quinta-feira, julho 03, 2014


SOPHIA, UMA POETISA DE «CAUSAS»
Com a devida vénia transcrevo uma entrevista de José Manuel dos Santos, que teve a ousadia de lançar a iniciativa de se trasladar o corpo de Sophia para o Panteão Nacional, concedida à Agência Ecclesia. Considero ser esta uma forma mais adequada de alimentarmos o nosso conhecimento sobre a Poeta. Obrigado à Ecclesia e ao José Manuel a quem fico a dever mais uma.


 27 de Junho de 2014, às 10:53

 

José Manuel dos SantosJosé Manuel dos Santos

Entrevista a José Manuel dos Santos, orador oficial na cerimónia de trasladação dos restos mortais de Sophia de Mello Breyner Andresen para o Panteão Nacional

O escritor José Manuel dos Santos vai ser o orador oficial na cerimónia de trasladação dos restos mortais de Sophia de Mello Breyner Andresen para o Panteão Nacional. O diretor cultural da Fundação EDP e amigo da família da escritora fala à Agência ECCLESIA da sua obra e do legado que deixou à sociedade portuguesa

Agência ECCLESIA (AE) – O que é que esteve na base desta proposta de trasladação dos restos mortais da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen para o Panteão Nacional?

José Manuel dos Santos (JMS) – Eu entendo que algum declínio que todos nós sentimos e que nos preocupa nas democracias ocidentais é acompanhado de uma dessimbolização da própria democracia, é preciso dar aos símbolos a sua força, o seu valor e a sua função de exemplo.

E este ano passam 40 anos do 25 de abril e 10 anos da morte de Sophia, uma grande poeta e cidadã, que por isso reúne em si um valor simbólico que deve ser apontado à nossa comunidade, a todas as gerações mas também às novas gerações que ganham em ter conhecimento dessa lição, que foi essa vida e que é, continua a ser, essa obra.

 AE – É justo dizer que as novas gerações poderão conhecer o nome, mas não o associam ao percurso que a poetisa teve?

JMS – Creio que a Sophia tem uma situação um pouco singular, toda a gente a conhece por causa das histórias para crianças.

Ela é uma grande autora de histórias para crianças, e portanto toda a gente que leu a “Menina do Mar” ou “O Rapaz de Bronze” ficou encantada com aquela capacidade extraordinária de usar uma linguagem acessível a todos e com aquela beleza, aquela vibração.

E por isso todas as pessoas, de todas as gerações, conhecem o nome de Sophia, se não leram as histórias, os filhos ou os netos leram, e isso é um convite a que conheçam o resto da obra de Sophia.

A poesia de que foi autora é elevadíssima, extraordinária, e também a vida, uma vida que ela quis sempre ligada à sua própria obra.

Ela dizia que escrevia para salvar a vida, portanto a conceção que ela tem da poesia não é de uma carreira literária, não é de um lugar proeminente na sociedade.

Ela dizia: a poesia é para mim uma arte do ser. E por isso eu escrevo para estar em concordância com a realidade e com o universo.

E desse ponto de vista, é também justo esta ligação entre aquilo que foi o seu comportamento humano e o que foi a sua obra, a sua vida.

 AE – E é isso que é importante propor nos dias de hoje, daí a importância desta cerimónia?

JMS – Sim, esta cerimónia tem enorme importância porque estamos a falar de alguém que é, a vários títulos, exemplar. Não é fácil reunir numa só pessoa esta exemplaridade, uma grande escritora, uma grande mulher, uma grande portuguesa, uma grande cidadã.

Neste tempo, em que todos nós estamos preocupados com o que está a acontecer, ela representa uma possibilidade de podermos olhar um pouco acima das nossas preocupações, não para as ignorarmos mas para arranjarmos a força que nos permita ultrapassar os obstáculos e as dificuldades que todos estamos a viver, em Portugal claramente mas também no mundo em geral.  

 AE – Faz esta análise através da obra poética de Sophia e daquilo que dela emana, mas também a partir do contacto que teve com a própria poetisa.

JMS – Sim, eu vi uma continuidade entre aquilo que ela era, que ela escrevia, e aquilo que ela pensava, fazia.

Era de facto uma personalidade fascinantíssima, cuja linguagem não tinha lugares comuns, frases feitas, concessões, e portanto conversar com ela era quase como ouvir a poesia dela, dita de outra maneira.

Ela dizia que a poesia não precisava de festa de anos, porque precisava de ser dita, ouvida, todos os dias. E praticava este princípio, havia uma continuidade absoluta entre o seu viver e o seu escrever.

E isso é também aquilo que se pode assinalar com este ato da trasladação para o Panteão, em que, de alguma maneira, se vai pôr a memória de Sophia à altura daquilo que ela deu, que ela soube dar à sua vida e à sua obra.

 AE – Tem memórias, acontecimentos concretos a partir do contacto com ela, que possam exemplificar a discrição que faz dela?

