais de trabalho, na política, no desporto e até, pasme-se, na religião.
Este exercício egocêntrico do poder, manifesta-se em primeiro lugar por pequenas atitudes de prepotência, depois pelo uso discricionário da sua capacidade de decidir, sem avaliar da justeza das suas decisões.
Quanto menor for o poder de que se dispõe, mais agressivo se torna e menos capaz de avaliar as consequências das diatribes que utiliza.
Um exercício que é muito comum entre os políticos é o de tornar complexa uma decisão que é fácil de tomar, para que quem solicita o que requer se sinta em divida para com o decisor. Em regra o que se resolve em poucos minutos demora meses a decidir e, exige sempre um exercício de apresentação em acto de humildade perante o chefe máximo do serviço, para que fique muito claro quem manda e quem precisa de pedir.
O povo português (o povo profundo) há muito que esclareceu esta situação definindo-a com o adágio popular: -“Não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu”. Não é por acaso que é mais fácil lidar com aqueles que sempre lidaram com o exercício do poder, do que com os que nele se iniciaram há pouco.
A solução para este vício (ou doença) não se encontra à venda nas farmácias. Embora existam alguns múltiplos comuns a todos eles. Adoram ser bajulados, detestam ser criticados e odeiam pessoas que pensam. Por isso mesmo não é fácil o exercício da dignidade pessoal perante estes pequenos títeres. Quem for inteiro e tenha orgulho em si próprio e no que é como pessoa, tem sempre grandes problemas para lidar com esta gentalha. Ou com os que aspiram a chegar a tal exercício de poder pessoal.
Digamos que existe uma fórmula mágica para fugir ao contacto deprimente com este tipo de pessoas: - é deixá-los a falar sozinhos. Quando se apercebem que não existe ninguém que os suporte, começam a dedicar-se ao seu umbigo e em breve sufocam no seu próprio vómito.

terça-feira, setembro 28, 2010

UNS QUE BEBAM O VINHO…
Um pequeno agricultor de Celorico da Beira, está a ser julgado por ter conduzido uma carroça puxada por um burro, em estado alcoolizado.
Os crimes relacionados com o Freeport prescrevem. Os casos de pedofilia demoram 6/7/8 anos para transitarem em julgado. O homem, a carroça e o burro já estão a ser julgados por um delito menor cometido em Fevereiro, enquanto os arguidos do caso BPN que tanto dinheiro custaram ao erário público, continuam sem problemas a aguardar julgamento.
Fotografia do “Diário de Notícias”

O burro aguarda em casa, a carroça está a ganhar ferrugem, e o homenzinho juro acabar com o vinho todo da cadeia se for preso porque não tem dinheiro para pagar multas.
A GNR que passa a vida a bramar contra o Governo porque ganha mal, perde tempo em Celorico da Beira a prender um campónio bêbado que conduz um burro se calhar tão bêbado como o dono.
Histórias do meu país. Assim vão merecendo os ordenados as nossas forças policiais e os Agentes da Justiça. EU QUERO SER MARROQUINO!!!

segunda-feira, setembro 27, 2010

FALTAM 9 DIAS
Para a celebração dos 100 anos da República. Há dois e há um ano atrás fiz eco neste Blog da responsabilidade do Município nessa celebração. Afinal os municípios tal como hoje os concebemos são criação da 1ª República e em grande parte as nossas memórias ancestrais têm a ver com a componente educacional estabelecida com o advento do Regime Republicano.
Muito do que somos hoje herdámos dos nossos pais e avós que foram criados e cresceram segundo o princípio da Liberdade, Igualdade e Fraternidade instituídos com o derrube da Monarquia e a implantação da República.
Mas para o actual executivo camarário estas razões não são suficientes para celebrar os 100 anos deste acontecimento. O melhor que conseguiram foi que uma exposição itinerante entre 1 e 3 de Outubro estacione em Peniche.
Quem deu o melhor de si para que o regime republicano aqui se instituísse, quem no Centro Democrático Republicano de Peniche tem dado o seu melhor para que os ideais da República possam subsistir não tem aqui memória que perdure.
Deste apagar de memória acuso o PCP e os seus acólitos que pendurados pelas franjas amarelecidas do 25 de Abril, fazem dele a única vitória que tendo sido transversal a todo o povo português, persistem em clamar como de sua autoria. Acuso de igual modo esta oposição sensaborona que se enleia em teias de interesses vagos, sem que procurem destapar a floresta que se esconde atrás da árvore. Aos que gostam de ler, sugiro como exercício a leitura das actas da Câmara Municipal e da Assembleia Municipal. Perceberão porque me sinto tão frustrado.
Estou revoltado e triste. Sinto que a aculturação a que temos condenado esta terra, onde se perdeu todo o sentido crítico, a está a tornar mesquinha e fútil. Falo de ideias e de ideais. Não falo de pequeninos sentimentos pessoais.
Por mim não dá apagar memórias para fazer realçar gritos de fidelidade a princípios difusos. Quem enterrou em Peniche as comemorações do Centenário da República que celebre outras exéquias como o 25 de Abril. Oremus!. (como diria o Pe. Bastos)

