sexta-feira, outubro 01, 2010

A GRANDE LIÇÃO
“aquilo que somos deriva de quem já fomos”

Um dia destes cruzaram-se os meus caminhos, ainda que por interposta pessoa, com duas colegas minhas de profissão. Com uma e outra trabalhei na Lourinhã e depois na Atouguia da Baleia. Foram mais de 20 anos de uma relação próxima que apesar de alguns altos e baixos, senti sempre como uma relação de grande respeito mútuo.
Recordo vagamente algumas discussões mais ou menos acesas sobre questões de carácter educativo e pedagógico, em que eu e elas, ou uma ou outra discordavam de mim. Mas sempre retomávamos a relação de respeito que tínhamos porque nunca discutimos sobre assuntos que não fossem técnicos ou de gestão da escola e dos objectivos a atingirmos com os alunos. Não me recordo de uma única vez termos tido qualquer discussão de natureza pessoal ou partidária. Foi sempre a escola e os alunos com quem trabalhávamos que foram o centro das nossas dúvidas e preocupações.
Daí que hoje eu pense que falta discutir mais a natureza das razões pedagógicas que a escola deve perseguir e menos os interesses pessoais e pessoalizados da natureza dos nossos actos na escola.
A introdução de meios tecnológicos que permitem uma mais rápida solução de questões de carácter administrativo facilitou (?) a acção dos profs. mas coarctou uma maior discussão da natureza e envolventes que motivam uma maior interacção entre alunos e professores.
Por outro lado e em relação ao tempo em que trabalhámos em conjunto, sinto haver nos meus colegas a falta do recurso a uma gestão em que possam confiar e que saibam que no momento necessário está ao seu lado, acompanhando-os e protegendo-os na sua acção profissional. Os professores sentem-se sós e abandonados na sua actividade pedagógica. Não estou a referir-me à falta de sentido corporativo entre eles. Esse existe e é visível até ao momento em que tocar ao “salve-se quem puder”. Refiro-me aos pequenos de solidariedade que permitem enfrentar o dia a dia tão exigente do professor que se preocupa e que se compromete com o acto educativo.
A grande lição que tirei com estas minhas duas colegas e tantas outras com que trabalhei, foi a de que mereceu a pena o tempo em que trabalhámos em conjunto. E que aprendi a ser uma pessoa melhor com elas. E que a Escola merecia a pena. Ser professor era então uma Arte que se desenvolvia com o tempo.
É doloroso para mim ver tantos excelentes professores, senhores de uma enorme bagagem intelectual e técnico-científica, fugirem a sete pés da escola. Com pouco mais de cinquenta anos, e quando tanto ainda poderiam dar quer à Escola, quer aos novos professores, reformam-se com penalizações absurdas, só para não terem que conviver com um dia a dia que para eles não tem nada de gratificante. Por isto me sinto triste e magoado e às vezes tenho vontade de regressar à escola, para fazer barulho e tentar acabar com este ambiente que a está a sufocar e a fazer perder os melhores dos seus cérebros.

RECTIFICAÇÃO
Diariamente compro vários jornais. Ao fim de semana leio ainda os semanários. E leio o “Povo Livre”, o “Portugal Socialista” e o “Avante”. Estes últimos são os jornais ideais para o cidadão comum poder saber o que vai na cabeça estragada dos nossos políticos. É lamentável que a maioria dos militantes dos partidos políticos não leiam ao menos o jornal do seu partido. Se o fizesse, curavam-se…
Vem isto a propósito de uma postagem que aqui fiz sobre as Comemorações dos 100 da Implantação da República no Concelho de Peniche.
Afinal o órgão oficial do PCP vem a lume com a sua posição sobre a importância destas comemorações e sobre o impacto do 5 de Outubro de 1910 para o acordar e renascer do Povo Português.
Só posso pensar que não é o executivo camarário no seu todo responsável por esta omissão. Trata-se de uma incapacidade intelectual do responsável do Pelouro da Cultura, provavelmente mais preocupado nas próximas aparições nos programas das TVs dedicadas ao Mundial de Surf, do que com questões tão comezinhas como a Celebração dos 100 anos da República Portuguesa. Enfim… Cá fica a rectificação.

1 comentário:

123 disse...

Só nos resta agradecer as palavras que nos dedicas.As saudades desse tempo não são muitas, são enormes. E,comparando com os tempos que agora vivemos, nem tu podes imaginar quão doloroso se tornou ter de trabalhar com tanta mediocridade e incompetência...

Bjos,
Leopoldina