
Dizia-me essa pessoa que eu tivera o grande azar de ter razão antes de tempo. Com efeito, a zona rural do Concelho de Peniche aproveitando a abertura da Escola EB-2.3 de Atouguia da Baleia, e os preceitos legais instituídos pela lei da Autonomia, iniciou um processo de colaboração entre Jardins de Infância, escolas do 1º Ciclo e a Escola do 2º e do 3º Ciclo, potencializando recursos humanos e materiais que conduziram com naturalidade à criação de um dos 1ºs Agrupamentos verticais existentes no País. Era nosso entendimento na altura, que só a existência de um Projecto Educativo ao longo do percurso escolar dos alunos desde o Jardim de Infância até à entrada no Secundário, poderia permitir o seu desenvolvimento integral com a insistência nos valores e saberes que fossem aceites consensualmente por alunos, pais e educadores.

A Cidade de Peniche escolheu na altura em que foi desafiada, continuar a ser pequenina, dividida e saloia. 1º Ciclo e Jardins de Infância para um lado. Escolas do 2º e 3º Ciclo para outro. Numa terra onde todos se conheciam, optou-se pela divisão e pela satisfação dos pequenos egoísmos de 2 ou 3 pessoas, que não conseguiram perceber que o seu tempo já era. A Câmara Municipal na altura, presa também de pequenas trocas de favores pessoais e políticos deixou-se encurralar na criação destes pequeninos reinos de “pé-de-chinelo”. Gastou-se uma enormidade em dinheiro quando da recuperação da Escola nº1 para criar espaços adequados ao funcionamento aos serviços administrativos do novo agrupamento e aos locais de lazer dos reizinhos entretanto entronizados. Dividiu-se mais o pessoal administrativo. Adquiriu-se mais mobiliário e meios técnicos que já existiam noutras escolas.
Para agora ficar tudo obsoleto e ter de se reagrupar tudo de novo. Os meios físicos criados para o efeito, terão de ser reequacionados para outras funções de forma trabalhosa e criativa, mas nunca eficaz porque será sempre um remendo a sua nova utilização.
O que eu penso é que estas atitudes que custam dinheiro, esforço e actividade, sem proveito nem futuro que tanto custaram ao Estado e ao Município, deveriam ser contabilizadas e aplicadas em avaliação aos responsáveis. A incompetência e a inabilidade intelectual deveriam contar para a avaliação. Ou toda a vida havemos de andar a fazer e a destruir ao sabor destes eunucos do desenvolvimento.
1 comentário:
Não posso estar mais de acordo com a análise.Contudo, gostaria de referir que se trata de uma imposição do Ministério da Educação. Peniche era das poucas Cidades onde a questão dos Agrupamentos de Escolas não estava totalmente resolvida. Pelo que sei também esta Câmara se preparava para manter o "status quo", dando parecer negativo à proposta do Ministério. Em matéria de Educação que "venha o Diabo e escolha". Na Educação como em outras áreas, Peniche vai de "garra".
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