domingo, setembro 26, 2010

sábado, setembro 25, 2010



A EVOLUÇÃO DO HOMEM SEGUNDO...Uma garotinha perguntou à sua mãe:
- "Mamã, como é que se criou a raça humana?"
A mãe respondeu:
- "Deus criou Adão e Eva e eles tiveram filhos, netos, bisnetos e assim se foi formando a raça humana"...Dois dias depois, a garotinha fez a mesma pergunta ao pai. E o pai respondeu:
- "Há muitos anos existiram macacos que foram evoluindo até chegarem aos seres humanos que vês hoje".
A garotinha, confundida, foi ter com a mãe e disse-lhe:
- "Mamã, como é possível que tu digas que a raça humana foi criada por Deus e o Papá diga que a raça humana resultou da evolução a partir dos macacos?"
A Mãe, depois de pensar um pouco, respondeu:
- "Olha, minha querida, é muito simples. Eu falei-te da minha família e o teu pai falou da família dele!"

quinta-feira, setembro 23, 2010

À TERRA ONDE FORES TER…
A notícia é do passado domingo:
- “Um Professor de Educação Física de 31 anos do Centro Educativo dos Olivais, em Coimbra, foi impedido de usar piercings nas aulas pela Direcção do estabelecimento da Direcção-Geral de Reinserção Social. Agora vai recorrer para tribunal para contestar a decisão. Fonte do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) disse à Lusa que o docente está a ser acompanhado pelos seus serviços jurídicos. A Direcção do Centro Educativo baseia-se no Regulamento Interno da Instituição dos Olivais, que proíbe aos jovens ali acolhidos o uso de piercings. Para o Sindicato dos Professores segundo um seu responsável, trata-se de um acto de descriminação ilegal e absurda.”

Facto 1 – Trata-se de um estabelecimento que acolhe jovens com problemas de marginalidade.
Facto 2 – Existe um Regulamento Interno que proíbe os jovens de usarem piercings.
Facto 3 – É um professor de Educação Física, disciplina em que a utilização de piercings pode conduzir como consequência dos exercícios a realizar, a danos físicos de maior ou menor gravidade.
Facto 4 – Um professor não pode (sem consequências muito graves para o acto educativo) ser o primeiro pelas suas atitudes, a pôr em causa um Regulamento Interno aprovado legalmente.
Facto 5 – Se um Sindicato se coloca ao lado de um Professor nesta matéria, já deixou de ser um guardião dos superiores interesses de uma classe, para se tornar um Grupo Corporativo.

Mais uma vez penso que o Ministério da Educação deveria publicar em Portal próprio os Projectos Educativos e os Regulamentos Internos dos diferentes estabelecimentos de ensino, para que pessoal Docente ou Discente, quando concorre saber onde vai estar.
Acresce que tudo isto não passa de uma querela absurda e que se chegar aos Tribunais deveria ter uma sentença pedagógica. Não fazia mal a este professor deixar de o ser, ou no mínimo ser obrigado a frequentar um conjunto de acções de Formação que o levassem a perceber o que é ser educador.
E fico-me por aqui, porque me irrita solenemente que coisas destas ainda se passem nas Escolas deste país.

terça-feira, setembro 21, 2010

EU TENHO 4 PISCAS
É sistemática a utilização em Peniche dos 4 piscas a funcionar (sinal de perigo)para avalizar situações de estacionamento ilegal. Não sei onde os habitantes da minha terra foram buscar a ideia de que “se estás mal estacionado ou mal parado”, ligas os 4 piscas e a situação torna-se de imediato legal e impeditiva de uma multa ou de uma sanção mais grave.
No passado domingo pelas 17:20 horas, vinha eu na rua Garrett. Entre o cruzamento com a 1º de Dezembro e o cruzamento com a Marquês de Pombal não havia um único carro estacionado. A meio da rua, impedindo completamente a passagem de qualquer outro veículo estava parado um carro da “A Companha”. Presumo que uma das funcionárias dessa agência de solidariedade estaria a prestar assistência numa habitação próxima desse local de peragem.
Quando me aproximei a condutora que aguardava a chegada da colega no carro, ligou os 4 piscas e lá continuou no melhor dos mundos. Estava sancionada a situação de prevaricação.
Mas esta não é uma situação inédita. É preciso ir comprar o jornal e não há estacionamento nas imediações? Estaciona-se em 2ª fila e ligam-se os 4 piscas. E, e, e…
Os meses de Verão e as vésperas de Natal são um caso singular destes hábitos. Mas durante todo o ano podemos assistir a este “regabofe”. O Estacionamento em 2ª e 3ª filas na Praça Jacob junto ao início da R. Marquês de Pombal é outro sinal dos tempos. Já ninguém reclama por estar cerca de meia hora à espera de poder sair quando tem o carro bem estacionado.
Ter 4 piscas tornou-se um passaporte para a ilegalidade nos estacionamentos em Peniche. Venha daí um passaporte para o Euromilhões.