JMS – Havia nela sempre uma preocupação e uma disponibilidade para aquelas causas que considerava justas. Antes do 25 de Abril, ela teve um combate politico-cívico muito importante, disse em várias entrevistas que tinha chegado à política pelo cristianismo, pela leitura do Evangelho e por esse conceito de justiça fundamental que há nele.

E a seguir ao 25 de Abril, empenhou-se em ações políticas concretas, quando achou que essas ações eram importantes, quer no plano nacional quer internacional.

Ela foi deputada da Assembleia Constituinte, e aí a sua voz aí levantou-se sempre em defesa dos grandes valores da cultura. Mas foi também mandatária de candidaturas presidenciais, esteve por exemplo em ações de solidariedade na altura da luta do povo polaco pela liberdade e democracia.

Portanto, nunca virou a cara, embora parecesse uma pessoa um pouco despistada e desatenta.

Há muitas histórias sobre as suas distrações, chegava normalmente com um ar perdido e atrasado a todo o lado, mas depois quando abria a boca e falava era extraordinário sempre o que dizia.

Eu gosto de dizer que ela estava desatenta e distraída de tudo, menos daquilo que era importante.

 AE – Todo o percurso de Sophia, toda a luta que ela fez até chegar ao 25 de Abril, não se apagou depois da revolução, o olhar crítico continuou também depois. Numa determinada entrevista, ela disse que o 25 de Abril trouxe coisas ótimas no plano político mas no plano cultural não, dando como exemplos a demagogia, o consumismo, a pressa, as propagandas.

JMS – Sim, ela logo em 1975, 1976, numa carta ao Jorge de Sena, diz-lhe: o que vai matar a nossa democracia é a sua incompetência cultural. E ela não fez isto como uma profetiza que está a anunciar o fim de uma coisa que a ela é indiferente. Pelo contrário, há aqui uma grande preocupação e um grande empenhamento para que isso não aconteça.

Em toda a sua vida há esse combate. O espirito crítico dela exercia-se sempre, a palavra dela levantava-se, ouvia-se sempre com sentido critico e construtivo, para corrigir o que ela achava que estava errado.

Há de qualquer forma, temos de reconhecer, um desencontro dela, que não é apenas dela, com aquilo em que as sociedades se foram tornando. Sociedades de consumo exagerado, sociedades de massificação, em que se sabe o preço de tudo e não se sabe o valor de nada.

E para isso há, quer nos poemas dela quer nas entrevistas que dá, sempre uma palavra, um alerta, um alarme sobre o que está a acontecer, algo que é também muito importante ter presente neste momento e neste ano.

 AE – A própria consciência cristã dela brotava precisamente desse espírito. Ela hoje em dia encaixaria naquele título, que até muitos recusam, de católico progressista?

JMS – Sim, aliás antes da trasladação que vai depois permitir conceder à Sophia as honras de Panteão Nacional, vai haver simbolicamente a celebração de uma missa na Capela do Rato. E a Capela do Rato não foi escolhida por acaso, na vida dela tem um grande significado e simbolismo.

Sendo Sophia uma mulher com um ar frágil, e que como digo, parecia um pouco fora do mundo, ela tem um combate extraordinário na associação de solidariedade para com as famílias dos presos políticos. Com o marido Francisco Sousa Tavares, tem um combate constante pela liberdade, pela justiça, que ela considerou sempre, sempre inseparáveis.

 AE – Próxima do final da vida, ela dizia que gostava que se realizasse a justiça social, a diminuição da diferença entre ricos e pobres. A justiça para os pobres era aquilo que mais a preocupava, dizia mesmo que o resto lhe era indiferente. Isto é um testemunho, uma herança muito forte.

JMS – É um testemunho fortíssimo, num tempo como o nosso tem que se fazer ouvir a sua voz. Ela era uma mulher que vinha de uma família privilegiada e considerou que esse privilégio não lhe dava o direito de humilhar ou de ter alguma superioridade em relação aos outros.

Pelo contrário, Sophia achou que esse privilégio lhe dava uma responsabilidade de lutar pela justiça e pelas condições de dignidade humana de todos. E isso também é uma lição extraordinária.

 AE – Como se processou a aprovação desta iniciativa da trasladação do corpo de Sophia para o Panteão?

JMS – Eu lancei a ideia num artigo, esse artigo teve alguma repercussão e algum eco e os deputados na Assembleia da República acolheram essa sugestão, por unanimidade como se compreende, porque é uma figura em relação à qual não há nenhum reparo, de nenhuma natureza, a fazer.

Isto é extraordinário, porque há pessoas que conseguem uma espécie de unanimidade mole e passiva, porque se abstêm, porque se calam, porque não dizem o que pensam, porque navegam em águas de ambiguidade e de pouca clareza.

Ela sempre foi claríssima, a sua voz disse sempre o que era preciso ser dito, afrontou quem tinha que afrontar. No entanto fez isso com uma altura, com uma dignidade, com um sentido humano e cultural, com uma inteligência que levou a que mesmo aquelas pessoas que, num ou noutro momento podem ter sido objeto da discordância ou da crítica dela, renderem-se perante a superioridade com que ela fez sempre essa crítica, ou com que ela fez os reparos que tinha que fazer.

