sexta-feira, agosto 20, 2010

HISTÓRIAS DA MINHA RUA

A BEATA

A História foi contada à minha mulher pela minha vizinha, a Graciete “da Cerca” e ocorreu numa manhã em que ela vinha do Mercado num destes dias de Agosto. Terminadas as compras regressava a casa no seu passo já não muito regular subindo a Rua 1º de Dezembro quando foi abordada por dois jovens rapazes.
- A senhora não tem aí 20 cêntimos para comprar um papo-seco para matarmos a fome?
- Oh filhos! Venho agora do mercado e não tenho dinheiro nenhum.
- Veja lá bem, são só 20 cêntimos.
- Não preciso de ver eu sei que não tenho…
- Parece impossível que não queira dar 20 cêntimos a dois pobres diabos cheios de fome. Anda esta beata religiosa sempre nas missas e não dá de comer a quem tem fome.

A história foi contada sem azedume nem má-vontade. Talvez até com um certo carinho pela saída dos jovens que ela não conhecia, mas que a conheciam a ela. O não ir à carteira tinha mais a ver que os rapazes se aproveitassem da sua idade e lha tirassem, sem que ela pudesse sequer tentar um gesto de defesa. Mas até lhes achou graça. E depois de tudo passado teve pena de não poder saber se era seguro dar-lhes o dinheiro para o pão. Mas os tempos vão difíceis para quem confia…

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