segunda-feira, setembro 20, 2010

CIGANOS As recentes atitudes do Presidente Francês e toda a polémica que lhe tem andado associada são assuntos que merecem a minha reflexão.
Começo por dizer que tenho um grande carinho e respeito pela Cultura e Nação Francesas. Mas ao longo dos tempos a França também nos ofereceu exemplos de uma grande intolerância. E se somos herdeiros da Revolução Francesa, também recebemos outros legados menos felizes.
Neste momento de grande dificuldade para a França (como para a grande maioria dos países europeus) desviar as atenções das culpas próprias e focá-las em quem por cultura e hábitos não se pode defender, parece ser a solução.
Mais grave que a posição do presidente francês, useiro e vezeiro em atitudes “parolas”, é a conivência dos que o rodeiam e a do povo francês em geral.
Sempre existiram razões para odiar os ciganos. Vivem uma vida sem compromissos com a sociedade. São independentes e ciosos da sua cultura e hábitos. Não se integram. Não aceitam compromissos. São como os gatos: - Recolhem os benefícios sem alguma vez sentirem obrigações para quem os beneficia.
Por estas ou outras razões, calhou agora aos ciganos, como anteriormente já tinha calhado aos negros e aos judeus, aos Luteranos e aos anglicanos, sofrerem a sanha persecutória dos que descarregam nas minorias as suas frustrações e incompetências.
Assusta-me mais ainda os comentários que ouço nas ruas e nos estabelecimentos sobre o mérito de tais iniciativas. Também aqui em Portugal e particularmente em Peniche se fala dos ciganos como se se tratasse de uma doença. Como também se tem falado dos cabo-verdianos, dos drogados e dos brasileiros. Aqui em Peniche ainda temos outra raça a evitar: - a dos nazarenos!
A raiva pela nossa incapacidade de ultrapassar as nossas insuficiências tolda-nos o espírito e impede-nos de ver a floresta por detrás da árvore. O que é o argumento fácil torna-se o centro das nossas convicções. E a panaceia para estes males está no que é também mais fácil. Afasta-se do nosso convívio o “veneno”, convictos que assim nos separamos da peçonha. Em nome deste argumento se tentou a raça ariana como solução. Esquecemos que em nós está a solução para o que nos aflige. Exilar para os Farilhões e Estelas o que nos aborrece será só adiar o momento em que somos nós mesmos que já não nos podemos ver ao espelho.
Qual é a solução? Não sei. É difícil. Mas se nos juntarmos com os interessados encontramos se calhar um misterioso “ovo de colombo” que ainda não nos tinha ocorrido.

domingo, setembro 19, 2010

UMA LIÇÃO DE VIDA
Isto sim. É uma lição de vida. Há quem se lamente por coisas insignificantes...
Qian HongYan - Perdeu as pernas num acidente
Qian usa dois apoios de madeira, ela nunca se queixa. Já utilizou até hoje (vão-se desgastando) seis bolas de basket
...ela frequenta as aulas
sempre com um grande sorriso
sempre positiva
já se estabeleceu uma cadeia entre os cibernautas para lhe pagarem as próteses necessárias para ela poder vir a ter um miímo de dignidade no seu infortúnio...



sábado, setembro 18, 2010

ESTATÍSTICAS
Um estudo recente conduzido pela Universidade Técnica de Lisboa mostrou que cada português caminha em média 440 km por ano.

Outro estudo feito pela Associação Médica de Coimbra revelou que,em média, o português bebe 26 litros de Vinho por ano.

Conclusão:Isso significa que o português, em média, gasta 5,9 litros aos 100km, ou seja... é económico!