 AE – Especificamente em relação ao programa de dia 2 de julho, o que é que foi preparado?

JMS – Vai haver uma Missa que tem um caráter mais privado, na Capela do Rato, seguida de um cortejo pela cidade. Depois o corpo de Sophia passará pela Assembleia da República, a caminho do Panteão Nacional, onde às 19h00 - é bom que as pessoas estejam um pouco antes - se vai proceder a uma cerimónia.

Nessa cerimónia terei a honra, o privilégio, de ser o orador oficial, por escolha da família, e irão falar também o presidente da República e a presidente da Assembleia da República.

 AE – Que palavras é que vai dirigir às pessoas, em honra de Sophia?

JMS – Com um poder de concisão que lhe era grato, ela preferia sempre o que era conciso e claro, é uma das características dela e da poesia dela, vou tentar resumir o que a sua vida, a sua obra. Falar um pouco dos princípios que a inspiraram e da maneira admirável como ela os realizou.

Não esqueço a liberdade, a justiça, a poesia, acho que a lição dela é fundamentalmente essa, a poesia, a liberdade e a justiça - são boas razões para que os homens se possam olhar uns aos outros, olhos nos olhos, e ela ensinou-nos isso.

 AE – Haverá mais algum outro momento especial que possa já ser desvendado antes das celebrações?

JMS - Sim, vão ser ouvidos alguns poemas ditos por ela, na voz gravada que temos dela, vamos ter música e uma coisa extraordinária numa cerimónia desta, vamos ter bailado.

A Companhia Nacional de Bailado vai interpretar duas peças, porque o bailado, a dança, atravessaram toda a vida e obra de Sophia.

As palavras da dança aparecem na sua poesia do último ao primeiro poema. Por exemplo, um excerto de um bailado que vai ser lá lançado é o Lago dos Cisnes, e há uma carta de Sophia para a mãe, quando penso que nos anos 50 viu o Lago dos Cisnes, e ela fala maravilhada com o que viu.

Portanto há essa memória, as cerimónias de entrada no Panteão não são cerimónias fúnebres, são de alguma maneira uma ressurreição simbólica.

De alguma maneira, o Panteão é o reconhecimento que a morte não prevaleceu contra aquelas pessoas, que elas estão vivas pelo seu simbolismo, pelo seu exemplo, pelo legado que nos deixaram, e no caso de Sophia, por maioria de razão ainda, pela sua obra.

Os grandes poetas não morrem, porque continuam a viver sempre que abrimos um livro e lemos o que eles nos deixaram ou escreveram para podermos ler.

Sophia está viva por todas essas razões, pela memória que temos dela, pelo legado exemplar que nos deixou e por essa obra extraordinária que vai desde os contos, histórias para crianças até a ensaios de uma inteligência extraordinária. Mas sobretudo a grande poesia que nos deixou, em que ela fala do universo, dos atos do quotidiano, dos combates políticos, fala de outros escritores, da maçã que a deslumbrou quando viu uma manhã, fala de tudo daquela maneira absolutamente extraordinária que era a dela.

 AE – Nestes dias que antecedem a cerimónia no Panteão, tem-se lembrado de alguns momentos que partilhou com Sophia?

JMS – Sim, tenho-me lembrado de algumas vezes que estive lá em casa com ela, que lanchei com ela, que conversei, as viagens que fiz. Eu tive funções na Presidência da República durante 20 anos, era assessor cultural, fazia a ligação com os escritores, intelectuais, com os artistas, e portanto falava frequentemente com Sophia.

Acompanhei-a em muitas viagens que fez, a convite quer do presidente Mário Soares quer depois do presidente Jorge Sampaio, e há de facto memórias absolutamente extraordinárias.

A maneira como ela olhava as coisas, os comentários que fazia, a graça que tinha - era uma pessoa que tinha uma grande graça - as histórias que contava com uma grande ironia.

E isso fazia da Sophia ao mesmo tempo, como todas as personalidades com a dimensão dela, uma figura transparente e ao mesmo tempo misteriosa, havia sempre qualquer coisa nela que nos surpreendia.

 AE – Que histórias peculiares é que guarda sobre ela?

JMS - Um dia o presidente Mário Soares estava em vésperas de partir para uma visita de Estado muito importante e estávamos a preparar a tradução dos discursos que iam ser feitos nos vários acontecimentos dessa vida, coisa que é sempre feita sob uma grande pressão. Um presidente tem sempre muito que fazer e normalmente já escreve mesmo sobre a hora e depois revê e depois é preciso mandar aquilo para tradução, para que quando se parta esteja já tudo bem organizado.

