Nas arrumações com que me tenho entretido, coube a vez a alguns embrulhos dispersos que se encontravam na antiga casa dos caixões da minha avó. Um desses embrulhos tinha papéis vários do meu avô e entre eles um envelope com a data de 1917.

Serve o “post” de hoje para ver como tudo muda em tão curto espaço de tempo. 90 anos depois do meu avô ter copiado aqueles versos que se cantavam na altura, como forma de encontrar forças para suportar as agruras das dificuldades que os nossos militares encontravam nas suas missões, hoje, é crime de lesa pátria subscrito pelos que se auto-intitulam os líderes da nação portuguesa, encontrar esta forma de superação de angústias pessoais.
Transcrevo estes versos, porque sou da oposição. Porque acredito que deveria ser “proibido, proibir”. Aqui vai o meu contributo (e o do meu avô) para espalhar a confusão.
O Cigarro do soldado

Passa frio passa fome
O soldado até não come
Nada tem nada lhe doe
No cigarro uma ilusão
Acha força d’um leão
Que nas horas de ansiedade
Da amargura de saudade
O coração lhe magôa
No lugar d’uma fumaça
Todo o ar que colhe e passa
A saudade também vôa
Côro
E lá na terra estrangeira
Quando estiver na trincheira
Metendo a mão no burnal
Puxará da cigarrada
Que levou da terra amada
Que levou de Portugal
2º
O cigarro é um amigo
Que na páz e no perigo
Nos dá conforto e prazer
A gente fala-lhe e sente
E o cigarro arde contente
Por se fazer entender
E na mais rude batalha
Tudo leva n’uma aragem
O cigarro é um achado
Que traz ao pobre soldado
A alegria e a coragem
Côro
E lá na terra estrangeira
Quando etc. etc.

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