... Afinal, nem tudo está mal, neste País!

sexta-feira, setembro 17, 2010

POR VEZES UM LIVRO
De vez em quando sugiro um livro. Procuro normalmente sugerir livros que para além da sua qualidade e interesse sejam em termos de custo de aquisição moderada.
Pois desta vez sugiro um livro que foi distribuído com os jornais “DN” e “JN”, sendo o seu preço de 6,90€. Estes jornais asseguram até ao final do corrente mês a venda do livro, pelo que se o seu livreiro o tiver esgotado é uma questão de lhe pedir que o peça ao distribuidor.
O Livro é o “NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA”. Trata-se de uma edição da Imprensa Nacional-Casa da Moeda e apresenta como característica fundamental ser apresentado de forma extremamente aliciante para ser consultado, não parecendo de todo um manual escolar, mas muito mais um tira dúvidas de fácil consulta.
Independentemente de estarmos ou não convictos da nossa adesão ao acordo, nem que seja por pura curiosidade e para consulta familiar de filhos e netos, sugiro a sua aquisição. Atrevo-me a aconselhar a aquisição pela CMP de uma dose massiva de ACORDOS de modo a poder distribui-los um por sala de aula. Reparem que digo UM POR SALA DE AULA e não um por escola. O ideal seria um por aluno, mas não me atrevo a ser assim tão exigente. A língua portuguesa deve ser transversal a todas as áreas disciplinares. Só assim as nossas crianças e jovens aprenderão a amá-la. E Peniche só terá a ganhar com isso.
Não há-de ser pior ter em casa o Novo Acordo do que uma aposta não premiada do Euromilhões. E já agora, bom fim-de-semana.

quinta-feira, setembro 16, 2010

JORNAIS E JORNALISTAS
Com a mesma facilidade com que aparecem, têm desaparecido títulos de imprensa no panorama nacional. Peniche não tem sido imune a esta situação. E aqui desde o final do séc. XIX vêm-se sucedendo títulos, alguns dos quais não passaram de um número único. Exemplos disso são: “A Propaganda Católica”, “O Povo de Peniche”, “Jornal de Peniche”, “O Penichense”, “A Voz do Mar”, “Baluarte”, “Notícias de Peniche”, “Correio Popular”, “Correio de Peniche”.
De todos o único que se tem conservado ao longo do tempo, embora com um interregno até ser repescado pela Igreja Paroquial de Peniche, tem sido “A Voz do Mar”.
Alguns dos títulos que acima referimos tinham um propósito eminentemente político-partidário. Por isso mesmo condenados ao fracasso.
Por outro lado não temos uma população tão vasta assim onde caibam vários jornais. E desde que “A Voz do Mar” surgiu, os periódicos que lhe fazem concorrência têm todos uma conotação mais ou menos identificável, que por isso mesmo só atinge uma parte minoritária da população do Concelho, já de si em tão limitado número.
Não que “A Voz do Mar” não se identifique com a Igreja, mas tem exercitado essa ligação de forma tão “soft” que não se torna agressiva e chega até a ser simpática.
No mês passado no entanto surgiu ao mesmo tempo uma pequena revolução no espaço dos média locais. “O Correio de Peniche” herdeiro do “Correio Popular” deixou de se publicar. Graças a Deus.
E surge a notícia de que o actual Director de “A Voz do Mar” que tem sido quem tem determinado há muitos anos a coerência deste jornal, deixa de exercer as suas funções.
Estes dois factores com a substituição do Monsenhor Bastos na Paróquia de Peniche, em acumulação, irão permitir à “A Voz do Mar” refundar-se e surgir com um novo fôlego. Se o conseguirá ou não estamos para ver ao longo do próximo ano.
Num tempo em que a Internet tornou o planeta uma pequena aldeia, a saída que antevejo para lhe manter a credibilidade é a de se assumir de corpo inteiro como um Jornal católico, embora aberto a pessoas, opiniões e factos que não sejam hostis à doutrina da Igreja. Para os nossos emigrantes o fundamental do Jornal Concelhio que lhes chega às mãos é quem morre, quem nasce e casa e o que vai acontecendo no espaço rural do Concelho.
Para a notícia na hora não há já nenhum Jornal local que possa competir com os meios tecnológicos agora disponíveis. Restaria em alternativa ser um Jornal de opinião. Mas para isso não existe espaço rentável em Peniche.

terça-feira, setembro 14, 2010

HORROR!!!
(A minha homenagem ao Campo do Baluarte)Levantem-se os mortos das suas sepulturas e povoem as noites de Peniche. Centenas de milhares dos nossos antepassados revoltam-se nas covas perante a destruição de anos de suor e alegrias. Caíram os muros mas não a alma que encerram. Gerações sucessivas fruíram do teu espaço e cresceram tornando-se pessoas melhores. As velhas palmeiras onde tantos de nós se abrigaram da chuva...
O Ludgero Gonçalves arranha o espaço que o envolve num assomo de impotência. O Dr. Ernesto Moreira convida à reflexão e é dificilmente ouvido por entre os urros guturais que ecoam nas muralhas do Baluarte.
Milhares que ao Domingo circulavam pela Prageira em direcção ao seu tempo de expurgar a agonia dos dias de pesca sofridos, vagueiam agora num espaço que já não é seu.
O portão de Peniche de Cima já não vê passar as multidões que enchem as tabernas e refrescam as gargantas que hão-de gritar impropérios num tempo em estar junto só ali era possível.
Chovem as pedras que hão-de dizer aos que aqui vêem que dentro do Baluarte mandam os que cá estão. Torres e Caldas são um bom pretexto para que os fígados excluam uns copos mal bebidos.
Pai acalma-te. Acalme-se sr. Zé Labiza. Os carnavais já não vão ter versos do Hermano Frazão glorificando jogadores do GDP e as memórias do velhinho campo do Baluarte.
Assim Peniche muda de feição sem botox nem lipoaspiração. Sacrificar-se-à um passado já atenuado por recordações que só são suportadas pelas memórias dos que morreram.