Estamos num dia desses, eu entrei no gabinete e percebi que o presidente Mário Soares estava ao telefone com a Sophia. O assunto era uma empregada doméstica da Sophia, que tinha saído por qualquer razão, e a Sophia estava um pouco atrapalhada porque não tinha empregada e ela não se orientava muito bem nas coisas domésticas.

E eu ouvi o presidente Mário Soares dizer – ó Sophia, eu vou tratar do assunto – não podemos esquecer que eram amigos e que tinham uma convivência, uma amizade e uma intimidade de muitos anos. Desligou o telefone e quando nós insistimos com as traduções ele disse: Não, não, agora vou ter de arranjar primeiro aqui uma solução para o problema doméstico da Sophia.

Isto é mais importante do que tudo o resto, porque ela diz-me que enquanto não tiver este problema resolvido, ela não escreve. E mais importante que tudo é que ela escreva, o meu dever como presidente da República é resolver este problema, dizia.

 AE – E o que é que diria Sophia nos dias de hoje?

JMS – Continuaria a dizer o que disse, que o mundo em que vivemos não é um mundo justo, tornou-se até mais injusto do que já foi.

E mesmo a própria liberdade que ela cantou naquele poema maravilhoso do 25 de abril, a maneira como ela conta como esse poema lhe surgiu é uma história também extraordinária.

Ela diz que a despertaram no meio da noite e lhe disseram – há uma revolução na rua – e ela foi ouvir rádio.

Sophia tinha o rádio numa divisão da casa que tinha uns vidros que davam para o jardim, na Travessa das Mónicas. Ela ficou colada ao rádio a ouvir a evolução da revolução, a perceber também por telefone, como é que a revolução se ia construindo e tornado vitoriosa. À medida que isto se foi passando, que as horas foram passando, a noite foi dando lugar ao dia.

Daí ela no poema falar – “emergimos da noite e do silêncio”. E ela, num desses testemunhos, liga isto à Páscoa que tinha acontecido poucos dias antes na semana anterior à revolução.

Sophia diz que esta passagem da noite ao dia, das trevas à luz, foi para si uma nova Páscoa, como um milagre que Portugal viveu nas ruas, naqueles momentos. Esta é também uma memória extraordinária, que se percebe como os poemas de Sophia nunca eram qualquer coisa que não fosse autenticidade em estado puro.

 AE – Portanto as palavras de Sophia nas décadas de 60, 70, continuam a fazer sentido hoje?

JMS – Acho que continuam a fazer muito sentido, porque ela faz uma espécie de ligação de todos os tempos e de todas as figuras. Ela tem um poema, por exemplo, dedicado a Catarina Eufémia em que tira tudo o que depois foi, digamos, cliché ideológico sobre essa figura, restituindo-lhe uma espécie de pureza e nudeza inicial.

Ela liga-a uma grande figura que admirava extraordinariamente, Antígona, que era a mulher que clamava sempre por justiça e que achava que havia uma justiça e um direito que se podia impor à própria lei. E isso é uma lição muito importante para o nosso tempo.

Eu gostaria ainda de dizer uma frase, fazendo uma citação dela, que diz assim: “É costume dizer só aos pobres portugueses: Tenham paciência. Eu acho que devíamos dizer: Não tenham paciência”.

E isso é extraordinário.

 

quarta-feira, julho 02, 2014

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
No dia em que é transladado para o Panteão Nacional o corpo da poetisa, deixo-vos com alguns dos seus poemas que definem quanto a mim a Mulher, a Cidadã, a Artista.


 MAR


I
De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.


II
Cheiro a terra as árvores e o vento
Que a Primavera enche de perfumes
Mas neles só quero e só procuro
A selvagem exalação das ondas
Subindo para os astros como um grito puro.


Pátria
Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro


Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Do longo relatório irrecusável


E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão


Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas


- Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro
Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo.



Esta Gente
Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco
Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis


Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre


Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome
E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada
Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo


 


Com Fúria e Raiva
Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada

De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse

Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra 
25 DE ABRIL
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

terça-feira, julho 01, 2014


A REVISÃO DO PDM

Muito provavelmente vou ser injusto.

A aprovação e as revisões do PDM que vincularão o crescimento e desenvolvimento de um concelho, são providas de uma linguagem exotérica e rebuscada que só os muito entendidos compreenderão. O cidadão comum, lê e não compreende. Vê mapas e lê parágrafos pejados de termos técnicos de tal preciosismo que julga sempre estar a ser vítima de um processo de intenções (más).

Participei na Assembleia Municipal que aprovou o actual PDM de Peniche. Eu por mim votei contra. Por 2 principais ordens de razão. A primeira foi a minha relutância em ver a zona da Papôa passível de ser ocupada por cimento armado. A segunda foi porque sempre considerei aquele documento demasiado rebuscado para meu gosto. Precisava que alguém explicasse o que ali estava de forma clara e simples para eu poder perceber o que aquele documento permitia e o que vetava. Infelizmente antes que eu pudesse esclarecer as minhas dúvidas, um conluio entre o grupo da Assembleia Municipal do PSD e o grupo do PCP, obrigaram à votação daquele instrumento sem que eu ficasse esclarecido.