segunda-feira, setembro 13, 2010

QUE TÍTULO?
“Arquipélago das Berlengas” ou “7 Maravilhas de Portugal”? A dúvida manter-se-à até ao fim deste post. Aos que dói a perda do lusitano reconhecimento, será uma espinha difícil de digerir. Para mim que vi por voto popular escolher Salazar como o português mais ilustre de sempre, tanto faz.
Estas votações valem o que valem. Quem escolhe os melhores restaurantes de estrada não se reconhece no Guia Michelin. Quem vai para a praia de Peniche de Cima está-se nas tintas para a declaração pomposa.
Eu não me preocupo com escolhas aleatórias. Mas fico satisfeito de não ter sido assinado o cartão de MARAVILHA ao arquipélago das Berlengas. Depois das gaivotas tenho receio do que a Reserva mandaria para Peniche, para na Berlenga poderem caber mais turistas.
Tal como Pauleta dizia em relação à Lagoa das Sete Cidades, a ilha da Berlenga já há muito que tem o reconhecimento público de uma das maravilhas naturais em Portugal que merece a pena conhecer ao menos uma vez na vida. Esta votação e as suas consequências são só resultado do Marketing das Agências de Viagens. Nacionais e Internacionais. Serve como auscultação para os Gestores do Turismo de locais em Portugal onde merece a pena investir turisticamente. Nas Berlengas enm se pode construir, não sendo por isso muito interessante.
Mas a grande verdade é que naturalmente alguns deles se tornaram uma má escolha para os que vivem do Consumo turístico. Bem percebeu o assunto a Arméria que nem um ai deu para favorecer esta candidatura. Entrou muda e saiu calada como aliás é o seu timbre sempre que se trata de emitir uma opinião.
Julgo que desfeita a hipocrisia deste tipo de votações, resta-nos perceber o Concelho onde vivemos e desejar que em vez de nos sentirmos preocupados com este resultado, sentirmos que vale a pena apostar turisticamente em Peniche. E agora a caminho de dois doutorandos na área do Turismo aqui radicados, temos quem nos ajude a pensar os melhores caminhos para o desenvolvimento do nosso potencial.
Afinal sendo um Concelho tão pequeno somos possuidores de um património natural invulgar e praticamente por explorar.

7 MARAVILHAS NATURAIS DO CONCELHO DE PENICHE
- Arquipélago das Berlengas
- Nau dos Corvos
- Promontório da Papôa
- Ilha do Baleal
- Grutas dos Bolhos
- Falésias de S. Bernardino e Consoloção
- Planalto das Cezaredas

Resta ao poder político e aos agentes económicos perceberem este potencial e fazerem o seu melhor para o implementarem. Afinal quando conhecer, o público é que sabe quando se quer deixar maravilhar.

domingo, setembro 12, 2010

PERDIDOS
Estavam perdidos na floresta um hindu, um judeu e o Pinto da Costa. Ao cair da tarde os três encontraram uma casinha modesta perdida por ali. Aproximaram-se e bateram à porta. Atendeu um senhor de certa idade:
- Pois não?
O judeu, adiantando-se começou a explicar o caso:
- Sabe o que é: estamos perdidos e a noite está caindo! Seria possível passarmos a noite por aqui e de manhã continuamos a procurar a saída desta floresta?
- Tudo bem! Só tem um problema: o espaço aqui na casa só dá para dois. Algum de vocês vai ter que dormir no celeiro.
O hindu se prontificou:
- Eu vou. Nao há problema algum.
E foi-se. E os outros entraram... Dai a dez minutos:
- Toc! Toc! Toc!
Batem à porta. Foram atender e encontraram o hindu:
- Sabe o que é: nao haveria nenhum problema em eu dormir no celeiro, mas é que lá há uma vaca que para mim é um animal sagrado. Eu não posso dividir o mesmo local com a vaca, pois considero isto um desrespeito.
O judeu se prontificou:
- Tudo bem! Eu vou dormir no celeiro.
E foi-se. E os outros entraram... Dai a dez minutos:
- Toc! Toc! Toc!
Batem à porta. Foram atender e encontraram o judeu:
- Sabe o que é: nao haveria nenhum problema em eu dormir no celeiro, mas é que lá há um porco que para mim é um animal impuro. Eu não posso dividir o mesmo local com o porco, pois considero isso um desrespeito às minhas convicções.
O Pinto da Costa se prontificou:
- Tudo bem! Eu vou dormir no celeiro. E foi-se. E os outros entraram... Dai a dez minutos:
- Toc! Toc! Toc!
Batem à porta. Eram o porco e a vaca!

sábado, setembro 11, 2010

sexta-feira, setembro 10, 2010

QUE MONSTRO COABITA EM NÓS?O caso do jovem que alegadamente terá matado a sua mãe adoptiva por razões ainda obscuras incomodou-me fortemente.
Foi adoptado bebé no seio de uma família tão igual à generalidade das famílias quanto isso é possível de imaginar. Mãe médica. Pai Delegado de Informação Médica.
Ao longo do tempo revelou-se como um jovem de capacidades intelectuais invulgares (terminou o secundário com 19 valores), para além de ser um desportista apaixonado.
Optou por medicina e revelou-se um aluno acima da média, mantendo inalteráveis as suas performances desportivas.
De repente vira monstro e estúpido. Mata a mãe a golpes de faca, simula (mal) um assalto e uma violação. Guarda o instrumento do crime na sua residência de férias onde a PJ o vai encontrar.
O monstro torna-se pouco inteligente e passando no Mondego não se desfaz da faca. Passa por campos sem fim até chegar à Figueira e não atira fora aquele comprometedor instrumento. Na Figueira com o mar tão próximo também não se desfaz dela.
Os amigos e vizinhos estão perplexos. A família não é disfuncional. O jovem é a antítese de um marginal. Não é drogado. Nem cigano. Nem brasileiro ou africano. Isto põe em causa todos os estereótipos a que estamos habituados.
Afinal parece que convivemos connosco próprios e com o nosso outro eu. Na maioria das vezes adormecido. Até que um flash o acorda e deixa vir ao de cima. Quem está livre desse seu companheiro de viagem?
Assusta-me pensar nisto. Mais do que o hediondo crime assusta-me a ideia do que pode acontecer para tornar possível ele acontecer. Quem somos nós afinal? O que nos permite sermos génios ou criminosos? Ou unicamente pessoas normais, daquelas que não deixam nunca memória. O que terá acontecido para permitir que este fantástico estudante do 4º ano de medicina se tenha tornado um monstro assustador?
Será que o mesmo nos pode acontecer? É fácil de perceber que estas coisas aconteçam a certas pessoas… Mas ao cidadão comum…

quarta-feira, setembro 08, 2010

PORTUGAL BATE NO FUNDO
Após tantas figuras endeusadas, ver o futebol português nas ruas da amargura perdendo com países que usam bolas de trapos como o Chipre e a Noruega não só é desolador, como também confrangedor.
Entretanto nem o armador do barco se entendem, os camaradas começam a apresentar baixa na capitania e o peixe não só escasseia, como escapa-se pelas malhas da rede que apresenta “partidelas” insanáveis.
Dizem que temos Casa Pia para mais 3 a 6 anos. E a forma como tudo foi conduzido aquando da leitura da sentença deixou-nos tão incrédulos como já estávamos. Não me passa pela cabeça que ao fim de quase 7 anos de julgamento se leia uma sentença sem dar conhecimento público dos factos provados indiscutivelmente que a sustentam.
Nas escolas criam-se infra-estruturas que dizem ser modelares, amontoam-se crianças e aguarda-se o milagre das rosas. Que saia tudo certo. Quanto aos alunos deficientes que aguardem. Continuamos a ser um país sem uma Formação inicial digna desse nome, com a mais taxa de desemprego entre licenciados da Europa e onde o mercado de trabalho vai paulatinamente caminhando para os 15%.
Falamos do estado social e caminhamos rapidamente para a caridadezinha e para a distribuição de bytes (já temos os Magalhães) pelo Movimento Nacional Feminino.
O futebol já era. As escolas são depósitos. Os deficientes que aprendam a tocar acordeão e comecem a pedir esmola. O estado social é uma miragem.
Recomendo a leitura dos tempos da 1ª República para perceberem o que nos vai acontecer.