Não sei quem ganha ou quem perde com esta revisão. Isso terá que ver com interesses imobiliários mais ou menos transparentes. É de prever que o PSD pague agora com juros ao PCP o favor que então lhe foi feito.

Considero que a revisão do PDM de Peniche não será mais feliz que o próprio. Alguém ganhará com este negócio e o Concelho de Peniche não o será por certo.

Existem tantos terrenos apetecíveis em S. Bernardino e em Ferrel…

Como disse de inicio se calhar estou a ser injusto. Mas onde se metem politiqueiros, existe maldade. E se forem provincianos tanto piores serão porque a tendência será sempre a da fotocópia ser pior que o original.

Sobre o que de eventualmente errado aconteceu com o PDM ainda em vigor, pesa a responsabilidade de João Augusto Tavares Barradas e Dr. António José Barradas Leitão, com a bênção do PCP.

O que irá acontecer com esta revisão, ficará sobre os ombros de António José Correia e Maria João Avelar. Com o que a AM decidir.

  

sábado, junho 28, 2014

ACTOS MÉDICOS DE OBSERVAÇÃO ATENTA
Um velho doutor que sempre trabalhara no meio rural, achou que tinha
chegado a hora de se aposentar, após ter exercido a medicina por mais
de 50 anos.
Ele encontrou um jovem médico para o seu lugar e sugeriu ao novo
diplomado que o acompanhasse nas visitas domiciliares para que as
pessoas se habituassem a ele progressivamente.
Na primeira casa uma mulher queixou-se que lhe doía muito o estômago.
O velho doutor respondeu-lhe :

- Sabe, a causa provável é que você abusou das frutas frescas... Por
que não reduz a quantidade que consome ?

Quando eles saíram da casa o jovem disse :
- O senhor nem sequer examinou aquela mulher... Como conseguiu chegar
ao diagnóstico assim tão rápido ?
- Oh, nem valia a pena examiná-la... Você notou que eu deixei cair o
estetoscópio no chão ? Quando me abaixei para apanhá-lo, notei que
havia meia dúzia de cascas de mangas, um pouco verdes, no balde do
lixo. É provável que isso tenha lhe causado as dores. Na próxima
visita você se encarrega do exame.
- Humm ! Que esperteza ! Eu vou tentar empregar essa técnica.

Na casa seguinte, eles passam vários minutos a falar com uma mulher ainda jovem.
Ela queixava-se de uma grande fadiga :
- Eu me sinto completamente sem forças...
O jovem doutor disse-lhe então :
- Você deu provavelmente muito de si para a igreja... Se reduzir essa
atividade, talvez recupere um pouco de sua energia.
Assim que deixaram aquela casa, o velho doutor questionou o novato:
- O seu diagnóstico surpreendeu-me... Como é que chegou à conclusão de
que aquela mulher se dava de corpo e alma aos trabalhos religiosos?
- Eu apliquei a mesma técnica que o senhor me indicou: deixei cair o
meu estetoscópio e, quando me baixei para o apanhar, vi o padre
debaixo da cama!

sexta-feira, junho 27, 2014

ESTA CORRIDA QUE ME MATA
Não me refiro à corrida das Fogueiras. A 35ª. Nem à corrida das Fogueirinhas. A 14ª. Também não me refiro a estas corridas em busca de emprego. Ou de trabalho como preferirem. Se é que isto tem discussão.
Falo desta corrida contra o tempo. Contra a degradação dos corpos. Contra o envelhecimento que a todos atinge. Sendo que alguns fazem disso o seu maior drama. Recordo aqui algumas pessoas que vi envelhecer com dignidade. E outras a quem nem isso foi permitido porque a doença retirou-lhes a parcela de felicidade que deve acompanhar uma vida rica de recordações.

Viver é acreditar. Quem deixa de acreditar em alguma coisa perde a possibilidade de ser feliz. Eu que tive a felicidade de nascer num dos períodos mais ricos da História da Humanidade, assisti ao apogeu e queda de Impérios. Nasci na segunda metade da II Grande Guerra. Pertenci a metade do planeta de terra, que entretanto se unificou e hoje faço parte do todo global. Nasci num país em que o pensamento era pecado e hoje pensa-se sem sequer medir que isso representa uma conquista. Nasci no país da religião única, com crucifixos na sala de aula e vivo num país ecuménico.

Vi “pretos” serem escravizados por “brancos” em África, vejo países africanos a comprarem este país à venda em saldos. O império português, tal como a superioridade moral dos comunistas, foi “chão que deu uvas” até que a liberdade de informar deu as mãos à liberdade de ser informado.