terça-feira, setembro 07, 2010

FIZ FIGURA DE PARVO… TOU CHATEADO
O ex-primeiro ministro de Inglaterra, o sr. Blair, por 6 milhões de euros aceitou publicar as suas memórias de quando desempenhou essas funções. Para além de não se mostrar minimamente perturbado com a sua responsabilidade na guerra do Iraque, vem agora falar das relações do seu país com a União Europeia. Ainda bem que os ex-primeiros ministros são como as prostitutas quando mudam de chulo. A gente fica a saber das “traquitanices” que fizeram com o chulo anterior.
Diz então o sr. Blair no seu livro de alcova que será posto à venda em Portugal no próximo dia 24 de Setembro: “Consegui a nomeação de José Manuel Barroso. Esta foi a primeira vez que o duplo motor europeu (França e Alemanha) foi parado numa questão tão grande”.
Quer dizer, o Barroso serviu para cumprir os interesses do Sr. Blair. Que importa se deixou o país entregue ao presidente do Instituto de Reinserção Social? Eu a julgar que o lugar do Sr. Barroso era para lhe agradecer a hospitalidade na ilha Terceira. Nada disso. O Barrosinho não é tão importante assim. E este país “tramposo” e o que lhe acontece nem merecem sequer um segundo do pensamento de um qualquer líder digno desse epíteto.
Para que é que eu voto nas europeias, e nas legislativas? Qualquer dia estou a votar para as autárquicas em Peniche e estou a oferecer o lugar de secretário de estado da “treta” a ao ex-presidente que ajudei a eleger.
Que querem? Sou parvo…tou chateado!

segunda-feira, setembro 06, 2010

O QUE APETECE DIZER
Não somos nem queremos ser um blog noticioso. Nascemos para conversar. Gostam uns, outros não. Muitos dirão que são “conversas da treta”. Noticiamos por vezes, quando a notícia nos orgulha ou “bate” fundo em nós.
É o caso de hoje. Peniche em geral tem de se sentir orgulhosa por mais um dos seus triunfar. Transcrevemos o que o “Açoriano Oriental online” publicou no dia 4 de Setembro. Transcrevemos com vaidade, como se fosse matéria que nos dissesse directamente respeito. E ao fazê-lo estamos a felicitar os “Estaleiros Navais de Peniche” e o Carlos Mota em particular. Gostámos de ter lido esta notícia e desejamos que os projectos em carteira se concretizem, contribuindo assim para uma melhoria da economia e êxito para os empreendedores. Estou muito contente. Sábado, 04 de Setembro de 2010
Estaleiros Navais de Peniche vão adquirir 49% da Naval Canal no Pico

Os Estaleiros Navais de Peniche vão adquirir 49 por cento do capital social da Naval Canal, empresa de construção naval do Pico, tendo em vista o desenvolvimento deste sector nos Açores, anunciou hoje o Governo regional.
O Conselho de Governo aprovou a aquisição pela Administração dos Portos do Triângulo e do Grupo Ocidental de 49 por cento do capital da Naval Canal, autorizando ainda a sua venda aos Estaleiros Navais de Peniche.
O vice-presidente do executivo açoriano, Sérgio Ávila, que apresentou hoje em Ponta Delgada as conclusões da reunião do Governo, destacou a “importância do conhecimento e da experiência” que os estaleiros de Peniche vão trazer para a região.
Segundo Sérgio Ávila, o Governo regional “aposta no desenvolvimento” do sector da construção naval, que considera ser “estratégico” para o arquipélago.
A venda de 49 por cento do capital na Naval Canal aos Estaleiros de Peniche permitirá ainda proceder a uma reestruturação da empresa açoriana, garantindo “a manutenção da infraestrutura existente, a promoção dos estaleiros, o alargamento da prestação de serviços e a criação de emprego qualificado”.

sábado, setembro 04, 2010

MUDAM OS TEMPOS...
Sempre foi assim e sempre será. O que ontem não valia, hoje é aplaudido. O que ontem era motivo para morte pela fogueira, é hoje apelidado de um pensamento arrojado e criativo. Desde que a sociedade de consumo considere que os euros vêm de determinada onda, há que aderir a ela e pôr em causa o que lhe seja contraditório.















sexta-feira, setembro 03, 2010

RENTRÉE
A palavra entrou nos nossos ouvidos e associamo-la normalmente ao que acontece na política após o período de férias do Verão.
Pressupõe-se normalmente que os actores e os espectadores sendo os mesmos, serão as palavras e as suas intervenções escritas ou faladas que serão diferentes, a seguir a um descanso estival que permitiu encontrar formas inovadoras de sucesso onde anteriormente outras medidas não vingaram na opinião pública.
Para haver “rentrée” é necessário haver pois novas ideias, ou novas formas de publicitar as mesmas coisas, ou que existam factos políticos, ou ainda intervenientes mais motivados.
O local por excelência onde se podem assistir a estes espectáculos é nas televisões.
Fica portanto o que foi relevante neste terminar de férias. Em Portugal é inegável que foram os fogos florestais e a leitura da sentença do julgamento da Casa Pia. Tudo o resto foi irrelevante, como se já nos tivéssemos habituado a este viver miserável.
Em Peniche não houve pura e simplesmente “rentrée”. Ou ninguém foi de férias, ou se foram não descansaram o suficiente. Não existem factos novos, nem ideias novas para este lugar paradisíaco que se designa por Peniche. Graças ao “programa da manhã” e às 7 “maravalhas naturais” sabemos que as Berlengas bla bla bla. E por aqui nos ficámos.
Nada nos perturba a não ser este clima que torna Peniche um lugar singular. Quanto ao resto vivemos na paz dos anjos, até chegarem umas novas eleições autárquicas.

quinta-feira, setembro 02, 2010

7 ANOS E MEIO DEPOIS…
…da invasão unilateral do Iraque pelos EUA, com o apoio dos srs. Blair, Aznar, Durão Barroso e outros aldrabões semelhantes, o Presidente Obama dá ordem da retirada incondicional americana, sem honra nem glória.
Para trás ficam:
- Armas de destruição maciça nunca encontradas
- 5 000 mortos e mais de 32 000 feridos entre as forças da coligação, sendo na sua grande maioria americanos
- 100 000 mortos entre civis e as forças iraquianas
- A economia americana e por arrastamento a economia europeia, foram completamente arrasadas
Quem ganhou com tudo isto?
- Alguns consórcios americanos da indústria de Armamento
- Os grandes monopólios americanos e ingleses da indústria do petróleo
- O sr. Durão Barroso que passou de 1º ministro do mais miserável país da Comunidade a Europeia a Presidente da dita cuja

Quando o senhor Passos Coelho e o inefável PP atacam aos berros o Sócrates, apelidando-o das maiores torpezas seria bom que pensassem nas culpas próprias ou na dos seus na vil miséria a que nos conduziram, para satisfazer os seus egos grotescos e insaciáveis.
Fico-me por aqui.

quarta-feira, setembro 01, 2010

1 DE SETEMBRO
(para a São Jeremias)

Ao longo de muitos anos esta foi a data que determinava toda a minha vida durante mais de 10 meses. Era o dia de apresentação dos professores nas escolas onde durante mais de 15 anos desempenhei funções directivas.
Neste dia já eu tinha planificado todo o ano escolar, programado a minha actividade ao dia, concebido planos de intervenção junto da comunidade local e educativa objectivando medidas de intervenção que colmatassem eventuais desvios na acção.
Isto significava que as minhas férias teriam ocorrido em Agosto durante 10 dias úteis o que significava 2 semanas “tout-court”. Durante muitos anos o Estado ficou a dever-me muitos dias de férias nunca gozadas que também nunca reclamei. Preferia ter menos férias e preparar-me para mais um ano de trabalho, que ter mais dias de férias e um ano lectivo cheio de complicações e onde tudo era imprevisto ou corria ao sabor de vontades de momento ou de impulsos vindos de toda a parte.
Professores e alunos sabiam o que seria a sua vida profissional, não havendo lugar a improvisos. É que uma escola sendo uma micro amostragem da sociedade em que vivemos, está sempre a entrar no caos quando os seus intervenientes não têm marcadas as linhas de força da sua actuação.
Tenho em relação a esses tempos uma ideia clara: - As coisas só não funcionam quando o que lhes está associado é deixado ao sabor do improviso.
Entre 1 e 20 de Setembro preparávamos reuniões, material didáctico, acções de Formação (normalmente sobre avaliação de alunos), reuniões de Conselhos de Grupo e Pedagógicos onde discutíamos e aprovávamos a Recepção aos alunos e as propostas para o Ano Escolar.
Em 20 e 21 de Setembro recebíamos os alunos e depois (re)começava a labuta que todos os anos se repetia. Se tenho saudades desse tempo? Não. Porque está vivido e sinto que cumpri o meu dever. Mais do que isso, trabalhei no que gostava. Adorava o meu trabalho. Ficou feito, ponto final. Ando na rua de cabeça erguida e tenho consciência que a minha passagem nas escolas onde trabalhei deixou marcas. Isso me satisfaz.
Recuso-me a aceitar a posição daqueles que ao menor sinal de dificuldades, pedem a passagem à reforma, porque têm muitos papéis para preencher, os alunos estão insuportáveis, os pais são difíceis e não gostam do tom do cabelo da Ministra da Educação.
Essas coisas estudam-se e preparam-se. Em vez de greves tomem-se posições adultas de medidas que não sejam possíveis de serem postas em causa. Provem que se uma medida não está correcta, a que propõem é mais eficaz. Somos todos pessoas inteligentes. Comportemo-nos como tal. E façamos do dia 1 de Setembro uma festa para a nossa actividade.
Afinal, andar a lavrar e a semear, tratar dos campos em flor e ver fauna e flora desaparecer num incêndio deve ser bem mais doloroso que ser professor numa qualquer escola.