Esta corrida em que tenho participado é imensa e maravilhosa. Assim eu mereça ter participado dela.

quarta-feira, junho 25, 2014

MAIS 311 ESCOLAS
Vão encerrar. Contribuindo assim para a desertificação do País. Conduzindo ao afastamento de pais e encarregados de educação do processo educativo dos seus filhos.
Ao vendedor de banha da cobra que é o ministro da educação não me refiro. Recuso-me a referir obscenidades no meu blog.
Nos últimos 15 anos mais de 6000 estabelecimentos de ensino foram encerrados. Não estou a pensar nos professores que foram para o desemprego. Estou a falar na lufada de ar fresco que era anualmente chegar a um local ermo uma nova, ou um novo professor, que abria perspectivas a alunos e pais. Que fazia a aldeia fervilhar de vida.

Claro que há escolas que inevitavelmente teriam de encerrar. Mas desenhados a régua e compasso os encerramentos? Como se fosse o mapa cor-de-rosa?
Deste governo não espero que honrem compromissos. Nem sei porque “raio” de razão é que ainda há alguém que com eles estabelece compromissos de honra.

Em Peniche encerra Casal da Vala e e Casais Brancos. A que se seguirão no próximo ano S. Bernardino, Reinaldes e Ribafria. O Governo diz que conversa com, e ouve os municípios. Que interessa isso se o argumentário que utilizam nunca é escutado e em última análise são imunes a quem contradiz o que a 5 de Outubro decide.

Portugal continua a empobrecer. Miseravelmente. Ao sabor desta gentinha e dos seus patrões alemães.
Seremos a praia de férias de Berlim, ou não seremos nada.   

segunda-feira, junho 23, 2014

“PRANTES”

O mundial do Brasil já era. Paulo Bento é culpado. Todos somos culpados de vivermos titubeantes entre o que é necessário e o que somos capazes.  

Continuamos seraficamente aguardando que o Estado português honre os seus compromissos com os seus trabalhadores e pensionistas.

O PS já foi. Dividido entre um simulacro de líder que o conduzirá irremediavelmente à derrota e a um beijo de escorpião aos seus apaniguados e um renascer doloroso mas necessário com quem o pode fazer reaparecer das cinzas. Neste dilema não se ouvem, nem se vislumbram os cinzentões militantes socialistas que conduziram o partido no distrito de Leiria à indigência e ao apagamento totais.

Peniche será se for. Vive há meses aguardando o mês de Outubro para conquistar os seus minutos diários entre o o rebentar das ondas e espuma dos dias.

Mutatis mutandis qualquer coisa parece mudar para que as moscas saboreiem e possam sobrevoar o mesmo manjar de sempre.

sábado, junho 21, 2014

GORJETA
O pai e a mãe foram fazer uma visita ao seu filho, nora e netos e resolveram passar uma noite lá

Quando o avô encontrou no banheiro uma caixa de Viagra ele perguntou ao filho: posso usar uma dessas pilulas?
E o filho disse: Eu creio que não deve tomar papai, são muito fortes e muito caras.
E quanto custa? perguntou o pai ao filho.
"20€ por pílula," respondeu o filho"
"Não importa" disse o pai", insisto que eu quero provar

Amanhã pela manhã, te deixo o dinheiro debaixo do travesseiro

No dia seguinte, meio dia o filho encontrou 220€ em baixo do travesseiro.
Telefonou pro o pai e disse: Eu disse que cada pílula custava 20€, e não 220€
"Eu entendi" respondeu o pai. Os 200€ quem colocou foi a tua mãe. 

sexta-feira, junho 20, 2014

O FACEBOOK E EU
Acontece comigo o que também é comum a inúmeras outras pessoas. Uma relutância visceral contra a exposição pública. Não sou púdico nem tímido. Reservo-me no entanto a nível de sentimentos pessoais e para situações do foro intimo para mim próprio ou em última instância para as pessoas que entendo que devem saber de mim.

O facebook deixou de ser um meio rápido de comunicação entre amigos, para passar a ser uma forma de intrusão na vida privada de cada um. É claro que existem pessoas que se colocam mesmo a jeito para que isso aconteça. Mas outras que fizeram única e simplesmente uma opção por uma nova caixa de correio, podem a breve trecho ser vitimas destes papparazos de meia-tigela, em tudo semelhantes aos mirones que há 30/40 anos atrás se escondiam atrás dos medões para espreitar os namoros dos outros.
Já aqui contei da minha breve história no facebook. Aderi, vi o que me esperava e saí tudo no breve espaço de um mês. Pessoas que não me falavam na rua, a pedirem-me a sua amizade. Gente que me detesta a oferecer-se para serem minhas amigas. Terminei tão rápido quanto pude com aquele nojo.

Agora vejo convocar manifestações pelo facebook. Dar informações pertinentes pelo dito cujo. Como se a forma de comunicação se tivesse tornado universal. Como se toda a gente utilizasse a coisa. Como se Portugal fosse um país de tecnologia universal, mais universal que o Serviço Nacional de saúde. Admite-se que hajam cidadãos sem médico de família, mas não se vislumbra a hipótese de haver um português sem facebook.
Deixamos de ser coerentes para nos tornarmos pirosos. Deixamos de ser seres solidários para nos tornarmos coscuvilheiros.
É como aqueles que entregam ofertas para o Banco Alimentar Contra a Fome, mas deixam os pais esquecidos nos centros hospitalares, acautelando no entanto que eles lhes façam previamente a doação dos seus bens.

Estou amargo? Sou realista.  

quinta-feira, junho 19, 2014

O QUE ME INIBE DE ESCREVER
Ultimamente estou preguiçoso. Eu sei que estou velhote. Mas anima-me uma grande vontade de perceber o que vai acontecendo à minha volta. Depois passar à escrita o que vou vendo e ouvindo é que se torna mais complicado.
Não que não sejam interessantes algumas das coisas. Não que não mereçam ser contadas. Mas estou indolente. Será da idade? Ou é este ser reformado e todos os dias roubado que me amarfanha?

Eu sei que a derrota de Portugal face aos “boches” me deixou atarantado. Mas já estou tão habituado a ser “lixado” por essa gente que não havia de me surpreender.

Eu sei que o Governo de Portugal atingiu os limites do impudor e se tornaram obsceno na sua raiva insana contra o poder judicial. Mas desses atrasados mentais não espero outra coisa.

Eu sei que Peniche vive em letargia. Mas já há muitos anos que me habituei a não me deixar vencer por este dolente torpor.

Eu sei que cada vez mais, menos gosto de andar na rua, frequentar cafés e tertúlias xaroposas.

Por tudo isto escrevo pouco. Ou talvez só porque não me apetece. E quando não me apetece não sei, nem consigo escrever.
Melhores dias virão.

segunda-feira, junho 16, 2014

MEMÓRIAS DE UM PASSADO LONGÍNQUO
Fotos do final do séc. XIX - início do séc XX de familiares e seus amigos
Os Bombeiros de Peniche
José do Rosário Leitão (vulgo Zé Baterremos) e Albertino Fernandes
 Os casais dos filhos e filhas de Joaquim do Rosário Leitão com respectivos consortes
António Delgado Miranda, Manuel Patrício, João Barradas, José do Rosário Leitão

sábado, junho 14, 2014

A FEIRA DA VIRGEM

Para quem ainda não sabe, o nome da Feira da Ladra, em Lisboa, não tem nada a ver com ladras ou ladrões, mas sim com a língua árabe.
De facto, a Feira da Ladra remonta ao século XIII, ou antes, quando a língua árabe era ainda familiar em Lisboa, apesar das barbaridades habitualmente cometidas pelos cruzados, supostos e intitulados cristãos, que a conquistaram aos Mouros.
Podemos ter a certeza que a conquista "cristã" de Lisboa, em 1147, foi um desgraçado e prolongado desastre para a cidade.
Diz-se que o nosso primeiro rei, impotente perante o assalto assassino à população de Lisboa, que vivia civilizada e em comunhão com os cristãos arabizados, sofreu por ver que os seus aliados do Norte da Europa não distinguiam os habitantes da cidade, sendo para eles todos eram infiéis e inimigos que se massacravam desapiedadamente até à morte.
Afonso Henriques queria, sim, a cidade, mas não pretendia um "genocídio inútil".
Feira da Ladra quer dizer Feira da Virgem (a Mãe de Jesus), pois "A Virgem" em árabe se diz "al-:aadraa'  (العذراء).
 
Esta palavra ouve-se repetidamente na Nursat, o canal televisivo dos Maronitas (católicos) do Líbano.

sexta-feira, junho 13, 2014

13 DE JUNHO
R. Vasco da Gama
·        Portugal assina com a Inglaterra a Aliança Luso-Britânica, a mais antiga aliança entre nações em vigor (1373)

·        Nasce Fernando Pessoa (1888)

·        Os Estados Unidos declaram guerra à Grã-Bretanha (1812)

·        Morre Alexandre O Grande (323 A.C.)

·        2ª Aparição de Nossa Senhora em Fátima (1917)

·        Morre Vasco Santana (1958)

·        Nasce Maria Helena Vieira da Silva (1908)

·        Morrem Álvaro Cunhal e Eugénio de Andrade (2005)

·        Morre Hermínia Silva (1993)

·        Morre Al Berto (1997)
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Igreja de S. Sebastião

quinta-feira, junho 12, 2014


SITUAÇÕES…

O estado do tempo
O estado da nossa saúde
O estado em que vivemos
O estado do nosso país
O estado a que chegámos



 

quarta-feira, junho 11, 2014

CARTA ABERTA AOS PROFESSORES
Depois daquilo a que assistimos ontem, só resta aos professores uma atitude. Destituir de secretário-geral da FENPROF Mário Nogueira.
Os professores não podem aceitar que os represente alguém que quando vê um ser humano caído no chão, com os pés o calca para ele não se poder levantar.
Não são estes os professores que queremos a trabalhar com os nossos filhos e a encaminhá-los nos princípios da fraternidade, do humanismo e da justiça.

A boçalidade e o alarvismo têm um preço.

Sou insuspeito de simpatia pelo actual Presidente da República. Mas ali estava um ser humano a exigir cuidados médicos. Quem ofendeu o homem, ofendeu todos aqueles que acreditam no primado da humanidade sobre a selvajaria. Que um ser comum não o compreenda não é aceitável mas sou capaz de perceber. Que um professor não o compreenda é reprovável e deve ser suficiente para o negativar na sua avaliação. Que o representante de milhares de professores se comporte de forma energúmena é gravíssimo e a exigir medidas exemplares contra o exercício do seu cargo.

É a vez de dizermos: MÁRIO NOGUEIRA PARA A RUA!

terça-feira, junho 10, 2014

sábado, junho 07, 2014

PAPAGAIO LOIRO, DE BICO DOURADO...
AGORA PRESTEM ATENÇÃO:
O papagaio é na realidade uma mulher, que posou para Johannes Stötter.
O artista italiano passou semanas planeando a transformação.
Repare que uma das pernas da mulher formou a cauda da ave e, a outra, uma asa.
Um braço da modelo, originou a cabeça e o bico.

quinta-feira, junho 05, 2014

ADENDA À ÚLTIMA POSTAGEM
Este senhor que diz ser 1º Ministro do meu país, enerva-me, ofende-me e tira-me do sério.
Provoca em mim uma raiva e um ódio que nunca pensei serem possíveis em democracia.
O desplante com que diz que os Juízes do Tribunal Constitucional terão de ser mais bem escolhidos e melhores só me merece um grande desprezo.
Como é que "este" 1º ministro se atreve a dizer isto?
Como é que a pessoa que mais desprezou o povo trabalhador e laborioso deste país se atreve a falar assim?
Como é que alguém que manda milhares de portugueses para a emigração e outros tantos para o desemprego e para a morte por falta de cuidados de saúde, se atreve a classificar alguém?
Nojo é o que sinto por este senhor. Desprezo é o sentimento que me assalta. 

terça-feira, junho 03, 2014

ANTICONSTITUCIONALISSIMAMENTE
Desde pequeno que me habituei a ouvir e ler que a constituição de um país é o garante da sua identidade. Que são os tribunais próprios quem define o que é consonante a lei mais “sagrada” desse país. Mesmo no tempo do regime caído em 25/04/1974 havia algum pudor no que a este respeito concerne.

Com o actual Governo PSD/CDS toda a vergonha e honradez se perdeu. O que me pesa nesta atitude incompreensível é por um lado este coelho entre portas de meia-tijela por um lado pretender fazer de mim parvo. Por outro lado é ter perdido a capacidade de governar em favor do país, mas sempre contra o país. Isto se é verdade que um país se define pelo povo que o sustenta.
Cá para mim tenho uma solução para estes imbróglios. Na próxima revisão constitucional incluir uma emenda que determine o impedimento de um governo com a consequente dissolução da Assembleia da República sempre que um Governo num só ano apresente 3 propostas que sejam inconstitucionais ou que apresente as 3 em anos sucessivos.

Creio que aqui terminariam as fantochadas de coelhos e afins.

 

segunda-feira, junho 02, 2014

QUANTOS EVENTOS TEM CAPACIDADE A CÂMARA MUNICIPAL DE PENICHE PARA RELIZAR POR DIA?
Escrevo hoje (dia 1 de Junho) para publicar amanhã.

Estranhamente a Câmara Municipal celebra hoje o Dia do Pescador (que foi ontem -31 de Maio- a celebração) e “esquece” deliberadamente o DIA MUNDIAL DA CRIANÇA que hoje (1 DE Junho) se celebra.
Se é verdade que “as crianças são as flores da nossa luta” os nossos pescadores e suas mulheres, as atadoras e conserveiras, sentir-se-iam felizes por verem celebrados os seus filhos, irmãos e netos que aliás são, o objectivo final do seu trabalho.

Para celebrar as crianças não são em rigor necessários os professores a trabalhar e as escolas estarem abertas. Essa seria aliás uma explicação redutora.
Umas tendas no Jardim Público ou no parque do Baluarte, uns funcionários que orientem as tendas. Lápis de cor e de cera, papel, tintas, o pagamento a promotores de eventos que nos trouxessem funâmbulos e marionetes, a organização de umas corridas de bikes ou de skates, uns lanches à base de leite, iogurtes e umas sandes e teríamos uma festa que ficaria na memória das crianças do concelho de Peniche.

Mas organizar duas actividades num dia ultrapassa as capacidades dos serviços e a capacidade criativa dos nossos autarcas.
Nada como estar em final de mandato para trazer o relaxe e a acalmia dos dias. E sem querermos ser mauzinhos, digamos que a falta das câmaras de televisão tem um efeito dissuasor no empenho do executivo camarário.

PS: Curiosamente quando abrimos o site da CMP aparece um spot publicitário que diz, “UM MAR DE INICIATIVAS”. Agora ficamos a saber que este mar por dia não pode ter mais do que uma onda.